Notas da Autora

Kashin e os demais decidem...

Em Katakori town (Arrowroot Town)...

Capítulo 105 - A soberana submissa

Segundo o que o capitão disse pelos alto-falantes do navio, eles tiveram um problema técnico e foi comunicado aos passageiros que o navio teria que ficar atracado no porto por dois dias, para que fosse realizado o conserto, com a companhia aproveitando para comunicar aos seus clientes que havia disponibilizado quartos em hotéis locais para eles ficarem acomodados e com direito a três refeições diárias.

- Pelo menos isso, pelo incomodo que estão nos causando. – Yuukishin comenta, massageando a nuca.

Kashin fala, consultando o papel em mãos, fornecido pela tripulação do navio e que continha o endereço do hotel e o número do quarto que ficariam hospedados:

- Eles tinham a obrigação de garantir acomodações até que resolvessem o problema.

O motivo de viajarem de navio e não de avião, era porque o navio passaria por Alta Mare.

Ademais, Mizuko apreciava o oceano e embora Kashin não apreciasse a água, não se importava de ficar no navio, enquanto que Mewtwo não tinha qualquer preferência e quanto a N, ele havia aproveitado para conversar com os pokémons de alguns treinadores e com os selvagens que viviam nos oceanos, além de ter visto batalhas pokémons que eram permitidas em determinados lugares nos navios, onde eram projetadas as arenas e com limitação de golpes, sendo que muitos movimentos eram banidos e com razão, considerado o fato de que estavam em um navio e não em terra firme.

Afinal, mesmo que o pokémon conseguisse focalizar os danos, impedindo assim que o local sofresse com os seus golpes ao concentrar o ataque e dano em seu oponente, havia movimentos que eram impossíveis de serem realizados nos navios, tal como Dig e outros.

Claro que N não apreciava tais batalhas e acabava se afastando indignado do local, enquanto que Mizuko apreciava olhar para o oceano quando ficavam na proa, pois lhe dava uma sensação de paz e de tranquilidade ao observar a imensidão do oceano, sendo que tais sensações eram sentidas em qualquer ambiente aquático.

O jovem N suspira tristemente ao ver que Mewtwo, após passar a ira, foi tomado pela tristeza por não ter achado o rastro dos Genesects, acabando por se entregar a melancolia, desde aquele dia trágico, sendo que o jovem não conseguia deixar de se culpar pelos acontecimentos fatídicos que levaram a morte de Ayame, acreditando que essa culpa o seguiria até o resto de sua vida.

Ao mesmo tempo, sabia que apesar de Kashin sofrer, ele se mantinha firme, pois precisava cuidar de Yuukishin e de Mizuko, acabando por não ter tempo para gerenciar a sua própria dor.

Afinal, era visível no olhar do Rapidash a dor dele e N acreditava que o tipo Fire fazia um esforço descomunal para ser forte e sustentar os outros, independentemente do quanto estivesse triste e sofrendo, assim como, se culpando por sua inépcia de não ter conseguido manter Ayame segura.

Então, conforme eles saíam do porto, a Manaphy comenta ao comprar de um vendedor, um manual contendo um guia turístico, passando a folheá-lo, até que fala:

- Podemos ver esse palácio, o que acham? Tem uma parte aberta ao público. Ele parece lindo e fica em Katakori town (Arrowroot Town). É uma cidade vizinha, segundo esse guia.

Nisso, ela mostra para os outros três, sendo que N comenta ao olhar o castelo:

- De fato, é um castelo lindo.

- Concordo. – Mewtwo comenta, embora exibisse um olhar triste e desolado, ainda mais quando via alguém que lembrava a Ayame ao olhar para a multidão.

- De fato, é bonito. Mas não chega aos pés do resplendor e igual imponência do palácio de Megami jyouko (・・・_・・・c - Deusa imperatriz) Yukihana-sama. Acreditem. Não há palavras capazes de descrever a beleza e suntuosidade, assim como, resplendor. – Kashin comenta perdido em recordações.

- Com certeza, deve ser lindíssimo e igualmente magnífico. – N comenta.

Mizuko se aproxima e pergunta expectante:

- Podemos visitar o castelo?

Kashin sorri e afaga paternalmente a cabeça de Mizuki, falando:

- Claro.

Ela sorri, enquanto exibia animação ao ponto de dar pulinhos de felicidade, fazendo os outros em volta, sorrirem.

Então, a Manaphy na forma humana, puxa Kashin e Yuukishin pelas mãos em direção a cidade onde ficava o castelo, com o trio sendo seguido por N, com eles pegando uma condução até o local.

Uma hora depois, no castelo de Katakori town (Arrowroot Town), a princesa Salvia havia conseguido um raro intervalo de suas obrigações reais para treinar a sua amiga de infância, a Togekiss, sendo que esses momentos eram conseguidos pela sua amiga e dama de companhia, Freesia, pois a mesma sabia o quanto a sua princesa e única soberana daquele reino, amava os Contests.

Inclusive, Salvia sempre desejou participar dos Contests, pois desde criança, desejava ser um Pokémon Coordinator.

Porém, a jovem era ciente das suas obrigações e seu mordomo sempre a lembrava disso e inclusive, gerenciava o seu tempo ao controlar o cronograma de suas obrigações reais e compromissos, com ela chegando ao ponto de se surpreender ao ter tais momentos e que eram raros.

Então, em uma parte mais afastada, após avistar as pessoas ao longe que entravam animadas para verem uma parte do castelo que se encontrava aberta ao público para visitação, com a multidão suspirando pela beleza que avistavam na construção, quadros e estátuas, enquanto comentavam o quanto era majestoso, a jovem soberana Salvia concordava com eles em relação ao resplendor, pois era um fato incontestável, mas a seu ver, era apenas uma linda e resplendorosa prisão, com ela ficando "aprisionada", por assim dizer, através de inúmeros compromissos, sustentando um sorriso no rosto por mais que se sentisse triste e sendo obrigada pelo seu título a se sacrificar constantemente, chegando ao ponto de ter que suprimir o seu sonho, pois desde que os seus pais faleceram em um terrível acidente, o peso opressor da coroa recaiu sobre ela quando era criança, com o seu mordomo se mostrando excelente na arte de agendar impecavelmente os seus compromissos, gerenciando as suas obrigações com primor.

Porém, por algum motivo que não compreendia, ela sempre teve a estranha sensação de que ele governava nas sombras, por assim dizer.

Inclusive, era uma sensação que nunca a abandonava, embora não compreendesse o motivo de tal sensação tomá-la em vários momentos.

Claro, era um pensamento absurdo ao ver dela e por isso, trata de dissipá-lo, após suprimi-lo, para depois voltar a se concentrar no treinamento da Togekiss, pois tais momentos eram raríssimos e a princesa era ciente de que não podia desperdiça-los com pensamentos tolos e inequívocos, a seu ver.

Afinal, devia ser grata pela forma impecável que ele agendava e gerenciava os seus compromissos.

Enquanto isso, não muito longe dali, no grupo que observava animadamente o palácio, conforme entrava em seus majestosos portões duplos de detalhes dourados, se encontrava Mizuko, Kashin, N e Yuukishin, que haviam chegado há alguns minutos atrás, no momento exato de entrarem com um grupo de visitação, sendo que ao virar a cabeça para o lado, a lendária fica fascinada ao avistar um belo pokémon voando no ar, fazendo vários looping e piruetas com incrível graça e elegância, enquanto usava movimentos em pleno ar, tornando o espetáculo belíssimo, fazendo os seus olhos brilharem, com N e os outros seguindo o olhar dela, que pergunta:

- Que pokémon é aquele?

Um guia que se encontrava próximo do grupo, se aproxima e fala ao identificar o pokémon:

- Provavelmente, é a Togekiss da princesa Salvia.

- Obrigada, senhor.

Ele consente, enquanto exibia um sorriso jovial, voltando a conduzir o grupo, sendo que Mizuko comenta animada, enquanto os seus olhos brilhavam:

- Eu quero ver uma princesa, pessoalmente.

- Eu compreendo a sua ansiedade, mas devemos continuar visitando o castelo e quem sabe, não possamos vê-la? Talvez ela faça uma aparição pública.

Mizuko bufa as bochechas, olhando para o seu pai, para depois falar em um tom sonhador:

- Mas eu quero vê-la pessoalmente. Quero ver uma verdadeira princesa. Deve ser tão incrível...

- O tou-chan disse que não podemos. Há guardas e eles não iriam apreciar a nossa aproximação. Vamos torcer para que ela faça essa aparição pública. – Yuukishin fala.

- Seu onii-san e seu otou-san estão certos, Mizuko-chan. Devemos ser pacientes. – N fala, sorrindo.

Nisso, para desespero de Kashin e dos outros, ela se afasta abruptamente e ao conseguir encontrar uma brecha entre arbustos vistosos, a Manaphy consegue se afastar do grupo.

Após se recuperarem do ato intempestivo da lendária, Yuukishin sussurra, já erguendo a sua mão:

- Vou usar os meus poderes psíquicos para trazê-la de volta, tou-chan.

Quando ele começou a concentrar os seus poderes tipo Psychic, Kashin põe a mão em seu ombro e nega com a cabeça, fazendo-o cancelar a concentração do seu poder, para depois falar em forma de sussurro:

- Não queremos chamar a atenção. Vamos segui-la.

Mewtwo e N consentem ao acenarem com a cabeça e passam a esperar o momento o para seguir Manaphy, sendo que este momento oportuno surgiu, após alguns segundos ao avistarem o grupo de visitação se afastando do local para olhar o belo jardim do palácio.

Então, eles permitem que os outros passem na frente deles, fingindo que estavam olhando de forma absorta as belas estátuas, para depois se esgueirarem discretamente entre as estátuas, passando a seguirem o odor de Mizuko, que por sua vez, estava correndo animadamente na direção que havia visto o tipo Fairy e Flying.

Próximo dali, após alguns minutos, a princesa Salvia finaliza a apresentação da sua Togekiss e se surpreende ao ouvir aplausos entusiasmados.

Ao olhar com visível surpresa em seu semblante na direção dos aplausos, vê uma jovem com uma aparência de onze anos, que tinha olhos e cabelos longos na cor azul e que usava um belo vestido.

Após a surpresa inicial, a princesa sorri gentilmente, assim como a sua pokémon, com elas fazendo uma mesura elegante, agradecendo aos aplausos.

Nisso, ela nota outros dois jovens e um adulto que aparecem ao lado da criança, sendo que o mais velho fala, fazendo uma mesura respeitosa, seguido dos outros:

- Lamento a incomodarmos, princesa. Mas a minha filha, Mizuko-chan, ficou animada e igualmente empolgada para ver uma princesa de verdade. Nós tivemos que segui-la e lamentamos qualquer inconveniente causado.

- Tudo bem. Não foi nenhum inconveniente e fico feliz por ter tido uma expectadora tão entusiasmada. Não acha Togekiss? – a pokémon doméstica consente, demonstrando felicidade em sua face.

Enquanto isso, Mizuko, que podia sentir o coração das pessoas, comenta, após ficar surpresa com o que sente vindo da jovem soberana, apesar da face sorridente que ela sustentava:

- Apesar de vê-la sorrir, eu sinto uma profunda tristeza em seu coração, assim como uma opressora tristeza e uma desconfiança considerável em alguém e que procura suprimir a todo o custo, por mais inútil que seja.

A princesa e a Togekiss ficam surpresas com a fala da criança, sendo que Salvia havia ficado ainda mais estarrecida com as palavras da jovem a sua frente, pois sempre mantinha com primor os seus verdadeiros sentimentos trancados embaixo de uma máscara de felicidade, por mais que chorasse internamente e que somente usava essa falsa máscara de felicidade, por ser uma das regras rígidas de etiqueta que seguia, desde a morte dos seus pais.

Por isso, surpresa com a fala da criança, ela pergunta:

- Como você...?

Então, a fala dela é cortada pela aparição abrupta dos guardas que cercam Mizuko e os outros, os imobilizando com armas, deixando Salvia estarrecida com a ação tempestiva da Guarda do castelo, enquanto que o seu mordomo caminhava em direção a sua princesa, para depois falar, após fazer uma mesura respeitosa:

- Fico feliz e aliviado ao constatar que se encontra bem, princesa. Eles vão ser punidos por ousarem perturbar a nobre governante desse reino.

Ela ia falar algo sobre a injustiça do tratamento para com eles, quando se cala por causa de sua educação extremamente submissa, proporcionada pelo seu mordomo, com Kashin falando ao observar o comportamento da nobre, enquanto Yuukishin se preparava para usar os seus poderes psíquicos, caso fosse necessário:

- Eu pensei que era a nobre soberana que mandava e não um reles serviçal. Quem possui a coroa? A honorável princesa Salvia ou você, mordomo?

A princesa Salvia fica boquiaberta, olhando para o adulto que mantinha uma feição serena, mesmo sobre a mira de uma arma, com o mordomo demonstrando ira em seu semblante e voz, enquanto torcia os punhos:

- Como ousa falar assim, plebeu? Eu falo em nome da honorável governante desse reino!

O tipo Fire meramente arqueia o cenho, para depois perguntar, exibindo um sorriso desdenhoso, enquanto olhava para o homem:

- Fala em nome da sua soberana ou em seu próprio nome? Será que a educação extremamente submissa que ela recebeu não foi proposital? Afinal, nunca vi uma princesa que herda um reino, receber uma educação restrita para ser uma total submissa em vez de alguém com determinação e postura, que não se curva a ninguém. Quem deve se curvar são os outros e não ela. Por que a ensina a se curvar para os outros em submissão, assim como, para ela se calar na sua presença, mordomo? - Kashin pergunta de forma séria, exibindo censura em seus olhos para o homem de terno e gravata, que os trajava de forma impecável.

Frente às palavras contundentes e igualmente certeiras do homem a sua frente, o mordomo passa a controlar o tremor em suas mãos, enquanto procurava ocultar o suor frio que o tomava naquele instante, temendo que o homem que estava na sua frente, tivesse descoberto o seu plano, por mais descabido que fosse tal pensamento, considerando o fato de que o mesmo nunca esteve no palácio para descobrir o seu real intento com a submissão total da princesa Salvia, que havia sido planejada e orquestrada por ele e seus comparsas.

Afinal, ele desejava torna-la uma mera marionete em suas mãos, para que pudesse governar o reino nas sombras e quando ela fosse adulta, faria a princesa se casar com ele, se tornando assim, o rei por direito.

Salvia assistia a tudo, com as palavras do homem revibrando em sua mente, fazendo-a se recordar da instrução diária que recebia em regras de etiqueta, conduta e postura.

De fato, tudo era voltado a sua submissão e era assim desde tenra idade, sendo que a Togekiss sentia a hesitação de sua treinadora e por isso, apoia a sua pata em seu ombro, pois testemunhava há anos a intensa submissão da sua amiga para os demais humanos, sendo algo que lhe preocupava, demasiadamente.

- Princesa – N fala, fazendo-a olhar para ele – Eu também fui um príncipe. Meu castelo já não existe mais. Mas não pense que eu fui exilado. Apenas descobri que o castelo era a minha prisão.

A princesa olha surpresa para ele, perguntando:

- Então, já foi um príncipe?

- Sim.

Ela olha nos olhos dele e depois, comenta:

- De fato, o seu olhar lembra o dos príncipes que recebo nos jantares, mas é mais gentil.

Ele sorri e fala:

- Ao contrário de você que tem um reino para gerenciar, o meu reino era menor. Eu decidi me libertar, pois vivia uma mentira. Já você, princesa, vive em uma prisão. A submissão aplicada sobre você faz com que a sua coroa seja apenas um mero enfeite em sua cabeça, fazendo assim com que outra pessoa se torne o governante nas sombras, enquanto a transforma em uma mera marionete conveniente, presa as cordas por seu ventrículo. No meu caso, eu era uma mera ferramenta para controle do reino, tal como você está sendo – a princesa Salvia fica boquiaberta, pois as palavras dele revibravam com as sensações que a tomavam, enquanto o mordomo ficava chocado, tentando compreender como eles sabiam dos seus planos - A submissão imposta a você é um meio para que outra pessoa possa exercer o controle nas sombras, enquanto a exibe para contentamento do povo, tal como o meu caso, fazendo-os crer que é a nobre soberana que fala e não o seu ventrículo. Eu entendo isso, pois era o mesmo comigo, como citei anteriormente e embora não houvesse a educação para a submissão como acontece com você, havia o controle exercido sobre mim, por assim dizer, através de mentiras fabricadas para me controlar, juntamente com manipulações ordinárias.

- Isso... – ela murmura, enquanto as palavras dele martelavam em sua mente e coração, refletindo com exatidão as sensações que sempre a tomavam e que tratava de suprimir, sempre que surgiam, por achar que eram pensamentos descabidos.

O jovem sorri e fala:

- Eu posso entender o coração dos pokémons e sinto que a sua Togekiss sente uma intensa preocupação ao ver a sua submissão, sendo que inclusive, ela compartilhou através de seu coração as várias recordações que tinha das suas "aulas" por assim dizer, enquanto a acompanhava – Salvia olha surpresa para a sua pokémon que consente, a olhando, com ela percebendo a preocupação em seus olhos, fazendo-a se emocionar – Ela me falou com o seu coração tudo o que impuseram a você e pude ver, o quanto éramos semelhantes ao sermos usados por outras pessoas, seja por manipulação de palavras, da verdade ou pela submissão da vontade como é o seu caso, princesa. Até quando aceitará os grilhões da submissão impostos a você desde tenra idade? Até quando aceitará ser governada e não, a real governante?

Ela fica estarrecida com o que ouvia, pois tudo o que ele falava, refletia os sentimentos que a tomavam quando pensava na educação que tinha e no modo como o mordomo administrava a sua agenda, sendo estas mesmas sensações que suprimia constantemente, por mais que fosse impossível mantê-las suprimidas, pois sempre retornavam.

A sua mente se encontrava em um torvelinho de sensações, sentimentos e recordações, enquanto torcia nervosamente as mãos umas nas outras, lutando arduamente contra a vontade opressora imposta por anos de educação submissa e que a forçavam, implacavelmente, a se silenciar, pois queria falar por si mesma e usar a sua própria voz, pela primeira vez em anos. Não a voz de terceiros e sim, a sua própria voz.

Enquanto isso, o mordomo encontrava-se demasiadamente chocado ao ver que eles haviam descoberto o seu plano, pois a seu ver, era um plano perfeito, enquanto temia que eles descobrissem a verdade sobre o acontecimento de seis anos atrás.

Não muito longe dali, Freesia olhava o desenrolar da situação e torcia ardentemente para que os estranhos fizessem a princesa ter a sua própria voz e não a voz do mordomo, como era desde a morte dos reis, sendo que tudo o que eles falavam era a mais absoluta e inequívoca verdade.

Inclusive, não foram poucas as vezes que ela tentou fazer a sua governanta reagir, enquanto que era demasiadamente complicado fazer isso constantemente, pois o mordomo sempre se encontrava próximo a cada porta e parede, sendo uma presença constante, como se fosse uma sombra da princesa, prendendo a mesma em uma prisão de fulgor e igual luxo da forma mais inteligente possível, enquanto a condicionava à submissão pela subjugação da vontade e que era realizado através das aulas de etiqueta, conduta e compostura focadas na submissão, aliada as obrigações do palácio e da coroa.

Inclusive, os pais dela tiveram mais liberdade do que a própria filha tinha, segundo a sua genitora, pois a sua mãe foi dama de companhia da mãe de Salvia e amiga de infância da mesma.

Naquele instante, Freesia assistia a cena com ansiedade, torcendo fervorosamente para que aqueles desconhecidos conseguissem fazer, o que ela não conseguiu realizar por não ter condições de enfrentar o mordomo, pois se ousasse fazer isso, seria afastada da princesa e a mesma iria se silenciar, porque assim, havia sido ensinada.

O mordomo se refaz do choque das revelações, passando a demonstrar ira em seu semblante ao ver o rumo da conversa e exclama indignado, pois desejava esconder o forte receio que sentia pelas palavras contundentes que os estranhos possuíam, começando pela criança, porque temia que as palavras acabassem influenciando a princesa, enquanto que eles demonstravam ser uma ameaça aos seus planos ao fazê-la se rebelar contra a sua influência, que era camuflada em palavras belas e elegantes, sempre usando as obrigações da coroa para fazê-la obedecê-lo, de certa forma, tornando-se assim o verdadeiro soberano e não, a princesa Salvia, que era útil apenas como uma marionete obediente e igualmente submissa.

Portanto, ao ver dele, era necessário silenciá-los e da forma mais eficaz, o quanto antes.

- Seus plebeus imundos! Vocês vão dobrar a língua ao ficarem presos por terem perturbado a honorável princesa Salvia.

- Você está...

Mizuko começa a falar revoltada, pois sentia a maldade no coração dele, com a sua voz sendo cortada abruptamente pela do mordomo, que exclama de forma autoritária:

- Guardas! Em nome de nossa honorável princesa, façam essa fedelha calar a boca! Aproximem a espada de sua garganta. Quem sabe assim, ela aprenda a ficar calada?

Então, obedientemente, o guarda aproxima a espada afiada que possuía, para que a mesma ficasse rente ao pescoço da lendária para ira de Yuukishin, N e de Kashin, por mais que soubessem que a arma nunca conseguiria cortar a pele dela, enquanto que Salvia, Togekiss e Freesia, ficavam horrorizadas ao ver que faziam isso com uma criança inocente, ao ver delas.