Notas do Autor
Isis consegue...
Druddigon descobre...
Deino fica...
Ambos decidem...
Capítulo 53 - Teste
Então, Isis fala sem exibir qualquer medo:
- Entendo que ainda é jovem e imagino que conseguiu um território recentemente, certo?
O rosnado do dragão diminui, exibindo surpresa em seus olhos ao ver o quanto a humana sabia dele que acena levemente, embora ainda exibisse as suas presas afiadas.
- Mesmo compreendendo o seu ato, não acha que esse pobre Deino já sofreu demais? Ele cometeu um erro ao entrar em seu território, isso é fato e acredito que ele já foi punido apropriadamente. Você já mostrou a sua superioridade a ele. Esse Deino é muito jovem, tal como você e foi gravemente ferido.
- O ponto não é esse! Ele invadiu o meu território! Merece pagar por ter ousado tomar o que é meu por direito! Um macho sabe que aquele território tem dono e só invadem se desejam tomar o território! – ele exclama dentre rosnados ensurdecedores que faziam o sangue de muitas pessoas em volta gelarem, mas não o de Isis e nem da Axew em seu ombro.
O pokémon está estarrecido pela humana não se abalar, exibindo o mesmo olhar de antes, apesar dos seus rosnados ensurdecedores, o rugido de ira que ele emitiu e da sua cauda ter sido brandida contra o solo, notando que a pequena Axew também não exibia medo, tendo o mesmo olhar da humana, que provavelmente era a sua treinadora.
- Ele já sofreu! Veja o estado dele! Ele vai morrer e para quê? Ele não o está desafiando e sim, está implorando! Veja! Isso por acaso é uma postura desafiadora que quer disputar com você o seu território ou é um pokémon jovem e imaturo que entrou por acidente em seu território? – o Druddigon não queria olhar, até que Isis exclama de forma autoritária, mostrando determinação em seus olhos – Olhe para ele!
Nisso, ele olha para o Deino debilitado, sendo que o mesmo se levanta, quase caindo, tombando a cabeça para frente, enquanto depositava a sua cauda em volta de seu corpo, assumindo uma postura de submissão e um desejo implícito de não batalhar.
O Druddigon olha longamente para o Deino e solta um rugido, sendo que levanta a sua cauda e bate no chão ao lado dele, violentamente, demonstrando o seu poder, sendo que o tipo Dragon e Dark, permanece na mesma posição de submissão.
Ao se acalmar, gradativamente, passando a prestar mais atenção no cheiro que exalava do pokémon debilitado na sua frente, ele detecta que era uma fêmea, ficando chocado, pois acreditava que era um macho. O fato dela, ser uma fêmea mudava tudo e começava a se sentir um bastardo por tê-la atacado dessa forma, julgando erroneamente que era um macho que queria tomar o seu território.
Pokémons selvagens não atacavam fêmeas, fossem selvagens ou domésticas, a menos que fossem encurralados por uma que era doméstica e que ataca o selvagem, conforme ordens do humano que a capturou. Tirando essa situação, eles somente atacavam outros machos selvagens. Eram as fêmeas que atacavam umas as outras e nunca um macho.
Ele exclama chocado:
- Eu estava atacando uma fêmea?!
- Pelo visto sim e senão me falha a memória, fêmeas não disputam territórios. E mesmo se fosse um macho, ele assumiu a postura de submissão, o reconhecendo como sendo o mais poderoso entre vocês. A sua autoridade foi demonstrada e aceita.
O Druddigon olha com pesar para a fêmea ferida, se sentindo mal e murmura envergonhado:
- Desculpe, não vi que era uma fêmea.
A Deino levanta a cabeça com visível surpresa, piscando, notando que o Druddigon não estava mais agressivo, exibindo uma face de culpa, assim como um olhar pesaroso, confirmando o que ela ouviu.
Fracamente, ela anda até ele e encosta uma de suas patas nele como se demonstrasse que o perdoava e sorri, falando:
- Entendo. Tudo bem. Todos erram.
O Druddigon fica ainda mais envergonhado, sendo que consente, enquanto a Deino ia até Isis, falando:
- Muito obrigada. Eu...
Então, ela tomba e é pega nos braços por Isis, sendo que Druddigon exibe preocupação com a jovem falando:
- Eu vou cuidar dela. Não se preocupe.
- Eu preciso saber que ela vai ficar bem. É por minha culpa que ela está assim! Se não tivesse me detido, eu... eu...
- Entendo. Se puder, me ajudar a leva-la.
O Druddigon consente e pega delicadamente a Deino, seguindo Isis, sendo que Iris, estupefata, sai de seu esconderijo, com os outros da vila se reunindo, murmurando animados o quanto Isis foi corajosa e que parecia uma autêntica Mestra de dragões, encarando um dragão selvagem sem se intimidar pelo mesmo, sendo que a Líder da vila que era uma das maiores Mestras de Dragões e a anciã que observavam tudo, sorriam, comentando entre si:
- O ato da Isis-chan foi incrível. Ela agiu como uma verdadeira Mestra de Dragões. Exibiu determinação e não se deixou intimidar pelo Druddigon. Não é qualquer um que tem a coragem e a ousadia de encarar um tipo Dragon selvagem e sustentar o olhar, sem se intimidar.
- Sim. Essa jovem tem a alma e o coração de uma Mestra de dragões. É algo dentro dela. Não é qualquer um que encara um dragão em sua fúria. Claro, é arriscado, mas o segredo é a determinação e a postura. Cautela é recomendada, claro.
A Líder da Vila dos Dragões falava, enquanto pegava no colo um dos seus gatos que a seguiu, o afagando, com o mesmo ronronando, sendo que os animais da vila como gatos, cães, bois, cabras, bode, galinhas, porcos, além de alguns cavalos e ovelhas, haviam se acostumado com os rugidos de dragões, já que tais rugidos eram comuns e por isso, não se assustavam quando um tipo Dragon rugia.
- Eu ouvi a análise que ela fez dos dragões. A Isis-chan sabia com o que estava lidando e que era seguro intervir, por assim dizer. Além disso, não era uma batalha e sim, um dragão apanhando do outro. Nenhum humano deve se aproximar de dois dragões adultos, batalhando entre si, pois ficam tomados pela fúria e em muitos casos, pode ser uma fúria extrema. Se forem domesticados ouvem a voz do seu treinador. Claro que se for muito intenso, eles podem ficar surdos às ordens e aí os laços entre o treinador e o tipo Dragon são colocados a prova. Se tiverem laços fortes e indestrutíveis, mesmo em um estado de fúria extrema, ele vai ouvir a voz do seu treinador, pois os seus corações e alma estão conectados, sendo um vínculo poderoso e profundo baseado no amor, pois o amor é muito poderoso. Mais poderoso que a ira ou o ódio. Por isso, que mesmo em um estado de fúria extrema, eles ouvem os seus treinadores. Os que têm laços fracos, ainda mais aqueles que não são formados pelo amor e pela união, acabam perdendo o controle sobre o seu tipo Dragon, uma vez que os seus corações e almas não estão conectados e aí reside o perigo.
- De fato, em sua fúria extrema, eles ficam praticamente cegos e surdos a tudo a sua volta, passando a enxergar apenas o seu oponente e só param se forem derrotados. Isso acontece em batalhas intensas e normalmente com dragões de alto nível. Inclusive, não é somente o pokémon que deve treinar e sim, o humano, também. Se treinarem juntos, o seu vínculo floresce, mas tal como uma planta, precisa de cuidados para se desenvolver. No caso, os laços precisam ser desenvolvidos e fortalecidos.
- Sim. Isis-chan só interviu, pois viu que era uma situação que ela podia agir. Um Druddigon jovem, sem ser uma briga entre dragões, não ofertaria perigo. A postura foi fundamental, assim como o olhar.
- Um dragão selvagem atendeu a um pedido dela. Há quanto tempo não vemos uma jovem conseguir que um selvagem a ajude?
- A última vez foi com você. – a anciã fala sorrindo.
- Verdade. O Drake-san também conseguiu essa façanha com um Haxorus.
- E você foi com um Hydreigon, senão me falha a memória.
- A senhora acertou. Das duas jovens aspirantes, consegui ver na Isis-chan a alma e o coração de um verdadeiro Mestre de dragões. Eu sinto que é o céu é limite.
- Se ela conseguir um tipo Dragon e Flying, o céu não será mais um limite para ela. – a anciã fala, sorrindo.
- De fato. Nem o céu será o limite para a Isis-chan. Ela será como um magnifico dragão ascendendo aos céus, pois o verdadeiro Mestre de dragões entende a alma e o coração de um tipo Dragon e naquele momento, ela mostrou que tem essa habilidade dentro dela.
- Ela me lembra de você quando era criança.
- Verdade.
Iris bufa irada ao ver a admiração que todos demonstravam e passa a ser consumida pelo ciúmes e pela inveja, saindo da vila, bufando, pois não aguentava mais ouvir os elogios de todos e que eles falavam que haviam acabado de ver uma futura e magnífica Mestra de dragões.
Algumas horas depois, deitada em um local confortável, já devidamente tratada e medicada graças às infusões que Isis preparou, com o Druddigon exibindo preocupação, a jovem fala:
- Ela está bem, agora. Pode ficar tranquilo.
- Eu me sinto culpado. Eu...
Ele murmura se sentindo envergonhado, ainda, sendo que estava cabisbaixo, para depois ficar surpreso com o afago gentil da humana que fala:
- Você errou ao não verificar se era um macho ou uma fêmea. É apenas um dragão jovem que quer mostrar o seu poder e supremacia aos outros, ainda mais ao conseguir um território. O que você deve fazer é tomar mais cuidado. Sei que é difícil, mas evite agir de forma impulsiva. Quando você faz isso, fica cego para tudo a sua volta e isso é perigoso. Domine a si mesmo e será um magnifico dragão. – ela fala o final sorrindo.
O pokémon fica surpreso e sorri, consentindo, sendo que fala:
- Obrigado.
Nisso, Deino acorda, sendo que Isis troca a toalha úmida na testa da pokémon, para depois por a mão, ficando aliviada ao sentir que a febre já havia cedido, verificando também os ferimentos dela ao tirar os curativos que fez, tendo administrado uma espécie de pasta de ervas medicinais nos ferimentos, percebendo que haviam sido curados e fala, sorrindo gentilmente:
- A febre já cedeu e os ferimentos estão curados.
- Obrigada. – a pokémon agradece, sorrindo.
- Por nada. Imagino que está com fome.
Nisso, eles ouvem um ronco proveniente de um estômago com Deino corando, fazendo Isis sorrir, assim como a Axew em sua cabeça, sendo que depois ouvem um barulho ainda mais alto, com o Druddigon, olhando sem graça para o lado.
Isis sorri e fala:
- Tem para tudo mundo! A Axew-chan deve estar com fome, também.
A tipo Dragon em seu ombro acena, animada.
Então, ela serve comida para os três, sendo que a Deino já estava melhor, passando a comer animada a ração pokémon que a jovem serviu para todos, enquanto que havia feito alguns sanduiches para comer, com os três provando um sanduiche, cada um, aprovando o sabor, após comerem a ração pokémon que era rica em vitaminas, nutrientes e minerais, assim como era saborosa, já que Isis havia preparado a ração. Ela tinha um livro com receitas de ração pokémon para cada tipo de pokémon em sua mochila, assim como da Nature (natureza) do mesmo.
Após confirmar que o tipo Dragon e Dark havia se recuperado por completo, a jovem leva o Druddigon e a Deino para os limites da vila, falando:
- Fico feliz em saber que vai cuidar dela.
- É o mínimo que eu posso fazer. Nós, machos, nunca devemos atacar uma fêmea, a menos que seja uma fêmea doméstica que está cumprindo as ordens do seu treinador. Eu tenho uma dívida com ela pelo meu ataque brutal e que quase a matou. Senão tivesse intervindo, ela teria morrido. Eu serei eternamente grato pela sua intervenção providencial.
Ela afaga o tipo Dragon que curte o afago, para depois ela afagar a Deino que aprecia o carinho, se despedindo deles que observam a humana partir com a mochila em suas costas e a Axew em sua cabeça, sendo que estavam pensativos.
Eles entram no território dele e Deino fala se sentando próxima de um rio que possuía uma correnteza forte:
- Eu gostei daquela humana. Ela tem uma áurea brilhante. Assim... eu não sei explicar. Nunca vi uma humana como ela.
- Eu também e olha que eu já vi vários humanos – ele sorri consigo mesmo – Ela é peculiar. Muito peculiar.
- Eu concordo. Ela cuidou de mim, sem segundas intenções. Poderia ter me capturado por eu estar fraca. Eu não acredito que conseguiria reagir contra uma eventual captura no estado em que eu me encontrava.
- Verdade. Ela a tratou sem ter interesse em nos capturar.
Após alguns minutos, a Deino fala:
- Eu sinto vontade de segui-la. Eu me sinto bem perto dela. Ela parece ser bem gentil e consegue compreender o nosso coração.
O Druddigon pergunta visivelmente, surpreso:
- Você sabe que para isso, terá que ficar confinada naqueles dispositivos estranhos?
- Sim. Mas ela não parece alguém que me deixará confinada direto, somente saindo para batalhar e treinar. Sabe, eu imagino se eu poderia ser mais forte para defender aqueles que são queridos para mim. Se eu fosse desejar o poder, seria para isso.
- Por que fala isso? – ele pergunta, arqueando o cenho.
- Eu tinha um irmão mais novo, que acabou falecendo no desmoronamento de uma caverna. Eu sobrevivi por milagre. Cavei para tentar desenterrá-lo das pedras, mas demorei muito tempo. Quando cheguei até ele, ele... ele... – ela murmura com os seus orbes lacrimosos, não conseguindo pronunciar que o seu amado irmão estava morto.
Druddigon afaga as costas dela de forma confortadora e fala pesaroso:
- Eu imagino a sua dor.
- Se eu fosse mais forte, eu... eu... – ela olha com a sua face úmida para o Druddigon, começando a chorar - Eu era a mais velha. Já não tínhamos pais. Só tínhamos um ao outro e eu falhei em cuidar dele.
Ele a abraça e depois, ela se acalma, falando:
- Eu não quero que isso aconteça novamente. Eu quero salvar aqueles que são queridos para mim. Não quero mais me sentir impotente.
Druddigon fala, após alguns minutos:
- Eu não tenho uma historia tão triste quanto a sua, mas eu era o mais novo da ninhada e o mais fraco. Os meus irmãos viviam batendo em mim para exercitar o seu domínio e poder sobre mim, assim como faziam um com o outro. Eu tentava batalhar contra eles, mas perdia. Nossos pais não intercediam, pois sabiam que eu precisava ser forte para sobreviver quando crescesse, quando desejasse me afastar deles para procurar o meu lugar no mundo. Após apanhar tanto, passei a desejar o poder. Queria ser forte. Queria derrota-los. – ele fala determinado, erguendo os punhos – Nada me daria mais prazer do que derrotá-los.
- Conseguiu?
- Não... Eles seguiram o seu destino. O meu sonho é encontra-los algum dia e mostrar o meu poder. Mostrar a eles que eu não sou mais aquele fracote que apanhava deles. Eu ficaria mais do que feliz de esfregar os focinhos deles no chão.
- Entendo.
Druddigon fica pensativo e depois fala:
- Não consegui ser poderoso sozinho. Talvez, com aquela humana, eu posso ser mais poderoso.
A Deino fica surpresa e pergunta:
- Vai largar o território que tanto lutou para conseguir?
Ele sorri fracamente, falando:
- É questão de tempo até eu ser derrotado. Não vou conseguir mantê-lo por muito tempo. Eu sinto isso. Por isso, agi de forma tão agressiva, não percebendo que não era um desafiante e sim, uma fêmea. Eu estava desesperado para manter o meu território. Eu perdi muitas batalhas. Por isso, eu acredito que não vou manter por muito tempo o que eu conquistei. Eu sinto isso, até pelos rugidos poderosos que eu ouvi, inclusive, não muito longe daqui. Eram rugidos de machos e que demonstravam o seu poder. Um poder que não possuo. Não precisa ser inteligente para saber o resultado se eu batalhasse contra um deles. Inclusive, eu ouvi os rugidos dos meus irmãos e eles exibiam um poder um pouco maior do que eles tinham, antes de nos separarmos para buscarmos nosso lugar no mundo.
- Entendo... Se treinar, vai conseguir, com certeza. – a Deino fala sorrindo para ele, desejando passar confiança para o mesmo que sorri.
Então, após ficar pensativo, olhando o fluxo intenso do rio, ele fala:
- Eu prometi que cuidaria de você e vou cumprir com a minha promessa. Ademais, você quer ir com aquela humana. Você busca o poder para salvar quem ama. Eu busco o poder para não apanhar como apanhava quando filhote. Eu quero ser mais poderoso que os meus irmãos... Não. Na verdade, eu quero ser o Druddigon mais poderoso de todos!
Eles se entreolham e sorriem, se levantando, farejando atentamente o ar.
- Eu sinto o cheiro dela. Podemos alcança-la.
Porém, antes que saíssem do local, eles ouvem um barulho altíssimo e depois, avistam um clarão intenso que provoca uma revoada de pássaros animais, de Pidoves e de Duckletts, assim como de alguns Tranquills, além de verem vários outros pokémons e alguns animais correndo pelo solo, assim como descendo velozmente o rio, ignorando as perguntas de ambos por desejarem se afastar o quanto antes do local.
Então, em seguida, reina o mais absoluto e aterrador silêncio.
Rapidamente, Druddigon assume uma posição protetora na frente da Deino e rosna para o que quer que fosse, enquanto ambos sentiam cheiros estranhos e bem fortes, assim como, irreconhecíveis.
