Este capítulo contém algumas cenas de violência.

Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.

A cor do dinheiro

Capítulo 9: Ataque-surpresa.

Para Lan Ayath

Num shopping center em Shibuya, o bairro mais nobre de Tokyo, Kagome pensava numa maneira de tirar Rin de um estado angustiante. Por mais que a garota forçasse um sorriso, Kagome sabia que ela não estava bem.

Andando ao lado de Shippou e da nova hóspede da mansão, os três paravam na frente de diversas vitrines e entravam nas lojas para comprar coisas tanto necessárias quanto desnecessárias.

Rin intimamente queria que Kagome parasse de gastar tanto. Já carregavam muitas sacolas e, apesar de grávida, a senhora Akai não demonstrava um pingo de cansaço.

Rin-chan! – Kagome acenou, apontando para um vestido muito provocante de uma vitrine qualquer – Fica bem em você, não é?

Sim. – ela respondeu com um sorriso triste, baixando o rosto depois.

Kagome fingiu que não notou aquele tom, apontando depois para outro vestido para falar:

E aquele outro também, né?

Claro. – Rin nem ao menos olhou para concordar.

Desta vez, Kagome franziu a testa.

Gostaria muito de dizer a Rin que as coisas melhorariam conforme o tempo, que Sesshoumaru apareceria, que ela não precisava se preocupar tanto com tudo que acontecera.

Mas um sorriso travesso passou pelos lábios da jovem senhora Akai. Já sabia o que fazer para ter um momento de divertimento.

Vamos entrar naquela ali, Rin-chan? – Kagome apontou para uma loja feminina de roupas de dormir.

O...O q-quê? – a outra gaguejou, olhando ora Shippou, ora Kagome.

Você se importa de ir, Shippou-chan? – a mãe adotiva perguntou ao menino.

Não! Vamos! Quero comprar alguma coisa pra pôr nas coisas de Miroku pra Sango descobrir e bater nele depois.

Shippou... Por que quer fazer isso? – a mãe adotiva deu um sorriso sem graça.

Ah, sei lá... – ele deu de ombros – Pareceu divertido quando ele me contou que faria isso com o Inuyasha pra você bater nele depois.

Então vamos, Shippou-chan. – Kagome tinha um largo sorriso – Eu vou te ajudar a escolher uma , Rin-chan?

Sim. – a outra tinha um sorriso tímido. Aquela família...


Durante meia hora, os três ficaram apenas passeando entre os manequins, com Kagome sempre fazendo um comentário sobre algumas roupas, dizendo que Rin deveria experimentar algumas peças.

Em um momento em que Shippou se afastou para ver uma roupa que serviria bem à brincadeira que eles aprontariam com Miroku, Kagome insistiu tanto para que Rin provasse determinado conjunto que a outra acabou aceitando.

Saia pra eu ver como ficou, Rin-chan. – Kagome falou do lado de fora de um provador.

N-Não quero... – era tão embaraçoso aquilo – Não ficou b-bom...

Quem vai dizer se ficou bom ou não é Sesshoumaru-sama, querida. – Kagome fez o possível para não rir e apagar a imagem que tinha na mente de uma Rin vermelha dentro do provador – Vamos lá. Abra que eu quero ver.

Segundos depois, a porta abriu e Kagome entrou na pequena cabine, notando a forma nervosa com que Rin torcia as mãos. Ela estava com um roupão de seda rosada que escondia o conjunto escolhido por Kagome.

Tire o roupão, Rin-chan. Quero ver.

Hesitando por alguns segundos, finalmente Rin desamarrou o nó e deixou à mostra parte de um conjunto de dormir muito provocante de cor vermelha.

Controlando a vontade de rir da timidez da garota, Kagome falou:

Ficou muito bom em você, Rin-chan. Se eu conheço bem o gosto do meu irmão, ele vai gostar.

Rin corou e deu um sorriso, olhando para o chão.

Vamos levar esse, que tal? – a grávida sugeriu – Agora eu quero comer... Será que a praça de alimentação está lotada...?

Enquanto a outra divagava sobre os queijos de pizzas de determinadas lanchonetes, Rin desfez-se da roupa e vestiu a que usava antes em questão de minutos.

Podemos ir, Kagome-sama. – ela falou.

Que bom. Agora vamos pagar e chamar Shippou para irmos comer.

Era incrível como Kagome estava, de certa forma, alegrando Rin. Tinha sido realmente a única amiga que fizera em anos e a pessoa com quem mais gostara de falar naquelas duas semanas na mansão. Não falava direito com Sango e muito menos a conhecia, ainda mais que a líder da guarda de Sesshoumaru vivia ocupada em treinar.

Rin deu um sorriso. Apesar de estar trancafiada, não podia negar que se sentia bem melhor que se estivesse com a própria família. Intrigas, sussurros, mentiras, olhares suspeitos... Viveu por muito tempo ali para saber que detestava.

Enquanto andavam pelo corredor em direção ao caixa para pagar as comprar, Rin parou por um momento ao perceber uma coisa, no mínimo, estranha.

Por que em todos os cantos havia pelo menos segurança? Será que o índice de furtos naquele local era tão grande assim?

Ao reparar no uniforme deles, sentiu, um segundo depois, um frio na espinha. E se eles fossem...?

Rin-chan... – Kagome aproximou-se dela e a fez esquecer-se por um momento aquelas coisas – Acho que esqueci minha bolsa no provador... Pode pegar pra mim, por favor?

Ah... Claro, Kagome-sama. – ela piscou e afastou-se lentamente, olhando por cima do ombro para se certificar de que a grávida ainda esta no mesmo ponto.

Vou ficar esperando aqui, 'tá? – Kagome deu um sorriso e acenou efusivamente ao vê-la se afastar.

Rin deu um suspiro cansado. Finalmente iriam comer e voltar para casa. Os olhos dela encontraram um relógio numa das paredes da loja de departamentos e arregalaram. Provavelmente todo mundo na mansão já havia percebido que eles haviam saído sem avisar.

Como eles iriam lidar com as consequências daquilo?

Voltou à cabine e não encontrou a bolsa de Kagome. Onde ela tinha deixado aquilo, afinal de contas?

Virou-se para sair e recuou assustada ao ver um dos "seguranças" da loja impedindo a saída dela.

Nós não vamos machucar aquela mulher e nem o menino se aceitar vir conosco. – ele falou – O senhor Bankotsu quer apenas ter uma conversa.

Rin apoiou-se contra a parede mais próxima e fez "não" com a cabeça. Já conhecia aquelas "conversas" do meio-irmão. Provavelmente ele daria mais na cara dela antes de decidir matá-la.

Não complique as coisas, senhorita Shiroi. – ele tinha a voz calma e fria ao colocar a mão dentro do paletó. Provavelmente estava tocando alguma arma e ela estremeceu ao imaginar aquilo.

No entanto, alguém puxou a manga do casaco preto do homem que deveria ser um pouco maior que Sesshoumaru. Para a surpresa dos dois, era Kagome.

Acho que já sei com quem está minha bolsa... Meu filho deve estar com ela. Poderia nos ajudar a achá-lo?

K-Kagome... – Rin murmurou, empalidecendo ao ver a mulher se afastar ao lado do "segurança", muito sorridente e segura de si.

Vencendo o tremor das pernas, ela correu até os dois para ficar ao lado de Kagome e afastá-la do homem.

K-Kagome... – ela começou de novo, gaguejando ao procurar a melhor desculpa para tirá-la daquela situação perigosa – Por que você não descansa um pouco enquanto nós dois procuramos Shippou?

Ah, não. Não gosto de ficar parada, Rin-chan. – a jovem senhora Akai respondeu naturalmente.

A outra olhou pelo canto dos olhos para o membro da yakuza, que tinha um sorriso de esperteza. Ele tinha gostado daquela oportunidade, certamente.

Ah... Ali está Shippou! – Kagome apontou para uma cabecinha ruiva que era acariciada por diversas vendedoras encantadas com ele – Pode ir buscá-lo, Rin-chan?

Rin hesitou e viu Kagome arquear as sobrancelhas.

Está tudo bem, Rin? – ela perguntou com delicadeza.

Respirando fundo, Rin andou na direção de Shippou, olhando para trás de cinco em cinco segundos para saber se o homem havia feito algo com a mulher de Inuyasha.

Que bom que você não fez nada com ela. – Kagome olhava os companheiros de compras à distância quando ficou sozinha com o homem – Sesshoumaru-sama não iria gostar nem um pouco.

Não vamos machucar a senhora e nem o menino se ela vier conosco, jovem senhora Akai.

Kagome virou o rosto para olhá-lo e deu um sorriso.

Eu não acho seria bom tentar fazer alguma coisa comigo também. Posso ter mudado de nome, mas ainda tenho sangue de Higurashi. Você deve saber quem é a minha irmã. – ela falou num tom amigável em vez de ameaça.

Kagome! – Shippou se aproximou dela segurando a bolsa e ao lado de Rin – Aqui tá a sua bolsa!

Obrigada, Shippou. Podemos ir embora agora, né? – virou-se para olhar o segurança, mas arregalou os olhos e recuou alguns passos, até ficar perto de Rin e Shippou, ambos tão surpresos quanto ela ao verem o que havia atrás do mafioso.

Hakudoushi, Miroku e uma discreta guarda – nenhum contente por estar ali.

Suas compras já terminaram, Kagome? – Hakudoushi perguntou suavemente, traindo a expressão ameaçadora no rosto.

E aí, Shippou? Muitas compras? – Miroku perguntou, depois de um minuto de silêncio.

O menino fez um esforço para mostrar a pesada sacola que carregava nos pequenos braços.

Não muito... Mas com meus novos carrinhos motorizados, eu vou poder fazer o Inuyasha tropeçar sem estar perto dele.

Miroku permitiu-se dar um sorriso maroto. Essas crianças... Será que Shippou aceitaria a ajuda dele nisso?

Vocês já se divertiram bastante, pelo que vejo. – Hakudoushi voltou a falar e virou-se para ir embora – Podemos voltar pra casa, não?

Mas eu ainda quero comer! – Kagome protestou – Queremos comer.

Vamos voltar. – Hakudoushi a interrompeu, parando para lançar-lhe um olhar de aviso. Não era para ela, mas Rin tremeu ao ver uma pessoa aparentemente tão calma quanto o jovem médico falar daquela forma, mesmo com um membro da família – Já nos deram muito trabalho saindo sem nos avisar.

Ficaram novamente em silêncio, e Kagome bufou ruidosamente antes de decidir segui-lo, com Shippou e Rin fazendo o mesmo.

Ao passar pelo homem que a ameaçara, Rin percebeu que a guarda vinda com Miroku segurava os braços do homem e dos outros guardas que estavam espalhados naquela seção.

Miroku-sama... – ela sussurrou ao passar pelo rapaz.

Eles sabem o que fazer. – ele sussurrou de volta, ficando para trás quando Rin e os outros começaram a seguir Hakudoushi.

Não deram nem dez passos e Rin viu Kagome adiantar-se para falar alguma coisa com Hakudoushi. Como resposta, ele balançou a cabeça veementemente e só parou de movê-la ao quando ela fez uma cara de choro.

O médico deu um sinal de longe a Miroku, que concordou com a cabeça. Depois recomeçou a andar ao lado de uma Kagome sorridente e de Rin e Shippou, protegidos por três seguranças.


Após um silencioso jantar, os principais membros da família, além de Rin e Sango, se reuniram numa exclusiva para reuniões. A discussão era a respeito do ocorrido durante aquela tarde e Hakudoushi, o líder substituto, não parecia ainda de bom humor.

Eu nunca imaginei que você, de todas as pessoas, fosse me dar trabalho, Kagome. – ele a repreendeu – E só por causa de comida, por causa de uma maldita melancia! Como pôde fazer isso conosco? Com Rin e Shippou? Podia ter acontecido alguma coisa!

Ela já entendeu, Hakudoushi. – Inuyasha falou, colocando um braço em torno da mulher ao lado dele – Ela já pediu desculpas.

Só não muito por causa da melancia. – ela murmurou e virou o rosto com altivez para o lado, visivelmente mal-humorada.

E-Eu peço desculpas, Hakudoushi. – Rin se intrometeu, sentindo-se realmente estranha com tantos olhares na direção dela – Eu deveria ter impedido Kagome também. Foi culpa minha e...

Ficou em silêncio. Com tantos olhares sobre ela, não sabia nem o que realmente dizer. Suspirou pesadamente e sentiu o rosto queimar de vergonha por estar ali.

Sinto muito. – disse por fim.

Você não precisa se desculpar, Rin. Kagome foi realmente uma teimosa em convencê-la. – Hakudoushi ignorou o olhar maligno que a mulher de Inuyasha lançou-lhe – Pelos menos descobrimos uma coisa importante.

Kagome e Rin o olharam com atenção, mas os outros não fizeram o mesmo. Aparentemente, eram as únicas que não sabiam o motivo da reunião.

Planejaram um ataque contra esta mansão. O homem que Kagome pediu para não matar nos contou que, caso não conseguissem trazer Rin pelo argumento, tentariam tirá-la daqui à força.

Um frio passou pela espinha de Rin. Então ela era o motivo da reunião.

E isso é muito ruim no momento. – Hakudoushi continuou – Estamos sem nossa guarda principal. Ela está em Ise com Sesshoumaru e Kikyo para ajudá-los no que quer que eles estejam fazendo por lá.

Mas como não temos uma guarda? – Kagome perguntou com evidente indignação. Não era à toa que estavam todos preocupados com uma simples saída para compras.

As ordens que recebi foram de deixar a guarda e seguir sozinha para Tokyo, Kagome-sama. – Sango falou na outra ponta da mesa – Fiquei treinando apenas parte da segurança da casa. Mesmo assim, se ocorrer uma invasão, acredito que eles não vão durar muito.

Não sabemos quantos são, mas devem mandar muita gente para lutar contra nós. – Miroku opinou, braços cruzados e expressão séria.

Você colocou a vida de vocês três em perigo, Kagome. – Hakudoushi falou – O fato é esse.

Ei, não culpe minha mulher por causa da falha na segurança de Miroku! – Inuyasha protestou.

Ei! – o primo exclamou numa indignação.

Calma, Miroku. – Sango interferiu.

Eu estou com muita fome... Falta muito pra acabar essa reunião? – Kagome reclamou, passando a mão no ventre volumoso.

Em poucos segundos, uma grande discussão sobre assuntos não relacionados começou. Rin ignorou tudo ao olhar para Hakudoushi, que a fitava tranquilamente com relativo interesse. Ele deu um meio sorriso calmo, como se quisesse dizer que tudo ficaria tudo bem no final das contas e que não se preocupasse, movendo a cabeça num discreto "sim".

Rin levantou-se e saiu da sala, deixando aquela família que discutia a respeito de carrinhos motorizados para trás.


Dois dias depois:

À noite, dentro de uma sala de vigilância instalada no subsolo da mansão, duas pessoas terminavam de se vestir.

Sangozinha... – Miroku, sem camisa e com o fecho da calça aberto, murmurou contra a pele do braço dela e entre um beijo e outro – Eu estava com tanta saudade de você...

Cala a boca! – ela puxou o braço e terminou de desamassar a blusa – Você ainda não explicou direito essa história do café na roupa de Rin.

Foi acidente, Sangozinha. – ele fez cara de inocente – Você sabe que eu nem em sonhos mexo com alguma coisa do Sesshoumaru.

Hunf. – ela terminou de ajustar a roupa no corpo e cruzou os braços.

O seu problema é que você nunca acredita em mim. – ele falou num tom triste, muito diferente do que ela ou qualquer um estava acostumado a ouvir.

Com remorso, ela aproximou-se dele. Abraçou-o pela cintura e colou os lábios nos de Miroku.

Os dias estavam sendo muito estressante desde que descobriram sobre a possível invasão da mansão. Os dois faziam treinamentos de emergência com os seguranças que tinham, com Sango como treinadora e supervisão de Miroku, chefe da segurança.

Mas depois de tanto treino, a líder e mestra de treinos da guarda e o chefe de segurança só quiseram saber de relaxar depois de dar folga a todos.

Não fique assim... – ela murmurou – Se ficar feliz, pode derrubar café em mim pra tirar minha roupa depois...

Um sorriso divertido apareceu nos lábios de Miroku.

Sempre dá certo! – ele falou, segurando-a também pela cintura – É só fazer uma carinha de inocente!

Sango franziu a testa, mas depois sorriu e aproximou-se para beijá-lo de novo.

Segundos antes do momento, Miroku afastou-se e olhou os televisores, deixando-a surpresa.

O que foi? – ela perguntou.

Alguém desligou a câmera da garagem.

–"Alguém"? – ela deu um sorriso que logo morreu ao ver a expressão séria no rosto do rapaz – Miroku, ela deve ter queimado...

Os dois ficaram observando os outros monitores durante alguns segundos, quando mais duas câmeras "desligaram" e deixaram chuviscos na tela.

Sango, vá depressa arrumar a segurança! – ele ordenou, pegando a camisa do chão e vestindo-a depressa.

Miroku?

Vá logo, Sango! – ele ordenou, pressionando um dos botões do painel e fazendo soar o alarme que ecoou pela mansão, antes mergulhada em silêncio.

A casa inteira despertou com o barulho. Muitos empregados foram para o corredor e estavam armados, dividindo-se em grupos para protegerem os cinco andares.

No quarto de Inuyasha, Kagome, segurando a mão de Shippou, estava sentada na cama e observava o marido de costas carregar a automática longe das vistas do menino.

Inuyasha... – ela começou numa insegurança que era atípica dela – Será que aquilo que Hakudoushi falou naquela reunião?

Vamos descobrir agora. – ele falou, colocando um fone ligado a um transmissor – Miroku, o que foi isso?

Uma invasão. – o outro respondeu depois de alguns segundos – Há dois mortos na garagem e um no primeiro andar.

Hakudoushi, onde cê tá? – Inuyasha voltou a falar, aproximando-se da janela para ver o que se passava no jardim. As luzes estavam acesas e outros guardas estavam saindo para descobrir se havia mais alguém escondido e pronto para atacar.

No quinto andar. – o médico respondeu – Cuidando dela. O barulho a acordou.

Deixa pelo menos vinte pessoas cuidando dela.

Você não precisa me dizer isso, Inuyasha. – o outro falou com arrogância.

Crianças, não briguem. – Miroku se intrometeuInuyasha, vem pra cá. Já mandei uma guarda para proteger Kagome-sama.

Já vou. – virou-se para a mulher – Kagome, não saia daqui. Você também, Shippou.

Mas o que está acontecendo? – ela perguntou e tentou se levantar. Foi impedida por Inuyasha e deitada na cama novamente por ele.

Há invasores. Vamos dar um jeito neles.

Shippou agarrou-se a Kagome assustado, o que foi logo notado por ele.

Não se preocupem. – ele virou o rosto de Shippou para o outro lado e beijou a mulher rapidamente – Não vai acontecer nada e logo isso vai acabar.

T-Tá... – ela murmurou.

INUYASHA! – Miroku gritou – SEGUNDO ANDAR, DEPRESSA!

Inuyasha saiu do quarto e foi discretamente reverenciado pela guarda do lado de fora do quarto.

Inuyasha foi direto para as escadas, pulando os degraus de dois em dois, ficando surpreso ao ver Sango sair por um das portas liderando a segurança, já pronta para atacar. Muitos dos que estavam com ela não foram treinados para uma invasão de assassinos profissionais, com certeza.

Eu fico puto quando isso acontece. – ele resmungou quando ela o alcançou na correria.

Eu deveria estar dormindo agora. – ela rebateu, prendendo os longos cabelos negros num rabo-de-cavalo.

Todos passaram correndo pelo terceiro andar e chegaram ao segundo, onde pararam para ver o que se passava.

Ora, ora... Mais gente pra completar a festa. – uma divertida voz de mulher comentou.

Na sala, uma garota que não parecia ter mais de vinte anos, usando um minúsculo e provocante vestido, estava sentada em cima da mesa do centro, as pernas cruzadas com apenas uma delas a balançar preguiçosamente. Parecia esperar a chegada deles, distraidamente jogando no ar uma adaga e pegando-a com uma das mãos, enquanto a outra segurava uma katana que parecia tão cara quanto qualquer uma da coleção de espadas do falecido pai de Sesshoumaru e Inuyasha. Miroku tinha uma das mãos sangrando enquanto segurava a arma e Hakudoushi estava perto dos que chegaram.

Inuyasha olhou ao redor. Os seguranças que vieram com Miroku estavam mortos e os corpos estavam por todos os cantos. Os únicos vivos ali eram ele, a garota, os primos, Sango e o resto da segurança.

Mais guardas pra me divertir? – a intrusa perguntou num deboche – E você é o irmão do chefão, certo?

Uma... menina...? – Inuyasha murmurou.

Não tanto, irmão do chefão. – ela falou, posicionando ameaçadoramente a katana perto dos olhos estreitados, mantendo um sorriso nos lábios – Meu nome é Kasumi e sou do exército dos Oni. Fui mandada para matá-los.


Sentada na cama do quarto que atualmente ocupava na mansão desde que chegara durante o caos da própria vida, Rin esperava por algum sinal de Hakudoushi ou de outro membro da casa enquanto brincava com o laço do roupão que usava.

O andar estava silencioso, mas, minutos antes, ela havia escutado uma correria e as vozes de Inuyasha e Sango reclamando alguma coisa, o que a deixou preocupada.

Já havia passado muitas vezes por situações como aquela na antiga casa Shiroi. O barulho, a correria, as vozes altas e os tiros, muitos tiros. Sempre se escondia dentro do armário do quarto, isso quando alguém da guarda do pai não vinha salvá-la.

Abraçou os joelhos e encostou a cabeça nas pernas.

Achava que estava livre daquilo, mas a história era a mesma, em qualquer lugar.

Uma batida na porta a assustou. Soltou as pernas e esticou-as para descer e afastar-se da cama e ficar mais distante da entrada do quarto.

Rin?era ShippouEstá aí?

A garota suspirou aliviada e correu para abrir a porta, dando passagem para o menino entrar. Shippou, porém, ficou parado no corredor, olhando de um lado para o outro.

Hakudoushi não mandou seguranças pra cá? – ele perguntou.

Não... – ela franziu a testa – Na verdade, eu não sei nem o que está acontecendo...

Kagome me mandou aqui... Vamos lá pro quarto. – ele falou com um sorriso, pegando na mão dela para saírem dali – Acho que Hakudoushi se esqueceu de você aqui.

Tudo bem, Shippou-chan. Vou trancar aqui e podemos... – ela sorriu. Saiu do quarto e virou-se por um segundo para fechar a porta.

Ao voltar-se para o menino, arregalou os olhos ao ver um assassino atrás dele, preparando-se para golpeá-lo com uma katana.

Shippou também olhou e deu um grito.

Shippou! – Rin exclamou ao pular em cima dele e escapar rápido do alcance do homem vestido de negro.

Mas, infelizmente, não conseguiu evitar o contato da pele com o fio de corte da lâmina, o que provocou um machucado no antebraço.

Escutou Shippou gritar de novo e viu que o assassino estava pronto para atacar outra vez, levantando-se depressa e puxando Shippou pela mão para fugirem.

Shippou, por onde podemos nos esconder? – ela perguntou durante a corrida, virando a cabeça para trás e estranhando o fato do assassino ficar parado no final do corredor, observando os dois se afastarem.

A-Acho que d-dá pra chegarmos ao outro andar por aquele q-quarto...

O garoto olhou para a mão que Rin segurava ao sentir um líquido quente escorrer por ela, arregalando os olhos ao ver muito sangue.

R-Rin... O seu b-braço...!

Não está doendo, Shippou-chan. – ela mentiu, sentindo o corte doer a cada andar – O quarto é aquele?

Esse mesmo. – o menino respondeu ao verem uma porta fechada – Só entrei lá uma vez, mas eu me lembro de ter visto um atalho dentro do armário.

De quem?

Do Miroku. O mais engraçado é que vi que dá pro quarto da Sango.

Shippou... – Rin deu um sorriso sem graça.

Chegaram ao quarto e Shippou abriu a porta para os dois entrarem. Rin, antes de fechar, olhou mais uma vez o corredor e estranhou que o ninja estivesse lendo um papel com muito interesse. Balançou a cabeça para não pensar muito naquilo e trancou o quarto, seguindo Shippou aonde quer que ele fosse.

O homem que estava no corredor baixou o papel que lia e olhou para a direção que os dois alvos correram.

Bem... – ele murmurou num tom de dúvida – Aqui diz só que é pra levar a garota viva, mas não diz o estado... – olhou para a katana e observou o sangue de Rin escorrer pelo fio de corte – Ela não precisa ir inteira, então...

E começou a andar em direção do quarto em que os dois entraram.


Para nos matar? – Inuyasha começou, evidenciando a ironia na voz – Que piada.

Oh... Então é uma piada muito engraçada porque estou rindo até agora. – Kasumi falou – A guarda de vocês estava tão distraída na vigilância que pude entrar aqui sem problemas.

Quem estava na sala de vídeo? – Hakudoushi perguntou a Sango e Miroku, arqueando as sobrancelhas ao vê-los corados.

Hã... – Miroku começou.

Bem... – Sango continuou.

Vocês voltaram? – Inuyasha perguntou, repentinamente.

E por que na sala de vídeo? – Hakudoushi perguntou, demonstrando certo nojo no semblante.

É o único lugar seguro da casa... – Miroku começou com certo receio.

Por causa das câmeras, sabe...? – Sango deu um sorriso sem graça ao completar.

Inuyasha e Hakudoushi fizeram um sinal com a cabeça concordando.

Vocês poderiam prestar atenção em mim? – Kasumi perguntou, colocando uma das mãos na cintura e segurando a katana na outra para batê-la impaciente na lateral do corpo.

Se você diz que é do exército dos Oni, pode nos dizer por que Sakasagami Yura está atrás de nós? – Hakudoushi perguntou. Não fazia sentido que outra guarda de assassinos viessem atacá-los em lugar da guarda da família Shiroi.

Claro que não. Até porque eu não sei. – ela colocou um dedo perto do lábio e olhou o teto num ar pensativo.

Hakudoushi fechou os olhos, sentindo uma enorme irritação por causa da resposta idiota.

Vou mantê-los distraídos aqui... Assim meu companheiro pode trabalhar sossegado. – Kasumi voltou a falar.

Seu companheiro? – Inuyasha arregalou os olhos – Há outro aqui...?

Há seguranças protegendo tia Izayoi, Kagome e Shippou, Inuyasha. – Hakudoushi falou – Não se preocupem.

Um momento de silêncio se fez, no qual os cérebros deles pareciam ter travado enquanto processavam aquela informação.

Hã... Hakudoushi... – Miroku começou.

E a Rin? – Sango perguntou.

O médico apenas arregalou os olhos e ficou sem jeito.

Você se esqueceu dela, seu infeliz? – Inuyasha exclamou, cerrando os punhos.

Você reclamaria mais se fosse a sua mãe ou a sua mulher, idiota! – ele tentou se defender, também cerrando os punhos e pronto para discutir com o primo.

Rapazes... – Sango sorria, totalmente sem graça por causa daquele vexame.

Não briguem, crianças! – Miroku tentou apartá-los.

Vocês poderiam parar com essa palhaçada? – a intrusa falou, chamando a atenção deles novamente.

Cuidem dessa aí. – Hakudoushi começou – Eu vou procurar Rin. É culpa minha ela ficar desprotegida.

Você? – Miroku perguntou surpreso – Mas você não...!

Vai logo, Hakudoushi. – Inuyasha falou e o primo afastou-se.

O médico começou a correr e preparou-se para saltar o corrimão da escada que levava ao terceiro andar.

Você não vai escapar, bonitinho! – Kasumi falou, preparando-se para lançar a katana em direção dele.

Um objeto metálico brilhou na direção dela e Kasumi arregalou os olhos ao perceber, segundos depois, uma tesoura passar de raspão e fazer-lhe um corte no bonito rosto, fincando num móvel próximo.

A garota deu um gemido assustado e notou o olhar de ódio que Hakudoushi lançou-lhe antes de saltar o corrimão e parar no meio da escada, começando a saltar os degraus para chegar ao corredor do terceiro andar e procurar por Rin.

Esse cara... – ela murmurou.

"Tome cuidado com o médico", Yura dissera a ela. "Se enfrentá-lo logo de primeira, vai se dar muito mal".

Ei, você não queria nos enfrentar? – Inuyasha tomou a liderança da situação – Vamos lá, menina.

Kasumi deu um sorriso e estreitou os olhos.

Com todo prazer.

Ei, pode parar aí! – Miroku impediu que o primo avançasse – A prioridade para enfrentá-la é minha. Ela quase arrancou a minha mão!

Porque você passou a mão em mim, tarado! – a assassina gritou.

Eeeeeeu? – o rapaz tentou se defender, não muito convincentemente.

Inuyasha olhou para trás. Os seguranças que vieram junto estavam amedrontados depois de verem o que aconteceu com os outros. O irmão mais novo percebeu aquilo e fez um sinal com a cabeça para dispensá-los. Apontou para cima e os homens seguiram a silenciosa ordem de proteger os outros andares da casa, saindo dali.

Sango olhou ao redor. Tantos seguranças mortos por uma única pessoa. Alguns eram pais de família e agora elas não mais receberiam os membros de volta.

Um deles poderia ser o irmão dela.

Como é? – Miroku continuava a discussão com a assassina – Quer dizer que eu, Akai Miroku, mais conhecido entre os inimigos como a "Mão Direita da Destruição", não sou lá grande coisa?

Que bom que entendeu, tarado. – Kasumi cruzou os braços e olhou para o lado, empinando o nariz para ele.

Ora, sua... Eu vou fazer você engolir cada palavra de volta! – Miroku avançou.

Fica aí, idiota! – Sango abaixou-se e deu uma rasteira no rapaz, que caiu no chão e disparou a arma sem querer, quase atingindo Kasumi, que se desviou a tempo e olhou para a parede assustada e com a mão no coração.

Porra, Sango! – ele gritou, ficando sobre os cotovelos para olhar a figura da garota, de costas para ele.

Quem você pensa que é... Vindo até aqui... – ela começou, andando lentamente em direção da outra – E matando os meus subordinados? – deu um ágil salto e sacou a katana que tinha numa bainha ao lado do corpo, atacando a intrusa pelo alto.

Kasumi não se moveu, observando os movimentos de Sango. Estava em pé, com um sorriso provocador e irritando a outra com aquela pose prepotente.

Oh... Meus pêsames, moça. – ela falou.

Como é? – Sango perguntou, tentando um golpe por cima.

Lenta demais. – Kasumi saltou e viu Sango cair em cima da mesa, quebrando o móvel.

Um segundo se passou e Sango levantou-se cambaleante, passando a mão no canto da boca para tirar o sangue que tinha ali.

Quem você pensa que é... – Sango começou de novo, ligeiramente ofegante – Pra achar que pode me vencer?

Ela tá nervosa por causa desses caras... – Miroku murmurou para Inuyasha enquanto estalava os ossos do pescoço – Sango não vai conseguir enfrentar essa aí assim.

E o que você tá fazendo aí parado, idiota? – Inuyasha preparou a arma e começou a andar em direção das duas, aproveitando uma deixa em que Kasumi estava de costas para eles.

As duas tinham voltado a se enfrentar, trocando acusações e duelando com as armas.

Não é você quem decide se as vidas deles terminam agora. – Sango voltou a falar, tentando encontrar o olhar da outra através da cruz formada pelas lâminas.

Kasumi apenas deu um sorriso, olhando depois pelo canto dos olhos para trás ao sentir um movimento suspeito.

Ao ver os dois prontos para atirarem nela, Kasumi saltou no ar, levando Sango no embalo e a jogou contra os dois, que arregalaram os olhos ao ver o que ia cair em cima deles.

Na queda, a automática de Miroku disparou de novo na direção de Kasumi, que suspirou aliviada ao perceber que não havia morrido, colocando novamente a mão no coração para acalmá-lo.

Sango esfregou a cabeça e sentou-se, o mesmo fazendo Inuyasha e Miroku.

Ei, tomem cuidado com essas armas! Ponham pelo menos uma trava nelas! Eu fui paga pra matar vocês e deixar um vivo pra levar pra casa! Não me matem antes disso, ok?

Essa menina sabe o que tá dizendo? – Inuyasha murmurou, incrédulo.

Caramba, Sangozinha... Hoje não é seu dia... Você só tá apanhando. – Miroku comentou.

Calado! – ela deu uma sonora bofetada nele.


Dentro de um carro em alta velocidade, uma garota conversava com um rapaz. Ele estava de braços cruzados, a perna direita sobre o joelho esquerdo, concentrado em alguma coisa que não tinha relação com o que ela falava. Ela sabia que ele não estava prestando atenção, mesmo assim continuou. Sabia como cobrar das pessoas que não prestavam atenção nela.

Afinal... Eu não entendo o porquê de você estar tão preocupado... Disse que ela ficaria bem na sua casa.

O rapaz não replicou. Continuou olhando os postes passando depressa pelo vidro fumê do veículo.

Já estamos chegando, senhores. – o motorista falou – Cinco minutos ou menos.

Obrigado. – o rapaz deu um suspiro e olhou para o teto.

Nada disso estaria acontecendo se você não tivesse se envolvido com essa garota. – ela falou, enfrentando um olhar ameaçador dele – Sabe que estou dizendo a verdade.

O outro continuou calado.

A garota deu de ombros e pegou algo da bolsa que estava no colo.

Não fume. – ele falou para ela quando a viu tirar um cigarro e o isqueiro.

A garota ignorou-o e acendeu o cigarro.

Fiquei curiosa... – ela começou depois de dar uma longa baforada – Quero saber o que aquela Shiroi viu em você. Vou perguntar pra ela.

Viu o outro dar um meio sorriso.

Verdade? – ele perguntou num tom meio irônico.

Sim. – ela jogou as cinzas carpete e ignorou o olhar reprovador dele.


Está melhor assim, Rin-chan? – Kagome perguntou ao ajeitar um pano no braço machucado da garota, notando a forma como ele ficou rapidamente encharcado e avermelhado – Acho que vai aguentar até Hakudoushi dar uma olhada nisso.

Está tudo bem, Kagome-sama. – Rin encolheu o braço involuntariamente quando a outra quis tocá-lo – Isso não é importante no momento.

Eu sabia que tinha alguma coisa errada... – a mulher de Inuyasha começou, ajeitando-se confortavelmente na cama onde os três estavam acomodados – Tive um mau pressentimento. Por isso mandei Shippou ir procurá-la.

Obrigada, Kagome-sama... – a outra baixou o rosto e olhou para as mãos.

O quarto ficou estranhamente em silêncio, e do lado de fora sabiam que seguranças estavam fazendo a vigilância.

Isso é... Quer dizer... Vai acabar tudo bem, né? – Shippou perguntou de repente, quebrando o silêncio e fazendo as duas olharem para ele.

O menino abraçou as pernas e olhava para o nada.

Eu lembro que também foi assim... Quando invadiram a minha casa e mataram meus pais... – ele baixou o rosto – Mandaram eu me esconder no armário, mas me encontraram e me levaram pro quarto dos meus pais...

O coração de Rin pesou como se quisesse chorar. Já tinha passado por outras situações, algumas muito piores, e desejava que ninguém mais passasse pelo mesmo... Nem ali ou em qualquer outro lugar.

Kagome abraçou o filho adotivo e pressionou o rosto no cabelo dele.

Não se preocupe, Shippou... Já vai acabar. – ela murmurou num tom de esperança.

Ficaram calados de novo e atentos aos movimentos do lado de fora do quarto.

Depois de alguns minutos, dois ou três talvez, assustaram-se ao escutar carros chegando em alta velocidade. Podiam ser mais inimigos para atacar ou amigos para ajudar, torcendo para que fosse a última opção.

Repentinamente, ouviram pessoas gritando do lado de fora do quarto.

Estão matando os guardas! – Shippou gritou assustado.

Rin correu até a porta e abaixou-se, tirando a chave para olhar pela fechadura o que acontecia do lado de fora.

Todos os seguranças estavam sendo mortos antes que pudessem disparar. O agressor era o mesmo que atacara a ela e a Shippou no outro andar, ainda afastado da porta do quarto e deixando o caminho livre para as escadas do quinto andar.

Aquilo a fez tomar uma decisão. Estúpida, talvez.

Tranquem o quarto, por favor.

Abriu a porta e saiu correndo, ignorando o grito que Kagome deu para impedi-la.

Passou corredor pelo espaço que havia entre o quarto e a escada do quinto andar, chamando a atenção do perseguidor dela. Pulando os degraus, ela rapidamente chegou aonde queria, mas não deu mais que três passos ao ser surpreendida com a aterrissagem do ninja bem na frente dela.

Então você é Shiroi Rin. – ele puxou o lenço que tapava o rosto para falar melhor – Melhor vir comigo.

A garota virou-se para descer de novo as escadas atrás dela, mas parou e recuou um passo, arregalando os olhos ao ver Kagome subindo as escadas.

Espere... Aquela não era Kagome... Porque ela estava grávida, certo?

Subindo altivamente as escadas, o cabelo negro e liso balançando na costa, os olhos castanhos ameaçadoramente estreitados e liderando a guarda que tinha atrás de si, Higurashi Kikyo fazia mais uma entrada triunfal naquela casa. Das outras vezes eram ataques, desentendimentos que certamente nunca mais aconteceriam entre as duas famílias.

Kikyo não estava ali para atacar, mas sim para ajudar. Enquanto a irmã estivesse naquela família, ainda por cima esperando por um sobrinho que talvez fosse sucessor dela, ela apareceria daquela forma.

Kikyo onee-sama? – Kagome falou do outro andar, com Shippou ao lado, visivelmente surpresa ao vê-la ali também – O que faz aqui?

Kagome. – a irmã não parou enquanto subia depressa os degraus – Vá para o quarto de Izayoi. As explicações vêm depois.

Sim. – Kagome subiu as escadas juntamente com Shippou.

Ao chegarem ao outro andar, eles se depararam com uma Rin confusa e um ninja que olhava assustado para Kikyo e a guarda dela, os Carregadores de Almas.

Ele está assustado demais pra tentar alguma coisa. – Kikyo falou ao vê-los receosos de passar pelo homem que tentara matá-los – Podem passar e...

Demorou um pouco para completar a frase ao encontrar o olhar de Rin, que não deixava de olhá-la em admiração.

E leve essa Shiroi com você. – ela completou.

Certo. – Kagome concordou com a cabeça, pegando na mão de Shippou e de Rin para levá-los para o único quarto daquele andar.

Quando os três já estavam longe, quase no final do corredor, Kikyo encarou o invasor com um sorriso maligno.

Sua parceira já deve estar morta agora... Você vai se entregar eu vou ter que obrigá-lo?

O homem levantou-se depressa para correr e escapar do grupo.

Asuka. – Kikyo chamou. Imediatamente uma garota destacou-se do grupo, correndo numa velocidade surpreendente para alcançar o (agora) fugitivo e encurralá-lo, não demonstrando emoção ao apontar uma arma na testa dele.

Kagome, Rin e Shippou escutaram mais um grito ecoar pelo corredor antes da mulher de Inuyasha abrir a porta com uma chave que tinha e entrarem no quarto.

Kikyo já está torturando outro, Kagome? – uma mulher falou e Rin ficou assustada ao ver mais alguém ali.

Sentimos muito, Izayoi-sama. – Kagome falou para a mulher que estava sentada numa confortável poltrona, segurando um livro no colo.

Kagome e Shippou aproximaram-se de Izayoi. O menino ficou no colo dela e a nora atrás da poltrona, pousando delicadamente as mãos nos ombros da sogra.

Rin-chan... – a grávida começou – Esta aqui é Akai Izayoi, a mãe de Sesshoumaru e Inuyasha.

Rin empalideceu.

Ninguém falou que havia mais uma pessoa na casa, principalmente alguém que tivesse esse tipo de relação com os Akai.

Observou os traços de Izayoi. Era uma senhora bonita de mais de cinquenta anos, cabelos lisos e com mechas prateadas em alguns pontos, a pele ainda sem rugas, olhar brilhante e voz bonita. Além disso, notou o modo que as mãos involuntariamente tremiam.

As pessoas costumam dizer "muito prazer" quando encontram alguém pela primeira vez. – Izayoi falou, segurando o livro com as mãos trêmulas.

Oh... Eu sinto muito... – Rin aproximou-se correndo e fez uma exagerada reverência – Muito prazer, Izayoi-sama.

A garota ficou naquela posição durante alguns segundos, erguendo a vista receosamente para ver Izayoi com as sobrancelhas arqueadas e um fino sorriso nos lábios.

Qual é seu nome? – ela perguntou.

É Shiroi Rin, tia Izayoi. – Hakudoushi falou e deixou todos surpresos ao fazer-se presente – E ela é protegida de Sesshoumaru.

"Shiroi"? Ah... Eu me lembro do seu pai. – falou num tom severo ao mesmo tempo que encarava o sobrinho, ignorando a chegada de um Jaken ofegante – Por que ninguém falou que ela está hospedada aqui?

E por que ninguém contou a Rin que aquela senhora estava viva? Achava que tivesse morrido, pois Sesshoumaru nunca mencionou nada sobre a mãe antes.

Depois conversamos, tia. – Hakudoushi respondeu.

Por acaso foi ordem de Sesshoumaru? – Izayoi deu um sorriso doce enquanto mantinha os olhos brilhantemente perspicazes.

Hakudoushi optou por dar um suspiro e desviar o olhar.

Por que as pessoas não gostam de me contar sobre o que acontece nesta casa como se ela não fosse minha também? – Izayoi perguntou com doçura e ironia ao mesmo tempo.

Isso não é verdade, Izayoi-sama. – Kagome interveio, sorrindo docemente enquanto massageava o ombro dela – Nós gostamos de fazer surpresas pra senhora. É por isso que eu ainda não contei o nome do seu neto.

Também não queremos preocupar você. – Shippou falou, sentindo a mão trêmula de Izayoi afagar-lhe os cabelos ruivos.

Tia, onde estão os seguranças que eu deixei aqui? – Hakudoushi perguntou, repentinamente.

Eu os mandei embora. Eram muito barulhentos. Eu queria ler sossegada.

Todos arregalaram os olhos ao escutar aquela resposta tão calma.

Poderia ter acontecido alguma coisa, tia! – o médico protestou – Por que fez isso?

Mas não aconteceu nada, não é mesmo? – Izayoi respondeu tranquilamente – E não fique assim tão perturbado, querido... Jaken estava comigo.

E aonde você foi? – Hakudoushi perguntou ao outro que chegou depois dele.

Izayoi-sssama pediu-me para ver o que esstava acontecendo! – Jaken tentava se defender.

E o que descobriu, Jaken? – Izayoi perguntou, interrompendo o sobrinho que ia protestar sobre a atitude dela.

Além de Kikyo-ssama, Ssesshoumaru-ssama também esstá aqui.

Todos, inclusive Rin, arregalaram os olhos com a notícia.


No segundo andar, as coisas andavam mal para os donos da casa. Kasumi conseguiu deslocar o ombro de Inuyasha e ainda lutava com Sango, que tinha vários cortes na roupa, alguns com ferimentos que pareciam doer a cada movimento que fazia.

Você ainda tá brava por causa desses caras que matei? – Kasumi perguntou incrédula, assustando-se com cada movimento brusco de Sango – Que mulher teimosa!

E você é uma garotinha mimada! – a outra rebateu.

Ei, não me chama assim! Nem minha mãe falava isso!

Sango tentou mais uma investida contra a outra garota, avançando com a katana contra o pescoço Kasumi, que saltou ao prever o ataque e a fez atingir e quebrar a mesa do telefone.

Já disse que você é muito lenta. – a intrusa falou atrás dela.

Como é? – Sango estava indignada.

No momento em que ela ia olhar para trás, o fio do telefone se moveu e Sango arregalou os olhos ao vê-lo atravessar a frente dela. Num movimento de defesa, colocou a mão no pescoço para impedir que a degolasse, mantendo-o afastado por centímetros da região.

Rangendo os dentes de raiva, Sango nem ao menos conseguiu impedir de ser jogada contra uma estante que exibia uma coleção de espadas japonesas, fazendo-a gritar, largar a arma que tinha na mão direita e cuspir sangue.

A estante quebrou-se e Sango caiu de joelhos no chão, pegando novamente a katana em meio ao vidro e madeira do local para tentar levantar-se.

Não querem desistir? – Kasumi perguntou – Eu recebi ordem para levar um de vocês vivo.

Inuyasha tinha dificuldades em segurar uma arma na mão esquerda e só Miroku parecia estar em melhores condições, apesar de estar desarmado e com a mão machucada.

Sango finalmente conseguiu levantar-se, mesmo sentindo-se tonta e cansada demais. Deu apenas mais dois passos e caiu desacordada no chão, junto aos restos da estante.

Sango! – Miroku gritou e correu na direção da namorada, pegando uma arma do chão no trajeto.

Uma adaga voou e Miroku soltou mais um palavrão ao ver que não conseguiria chegar perto de Sango, parando para carregar a arma. O sangue dificultava na hora de segurar e melava o gatilho, deixando-o mais nervoso naquela situação.

Escutou um ganido de Inuyasha e apontou a arma para Kasumi.

O... O quê? – murmurou ao ver Inuyasha com a katana atravessada no outro ombro e Kasumi pisando perto do ferimento, apertando a ponta do salto no local para fazê-lo gritar.

O quê? – a garota perguntou ao rapaz – Acha que não posso matá-lo?

Miroku fez a pontaria.

Na-na-ni-na-não. – Kasumi movia o indicador para os lados num gesto gracioso – Se atirar, vou cortar o braço dele.

Atire, Miroku! – Inuyasha exclamou ao ver, pelo canto dos olhos, o primo hesitar e baixar a arma, sentindo uma pressão maior do salto no ferimento que tinha no ombro.

Inuyasha... – o outro murmurou preocupado.

ATIRE!

Aquilo foi o bastante para que Miroku fizesse disparos contra a garota, mesmo preocupado com a ameaça. Kasumi, porém, não cortou o braço de Inuyasha e saltou sobre os móveis para aproximar-se de Miroku, desviando-se dos tiros e parando perto da estante quebrada, ignorando Sango desmaiada para pegar uma espada da coleção para admirá-la.

Ah! – Inuyasha exclamou – A coleção de espadas do papai!

O Sesshoumaru fica puto quando alguém pega numa delas com a mão suja! – Miroku completou.

Ah, é? – Kasumi perguntou num tom sarcástico.

Um segundo depois, uma espada atravessou o peito dela e a fez cuspiu sangue, largando a arma para tocar a lâmina.

Deixando todo mundo surpreso, Sesshoumaru apareceu atrás dela e tocou no cabo, girando-o numa tortura que a fez derramar mais sangue pela boca. Para completar, o líder retirou a lâmina de uma única vez e a viu desabar no chão, sem vida.

A sala ficou silenciosa. Sesshoumaru olhou ao redor e deu um suspiro pesado ao ver o quão destruído ficou o local. As paredes arruinadas, os móveis quebrados, a coleção de espadas japonesas deixada pelo pai...

Manejou a espada no ar com um único movimento para limpar o sangue dela, largando depois o objeto num móvel próximo.

Se... Sesshou... maru – Inuyasha murmurou ainda muito surpreso ao ver como as coisas haviam acabado.

É impressionante como vocês conseguem se virar tão bem sem mim. – o irmão mais velho falou num tom sarcástico.

Quando chegou? – Miroku perguntou, aproximando-se de Sango para carrega-la gentilmente nos braços.

Sesshoumaru não respondeu, ainda lamentando em silêncio o estrago.

Como está Sango? – o líder perguntou.

Desacordada... Só com ferimentos leves... Eu acho... – acariciou a face dela - Vai ficar bem.

E você, Inuyasha?

Desloquei meu ombro quando ela me fez rolar a escadaria... – o irmão não conseguia se levantar.

Lamentável. – Sesshoumaru falou sem um pingo de pena.

Ei...

E onde está Hakudoushi?

Foi procurar a sua garota. – Miroku respondeu, afastando-se dele com Sango nos braços e deitando-a sobre o que restou de um sofá para visitas.

Vamos até lá. – Sesshoumaru começou a andar em direção das escadas, subindo com altivez até o outro andar.

Ei, ninguém vai me ajudar aqui, não? – Inuyasha latiu ainda jogado no chão.

Use suas pernas, irmãozinho. Elas não estão quebradas. – Sesshoumaru falou.

Maldito Sesshoumaru! – foi o que o irmão conseguiu gritar.


No quarto do quinto andar, Kikyo já estava ao lado de Izayoi numa pose de profunda reverência com a guarda pessoal atrás dela.

Izayoi-sama, eu peço minhas sinceras desculpas se perturbei o seu sono. – a líder dos Higurashi falou com os olhos fechados.

Não estava dormindo, querida... - Izayoi respondeu – Mas bem que poderia não fazer suas vítimas gritarem tanto.

Eu pedi para que se entregasse, mas ele se recusou a me obedecer. Asuka teve que usar a força.

– "Asuka"? – a senhora repetiu.

A garota mencionada se destacou rapidamente e fez uma reverência aos pés de Izayoi, não erguendo o rosto para falar:

Aos seus comandos também, Izayoi-sama.

Você nova na guarda, não? – ela perguntou ao observá-la. Ela era extremamente jovem e nunca a tinha visto antes. Talvez tivesse sido contratada direto para ser líder da guarda? Kikyo não exigia mais treinamento?

Sim. – ela respondeu mecanicamente.

Izayoi deu um suspiro, fechou os olhos e perguntou:

Pode me fazer um favor?

Todos que a senhora desejar. – ela ergueu o rosto. Havia um estranho brilho nos olhos que Izayoi não conseguiu ler.

Pode procurar por meu filho Sesshoumaru e chamá-lo aqui?

Imediatamente, senhora. – Asuka respondeu, levantando-se para fazer outra reverência e sair dali.

Os outros presentes ali, Hakudoushi, Kikyo, Rin, Kagome, Shippou e Jaken, mantiveram-se em silêncio.

Eu fico muito feliz em saber que a senhora não está ferida. – Kikyo continuou – Havia uma grande confusão lá embaixo, mas felizmente não chegou até aqui.

Deve estar contente em saber que Kagome está bem, não?

Kikyo ergueu o rosto e um brilho de satisfação passou-lhe pelos olhos quando falou:

Não imagina o quanto, Izayoi-sama.

Vai passar a noite aqui?

Sim. – a garota respondeu sem hesitar – Talvez aconteça uma reunião do Conselho esta semana. Sesshoumaru vai falar com Bokuseno.

E o que está acontecendo de tão grave para convocarem uma reunião extraordinária do Conselho? – Izayoi sorriu intimamente satisfeita ao ver, naquele instante, Kikyo hesitar na hora de responder.

Conversaremos sobre isso depois, minha mãe. – Sesshoumaru falou ao entrar no quarto ao lado de Asuka e de três seguranças – Agora não é o momento.

O silêncio pesou no quarto. Rin prendeu a respiração durante dois segundos ao ver o rapaz, sentindo o coração bater forte. Sesshoumaru estava de volta. Ele estava ali e estava bem.

O olhar dele parou primeiro na mãe, que o fitou serenamente, passando depois para Rin, notando a face vermelha dela.

Desviou depois o olhar para o rapaz ao lado dela.

Hakudoushi... – ele começou - Sango está ferida e Inuyasha está com um ombro deslocado e o outro machucado por causa de uma katana.

Pelos deuses... Inuyasha! – Kagome passou pelos presentes quase correndo.

Devagar, Kagome! – Hakudoushi recomendou, preparando-se também para sair – De quem eu devo cuidar primeiro?

Cuide de Inuyasha. – Sesshoumaru falou e deu um sorriso maligno, completando – Quando eu o deixei, ele chamou você de "maldito" por não estar lá para cuidar dele.

Com todo prazer. – Hakudoushi falou, estalando os dedos e sorrindo malignamente.

Jaken – Sesshoumaru começou –, arrume quarto para todos. Kikyo e a guarda dela passarão a noite aqui. A sala do segundo andar está uma bagunça e a estante da coleção de espadas está quebrada. Arrume isso até amanhãfalou num tom de ameaça – Ou vai se arrepender.

S-Ssim, Ssessshoumaru-ssama... – o homenzinho concordou com a cabeça.

Então podemos dormir? – Izayoi perguntou – Estou cansada... E daqui a pouco Hakudoushi trará meus remédios.

Como quiser, minha mãe. – Sesshoumaru falou – Tenha uma boa noite.

Todos começaram a se retirar, mas o líder família foi impedido pela mãe um segundo antes de fechar a porta:

Eu quero conversar com você, Sesshoumaru. Amanhã, sem falta.

O rapaz virou o rosto e estreitou os olhos por cima do ombro ao ver os dela igualmente estreitados.

Claro... Por que não? – foi a resposta dele ao sair depois do quarto.

Jaken fez menção de sair também, mas Izayoi também o impediu:

Fique, Jaken.

O homenzinho suou frio. Virou-se lentamente e abaixou a cabeça.

Ninguém me falou a respeito daquela garota aqui, não é? – Izayoi tinha um tom doce na voz.

Er... – ele coçou a cabeça.

Eu esqueço essa sua falha se descobrir qual o nome do meu neto.

Mas é difícil, Izayoi-sssama! Eles essscondem muito bem o jogo!

Tenta mais uma vez, Jaken. E agora vou te dar umas dicas de como...

Os dois arregalaram os olhos ao escutar um grito de Inuyasha, seguido de um sonoro:

MALDITO HAKUDOUSHI!


Próximo capítulo:

"Eu estava pensando que seria melhor você falar a ele sobre o resultado de seus exames."

"Por acaso pretende fazer dessa menina Shiroi a sua nova esposa?"

"B-Bem... K-Kagome-sama insistiu em comprar esta r-roupa, mas acho que não ficou bem em mim..."

Capítulo 10: Akai Izayoi