Notas da autora

Haruka fica...

Yuuki se encontra...

Em Unnova...

Capítulo 180 – Verdade e descoberta

Há centenas de quilômetros dali, em Hoenn, o navio em que Haruka (May) se encontrava estava atracando no porto de Minamo City (Lilycove City).

Segundo um livro de turismo que ela comprou, a jovem descobriu tudo o que podia fazer e explorar naquela cidade turística, fazendo com que ficasse demasiadamente ansiosa para explorá-la enquanto congratulava a si mesmo por ter comprado o melhor guia para turismo e que permitiu revisar os planos de viagem que havia planejado.

Então, quando o navio termina de atracar, os passageiros são liberados para a saída do navio, com ela sendo um dos primeiros passageiros a descer as escadas em direção ao píer. Havia uma funcionária para orientar qual era a saída que deviam utilizar para poderem explorar a cidade e conforme terminava de descer, ela olhava atentamente para o jovem treinador na frente dela que exibia o seu pokémon que lembrava um lagarto verde bípede e que se encontrava virando o corredor.

Afinal, ela tinha a vaga impressão que o conhecia de algum lugar.

Assim que Haruka sai do hall que conectava a cidade as docas, fica estupefata ao ver os seus pais e o seu irmão mais novo, além do Pokémon Hakase, doutor Odamaki (Birch). Ao lado dele, se encontrava o jovem com o seu pokémon lagarto bípede que viu no navio e que tinha descido antes dela.

Então, ao forçar a sua memória, ela se recorda que aquele rapaz era Yuuki (Brendan) e ele era sobrinho do doutor Odamaki.

Sem compreender o motivo da sua família se encontrar ali enquanto a jovem controlava o suor frio que a acometia por temer que descobrissem o seu plano de passear ao usar uma licença Pokémon, Haruka se aproxima lentamente, criando algumas desculpas para justificar o fato de ter, apenas, um pokémon.

Ao ficar na frente deles, o semblante sério que os seus pais exibiam se transformam em rostos repletos de raiva e de desgosto que a fazem se encolher perante o olhar intenso.

Afinal, nunca testemunhou tais rostos antes em sua vida ao mesmo tempo em que Masato olhava com indignação para a sua irmã mais velha.

- Como você ousa nos enganar?! Nós acreditamos que queria a licença para ter uma profissão que envolvesse pokémons!

A jovem sente o sangue gelar e murmura em um fio de voz ao mesmo tempo em que se encolhia ainda mais com o grito do seu genitor, uma vez que nunca gritaram com raiva em direção a ela em toda a sua vida:

- Como...?! Isso é mentira! Claro que quero lidar com pokémons! – a jovem exclama o final em completo desespero, esperando conseguir enganá-los novamente.

A mãe dela dá um tapa sonoro no rosto da filha que coloca a mão no local que ardia pungentemente enquanto as lágrimas se formavam em seus olhos ao ver a face beligerante da sua genitora e que era compartilhada pelo seu genitor.

- Kaa-chan... – ela murmura com os lábios trêmulos e o rosto manchado de lágrimas.

- Como ousa mentir, novamente?! Veja!

A genitora tira o seu smartphone do bolso e mostra que alguém a gravou no navio, desde que chegou ao local da batalha e a sua fala com aquele homem. A gravação era excelente, fazendo com que a sua voz saísse audivelmente, não deixando quaisquer dúvidas sobre o que foi dito.

- Eu... eu... – Haruka tenta falar, mas, a sua voz emudece pelo olhar furioso mesclado a desgosto que os seus genitores exibiam direcionado para ela, que começa a chorar profusamente.

- Você irá devolver a pobre Torchic para o doutor Odamaki, antes de voltar para casa para terminar a escola! Não terei uma filha vagabunda. Vai estudar e escolher uma faculdade para ter uma profissão!

- Não! Sem a licença, só vou poder viajar aos dezoito anos! – Haruka exclama desesperada.

- Acha mesmo que eu vou continuar bancando você para passear, mocinha? – Senri (Norman) pergunta com um semblante raivoso enquanto pegava a sua filha no braço.

Haruka sente dor onde ele pegou, sabendo que terá um hematoma no dia seguinte, fazendo com que chorasse ainda mais enquanto murmurava:

- Está doendo...

- Você não se importou com o sofrimento da pobre pokémon! Você feriu os sentimentos dela! Tem noção da infração que você cometeu? O seu ato contra a Torchic é considerado maus tratos a um pokémon. Como você é iniciante, a punição é a cassação da licença, não envolvendo prisão. Porém, você terá que fazer serviços comunitários para expiar o seu crime perante a Liga Pokémon!

- O quê?! – ela demonstra choque em seu rosto.

- A decisão já saiu. Não há qualquer argumento de defesa para o seu ato. Assim que você se identificasse para viajar usando a sua licença, você seria informada da sua penalidade e policiais iriam levá-la até em casa, além de se certificar que a sentença seria cumprida.

Haruka estava chorando copiosamente ao mesmo tempo em que Masato ainda exibia um olhar magoado para a sua irmã por ter mentido para ele, também enquanto que Yuuki exibia um semblante de raiva, assim como o seu Grovyle pelo sofrimento que ela impôs ao tipo Fire.

- Nós já estávamos indo encontrá-la quando eu recebi o comunicado da Liga Pokémon, avisando que a sua licença foi cassada e que eu devia proceder na recolha do seu inicial e de quaisquer outros pokémons em sua posse. Portanto, me entregue a Torchic. Eu sei que você só tem essa pokémon. Também deve entregar a pokédex. – o doutor se aproxima, exibindo raiva e desgosto em seu semblante ao mesmo tempo em que estendia a mão.

- Eu... – ela começa a murmurar desesperada até que se cala ao ver o semblante furioso dos seus pais com a recusa dela.

- Você não tem escolha. Se houver resistência ao cumprimento da ordem, terei que informar a polícia e eles vão revistá-la para tirar a sua pokédex e pokéball.

- Meus pais não iriam deixar e o senhor é amigo da família e... – Haruka fala esperançosamente.

- Se ela resistir, por favor, informe a polícia. – Senri fala friamente enquanto fuzilava a filha com os olhos, fazendo-a se encolher.

- Ou seja, tem a nossa anuência para usar a força policial se for necessário. A minha filha tem que aprender as consequências dos seus atos. – Mitsuko (Caroline) fala friamente também ao mesmo tempo em que olhava com raiva para a sua filha.

- Otou-san! Okaa-san! – ela exclama desesperada.

- Não vou pedir uma segunda vez. Não se envergonhe mais do que já se envergonhou, enganando os seus pais para que pudesse viajar antes dos dezoito anos, além da vergonha que Senri sentiu por ser um Gym Leader quando soube que a sua filha foi condenada pela Liga Pokémon. Além disso, eu preciso cuidar da pobre Torchic após o dano que você proporcionou a ela.

Apesar de Haruka perceber a seriedade e convicção na voz e semblante do Hakase Pokémon, ela ainda tenta argumentar ao se recordar da sua punição:

- Eu não a agredi! Eu não feri o pokémon! Portanto, a acusação de maus tratos é falsa!

- Você a feriu de forma emocional, garota! Existem os danos físicos, mentais e emocionais! Tem ferimentos que apesar de não deixarem marcas físicas, podem ser demasiadamente devastadores! Você a feriu mentalmente e emocionalmente! Inclusive, era visível o semblante de desolação e de dor dela enquanto entrava em uma profunda depressão ocasionada pelo choque e desesperança! A dor dela era palpável para qualquer um! – Yuuki exclama com um semblante furioso enquanto cerrava os punhos.

- Foi você que me denunciou?! – ela pergunta chocada.

- Eu a denunciei a sua família e ao meu tio. Quem a denunciou para a Liga Pokémon foi uma jovem. Acredite, eu tive muita vontade de denunciá-la. Porém, por consideração e pela amizade da sua família com a minha, eu decidi comunicar, apenas, para as nossas famílias o seu ato desprezível.

- Entregue, Haruka ou terá que fazer com a polícia.

Com as mãos trêmulas enquanto chorava, ela pega lentamente a Pokédex e a pokéball do tipo Fire.

Masato (Max) que estava magoado e igualmente revoltado pela conduta da sua irmã para com a Torchic e por ter enganado todos eles, cerra os dentes e tomado pela raiva, arrebata abruptamente os objetos das mãos dela, os entregando para o Hakase Pokémon ao mesmo tempo em que Haruka ficava estupefata pela atitude inusitada do seu irmão, para depois, engolir em seco ao ver o semblante de decepção e de fúria dele para com ela.

Então, ela ouve a voz fria dele que era igual ao dos seus pais:

- Não aumente a vergonha da nossa família, nos obrigando a chamar a polícia. Tou-san e Kaa-san não merecem esse dissabor e vergonha adicionais.

- Doumo (obrigado – usada para conhecidos), Masato-kun. Eu vou comunicar a Liga Pokémon que estou de posse da pokédex e da Torchic junto do fato dela estar ciente da sua pena.

- Nós vamos seguir atrás do senhor. É importante que o senhor trate da Torchic. Não quero imaginar o quanto a pobrezinha está sofrendo. – Senri murmura em um tom pesaroso porque se sentia intensamente culpado pelo que aconteceu ao tipo Fire.

Afinal, deveria ter percebido algumas semanas, antes, que ela não queria ser treinadora quando o seu amigo, o doutor Odamaki, comentou que a filha dele não havia capturado nenhum pokémon novo e que a Torchic não havia ganhado qualquer nível, além do fato de ter aceitado as desculpas dela que agora, a luz da razão, soavam como patéticas.

O Gym Leader sorri tristemente ao perceber que a verdade sempre esteve na sua frente e que ele e a sua esposa não queriam enxergar a verdade dolorosa.

Inclusive, por causa dessa negação inconsciente, preferiram acreditar nas mentiras e justificativas patéticas da sua filha em vez de encarar a verdade desoladora e igualmente deprimente de terem sido enganados.

No final, uma pokémon inocente pagou o preço pela cegueira deles, com Senri abanando a cabeça ao perceber que não havia aprendido eficazmente a lição que vivenciou nas mãos daquele Fiscal Pokémon, quando não desconfiou da ausência de treinadores desafiantes. Se ele tivesse buscado saber o que ocorreu, ele teria impedido o sofrimento de vários treinadores nas mãos dos moradores cruéis da sua antiga cidade, que possuíam uma adoração a ele e a sua família que beirava a insanidade.

De fato, ele precisava ser mais atento, com ele jurando a si mesmo que isso nunca mais ocorreria novamente.

Mitsuko também compartilhava da vergonha do seu esposo porque deveria ter desconfiado das desculpas patéticas da filha ao não ter novos pokemons juntamente com o fato da Torchic não ter ganhado nenhum nível. A sua recusa em ver a verdade causou sofrimento a tipo Fire e isso era algo que ela carregaria para o resto da sua vida ao mesmo tempo em que jurava a si mesmo que nunca mais cometeria tais erros.

Então, Senri arrasta a sua filha que geme pela dor em seu outro braço conforme era arrastada até um taxi, com a sua mãe falando enquanto dedicava um olhar frio para ela:

- Vamos de avião porque você irá fazer o registro na escola para voltar a estudar o quanto antes.

Quando se preparava para tentar argumentar com os seus genitores, o rosto furioso da sua genitora a faz se encolher e abandonar imediatamente qualquer tentativa de argumento, fazendo-a chorar silenciosamente conforme era arrastada, observando pelo canto dos olhos, o Hakase Pokémon entrando em um taxi que estava atrás deles enquanto que Yuuki se dirigia para o centro da cidade com o Grovyle ao seu lado.

Haruka chorava copiosamente ao mesmo tempo em que se lembrava dos seus planos de viagem e do que havia planejado fazer ao chegar naquela cidade enquanto se revoltava por ter que voltar para a escola ao ter o seu sonho adiado porque havia tido a esperança de enganá-los, ao menos, por um ano, para que pudesse fazer a viagem dos seus sonhos.

Suspirando tristemente, ela observa ao longe o navio em que viajou e que agora, representava o fim do seu sonho, pelo menos, temporariamente porque esperava poder realizar algum dia e com os olhos vermelhos de tanto chorar enquanto novas lágrimas brotavam deles, ela avista um tom avermelhado que estava prestes a surgir em seus braços onde o seu pai a pegou fortemente, assim como a ardência em suas bochechas.

Então, Haruka fecha os olhos e continua chorando ao mesmo tempo em que fechava os seus punhos, amaldiçoando aqueles que a haviam denunciado.

Há centenas de quilômetros dali, em Unova, Isis e os seus amigos seguiam o seu caminho por uma trilha em direção à próxima cidade quando um som de estalo duplo chama a atenção de todos, com eles voltando os seus olhos para os carrinhos que continham os ovos. Quando a morena retira a proteção e cobertura, ela exibe um sorriso imenso, assim como os seus amigos porque os ovos estavam brilhando enquanto emitiam barulhos provenientes das várias rachaduras que se propagavam pela superfície dos ovos.

Prontamente, todos se aproximam e passam a olhar maravilhados após a jovem retirar ambos das suas respectivas incubadoras, os colocando gentilmente no chão, com todos olhando em um misto de fascinação e de intensa curiosidade porque Isis se recusou a descobrir quais pokémons iriam nascer dos ovos pelo desejo de ser surpreendida.