Notas do Autor

Satoshi descobre que...

O Casal Spearow fica...

Satoshi e os outros descobrem...

A Ponyta decide...

Capítulo 102 - O orgulho de um filhote e o passado da Ponyta

Eles tornam a se entreolhar e após observarem por alguns minutos o Ekans, eles consentem, abrindo as suas asas, após darem carinho com o bico em cada um dos filhotes adormecidos, com Satoshi jogando uma coberta quentinha em cima deles, visando aquecê-los, com o casal ficando satisfeito com o cuidado demonstrado para com as suas crias, para depois se juntarem aos outros no céu, sobre um sorriso do jovem.

Então, após alguns minutos, ele percebe uma movimentação entre os filhotes, sendo que nota que um deles abre o biquinho, bocejando, enquanto se levantava, olhando para os lados, exibindo preocupação em seu olhar até que ameaça chorar, com os seus orbes ficando úmidos, enquanto o seu biquinho tremia.

Rapidamente, Satoshi a afaga, não sabendo que era a única fêmea da ninhada, sendo que ele fala, gentilmente, chamando a atenção do filhote:

- Os seus pais estão voando um pouco junto dos outros. Portanto, eu vou cuidar de vocês, até eles voltarem.

Ela olha e consente, o identificando como o humano que os seus pais obedeciam, sendo que ainda não compreendia o motivo dos seus pais fazerem isso, para depois olhar para o céu, com os olhinhos brilhando, sendo que Satoshi nota o olhar e fala gentilmente, a afagando:

- Você ainda é pequena. Quando você crescer, poderá voar junto dos outros.

Porém, em um piscar de olhos, ela salta para a borda da mochila e depois para o ar, batendo freneticamente as asinhas, caindo abruptamente no chão, começando a chorar.

- Eu disse que ainda era muito pequena. – ele fala, pegando-a delicadamente na mão, ficando aliviado ao ver que ela estava bem e que os outros estavam mais interessados em dormir do que qualquer outra coisa, enquanto a pequena olhava para ele com os olhos lacrimosos – Eu entendo que quer voar, mas tudo vem ao seu tempo. Você não está pronto para voar, ainda.

Ela bufa as bochechas, demonstrando a indignação em seu olhar, para depois ficar irritada com que o humano disse por ter herdado o orgulho do seu genitor e em virtude disso, ela bica com força o dedo dele, provocando um ferimento, fazendo Satoshi exibir um esgar de dor.

Após ficar satisfeita, ela se desvencilha da mão dele e novamente, salta para o ar, batendo as asinhas freneticamente, apenas para cair, sendo que fecha os olhos se preparando para a dor, até que sente que cai em algo que não provoca dor e ao abrir os olhos, percebe que era a mão do humano que a pegou no ar, antes que caísse na grama, exibindo preocupação em seu olhar, perguntando:

- Você está bem?

Ela fica surpresa pelo ato dele, após tê-lo machucado, passando a olhar para o ferimento que fez no dedo dele, se sentindo culpada, sendo que murmura cabisbaixa em seu idioma, encolhendo as asinhas:

- Desculpe.

Satoshi tem uma noção do que ela disse e a afaga carinhosamente, a fazendo curtir o carinho amável, para depois ouvi-lo falar, olhando atentamente para ele, curvando a cabecinha para o lado:

- Tudo bem. Com certeza, um dia, você vai poder voar no céu e será a melhor dentre a sua espécie. Porém, agora, você deve se concentrar em se alimentar adequadamente e descansar bastante para crescer forte e saudável. Tudo tem o seu tempo. Assim, quando chegar o momento de voar, você abrirá as suas asas, passando a percorrer o céu. - ele fala sorrindo gentilmente.

A pequena fica boquiaberta e depois consente, batendo as asinhas animadamente, com a Pidgeotto se aproximando deles, sendo que as outras estavam ajudando a Sandshrew shiny, que aos poucos, estava superando a sua timidez, pelo menos em relação aos outros pokémons, conseguindo controlar a vontade de se tornar uma bola, somente fazendo isso algumas vezes, o que era um grande avanço ao ver delas.

- Eu posso levá-la nas minhas costas, fazendo um voo rasante, Satoshi-sama.

Ela fala, sendo que Yukiko se aproximou com a Hime em seu ombro, traduzindo o que ela falava, sendo que Sora, a Spearow da albina, estava no outro ombro, olhando para os seus sobrinhos e depois, para a sua sobrinha, percebendo que de fato, ela era bem orgulhosa.

O jovem nota a animação da pequena e consente, sorrindo, enquanto falava:

- Ótimo.

Nisso, ele coloca a pequena no dorso da Pidgeotto, procurando amarrá-la gentilmente com um pano, deixando as asinhas livres, com o tipo Flying voando com cuidado, mesmo com a pequena amarrada, sendo que o filhote curtia o voo, sentindo o vento em suas peninhas, enquanto batia euforicamente as asinhas, imaginando que estava voando.

Elas ficam alguns minutos assim, até que a pequena boceja, exibindo sonolência, com o tipo Flying sorrindo maternalmente, voando até Satoshi que desamarra a pequena e a pega delicadamente na mão, com a mesma apoiando a sua cabecinha no polegar dele, se ajeitando para dormir em suas mãos, suspirando feliz.

Ele a leva para o ninho improvisado e ao tentar colocá-la junto com os irmãos dela, ela desperta e nega com a cabeça, exibindo olhos pidões, grudando as suas garrinhas na luva dele, que após tentar acomodá-la no ninho mais algumas vezes, não obtendo qualquer êxito, suspira e cede aos olhões pidões, sorrindo gentilmente, voltando a cobrir os outros filhotes com a manta, vendo que a pequena saltava de forma torpe em decorrência do sono que a tomava, andando pelo braço dele, com ele colocando a sua mão embaixo dela para pegá-la caso caísse, sorrindo ao ver que ela se dirigia até a junção da gola da roupa dele e do colete, se aninhando contra o seu pescoço, em seu ombro, começando a cochilar, após suspirar feliz, conforme ele a afagava, sendo que a pequena esfregou a cabecinha nele, antes de se entregar ao sono, começando a ressonar.

Após a pequena se ajeitar, ele trata o ferimento em seu dedo, para depois, fazer um curativo.

A Ponyta assiste surpresa aos atos de Satoshi, testemunhando a preocupação dele para com a pequena, passando a sentir ainda mais alívio em virtude da decisão que havia tomado, pois se havia qualquer hesitação e dúvida, elas estavam desvanecendo gradativamente ao ver o quanto ele era gentil, bondoso e amável, desde que testemunhou os cuidados para com ela mesma, as suas ações para com a Sandshrew shiny e o ato dele de proteger a pequena da queda e cuidar dela, mesmo após ela ferir ele, sendo que todas as ações dele, apenas confirmavam o que o Pikachu disse sobre o humano, fazendo-a considerar o conselho do roedor elétrico.

Então, os pais voltam e ficam surpresos ao verem a filha deles com Satoshi, que explica o ocorrido, com eles notando o curativo no dedo, para depois os pais exibirem orgulho pela princesinha deles querer voar em tão tenra idade, sem auxílio, exibindo assim o seu orgulho e determinação, para depois mostrarem preocupação, pois se lembraram dos perigos de um filhote que queria voar antes do tempo e que caía do ninho, apenas para virar comida de algum predador faminto.

Portanto, eles ficaram aliviados que Satoshi estava ali e que por isso, não precisavam passar por essa provação em particular.

Como a pequena estava profundamente adormecida, Satoshi a pega de forma gentil e acomoda ela no ninho, junto com os irmãos dela, para depois a mãe cobrir os filhotes com o seu corpo, os aquecendo com as suas penas, enquanto o seu companheiro pousava ao seu lado, com o casal agradecendo ao seu treinador por ter cuidado das crias deles, sendo que Yukiko traduzia o que eles falavam.

- Disponha. Eu acho bom, vocês terem os seus momentos a sós. – ele fala sorrindo, para depois demonstrar surpresa em seu semblante - Não sabia que ela era a fêmea da ninhada. De fato, ela parece mais forte que os irmãos, além de ter herdado o seu orgulho.

Quando o jovem comenta isso, olhando para o Spearow Líder, o tipo Flying infla o seu peito, sentindo-se orgulhoso, pois acreditava que de todos os seus filhotes, seria ela que iria herdar a liderança do bando, tal como foi com ele quando era filhote, pois desde tenra idade, já se destacava dos seus irmãos, que haviam saído do bando do genitor visando criarem o seu próprio bando para liderarem, após ele derrotá-los em uma batalha, assumindo a liderança do bando do pai deles.

Satoshi afaga os pais Spearows, para depois se afastar, sendo que os membros do bando ainda voavam pelo céu, com a mãe Spearow falando em tom de brincadeira:

- A nossa filha tem bom gosto. Ela sabe escolher um macho.

O pai Spearow fica chocado e fala com indignação, a surpreendendo, fazendo-a exibir uma gota na cabeça:

- Não fale isso nem em tom de brincadeira! Já foi uma visão preocupante vê-la aninhada no ombro do nosso treinador! Quase tive um infarto ao ver essa cena.

- Eu estava brincando. Além disso, ele é humano. Mas quem sabe, daqui a algum tempo, eu não tenha netos. – ela comenta o final de forma sonhadora.

Então, ele fala com determinação em seus olhos, voz e postura:

- Se depender de mim, ela vai morrer intocada. Portanto, se você espera netos, espere dos nossos outros filhos e não da nossa princesinha. Não permitirei a aproximação de qualquer macho. Se algum macho ousar se aproximar da minha princesinha, irá se entender comigo, se arrependendo do dia em que nasceu.

A mãe Spearow fica com uma gota, assim como os pokémons que ouviam isso, sendo que Yukiko traduz para os outros, que também exibem uma gota na cabeça.

Então, a fêmea comenta:

- Mas ela vai precisar de herdeiros para continuar a linhagem de Líder do bando. Logo, ela terá que acasalar e ter filhotes em algum momento da vida dela.

O tipo Flying fica chocado e após alguns minutos, se recompondo da visão chocante e igualmente desesperadora que ele teve da sua princesinha com um macho, ele fala:

- O mais forte e poderoso dos filhotes dos nossos outros filhos, pode se tornar um herdeiro ou herdeira, se for fêmea, da nossa princesinha, resolvendo assim o problema de continuidade da linhagem, enquanto permite que ela permaneça intocada. – ele fala o final com visível satisfação e alívio ao encontrar uma solução.

A fêmea fica boquiaberta com a saída inusitada encontrada pelo seu companheiro, sendo o mesmo para outros, com a Eevee comentando:

- Eu estou com pena desse filhote. Não duvido que ele vai fazer ela ser intocável. Confesso que também estou com pena daquele que ousar se aproximar dela para cortejá-la, quando ela crescer.

Após Yukiko traduzir o que o tipo Normal disse, todos concordam com a pokémon, pois não duvidavam que o Spearow iria cumprir com a sua ameaça, caso algum macho ousasse se aproximar dela, fazendo esse macho se arrepender do dia em que nasceu ao se lembrarem do que ele fez com o Ekans e com o Mankey, quando este ousou cortejar a companheira dele. Ele foi no mínimo, brutal.

De fato, ao olharem para o Mankey mulherengo do Satoshi, este procurava manter uma distância considerável da companheira do Spearow líder.

Nesse interim, Satoshi notou que quando a Ponyta olhou para os filhotes e depois, para os pais Spearows, ela exibiu um profundo olhar de tristeza e dor, sendo que se aproxima dela, a surpreendendo ao perguntar:

- O que aconteceu, Ponyta? Você exibiu um olhar de profunda tristeza e dor.

Ela fica surpresa e olha atentamente para ele que pergunta, enquanto a afagava:

- Pode contar. Qual é o motivo daquele olhar?

Nisso, Yukiko e os outros se aproximam, exibindo preocupação em seus semblantes.

Após olhar para eles, ela suspira, enquanto falava:

- Sinto saudades da kaa-chan. – ela fala com a voz embargada.

- Ela foi capturada, também?

- Eu não sei. Eu...

- Pode contar o que ocorreu? – Satoshi perguntando, procurando confortá-la.

Ela suspira e fala:

- Eu estava pastando junto da kaa-chan, quando vi uma borboleta. Eu achei ela linda e passei a segui-la. Não me lembro do quanto eu me afastei da minha genitora. Quando percebi que estava em um local desconhecido, fiquei apavorada e comecei a procurar pela minha mãe. Então, ao sair de trás de uma moita, eu virei a cabeça e fiquei apavorada ao ver um humano, sendo que ele jogou uma pokéball e dela, saiu o Elekid. Eu fiquei aterrorizada pelo que me contaram dos humanos e fugi, resistindo a influência de atacar aquele pokémon doméstico. Eu ouvi o humano ordenando golpes e tudo o que eu senti foram dores intensas ao ponto de não discernir os golpes, enquanto lutava para fugir dele, até que cai no chão, com o meu corpo sendo tomado por dores excruciantes. Eu tentei me levantar, mesmo caindo toda a vez que tentava, sentindo em seguida algo se chocar contra mim. Depois, eu estava em local estranho, mas que era estranhamente agradável de uma forma que me estimulava a me encolher, buscando algum conforto para o meu sofrimento, com esse lugar estranho procurando proporcionar isso ao cessar as dores que eu sentia, conforme eu me encolhia ainda mais ao aceitar ser envolvida por esse estranho conforto e promessa do fim das dores pungentes, enquanto eu sentia uma pressão imensa e uma força indescritível, assim como, igualmente estranha que eu não conseguia distinguir, me subjugando ao mesmo tempo em que oferecia a tentação imensa do conforto e o fim das dores pungentes. Como eu estava sentindo muita dor e estava desesperada para que as dores cessassem, eu aceitei esse conforto e ao me encolher, as dores cessaram imediatamente, pois eu fui envolvida por essa espécie de manto e que era extremamente aprazível, para depois, ficar agoniada, agora mentalmente, por sentir essa subjugação de forma opressora e igualmente plena, me vinculando de forma estranha a algo. Inclusive, eu não conseguia me libertar do manto confortador, após ele me envolver, porque uma parte minha, sendo esta bem influente, não desejava sair desse conforto aprazível, juntamente com as dores que cessaram e isso me deixou confusa, impedindo que eu me afastasse. Não consigo descrever exatamente o local e a sensação. A minha saída do local estranho em que eu me encontrava foi impulsionado por essa força invisível. Após sair, eu descobri que o sofrimento não havia cessado, pois eu voltei a sentir as dores intensas.

Após alguns minutos, ela fala com a voz embargada:

- Eu fiquei desesperada e comecei a chorar, querendo a minha mãe. Logo que comecei a chorar, chamando pela minha mãe, ele deu ordens ao Elekid e este começou a bater violentamente em mim. Tudo o que eu sentia era mais dor e sofrimento, enquanto eu chorava de desespero, dor e agonia. Cada vez que eu chorava, ele mandava o pokémon dele bater em mim, enquanto ordenava que eu me calasse, me fazendo sentir a força estranha que estava me obrigando a me calar. Porém, eu estava desesperada. Havia os golpes, a dor intensa e a força invisível que queria me obrigar a me silenciar e quando acatei em meu desespero essa força invisível que ordenava que eu me calasse, as dores continuavam, mas não havia novas dores, enquanto que somente saíam lágrimas dos meus olhos, sendo que me encolhia aterrorizada com a presença do humano e do pokémon. Eu estava apavorada e confusa. Ele aplicou algo que cessou as minhas dores, enquanto ele apontava um objeto redondo para mim, dando uma ordem, me fazendo entrar no objeto, sendo que me encolhi ainda mais nesse espaço estranho e imensamente agradável, buscando algum conforto, pois esse lugar me ofertava esse conforto aprazível, enquanto sentia a perda da minha amada mãe, me amaldiçoando por ter seguido aquela borboleta.

Ela suspira e fala cabisbaixa, sendo visíveis as lágrimas que brotavam dos orbes dela, com a Ponyta voltando a falar, com todos a ouvindo em silêncio, sendo que muitos choravam ao ouvirem o relato, principalmente as fêmeas, enquanto que todos eles sentiam muita pena do filhote.

- Depois, quando fui obrigada a sair pela mesma força invisível que me subjugava, eu estava na frente de outro pokémon que começou a me atacar, sendo que ao receber ordens, essa estranha força que sempre me acompanhava, me obrigava a obedecer, enquanto eu sentia novas dores, só cessando quando eu entrava na pokéball, sendo que passei a desejar entrar na mesma e ficar lá, ao mesmo tempo que desejava, desesperadamente, ser chamada para dentro do objeto, pois o estranho lugar me proporcionava alívio e um conforto imenso por ser um ambiente agradável, enquanto eu passava a detestar sair para fora, pois lá fora, havia somente a promessa de sofrimento e de dor. Havia sempre a dor e o sofrimento, fora da pokéball. Para mim, o único local seguro e que proporcionava o fim do meu sofrimento era dentro da minha pokéball, enquanto que eu chorava todos os dias, sendo que ainda choro por sentir saudade da minha kaa-chan.

Hitmonlee e os outros que pertenceram a Shinta (Paul) sabiam bem do que ela falava, pois para eles era a mesma coisa. Ao ver deles, a pokéball era o único local seguro, assim como aprazível e que proporcionava o fim da dor e do sofrimento. Por isso, ficavam angustiados quando saíam do objeto, pois havia a promessa de dor e de sofrimento ao saírem. Inclusive, preferiam ficar sem comer, para não saírem da pokéball, pois após a comida, um novo inferno os aguardava. Por isso, também preferiam ficar confinados na pokéball e que o ato de saírem era desesperador para eles, enquanto que desejavam, desesperadamente, serem chamados para a pokéball.

Enquanto isso, Yukiko e Hime desejavam poder ressuscitar Shinta, apenas para torturá-lo novamente e se pudessem, adorariam torturá-lo por vários dias, interruptamente, enquanto que não imaginavam maior tortura para ele, pois todas que imaginavam eram insuficientes.

A pokémon é abraçada por Satoshi de forma confortadora, vendo a tristeza nos orbes dele, a surpreendendo, notando que os outros a olhavam com pena e muitos choravam, com aquele que a abraçava, falando:

- Eu vou ajuda-la a encontrar a sua mãe. Vou reuni-las de novo. Eu prometo. Não vou descansar até juntá-las de novo.

Ela fica surpresa e olha nos olhos do jovem, vendo a sinceridade e determinação em seus olhos, percebendo que ele falava a verdade, enquanto o tipo Fire abria um sorriso trêmulo, exibindo um olhar repleto de esperança:

- Promete mesmo que vai nos reunir?

- Sim. Eu prometo. Vão poder ficar juntas, de novo.

O tipo Fire sorri, consentindo, enquanto chorava de felicidade, para depois parar, exibindo preocupação em seu semblante, com o jovem arqueando o cenho:

- O que houve Ponyta-chan?

- Mesmo se nós nos reunirmos, eu não acho que a kaa-chan possa nos salvar de algum humano. Inclusive, se ela tivesse aparecido, teria sido capturada. Não consigo imaginar eu e a minha mãe, fugindo com sucesso de uma captura. Nós poderíamos acabar nas mãos de outro mestre cruel que iria nos separar – ela treme ao se lembrar de Shinta, pois ele estava em seus pesadelos – Eu... eu...

- A sua mãe pode se juntar a nós. Vocês podem ficar soltas no Laboratório do doutor Ookido. Ele tem um espaço enorme, tendo uma área imensa de campina, dentre os ambientes que ele possui. Vocês podem relaxar, vivendo felizes, sem a ameaça de serem separadas ou de acabarem nas mãos de um treinador cruel. Não consigo imaginar outro local mais seguro e aprazível que o laboratório e se tentarem capturar vocês, não vão conseguir, pois possuem as suas respectivas pokéballs. Com certeza, o doutor deixará vocês duas fora das pokeballs. O que me diz? Talvez só precisem fazer alguns exames, mas o doutor ama os pokémons. Com certeza, serão bem tratadas e todos nós prometemos que não vamos separá-las.

Nisso, Yukiko, Shigeru e Cheren consentem, com ela notando a verdade nos olhos dele, com o jovem de Isshu-chihou (Unova), falando:

- É o mesmo para a doutora Araragi (Juniper).

Ela fica surpresa e Satoshi mostra fotos dos locais e dos pokémons que um dia, ele, Yukiko e Shigeru tiraram, enquanto iam afagar os pokémons do local, assim como, observá-los na natureza, além deles mostrarem para a Ponyta alguns exames, com ela notando que os pokémons estavam tranquilos, enquanto eram examinados.

Ela termina de ver as fotos e fica pensativa, pois via a sinceridade nos olhos dele e dos outros, além dos pokémons das fotos estarem relaxados, sendo que os locais eram lindos, lembrando muito o seu local de nascença, não demorando em fazê-la imaginar ela e a sua mãe, juntas, sem a preocupação de serem separadas, já que sabia que tinha muitos humanos que apreciavam as trocas, com o seu ex-mestre sendo um, pois sempre buscava uma boa troca.

Após terminar de ver as fotos, ela fica pensativa por vários minutos e passa a olhar para todos, corando levemente ao olhar para Satoshi, para depois olhar para os pokémons, se recordando da promessa do humano, percebendo que ele cumpriria com a promessa dada ao Spearow e a sua família, mesmo após o ato dele, da sua companheira e do bando. Inclusive, ele tinha cicatrizes pelo ataque deles, justificando o olhar de culpa que o Spearow líder mostrava ao olhar para aquele que feriu.

Tudo o que ouviu, viu e presenciou, mostrava o quanto eles eram distintos e após refletir por vários minutos, decidiu reforçar a sua decisão anterior, pois havia a ameaça de que, se ficasse livre com a sua mãe, nada as impediria de ter o azar de acabar nas mãos de um treinador cruel, sendo uma visão aterrorizante ao se lembrar das dores pungentes e do sofrimento infernal que passou nas mãos do seu ex-mestre anterior, passando a compreender melhor a escolha do Hitmonlee e dos outros que foi tomada pelo medo de acabarem com outro treinador igual ao Shinta, com aqueles humanos oferecendo a segurança que eles buscavam, pois não adiantava a liberdade, se corriam o risco de serem capturados por um humano como o ex-mestre deles. Tinha lógica a escolha deles. De fato, era a mais segura e certa.

Então, ela olha para Satoshi e depois, aponta para uma das pokéballs dele.

Ao notar o olhar dela, pega uma que estava vazia e estende para a Ponyta, que olha com hesitação para o objeto, olhando em seguida para o jovem, procurando buscar a verdade nos olhos dele, perguntando, enquanto o olhava atentamente, com o jovem vendo o receio nos orbes ônix dela, sendo que não a culpava, pois ela estava traumatizada em decorrência do tratamento cruel, brutal e desumano de Shinta (Paul):

- Vai mesmo me reunir com a minha mãe e irá deixar, nos duas juntas para sempre?

- Sim. Eu prometo Ponyta-chan.

Ela vê a determinação e a sinceridade nos olhos dele e após alguns minutos, sorri e consente, com a sua hesitação desaparecendo, enquanto tocava no objeto com o focinho, sendo sugada pelo mesmo, cuja luz no centro, cessa após alguns segundos, surgindo um brilho e som, indicando o sucesso da captura.

Então, ele estende a pokéball, falando:

- Saia, Ponyta-chan.

Ela sai, voltando a se deitar, sendo auxiliada pelo seu treinador, para depois ele guardar a pokéball dela, falando:

- Agora, antes de procurarmos a sua genitora, você precisa se recuperar. – ele fala, afagando-a, com ela curtindo o afago – Você se lembra como era o local?

Ela fica pensativa e o descreve, com Shigeru falando pensativo, apoiando o seu dedo no queixo:

- É um local muito genérico.

Yukiko fala, enquanto se aproximava, após conferir algo em seu smartphone:

- Eu copiei os dados da pokédex do bastardo para o meu smartphone. Eu tenho os dados do local onde ela foi capturada.

- Onde, imouto? – Satoshi pergunta.

Ela fala o local, sendo que o seu irmão comenta:

- Ele fica bem longe daqui, se não me engano.

- É tão longe assim?

Shigeru se vira para o treinador de Isshu-chihou (Unova) falando:

- Sim. Para você ter uma ideia da distância, eu duvido que cheguemos a esse local em menos de um mês e meio, no mínimo. Isso se não tivermos algum contratempo.

Ele e a Eevee ficam estarrecidos, assim como a Snivy que se aproximou do seu treinador, sendo que a albina fala:

- Sim. É por aí, Cheren-kun. Ademais, é uma área fortemente arborizada, contando com uma parte em campina. Não será um terreno fácil. Podemos tomar uma rota ao leste de Shion Taun (Lavender Town).

- Vai demorar um pouco. Tudo bem, Ponyta-chan?

Ela suspira tristemente, consentindo em seguida, com o seu treinador a afagando, buscando confortá-la, até que Yukiko fala, conforme continuava a pesquisar em seu aparelho:

- Eu entrei no site do controle marítimo de Kuchiba City (Vermilion City) e há um ferry que parte da cidade a cada quatro dias e que um dos locais que ele atraca é uma pequena enseada, onde existe uma pequena vila. Se seguirmos por um caminho a oeste dessa pequena vila, chegaremos à parte leste de Shion Taun (Lavender Town). Claro, não há acesso para a cidade e nem é muito recomendado usar um tipo Flying, pois existem correntes de ar demasiadamente traiçoeiras. Porém, poderíamos chegar mais rápido ao local, do que seria se seguíssemos a rota que estabelecemos.

- Isso não é incrível, Ponyta-chan? – Satoshi pergunta, sorrindo.

A Ponyta consente com animação, sendo que estava ansiosa para reencontrar a sua amada genitora o quanto antes, até que surge um pensamento angustiante, com o jovem notando a mudança no olhar dela.

Então, ele pergunta com evidente preocupação em sua face:

- O que aconteceu?