Notas da Autora
Bunnelby fica...
Citron e Lilia...
Em Johto, Haruka (May)...
Capítulo 172 - O plano de uma Torchic
Quando as nuvens se afastaram para revelar lascas de luz do sol que conseguiram adentrar nas copas das árvores, ele teve um vislumbre dos seus amigos que estavam semitransparentes e que acenavam para ele, sorrindo, para depois, murmurarem em usino:
- Muito obrigado e seja feliz, amigo. Você não tem qualquer culpa
O coelho pokémon enxerga atrás deles o diggersby que tinha um olhar pesaroso, enquanto falava tristemente:
- Eu lamento tanto... Nunca desejei que algo assim ocorresse. O que eles falaram foi verdade. A culpa foi minha. Muito obrigado por me perdoar. – ele sorri tristemente no final.
Quando o tipo normal pisca os olhos, para depois, coçá-los com as patinhas, não os vê mais e após assimilar o que viu e ouviu, sentiu o seu coração ficar leve como se toda e qualquer culpa fosse tirada das suas costas.
Bunnelby consente, enquanto murmurava, olhando para as lápides:
- Obrigado.
Algumas semanas depois, após dominar mais palavras humanas, ele contou o que viu quando o sol incidiu no local e ficou aliviado ao ver que eles acreditaram nele.
Inclusive, Bunneary, Lilia, Citron e Luxio falaram que esperavam algo assim, considerando o quando ele e os outros eram unidos, além da culpa opressora que o tipo normal sentia pelo que ocorreu e que era necessário obter tais palavras para que pudesse perdoar a si mesmo. Os amigos dele devem ter sentido isso e conseguiram fazer com que os visse para que pudesse perdoar a si mesmo, segundo as palavras deles para explicar o que ocorreu, sendo esta uma hipótese perfeitamente plausível para o coelho pokémon.
O jovem inventor e a sua irmã mais nova desconheciam o fato de que houve alterações na linha do tempo que fizeram com que não encontrassem Dedenne, pois, não saíram em uma jornada juntos, sendo que o tipo Eletric e Fairy somente iria se encontrar com Eureka dali a alguns anos, quando ela conseguisse a sua licença Pokémon, sendo que iria capturá-lo quando os seus caminhos se cruzassem.
Afinal, havia encontros que eram determinados pelo destino, sendo algo imutável, não importando as alterações que surgiram e o universo em questão.
Quanto ao Chespin que Citron ganharia do Pokémon Hakase, o doutor Platane (Sycamore), ele não o encontrou, pois, não saiu em uma jornada, fazendo com que o pokémon tipo Grass fosse escolhido por outro treinador.
Todos esses fatos eram desconhecidos ao jovem inventor por pertencerem à outra linha do tempo que não existia mais.
Naquele instante, enquanto Bunnelby e Buneary andavam de mãos juntas no enorme jardim da mansão de Lilia, trocando juras de amor, Citron e a jovem milionária estavam de mãos dadas no belíssimo jardim da mansão imponente, sentados em um belo banco, olhando alguns pássaros que voavam dentre as árvores do exuberante jardim.
- Daqui a três anos, me daria a honra de ser a minha esposa? – ele pergunta, beijando o dorso dela.
Corando intensamente, ela sorri, para depois, falar:
- Claro, meu amor. Ficaremos juntos para sempre.
- Podemos fazer um noivado de três anos. O que acha?
- Eu adoraria. – a jovem sorri, corando para ele, sendo o mesmo para o loiro que corava tão intensamente quanto a sua amada.
Então, ambos dão um beijo casto, enquanto Luxio, que se encontrava próximo do casal, bocejava, voltando a relaxar embaixo de uma árvore próxima de um belo lago, sendo que sorriu ao ouvir a promessa do casal, pois, ficou feliz pelo seu amigo e treinador ter encontrado a felicidade com alguém que amava.
No entardecer, há centenas de quilômetros dali, em Johto, mais precisamente em um navio que percorria a costa, Haruka (Mai) estava observando o litoral, enquanto aguardava ansiosamente uma apresentação no fim da tarde em um dos palcos da embarcação e que foi anunciado para todos pelo alto-falante do navio.
De fato, meia hora depois, no palco localizado na proa, começou a apresentação de uma dança típica que sempre era realizada em uma vila pequena nos arredores onde se encontravam e que haviam levado a bordo para entretenimento dos passageiros.
A jovem estava sentada em uma mesa, bebericando um chá, enquanto se servia de alguns petiscos. Ela estava adorando a apresentação, fazendo questão de olhar atentamente os movimentos dos dançarinos ao som de uma música que era proveniente de alguns instrumentos musicais tradicionais daquela região.
Haruka havia deixado a Torchic fora da pokéball, com a mesma se encontrando aborrecida, enquanto ficava ao lado dela, tentando compreender qual era a diversão em assistir um grupo de humanos se movimentado daquela forma, sendo que o tipo Fire suspirava ao ver que a sua treinadora estava demasiadamente entretida assistindo a dança.
Afinal, a doméstica tinha uma alma guerreira e estava ficando revoltada por não ter participado de nenhuma batalha até aquele instante, enquanto a sua mestra estava ocupada com algo que era aborrecedor ao ver dela, pois, ansiava ardentemente por um desafio, chegando ao ponto de suspirar exasperada ao ver que a sua treinadora não demonstrava o mínimo interesse em batalhar.
Então, ela ouve sons familiares que a impulsionam a se afastar da mesa, enquanto procurava desviar das pessoas, de outros pokémons e de alguns animais de companhia conforme seguia os sons, fazendo com que chegasse até a popa do navio e ao encontrar a origem, os seus olhos brilham, pois, confirmava o que ela havia suspeitado. Era uma batalha pokémon. A visão fez o seu coração vibrar de emoção, enquanto sentia inveja dos pokémons batalhando na arena.
Conforme os observava, a doméstica decide encontrar uma forma de fazer a sua treinadora se interessar pelas batalhas e conforme pensava nisso, surge uma ideia em sua mente e após planejar meticulosamente os seus próximos passos, formando uma linha de ação necessária em sua mente, visando o êxito do seu plano, ela exibe um olhar determinado em seu rosto, para depois, correr até a sua mestra.
Quando chega ao lado dela, tenta inutilmente chamar a sua atenção e após várias tentativas frustradas, ela se afasta e corre até a jovem, se chocando contra a perna dela e ao fazer isso, chama a atenção da humana, sendo que procurou dosar o impacto para não machucá-la, pois, desejava fazê-la prestar atenção nela dentre aquela cacofonia de vozes e sons diversos no entorno.
Porém, a surpresa de sentir algo se chocando em seu tornozelo fez a jovem derrubar o seu chá no chão, cujo copo era adornado com sombrinhas coloridas e ao olhar para a origem do impacto, avista a sua Torchic, que começa a falar em sua linguagem e ao se recordar da apresentação, a jovem ergue o seu rosto e descobre que havia terminado, com ela perdendo o final.
Haruka fica irada e a chama para a pokéball, com a pokémon se distanciado dela para evitar se chamada para dentro do dispositivo, enquanto procurava se embrenhar dentre a multidão, a obrigando a persegui-la, sendo que o plano do tipo Fire consistia em levar a sua mestra até a arena destinada as batalhas.
Após conseguir alcançar a arena, a doméstica entra prontamente na área destinada às batalhas, enquanto que a garota acaba parando no local destinado ao treinador. Ela estava tão ocupada perseguindo a sua pokémon, enquanto bufava de raiva, que não percebeu onde se encontrava.
A jovem arqueia o cenho ao ver que a sua pokémon não apenas parou, como demonstrava animação para algo e ao erguer os olhos para se situar onde se encontrava, detecta a arena e os espectadores no entorno.
Então, ao olhar para a Torchic, avista a mesma apontando o bico para algo, enquanto demonstrava animação em sua postura e ao buscar com o olhar a causa da empolgação da sua pokémon, Haruka avista um Glameow, com o treinador dele sorrindo ao ver a garota, pois, julgou erroneamente que era uma desafiante e em virtude da sua suposição, ainda equivocada, comenta com animação ao ver o fogo da luta nos olhos do pequeno pokémon que encarava com destemor o tipo normal:
- O seu pokémon é guerreiro como o meu. Os olhos dele brilham por um desafio. O que acha de um contra um? O meu Glameow está no nível dezoito. Eu imagino que você leu as regras para as batalhas em um navio, assim como sabe quais golpes são proibidos em virtude do ambiente em que estamos.
- Não quero batalhar! Estou aqui para passear e acabei parando nesse local, pois, estava perseguindo a minha pokémon que se recusou a entrar na pokéball quando eu mandei. Eu detesto pokémons.
O homem fica estupefato ao ouvir que ela detestava pokémon.
Afinal, as pessoas que não gostavam de pokémon ou os odiava por algum motivo, não tinham nenhum pokémon junto delas e aquela jovem tinha um Torchic, fazendo com que o treinador ficasse estarrecido, assim como os demais, pois, era uma situação inusitada.
Enquanto todos se encontravam estupefatos, a Torchic estava estarrecida ao ouvir que a sua mestra detestava pokémons, enquanto lutava consigo mesmo para acreditar que ouviu tais palavras, pois, eram demasiadamente surreais e igualmente inesperadas para a mesma.
A doméstica sempre pensou que a sua treinadora não batalhava por não ter nenhum estímulo ou qualquer outro motivo que a sua mente buscou incansavelmente, pois, ansiara desesperadamente por uma explicação plausível para nunca ter batalhado e ao imaginar que havia conseguido descobrir a resposta e que consistia na falta de estímulo, a única hipótese crível que veio a sua mente, ela elaborou o plano de atrair a sua mestra para a arena na esperança que a humana se interessasse ao participar de uma batalha em vez de olhar outros humanos se movimentando ao som de uma música.
O tipo Fire nunca poderia imaginar em sua mente que o motivo de nunca ter batalhado, a não ser contra os outros Torchic quando estava com o seu criador, sendo disputas normais entre filhotes e que eram executadas em forma de brincadeira, era porque a humana detestava pokémons e conforme pensava nisso, tentava compreender o motivo de tê-la escolhido se odiava a sua espécie.
Este era o mesmo pensamento do homem na frente de Haruka que ao se refazer do que ouviu, assim como o seu Glameow que havia ficado surpreso, juntamente com a multidão no entorno, fez a pergunta que permeava a mente de todos, após o breve discurso da jovem que evidenciava o seu sincero desprazer pelos pokémons:
- Desculpe-me perguntar, senhorita – ele fala educadamente, enquanto sentia pena da Torchic - Mas, se odeia os pokémons, sendo que não é a única nesse mundo a nutrir esse sentimento para eles, por que escolheu um? Quem os odeia, não mantém um pokémon junto deles.
Haruka revira os olhos, achando a pergunta estúpida, pois, a resposta devia ser óbvia.
Após suspirar, buscando paciência, ela fala asperamente, enquanto colocava uma das mãos na cintura ao mesmo tempo em que gesticulava com a outra mão:
- Eu nunca poderia viajar e passear por aí, não possuindo a idade mínima legal para isso e capacidade financeira por mim mesma. A única forma que eu encontrei de poder sair de casa e de quebra, conseguir ajuda financeira para realizar o meu sonho de passear por Johto era através de uma licença Pokémon e por mais que eu tivesse que aturar aqueles treinos maçantes e estudos aborrecedores para conseguir a pontuação necessária para pegar a licença, foi compensador pelo fato de eu poder viajar. Afinal, a licença Pokémon garantia isso ao mesmo tempo em que eu teria a ajuda financeira dos meus pais que ansiavam em me ver como uma treinadora. Portanto, eu fui obrigada a ter um pokémon para poder viajar quando precisei ir ao laboratório do Hakase Pokémon, o doutor Odamaki (Birch) para pegar a minha licença pokémon, após passar em todos os testes exigidos para a obtenção da licença. Eu escolhi essa Torchic, porque ela parecia a mais calma dentre os iniciais. Pelo visto, eu estava enganada.
Conforme ouvia o discurso da sua mestra, os olhos da Torchic ficaram umedecidos, pois, descobriu que a sua treinadora a escolheu por ter sido obrigada em virtude da licença, sendo que ela só queria passear e nada mais, fazendo com que todo o esforço que a tipo Fire empenhou nesse pequeno plano que traçou fosse desperdiçado, pois, as suas suposições sobre o motivo da sua treinadora não almejar as batalhas estavam errôneas e suspirando de desalento, com as lágrimas picando os seus olhos, a doméstica desaba sentada na arena, olhando desolada para o chão, enquanto se encontrava prostrada.
Quando foi escolhida dentre os iniciais, a Torchic imaginava um mundo de batalhas e havia fantasiado que derrotava todos os seus oponentes, enquanto evoluía, pois, havia visto a sua última evolução em uma gravura na parede do local onde foi criada, fazendo com que ela ficasse ansiosa para se tornar ainda mais poderosa e conforme refletia sobre o seu desejo ardente por poder, se recordou que era uma guerreira desde que nasceu do ovo, fazendo com que se destacasse dentre todos os Torchic que haviam nascido dos ovos chocados naquela semana na incubadora. Desde que saiu do ovo, havia demonstrado um amor nato pelas batalhas, fazendo com que o seu criador chegasse ao ponto de comentar que quem a tivesse para as batalhas seria um treinador muito sortudo, pois, teria uma guerreira nata em suas mãos.
Enquanto a tipo Fire se encontrava perdida em seus pensamentos e reminiscências, sentindo um oco de dor e de desolação dentro de si, todos olhavam com pena para ela, incluindo o Glameow que se lastimava pelo destino daquela guerreira.
A Torchic não sabia que houve inúmeras alterações na linha do tempo que fizeram com que a sua mestra não conhecesse o treinador de Masara Town que conseguiu fazê-la gostar de pokémon, além de desejar fazer uma ou outra batalha sobre orientação dele, sendo que ao seguir viagem com ele, acabou tropeçando no mundo dos Contest´s, fazendo-a desejar ser uma Pokémon Coordinator ao se tornar auxiliar de uma Pokémon Coordinator, ajudando-a em um dos números que fez com um dos pokémons dela.
Como ela não o encontrou nessa linha do tempo, Haruka estava seguindo o curso natural do que aconteceria se não tivesse se encontrado com Satoshi.
Ou seja, como não o encontrou, ela continuou não gostando de pokémons, chegando ao ponto de odiá-los, enquanto não possuía o mínimo interesse em batalhar e por não estar na companhia dele, não acabaria indo ao local onde encontraria um casal de Pokémon Coordinators, se tornando auxiliar de um deles, após aprender a gostar de pokémons graças a Satoshi.
Portanto, nessa linha do tempo, a jovem não será uma Pokémon Coordinator. Ela apenas desejará viajar, conhecendo os belos lugares que assinalou em um mapa.
Ademais, ela nasceu fêmea nessa linha do tempo em vez de ser originalmente um macho, como foi na outra linha temporal.
A Torchic ainda continuava cabisbaixa, olhando para o nada ao mesmo tempo em que lutava para digerir as informações estarrecedoras que ouviu da boca da sua treinadora, enquanto lutava arduamente para conter as lágrimas que desejavam brotar dos seus orbes umedecidos, embora fosse uma tentativa inútil, pois, elas surgiram como a água de uma represa que se rompeu. A dor no coração da pokémon era grande demais para ser contido e o máximo que conseguiu fazer foi chorar em silêncio, enquanto não possuía qualquer força para se levantar, fazendo todos em volta sentirem ainda mais pena dela.
Inclusive, uma das pessoas estava filmando tudo, desde que a tipo Fire entrou na arena e enquanto filmava, chorava junto da pokémon, assim como o tipo Grass ao seu lado, pois, a dor e a desolação eram palpáveis de tão intensas.
Haruka ainda borbulhava de raiva por ter perdido a apresentação e pela pokémon tê-la feito segui-la por quase todo o navio. Com os punhos cerrados no lado do corpo, ela exclama em um misto de raiva e de indignação:
- Não gosto de você e o pior de tudo é que me fez perder a apresentação! O que tem na cabeça? Pensei que o pokémon obedecia ao seu mestre! Eu fui gentil em deixá-la fora da pokéball, julgando que apreciaria o que eu estava vendo e que era calma, mas, pelo visto, eu estava enganada. Você é uma pokémon problemática. Eu achei que uma fêmea seria melhor do que um macho. Eu acho que devia ter escolhido outro – a Torchic estava insensível a fúria da sua mestra em virtude da sua dor e tristeza serem demasiadamente imensas, enquanto que a jovem pegava a pokéball dela, apontando para a doméstica – Volte, Torchic!
O tipo Fire acaba obedecendo à ordem dada em decorrência da submissão ao receptáculo, sendo que naquele instante, nada mais importava para a pokémon em virtude da desolação esmagadora que sentia.
Após recolhê-la, Haruka se dirige até o treinador do Glameow que exibia um semblante triste, enquanto olhava para a pokéball, assim como o tipo normal, para depois, eles arquearem o cenho ao verem a jovem se aproximar deles.
