Notas da Autora

Em uma antiga e tradicional casa japonesa...

Em Alola...

Satoshi e os seus amigos decidem...

Capítulo 155 - Fubuki

Há centenas de quilômetros dali, em um local isolado, mais precisamente em uma outrora casa japonesa antiga e imensa que atualmente jazia em escombros, assim como os muros que a rodeavam, uma Ninteles Kantonian secular observava atentamente a sua antiga pokéball que se encontrava fragmentada em vários pedaços, após ser estraçalhada por uma pesada e desgastada viga de madeira que caiu com estrondo em cima do objeto.

A pokémon se permitiu recordar do forte tremor que surgiu, de repente, além de ter sentido as auras de poder que eram opressoras, para depois se lembrar da existência de um brilho ao longe, cortando o céu, sendo que isso ocorreu há quase dez anos atrás, embora ela desconhecesse o tempo desde o acontecimento e o ano atual em que ela se encontrava.

A sua pokéball havia sido quebrada na noite anterior quando uma viga imensa cedeu nos apoios ao ficar exposta às intempéries por quase dez anos.

O tipo Fire observa a tela do seu amado treinador que havia partido há séculos atrás, prometendo que iria voltar, sendo que decidiu deixa-la junto dos funcionários da sua mansão.

Com o advento das décadas, sem qualquer contato com o proprietário da mansão, os funcionariam saíram gradativamente da propriedade, até que a pokémon ficou sozinha quando o último deles partiu da casa. Mesmo após séculos, ela sentia falta do seu amado treinador, sendo que sempre teve sentimentos por ele que eram diferentes dos sentimentos de um pokémon para o seu treinador.

Inclusive, a perda dele havia sido avassaladora para a Ninetales, pois ela sabia que os humanos não podiam viver por vários séculos como era o caso de algumas espécies de pokémon, tal como a espécie dela, sendo que essa perda havia sido agravada pelo fato da raposa pokémon não saber o que ocorreu com ele

Conforme observava uma singela folha cair de uma das árvores que rodeavam a propriedade abandonada há séculos, o tipo Fire se recordava do sonho que teve nos últimos anos e que havia ficado intenso, pois havia visto o seu amado treinador em uma versão bem jovem e usando roupas estranhas e sempre que tentava vê-lo mais atentamente, ela acabava despertando, fazendo com que ficasse triste por nunca ter conseguido se aproximar para vê-lo melhor, sem que despertasse durante o processo de aproximação.

Ademais, nos últimos anos, a pokémon passou a sentir um desejo intenso em partir, seguindo uma direção especifica, principalmente após a destruição da sua pokéball que a prendeu por séculos naquele local, sendo que a destruição da mesma a libertava, permitindo que partisse do local, ao mesmo tempo em que decidiu seguir os seus instintos, pois sentia que era o certo.

Porém, conforme pensava no objeto redondo que a havia subjugado, a raposa pokémon percebia que podia ter se afastado do mesmo, se desejasse, após alguns séculos. Ela sentia que poderia lutar, tranquilamente, contra a influência do receptáculo e conforme refletia sobre a sua situação por séculos, havia descoberto que no fundo, a pokéball não possuía mais qualquer influência sobre ela, sendo que conforme ficava reflexiva nessa descoberta, compreendeu que era ela que dava poder ao objeto em virtude do fato de desejar de esperar o seu amado treinador e que tal desejo inconsciente se encontrava profundamente oculto dentro do seu coração, por mais que tal pensamento fosse surreal, uma vez que nenhum humano podia viver séculos.

Porém, mesmo que a parte racional gritasse a verdade para a pokémon, esse sentimento forte e intenso em seu coração, oculto no seu coração e que apesar de estar escondido, detinha mais poder e influência que a parte racional.

A Ninetales sai de seus pensamentos ao perceber que os sonhos estimularam os sentimentos em seu coração para sair daquele local, principalmente com a influência da sensação intensa de que deveria partir daquele local, sendo este um chamado poderoso e igualmente ilógico, mas que a impelia a sair dali o quanto antes.

Ela anda até o quadro do seu amado treinador que havia caído da parede e esfrega a ponta do seu focinho no quadro, para depois, virar o seu corpo na direção que deveria seguir.

Para ajudá-la contra os treinadores que podiam querer capturá-la, ela copiou mentalmente a imagem de uma jovem com roupas chinesas e cabelos azuis que trabalhou há séculos atrás e que foi a última a partir, sendo que a havia criado com os seus imensos poderes psíquicos que ela adquiriu após séculos, para fingir que ela era a sua treinadora, apesar de sentir que poderia ignorar a influência de uma pokéball, se desejasse, enquanto usava os seus poderes para criar uma barreira psíquica translúcida em torno do seu corpo para evitar qualquer captura ao fazer qualquer pokéball lançada nela ricochetear, simulando que era doméstica, para depois, se afastar dali, junto da sua ilusão.

Há centenas de quilômetros dali, em outra região chamada Alola, mais precisamente em Lanakila Mountain, uma Ninetales Alola secular chamada Fubuki (吹雪 – Nevasca), se encontrava descendo a montanha, sendo que fazia algumas décadas que havia decido em direção à vila, enquanto avistava o porto de ʻUlaʻula Island ao longe, sendo que havia decidido partir daquele local, pois sentia que algo a impulsionava a seguir em uma determinada direção, conforme as recordações do seu amado Allan surgiam em sua mente, mesmo após séculos.

Afinal, o seu coração nunca iria esquecê-lo.

Inclusive, ela estranhava o fato de ter tido sonhos estranhos com um jovem que lembrava o seu amado treinador no passado, sendo que tais sonhos aqueciam o seu coração e quando despertava, restava apenas a tristeza.

De repente, surge um som ao seu lado, chamando a sua atenção e após se certificar que a sua barreira psíquica estava ativa, graças a sua vida secular, além do aumento do nível dos seus poderes graças à influência das divindades de Alola, ela vira a cabeça na direção do som, ficando surpresa com o que vê.

Tapu Bulu, a divindade guardiã da ilha se encontrava dentre as árvores nevadas e se aproxima dela, falando diretamente para a sua mente com a sua voz etérea, própria de uma divindade:

"Fico feliz em saber que poderás reencontrar aquele que amou por toda a sua vida."

Fubuki arregala os olhos e depois, murmura:

- Quer dizer, que os meus sonhos...

"São reais. Allan retornou. Mas sobre um novo nome e em um continente longe daqui. Nós conseguimos detectar isso em nossa última reunião e como sou a Divindade Guardiã dessa ilha, coube a mim a tarefa de confirmar as tuas suposições e sonhos."

As caudas dela abanavam animadamente, enquanto o seu coração se enchia de uma felicidade imensa e indescritível, conforme os seus olhos brilhavam, após ficarem opacos por séculos desde que o seu amado Allan havia falecido, sendo que somente haviam confessado os seus sentimentos um ao outro, antes dele morrer de velhice.

"Porém, deveste recordar-se de que, talvez, ele tenha as suas dúvidas, mesmo possuindo sonhos que a envolvem quando era Allan. Ele é um tanto quanto cético, pelo que pudemos detectar ao usarmos os nossos poderes. Sempre há a hipótese de que os sentimentos dele demorem um pouco para ressurgirem, isso se acontecer algum dia. Mesmo ciente deste conhecimento, ainda desejas vê-lo?"

- Sim – ela fala sem hesitação, embora fosse visível a sombra da dor em seus orbes azuis – Eu compreendo que há a hipótese dele não corresponder aos meus sentimentos. Ademais, ele é humano e eu, um pokémon com um corpo ilusório humano. Portanto, nós seriamos incompatíveis por sermos espécies diferentes. Se eu tivesse um corpo humano real, seria uma situação diferente.

Tabu Bulu suspira, enquanto sentia a dor daquela pokémon e que mesmo sentindo dor, ainda desejava ardentemente reencontrá-lo para ficar ao seu lado. A sua determinação era intensa, tanto em postura, quanto na voz e olhar.

"Compreendo... Mesmo após séculos, o teu amor não diminuis."

- O meu amor é eterno. – ela fala, olhando para o céu, se recordando do sorriso de Allan e se permite perder em algumas recordações do seu passado, inclusive quando foi capturada por ele quando era uma Vulpix.

"De fato, a tua captura não foi fácil. Tu conseguiste enfrentar ataques tipo Fire e era bem reticente com a captura."

- Sim. Mesmo assim, ele tentou ao máximo reduzir os meus danos. Ele não queria me machucar demasiadamente. Só queria fazer ao ponto de me enfraquecer. No final, eu tive que ficar demasiadamente debilitada para que não conseguisse escapar da pokéball novamente para ser subjugada, condicionada e presa ao objeto.

"Tu conseguiste resistir, consideravelmente, a subjugação que o objeto desejou submetê-la." – ele fala em um leve tom de riso.

- Eu era muito cabeça-dura e revoltada. Se bem, que Allan não condenava a minha revolta e a considerava justa. Sabia que, naquelas primeiras semanas, eu nunca imaginei que iria desenvolver tais sentimentos por ele? Eu o detestava com paixão por me privar da minha liberdade. São incríveis como as coisas acontecem, sem você perceber. Nem me lembro de quando, exatamente, os meus sentimentos por ele mudaram. Pode ter sido naquelas semanas ou até, naquele dia... Allan tinha a meta de mudar o meu coração e concepção que tinha dele e teve êxito. Até mais do que êxito. – ela fala o final com um leve riso.

"Então, isso faz com que a tua captura, contra a tua vontade...".

- Eu fico feliz dele não ter desistido e ter persistido em me capturar. Se ele tivesse desisto ou se eu tivesse tido êxito na minha fuga, nunca conheceria o amor. Portanto, quando me apaixonei por ele, passei a ver a minha captura com outros olhos, algo que nunca tinha imaginei quando fui capturada. No final, ele capturou o meu coração e me tornei cativa de livre e espontânea vontade.

"Considerando a situação como um todo, seria esperado nutrir tais sentimentos e possuir outro olhar... De fato, se tu não tivesses sido capturada, não conheceria o amor. Uma experiência ruim se tornou em uma recordação feliz, certo?"

- Sim.

Então, após alguns minutos, ela sai de algumas de suas recordações, para falar:

- Vou precisar da ajuda dos descendentes da minha filha adotiva. Minha e do meu amado Allan. Não posso sair sozinha. Provavelmente, ele vai ficar surpreso em me ver. Já faz alguns meses que não o visito.

"Faz bem. Ouvi que irá passar um navio nos próximos dias e que um dos destinos dele é Kantou. É onde tu irás encontrar a reencarnação do seu amado Allan. Ademais, terás que aceitar uma pokéball. Estais cientes desta condição?"

- Não me importo. Eu sinto que o objeto não terá qualquer influência sobre mim. A minha pokéball antiga perdeu a sua influência sobre mim com o advento das décadas, sendo que nunca conseguiu me subjugar por completo. Agora, muito menos.

"O que tu farás se ele não corresponder aos teus sentimentos e se envolver com alguém da espécie dele? Afinal, não podemos mandar no coração."

Ele nota o olhar de dor dela e confessava que estava curioso com a resposta que Fubuki daria, sendo que fica surpreso com o que ela responde, sem qualquer hesitação, por mais que sofresse em seu íntimo:

- Não irei sair da pokeball. Irei selá-la por dentro, usando os meus poderes e dormirei eternamente.

"Pensei que iria abandoná-lo."

- Eu prefiro viver dessa forma a ficar longe dele. A dor seria lacerante. Dessa forma, eu não irei sofrer tanto e poderei ficar junto dele, de certa forma e apenas vivendo das minhas recordações ao ficar imersa em meus sonhos.

Se refazendo da resposta inicialmente inesperada, para depois ser a esperada conforme sentia a intensidade do amor dela, ele fala mentalmente para ela, orando para que Fubuki pudesse ser feliz no final da sua jornada pessoal:

"Bem, nós desejamos sorte. Após a tua ajuda contra aquele ser e por tudo o que fizeste nesses séculos ao resgatar pessoas e pokémons perdidos em tempestades de neve, sendo chamada com o advento dos séculos de Yuki no Onna (mulher das neves) por assumir a sua forma ilusória humana para resgatá-los e evitar que congelassem até a morte, tu mereces ser feliz com aquele que ama. Vocês ficaram separadas por séculos."

- Obrigada... Se bem, que faz alguns anos que não preciso resgatar ninguém. Eles melhoraram o sistema de resgate nas montanhas e os caminhos são demasiadamente sinalizados, podendo ser, inclusive, vistos sobre uma forte tempestade.

"Mesmo assim, a Yuki no Onna se tornou um mito e irá continuar no imaginário do povo. Afinal, foram séculos de inúmeras aparições e relatos."

Ela sorri, para depois se despedir, enquanto descia a montanha, sendo que evitaria as usuais rotas dos humanos, pois mesmo usando os seus poderes psíquicos para envolver o seu corpo em uma espécie de barreira por ter séculos de vida, Fubuki queria evitar inconvenientes:

- Adeus, Tabu Bulu-sama. – ela fala de forma respeitosa, curvando a cabeça.

"Adeus, Fubuki-san. Nós estamos torcendo por tua felicidade. Tu a mereces."

Ela consente e depois, se afasta, tomando o rumo da casa onde vivia os descendentes de sua filha adotiva. Sua e de Allan.

Há centenas de quilômetros dali, em Kantou, mais precisamente no caminho rumo ao Mount Otsukimi, Yukiko fala, conforme verificava o GPS, tendo a Hime em seu ombro direito e a Sora em seu ombro esquerdo:

- Se formos pelo Mount Otsukimi, chegaremos mais rapidamente a Hanada City (Celulean City) para buscarmos a nossa terceira insígnia, já que antes do Mount Otsukimi, há um caminho aberto recentemente para Sable City, sendo que nesta cidade há um Gym. Podemos conseguir a nossa segunda insígnia.

- É uma ideia interessante. Afinal, precisamos ter as insígnias de todos os elementos e são dezoito ao todo. – Shigeru comenta.

- É bem mais difícil e desafiador do que era no passado. – Satoshi comenta – Muitos dizem que isso elevou as competições no Sekiei Plateau (Indigo Plateau).

- Não duvido disso. Meus pais comentaram que as batalhas estão bem difíceis e isso as torna ainda mais incríveis de assistir. – Takeshi comenta sorrindo – Eles falam que a Arena Pokémon está em um novo nível e de fato, somente os melhores conseguem boas classificações.

- Eu acho bom ter esse nível de exigência, sendo que os Gym Leaders tem que auxiliar os treinadores com dicas para melhorar as suas estratégias, além de apontar qualquer erro que precise ser corrigido. – Yukiko comenta, sorrindo.

Após alguns minutos, Takeshi fala ao olhar para frente, enquanto seguiam uma espécie de trilha dentre árvores de troncos nodosos e copas densas:

- Creio que teremos um bom trecho com floresta. Acho melhor tirar um dos meus pokémons para proteção e como estamos em uma área de floresta... – ele pega uma pokéball e a aponta para frente, falando – Saia, Geodude.

Nisso, o tipo Rock sai e passa a flutuar ao lado do seu treinador, conforme eles andavam junto do grupo, sendo que Shigeru havia tirado o seu Wartolle e Cheren tinha a Eevee no seu ombro direito e a Servine no seu ombro esquerdo, enquanto que Satoshi tinha o Pikachu em seu ombro, com a Sandshrew shiny o seguindo, junto da Ponyta.

- Sim – Yukiko consulta o seu GPS novamente - Teremos uma área de floresta, com um caminho no meio e depois desse monte, há algumas espécies de pokémons que podemos capturar nos arredores de Hanada City, após passarmos por Sable City.

- Interessante. – Shigeru comenta, sorrindo.

- E que pokémons encontraremos no Mount Otsukimi? – Satoshi pergunta, animado.

- Podemos encontrar Zubat, Golbat, Crobat, Paras, Parasect, Geodude, Graveler, Golem, Cleffa, Clefairy, Clefable, Ônix, Sandshrew e Sandslash. Claro que será raro encontrar as formas evoluídas, principalmente as últimas evoluções do Zubat e do Geodude. Além disso, podemos encontrar fósseis. Com sorte, podemos encontrar uma Moon Stone.

- Vai ser demais. Tantos pokémons novos. – Satoshi comenta.

- Com certeza. Vou pegar casais, já que em muitos casos há diferença entre os pokémons de acordo com o seu gênero. – Shigeru comenta.

- Eu vou observar e analisar os pokémons da caverna, juntamente com a dieta deles e depois, se encontrar outros em outro lugar, quero analisar se existe alguma diferença. Eu peguei a minha câmera digital e tenho onde guardar as fotos. – Takeshi fala animado – Ademais, tenho interesse em capturar um Zubat e Paras. Há medicamentos que podem ser feitos através das toxinas de ambos. Um Sandshrew seria bom para ajudar a achar raízes usadas em medicamentos. Também seria interessante eu conseguir um Ekans, pois a sua saliva pode usada em alguns tipos de medicamentos. Ter uma Butterfree e um Beedrill seria muito bom, também. Há vários medicamentos naturais feitos através de esporos e toxinas, além daquelas encontradas em plantas.

- Não podemos esquecer-nos dos fósseis. Eu espero conseguir encontrar pelo menos um. – Cheren comenta.

- Idem.

- Eu também.

- Eu espero que tenhamos essa sorte. Seria incrível achar um fóssil.

- Não podemos nos esquecer da Moon Stone. Seria bom se conseguirmos achar uma, sendo que ela seria natural e não artificial. Qualquer coisa, podemos compartilhá-la entre nós. Afinal, ele pode ser usado infinitamente ao contrário da artificial que somente pode ser usado três vezes – a albina comenta.

- Sim.

- Com certeza.

- Vamos compartilhar se conseguirmos achar uma.

Após alguns minutos, ela comenta:

- Acessei um fórum relativo ao Mount Otsukimi. – ela comenta ao pesquisar em seu celular.

- Algum treinador deixou algum post sobre esse lugar? – Satoshi pergunta.