Nota da Autora: Capítulo alterado também. Espero que gostem.

Acho que só quem leu muuuito a primeira versão consegue notar as diferenças, principalmente nos cortes que fiz LOL.

Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.

A cor do dinheiro

Capítulo 8: Uma estranha no ninho.

Para Lan Ayath

-Sinto muito por fazê-la esperar, mas já está tudo em ordem. – o atendente entregou um bilhete de embarque com o número do assento – Ela já está esperando, senhora Akai Rin.

Rin sentiu o coração dar um salto e parar na garganta, arregalando os olhos ao escutar o nome. E não era só aquilo...

-E-Ela? – "Akai"? "Ela"? – Ela quem?

-Rin-sama. – uma voz feminina chamou a atenção dela, fazendo-a olhar para trás e encarar uma garota elegantemente vestida, de corpo esbelto, sorrindo docemente e com longos cabelos negros presos num rabo-de-cavalo – Nosso voo sairá em alguns minutos. É melhor nos apressarmos.

Um incômodo silêncio se seguiu, mas em nenhum instante Rin deixou de encarar a garota que parecia conhecê-la.

-Rin-sama? – Sango a chamou de novo e Rin piscou duas vezes – Nós precisamos ir. Por favor, siga-me.

E deu as costas, andando em linha reta para alcançar o portão de embarque. Rin teve que correr para ficar ao lado dela.

O que estava acontecendo? Onde estava Sesshoumaru? Como ela podia se sentir segura?

Viu um senhor aproximar-se de um dos lados e instintivamente recuou, mas este foi discretamente afastado por outros três homens que surgiram do nada. Sango pareceu ignorar, mas não passou despercebido por Rin.

Como... E por quê?

-Rin-sama – Sango voltou a falar para fazê-la esquecer do que acontecera –, será uma viagem um pouco longa... Ainda bem que não está nevando, né?

Rin murmurou um "sim" e baixou o rosto.

-Gostou de Osaka?

-Sim... Bastante... – Rin sentiu o rosto aquecido ao lembrar-se de outros acontecimentos.

Olhou Sango. A outra garota tinha uma expressão sorridente e confiante, chamando a atenção de alguns homens quando passaram pelo túnel que ligava o portão até o avião, principalmente porque balançava o quadril de forma discreta e sensual durante o andar.

Finalmente embarcaram e procuraram os lugares, sentando-se as duas e fazendo silêncio até a hora em que o avião decolou e puderam tirar os cintos.

-Deseja alguma coisa, senhora? – Sango perguntou, tirando a mecha do cabelo caída sobre os ombros – Algo para beber ou comer?

-Moça... – Rin baixou o rosto e os olhos ficaram encobertos pela franja, e a outra garota ergueu as sobrancelhas – Pode me explicar o que está acontecendo? Por que Sesshoumaru não está aqui?

Sango não respondeu, ainda com as sobrancelhas erguidas em surpresa.

-Por que não fala alguma coisa? – Rin perguntou com raiva.

-Sinto muito, mas as ordens que recebi foram as de... De levá-la para Tokyo sem nenhum perigo. É o que estou fazendo.

-E não posso fazer perguntas sobre o que está acontecendo?

-Claro que pode perguntar, senhora Akai... Contanto que eu tenha o direito de não responder. – Sango respondeu tranquilamente, sorrindo com doçura e desafio.

-Para onde foi Sesshoumaru?

-Não posso dizer.

-Você trabalha para ele?

-Sim e não. – Sango foi cautelosa em responder – Trabalho como ajudante, conselheira, hacker e... - baixou o rosto e falou ao ouvido dela para que outros passageiros não escutassem – Sou chefe da guarda mais importante dele. Ele nos pediu que a levássemos em segurança para Tokyo.

Ao escutar a parte de "segurança", Rin ficou assustada. Sabia que tipo de pessoa ela era. Sabia o que eles faziam. Sabia com que eles trabalhavam.

Proteção. Serviços. Assassinatos.

-Como não trabalho com contrato como se fosse uma secretária qualquer, ele deposita uma pensão na minha conta todos os meses como se fosse membro da família dele, do mesmo valor que os outros recebem.

Rin piscou.

-Continue. – Rin ordenou - Como você o conheceu?

-Continuar? Ainda?

-Como você o conheceu? – Rin perguntou mais determinada.

-Bem... – Sango deu um suspiro, cruzando os braços em frente ao corpo – Meu irmão era chefe da guarda pessoal da ex-esposa dele. Ele foi assassinado. – Sango mordeu o lábio inferior e manteve o olhar fixo – Hoje eu ainda estou com eles porque tenho... Tinha um... – franziu a testa num sinal de rancor – Caso... Com um primo dele. E Sesshoumaru-sama me recebeu na família dele depois da morte do meu irmão.

Rin não sabia o que dizer.

-Mais alguma pergunta? – Sango sorriu.

-Sim. – Rin ainda estava desconfiada, e a outra garota ficou preocupada. Estava fazendo perguntas demais quando Sango não poderia respondê-las.

Mas havia um jeito de fazê-la parar...

-Está com sede, senhora? Talvez seja melhor tomarmos um chá enquanto conversamos.

-"Chá"?

-O chá que servem nesta companhia é delicioso. – Sango esticou o braço para o alto e apertou uma tecla, sinalizando que queria atendimento – Sesshoumaru-sama também gosta dele. Não gostaria de experimentar?

Rin não teve tempo de dar uma resposta, pois uma aeromoça chegou sorridente ao lado da poltrona de Sango.

-Desejam alguma coisa?

-Chá, por favor. – Sango moveu o rosto para olhá-la e deu um sorriso – Rin-sama gostaria de provar o mesmo chá que Sesshoumaru-sama gosta.

-Com todo prazer. Ficamos honrados com isso. – ela curvou-se – Voltarei logo com ele.

E retirou-se.

-Eu já percebi que já está muito... íntima de Sesshoumaru-sama, Rin-sama. – Sango voltou-se para a garota e reprimiu o sorriso ao vê-la corar – Pegou uma das manias dele: ele só para de perguntar depois que fica satisfeito com as respostas.

-Ora... Não é nada disso! – Rin virou o rosto para o lado para que ela não visse o vermelho do rosto dela.

-Por que parte do seu rosto está inchada? – Sango perguntou – E tem um pouco de sangue no canto da sua boca...

-E-Eu me... machuquei... – Rin lembrou-se do ataque e sentiu um calafrio de medo, encolhendo-se – Já passou.

-Oh...

-O chá que pediram. – a aeromoça voltou com o carrinho de alimentos - Espero que gostem.

Serviu primeiro Rin, apesar de estar um pouco distante do corredor, posicionando-se a serviço com as duas mãos em frente ao corpo e sorrindo docemente. Sango ainda pegou uma pedra de gelo e enrolou-o num lenço, entregando à garota para que colocasse na parte inchada do queixo.

Depois de alguns minutos, Sango, para estimular Rin a tomar o líquido, levou a xícara aos lábios, murmurando depois de tomar alguns goles:

-Muito bom...

Rin provou alguns goles e aprovou com um sorriso:

-É mesmo... – também murmurou, bebendo todo o líquido sob um olhar atento da garota ao lado.

Curiosa, Rin perguntou:

-Não vai terminar o seu?

Sango virou o rosto e tomou mais um gole, pensando na quantidade de coisas que teria que fazer ainda naquele dia e ainda ter que pegar outro voo para ir a Ise. Estava acordada desde a madrugada, quando foi chamada para mudar o nome de Rin para comprar as passagens, tudo em poucas horas.

Quando virou o rosto para o lado, viu Rin dormindo tranquilamente com a cabeça encostada na janela, ficando pensativa ao olhar a xícara que segurava.

-Deseja mais alguma coisa, senhorita Taijya? – a aeromoça perguntou, tirando-a daqueles pensamentos.

-Não, obrigada... – ela respondeu com um sorriso, indicando a outra passageira com o queixo – Quanto tempo ela vai dormir?

-Pelo menos vinte minutos. É o bastante?

-Sim. É suficiente. – Sango espreguiçou-se e levantou-se – Onde fica o toalete, Koharu-chan?

-No final do corredor, senhorita. – Koharu deu passagem e fez uma profunda reverência – Vamos preparar o almoço. A chegada do avião está prevista para depois das duas e meia, caso não esteja nevando em Tokyo.

-Ah, quero o de sempre. – Sango estava de costas, mas virou o rosto para falar e piscar um olho – Caprichem, 'tá?

-Como desejar, senhorita Taijya.

Sango voltou a andar, passando altiva pelos outros passageiros. Estes, quando a viram passar, levantaram-se e fizeram uma reverência a ela, voltando à posição normal depois que ela sumira no final do corredor.


Rin deixou todas as preocupações e incertezas de lado quando ela e Sango finalmente passaram pelo portão de embarque do Aeroporto Nacional de Tokyo sem maiores atribulações. Depois de uma soneca, as duas almoçaram juntas no avião e conversaram pouco. Rin estava um pouco ansiosa e sentia falta de olhar para Sesshoumaru, acostumada com a presença dele ao lado dela em tão pouco tempo.

Seguiu Sango até a sala de desembarque, segurando firmemente a bolsa e temendo um possível ataque de Bankotsu. Não parava de pensar na possibilidade de ser assassinada no primeiro minuto que colocasse os pés na capital.

Mas aquilo não acontecera. Sango esteve ao lado dela o tempo todo e Rin estava muito agradecida aos deuses por estar viva depois de tudo que passou.

E feliz por não ter trazido a mala. Já pensou o que sentiria se tivesse de enfrentar a fila para pegar bagagem?

-É aqui que nos separamos, Rin-sama. – Sango falou, tocando no ombro dela.

-Hein?

-Preciso voltar para onde Sesshoumaru-sama está. – falou com um sorriso – Meu voo sairá em dez minutos.

-Mas...

-Acho que ele já explicou o que você tem que fazer, né?

-Sim, mas...

-Então pode ir, senhora. – ainda sem deixar que ela completasse uma só frase, Sango afastou-se dela e vários homens, que Rin vira dentro do avião e pensara que eram simples passageiros, ficaram atrás dela formando uma espécie de muro – Pode ficar tranquila que estará segura sem Sesshoumaru-sama por perto.

E Rin virou-se, saindo dali quase correndo. A yakuza estava por todos os cantos! Até aquela garota fazia parte!

Ficou em pânico quando passou pelo portão da sala de desembarque e olhou para trás e viu-se sozinha. A acompanhante dela já havia ido embora, juntamente com a guarda que ela dissera que comandava.

Acalmou-se com o pensamento de que ali era um local aberto. Bankotsu não se arriscaria a atacá-la lá, sem contar que ele estava em Osaka, não? Ele ficou por lá depois de ser baleado...

Virou por um corredor para ir ao toalete lavar o rosto, mas esbarrou em alguém que segurava um copo de café, derramando o líquido sobre o rapaz – porque era um - e sujando a roupa dele e parte da dela.

-D-Desculpe! – ela principiou a desculpar-se, pegando rapidamente um lenço da bolsa e fazendo menção de limpá-lo.

O rapaz, porém, segurou a mão dela com delicadeza e começou a falar:

-Ah, mil desculpas, senhorita! Como sou um desastrado, sujei sua roupa!

A garota arqueou as sobrancelhas em sinal de surpresa. A roupa dele tinha sujado mais que a dela e era ele quempedia desculpas?

-Deixe-me limpá-la... – ele pegou o lenço dela e começou a passá-lo em parte da saia dela – Sinto muito, eu sou um idiota...

-N-Não precisa se incomodar... Eu posso me...

Parou de falar quando o rapaz pegou a mão dela e a fez encará-lo.

-A senhorita então me perdoa por ser tão desastrado e aceita uma carona minha até sua casa?

Rin deu um sorriso sem graça, demorando em responder para ficar admirando o bonito perfil dele. Olhar azul-escuro, piercing, cabelos negros e um sorriso que derreteria qualquer mulher. Era difícil encontrar uma resposta coerente e imediata quando estava encarando um tipo desses.

-Diga-me, senhorita... – ele voltou a falar – Está esperando por alguém?

"Um rapaz vai perguntar se você espera por alguém, e você precisa dizer que quer alguém que a leve à mansão Vermelha."

-Eu... Eu queria que alguém me levasse à m-mansão... Ver-ver... melha...

O rapaz deu um sorriso e passou um dos braços pelo ombro dela, assumindo um ar mais protetor e sério.

-Vamos. Acho que está cansada depois de uma viagem de avião... Pelo menos eu fico cansado quando viajo daqui até Yokohama de avião.

-M-Mas... – ela tentou falar. Quem era ele?

-Não fique com medo. Por acaso a garota que estava com você falou mal de mim?

-Como você...?

-Meu nome é Akai Miroku. Um carro já está nos esperando.

-Oh...

-As informações chegam rápido para nós. – ele falou, piscando um olho - Não se preocupe. Estará segura comigo, apesar de não fazer a mínima ideia do que Sangozinha falou de mim. – completou, dando um sorriso sem graça e coçando um dos lados do rosto.

Caminharam para fora do aeroporto e Miroku a guiou em direção a um carro estacionado, abrindo a porta para que ela entrasse primeiro. Depois de olhar para os lados, ajeitou no rosto os óculos escuros e entrou também.

-Pode ir, Jaken. – alguém falou dentro do veículo no instante em que Rin havia entrado, e ela arregalou os olhos ao ver mais uma pessoa com eles.

-Fez boa viagem? – ele perguntou quando ela e Miroku se acomodaram e o carro partiu.

-S-Sim... – Rin gaguejou.

Era um rapaz de mais ou menos vinte anos, com um rosto parecido com o de Sesshoumaru. O cabelo, porém, era mais revoltado, diferente dos cabelos sedosos, macios, lisos de...

Sesshoumaru estava fazendo falta a ela, com certeza.

-Ei, o que aconteceu com a sua roupa? – o mesmo rapaz perguntou.

Rin pareceu não escutar a pergunta, ainda olhando os traços do rosto dele.

-Eu sou o irmão do Sesshoumaru, se é isso que está se perguntando. – ele falou muito sério – Meu nome é Inuyasha.

A garota piscou duas vezes.

-O que aconteceu com a sua roupa?– ele perguntou de novo e olhou Miroku – E com a sua...?

-Eu... Eu derrubei...

Como estava acontecendo com frequência naquela manhã, a frase de Rin não foi completada porque alguém a interrompeu.

-Eu esbarrei sem querer na senhorita Shiroi e derramei café na roupa dela. – Miroku a interrompeu, sorrindo de modo abobalhado.

-Você é um idiota, Miroku. - Inuyasha atestou.

-Mas não foi culpa dele. Eu não o vi e... – Rin tentava defendê-lo.

-Não precisa me defender, senhorita Rin. – Miroku pegou novamente as mãos dela e a olhou de modo sedutor – Eu agradeço a sua preocupação, mas não me perdoo por ter sujado a sua saia... – tocou na coxa coberta pelo tecido e fez Rin arregalar os olhos.

-Já estava demorando... – Inuyasha falou, afastando a garota de perto do primo e fazendo-a sentar-se ao lado dele – Evite contato com esse cara. Ele é um depravado.

-Ei... – Miroku protestou.

Um celular tocou e Inuyasha tirou o aparelho do bolso do casaco, dando um suspiro antes de atendê-lo.

-O que foi, Kagome?

-Tô com fome, Inuyasha... – a mulher choramingou.

-De novo? – ele não escondia o espanto.

-É... Traz alguma coisa pra mim?

Um grito feminino chamou a atenção dele e alcançou os ouvidos de Kagome.

-Miroku, seu idiota! – Inuyasha gritou ao ver o rapaz já ao lado de Rin, segurando a mão dela e passando-a pelo rosto dele.

-Quem 'tá aí, Inuyasha?

O rapaz pareceu não ter escutado a própria mulher falando, preocupado com o estado de choque de Rin.

-Rin, sente-se ao meu lado. – ele ordenou.

-"Rin"? "Sentar"? "Ao lado"? – Kagome repetiu.

-Miroku, eu vou matar você se encostar um dedo nela!

-INUYASHA! – o grito de Kagome fez o marido voltar a escutá-la.

-Ka-Kagome? Ainda está aí, querida?

-Você 'tá com outra, Inuyasha?

-N-Não, querida, não é isso...

-Eu sabia, eu sabia! – ela começou a falar num tom acusativo – Sabia que isso aconteceria se continuasse andando com Miroku!

-Kagome, o bebê...

-Você 'tá com outra porque eu tô feia... Tô feia e grande e enorme e você 'tá com outra pra te satisfazer... – começou a chorar ruidosamente.

-Q-Querida...

-Você é um idiota, Inuyasha! – ela berrou – Você é um idiota, idiota, idiota! Não se atreva a aparecer aqui ou vou colocar todos os cachorros da casa para correrem atrás de você!

-Kagome-chan... – ele tentou falar.

-Agora vou ter que desligar. Minha pizza chegou. Beijos, meu amor.

E desligou o telefone.

Inuyasha deu um suspiro e passou, exasperado, as duas mãos nos cabelos, deixando-os ainda mais revoltados. Notou também o olhar de curiosidade de Rin e Miroku.

-Jaken... – Inuyasha começou e deu outro suspiro antes de continuar – Pare numa confeitaria... Preciso levar alguns doces pra casa.


Os três chegaram à mansão da família Akai quando o relógio de Miroku marcava cinco para quatro da tarde. A demora ocorreu devido ao congestionamento no caminho para a loja de doces, congestionamento para voltar, túnel interditado para sair de outro congestionamento... Era final de semana e Tokyo tinha feriado prolongado nos próximos dias, então muitos preferiam sair da cidade e ir às outras localidades para se divertirem e se esquecerem dos problemas.

Rin admirou o interior da mansão. Era uma mistura de modernas casas japonesas com o tradicional. Algumas salas ainda tinham chão de tatame e portas deslizantes de papel, decoradas com flores, animais ou outros detalhes apreciados pelos japoneses, além de selos e lanternas.

Mas nem tudo era tradicional. Telefones, móveis modernos, alarmes, interfones e até elevadores eram vistos pelos cantos. Era uma combinação estranha de novo e velho, mas ainda assim era bonito. E também muito caro de se ter.

-Vamos levar a garota ao quarto dela sem chamar a atenção dos outros, Miroku. – Inuyasha falou num sussurro.

Andavam na ponta dos pés, parecendo três ladrões agindo na calada da noite. Rin olhava boquiaberta e muito admirada os detalhes e não parecia notar o nervosismo de Inuyasha.

Entretanto, ao dobrarem o terceiro corredor, Inuyasha topou com Kagome, com os braços cruzados em cima da barriga de sete meses, o que o fez recuar e soltar um grito estrangulado de susto.

-Eu falei pra não pôr os pés aqui, Inuyasha. – ela falou, furiosamente.

-Querida, eu trouxe rosquinhas... Não quer?

Kagome arqueou uma das sobrancelhas e pegou o pacote com fúria, gritando:

-FORA! – apontou para um ponto qualquer, ainda segurando o pacote.

-K-Kagome-sama... – Miroku tentava falar e Rin se escondia atrás dele.

-Calado! – ela o fez encolher-se de medo – E quem é essa aí? É a tal garota que você arranjou?

-O nome dela é Shiroi Rin, Kagome. – uma voz fria soou no final do corredor e todos se viraram para olhar quem falava: um rapaz que usava roupas claras, assim como os olhos e cabelos que tinha. Rin pensou que talvez ele não fosse japonês, por mais que não tivesse sotaque e falasse a língua perfeitamente bem.

-Oh... – foi o que Kagome exclamou, surpresa.

Rin notou o modo com que ela a encarava: sobrancelhas ligeiramente arqueadas em surpresa, olhar curioso que a examinava atentamente e um sorriso divertido nos lábios e que tentava escondê-lo atrás da mão que tinha levado à boca para cobri-la.

-Ah... Muito prazer. – Kagome falou, sorrindo com doçura – Eu sou Kagome, Akai Kagome, e sou esposa desse idiota ao seu lado.

Rin apontou com a mão direita para Miroku, que estava do lado esquerdo dela.

-Não, do outro idiota. – Hakudoushi corrigiu e Kagome continuou sorrindo.

Rin apontou com a mão esquerda para Inuyasha, que estava do lado direito dela.

-Esse mesmo. – Hakudoushi falou.

Tanto Inuyasha quanto Miroku lançaram um olhar de ódio ao primo.

-Senhorita Shiroi – Hakudoushi começou, aproximando-se dela -, gostaria que se arrumasse e descansasse um pouco antes do jantar. Precisamos ter uma conversa. Onde está sua bagagem?

-Eu... Eu não a trouxe... – ela respondeu, baixando o rosto – Vim apenas com esta roupa e a minha bolsa...

-Entendo... – Hakudoushi fechou os olhos – Vou ordenar que arrumem roupas limpas para vestir esta noite. Pode ir para seu quarto e tomar um banho, se quiser.

-É o quarto que estavam preparando hoje cedo? – Kagome, já com a boca suja de farelos de rosquinhas, perguntou com curiosidade.

-Sim. – Hakudoushi confirmou – Pode levá-la enquanto eu converso com esses dois?

-Claro. – ela deu um sorriso e pegou a mão de Rin – Vamos, Rin-chan?

A garota apenas piscou e foi arrastada por Kagome, que a segurou com uma das mãos enquanto a outra tinha firme o pacote de rosquinhas entre os dedos.

Quando ficaram sozinhos, Hakudoushi perguntou:

-O que aconteceu com a roupa dela... – olhou para Miroku e continuou depois de uma pausa – ... e com a sua, Miroku?

-Foi sem querer. Derramei café depois de esbarrar nela. – o primo se defendeu.

Hakudoushi arqueou uma sobrancelha.

-Ei, que cara é essa? – Miroku perguntou.

-Precisa ver o que ele fez com ela dentro do carro... – Inuyasha comentou.

A sobrancelha de Hakudoushi desceu e nos lábios dele se formou um sorriso maldoso que provocou um calafrio em Miroku.

-Vou contar para Sesshoumaru. – Hakudoushi ameaçou numa voz divertida, dando as costas para o rapaz.

-Ei, n-não! – o primo implorou, correndo atrás do outro.

-Esse idiota quase fez Kagome me expulsar de casa... Eu posso te ajudar na história. – Inuyasha falou, seguindo os dois.

-Ei, Inuyasha... – Miroku começou a andar de costas e ficou ao lado de Inuyasha.

-Conte seus dias, Miroku... – Hakudoushi falou.

-Vocês são uns trapaceiros! Não é justo fazerem isso comigo! É golpe baixo, sabiam? – Miroku protestou, falando mais alto que o normal.

-Cala essa boca! – Inuyasha se irritou e colocou a perna para fazer o primo tropeçar.

-É, você tem razão. – Hakudoushi se virou, sorrindo malignamente – Eu achava mais divertido quando eu usava os boletins de vocês para ameaçá-los.


Após jantar, Rin, usando agora algumas roupas emprestadas de Kagome, vagava pelos corredores da mansão Akai à procura do escritório que Hakudoushi.

Depois de errar três portas, Rin já estava procurando por qualquer pessoa que pudesse ajudá-la a encontrar a tal sala até que uma voz infantil chamou a atenção dela.

-Oi!

Olhando para os lados, ela viu uma criança estava escondida no lustre do corredor onde ela estava e olhava-a curiosamente.

-Você é nova na casa, né? – ele perguntou.

-Você... – Rin arregalou os olhos – Você vai se machucar, menino!

-Não vou, não. – o garoto pulou do lustre e agarrou-se a um pilar, escorregando por ele e alcançando o solo.

-Como você... – ela ficou sem palavras – Como conseguiu fazer isso?

E como aquele garoto tinha um rosto familiar...

-Esta casa é muito grande, por isso eu descobri muitos atalhos. Se eu continuasse escorregando, poderia ir até o outro andar sem descer a escadaria e sem pegar o elevador. – ele falou numa voz esperta – Também faço isso pra fugir do Inuyasha, quando ele quer me bater.

Inuyasha batia nele?

-Mas é claro que ele nunca consegue. – ele continuou ao perceber o choque dela – Eu sempre grito e Kagome bate nele! – deu uns golpes no ar – Você precisa ver! Hakudoushi sempre se tranca no escritório pra rir.

Aquilo a fez lembrar o que procurava.

-Você sabe onde fica esse escritório? Ele me pediu para vê-lo depois do jantar e eu estou perdida.

O garoto cruzou os braços e fez um "tsc, tsc", balançando a cabeça.

-Por que não pediu antes? – ele perguntou, pulando para agarrar a mão dela e arrastando-a para o início do corredor – Vamos logo! Hakudoushi não gosta de esperar!

-Ca-Calma! – ela exclamou, sentindo-se atordoada pela energia que ele possuía.

Os dois correram pelo corredor, desceram as escadas e pararam diante de uma porta em outro corredor.

-Aqui estamos. – ele falou, deslizando a porta sem bater, deixando Rin espantada por causa da ousadia. Poderiam atrapalhar e... – Hakudoushi, ela quer falar com você!

O jovem levantou-se da cadeira e foi até os dois.

-Ela estava perdida. – o menino continuou – E eu a ajudei.

-Muito obrigado, Shippou. – Hakudoushi falou.

-Eu posso ficar aqui? – Shippou perguntou – Ficarei brincando quietinho, prometo não atrapalhar.

-Sinto muito, mas você não pode. – o jovem abaixou-se e falava na altura da criança – Está na hora de você dormir.

-Mas amanhã não tem aula... – o menino cruzou os braços – Kagome sempre me deixa dormir até tarde.

Hakudoushi não respondeu, mas lançou-lhe um olhar de censura. Shippou baixou o rosto e deu um chute em algo invisível.

-Você sabe então onde 'tá o Inuyasha? - ele perguntou.

-Shippou, você vai irritar Inuyasha se provocá-lo agora. – Hakudoushi falou e o menino deu outro chute em algo invisível.

O jovem levantou-se e deslizou a porta para que o menino saísse.

-Ele está vendo um filme na sala com Miroku. Troque as legendas do aparelho, esconda o controle e fará a festa.

Shippou deu um sorriso e saiu correndo.

Hakudoushi virou-se e falou para Rin, já acomodada numa confortável cadeira.

-Temos várias coisas para discutir, senhorita, mas antes eu devo avisar-lhe uma coisa: para sua própria segurança, evite dizer seu nome de família nesta casa. Para todos os empregados, você é Akai Rin, e não queremos a notícia de que uma Shiroi está escondida aqui sob a nossa proteção. E se meu primo não tivesse contado a sua história, certamente não estaríamos tendo esta conversa porque não estaria mais viva.

-"Primo"? Quer dizer...?

-Sou primo de Sesshoumaru e Inuyasha.

-Oh... – ela ficou surpresa.

-Algum problema?

-É que... – ela deu um sorriso sem graça – Você é muito... Diferente...

-Minha mãe era norueguesa e meu pai era tio de Sesshoumaru. – ele deu um sorriso e nisso ela viu uma semelhança com Sesshoumaru – Mas eu sou japonês.

-Ah... Entendo. – ela falou numa voz baixa.

-Sou o médico desta família. – ele continuou, sentando na mesma cadeira em que estava antes dela chegar - Alguns hospitais de Tokyo e de outras cidades estão sob meu comando. O médico que a atendeu em Osaka é de nossa família e meu subordinado.

-Oh. – então ele sabia já de tudo o que se passou na outra cidade.

-Já está se sentindo melhor? – ele perguntou.

-Ah, eu... Eu estou bem, sim.

Hakudoushi levantou-se e aproximou-se dela, tocando na região dos olhos para examiná-los.

-Você está muito pálida... – ele falou – E eu acho você magra demais. Não faz mais regimes de engorda?

Rin não respondeu, engolindo em seco.

-Vou pedir que faça uns exames amanhã. Temo que essa baixa resistência tenha afetado demais o seu metabolismo.

-Como assim?

-Seu ciclo está normal? – foi a pergunta dele.

Rin arregalou os olhos e não soube o que responder.

-Sim... Er... Quer dizer... Acho que agora não... Mas... – tapou a boca e balançou a cabeça. Não sabia nem o que falar direito.

-Está grávida? – ele tentou adivinhar.

-Hmm... Bem...

-Teve muitas relações com ele?

-Pelos deuses... – ela gemeu, cobrindo o rosto para esconder a vergonha.

-É possível que esteja, mas temos que fazer alguns exames. Acredito que esteja apenas com o ciclo atrasado por causa da anemia... – ele parou de falar e foi até a porta, deslizando-a e fazendo Miroku e Inuyasha caírem.

-Er... – Miroku começou.

-Shippou perdeu o controle... – Inuyasha deu um sorriso sem graça.

-Mas o controle 'tá aqui. – Shippou saiu debaixo dos dois e mostrou a pequenina mão segurando o objeto.

Tanto Inuyasha quanto Miroku arregalaram os olhos.

-Er... – Inuyasha começou.

-Que coisa, não? – Miroku perguntou.

-Deem o fora. – Hakudoushi ameaçou numa voz fria e estreitando os olhos de modo suspeito.

Aquilo fez com que Inuyasha se levantasse e pegasse Shippou para sair dali correndo, seguido de um Miroku desesperado.

-Eles devem ter escutado a parte que eu perguntei sobre suas relações com Sesshoumaru... Eles com certeza vão usar isso como piada.

-E isso é... ruim? – claro que era, menina. Sesshoumaru não gosta de piadas e nem que façam uma dele!

-Para eles, sim. – Hakudoushi respondeu – Vou rir quando ver a cara que eles farão quando Sesshoumaru mandar matá-los.

Rin empalideceu.

-Mas não é de verdade. Sesshoumaru não faria isso. – ele completou – Ele protege bem quem é da família, assim como seu pai costumava protegê-la.

Ficaram em silêncio, quebrado novamente por Hakudoushi, aquele que mais falava.

-Sabe... –Hakudoushi sentou-se em frente a ela e cruzou os dedos, apoiando os cotovelos nas pernas – Das coisas que eu descobri sobre você, o que eu não entendo é o fato de ter passado tanto tempo sem falar. Por que esse... silêncio durante tantos anos?

Rin desviou o olhar dele e olhou para os pés, calçados com uma sandália japonesa.

-Foi Bokuseno quem contou pra você?

O jovem confirmou com a cabeça.

-Ele também contou sobre o que Bankotsu costumava fazer comigo? – Rin perguntou, desta vez, encarando-o com certa raiva.

Viu-o hesitar, mas depois ele confirmou de novo.

-Você acreditaria se eu dissesse que também não sei? – Rin perguntou, olhando para os lados – Achei que fosse mais fácil viver daquela forma.

Hakudoushi deu um suspiro e ficou reto na cadeira.

-Vamos tomar um chá, Rin. Temos muito tempo para conversar... – ele falou, olhando o relógio da sala.

Rin murmurou um "sim" e baixou o rosto.


Duas semanas passaram rápido. Rin continuava na casa da família de Sesshoumaru, já com a saúde restabelecida – embora ainda estivesse fazendo um regime de engorda indicado por um nutricionista da família - e parecendo mais animada que antes.

Constantemente ela brincava com Shippou e também fizera amizade com Kagome, pessoa com quem mais conversava naquela casa. Estranhava alguns costumes deles e também alguns mistérios... Rin tinha certeza de que havia alguém no quinto andar da casa, porque sempre via alguém subir levando um carrinho de comida e não era raro ver Hakudoushi descendo as escadas que levavam até lá.

Rin não saíra um único dia da casa, por ordem do próprio Hakudoushi. Não usava mais cartões, cancelou a linha do celular e sempre procurava fazer alguma coisa para não sentir-se presa, sabendo que era por questões de segurança e por desejo do próprio Sesshoumaru. Ele não queria que ela corresse perigo.

Sango voltara há duas semanas, mas Sesshoumaru não e nem ao menos dera notícias sobre o paradeiro. Numa semana em que não aguentava a ansiedade, Rin perguntou a Hakudoushi sobre notícias dele e ele respondera que ficasse tranquila.

"Se ele estivesse morto, nós saberíamos dois minutos depois", ele falara.

A verdade era que, apesar de Rin sentir-se membro da família, sentia saudades do jovem líder, dos olhos dourados, de dormir abraçada a ele. A cama que deram a ela não era nada se comparada ao contato que podia ter com a pele dele.

-Rin-chan... – a voz de Kagome tirou-a daqueles pensamentos enquanto estava sentada no jardim da mansão – Quer um pedaço de bolo?

A garota olhou para o prato com duas fatias de bolo que Kagome tinha em mãos e deu um sorriso antes de pegar um.

Kagome sentou-se e pegou o outro pedaço, comendo-o enquanto observada Rin ficar pensativa de novo.

Minutos depois, Kagome perguntou:

-Posso comer a sua parte?

A outra garota deu um sorriso sem graça e deu o bolo à grávida, que o devorou em questão de segundos.

-O que você tem, Rin-chan? Parece tão triste nos últimos dias... – Kagome perguntou depois que percebeu o silêncio prolongado.

Rin baixou o rosto e segurou-o entre as mãos, começando a soluçar.

-Estou... Com saudades... Dele, Kagome-sama.

-"Dele"? De Sesshoumaru?

-É... – Rin ergueu o rosto e tentou limpá-lo com a manga do blusão – Eu sinto tanta falta dele...

-Oh... – Kagome passou um braço pelo ombro dela e aproximou-a de si, consolando-a.

-Hakudoushi-sama diz que ele vai voltar, mas ele não deu notícias em duas semanas... – ela fungou – Sango-sama não me fala nada, ninguém me fala nada e eu queria apenas que ele ligasse e falasse "oi"...

Continuou chorando por mais alguns minutos, até que Kagome percebeu que Rin estava mais calma e parara de chorar.

-Desculpe-me, Kagome-sama... – começou, afastando-se e secando o rosto – Estou parecendo uma tola, né?

-Você não é, Rin-chan... Você só está... Gostando de alguém e sente falta dela... E isso é muito bom.

Rin ajeitou o cabelo e respirou fundo.

-Ei, eu sei o que vai deixar você bem alegre! – Kagome falou, piscando um olho.

-O quê?

-Compras! – ela ergueu um dedo e deu um largo sorriso.

-"Compras"?

-Vamos sair e gastar o cartão do Inuyasha!

-Mas Hakudoushi-sama falou que não posso sair!

-Hunf! – Kagome fez uma carranca – E eu não me importo! Estou com raiva dele. Quero me vingar por ele não ter me deixado comer aquela melancia inteirinha!

Rin deu um sorriso sem graça.

-Vamos ser um pouco rebeldes, Rin-chan. – Kagome levantou-se e ajudou Rin a fazer o mesmo.

-Hakudoushi-sama não vai gostar... – a outra esta receosa – Ele já tem tanto trabalho mandando comprar as minhas coisas...

-Calma, calma... – a grávida falou – Será divertido... Sem guardas, só Shippou, você e eu! Voltaremos logo, eu prometo!

Rin deu um suspiro cansado e murmurou "sim", sendo arrastada por Kagome para dentro da casa à procura do menino.


Próximo capítulo:

"-Sango, vá depressa arrumar a guarda!"

"-Há invasores. Vamos dar um jeito neles."

"-É impressionante como vocês conseguem se virar tão bem sem mim."

Capítulo 9: Ataque surpresa.