Notas da Autora

Serena é...

A Fennekin se encontra...

Pancham está...

Capítulo 160 - O desespero de Serena

Então, antes que os homens se aproximassem dela, a polícia os cerca, liberando os seus pokémons que agem rapidamente, os atacando, usando o Heat Wave contra eles para derreterem as armas e a pele dos mesmos, com muitos morrendo queimados ao mesmo tempo em que um policial corre até a jovem, pressionando o rosto dela em seu tórax para que não visse o que estava acontecendo com os criminosos.

Em questão de segundos, os bandidos se encontram rendidos, pois os pokémons policiais recebem treinamento para neutralizar qualquer ameaça em poucos segundos e como a jovem treinadora corria risco de vida, medidas drásticas foram autorizadas, sendo permitido o uso de força letal em virtude das gravações da pokedex.

Afinal, a prioridade era salvar uma jovem treinadora inocente cercada por bandidos de alta periculosidade.

Inclusive, o áudio foi retransmitido em tempo real aos polícias que ouviram toda a conversa dentro dos seus carros, assim como a Central, confirmando a gravidade da situação.

Os sobreviventes e o traficante são presos, sendo que a polícia detém a gravação de tudo o que falaram para usarem como prova do crime, além da cena que fotografaram de homens armados apontando as armas a uma jovem treinadora desarmada.

Após prenderem o chefe deles, eles descobrem que ele era procurado pela polícia internacional.

Uma equipe de enfermeiros chega ao local e se oferece para tratar dos machucados de Serena que acaba se afastando da equipe médica, os surpreendendo, enquanto exclamava para o PhD em pokémon, o doutor Platane, através da pokédex:

- O Pancham está gravemente ferido! Eu preciso achar as pokeballs!

- Fique calma. Há um mecanismo de rastreamento de pokeballs. Vou mandar um link para a sua pokédex. Aceite o download desse programa e espere que ele seja instalado. É um novo programa e foi recentemente disponibilizado. Ele usa a conexão com as suas pokeballs para rastreá-las. Basta selecionar a da Fennekin e a do Pancham em sua pokedex.

O Hakase Pokémon a orienta como ativar o link e após instalar o programa, a jovem o executa e o objeto passa a rastrear as pokéballs, enquanto que uma enfermeira se aproximava dela, falando:

- Vamos tratar dos seus ferimentos. Eles estão sangrando.

A acastanhada exclama desesperada, enquanto se desvencilhava da mão da enfermeira, para depois, começar a correr seguindo a margem do rio, após o objeto proporcionar a localização das pokéballs ao fornecer as coordenadas atualizadas em tempo real:

- Eu preciso encontrá-los! Pancham está ferido! Esse ferimento não é nada perto do ferimento dele!

A enfermeira fica preocupada ao ver a jovem se afastar e antes que pudesse buscar ajuda, uma policial viu o gesto da Serena e corre até a garota, descobrindo o motivo e após avisar o seu superior que consente, ela se oferece para seguir a jovem, acompanhada de um dos seus parceiros Pokémon, um Arcanine, com a treinadora olhando para a policial, agradecendo pela ajuda:

- Muito obrigada.

- Venha. Vamos montar no meu Arcanine. Podemos percorrer uma distância maior com ele.

- Verdade. Muito obrigada. – ela fala sorrindo, enquanto subia no tipo Fire, após a policial subir nele.

- Vamos, Arcanine! Siga as orientações dela.

O pokémon consente e passa a correr, com a jovem orientando a direção que ele devia tomar, enquanto seguiam o curso do rio.

Enquanto o tipo Fire corria, seguindo as orientações da jovem de orbes azuis, a mesma orava para que eles não tivessem caído na cachoeira.

Afinal, quando entrou no local procurando pelo Pancham, o mapa mostrou que o riacho se tornava um rio e depois, desembocava em uma cachoeira de tamanho considerável e que, provavelmente, causaria a sua morte, isso senão morresse afogada pela forte correnteza, sendo que não foi por esses motivos que não se jogou no rio, considerando a morte quase certa nas mãos dos homens armados.

O motivo de não ter pulado foi para que ganhasse tempo para que as pokéballs desaparecessem na correnteza, os impossibilitando de tentarem pegá-las, pois, não sabia se eles tinham um pokémon tipo Water com eles.

Afinal, o seu ato inesperado de jogar as pokéballs, sem mergulhar na água para tentar escapar, sendo que a atitude lógica e igualmente esperada seria ela se jogar no rio para tentar escapar, fez com que os bandidos ficassem atordoados, fazendo com que conseguisse um tempo adicional para que os objetos desaparecessem na água.

Então, após vários minutos, auxiliada pela policial e pelo Arcanine, ela avista as pokeballs presas em alguns galhos na margem, pertencentes a uma árvore que tombou na beira do rio, fazendo-a suspirar de alívio, enquanto agradecia pelos galhos terem detido os objetos, enquanto os camuflavam entre as folhas, sendo que o tamanho pequeno deles auxiliava na camuflagem.

Porém, um som de estalo é ouvido e a jovem fica aterrorizada ao ver que um tronco de tamanho considerável se chocou contra os galhos que retinham as pokéballs, fazendo-as enfraquecerem ao ponto de começarem a ceder, com ela vendo em câmara lenta os objetos redondos começando a serem expostos, novamente, às correntezas fortes e ao analisar melhor a cachoeira, descobre que ela tinha pedras em sua base.

Portanto, se os objetos se chocassem nas pedras que se encontravam nos fundos da cachoeira, eles seriam danificados e os pokémons acabariam sendo ejetados, por assim dizer.

Como a Fennekin era tipo Fire, ela sofreria dores intensas e danos extensos na água, além de não conseguir lutar adequadamente contra a correnteza, enquanto que o Pancham estava inconsciente pelos ferimentos, fazendo com que acabasse se afogando, sendo que a sua amiga poderia acabar se juntando a ele por não conseguir vencer a forte correnteza, sendo agravado pelo fato das suas dores lacerantes dificultarem a sua luta.

O cenário que surgiu em sua mente a deixou desesperada, fazendo com que novas lágrimas brotassem dos seus orbes azuis.

A garota passa a olhar freneticamente para o rio, buscando alguma alternativa, enquanto a policial chamava ajuda pelo rádio que tinha no seu ombro.

Conforme os orbes azuis se voltavam para os lados, buscando, desesperadamente, alguma solução, a acastanhada avista mais a frente, o mesmo tronco preso entre algumas rochas no meio do rio e decide que poderia tentar pegar os objetos, para depois, se segurar no tronco até que a ajuda chegasse ao local.

Determinada a fazer de tudo para salvá-los, Serena desce abruptamente do pokémon, para depois, mergulhar na água fria sem qualquer hesitação, com a policial ficando alarmada com o gesto inesperado dela, observando que a garota conseguiu pegar as pokéballs, antes que fossem levadas pela correnteza, as colocando em sua mochila, para depois, lutar arduamente para se aproximar do tronco no meio do rio.

A policial estava prestes a mandar o seu Arcanine para a água, visando resgatá-la, pois, sabia que ele aguentaria a água em virtude dos treinamentos intensos que faziam, quando uma treinadora que passava no local, avista a jovem se agarrando a um tronco no meio do rio e fica alarmada, correndo na direção da acastanhada, enquanto pegava uma de suas pokéballs na mão.

Após se aproximar, ela lança o objeto circular que abre no ar, liberando o seu Dewott, enquanto exclamava:

- Traga aquela garota para a margem, Dewott!

O pokémon consente e salta no rio, mergulhando, para depois, começar a nadar, transpassando a correnteza até chegar à jovem, que agarra ao pokémon pelas suas costas, enquanto ele a levava até a segurança da margem, com a garota sendo auxiliada pela policial que a levanta, enquanto Serena agradecia com o seu usual sorriso a ajuda que recebeu de ambas, sendo que também agradeceu ao pokémon, o afagando, com o mesmo apreciando o afago.

Então, a treinadora do tipo Water pergunta:

- Por nada. Eu fico feliz em ajudá-la. O que você estava fazendo no rio e por que está junto dessa policial?

Serena explica resumidamente o que ocorreu, deixando a outra treinadora e o seu pokémon surpresos, para depois, se despedirem, desejando sorte para ela.

Então, a policial a leva de volta ao local onde os sobreviventes foram presos e os que foram feridos foram tratados para poderem ser julgados, com a policial entregando a jovem para a equipe médica que começa a tratar dos ferimentos dela, sendo que Serena desejava ir ao Centro Pokémon mais próximo o mais rápido possível.

Após tratarem das lesões provocadas pelas balas terem raspado na sua pele, eles permitem que a garota saia para levar o Pancham para tratamento, pois, ela estava muito preocupada com o pokémon.

Ao ver que a jovem continuava desesperada e que se preparava para sair do local, o responsável pelos policiais da área e que havia permitido que a treinadora saísse, consente para uma policial, sendo a mesma que auxiliou a jovem a encontrar os seus pokémons.

A policial leva a treinadora até um carro, após recolher o Arcanine, para depois, levá-la até o Centro Pokémon mais próximo, avisando no caminho que iriam até ela para colher o seu depoimento, com a acastanhada concordando.

A oficial também comenta dos itens roubados pelo pokémon selvagem e a jovem fala:

- O Pancham não vai mais roubar. Ele roubava para fazer apresentações no palco. Eu fiz um acordo com ele, antes que aqueles homens chegassem ao local.

Ao ver que a garota estava preocupada com as conseqüências dos atos do tipo Fighting, a policial sorri de forma gentil e passa a explicar, resumidamente, sobre algumas leis para a jovem treinadora, visando tranquiliza-la.

- A lei não contempla crimes praticados por pokémons, pois, em sua maioria esmagadora foram os seus treinadores que ordenaram que eles cometessem os atos e por isso, os treinadores é que são responsabilizados. Não é configurado como crime os atos de um pokémon em estado selvagem, a menos que envolva mortes humanas, desde que os humanos não tenham feito nada para atiçar um selvagem, apesar desses casos serem demasiadamente raros, pois, dificilmente, um pokémon selvagem mata um humano. Apenas o ferem, não atacando para matar e mesmo quando o humano faz algo para enfurecer um selvagem, raramente um deles ataca fatalmente o homem. Além disso, você o capturou, após os roubos e o que aconteceu antes, não a envolve. Afinal, você não pode responder pelos atos de um pokémon na época selvagem, sendo que se tornou treinadora dele, depois dos atos praticados pelo mesmo. Claro que se ele roubar algo de novo, com você sendo treinadora dele, será responsabilizada, automaticamente.

A oficial fica surpresa quando a garota pede de forma suplicante, sendo que havia se acalmado, apenas, por alguns segundos:

- Por favor, não entrem em contato com os meus pais.

- Não temos motivo para contatá-los, pois, você possuí uma licença pokémon. Além disso, eles não estavam no local e você não está ferida gravemente. Portanto, pode ficar tranquila que não iremos entrar em contato com eles. Afinal, não há motivos plausíveis para fazermos isso.

- Muito obrigada – ela sorri, ficando aliviada por eles não serem avisados, principalmente por temer a reação de sua genitora que iria proibi-la de viajar por medo que acontecesse algo com ela.

Quanto ao pai dela, a acastanhada não fazia ideia e não pretendia descobrir como ele reagiria, sendo que não sabia que o seu pai possuía a patente de capitão da polícia internacional, pois, eles mantinham em segredo a sua patente. No caso, os que ocupavam as altas patentes.

Após chegarem ao Centro pokémon, Serena agradece a ajuda e entra rapidamente no local, enquanto a policial retornava ao local dos acontecimentos.

Após libertar os pokémons das pokéballs, com a Fennekin ficando aliviada ao ver que a sua treinadora estava viva, para depois, olhar tristemente para os curativos que a humana exibia.

Após um suspiro do tipo Fire, a raposa pokémon permite ser levada em uma maca para dentro de uma sala ao mesmo tempo em que o Pancham, ainda inconsciente, era depositado em uma maca pela equipe formada por um médico pokémon, uma enfermeira e alguns auxiliares pokémons que começam o tratamento inicial ali mesmo, enquanto uma Audino levava a maca para dentro da sala de emergência, com a jovem desabando sobre os joelhos, enquanto orava para que ele sobrevivesse.

Voltando a sentir as forças voltando gradativamente as suas pernas, após alguns minutos de choro silencioso, ela se levanta e caminha até um dos sofás na recepção, juntando as mãos em seu colo, enquanto olhava em intervalos regulares para o local onde o tipo Fighting foi levado para tratamento.

Alguns minutos se passaram, quando Serena avista uma movimentação a sua frente e ouve uma voz conhecida:

- Fokko!

Ela ergue o rosto e vê a sua amiga na sua frente, abanando a caudinha felpuda, para depois, a tipo Fire saltar no colo da sua treinadora que a abraça, chorando emocionada, afagando a pokémon, enquanto erguia a cabeça, vendo uma Blissey na sua frente e que falava a linguagem humana, enquanto sorria gentilmente:

- Ela está bem. Aproveitamos para fazer um check-up nela, após os acontecimentos.

- E quanto ao Pancham? – a jovem pergunta com evidente desespero em seu semblante.

- Ele está sedado, enquanto o ferimento é tratado. Assim que terminar o tratamento inicial, será levado a um quarto para que a sua saúde seja monitorada. Quando isso ocorrer, você poderá ficar junto dele. Há algumas cadeiras confortáveis onde você pode sentar e velar pelo sono dele.

- Obrigada. – Serena agradece, para depois, suspirar aliviada ao saber que o tipo Fighting ficaria bem, enquanto a tipo Normal se afastava para atender um treinador que havia acabado de entrar no Centro Pokémon.

Após alguns minutos, uma das enfermeiras que atendeu o Pancham, se aproxima de Serena, junto de uma das auxiliares da equipe médica, uma Audino, sendo que os pokémons que trabalhavam nesses locais eram treinados para responderem a qualquer membro da equipe médica do local.

A jovem nota a aproximação e se levanta, cumprimentando ambas, para depois, a enfermeira de cabelos esverdeados e olhos da mesma cor falar dos procedimentos que fizeram e que ele ficaria bem, após ficar em repouso, sendo que o ferimento feito pela bala, ainda iria demorar um pouco para ser curado em decorrência da profundidade da lesão sofrida.

- Imagino que você deseja vê-lo – a enfermeira pergunta e Serena consente, com a profissional sorrindo, enquanto falava - A Audino irá levá-la até o quarto dele. Eu tenho que ir, agora.

- Muito obrigada.

A acastanhada agradece e a enfermeira consente, para depois, ir até um treinador que carregava um Ducklett ferido nos braços e que foi repreendido pela esverdeada por não tê-lo poupado do sofrimento ao não chamá-lo para a pokéball, antes de pegar o tipo Water para tratamento.

Então, a jovem treinadora olha para a sua amiga e fala:

- Vamos Fennekin.

A pokémon consente e elas seguem a Audino, que os leva até um dos quartos no final de um corredor e quando elas entram, com a pokémon tipo Normal retornando aos seus afazeres, ambas observam o Pancham inconsciente e deitado em um leito, se encontrando envolto em algumas máquinas que emitiam dados em uma tela. Uma Chansey estava junto dele, concentrando os seus poderes, enquanto finalizava o Heal Pulse, sendo que o buraco que indicava o local onde a bala o transpassou, estava coberto por um curativo.

Então, a tipo Normal usa um Aromatherapy e após executar o movimento, ela se retira do cômodo, cumprimentando a acastanhada e a sua amiga, enquanto a jovem se aproximava da cama.

A mão de Serena treme ao encostar no curativo, se recordando do ferimento aberto que viu, enquanto o carregava em seus braços, conforme fugiam dos bandidos.

Então, após perceber que Pancham tinha um bom prognóstico, ela senta no lado dele e começa a tremer, tentando controlar o medo que a tomava, enquanto se recordava de tudo o que vivenciou e das armas, pois, se encontrava segura no Centro Pokémon.

Por causa da preocupação que sentiu em relação à Fennekin e principalmente, com o Pancham em decorrência do grave ferimento que ele sofreu, além da adrenalina que corria por suas veias em conjunto com a perseguição que sofreu, lutando para se afastar deles e salvar os seus amigos, Serena não tivera tempo para lidar com o que aconteceu com ela.

Afinal, a sua preocupação e medo pela vida de Pancham, assim como, pelo temor de que Fennekin fosse atingida pelas balas ou então, que ambos fossem pegos pelo homem cruel, juntamente com a adrenalina em seu corpo, havia "anestesiado" a jovem, por assim dizer.

Mas, agora que diminuiu drasticamente a adrenalina em seu corpo e que Pancham estava fora de perigo, além de ter um prognóstico excelente, juntamente com o fato da sua amiga se encontrar bem e dela estar longe do perigo, a "anestesia" cessou e ela começou a tremer ao se recordar dos eventos, além de ser tomada pelo medo, enquanto se abraçava e lutava inutilmente contra as lágrimas que brotavam vertiginosamente dos seus orbes.

A raposa pokémon fica desesperada ao ver o estado da sua treinadora e amiga, conforme a via desabar na cadeira, com ambas as mãos em seu rosto, enquanto o seu corpo tremia de medo e pelos soluços sufocados.

Com lágrimas nos olhos, ela salta nos braços da jovem que abraça o tipo Fire, que tentava confortá-la, esfregando a cabeça felpuda nos ombros dela, enquanto a garota a abraçava em busca de conforto e após alguns minutos, Serena não chorava mais, com o seu corpo se limitando a emitir leves tremores, enquanto mantinha a cabeça abaixada.

Após alguns minutos, os seus tremores diminuem gradativamente até que cessam, sendo que ela sorri para a sua amiga em seus braços, enquanto falava com o rosto umedecido pelas lágrimas:

- Muito obrigada por me confortar, Fennekin.

- Fico feliz que esteja bem. – a raposa pokémon fala pausadamente, se recordando das palavras.

O pensamento de ligar para o seu amado passou pela sua mente até que se recorda de que ele estava se dirigindo ao Mount Otsukimi, sendo que Satoshi ficaria preocupado com ela, juntamente com os outros amigos deles e isso poderia acabar atrapalhando eles na busca dos pokémons que habitavam aquela caverna, uma vez que o seu namorado comentou que não era fácil encontrar uma Cleffa, ainda mais, as suas evoluções.

Portanto, ela decidiu que iria informa-lo do ocorrido quando ele estivesse a caminho de Hanada City (Celulean City), pois, não queria distraí-lo, enquanto agradecia o fato de conseguir fazer com que os médicos e policiais não contatassem os pais dela, pois, temia que a sua genitora não a deixasse viajar se soubesse o que aconteceu, sendo que ela não podia arriscar a perder o seu sonho.