Nota da Autora: Fiquei super ocupada na semana passada, mas aqui estou eu :) Torçam para que meu chefe não me encha de trabalho semana que vem :)

Estava pensando em escrever um outtake mostrando como foi a noite entre esses dois, mas não tem a menor condição de eu postar essa parte aqui. Como eu poderia fazer, então? Postar em outro site? O que acham?

Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.

A cor do dinheiro

Capítulo 6: Olhando a neve cair

Para Lan Ayath

Música: Amor pra recomeçar (Frejat)

Duas semanas se passaram depois da tarde que Sesshoumaru e Rin tiveram aquele beijo, e desde então ela ficou trancada no quarto sem andar pelo hotel ou falar com ele. Todas as refeições eram levadas ao quarto. Aparentemente ainda estava confusa demais com o que acontecera para poder encarar Sesshoumaru, que também não apareceu para falar com ela.

Deitada na cama, com a cabeça virada para a janela, ela olhava a neve cair enquanto pensava no que acontecera, no porquê de estar tão confusa, abalada e tão... balançada ao mesmo tempo.

Virou-se de lado e abraçou os joelhos, observando os detalhes da colcha, dando um longo suspiro enquanto um dedo contornava os desenhos.

Uma batida na porta fez com que se levantasse e fosse atender. Devia ser o serviço de quarto com o jantar que pedira.

Entretanto, ao abrir, encontrou Sesshoumaru pela primeira vez em quase quinze dias, esperando ser convidado para entrar.

-Ah... – ela sentiu o rosto ficar impressionantemente aquecido – B-Boa noite... Sesshoumaru-sama...

-Só vim me certificar se não havia ido embora. – foi o simples comentário dele.

Rin piscou e engoliu em seco.

-Eu... Eu não entendi. – falou, ainda piscando.

-Você não sai deste quarto há dias. – Sesshoumaru comentou com calma, sem mostrar sinais de irritação – Pretende ficar aqui até quando?

Rin baixou o rosto e não respondeu.

-Você não convida as pessoas a entrarem quando batem na sua porta?

-Ah, me... desculpe! – ela deu passagem a ele – P-Pode entrar, sim. Desculpe.

Sesshoumaru passou por ela e parou no meio do quarto, colocando as mãos no bolso da calça, olhando a neve cair pela porta da sacada, ainda do lado de dentro.

-Estava dormindo?

-Não... – ela respondeu, fechando a porta e aproximando-se dele por trás – Só estava... deitada.

Ficaram em silêncio.

-O que você pretende fazer? – foi a pergunta dele.

-"Fazer"? – ela deu uma pausa, balançando a cabeça – Não sei.

-Não vai mais voltar mesmo para Tokyo?

A pergunta a fez estremecer.

-Não. – ela falou meio assustada – Bankotsu ainda deve estar me procurando.

Sesshoumaru virou-se, mas não a olhou. Dirigiu-se até a poltrona próxima da sacada e sentou-se.

-Então o que pensa em fazer? – ele perguntou – Ficará aqui até que a encontrem para se esconder em outro hotel?

-Eu... eu não sei! – ela praticamente gritou, começando a ficar nervosa com tantas perguntas, olhando a figura imponente do jovem líder de perfil – Eu não entendo dessas coisas! Eu nunca passei por isso antes! Não sei o que fazer!

Eu te desejo não parar tão cedo,

pois toda idade tem prazer e medo

Outro momento de silêncio se passou, e Rin ajoelhou-se para pousar as mãos no braço da poltrona.

-O que você acha que eu posso fazer? – foi a pergunta dela, olhando-o de forma suplicante – O que sugere que eu faça?

E com os que erram feio e bastante,

que você consiga ser tolerante

Desta vez, ele virou o rosto para encará-la, e Rin notou um estranho brilho nos olhos dourados, algo que a fez sentir-se mais perdida.

-A vida de alguém da yakuza não é fácil, menina. – a voz dele era fria – Deveria saber disso quando aceitou o papel de líder, ou fugir pra outro país e mudar de nome.

Quando você ficar triste, que seja por um dia,

e não o ano inteiro

-Mas eu não tive escolha! – ela redarguiu, balançando a cabeça com força – Eu mal tive tempo pra pensar em tudo que aconteceu nos últimos meses! Era negócio atrás de outro, reunião atrás de outra, problema atrás de outro! Eu nem tive tempo de resolver os meus problemas pra ter que resolver os de parentes que nem sabia que existiam! – começou a chorar – Eu não quero morrer! Não agora que eu comecei a... – parou de falar e baixou o rosto vermelho.

Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha e esperou pela continuação que não veio. E como ela continuou calada, ele resolveu perguntar:

E que você descubra que rir é bom,

mas que rir de tudo é desespero

-O que ficou fazendo nos últimos dias?

A vontade dela era responder que estava pensando nele, mas a vergonha foi mais forte e ela murmurou:

Desejo...

-Fiquei só olhando... a neve cair.

Sesshoumaru olhou a janela.

-Verdade? – ele começou – Eu também.

... que você tenha a quem amar

Rin olhou-o com surpresa, abrindo a boca para falar algo, mas não conseguir encontrar voz.

-Está nevando de novo... – ele comentou, olhando-a serenamente – Não vai olhar agora?

E quando estiver bem cansado...

A garota não soube quanto tempo olhou fundo naqueles olhos, sentindo as energias serem sugadas, arregalando os olhos quando começou a suspeitar de certa coisa no momento em que sentiu o coração acelerar e o rosto ficar aquecido, as mãos suarem e a cabeça girar, mas não de dor.

Ainda...

-Eu perguntei se não vai olhar. Está escuro, mas ainda dá pra ver. – Sesshoumaru falou de novo.

Rin arregalou os olhos e levantou-se subitamente, não deixando de encará-lo e fazendo menção de afastar-se, mas não conseguiu dar mais de um passo para trás por sentir a mão dele agarrando o braço e puxando-a para forçá-la a sentar-se no colo dele.

Sesshoumaru segurou com força o rosto com as duas mãos e manteve o rosto sério, deixando-a ainda mais assustada:

-Eu gosto que respondam às minhas perguntas, sabia?

Exista amor pra recomeçar

Rin engoliu em seco e não pôde evitar que ele encostasse novamente os lábios nos dela e fazendo-a sentir-se ainda mais nervosa quando as mãos foram segurá-la na cintura.

Pra recomeçar...

O beijo parou por um momento, mas não as carícias. Nem ao menos ela sabia o que realmente estava sentindo. Os lábios dele começaram a percorrer o pescoço e Rin falou mentalmente para si que tinha que sentir aquele momento, que tudo era real. Fechou os olhos e deixou escapar um gemido, as mãos seguravam os ombros dele com força.

-D-Deuses... – ela gemeu quando sentiu as mãos que estavam na cintura passarem para dentro do blusão de lã. O calor delas podia ser sentido pela costa e ventre.

-O quê? – ele sussurrou no ouvido dela e sugou o lóbulo, escutando a respiração acelerada da garota - Quer que eu pare?

Rin ainda tinha os olhos fechados, e ele viu o rosto dela ficar mais corado. Tinha escutado e entendido a pergunta, certamente.

Uma batida na porta fez com que voltassem à realidade, congelarem por um segundo e pararem com todos os beijos e os gemidos. Rin ficou envergonhada ao perceber que as mãos estavam desalinhando o cabelo dele, as pernas afastadas para melhor se acomodar no colo e os lábios colados na testa dele, os dois com as batidas aceleradas depois de terem sido interrompidos tão bruscamente.

A pessoa bateu de novo, mais insistente, e escutaram:

-Serviço de quarto. O jantar que pediu.

Rin saiu de cima dele e olhou-o como se pedisse desculpas por ter sido tão atrevida e embaraçado aqueles longos cabelos.

-De-Desculpe! – ela gaguejou, afastando-se mais dele.

Pela terceira vez uma batida foi escutada e Rin correu até a porta, tirando o cabelo do rosto e ajeitando a roupa, abrindo-a para receber o pedido com um sorriso forçado.

-Desculpe a demora... – ela falou, e deu passagem a um rapaz, que levou o carrinho com o jantar para perto da cama, afastando-se com uma reverência depois de receber uma gorjeta de Sesshoumaru, que surpreendeu Rin quando esta reparou que ele estava silencioso atrás dela.

-Vou jantar. – ele falou, colocando a mão na maçaneta – Boa noite.

Demorou alguns segundos para sair. Ele, de costas; ela, olhando para ele.

Quando ele finalmente saiu e fechou a porta, Rin caiu sobre os joelhos e apertou o tecido que cobria o peito, ainda tentando controlar as batidas do coração.


Mais uma semana se passou até Rin finalmente ter coragem de sair do quarto do hotel.

O gerente ainda não havia reclamado do tempo que ela já estava hospedada, mas nem poderia porque Rin tinha todas as diárias pagas e algumas até adiantadas. Ela e o acompanhante eram ótimos pagadores.

De novo ela ficou no quarto apenas vendo televisão quando uma batida na porta chamou a atenção dela e a forçou a sair da cama. Ao atender, ficou surpresa ao ver Sesshoumaru vestido mais casualmente, mais ainda ao receber um convite para acompanhá-lo a um passeio pela cidade.

Surpresa maior também era ver que ele ainda estava no hotel. Há três dias não tinha sinal dele. Chegou até a acreditar que ele havia voltado para a capital.

A madrugada tinha sido a mais fria do mês por causa da pequena tempestade de neve que a cidade tivera. Rin, como em todos os dias desde que teve o primeiro beijo com ele, na sacada do quarto, não arrumou as malas, não jantou direito e quase não dormiu, constantemente atacada pelas lembranças daquela tarde.

Estava lembrando-se disso enquanto olhava uma estátua de gelo do parque de exposições de Osaka. Como ela ainda costumava pagar as diárias e, segundo o gerente, não tinha intenção de ir embora tão cedo, Sesshoumaru deduziu que ela havia decidido mesmo ficar, e resolveu convidá-la para passar o dia na cidade depois do almoço. Quando ela perguntou o porquê, ele respondera que estava de férias.

-No que está pensando? – escutou-o perguntar quando ele percebeu que ela estava olhando por tempo demais um pinheiro de gelo.

Rin "acordou" e olhou-o sem jeito. Desviou o olhar da estátua e procurou algo para observar.

-É uma bonita exposição. – ela comentou, fazendo o possível em parecer natural.

-Não vejo nada de especial. – foi o comentário dele.

Rin engoliu em seco.

-Você não me parece estar gostando. – ele finalmente falou depois de momentos de silêncio por parte dela.

-Não, eu... Quer dizer... – Rin tossiu secamente – Sim, estou gostando. Só estive em Osaka quando tinha 12 anos. Nunca mais havia visitado.

-E quantos anos você tem agora? – ele perguntou, começando a andar para sair dali acompanhado por ela.

-Dezenove. – ela respondeu, sem se prolongar mais.

Quando chegaram à saída, ela perguntou:

-Estou atrapalhando você?

Sesshoumaru não respondeu e Rin ajeitou o casaco bege que usava, abotoando-o até o pescoço. Sentia a garganta doer e a voz começava a ficar rouca, mas pelo menos não sentia que ficaria tão doente quanto ficou semanas antes.

Quando saíram, foram a outro parque, não trocando uma única palavra durante o caminho.

Foram até um que não tinha visitante naquele dia. A neve cobrira os brinquedos e os bancos; homens tiravam o excesso de neve de todos os cantos – plantas, bancos, chão -, mas não estavam tendo muito sucesso.

Rin afastou-se dele e sentou-se num dos bancos limpos, levantando-se rapidamente quando Sesshoumaru sentou-se muito perto dela, fazendo-o arquear as sobrancelhas.

-O que foi? – ele perguntou com suavidade e educação, mesmo notando a forma com que foi tratado.

-Nada. – ela respondeu, secamente. Foi a um dos brinquedos e passou o dedo na camada branca que cobria a madeira do escorregador.

-Não está gostando do passeio? – Sesshoumaru perguntou no ouvido dela, assustando-a e fazendo-a paralisar – Quer voltar para o hotel?

A boca de Rin abriu, mas não saiu voz, principalmente quando sentiu os longos dedos de Sesshoumaru deslizando pelo cabelo liso dela.

Um gemido de medo escapou da garganta quando ela fez menção de afastar-se, mas foi impedida por um braço dele que a prendeu gentilmente na cintura e a trouxe para mais perto, possibilitando ao rapaz pousar o queixo no ombro direito dela.

-O que foi? – Sesshoumaru perguntou, observando o rosto assustado dela pelo canto dos olhos dourados.

-Na... Nada... – ela respondeu, estremecendo quando o rapaz afastou o cabelo caído no ombro para poder falar melhor contra o pescoço dela.

-Por que está com medo?

Rin não conseguiu responder.

-Não se sente mais segura comigo? – afastou-se um pouco para colocar as mãos nos ombros dela e massageá-los – Tem medo de mim agora?

Rin baixou o rosto corado para olhar o chão, fazendo um movimento negativo com a cabeça.

Que massagem boa...

Era mesmo maravilhoso sentir o toque de alguém, principalmente no inverno.

Eu te desejo muitos amigos, mas que em um você possa confiar

E que tenha até inimigos

pra você não deixar de duvidar

-Por que você não fala? – ele perguntou ainda mais perto do ouvido – Sua garganta ainda está doendo?

-T-Também... – ela gaguejou, meio envergonhada.

Sesshoumaru parou a massagem e afastou-se dela, começando a andar em direção das escadas.

-Vai começar a nevar de novo. – ele falou - Mas eu ainda quero passar no Castelo daqui.

Afinal de contas, o que estava acontecendo? E por que sentia o coração bater mais rápido?

-Não vou esperar até a neve cair. Eu não quero ficar doente. – ele falou, parando no primeiro degrau.

Rin virou-se lentamente e encontrou o perfil alto e elegante do jovem líder olhando-a fixamente. Se ele quisesse, poderia deixá-la ali e dar a volta sozinho pela cidade. E se ela quisesse, poderia muito bem voltar para o hotel, pegar as malas e ir para qualquer cidade do Japão e esconder-se como uma outra pessoa, já que era uma mulher rica agora.

Mas nenhum deles queria.

A garota andou em direção dele, olhando para baixo e sem coragem de fazer as perguntas que queria fazer desde o primeiro beijo entre eles.

Quando o alcançou, recomeçaram a andar. Sesshoumaru, em frente; Rin atrás dele.

-Você não é submissa para andar atrás. – Sesshoumaru falou.

-De-Desculpe... – Rin apressou o passo e ficou ao lado dele.

-Não precisa me pedir desculpas.

-De... – ela calou-se quando recebeu um olhar reprovador dele, baixando o rosto.

-Você é uma garota que recebeu uma boa educação, é rica e, se quiser, pode ser independente.

-Eu... Eu sei. – Rin murmurou, apertando a gola do casaco no pescoço.

Desceram as escadas lentamente, mas Sesshoumaru parou de andar, e Rin estancou dois degraus abaixo dele.

-Não gostaria de começar agora? - ele perguntou.

-Como?

Antes que pudesse perceber, Rin sentou novamente as mãos dele tocando-a, uma no lado esquerdo do pescoço e a outra na cintura, sentindo um arrepio.

-Erga a cabeça, menina. – ele falou no ouvido dela – Pode começar a viver sua vida agora.

Quando você ficar triste, que seja por um dia,

e não o ano inteiro

-T-Tá... – ela falou, ficando mais assustada quando sentiu a mão no pescoço deslizar pelo ombro lentamente até chegar na cintura, puxando-a contra o corpo dele.

-Você está sentindo frio agora? Está tremendo.

-Eu... Eu... Quero... Voltar pro hotel! – falou, tentando afastar-se um pouco.

-Não gosta da minha companhia? – ele perguntou, novamente descansando o rosto no ombro dela.

-É que... Eu... Eu... Não dormir direito e que-quero voltar logo! – gaguejou, tentando controlar o nervosismo.

-Por que não? – ele disfarçou o sorriso quando continuou – A cama do seu quarto não é confortável?

A palavra "cama" foi processada no cérebro dela, provocando-lhe uma sensação estranha no peito e em outras partes do corpo quando vieram-lhe à mente diversas imagens associadas à ela: lençóis, travesseiros, duas pessoas, roupas no chão etc.

-O que foi, Rin? – chamou-a pelo nome pela primeira vez – O que a preocupa tanto?

A fala dela saiu trêmula:

-O-O q-que foi a-aquilo?

-"Aquilo" o quê? – Sesshoumaru perguntou, passando a ponta do nariz pela base do pescoço dela – Aquilo na poltrona naquele dia?

-Sim. – ela murmurou num fio de voz.

-Não gostou?- começou a beijar de leve o ombro.

Desta vez, Rin afastou-se e desceu mais dois degraus para virar-se e encará-lo com uma expressão angustiada.

-Por... Por que está fazendo isso comigo?

O rapaz não respondeu e continuava tranquilo.

-Você 'tá... brincando comigo, é isso?

Viu-o estreitar os olhos.

-Este Sesshoumaru não brinca com coisa séria.

-"Coisa séria"? – ela repetiu, arregalando os olhos.

-Você não queria... – ele desceu as escadas lentamente em direção dela – Sentir-se viva?

-Eu... Eu... – Rin baixou o rosto.

-Não gostaria que eu fizesse você sentir isso?

E que você descubra que rir é bom,

mas que rir de tudo é desespero

A garota ficou impressionada com a pergunta, precisando encará-lo para formular uma resposta, esquecendo-se por completo de procurar uma.

Um vento frio soprou entre os dois, fazendo Rin pôr a mão no nariz para conter um espirro, mas em vão.

Desejo...

Quando abriu os olhos, Sesshoumaru já estava tão próximo que ela poderia encontrar o rosto dele se ficasse na ponta dos pés.

-Você não quer sentir coisas reais? – foi a pergunta dele.

Que você tenha a quem amar

Rin baixou o rosto.

E quando estiver bem cansado

-Ou pretende continuar imaginando ser tocada por alguém?

Ainda...

Viu-a morder o lábio inferior.

Exista amor pra recomeçar...

-Vamos visitar o Castelo de Osaka? – ele perguntou, passando por ela e ignorando qualquer resposta que ela tivesse – Ou quer mesmo voltar para o hotel?

-Não... Eu... – engoliu em seco – Eu vou com você.

E seguiram para o Castelo.

Pra recomeçar...


O Castelo de Osaka, construído em 1585 como símbolo da unificação do Japão, estava aberto naquele dia para os turistas mais teimosos que não se importavam nem um pouco em saber que a torre principal estava coberta por uma densa camada de neve.

Rin e Sesshoumaru estavam olhando a decoração de um dos quartos, um pouco afastados de outros turistas. A garota estranhou que ele não tivesse tentado mais nada durante o caminho, mas isso foi até os primeiros minutos em que ficaram sozinhos.

-Ainda está com frio? – ele perguntou quando a viu apertar as luvas e esconder as mãos no bolso do casaco.

-Só... Só um pouquinho. – ela respondeu educadamente, sem encará-lo.

-Quer que eu faça você ficar aquecida?

A pergunta foi feita com suavidade, mas a reação que provocou na garota não foi a mesma coisa. Rin sabia que o rosto estava mais aquecido que o normal e que deveria estar com uma expressão engraçada, embora ele não tivesse rido.

Piscou duas vezes e novamente congelou quando o viu aproximar-se e ficar por trás dela, colocando os braços de novo na cintura e afastar o cabelo do pescoço com o rosto.

-Vou entender seu silêncio como um "sim".

-N-Não.

-"Não" o quê? – ele perguntou, beijando a região – Não gosta disso?

-P-Pare... Por favor...

-Não gostaria de continuar o que fizemos naquele dia?

Rin inclinou o rosto para encontrar os olhos dourados encarando-a serenamente.

-Con... "Continuar"? – ela repetiu – Como assim?

-Você tem planos para esta noite?

-P-P-Por quê? – ela gaguejou, sentindo o coração acelerar.

Sesshoumaru demorou a falar, aumentando a ansiedade dela.

-Não quer passar a noite comigo? No mesmo quarto... – sussurrou no ouvido dela – Na mesma cama?

-Pelos deuses... – ela gemeu, cobrindo o rosto com as mãos, querendo desaparecer da face da Terra por um buraco enquanto sentia o coração bater rápido.

-Eu posso fazer você sentir coisas incríveis. – ele voltou a falar, tirando as mãos dela do rosto e virando-a para olhá-lo - E até final do dia eu farei você entender o que está sentindo.

Levantou o rosto dela pelo queixo para beijar os lábios, sentindo-a relaxar e sentindo o pescoço ser envolvido por braços finos.

Um beijo tão bom quando os outros anteriores, pensaram. E ela estava começando a ceder, Sesshoumaru pôde perceber.

Uma tosse seca fez com que se afastassem os rostos e notassem a presença do vigia da sala de pintura.

-O Castelo fecha às quatro. – o homem explicou sem comentar a cena que se passou antes – Devem retirar-se.

Afastaram-se mais um pouco e Sesshoumaru pegou Rin pelo braço e passou altivo pelo guarda, chegando depois ao corredor principal para sair do prédio.

-Para onde... vamos? – Rin arriscou perguntar num tom hesitante.

-Continuar o passeio. – ele falou – Vamos descobrir o que está sentindo.


Já era tarde, quase nove da noite, quando Sesshoumaru terminou de vestir uma roupa contra o frio rigoroso da cidade, já de volta ao hotel. Rin estava no quarto dela e ele havia jantado, tomado banho e ainda pensava no que faria depois quando o celular tocou.

-O que foi, Hakudoushi? – atendeu depois de ver o número da mansão.

-O que aconteceu com a garota?

-Tenha uma boa noite. – Sesshoumaru desligou.

Três segundos depois, o aparelho tocou de novo e Sesshoumaru preparou um vocabulário de adjetivos para xingar o primo.

-Não se atreva a desligar, ou contarei para sua mãe.

A ameaça pareceu surtir efeito. O líder ficou calado por alguns segundos, começando a escutar o outro rapaz falar:

-Por acaso a garota que está com você é Shiroi Rin?

-Como diabos...?

-É a notícia do momento. Essa garota está desaparecida há semanas e só foi noticiado hoje, e você também, e o mais incrível foi que vocês dois aparentemente sumiram na mesma noite, segundo ele. Agora me diga: é ela quem está com você?

-Não posso dizer.

-Por quê?

-Você vai espalhar.

Sesshoumaru daria o mundo para estar em frente ao primo e ver a expressão dele.

-Não sabia que gostava de fazer piadas nos momentos ruins. - Hakudoushi falou.

-Sim, ela está comigo. – Sesshoumaru começou, assumindo um tom mais sério – Ela estava com problemas e tive que ajudá-la.

-Mas ela e a família dela estão nos passando a perna! – Hakudoushi se irritou – Já se esqueceu?

-Não é ela, é o meio-irmão dela. – Sesshoumaru corrigiu – Essa garota é só um nome, não representa mais nada.

-O que aconteceu?

-A história ainda está um pouco confusa e eu quero que você analise isso. Tudo que sei é que o outro filho do antigo chefe quis assumir a liderança e tentou matá-la. Mas ela assumiu as responsabilidades e pagou o dinheiro que ele nos roubou. E eu quero ajudá-la. Parece que ele ficou na liderança e pegou quase tudo que está no nome dela.

-Quase tudo?

-Ela tinha uns títulos aqui em Osaka e os vendeu para pagar a dívida.

-E?

-Ela vendeu tudo. Tem mais dinheiro agora que o que ele roubou.

-Onde está esse dinheiro?

-Numa conta minha. Era arriscado demais abrir uma conta aqui em nome dela.

-E depois?

-O que você acha?

Um momento de silêncio.

-Você quer ajudá-la a recuperar a posição de líder? – Hakudoushi perguntou.

-O pai dela era um antigo aliado, não esqueça esse detalhe. - Sesshoumaru pausava a fala – Se tivermos de brigar, brigaremos com o meio-irmão dela. Ele é o responsável por tudo.

-Acha que ela quer ser a líder?

-Não... – ele nem percebeu quando deu um suspiro cansado – Ela não quer. E já disse que o dinheiro dos títulos será doado para instituições de caridade.

-Mas então...?

-Eu quero o que ele roubou dela: propriedades, dinheiro e outros bens.

-Sabe quanto é mais ou menos tudo?

-Em torno de duzentos milhões. Os títulos totalizaram quinhentos milhões.

-Dólares?

-Isso.

Hakudoushi deu um assovio.

-E vamos precisar de aliados. – Sesshoumaru continuou.

-Em quem você está pensando?

-Os Higurashi e os Ookami.

-Só Kouga está em Tokyo. Posso conversar com ele, se quiser.

-E Kikyo?

-Está em Kyoto. – Hakudoushi respondeu depois de uma pausa.

-Fazendo o que por lá?

-Não posso contar. Você vai espalhar.

Um cômico momento de silêncio se fez e durou alguns segundos.

-Marque uma reunião no Conselho o mais rápido que conseguir. – Sesshoumaru voltou a falar com a habitual tranquilidade – Vou ficar pelo menos mais uma semana aqui e depois voltaremos para Tokyo. A garota ficará conosco.

-Não está se envolvendo com ela, certo?

Sesshoumaru não respondeu.

-Maldição... – Hakudoushi praguejou – Mas que droga... Por esse seu silêncio...

-Quero que cuide dela quando voltarmos. – Sesshoumaru falou – Percebi hoje que a voz dela continua rouca. Acho que pode ficar doente de novo. E ela está bem magra.

Hakudoushi deu um sonoro suspiro.

-E como estão as coisas aí? – Sesshoumaru perguntou.

-Kagome continua com aquela fome de desesperado. Precisa ver as caras que Inuyasha faz aqui. Sango terminou com Miroku pela terceira vez esta semana e tia Izayoi está furiosa por você ter viajado sem avisá-la. Disse que você vai apanhar quando voltar para cá.

Sesshoumaru ficou calado.

-Uma semana, certo? – Hakudoushi comentou – Vou ligar antes para providenciar alguma coisa.

-Certo.

-Boas férias. – Hakudoushi falou, desligando.

Sesshoumaru olhou o display e depois para a parede, lembrando-se de quem estava no outro quarto. Depois olhou para a janela e viu que voltara a nevar.

Saiu do quarto e foi ao quarto de Rin, abrindo cuidadosamente a porta e encontrando o quarto vazio. Escutou o barulho de água e concluiu que ela estava tomando banho, normal depois de um dia inteiro andando por uma cidade turística como Osaka. Foi até a poltrona e sentou-se, esperando pacientemente Rin terminar de arrumar-se.

Eu desejo que você ganhe dinheiro,

pois é preciso viver também

Dentro do banheiro, Rin terminava de se vestir. Ela passeara bastante, mas o que mais a deixou cansada foi ter que fazer compras ao lado de Sesshoumaru. Primeiro ela quisera comprar algumas roupas, já que as poucas que comprara antes já estavam sujas; depois quis arrumar algo para a pele, pois sentia a dela muito maltratada, e aproveitara para comprar maquilagem. Era feminina e gostava de ficar arrumada, embora não tivesse se preocupado com isso nos últimos dias.

Terminou de vestir o segundo quimono. Ainda estava muito frio, e ela vestira a camisola nova que comprara juntamente com dois quimonos para sentir-se mais aquecida. Prendeu o cabelo num coque e deu um suspiro ao ver que nem ao menos o liso cabelo negro escapara dos maus tratos do tempo, assim como a pele. Pelo menos essa última parte já tinha uma solução, mas a outra teria que ser solucionada logo.

Pensou em Sesshoumaru enquanto passava mais uma camada de hidratante na pele, rindo um pouco ao lembrar-se do que fazia para evitar que ele se aproximasse dela durante a tarde. Escondia-se no provador, fingia não perceber a presença dele quando provava a maquilagem. Não que quisesse realmente evitá-lo, mas ele a pressionou demais.

E ele pareceu notar isso, parando depois de persegui-la e conversando menos que o normal.

Riu nervosamente. Aquilo foi ruim, certamente. Logo quando tudo parecia tão bem entre eles...

"Bem"?

Ah, sim... Como se fosse possível um homem como ele gostar de uma garotinha tão boba quanto ela.

Deu um suspiro e saiu do banheiro, quase caindo para trás e prendendo a respiração ao ver Sesshoumaru ali, sentado na poltrona.

-Você... – ela começou num sussurro – O que faz aqui?

-Estava olhando a neve cair. – ele respondeu.

E que diga a ele, pelo menos uma vez,

quem é mesmo o dono de quem...

Rin olhou para a sacada e depois baixou o rosto, aproximando-se dele e sentando no chão perto da poltrona, ficando em silêncio por algum tempo.

-Posso olhar com você? – ela perguntou.

A resposta veio depois:

-Pode.

Ficaram em silêncio.

-Não está cansada? – ele perguntou – Não quer dormir?

-Vou daqui a pouco. – ela falou depois, deixando o silêncio durar algum tempo.

-Você se lembra do que sonha? – ele perguntou, repentinamente.

-Às vezes. – respondeu num tom meio curioso - Por quê?

-Naquela noite que cuidei de você, estava sonhando comigo.

-Oh...

Ficaram de novo calados.

-Minha mãe estava numa escada e eu tentava me aproximar dela, mas ela sempre se afastava mais e eu não conseguia chegar perto... – ela começou, olhando a neve – E você dizia que eu não podia me aproximar porque eu não poderia... ficar no mesmo lugar que ela...engoliu em seco e sentiu os olhos marejarem.

-Ela morreu. – Sesshoumaru falou num sussurro.

-É... – a garota soluçou e passou a mão no rosto para enxugar uma lágrima – É verdade.

Sesshoumaru escutou-a soluçar mais um pouco, dando um suspiro inaudível.

Quando você ficar triste, que seja por um dia,

e não o ano inteiro,

Virou-se para o lado em que ela estava e pegou-a pela mão, fazendo-a levantar-se e sentar-se de novo no colo dele, mas de modo mais gentil. Finalmente, quando ficou bem acomodada, fez com que ela o encarasse enquanto enxugava algumas lágrimas.

-E não é verdade?

Rin piscou, sem entender a pergunta.

-Você precisava estar comigo, e não com ela.

E que você descubra que rir é bom,

mas que rir de tudo é desespero

A garota entendeu naquele momento a situação e deu um gemido ao perceber o ponto que as coisas levariam, tentando afastar-se.

-Por que você foge, Rin? – segurou-a pela cintura.

-Por que está fazendo isso comigo? – ela choramingou – Você não gosta de mim.

-Eu nunca falei isso. – o jovem líder atestou tranquilamente, roçando um dedo nos lábios dela.

-Então... Por quê...? – era angustiante o modo com que ela perguntara.

A resposta demorou em vir, e ela notou o modo com que ele olhava para os lábios dela.

Desejo...

-Algumas coisas... Não podem ser evitadas, Rin. – Sesshoumaru finalmente respondeu, escutando-a prender a respiração quando aproximou o rosto para beijá-la.

Que você tenha a quem amar

Uma vez que os lábios se colaram num outro beijo, Sesshoumaru escutou Rin gemer quando encostou a língua na dela, sentindo as mãos pequenas tocando-o timidamente nos ombros e ter certeza de que estava mais envolvida por ele.

E quando estiver bem cansado

Segurou-a na cintura mais forte, acariciando-a depois na costa e soltando o cabelo preso dela. Escutou mais um gemido e afastou o rosto para tomarem fôlego.

-Eu não odeio você... E você não me odeia, certo? – ele perguntou enquanto esperava-a abrir os olhos e passando a mão nos longos fios negros.

Rin baixou o rosto e apertou os ombros dele.

Ainda...

-Se me odiasse, já teria se afastado de mim. Sabe que sou perigoso e que a ameacei uma vez, mas continuou ao meu lado.

A garota não respondeu.

-Eu percebi que você era especial no momento em que vi você naquele restaurante. E se não significasse nada pra mim, eu não teria cuidado de você.

Viu-a engolir em seco.

-E você não foi embora. – ele finalmente completou.

Exista amor pra recomeçar

Rin passou a língua para umedecer os lábios.

-Podemos continuar... O que estávamos fazendo ontem? – ele foi um pouco cauteloso em perguntar, preparando-se para receber uma resposta negativa enquanto fitava-a serenamente.

Quando Rin confirmou com a cabeça, um fino sorriso passou-lhe pelos lábios e acomodou-a melhor no colo, afastando depois o cabelo que cobria a testa para admirar o rosto dela.

Pra recomeçar...

-Se... Sesshoumaru... – ela começou, sorrindo timidamente e um pouco hesitante – Eu nunca falei antes... Mas eu acho você muito bonito... É-É o h-homem mais bonito que eu já... c-conheci. – engoliu em seco.

O rapaz arqueou as sobrancelhas, aproximando depois o rosto, novamente sereno, para tomar os lábios dela em outro beijo.

Depois de alguns instantes, ficaram novamente sem ar e ele a fez ficar sobre os joelhos por entre as pernas dele, podendo assim desatar o nó do quimono, arqueando a sobrancelha ao notar o segundo.

-Por que dois? – perguntou, acariciando a região do ventre e percebendo o estremecimento dela.

-É que... Está frio. Muito frio. – ela murmurou, envergonhada.

Depois de alguns segundos, ele perguntou num sussurro:

-Quer que eu aqueça você?

Pra recomeçar...

Sorriu satisfeito ao notar o consentimento dela, desamarrando o segundo quimono e balançando a cabeça ao ver a camisola.

-Eu não... sabia que poderia... – ela começou, baixando a cabeça e mordendo o lábio.

-Tudo bem... – o rapaz falou, deslizando as roupas para que o amontoado ficasse nas pernas dobradas dela, lentamente levantando a camisola e tirando o tecido por cima, jogando-o ao lado da poltrona, no chão.

Rin sentia-se envergonhada, mas não pediu que ele parasse em nenhum momento. Quando sentiu as mãos dele acariciarem a pele nua, deu um suspiro profundo e tomou coragem para beijá-lo no pescoço, sentindo os lábios dele passarem úmidos pelo ombro direito.

Quando enlaçou o pescoço dele e quis beijá-lo nos lábios, Sesshoumaru a segurou com mais força e levantou-se da poltrona, carregando-a nos fortes braços para levá-la para a cama, deitando-a gentilmente na cama.

-Eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida. – foi a última coisa que falou quando começou a tirar a roupa para deitar-se em cima dela e beijá-la novamente.

Pra recomeçar...


Em Tokyo

Tarde na noite, na mansão da família Shiroi, Bankotsu girou o banco da cadeira giratória em que estava sentado, desencontrando o olhar de Suikotsu enquanto girava o corpo.

-Reservei o trem para Osaka para amanhã de manhã. – Suikotsu falou – Vai sozinho?

Bankotsu girou na cadeira mais uma vez.

-Não imaginava que ela sobreviveria? – o outro perguntou.

Bankotsu não respondeu.

-Os Akais eram antigos aliados do teu pai. – Suikotsu começou – Se arrumar confusão com eles, vai precisar de aliados.

-Eu não sabia que Musou devia pra eles. – Bankotsu falou – Ninguém me falou isso.

-Acho que ela pegou todo o dinheiro dos títulos. – o outro deu uma risada seca – 'Cê é pobre se comparado a ela agora.

-Eu nunca pensei... – Bankotsu começou – Nunca pensei que as coisas chegariam a este ponto... E que ela fosse esperta o bastante pra esconder os títulos em Osaka... Provavelmente foi o Velho que fez isso.

-Vai fazer o quê?

-Você já sabe.

Suikotsu ergueu as sobrancelhas, obviamente não sabendo.

-Vou pra Osaka.

-E depois?

-Vou descobrir quando estiver lá. Se as coisas forem muito complicadas, marcarei uma reunião pra daqui a uma semana.

Suikotsu levantou-se.

-Como 'tá teu ombro? – perguntou ao rapaz sentado.

-Bem melhor que antes. – Bankotsu respondeu secamente e fechando os olhos.

-Sabe por onde anda Renkotsu?

Bankotsu abriu lentamente os olhos e falou com seriedade:

-Eu o matei. A culpa de tudo isso ter começado foi dele.

-Entendo... Bem, tenha uma boa noite, Bankotsu. – o outro falou, deslizando a porta do escritório para sair.

-Boa noite, Suikotsu.


Em Osaka:

No quarto em que estavam, Sesshoumaru escutou Rin gemer mais uma vez quando ele fez menção de parar o beijo, limitando-se a sugar os lábios enquanto esperavam que os corações voltassem ao ritmo normal das batidas depois de tudo que sentiram. Os corpos estavam cobertos por um lençol que parecia ser o suficiente para protegê-los do frio, o rapaz em cima da garota e os braços dela acariciando-o na costa, fazendo-o rosnar quando a delicada mão chegou à nuca.

Finalmente Sesshoumaru saiu de cima e deitou-se ao lado dela na cama depois de sugar o lábio inferior dela uma última vez, respirando profundamente antes de fechar os olhos e sentir a cabeça dela pousar em cima do peito dele.

-É melhor você dormir agora, ou amanhã ficará cansada para fazer os passeios pela cidade.

Rin concordou com a cabeça, não permitindo que ele notasse o sorriso dela ao fazê-lo.

-Está com frio? – ele perguntou.

-Não mais. – ela respondeu, virando o rosto para fitá-lo e sentindo os longos dedos dele deslizarem pelo cabelo dela.

O rapaz deitou-se de lado e abraçou o corpo, deitando o rosto no dela e cheirando o cabelo para depois falar:

-Acabei de lembrar... Vamos ficar aqui por mais uma semana.

-É mesmo? – ela perguntou, sentindo o rosto ligeiramente aquecido.

-Sim. – ele ergueu uma sobrancelha para ela – Você e eu.

Rin escondeu o rosto, provavelmente para que ele não visse que ela ficou com vergonha.

-Ei... Voltou a nevar... – ele comentou quando olhou a janela.

Rin olhou na mesma direção e comentou depois:

-Agora estou percebendo que é muito bonito...

-Vamos olhar a neve cair? – ele perguntou.

Rin deu mais um sorriso e fez "sim" com a cabeça, acomodando-se melhor debaixo do lençol ao corpo de Sesshoumaru, pressionando um lado do rosto no peito dele e sentindo braços envolverem-na enquanto olhavam a neve cair na escuridão do céu de Osaka.


Próximo capítulo:

"-Irmãzinha, eu nunca esperei isso de você."

"-Acho que você terá que ir até Ise, Sesshoumaru."

"-Ela já está esperando, senhora Akai Rin."

Capítulo 7: Três dias.