Nota da Autora: Obrigada a quem está comentando. Olha, há mudanças sim :) Um trecho aqui e ali, tirei coisas e algumas personagens que não encontrei sentido depois em participarem de novo.
Espero que gostem!
Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.
A cor do dinheiro
Capítulo 7: Três dias.
Para Lan Ayath
O primeiro dia de uma semana que Sesshoumaru reservou para ele e Rin foi de passeios pelo centro comercial de Osaka. Rin comprou mais roupas para aumentar o parco guarda-roupa da viagem e no final da tarde os dois terminaram de visitar a parte histórica.
-Sabia que Osaka é irmã de outra cidade brasileira? – Sesshoumaru perguntou a Rin quando estavam no segundo andar de um ônibus de passeio.
A garota fez um "sim" com a cabeça e voltou a olhar pela janela do veículo. Ambos estavam na parte de cima e sentados um ao lado do outro.
-Você já a conhecia? – Rin perguntou.
-A cidade toda? Não. É a primeira vez que reservo um tempo para visitar uma.
-E por que só agora? – ela perguntou, levantando-se junto dele quando o ônibus parou e os passageiros começaram a descer.
Com a pergunta, Sesshoumaru lembrou-se de certas circunstâncias: um roubo de dez milhões, uma família morta, uma criança traumatizada e muito estresse. E parte de tudo foi causada pela família dela.
-O que foi? – ela perguntou quando viu que ele se calara.
-Muito estresse... Eu estava cansado de alguns negócios. – ele respondeu, pausando as palavras e evitando olhá-la.
Rin espirrou e abriu uma sacola, tirando de lá um cachecol.
-Hoje também está frio. – ela falou, jogando a roupa sobre o pescoço.
-Pelo menos a noite não foi. – foi o comentário dele, fazendo-a corar. Viu-a ficar calada e baixar o rosto, sem conseguir encontrar algo para dizer.
Outra rajada de vento passou por eles e Rin, depois de sentir a pele arrepiar-se com aquilo, sentiu uma onda de calor aquecê-la quando o corpo dela foi bruscamente colado ao de Sesshoumaru, que a puxou para um abraço, fazendo-a largar as sacolas no chão.
Ficaram sem se falar por alguns segundos, apenas escutando as batidas dos corações e as respirações quase misturadas.
-Se... Sesshou... maru? – ela começou numa voz tímida e quase surda.
-O que você está sentindo? – ele perguntou – Como se sente depois do que fizemos?
Rin demorou em responder, fechando os olhos e respirando fundo:
-S-Sim... – pressionou o rosto no corpo dele – Só me sinto... Estranha...
-"Estranha"? – ele arqueou as sobrancelhas. Ela parecia normal, mesmo quando o que estava passando era além disso.
-Meu corpo dói um pouco... – ela olhou-o e o rapaz pôde ver o vermelho no rosto – M-Mas... A gente v-vai fazer de... novo?
A garota viu um meio sorriso aparecer nos lábios dele, o que a deixou mais embaraçada.
-Suas pernas ainda doem? – ele perguntou num sussurro rouco.
-U-Um pouquinho... – Rin respondeu, fazendo o possível para dar um sorriso doce, sentindo o rosto mais vermelho – S-Se for mais c-cuidadoso... Er...
A garota baixou o rosto e olhou para os braços que a seguravam, fechando os olhos para escutar dois corações baterem.
-Faremos quantas vezes você quiser, Rin. – ele falou contra os cabelos dela – Desde que realmente queira. Não há graça eu sentir algo que você não gosta.
Rin olhou-o e deu outro sorriso, movendo a cabeça num "sim". O rapaz separou-se e os dois pegaram as sacolas caídas.
-Vamos voltar para o hotel? – ele perguntou – Já está tarde.
-Ah... Sem problemas. – ela respondeu, ajeitando as sacolas na mão. Ele, por educação, pegou-as das pequenas mãos para deixá-las livres e tocar uma delas com os dedos.
Recomeçaram a andar de mãos dadas, desta vez em direção de uma estação. Rin sentia-se como parte de um casal verdadeiro, mesmo que os dois não tivessem ainda discutido que tipo de relação era aquela.
-Você comprou outro vestido? – Sesshoumaru perguntou, quebrando o silêncio que se fez. Ele havia notado que dificilmente ela usava roupas de frio e mantinha um vestuário quase semelhante ao de verão. Também não usava calças femininas ou jaquetas, preferindo roupas femininas mais sociais.
-Comprei. Vou usar quando volt...
Mordeu os lábios. Quando o quê? Ela voltaria para Tokyo? E se Bankotsu resolvesse matá-la quando ela descesse do trem?
Sesshoumaru pareceu notar a preocupação dela. Realmente ainda tinha que pensar direito no caso dela... Aceitaria ela morar durante algum tempo na mansão Akai?
Não se importava com o que a família acharia da ideia. Era o líder, a decisão dele só poderia ser contestada por uma pessoa – Lady Izayoi -, mas era aceita e seguida por todos.
Mas o que Rin acharia?
-Quero que use esse vestido amanhã à noite, Rin, quando jantarmos no Osaka Plaza. – ele mudou de assunto.
-Por quê? – a pergunta era inocente.
Era difícil aceitar certas coisas... Ele fazia um pedido ou dava uma ordem e ninguém ousava perguntar o motivo. Se o fizesse, a pessoa poderia ficar numa situação muito, muito ruim.
Mas com Rin era diferente. A pergunta era curiosa, e ele não se aborreceu.
-Eu quero vê-la com essa roupa, Rin. Este Sesshoumaru quer saber se fica bem em você.
Rin corou e agarrou-se ao braço dele, não reprimindo um largo sorriso.
Depois de chagarem ao hotel, Rin pediu licença para lavar-se e os dois combinaram de apenas conversar durante o resto do dia e jantar no quarto de Sesshoumaru. O líder da família Akai resolveu fazer o mesmo, aguardando por Rin enquanto via tevê.
Deveria ser em torno de oito e meia quando o celular tocou. Olhando a tela e adivinhou que era Hakudoushi.
-O que foi? – perguntou.
-Ela está aí com você?
-Não... – Sesshoumaru estranhou o tom sério do rapaz, além do normal – Por quê?
-Descobri algumas coisas sobre ela. – o primo começou a falar – Não acho que você vai gostar do que vou contar.
Sesshoumaru não falou, diminuindo o volume da tevê.
-Posso começar?
-Pode. – o líder respondeu.
-Bem, pra começar... Talvez a garota que esteja com você não seja a verdadeira Shiroi Rin.
Sesshoumaru sentiu a respiração parar por um momento, recuperando-a segundos depois para olhar a parede do lado, que ligava o quarto ao de Rin.
-Continue.
-É apenas talvez. É que a história dela é um pouco estranha, e alguns pontos me fizeram acreditar que talvez seja outra garota no lugar da verdadeira. E você sabe que isso é perfeitamente possível desde que conhecemos Kikyo e Kagome.
Sesshoumaru fechou os olhos.
-O motivo é o seguinte: essa garota parece que não teve passado algum. Não há registros em escolas de Tokyo e nem em outro sistema educacional do país indicando que ela tenha estudado até os onze anos.
-Onze? – ele mentalmente fez as contas. Rin só havia contado coisas sobre a infância, inclusive sobre a falecida mãe.
-É... Eu também achei estranho. Geralmente pessoas do nosso nível estudam desde os dois anos, se for possível. – Hakudoushi deu uma pausa e Sesshoumaru escutou o som de folhas de papel, como o primo estivesse lendo tudo de um livro – Mas no caso dela, ela só aparece matriculada em uma escola particular aos onze anos. Antes disso, nem sinal de que tenha ao menos estudado ou mesmo ido a um médico.
-E por que acha que ela seja outra pessoa? – Sesshoumaru sentiu suor escorrendo pela testa – Qualquer um pode fazer o mesmo.
-É mesmo, é? – o outro foi sarcástico.
-Continue, Hakudoushi. – o líder falou num tom irritado.
-Pode ser que ela seja adotada também. Mas aí poderíamos nos perguntar onde a verdadeira está e por que tantos anos de reclusão. Mas não é isso o mais interessante que eu descobri... E tem relação com o que me pediu pra pesquisar sobre a tentativa de assassinato dela. Está pronto para escutar?
-Fale. – o líder passou um braço pela testa.
-Um ponto a favor dela nessa questão de ser ou não a verdadeira é que apenas as pessoas do sangue da família podem ser os líderes diretos da yakuza. São eles que correm perigo, são eles que devem comandar, são os que devem ser protegidos.
Uma batida na porta assustou Sesshoumaru, mas ele levantou-se para atender, escutando Hakudoushi continuar no momento em que a abriu e viu o rosto sorridente de Rin:
-Essa garota deveria ter morrido na noite em que você a encontrou.
Sesshoumaru não conseguiu falar, limitando-se a encarar a garota.
-Ainda está aí? – o primo perguntou.
-Sim... – ele engoliu em seco disfarçadamente – Continue.
-Eu... – Rin começou timidamente, torcendo as mãos - Estou atrapalhando? P-Posso voltar depois.
-Pode entrar. – o rapaz falou, ainda segurando o celular e dando passagem a ela, fechando a porta depois.
-Ela está aí com você?
-Está. – ele confirmou.
-Posso continuar?
Rin sentia-se embaraçada em estar ali, atrapalhando aquela conversa dele com sabe-se lá quem, mas Sesshoumaru apontou para a tevê.
-Fique vendo tevê, se quiser... Eu volto logo. – falou, indo para a sacada do quarto e deslizando a porta de vidro.
Sesshoumaru apoiou-se no parapeito e falou:
-Pode continuar.
-Essa menina deve ser mesmo a líder por causa dessa tentativa... O irmão ficaria no lugar, apesar de não ser filho do "casamento oficial", mas é o mais velho. Possuem mães diferentes, mas são do mesmo sangue do antigo líder.
-Não precisa me explicar o que já sei, Hakudoushi. – o tom de Sesshoumaru foi mais irritado.
-Não descobri o motivo de Bankotsu não ser o líder, já que ele era o mais capacitado, mas... Essa Shiroi foi nomeada líder por desejo dele. Ela recebeu um treinamento e nomeou o próprio Bankotsu como secretário, talvez porque não sabia quem mais poderia colocar no lugar. – novamente deu uma pausa e o líder escutou o som de mais folhas de papel, parecia ser um arquivo muito grande – Essa garota seria apresentada ao Conselho na semana que vem se não tivesse sido atacada. E aí que entra o plano de Bankotsu, pelo que entendi até agora.
Sesshoumaru olhou para trás e viu Rin bailando com uma pessoa invisível nos espaços vazios do quarto, vendo-a bater a canela numa mesinha e jogando-se na cama – que era próxima – para massagear o membro.
-Se essa menina fosse apresentada a Bokuseno, ficaria com a proteção e amizade de outras famílias da yakuza. Sabe que se alguém ataca um, se outra família for simpatizante vai querer ajudar, principalmente se for alguém que era filha direta de um dos maiores líderes, que aparentemente é frágil e precisa de ajuda para "entrar nos negócios".
-Entendo.
-O que Bankotsu pensou, então? Se Rin fosse assassinada num lugar comum, num dia qualquer, sem a guarda por perto, seria considerado um crime comum. A polícia poderia investigar e, eventualmente, alguma família como a nossa se solidarizaria com o irmão desconsolado e daria apoio para que ele seja o novo líder, dando uma forcinha na hora de caçar os assassinos da irmã. E ainda receberia um presente de Bokuseno.
-"Presente"?
-Eu liguei para ele e descobri que o pai dela pediu a Bokuseno que desse certa guarda especial para protegê-la em lugar do Exército Branco, que é atual.
-E qual é?
-Os Cães de Aluguel.
-Mas essa guarda...!
-Eu sei... Era a que tia Izayoi comandava antes de casar com titio. Mas ela possui uma nova geração e seria dada à sua inocente Shiroi como presente. Se ela por acaso não fosse dada como morta ou desaparecida, como está sendo no momento.
Sesshoumaru ficou calado, dando um suspiro e olhando para trás, vendo Rin ajeitar os cabelos enquanto olhava a tevê, sentada na beirada da cama.
-É um plano que tem algumas falhas... Mas poderia realmente conseguir esse objetivo. Com certeza o rapaz não pensou em tudo sozinho. Sinceramente, eu sinto pena dessa menina ter convivido com um psicopata disfarçado sob o mesmo teto.
-É tudo?
-Quer que eu descubra mais ou posso deixar por sua conta?
-Vou tentar descobrir... algo. – Sesshoumaru fechou os olhos – Está tudo bem aí?
-Tia Izayoi está um pouco doente, mas é só uma gripe... Nada que não vá embora em quatro dias ou menos... Está precisando de alguma coisa aí?
-Por enquanto não. – o líder encontrou o olhar de Rin, que acenou-lhe alegremente – Eu ligo se precisar.
-Tudo bem. Desculpe se atrapalhei alguma coisa.
-Boa noite, Hakudoushi.
-Boa noite.
Sesshoumaru finalizou a ligação e deslizou a porta da sacada, entrando no quarto e fechando-a novamente antes que mais ventos pudessem entrar. Rin olhando-o curiosamente, agora deitada na cama e abraçando uma almofada como se fosse um bicho de pelúcia. Ou ele.
-Desculpe se atrapalhei sua conversa. – Rin afastou o rosto da almofada – Não tive intenção.
-Não tem importância. – ele arrastou os pés ao se aproximar da cama, sentindo-se pela primeira vez o cansaço das últimas semanas, deitando-se no momento em que ela ficou de joelhos perto dele.
-O jantar já está vindo? – ela perguntou curiosamente. Talvez ele estivesse daquele jeito porque estava com fome. Era sempre assim. Homens famintos ficavam estranhos.
-Sim. – ele respondeu, virando o rosto segundos depois para a tevê. Era difícil encará-la depois do que ouviu – O que estava vendo?
-Uns clipes do canal de música. Há um desenho americano de três meninas lindinhas que têm poderes... Uma delas é dublada por uma cantora maravilhosa! – Rin empolgou-se - Você não se importa de eu ver, né? Lá em casa eu costumava ver escondida, ou poderiam... – baixou o rosto – Rir de mim...
-Não... Não me importo... – Sesshoumaru falou num tom vago, olhando fixamente para ela.
Por quê?
Por que alguém como ela foi escolhida como líder se não tinha capacidade?
E o que Rin passou durante onze anos em branco?
-Está tudo... bem, Sesshoumaru? – ela perguntou, preocupada com o silêncio dele.
-Você... – qual era o problema em perguntar? – Você está com frio?
-Um pouquinho. – Rin abraçou os ombros – Estou com dois quimonos... E também com você. – corou ao completar a frase e cobrir o rosto com as mãos.
Melhor não perguntar agora. Ainda teria tempo de descobrir.
Alguém bateu na porta e chamou a atenção dos dois quando uma voz masculina falou:
-Serviço de quarto. Jantar.
-Oba, oba, oba! – Rin rapidamente pulou da cama e correu à porta para atender, deixando Sesshoumaru surpreso com a energia que ela tinha para fazer as coisas desde que começou a conhecê-la melhor.
Sim... Seria melhor descobrir depois.
Muito depois.
-... E meu irmão mandou comprar um bolo qualquer e disse que foi feito por um brasileiro. – Sesshoumaru contava enquanto enrolava alguns dedos no cabelo de Rin. Estavam deitados na cama, abraçados enquanto conversavam e viam os programas da madrugada na tevê.
Depois do jantar, ficaram conversando bastante sobre diversas coisas, mas quem mais falou foi Sesshoumaru, esperando que Rin contasse mais sobre a infância, como ela fizera em noites passadas.
Mas ela não contou.
Com a história de Sesshoumaru, ela deu uma risada e pressionou o rosto no corpo dele para controlar o acesso.
-Eu não achei tão engraçado, Rin. O meu primo também riu e continuei sem entender. – parou de brincar com o cabelo dela e enfiou os braços nas mangas do folgado quimono que ela usava.
-Bem... – ela deu outra risada, curta desta vez, tentando fazer uma expressão mais séria – É que eu imagino a cara da esposa dele acreditando nessa história.
-É uma história idiota.
-Justamente por ser tão idiota que é engraçada. Alguma vez já ouviu algo tão sem graça e sentiu vontade de rir porque a piada não tinha motivo?
-Nunca. – ele disse com suavidade, tirando os braços de dentro do quimono e abrindo o primeiro tecido, enrolando-os na cintura dela para prendê-la ao corpo dele.
-Já ouviu a lenda da vaca verde?
-Não.
-Quer que eu conte?
-Não.
-Por quê?
-Porque eu não gosto.
Rin fez uma expressão de choro.
-Outro dia você me conta. – olhou o relógio – Rin, já está tarde... São quase três da manhã... Preciso dormir.
-'Tá ficando velho? – ela perguntou, não escondendo um sorriso travesso.
Sesshoumaru lançou-lhe certo olhar de reprovação, fazendo-a rir de novo.
-É brincadeira, é brincadeira! – ela se desculpou, beijando o peito dele, coberto por uma camisa de inverno.
Ninguém ousaria fazer um comentário daquele tipo. Mas não se aborreceu por ter sido ela quem dissera.
Como aquela garota poderia ter crescido em meios aos problemas de se viver numa família de mafiosos?
E Rin nem percebera o outro problema em que se envolvera: ela estava se envolvendo com um membro da yakuza quando o desejo dela era viver longe daquilo.
-Você não vai continuar? – ela o tirou daquele pensamento e ele encontrou os olhos castanhos fitando-o docemente.
Continuar? Ah, sim. Sesshoumaru, para passar o tempo, começou a contar sobre a família dele. O irmão, o pai, os primos, a cunhada...
-Meu irmão e a mulher dele adotaram um menino há alguns dias. – ele falou, escutando um suspiro dela quando começou a acariciá-la na costa, conseguindo sentir o calor dela através do tecido fino.
-Ah, é mesmo? – ela parecia interessada, os olhos tinham um estranho brilho de excitação – Que legal! Eu também pensei em adotar uma para criar sozinha. Um dia desses soube que aquele menino, que viu os pais morrerem, foi adotado por uma família. Ele era tão lindinho...
Sesshoumaru tinha os olhos fechados, mas quando escutou o comentário dela, a mão que estava na costa parou de se mexer e ele abriu lentamente os olhos.
-O que foi? – ela perguntou.
-Sono. – ele falou, desligando a tevê pelo controle – Podemos dormir agora?
Acomodou-a na cama junto a ele e pegou o lençol, cobrindo os corpos e voltando a envolvê-la com os braços.
-Vai dormir assim comigo? – ela murmurou, fechando os olhos e aproveitando cada segundo de calor que aquelas mãos estavam proporcionando-lhe.
-Você não quer? – Sesshoumaru perguntou, tocando de forma sedutora algumas partes do corpo dela e fazendo-a suspirar, sorrindo com satisfação ao escutar um gemido dela quando a tocou na nuca.
-Nem imagina o quanto eu já quis isso... – ela envolveu a cintura dele com os braços, pressionando o rosto no peito dele – Boa noite...
-Boa noite, minha Rin...
No dia seguinte, no final da tarde, Sesshoumaru e Rin estavam numa praça sagrada e considerada patrimônio, que servia de entrada a um santuário xintoísta.
-Já está tarde, Rin. – Sesshoumaru avisou – Quero voltar para o hotel.
-Só mais esse santuário! – ela falou – Eu vou, leio as placas e volto logo. Você não precisa ir comigo. Vai ser rápido.
Rin subindo sozinha quarenta degraus de uma escadaria? Claro que não. Sozinha, não.
Parecia que a garota tinha uma bateria de energia escondida em si. Desde o início daquela manhã, Rin não parara de ir de um lado ao outro, conversando, correndo, rindo...
Isso era bom. Sinal que estava gostando de estar com ele.
Quando ia subir, Sesshoumaru parou repentinamente e olhou ao redor.
Havia alguém ali, espionando os dois. Sentia olhares e tinha certeza de que era alguém que não gostava.
-Sesshoumaru! – Rin o chamou.
Numa visão que ele quis gravar na memória, Rin estava tentando ajeitar o cabelo que o vento desalinhou segundos antes, entendendo depois a outra mão para que subissem as escadas de mãos dadas.
-Vem logo. – ela pediu, sorrindo.
Sesshoumaru tocou na delicada mão e a segurou, subindo os degraus e esquecendo o que o preocupara momentos antes.
Um pouco longe dali, um rapaz observava o casal com uma expressão de pura surpresa. Os lábios estavam entreabertos, e logo depois um sorriso se formou.
-Irmãzinha, eu nunca esperava isso de você... – Bankotsu falou, colocando um óculos escuro e virando-se para ir embora da praça.
Após chegarem ao hotel, os dois se arrumaram e jantaram juntos no Osaka Plaza, voltando ao quarto já muito tarde da noite. Sesshoumaru e Rin subiram as escadas e se dirigiam à suíte da garota, mas quando estavam para entrar, o celular de Sesshoumaru tocou e ele arqueou as sobrancelhas ao ver no display quem era.
-Rin... – ele começou, sem tirar os olhos da tela inicial – Pode me esperar por alguns minutos?
-Oh... – ela murmurou, fazendo "sim" com a cabeça. Simples assim. Obediente, sem fazer maiores perguntas.
Enquanto Rin seguia para o quarto, Sesshoumaru foi ao dele para atender a ligação:
-O que foi?
-Essa menina é a verdadeira Rin. – Hakudoushi falou – Hoje eu conversei com Bokuseno e ele me contou uma história... Não tudo, mas o bastante para entender o sumiço dela durante onze anos.
-E qual é? – ele perguntou um pouco receoso. Para Hakudoushi ter que simplesmente falar com Bokuseno é porque o primo estava desesperado por respostas.
-Não posso contar agora; acabei de chegar da mansão de Bokuseno e preciso cuidar de tia Izayoi. Prefiro contar quando chegar aqui. Mas pode ficar tranquilo: sua garota é a verdadeira.
Sesshoumaru olhou a parede como se pudesse ver Rin do outro lado e falou:
-Preciso desligar.
-Boa noite. – Hakudoushi falou.
Sesshoumaru guardou o aparelho no bolso, saindo do quarto e indo ao de Rin, que começava a tirar a roupa, entrando e trancando sem permissão.
-Eu achei que fosse dormir no seu quarto... – ela começou numa voz tímida quando o viu aproximar-se.
Ficou calada quando sentiu os dedos dele afastarem as alças do vestido e os lábios úmidos beijarem a pele nua, fazendo-a dar um gemido.
-Eu falei que era para me esperar, Rin. – ele falou, fazendo uma trilha de beijos até a orelha.
-Pelos deuses... – Rin murmurou, segurando-se no ombro dele quando sentiu algo como uma corrente elétrica passando-lhe pelo corpo.
Sesshoumaru não disse mais nada. Deixou que o vestido dela caísse e levou-a para a cama, começando a desabotoar a camisa enquanto se deitava sobre ela.
Madrugada:
Um barulho irritante fez Sesshoumaru despertar do terceiro sono dele, fazendo também a pessoa que dormia embaixo dele murmurar algo que ele não entendeu.
Forçou os olhos a ficarem abertos e olhou para os lados, até descobrir que o tal do som era o celular tocando, estrategicamente colocado em cima da mesa ao lado da cama.
Pegou-o, sentindo a vista ser machucada quando tentou ver quem era pelo display, praguejando ao ver o número da mansão e já sabendo quem era.
-Eu espero que seja importante pra me acordar numa hora dessas. – Sesshoumaru falou quando atendeu, sentindo os braços de Rin se moverem e enrolá-los no pescoço dele quando ele tentou levantar-se para não acordá-la com a conversa.
-Você acha que sou como Kagome, que acorda as pessoas de madrugada porque sente vontade de comer pizza? – Hakudoushi falou num tom frio.
Rin deu um gemido e puxou Sesshoumaru para dormir abraçado a ela quando este tentou novamente sair de perto.
-Tem alguém aí com você? – o primo perguntou.
Sesshoumaru soltou um rosnado quando sentiu uma das pernas da garota prender no quadril dele.
-Espere, Rin... – ele murmurou, ainda segurando o celular, não acreditando que a garota estava de olhos fechados e não parecia fingir que dormia.
-Oh... Estou atrapalhando?
-Sess... – Rin gemeu quando puxou de novo o rosto dele para que o descansasse no pescoço dela.
-"Sess"?
-Calado. Não ouse contar pra alguém sobre isso, idiota. – Sesshoumaru ameaçou – O que você quer numa hora dessas?
-Acho que você terá que ir até Ise, Sesshoumaru.
-Por quê?
-Higurashi Midoriko foi assassinada no início desta noite lá.
Desta vez, Sesshoumaru afastou-se por força de Rin e sentou-se na beirada da cama. Ela tateou o lençol em busca dele, e só se aquietou quando um travesseiro ficou ao alcance dela.
Calado por alguns segundos, finalmente ele perguntou:
-Como foi isso?
-Eu não sei. Kikyo me ligou de Kyoto e disse que ia para lá, e acho que já chegou há horas. Tive que medicar Kagome... Ela ficou um pouco abalada e tive receios que prejudicasse a gravidez, se bem que ela quis comer um prato de tempura sem dividir com ninguém...
Sesshoumaru ficou em silêncio, o que significava que o jovem na linha teria que continuar o relato.
-O enterro será amanhã e Kikyo quer fazer uma caçada aos assassinos. E você terá que nos representar no funeral. Ayame foi pelos Ookami e soube agora há pouco que Bokuseno também já está lá. Eu queria ir por você, mas estou cuidando de tia Izayoi. Inuyasha está preocupado com o estado de Kagome e Miroku não pode ir por ser chefe da segurança. A questão é: você pode ir?
-Se reservarem duas passagens de trem, podemos ir ainda esta manhã. – Sesshoumaru acariciava as pernas de Rin com a outra mão, escutando o ressonar dela.
-Você pretende ir com ela?
-Não posso deixá-la sozinha. – o líder falou, odiando ter que atestar o óbvio ao primo tão inteligente – Ela precisa da minha proteção.
-O problema é outro: Midoriko estava tendo um caso com um homem chamado Shiroi Renkotsu. Os dois fugiram daqui e foram a Ise para se esconderem, mas foram encontrados e mortos.
A mão que tocava em Rin parou de se mover. Sesshoumaru, segundos depois daquela revelação, levantou-se, pegou o roupão e vestiu-o, indo até a sacada para continuar a conversar com ele. Não nevara, e o rapaz esperava sinceramente que isso não acontecesse, pois já fazia muito frio mesmo sem neve. Deslizou a porta e voltou a falar com o primo.
-O que sugere então que eu faça? – ele perguntou. Era tão ruim ter que ser o líder e pedir conselhos a alguém que não fazia parte da yakuza. Hakudoushi era o melhor substituto possível, um excelente médico, mas às vezes era difícil esquecer a rivalidade que havia entre eles.
-Eu tenho uma sugestão: mande-a para cá. Ela ficará sob nossa proteção até você voltar. E também posso cuidar da saúde dela, se ainda estiver doente.
Ficaram em silêncio outra vez.
-Eu quero que Sango venha para cá para buscá-la. – Sesshoumaru falou – A viagem dela será de avião e quero que pelo menos vinte membros da guarda as acompanhem.
-Vou providenciar tudo agora. Provavelmente vocês sairão daí no início da manhã, e ela chegará por aqui por volta das três da tarde. Vou falar com Sango e pedir para se arrumar. Ah, mandarei uma coroa em nome de todos.
-Certo. – foi o que o líder falou.
-Você não vai mesmo parar de se envolver com essa menina, não é? – Hakudoushi perguntou depois de alguns segundos.
Sesshoumaru olhou para trás e viu Rin sentada na cama, ainda sonolenta, olhando para os lados para procurá-lo.
-Não. Não vou. – foi o que ele respondeu, desligando o celular e voltando para o quarto, deitando-se novamente com Rin.
Quando Rin acordou, não sentiu ninguém em cima dela, seja mexendo no cabelo, seja tocando-a, seja pressionando fortemente um corpo ao outro.
Sentou-se na cama e esfregou os olhos. Sesshoumaru estava de frente à porta de vidro da sacada, cortinas afastadas para iluminar o ambiente, o olhar fixo na paisagem de Osaka. Estranhou o fato de já haver uma mesinha de café da manhã ao lado da cama e do rapaz já estar completamente arrumado para sair.
Pegou um roupão e vestiu-o rapidamente, aproximando-se e abraçando-o por trás, segurando-o pela cintura e pressionando o rosto nas costas dele.
-Bom dia. – ela falou, fechando os olhos.
Sesshoumaru ficou calado.
-Dormiu bem? – Rin perguntou.
-Por que não dormiria?
Estranhou o tom sério dele.
-Está tudo bem? – foi a pergunta dela, temendo pela resposta. Já escutou tons sérios em vários momentos, todos a fizeram estremecer.
Mas a resposta dele a tranquilizou. De certa forma, claro.
-Vamos ter que ir embora hoje. – ele falou, virando-se para olhá-la – Meu primo me chamou para resolver um problema.
-Oh... Tão cedo? – era apenas o terceiro dia que ele havia reservado para ficar na cidade. Alguma coisa havia acontecido para ele ter que cancelar tudo e ir embora.
Rin ficou calada e olhou para os lados, sentindo os braços dele envolverem-na pela cintura.
-Você também vai, Rin. – ele falou determinado – Sabe que eu não deixaria você sozinha.
Ao ouvir a resposta, ela deu um sorriso e enlaçou-lhe o pescoço, ficando na ponta dos pés para pousar o queixo no ombro dele, sentindo as mãos do rapaz passearem pela costa dela.
-Arrume suas coisas. O avião sairá às onze.
-Avião? – ela murmurou – Vai ser estranho pegar um quando você está com uma arma...
Um brilho de esperteza passou pelos olhos dourados enquanto a abraçava, mas ela não notou.
-Coma um pouco, vista uma roupa enquanto vou lá embaixo para pagar as contas. Coloque suas coisas ao lado das minhas lá no quarto e me espere, certo? – falou, soltando-a.
-'Tá. – a garota deu um sorriso e viu o rapaz afastar-se.
-Voltarei logo. – Sesshoumaru falou, saindo do quarto.
Rin esticou os braços para o alto e espreguiçou-se, sentindo uma alegria que nunca pensou que sentiria em toda vida.
Tinha que arrumar-se. Olhando o relógio, viu que era quase oito e meia. Osaka era uma cidade enorme; se tivesse que estar no aeroporto meia hora antes do voo, tinha que se arrumar e sair dali antes das nove e meia.
Banhou-se rapidamente e escolheu a roupa mais confortável para usar, comendo pouco no desjejum e terminando de arrumar-se em poucos minutos. Deveria ser por causa de situações como aquela que muitos diziam que os japoneses são apressados. Tinham certa razão naquele momento.
Arrumou as poucas coisas que tinha numa pilha de roupas e levou-a ao quarto de Sesshoumaru para colocá-la na mala dele. Ele estava apressado, pensou ao notar a mala pronta. Com certeza precisava resolver negócios urgentes, sabendo quais eram.
Máfia.
Deu um suspiro. Ele sabia o que ela pensava de tudo aquilo; tinha também esperança de que ele entendesse.
-Oh... – ela murmurou quando lembrou que esquecera um vestido... O que usava na noite anterior.
Foi até a porta e abriu-a.
Arregalou os olhos um segundo depois ao ver quem estava ali.
-Andou sumida... Irmãzinha. – Bankotsu falou, mantendo o rosto sério e apoiando as mãos na batente da porta.
Num ato de desespero, Rin fechou a porta para trancá-la, mas sentiu-a ser empurrada e atingir-lhe o rosto, caindo no chão. Mordeu a língua na queda, machucou o queixo e sentiu um estranho gosto de sangue na boca.
Gemendo de dor, apoiou-se numa mão para erguer-se, mas foi levantada involuntariamente pelos cabelos e jogada de costas na cama.
-Ban... Banko... – ela tentou falar, sentindo novamente o corpo tremer de medo, da mesma forma que na noite que ele tentou matá-la.
O meio-irmão a virou bruscamente e ela se viu ameaçada por uma arma.
-Eu nunca imaginei isso de você... – ele começou num tom furioso – Roubando o dinheiro da nossa família, se dando pra aquele estranho e fugindo com ele com toda nossa fortuna, sua vadiazinha!
Rin tremeu quando ele fez menção de disparar. Era a única reação que sempre tinha, desde quando ele fazia "brincadeiras" muito perigosas com ela quando crianças.
-Sabe o que mais me irrita? – ele continuou no mesmo tom – É saber que o Velho te deixou tudo na mesma noite em que o matei!
-O QUÊ? – ela gritou.
-Aquele idiota matou o meu irmão e a minha mãe! – ele continuou – E ainda ia me deixar só um terço de tudo. Um terço, Rin! E no mesmo dia em que discutimos, ele mudou o testamento. E eu o matei naquela noite. Eu não sabia e matei o Velho. Não é frustrante? – ele perguntou num lamento sussurrado.
Rin nem ao menos piscava.
-E sabe o que me deixa mais furioso? É saber que a cretina, a vaca da filha dele, que não sabe cuidar de negócios, que abre as pernas pro primeiro cara que aparece...
Parou de falar ao escutar o gatilho de uma automática ser puxado.
Seria silêncio absoluto no quarto se não houvesse a respiração ofegante de Bankotsu e Rin atrapalhando. Ela moveu a cabeça e viu Sesshoumaru atrás do meio-irmão apontando uma arma na cabeça dele.
-Posso matá-la antes que dispare. – ele falou com a respiração entrecortada.
-Ao contrário da sua, a minha está destravada. – Sesshoumaru replicou com frieza.
Bankotsu deixou a arma girando no dedo pelo gatilho, erguendo as mãos e endireitando o corpo.
Sesshoumaru continuava mirando nele quando estendeu uma mão a Rin para que se levantasse, puxando-a para si quando a garota aceitou o gesto.
Um incômodo silêncio se fez e Bankotsu virou-se, ainda erguendo as mãos e deixando a arma travada cair no chão.
-Pegue sua bolsa, Rin. – Sesshoumaru ordenou quando soltou o braço dela.
A garota correu até o canto do quarto e pegou a bolsa que estava ao lado da mala de Sesshoumaru, fazendo menção de pegá-la para levar também.
-Só a bolsa, Rin. – Sesshoumaru falou e ela largou a bagagem.
-Mas... – ela começou.
-Vamos.
Rin voltou quase correndo para perto dele e Sesshoumaru segurou-lhe a mão, não deixando de encarar o outro rapaz.
-Eu me lembro de você... Naquele restaurante... – Bankotsu falou.
Sesshoumaru retirou o silenciador da automática, para a surpresa dos outros dois. Precisava deixar um pouco de confusão para trás para fugirem.
-Sess... – Rin murmurou.
-Vai me matar e chamar a atenção de metade do hotel? – Bankotsu perguntou num tom de desafio.
-Foi no esquerdo, né? – foi a pergunta de Sesshoumaru.
-Hein? – o meio-irmão não entendeu.
Um segundo depois, Rin deu um grito ao mesmo tempo em que Bankotsu, quando este foi atingindo por um tiro no outro ombro.
-Vamos embora, Rin. – Sesshoumaru começou a andar apressado, puxando a garota com ele.
Foram para o corredor e alguns hóspedes começaram a sair dos quartos para descobrir a origem dos gritos e do tiro, começando a andar mais rápido para saírem dali.
Do lado de fora, um carro já esperava por eles, e Sesshoumaru fez Rin entrar primeiro. Ela sentou-se longe e somente quando a viu encolhida é que percebeu que ela tremia.
-Aeroporto. – Sesshoumaru ordenou ao motorista. Este deu a partida e a corrida começou, mas os dois continuaram sem se falar.
Cansado daquilo, Sesshoumaru aproximou-se dela, virando devagar o rosto para vê-la melhor.
-Tem sangue no canto da boca... – ele falou, tirando um lenço do casaco e passando-o pelo canto esquerdo do lábio ferido.
-O... Obrigada... – Rin murmurou, estremecendo quando ele tentou arrumar o cabelo dela.
-O que está doendo? – ele perguntou, colocando parte do cabelo dela atrás da orelha e afastando as mechas do centro da testa.
-M-Meu queixo dói um pouco e e-eu mordi minha língua na queda sem querer...
Sesshoumaru segurou o rosto e virou-o de um lado para outro.
-Coloque um pouco de gelo no avião. – ele falou num sussurro.
-De-Desculpe... – ela começou num tom triste – Eu estraguei suas férias... Fiquei doente... E agora isso...
-Algumas coisas não podem ser evitadas... – Sesshoumaru aproximou o rosto e a fez encará-lo – Pode beijar?
-A-A-Acho que se... não mexer muito na minha língua... – ela murmurou, sentindo depois os lábios deles pressionados aos dela, beijando-a com suavidade.
Quando Rin deu um gemido de dor, ele afastou o rosto e passou um braço pelos ombros dela.
-Vai ficar tudo bem, Rin. Eu vou proteger você.
-Sess... E a sua família?
-O que tem eles? – ele franziu a testa, sem entender.
-Eu... Você falou que... – engoliu em seco – Que pensava que eu era a responsável por aqueles problemas... Mas eu não tenho nada a ver... E-Eu não sabia dos negócios que Bankotsu fazia...
-Eu sei que não.
-Mas... Mas e a sua família...? E se eles não pensarem como você?
Pensar? Inuyasha e Miroku pensando como Sesshoumaru?
-Eles não a tratarão mal. Eles já sabem que está sob a minha proteção.
-Eles podem não gostar de mim...
Seria ótimo se Miroku não pousasse os olhos sobre Rin, ou teria outro funeral para ir ainda naquela semana.
-Eu acho difícil. Mas não é mais importante o que eu penso?
Rin fez "sim" com a cabeça e aqueceu-se com o abraço dele.
-Verá, Rin, como tudo vai ficar bem... Você verá.
Quando chegaram ao Aeroporto Nacional de Osaka, havia se passado quarenta minutos depois da saída brusca do hotel. Ao se aproximarem do guichê de atendimento da primeira classe, Sesshoumaru pediu para que Rin o aguardasse num banco perto do balcão, sempre olhando segundo após segundo para trás para se certificar de que ela estava ali.
Estava ficando maluco, de certa forma. Rin não fugiria dali. Não era uma criança.
Precisava retirar a passagem dela sem que percebesse, ou...
Olhou novamente para trás e arregalou os olhos ao ver o lugar em que a deixara simplesmente vazio.
-Oi. – Rin falou no ouvido dele, abraçando-o por trás.
-Aqui está a passagem, senhor Akai. – a mulher que o atendia deu um sorriso quando colocou o papel timbrado e carimbado em cima do balcão – Tenha uma boa viagem.
-Eu falei pra ficar sentada, Rin. – ele a repreendeu, pegando a passagem - Não faça mais isso.
A atendente deu um sorriso. Esses casais mais novos são realmente bonitos...
-Desculpe... – a garota ficou meio hesitante com a repreensão, mas forçou um sorriso porque ela sabia que ele estava preocupado – Mas eu prefiro ficar perto de você... Comprou as passagens?
-Sim... – ele falou, entregando a ela o que comprara antes – Aqui está a sua. Procure logo sua identidade porque já vai sair.
Rin abriu a bolsa e logo encontrou a cédula, já que havia poucas coisas dentro. Teria que comprar de novo maquiagem em Tokyo, assim como escova e creme para as mãos. Estava frio. As mãos dela estavam ressecadas. E um protetor labial também. E remédios.
Ou seja, tudo que uma bolsa de mulher deve ter.
Andaram em silêncio enquanto ela pensava nisso até chegarem à sala de embarque, parando quando Sesshoumaru fez-lhe uma pergunta:
-Você acredita em mim quando falo que tudo vai ficar bem, não?
Rin o encarou e confirmou com a cabeça, arregalando os olhos quando Sesshoumaru segurou-lhe o rosto para beijá-la de modo apaixonado, tomando cuidado para que não doessem as partes machucadas durante aquele momento especial.
Separaram-se, e Sesshoumaru esperou que ela abrisse os olhos para pressionar a testa na dela.
-Vai ficar tudo bem... – ele começou – Certo?
-Certo. – ela confirmou num sussurro.
-Um rapaz vai perguntar se você espera por alguém, e você precisa dizer que quer alguém que a leve à mansão Vermelha.
O rapaz afastou-se e caminharam para entrar na sala de embarque, permitindo que Rin entrasse primeiro.
-Sua passagem, senhorita. – um rapaz uniformizado perguntou a ela com um sorriso, não desfazendo a expressão quando ela entregou a identidade e a passagem juntas na mão dele.
-Sess, posso ficar na janela...? – ela olhou para trás e não viu Sesshoumaru exatamente atrás dela, mas sim pelo lado de fora, observando-a pela porta de vidro da sala de embarque.
Estava em pé, olhando-a com aqueles serenos olhos dourados, naquela pose majestosa tão típica dele.
O que ele estava fazendo ali? Não deveria estar com ela?
Depois, para espanto dela, o rapaz deu as costas e foi embora sem olhar para trás.
-Sesshoumaru! – ela exclamou, fazendo menção de querer sair e ir atrás dele.
Alguém a segurou gentilmente nos ombros e ela virou o rosto.
-Sinto muito, senhorita, mas não pode sair depois que entrar nesta sala.
-Oh... – ela murmurou apreensiva, olhando novamente para trás e vendo Sesshoumaru desaparecer no meio da multidão.
-Espere um momento, senhorita. Há um problema com sua passagem... Espere, por favor. – ele afastou-se e deixou Rin nervosa com mais aquele novo problema.
E se Bankotsu tivesse proibido a entrada dela em todos os aviões do país e mandasse prendê-la? E agora Sesshoumaru não estava ali!
A garota ficou esperando pacientemente por uma resposta, uma explicação, um comunicado durante cinco minutos, até que finalmente o rapaz que a impedira de sair voltou a aparecer, sorrindo simpaticamente.
-Sinto muito por fazê-la esperar, mas já está tudo em ordem. – ele entregou um bilhete de embarque com o número do assento – Ela já está esperando, senhora Akai Rin.
Rin sentiu o coração dar um salto e parar na garganta, arregalando os olhos ao escutar o nome. E não era só aquilo...
-E-Ela? – "Akai"? "Ela"? – Ela quem?
-Rin-sama. – uma voz feminina chamou a atenção dela, fazendo-a olhar para trás e encarar uma garota elegantemente vestida, de corpo esbelto, sorrindo docemente e com os longos cabelos negros presos num rabo-de-cavalo – Nosso voo sairá em alguns minutos. É melhor nos apressarmos.
Rin não conhecia aquela garota. Mas a estranha a conhecia. Qual era a relação dela com Sesshoumaru? Por que estava ali?
Próximo capítulo:
"-Claro que pode perguntar, senhora Akai... Contanto que eu tenha o direito de não responder."
"-Não se preocupe. Estará segura comigo, apesar de não fazer a mínima ideia do que Sangozinha falou de mim..."
"-Shippou, você vai irritar Inuyasha se provocá-lo agora."
Capítulo 8: Uma estranha no ninho.
