Notas do Autor
Os três escolhem seus iniciais...
Quando estava saindo, um jovem ouve...
Capítulo 46 - Isshu-chihou
Beru (Bianca) havia feito amizade com Cheren, pois o pai de ambos se tornaram amigos em um evento de quase dez anos, atrás.
Naquela noite fatídica, enquanto que os filhos destes estavam em um local se protegendo das intempéries provocadas pela batalha entre os lendários daquele mundo contra o lendário invasor Necrozma, há quase dez anos, atrás, o genitor de Beru salvava várias vidas, assim como o pai de Cheren, sendo que alguns dias depois, eles e outras pessoas, assim como pokémons, foram considerados heróis. A amizade entre ambos começou quando eles trabalharam juntos para socorrer humanos e pokémons, começando assim uma longa amizade entre ambos, acabando por fazer os filhos deles se conhecerem, sendo que o jovem sabia que o pokémon preferido de Beru era o tipo Fight, embora ela desejasse capturar um Minccino, também, conforme revelou para ele, uma vez.
Claro que o garoto passava vergonha quando a sua amiga ficava se esfregando nos pokémons musculosos, os assediando, fazendo os mesmos ficarem receosos e extremamente desconfortáveis.
Inclusive, Cheren achava que ela havia tido muita sorte que os pokémons selvagens evitavam atacar humanos e que os domésticos, apenas atacavam se ordenados. Se bem, que ele não culparia o pokémon que lutasse para afastá-la deles. No lugar deles, ele faria a mesma coisa, pois ficaria tão aterrorizado quanto eles, se um desconhecido ficasse se esfregando nele.
Claro que se fosse uma mulher não seria ruim. Mas ela era humana e eles, pokémons. Para os pokémons do sexo masculino, mesmo uma mulher humana era assustadora, se agisse de uma forma que eles não compreendiam. No quesito reprodução humana e em muitos outros aspectos envolvendo relacionamentos humanos, os pokémons eram inocentes, não compreendendo muitas das coisas humanas.
O outro jovem que iria escolher um inicial se chamava Shooty (Tripp), que havia se atrasado, sendo que se amaldiçoava por ter esquecido o carregador da câmera em casa, tendo que voltar para pegá-lo, acabando por se atrasar.
Como Beru apreciava o tipo Fight, escolheu o Tepig como inicial, enquanto que Cheren escolheu a Snivy, que na linha do tempo original seria de Shooty. Havia sobrado o Oshawott, que na linha do tempo original foi de Satoshi, um treinador de Kantou.
Após falar a habilidade, o sexo e os movimentos do Tepig para Beru, entregando em seguida a pokédex e pokéballs, assim como a pokéball do Tepig, a doutora Araragi se aproxima de Cheren que estava com Snivy em seu colo, a afagando, com a mesma curtindo o afago gentil, corando frente ao ato, com a doutora falando, enquanto sorria gentilmente:
- Ela é fêmea e tem a habilidade Overgrow. Os golpes dela são Tackle, Leer, Vine Whip, Mirror Coat e Magical Leaf, sendo os dois últimos, os golpes de nascença dela. O Magical Leaf, possuí como base sessenta de dano. Não é muito, mas ele sempre vai acertar o alvo, pois pertence a mesma classe do Swift. Porém, mesmo assim, os outros têm golpes mais poderosos. Nesse caso, preferi equilibrar com um adicional, o movimento Mirror Coat. Eu posso fazer isso, desde que o movimento suplementar para ajudar o treinador em sua jornada não possa ser usado constantemente. Afinal, ela pode ser finalizada se tomar danos de ataques especiais, apenas para usar esse movimento. Por isso, ao contrário dos outros golpes, não pode ser usado constantemente. Em relação a essa pokémon, é preciso tomar um cuidado especial.
- Qual doutora?
- É deixar a Snivy fora da pokéball, pelo menos, em dias de sol, para que ela possa ter energia ao absorver os raios solares. Se ela ficar dentro da pokéball muito tempo, sem tomar luz solar, ficará fraca, pois mesmo que ela coma a ração pokémon, ela precisa absorver a energia do sol. Um indicativo disso é a cauda dela. O normal é sempre estar com a cauda erguida. Se a cauda dela ficar baixa, faça a Snivy tomar um banho de sol o quanto antes – nisso, ela entrega a pokéball da Snivy, a pokédex e seis pokéballs, com ele guardando a tipo Grass, para testar se era mesmo a pokéball dela.
Então, pega a pokéball da Snivy e fala:
- Saia, Snivy.
Após a tipo Grass sair, ele se ajoelha sobre uma perna para ficar próximo da altura dela, enquanto se apresentava:
- Eu me chamo Cheren. Prazer em conhecê-la, Snivy. Espero que sejamos bons amigos. – ele fala o final sorrindo.
Ela fica surpresa e sorri, sendo que cora com o sorriso dele, sentindo o coração falhar uma batida, enquanto consentia, curtindo o afago gentil em sua cabeça feito pelo seu treinador, para depois subir no ombro do mesmo a pedido deste, enquanto abanava a sua cauda, ficando corada, sem saber do quanto foi sortuda ao ter o seu destino alterado do que seria no original.
Originalmente, além de ter nascido macho e com outro pai, iria parar nas mãos de Shooty. Nessa linha do tempo, nasceu fêmea e Cheren resolveu começar a sua jornada com um inicial dado pela Hakase Pokémon de sua região em vez de um pokémon dado pelo seu genitor, como inicialmente iria fazer, sendo o que havia acontecido na linha do tempo original
Shooty esperou a doutora se afastar de Cheren, para se aproximar do rapaz com os punhos fechados, sendo que o mesmo arqueia o cenho e pergunta, enquanto Snivy sentia medo do recém-chegado, decidindo se aconchegar em seu treinador, indo parar no colo dele:
- Por que está assim, Shooty?
- Eu queria a Snivy.
O treinador do tipo Grass dá de ombros e fala, percebendo que a sua pokémon se encolhia contra ele, como se tivesse medo de Shooty:
- Chegasse mais cedo para escolher ela. Sobrou o Oshawott.
- Troque comigo. – ele fala em tom autoritário.
Cheren revira os olhos, sendo que nota que a tipo Grass tremia, enquanto segurava fortemente a sua blusa, para depois a pokémon erguer os olhos, sendo possível ver os olhos lacrimosos dela, com ele podendo ver o desespero da pokémon que tinha medo de ser trocada.
Ele sorri de forma confortadora e afaga a mesma que relaxa, embora continuasse prendendo as suas patas na roupa dele, afundando a cabeça em seu tórax.
Então, o treinador dela fala friamente, deixando explicito em sua voz, todo o seu desagrado pela sugestão repulsiva de Shooty, a seu ver, enquanto o olhava com nítida repulsa:
- Pokémons não são mercadorias para serem trocados. Eu sou contra trocas de pokémons, como fazemos com roupas ou algo assim. Sei que é uma prática comum e que para muitos, eles não passam de simples mercadorias que podem ser trocadas sempre que os seus treinadores desejarem. Porém, é algo que desaprovo veemente, além de ver como uma prática repulsiva, pois esses treinadores não se importam com os sentimentos dos pokémons, os tratando como meros objetos. Essa prática só se torna aceitável para mim, se for para o melhor interesse do pokémon, com ele desejando a troca, porque aí, está se pensando na felicidade dele e não do humano. Os treinadores se esquecem de que não é somente fornecer ração boa aos pokémons e sim, cuidar do bem estar e da felicidade deles. Esses dois últimos costumam ser esquecidos por muitos treinadores. Os pokémons são seres vivos com sentimentos e emoções tão refinados quanto o de um humano. Eles sentem todas as emoções que nos sentimos, sem distinção, além de compreenderem o que nós falamos, demonstrando assim, que eles possuem inteligência. É repulsivo ver, eles sendo tratados como um objeto que você pode se desfazer quando desejar porque se enjoou ou porque somente se importa com o poder e não com o ser vivo em suas mãos que ri e chora como qualquer humano.
- Não devia falar isso, se há evoluções que somente ocorrem por trocas.
- Os pokémons sempre evoluíram sem o auxílio da tecnologia humana. No início, quando o Deus Criador Arceus-sama criou tudo, não existia tecnologia humana para evoluir os pokémons, sendo que eles evoluíam por si mesmos com exceção daqueles que evoluíam com as chamadas pedras da evolução como a Fire Stone, Water Stone, Thunder Stone, Leaf Stone, Moon Stone, Sun Stone, Shiny Stone, Dawn Stone, Dusk Stone e Ice Stone por causa da energia que irradia delas e que influenciam certos pokémons, desencadeando assim as suas evoluções. Portanto, nós sabemos que essas evoluções por trocas podem ser feitas por felicidade. Ou seja, se o pokémon amar o treinador, ficando feliz por estar com ele, este pokémon evolui. Basta dar amor ao pokémon que fica feliz, retribuindo esse sentimento, passando a amar o treinador, sendo capaz de fazer tudo por ele, inclusive milagres, pois o amor é muito poderoso e age de formas misteriosas. Mas como muitos são incapazes ou não tem paciência para dar amor para o pokémon, tratando-o com carinho para que esse sentimento seja retribuído, fazendo assim ele evoluir, preferem optar pela evolução por troca, sempre que possível, quando pode ser feita usando esse método. É mais prático e fácil para esses treinadores que não conseguem dar carinho e amor para os seus pokémons, pois os tratam como objetos sem sentimentos ou se preferir, como meras ferramentas para servir as suas ordens. É uma pena que essas evoluções por amor, não sendo necessária a troca para evoluir, não são conhecidas. Portanto, veja que a troca é totalmente desnecessária e que muitos fazem como se estivessem trocando de roupa ou objeto por terem enjoado ou por preferirem um objeto melhor como se fosse um celular, calçado e etc., não se importando com os sentimentos do pokémon ao ser descartado pelo seu treinador ao ser dado para outra pessoa.
A pokémon tipo Grass olha com admiração para o seu treinador que sorri gentilmente, a afagando, com ela retribuindo, enquanto esfregava a cabeça nele, abanando a cauda por estar feliz, pois percebeu que aquele humano era distinto de qualquer um que conheceu até aquele instante, sem ser a doutora Araragi.
Shooty estava se preparando para xingar Cheren por se negar a trocar a Snivy, quando fecha a boca ao ver que a doutora estava próxima dali, separando as pokédex e pokéballs, se limitando a fazer junta feia, enquanto bufava, indo até o inicial que sobrou.
Ao olhar atentamente o treinador que se aproximava dele, o tipo Water estreita o cenho, não apreciando o mesmo, decidindo que iria abandoná-lo se as suas suspeitas se confirmassem, já que descobriu que não sofria com a influência e submissão da pokéball. Por causa disso, conseguiria se afastar de qualquer treinador, se assim quisesse, além de sair da pokéball quando desejasse.
Ao contrário dos outros, Shooty sempre andava com uma câmera fotográfica para registrar a sua glória, sendo desnecessário dizer, que mesmo antes de enfrentar o mau humor do outro jovem por ter pegado a Snivy que este desejava, assim como, negando a troca, treinadores daquele tipo irritavam Cheren que mantinha distância do rapaz, não dirigindo a ele nenhuma palavra. Quanto a Bianca, ela não se importava com esses detalhes e não tinha qualquer problema em conversar com Shooty, desde que eram crianças.
Conforme Shooty e Beru saiam, com cada um tomando um destino, Cheren sentia pena do Oshawott por ter um treinador como Shooty, sem saber que o tipo Water não sofria influência e submissão da pokéball, permitindo assim que ele abandonasse o seu treinador na calada da noite ao sair por si mesmo da pokéball.
Conforme pensava no azar do outro inicial, ele também sentia pena do Tepig, pois conhecia Beru de longa data.
Afinal, o jovem sabia que quando o tipo Fire evoluísse para Pignite, seria agarrado, constantemente, pela sua treinadora e imaginava o sofrimento do pokémon quando ela esfregasse o seu corpo contra o dele, como se fosse uma tarada, como fazia com os outros pokémons, enquanto pensava no quanto a sua Snivy foi sortuda por ter sido escolhida por ele que almejava ser um Gym Leader no futuro, sendo que amava os pokémons.
Sorrindo com determinação, o garoto se prepara para partir, rumo ao seu sonho de conseguir bastante experiência e conhecimento para pleitear no futuro o curso para Gym Leader, cuja prova para entrar era difícil, consistindo de prova escrita e de prática, sendo esta última, para demonstrar conhecimento em batalhas ministradas por fiscais para testarem os conhecimentos dos aspirantes ao curso, além de analisarem o comportamento e conduta deles. Muitos se inscreviam e poucos conseguiam entrar ao passar pelas eliminatórias. Mesmo assim, isso não o desanimava, enquanto o estimulava a perseguir o seu sonho.
Então, quando ele ia começar a descer com a sua amiga, sorrindo ao ver que ela esfregava carinhosamente a sua cabeça nele, ele escuta a Hakase Pokémon falando em um tom de descrença, sendo possível ouvir de uma janela aberta próxima dali, o fazendo estancar o passo:
- Não conseguimos... Mas como isso poder ser possível? Quer dizer...
- Nós também achamos isso estranho, doutora.
