Notas da Autora

Em Tokiwa Forest...

Shigeru se encontra...

Yo!

Se quiserem saber mais detalhes sobre o passado que mostro aqui, sendo apenas um trecho há uma fanfiction que é especial dessa fanfiction e de outra. Para essa, pode ser considerado até o momento do tipo Fairy e Ice, se refugiar em uma montanha por séculos. Depois disso, será pertencente a outra fanfiction.

O link está nas notas finais, sendo que essa fanfiction se chama "Especial - Corações Predestinados".

Tenham uma boa leitura. ^ ^

Capítulo 109 - Marco Steelix e a noite da vergonha humana

Na região de Kantou, mais precisamente em Tokiwa Forest, o grupo de Satoshi havia levantado acampamento, após alimentarem os pokémons, enquanto tomavam o desjejum, sendo que de praxe, Hime estava no ombro de Yukiko, assim como Sora, que estava no outro, com todos ficando felizes ao saberem que ela estava respondendo de forma excelente ao tratamento, enquanto que o Pikachu estava no ombro de Satoshi e a Eevee estava no ombro de Cheren.

Quanto a Ponyta, eles haviam improvisado uma tala feita com um pedaço sólido de madeira, preso pelo tecido em forma de teia liberado pelo Cartepie e pela Weedle de Satoshi para imobilizarem a pata machucada, deixando-a rente ao corpo do tipo Fire, sendo que acolchoaram a pata com algumas roupas do jovem, para que a teia não ficasse pressionando a pele dela.

O Caterpie, inicialmente, ficou com receio por causa das chamas, enquanto que a Weedle shiny estava animada para mostrar a sua coragem, sendo que ao vê-la olhar com obstinação para a Ponyta, sem demonstrar qualquer temor pelas chamas, esfregando a cabecinha no treinador deles, ocasionalmente, enquanto abanava a caudinha, ele engoliu em seco e consentiu com a cabeça, com ambos usando String Shot sobre orientação de Satoshi, que segurava cada um deles em uma das mãos, com a Weedle corando.

Após eles terminarem, a tipo Fire consente e passa a segui-los, após eles guardarem os demais pokémons.

Satoshi resolveu deixar os pais Spearows fora das pokéballs para poderem relaxar, com eles voando, seguindo o grupo no ar, enquanto que os filhotes deles dormiam nas pokéballs.

O jovem esperava chegar o quanto antes a próxima cidade para poder enviá-los ao doutor Yukinari, para que os filhotes não precisassem ficar confinados nas pokéballs, porque o tempo do pokémon "congelava", por assim dizer, em decorrência do fato de ficar na forma de energia plasmada dento do objeto, acabando por não envelhecer.

Como o tempo parava para o pokémon dentro da pokéball, o mesmo podia ficar vários séculos vivo, dentro do objeto ao ficarem confinados, sendo que se ficasse confinado por muito tempo, o pokémon caía em um sono profundo, com os anos passando de forma indiferente ao mesmo.

Portanto, o indicado para os filhotes era deixa-los fora das pokéballs, para que pudessem se desenvolver adequadamente, sendo o mesmo em relação à Ponyta, que ficaria fora da sua pokéball, mesmo após se recuperar, para que pudesse crescer.

O motivo de Satoshi não deixar os filhotes fora das pokéball, conforme explicou aos pais Spearows, é que eles estavam andando em uma floresta e havia muitos perigos para os filhotes. Por isso, o mais indicado era deixa-los seguros dentro da pokéball, com os mesmos concordando.

Ele não havia enviado as pokéballs via Pokédex, porque eles notaram que o sinal de envio estava com defeito ao verem o símbolo de erro ao lado da conexão e quando eles comunicaram ao doutor, ele explicou que o sistema dele de recebimento e envio de pokéballs via Pokédex estava desabilitado, pois o equipamento havia exibido um problema técnico e ele não queria arriscar o transporte.

Portanto, por precaução, preferiu desativar o sistema em seu laboratório, sendo que estava esperando a chegada de um profissional para reparar a máquina defeituosa.

O doutor também falou que era, apenas, a máquina de recebimento e envio de pokéballs via Pokédex. A outra máquina de troca e recebimento, assim como de envio de pokéballs, conectada ao sistema dos Centros Pokémons e de outros lugares, se encontrava operacional e que por isso, poderiam enviar as pokéballs quando chegassem à próxima cidade, caso o equipamento não fosse consertado a tempo.

Conforme o grupo andava, ignorando os pokémons que conseguiam ver dentre a mata por terem exemplares deles, sendo que apontavam para alguns animais que encontraram como um tatu e alguns esquilos, além de pássaros e outros animais, comentando sobre eles, após a pokedex identifica-los, pelo fato da sua biblioteca ser ampla, não contendo, apenas, o banco de dados sobre os pokémons.

Em um determinado momento, a mãe Spearow salvou Satoshi de uma serpente que estava enrolada em um galho.

Em decorrência das suas cores se misturarem as folhas no entorno, o animal peçonhento estava camuflado sobre as folhagens de uma árvore, sendo que o casal Spearow avistou o animal, segundos antes de dar o bote no treinador deles.

Afinal, quando Satoshi passou perto dele, por ser agressivo, ele avançou no jovem, que viu algo se chocar contra o solo, sendo uma serpente venenosa, exibindo alguns ferimentos causados por garras, enquanto que estava vivo, para depois enrolar o corpo, silvando em direção a Spearow mãe que o encarava, ficando entre ele e o seu treinador, com o seu companheiro se juntando a ela.

O jovem descobriu que ele era venenoso, pois a pokédex identificou a espécie de serpente ao usar o scanner de imagens, para encontrar uma imagem que combinasse com a que foi escaneada.

Então, percebendo que não teria qualquer chance em um embate, o animal foge, com a mãe Spearow voltando para o ar, voando na frente do seu treinador que pergunta em tom de confirmação, enquanto que o companheiro dela estava próximo da mesma:

- Você usou o Quick Attack, né?

Ela consente e ele fala, sorrindo:

- Com certeza, ele tentou me atacar e você me salvou. Muito obrigado, Spearow-chan. – ele sorri, para depois começar a afaga-la.

Então, o macho fica chocado, para depois exibir aborrecimento em seu semblante, enquanto fuzilava o seu treinador com os olhos e ao notar isso, Satoshi fica com uma gota, assim como os outros, inclusive os pokémons, para depois falar:

- A sua companheira é uma pokémon e eu sou um humano. Portanto, não tem motivo para ficar com ciúmes.

O Spearow fica boquiaberto, percebendo a verdade nas palavras do seu treinador e suspira de alívio, para depois, o casal voltar para o ar, com a fêmea olhando de forma incrédula para o seu companheiro por ele ter sentido ciúmes de um humano.

Enquanto isso, Yukiko se aproxima, exibindo um sorriso divertido no rosto, para depois falar em tom de diversão:

- Onii-chan, se eu fosse você, não a afagaria de novo, assim como não usaria o sufixo "-chan", novamente. Ele é muito possessivo.

- Põe possessivo nisso. – Cheren comenta.

- Com certeza. – Shigeru fala consentindo – Afinal, teve ciúmes de um humano.

- Eu esqueci. – Satoshi fala sem graça, coçando a nuca sem jeito.

Então, eles voltam a andar, com os irmãos conversando assuntos diversos, assim como os pokémons, enquanto que o jovem Ookido se encontrava pensativo, pois na noite passada, havia tido os mesmos sonhos que haviam sido recorrentes quando ele era pequeno e que havia ficado algum tempo sem tê-los, até que eles retornaram na noite anterior, passando a se recordar desses sonhos que envolviam pokeball cinzas, sendo estas antigas e que precisavam girar o botão em cima para liberar o pokémon e depois, com uma pokeball enfeitada e automática, com exceção do fato de que não podiam ser encolhidas ao contrário das atuais.

Ele também se recordava de um Littlen, pois ele descobriu que aquele pokémon era de Alola e depois, uma vulpix Alolan, segundo o que leu em um artigo, sendo que havia vários outros pokémons, que surgiram poucas vezes ao contrário dessa raposa tipo Ice.

Inclusive, ela habitava os seus sonhos, sempre aparecendo, sendo que tinha pequenos vislumbres de batalhas e que depois, ela exibia a sua evolução, uma Ninetales Alolan.

Cada vez que a via em seus sonhos, sentia uma grande saudade e acordava sentindo uma tristeza profunda, além do seu rosto se encontrar sempre umedecido pelas lágrimas. A saudade era assustadoramente palpável, além de ser um sonho demasiadamente real. Ora era como vulpix, ora como Ninetales.

Ele também havia tido o mesmo sonho de alguns anos, atrás, onde havia visto um Steelix caindo no chão, enquanto gritava pela Ninetales, sendo que na última noite, havia tido esse sonho, só que havia ido além, pois pela primeira vez, percebeu que o Steelix estava morrendo ao ter uma Ninetales Alolan entalada em sua garganta, enquanto se sentia impotente, conforme via o tipo Steel morrer na sua frente, até que acordou do sonho, quando correu até um rapaz cruel que reconhecia como sendo o treinador do pokémon, sendo que havia gritado pela raposa tipo Ice e Fairy na boca do tipo Steel, a chamando de Fubuki, saindo esse nome, inconscientemente, dos seus lábios ao acordar.

Na época, ele desejou saber o que significava aqueles sonhos que pareciam reais.

Porém, após algum tempo, esses sonhos cessaram e por isso, ele havia se esquecido deles.

Então, enquanto fazia uma pesquisa há um ano, atrás, sobre como eram as pokéballs no passado, ele acabou se recordando dos sonhos.

Conforme pesquisava, havia chegado ao Marco Steelix, que regia as leis mais fundamentais e igualmente importantes, sobre batalhas e cuidados para com os pokémons, ficando surpreso com o que descobriu.

Esse Marco surgiu, após a morte brutal de um Steelix na antiga Liga Pokémon, porque o treinador dele não o chamou para a pokeball e que o motivo torpe foi o orgulho ferido, acabando por permitir a morte da serpente de metal por asfixia, enquanto que o treinador da Ninetales Alolan, entalada na garganta do seu oponente, não conseguia recolhê-la para a pokéball, para permitir que a serpente de aço respirasse, pois o corpo do Steelix bloqueava o feixe da pokéball da Ninetales.

Portanto, somente o treinador do tipo Steel podia chama-lo para a pokéball e se tivesse feito isso, o teria salvado da morte.

Conforme pesquisava, ele descobriu que a morte brutal desse pokémon, despertou a sociedade como um todo ao mostrar a falta de leis para proteger os pokémons, com relatos de mortes de vários pokemons, chegando de vários lugares, com índices alarmantes e vídeos mostrando o tratamento no mínimo perverso e igualmente atroz dos antigos Domadores pokémons, chamados de sádicos por todos. Eram vídeos brutais e muitos com imagens fortíssimas. Os que sobreviviam, não passavam de uma mera carcaça sem alma, com os olhos não possuindo qualquer vida por estarem quebrados.

Antes, tais mortes e acontecimentos não eram propagados e os poucos casos, passavam sem qualquer atenção, pois havia um grupo, demasiadamente influente que odiava os pokémons e desejava vingança pelos ataques de pokémons no passado, quando não tinham pokéball para subjugá-los, se esquecendo "convenientemente" de que o homem invadia os seus habitats, matando os filhotes, quebrando ovos e assassinando, sempre que possível, os pokémons menores e que mesmo invadindo os locais deles, os mesmos se limitavam a assustar, sendo raro um ataque mortal.

Inclusive, as mortes atribuídas aos pokémons, eram na verdade, em sua maioria esmagadora, mortes causadas pelos próprios humanos ao não prestarem atenção por onde corriam, caindo em lugares impróprios ou simplesmente, por imperícia, após invadirem um local, tentando matar quantos pokémons conseguissem, sendo que na fuga, eles eram atacados por algum animal peçonhento ou feroz, quando não caíam em cima de objetos perfurantes, trazidos por eles mesmos, causando a sua própria morte.

Inclusive, se fosse como eles falavam, com os pokémons sendo meras bestas, elas não iriam compreender a linguagem humana e nenhum humano teria sobrevivido ao entrar nos lugares em que eles habitavam, mesmo nos dias atuais.

Além disso, havia mais mortes de pokémons na época, do que mortes humanas provocadas por eles e que eram poucas, uma vez que os ataques eram raros, isso sem contar, que as maiores perdas de vidas humanas eram provocadas por outros humanos ao atacarem vilas para destroçar os locais, pilhando tudo o que conseguiam, além de praticarem todas as atrocidades possíveis.

Na chamada "Noite da vergonha humana", em que havia ficado claro naquela batalha quem era o verdadeiro monstro e a vítima, no caso, o tipo Steel era a vítima, cuja morte era inevitável.

No dia seguinte, os maus tratos e crueldade para com os pokémons foram propagados de forma massiva e durante várias semanas consecutivas, através dos vídeos que mostravam o tratamento de Domadores para pokémons "desobedientes", com eles visando quebrar a alma deles, juntamente com as notícias das inúmeras mortes de pokémons, sendo muitas destas evitáveis e que ocorriam, porque o treinador permitia que morressem em batalhas que eram brutais, além das mortes durante o trabalho que eles realizavam sobre ordens dos treinadores, que não tinham qualquer cuidado para com eles, os expondo a ambientes extremamente perigosos, isso quando não os sujeitavam a tratamentos desumanos e cruéis, com a maioria esmagadora deles não conseguindo reagir por causa da submissão ocasionada pelas pokéballs, trabalhando até a morte por exaustão ou por acidentes brutais.

Quando alguns conseguiam reagir aos tratamentos cruéis dos treinadores, no intuito de fugir, eles eram executados, caso não conseguissem ser recapturados. Caso fossem recapturados, seriam enviados aos temíveis Domadores Pokémons, para terem a sua mente quebrada, não passando no final de uma mera carcaça ambulante com os olhos sem vida por estar "quebrado", caso o pokémon não tivesse tido a sorte de morrer durante o processo.

Afinal, sortudo era aquele que morria. O azarado sobrevivia com a mente quebrada e olhos sem vida.

Inclusive, não eram somente os pokémons "desobedientes" e os que tentaram fugir, que eram enviados aos temíveis Domadores pokémons. Muitos enviavam o pokémon sem motivo, apenas para terem uma ferramenta quieta e extremamente obediente.

As torturas provocadas pelos Domadores Pokémons eram da pior espécie e muitas inimagináveis, pelo menos até aquele instante, fazendo muitos passarem mal, conforme eram mostradas as cenas, assim como mostravam práticas que levavam a morte brutal.

Além disso, era visível nas gravações o forte terror e desespero dos pokémons, com eles gritando, chorando e sofrendo, sendo nítido o fato de que eles imploravam e que mesmo não compreendendo a linguagem deles, era evidente o clamor para que parasse. Os gritos lacerantes e repletos de desespero revibravam nas gravações. O terror na face deles era visível.

Muitas pessoas, na época, pelo que descobriu, desabaram em lágrimas e outros passaram mal frente a tais imagens e vídeos, enquanto sentiam vergonha de serem seres humanos, isso quando não ficaram chocados.

Ele mesmo confessava que ao ver tais vídeos, passou mal, enquanto tentava digerir o nível de crueldade que era, simplesmente, surreal. Pelo menos, até aquele instante.

Tais notícias, na época, haviam se tornado um lembrete regado ao despertar, para que as pessoas vissem que longe de serem bestas cruéis, como aqueles mostrados em filmes e livros antigos, eles eram seres vivos sencientes, possuindo sentimentos, assim como, inteligência, pois compreendiam a linguagem humana.

Ademais, ninguém culpou o treinador da Ninetales Alolan e a mesma, porque a morte do Steelix foi consequência do ódio das pessoas, que consequentemente, levou ao descaso para com eles, fazendo com que houvesse falta de leis e de amparo aos pokémons, principalmente os domésticos, permitindo que eles fossem tratados das formas mais brutais e perversas possíveis.

Portanto, era questão de tempo para que aquela noite fatídica, transmitida em rede nacional, ocorresse. Inclusive, viam Allan e Fubuki como vítimas e que precisaram conviver com a morte de um pokémon.

Durante a transmissão da batalha, muitos ficaram chocados e sem qualquer reação, com os olhos pregados na tevê, lutando para acreditar que aquilo não era real, de tão surreal que era. Outros choravam caindo de joelhos, enquanto cobriam a face ao sentirem vergonha de serem seres humanos.

Na arena, eram visíveis as lágrimas de dor e de desespero do tipo Steel e seu pranto mudo para que o seu mestre o chamasse, enquanto a vida se esvaia de seu corpo, sendo que na época, o treinador, aspirante ao título de Mestre Pokémon, Allan, tentou salvar a vida do tipo Steel, com a ajuda da multidão que via horrorizada e a beira das lágrimas, os acontecimentos.

Porém, quando havia conseguido colocar o tipo Steel em uma pokéball, o mesmo já estava morto.

Nas casas, havia relatos que os pais mentiram para conter as lágrimas dos filhos, falando que o Steelix estava apenas dormindo, sendo que para as crianças mais velhas, era impossível mentir. A verdade nua e crua estava estampada na tevê, provocando uma comoção internacional intensa e que fez os humanos despertarem para a verdade. Que longe de serem bestas violentas que não possuíam inteligência, eram seres com sentimentos e igualmente inteligentes que sofriam nas mãos dos humanos por não terem leis os amparando, para evitar abusos e atrocidades que eram praticados com requintes da mais pura crueldade e muitas vezes, inimaginável, pelo menos até aquele instante, com tudo sendo justificado e aceito, por se tratar de bestas monstruosas e cruéis, segundo a visão errônea propagada pelos grupos que odiavam pokémons e que acabaram acatadas pela sociedade como verdadeiras.

A venda que cobria os olhos dos homens foi retirada e tudo o que restou foi a vergonha.

Pelo que Shigeru compreendeu, até aquela noite, tudo era permitido, com os treinadores podendo fazer o que desejassem, pois não havia qualquer proteção a um pokémon doméstico, com os mesmos ficando a mercê dos humanos, por terem sido subjugados pelas pokeballs, sendo obrigados a obedecerem a qualquer ordem, além de não poderem atacar o seu treinador ou fugir, pois eram impedidos pelos objetos que os confinavam.

Inclusive, a fatídica noite da morte de Steelix foi apelidada de "Noite da vergonha humana". Uma noite que nunca foi esquecida e que nos dias seguintes do "despertar", somente restava à humanidade se lastimar por sua cegueira, com a maioria esmagadora dos humanos passando a lutar para resgatar todo o descaso e crueldade para com os pokémons em busca de uma absolvição, que talvez, nunca chegaria a sua totalidade.

A morte do Steelix, as gravações das crueldades até então, inimagináveis, aplicadas pelos Domadores Pokémons, juntamente com os vídeos das mortes de pokémons em outras batalhas e trabalhando sobre ordens de seus mestres, gerou uma intensa e massiva comoção pública, cuja consequência foi um clamor público junto às autoridades para criar leis rígidas de proteção aos pokémons e regras claras e indiscutíveis para preservar a vida deles, com punições severas aos treinadores, além de garantir o bem estar, físico, emocional e psicológico, além da regularização das batalhas, trabalho e treinamentos.

Inclusive, sofrimentos desnecessários eram punidos exemplarmente, assim como, regulamentaram o método e formas de treino para impedir abusos, definindo também a jornada de trabalho dos pokémons e os cuidados a serem tomados, principalmente em ambientes de demasiada periculosidade.

O treinador se tornou responsável pelo bem estar emocional, físico e psicológico do pokémon sobre o seu treinamento, seja para batalhas, trabalho e companhia.

Graças a essa comoção massiva, os grupos de proteção aos pokemons, conseguiram ganhar grande influência e força para estimular a criação de inúmeras leis e de uma constituição própria para proteger os pokémons.

Juntamente com o apoio do povo, a sociedade passou a repudiar os tratamentos desumanos, sendo que o reforço surgiu nos dias posteriores a morte de Steelix, com a ampla exibição de fotos e vídeos de forma consecutiva, mostrando a crueldade para com os pokémons e iguais atrocidades cometidas por anuência da sociedade, no passado, sendo algo que trazia intensa vergonha a muitos humanos.

Esses grupos de proteção dos pokémons, também fizeram campanhas massivas para tirar o medo das pessoas dos monstros, assim como, para remover as ideias errôneas sobre os pokémons que eram perpetuadas pelo grupo que os odiava.

Eles levaram pokémons fora das pokéballs para locais públicos, assim como, para escolas e outras instituições, para que crianças e adultos os afagassem e brincassem com eles.

Até esse momento, antes da noite fatídica na Liga Índigo, os pokémons eram proibidos de ficarem em qualquer lugar com humanos, somente sendo aceitos que ficassem fora das pokéballs para trabalhar, treinar ou batalhar. Com exceção desses três motivos, deviam ficar confinados para a segurança das pessoas, pois acreditavam que eles eram bestas que atacariam os humanos no primeiro momento que olhassem para um e mesmo os que amavam os pokémons, não tendo essa visão errônea, eram obrigados por pressão popular a deixa-los confinados, somente sendo liberados em suas casas, mas nunca na rua.

Os que andavam com eles na rua, enfrentavam o ódio das pessoas que inclusive, mantinham distância do pokémon, enquanto escudavam seus filhos, reclamando com o treinador por deixar a "besta cruel", fora da pokéball.

Shigeru leu que na época, o Mestre Pokémon Allan, natural de Alola, uma das poucas regiões que tratavam os pokémons com respeito e amor, sendo que os tratamentos dispensados aos mesmos eram diferentes do resto do mundo, além de Alola ter leis para proteção e cuidados para com os pokémons, que viviam junto dos humanos em uma relação de respeito e ajuda mútua, fez algo inédito na época, sendo algo que nunca fizeram antes e que foi usar a sua influência e fama para ajudar na criação de várias leis e inclusive, mesmo não precisando, ele renegou o título alguns anos depois, para disputa-lo de novo, pois não queria ter um título que tinha uma mácula associada a ele, segundo uma entrevista que ele deu, explicando a rejeição do seu título e a busca por um que não fosse vinculado a morte de um inocente.

Allan fez isso, após a recuperação de Fubuki, que havia saído do coma profundo em que foi acometida, sendo que precisou de tratamento para voltar a andar em decorrência do longo de tempo que ficou inconsciente, ainda na arena, após sofrer ferimentos intensos e igualmente brutais, ampliados pelo corpo de metal do Steelix, conseguindo reagir apenas uma vez para defender Allan, antes de ficar inconsciente e a beira da morte.

Afinal, por ser tipo Fairy e Ice, os danos com o tipo Steel do Steelix, tinham sido devastadores, ainda mais pelo fato de que, no início, mesmo ferida e exausta, havia se recusado a entrar na pokéball e persistiu no ataque, visando dar a vitória ao seu treinador.

Ela somente não morreu, pois Allan conseguiu levá-la o quanto antes a um Centro Pokémon, a chamando para a pokéball, para evitar que morresse, além do fato de ter tido ajuda de uma policial para chegar o quanto antes ao Centro Pokémon, mais próximo.

Inclusive, pelo que descobriu através de relatos médicos, ela havia tido sorte em não ter morrido, mesmo com danos severos e igualmente gravíssimos, que a levaram a entrar em um coma profundo, sendo que inicialmente, ficaram com medo que se tratasse de um coma irreversível.

Após alguns exames adicionais, foi constatado que era um coma profundo e, portanto, reversível, algo que tranquilizou Allan e as pessoas que torciam pela recuperação da Ninetales, porque já bastava a morte de um inocente no Planalto Índigo.

Shigeru descobriu, também, que ela foi a pioneira em tratamentos dados aos pokémons, após ficarem parados fora das pokéballs por um longo tempo, fosse por causa de um coma ou ferimento.

Inclusive, ele ficou revoltado ao saber que até aquele momento, o costume era se livrar do pokémon, se ele tivesse ferimentos que necessitavam de cuidados adicionais, para substitui-lo por um novo pokémon e este que se encontrava gravemente ferido, normalmente morria por não ser tratado ao ser desprezado como lixo em uma lixeira ou jogado em algum lugar, longe da cidade, como se fosse um trapo velho sem qualquer serventia. Como não havia qualquer lei os protegendo, era uma prática comum, aceita por muitos, sem qualquer consequência para o treinador.

Inclusive, alguns pokémons tinham sorte de serem achados por pessoas boas e que os amavam, levando-os para tratamento, sendo que estas pessoas formavam Clubes de pessoas que amavam pokémons.

O resultado dos estudos e experimentos feitos com Fubuki, aprimorou o tratamento e posterior recuperação dos movimentos do corpo de um pokémon, após um longo período de inércia.

Na "Noite da vergonha humana", naquela arena, havia ficado claro quem era o monstro e que era o treinador do Steelix. Ele foi um monstro e não o tipo Steel, que foi uma vitima indireta do medo e ódio das pessoas.

Inclusive, a gravação dessa batalha era até hoje mantida e acessada por qualquer treinador, além de haver o Museu do Marco Steelix, que foi revitalizado há alguns anos, com o museu contando a história antes e depois do Marco Steelix, tendo acervos de imagens e gravações da época, inclusive a da extinta profissão de Domadores de pokémons, além das notícias publicadas em periódicos.

Inclusive, era possível ver no vídeo daquela fatídica noite, a dor e o desespero do Steelix, assim como o clamor em seus olhos para o seu treinador chama-lo, além das lágrimas que umedeciam a arena, sendo que a Ninetales Alolan também chorava, sendo possível ouvir os gritos da multidão para ele recolher o Steelix e a negação do treinador.

Shigeru chorou ao ver o vídeo que tinha o aviso de cenas fortes.

Dentre as várias leis, surgiram também as que puniam o treinador que não chamasse o pokémon para a pokéball, quando ele estivesse gravemente ferido.

Além disso, haviam surgido os primeiros painéis de monitoramento de batalha que declaravam o pokémom inapto para continuar batalhando, após cálculos de energia que eram executados pelo sistema, juntamente com um scan, sendo que, atualmente, o sistema havia sido aprimorado, permitindo assim, o rastreamento mais rápido da situação do pokémon, identificando o quanto antes a situação do mesmo, para depois indicar o fim de sua energia para a batalha pelo seu estado físico, além de outros dados que eram colhidos pelos seus scanners de varredura e depois, otimizados pelo sistema.

Além disso, as leis vedavam sumariamente os maus tratos aos pokémons, além de falarem das punições que os treinadores sofreriam, sendo a primeira delas, a perda da Licença Pokémon para sempre, assim como, continha as obrigações dos treinadores para com o bem estar físico, emocional e psicológico dos pokémons, o fim dos tratamentos desumanos, leis contra o sofrimento desnecessário dos pokémons, tipos de treinamento aceitáveis e a forma como deviam ser praticados, assim como surgiram várias outras leis para coibir qualquer prática abusiva e cruel, além de ter sido decretado o fim dos Domadores pokémons.

Shigeru descobriu, posteriormente, que muitos desses Domadores haviam sido sequestrados, tendo a indicação de batalha em suas residências, conforme demonstrado pelas investigações policiais, para depois os corpos deles, serem encontrados com sinais de tortura intensa e por vários dias, segundo o laudo do Legista, após a autópsia.

Como havia a ausência de provas, com os policiais tendo apenas alguns suspeitos que tinham álibis para o momento do crime e o período até o corpo ser descoberto, os casos haviam sido arquivados, sendo que ninguém possuía qualquer intenção de reabri-los, mesmo que houvesse novas tecnologias, pois haviam priorizados os casos que tinham "verdadeiras" vítimas. Ninguém tinha interesse em reabrir casos de Domadores de pokémons mortos, ainda mais ao se lembrarem das crueldades, até então, inimagináveis, praticadas por eles contra os pokémons.

Inclusive, Shigeru descobriu que em uma parte do museu, mergulhado em um belo esquife de cristal, havia a pokéball de Steelix, com o mesmo dentro dela, sendo que haviam confeccionado o esquife na forma de uma lápide com palavras douradas escritas em um lustroso mármore negro, como a noite do fatídico dia em que um pokémon morreu no Planalto Índigo:

"Jaz aqui uma vítima inocente dos humanos e que sofreu uma morte horrível e evitável. Uma morte brutal que marcou o quanto nós, humanos, formos desprezíveis em nossos tratos para com os pokémons. Descanse em paz, Steelix. Mais nenhum pokémon irá sofrer por culpa de nós, humanos. Nos perdoe, por favor, mesmo sabendo que somos indignos de tal perdão, assim como somos indignos do perdão dos inúmeros pokémons que sofreram por culpa de nós, humanos."

Após pesquisar, ficou surpreso pela Ninetales Alolan de Allan, lembrar a dos seus sonhos.

Claro, algo assim seria impossível.

Afinal, todos os Ninetales Alolan eram iguais, a menos que tivessem alguma cicatriz, marca de nascença ou algo assim, o que não era o caso. Mas ele podia sentir que aquela era a Ninetales dos seus sonhos.

Inclusive, antes de pesquisar sobre o Marco Steelix de forma mais profunda, ele havia murmurado o nome da Ninetales Alolan de seu sonho e que era Fubuki, sendo, coincidentemente, o mesmo nome da pokémon de Allan.

Enquanto pensava o quanto era estranho essas coincidências e os seus sonhos, inclusive de quando viu um Steelix morrer na sua frente, ele sai de seus pensamentos reflexivos ao ouvir o grito do seu amigo de infância e ao olhar para ele, fica estarrecido, assim como os demais.