Nota da Autora: Acho que vinte por cento do capítulo foi reescrito, e achei uma tarefa muito divertida. Espero que gostem das partes novas!
O desenho da tatuagem foi baseado naquela imagem do pai de Sesshoumaru e Inuyasha na forma de cão subindo aos céus na forma de youkai completo, uma imagem que passou várias vezes no anime.
(Agradeço as mensagens de apoio. Vai completar 3 meses que meu papai se foi e dói um bocado, sabe? Que bom que entendem a eventual demora)
A cor do dinheiro
Capítulo 11: O coração de um criminoso
Para Lan Ayath
Música: "Save me", do grupo Queen.
A noite em Tokyo estava muito mais fria que em dias anteriores, típico de um intenso inverno. Estava um tempo tão desagradável que muitos preferiam usar duas ou três peças de roupa a mais para se sentirem aquecidos.
Até ele, que não se lembrava de algum dia precisar fazer aquilo, estava afetado. Quando a mulher ao lado dele resolveu dormir, lembrou-se do que ela falara: os dias anteriores tinham sido de um frio tão rigoroso que ela tremia à noite. Isso podia ser até normal com qualquer pessoa, mas com ele...
Sim, ele era humano, e mesmo odiando admitir, teve que vestir um roupão para se proteger.
E a mulher com quem dividia a cama ainda dormia. Ou melhor, fingia dormir.
Não sabia o motivo de tanta hesitação por parte dela em querer falar alguma coisa ou simplesmente começar a agir. Também não se aborreceu. Sabia que Rin deveria estar se sentindo ainda intimidada ou, talvez, preocupada com alguma coisa.
Virou-se de lado e admirou as costas dela, notando a forma como o tecido se moldava no corpo feminino, algo que era admirado por diversos poetas, mesmo aqueles que só escreviam haikai a respeito do cheiro da neve que derrete no momento da morte de um samurai.
Mas ele não queria admirar daquela forma. Não era um poeta. Não queria ficar só olhando.
–Rin? – ele a chamou e a viu estremecer e encolher a cabeça como se ela estivesse fazendo alguma coisa errada e tivesse sido descoberta.
Como ela não falou, ou estava sem coragem para falar, ele se impediu de dar um suspiro cansado. Estendeu a mão e tocou-a no braço, sentindo a pele arrepiar-se ainda mais ao contato, deslizando os dedos ao longo do membro vagarosamente.
–Quer que eu comece a tocá-la, Rin?
Viu-a virar um pouco o rosto para o lado, como se pudesse enxergá-lo daquele ângulo.
–Está com medo de alguma coisa? – Sesshoumaru resolveu perguntar.
–Não... – a voz dela soou fraca nos ouvidos dele – Não estou.
A mão dele, do braço, avançou para a cintura dela, na qual encontrou uma fenda na roupa e alcançou a pele aquecida do ventre. Podia afirmar que, minutos antes, ela estava com frio, mas agora...
–Está esperando mesmo que eu comece, Rin?
Achou que ela tinha suspirado ou algo assim. Na verdade, tinha sido o movimento dela ao erguer-se para sentar-se no futon, que fez o colchão produzir aquele som próximo ao suspiro.
Sentou-se também e a ajudou a tirar a roupa por cima, admirando o modo como que ela ergueu os braços para fazê-lo.
Logo depois, aqueles braços que tanto gostava que ficassem em torno do pescoço dele, aquelas mãos de dedos trêmulos conseguiram desfazer o nó do roupão e Sesshoumaru deixou que o tecido deslizasse pelo corpo até cair no colo dele, as pernas já cruzadas e o olhar fixo em Rin, cujos lábios estavam levemente abertos e o rosto rosado.
Era assim que sempre acontecia. Quando ele estava sem roupa, ela ficava por um instante admirando o perfil dele, principalmente a tatuagem dele: um enorme cão demoníaco, com traços que iam desde o lado direito das costas e alcançavam o braço do mesmo lado. Aquilo era o símbolo da família Akai e todos os homens tinham o mesmo desenho no corpo em diferentes partes.
Lembrou-se quando ela demorou a entender que símbolo era... Teve até vergonha de perguntar o que era a inscrição em japonês antigo do período Muromachi.
–Eu nunca ia saber que isso é "youkai". – escutou-a comentar baixinho – Conhecendo melhor agora, não acho que você seja um.
–Não? – Sesshoumaru perguntou tranquilamente, puxando-a para perto de si, pressionando os seios dela contra o peito e fazendo-a sentar-se no colo dele. Como era tola de afirmar uma coisa dessas... Realmente não o conhecia bem.
Viu-a confirmar com a cabeça antes de fechar os olhos e gemer o nome dele ao pressionar um dos lados da face contra o ombro tatuado, os lábios femininos começando a explorar o pescoço, mordendo-o de leve, coisa que ele quase sempre fazia. As mordidas dele eram sempre mais fortes e deixara diversas vezes marcas na pele dela, fazendo-a gritar num protesto inútil. Rin já deveria ter o conhecimento de que certas reclamações sempre eram ignoradas por Sesshoumaru.
–Deuses...
–Vamos começar, Rin. – ele falou, começando a movê-la – Temos o resto da noite ainda.
Foi quando ela o parou.
Sesshoumaru olhou as mãos pressionadas no peito dele, afastando-o com a delicadeza típica de uma mulher. Ele ergueu uma sobrancelha, esperando a explicação.
–Eu sei o que está pensando... – ela começou – Você acha que eu não o conheço bem.
O chefe da família ficou calado. Ela entendeu aquilo como um sinal de que estava certa e de que deveria continuar.
–Eu quero entender mais sobre você... sobre sua família. – ela engoliu em seco e tentou controlar a voz, impedir que ela tremesse – Sobre sua... ex-mulher.
Sesshoumaru sabia que deveria sentir raiva, que deveria dizer não. Que não queria conversar, que queria relaxar e liberar a tensão que sentiu nas últimas semanas longe de casa.
Olhou de novo o rosto dela. Rin continuava corada, mas tinha um olhar decidido a não ouvir um não dele.
Suspirando pesado, sem qualquer constrangimento, ele deitou-se e olhou para o teto do quarto.
Depois de alguns segundos, olhou finalmente para ela e perguntou:
–Por onde quer que eu comece?
Rin deitou-se ao lado dele e uniu as mãos debaixo do rosto.
–Do começo.
Houve uma pausa prolongada por parte dele. Sesshoumaru tentou lembrar algumas partes, principalmente quando se conheceram.
–Ela era professora de uma escola infantil. Eu não lembro mais o que fui fazer no dia lá. O pai dela tinha problemas de saúde. Eu lembro que costumava ajuda-lo bastante, financeiramente falando.
Rin piscava suavemente. Estava atenta aos detalhes.
–Deve ter sido bem... intenso... o que vocês tiveram.– ela comentou com o devido cuidado na escolha das palavras, com receio de ser mal interpretada.
It started off so well
They said we made a perfect pair
I clothed myself
In your glory and you love
Sentado sobre os joelhos no futon, o qual ainda tinha o cheiro da ex-esposa, Sesshoumaru observava uma fotografia que tinha sido tirada alguns meses antes da morte dela. O quarto estava um pouco escuro, mas ainda era possível ver.
Havia voltado naquela tarde de Saitama, dia que fizera bastante calor na capital japonesa. Recebera naquela manhã a notícia da morte da mulher, um assassinato cometido por causa de uma represália.
Atrás dele, um primo, também sentado sobre as pernas, tinha o rosto voltado para o chão e mantinha a pose de profunda reverência, mesmo que não tivesse mostrado ou tentasse ser superior ao líder em outras ocasiões.
–Hakudoushi. – Sesshoumaru o chamou.
Como o outro continuou em silêncio, o líder voltou a falar:
–Você não quer que eu pergunte como foi, certo? – a voz dele era calma, apesar da situação – Eu simplesmente não acredito nisso.
O médico, que tinha os mesmos vinte e um anos do primo, respirou fundo antes de começar. Melhor se preparar para o que viesse pela frente.
–Ela saiu... Para visitar aquelas freiras que cuidaram no pai dela... – a voz de Hakudoushi estava arrastada e calma, como se pensasse com cuidado em dobro na hora de pronunciar cada palavra e temendo pelo efeito das frases – Ela levou a segurança... Mas nós só... Só recebemos o telefonema depois... Ela nem chegou ao hospício.
Quem ficou calado depois foi Sesshoumaru, mas aquilo significava que o primo teria que continuar.
–Ela... Ela foi... Quer dizer... – era a primeira vez que Hakudoushi tinha dificuldades em falar algo, levando uma das mãos ao rosto para amparar o rosto e conter a irritação – Foi um fu... fuz...
– "Fuzilamento"? – Sesshoumaru completou.
Ao escutar a palavra, o outro estremeceu diante da frieza como fora dita.
–Foi rápido... Ela morreu na hora.
Ficaram num silêncio de cinco minutos, e Hakudoushi sabia que a conversa não tinha acabado.
–Você já descobriu quem fez isso?
–Miroku e Inuyasha trabalharam bastante durante a tarde... – o médico sentia a garganta seca e continuava arrastando a fala – A guarda dela foi comprada... Aquele garoto, o chefe dela, foi morto ontem... Parece que ele não quis nos trair e... – coçou o rosto e resolveu contar a outra parte, evitando falar a respeito da irmã do sujeito, que viera naquela manhã reclamar a morte do parente – Os traidores já foram localizados... Muitos fugiram para outros distritos, mas Miroku está organizando uma equipe para...
–Quem fez isso, Hakudoushi? – Sesshoumaru o interrompeu – Já descobriram quem fez isso, não?
O silêncio não foi proposital. Era simplesmente porque Hakudoushi não sabia se contava ou não.
–Já.
–Quem foi?
Hakudoushi ficou calado.
–O nome, meu primo. – apesar de parecer calmo, o líder intimamente estava longe de estar naquele estado, forçando um tom educado com o primo, que começava a se assustar – Eu quero o nome.
–Foi... Foi aquele homem... Com quem você cortou negócios.
Só aquela informação não ajudava. Sesshoumaru já havia cortado relações com tanta gente que nem conta mais havia. Entretanto, tinha uma pequenina ideia de quem tinha sido...
–Mouryoumaru? – ele arriscou.
Escutando o nome, Hakudoushi levantou o rosto. De costas, o líder não viu os enormes olhos lilases arregalados.
–Como vocês descobriram?
O primo engoliu em seco antes de dar a resposta:
–Foi ele quem ligou avisando... E... – respirou pesadamente. Aquela era a parte mais difícil – E mandou um... Rec.. Rec...
– "Recado", Hakudoushi. Ele mandou um recado, não é?
Hakudoushi não respondeu, mas Sesshoumaru entendeu como um "sim".
–Qual foi?
O médico esfregava a palma com força na própria testa, tentando acalmar um tremor que começava a dominá-lo.
– "Isso é o que acontece a quem não aceita minhas propostas." – finalmente falou, tirando a mão do rosto para começar a apertar os joelhos com as duas.
How I loved you
How I cried
Mais um silêncio, agora de dois minutos.
–Hakudoushi?
–O quê?
–Eu posso ficar sozinho agora?
O primo levantou-se e caminhou cansado até a porta, parecendo até que fez um exercício bastante puxado.
Ao chegar perto da porta, parou e olhou o líder da família, que ainda estava de costas para observar a foto da esposa.
–Ela estava grávida, Sesshoumaru... Ia contar quando você voltasse.
Outro silêncio.
–Este Sesshoumaru gostaria de ficar sozinho agora, Hakudoushi, por favor.
Segundos depois, a porta do quarto se fechou e Sesshoumaru pegou o retrato do chão para admirar a imagem sob a pouca luz que tinha no quarto, que era iluminado basicamente por um abajur.
The years of care and loyalty
Were nothing but a shame
It seems the years belie
We lived a lie
I love you till I die
Ainda segurando o retrato dela, Sesshoumaru, sentado no futon do quarto para meditar melhor, conseguiu se decidir.
Rin deixou escapar um gemido de dor. Foi quando Sesshoumaru percebeu que ela estava jogando o peso do corpo em cima do braço machucado, devidamente enfaixado e cuidado horas antes pelo primo.
–Venha aqui... – ele murmurou, puxando-a para si. Colocou-a em cima do corpo, deixando que ela apoiasse o rosto contra o peito dele. Senti-a tão leve que parecia que ela não pesava nada.
O cheiro dela estava tão forte... e ela não usava perfume algum.
–Você está mesmo muito magra. – ele comentou de repente. Ela ergueu o rosto e olhou para ele. As faces estavam afastadas apenas por centímetros.
–Hakudoushi-sama está cuidando de mim. – ela discretamente umedeceu os lábios antes de continuar – Eu prometi doar uma parte do dinheiro pro hospital que ele administra.
–Eu também posso cuidar de você. – ele enfatizou até demais no pronome. Ela mordeu o lábio, impedindo-se se falar alguma coisa.
Claro que ele imaginava qual seria a resposta, e ela estava relacionada a estar longe nas últimas semanas e ocupado o dia inteiro depois do ataque à mansão na noite anterior.
–Posso cuidar de você agora. – ele falou extremamente sério.
Rin resolveu provocá-lo.
–Vai também fazer massagens nos meus pés e trazer café na nossa cama?
Tão logo a palavra saiu dos lábios, ela os cobriu com a mão, horrorizada com o que ela mesma havia dito.
–Desculpa... – ela começou, sentindo o rosto queimar de vergonha e pavor. O que ele ia pensar dela? – Eu não quis...
Sesshoumaru observou-a com cuidado. Ela ainda parecia em choque e ele tratou de acalmá-la.
–Mas é nossa mesmo, Rin. – ele tocou o rosto dela – Você parece de novo aquela garota tímida e submissa que conheci logo que chegamos a Osaka. É irritante.
–Oh... – ela murmurou, desviando o olhar do dele.
–Eu achei que já tínhamos passado disso. – ele soou um pouco frustrado – Eu não gosto de ter que mandarvocê fazer coisas. No começo eu até entendia, mas depois de todo esse tempo que passamos juntos em Osaka, achei que não precisasse mais falar algumas coisas. Eu não queria que você ficasse assim.
Rin continuava com o olhar distante.
–E-Eu não sei o que você espera de mim... – a voz dela tinha um estranho tremor que propagava para outras partes do corpo – Nós estamos juntos mesmo? O que eu sou... pra você?
–Como assim, o que você é? – ele franziu o cenho. Sentiu o tremor ficar mais forte no corpo dela, mas ele não sabia se era frio ou de medo com o que ela ia falar.
–Você não deu notícias durante dias. – ela falou num fio de voz – Chegou aqui e não falou comigo. Eu não sabia se estava com raiva por eu ter trazido perigo pra sua família. Eu sou afinal...? Sua namorada?Amante?
Novamente, o silêncio predominou o local. Rin queria perguntar mais coisas, mas os lábios se pressionaram. Não sabia mais se deveria continuar.
–Desculpe, eu não sei como agir. – ela torcia as mãos com cuidado, como se não quisesse mexer muito o braço machucado – Nunca tive um namorado antes. Eu nunca tive muito convívio com outras pessoas. Eu só aprendi a seguir ordens em casa, por isso sou desse jeito.
Sesshoumaru sentou-se, sentou-a perto dele, tocou o rosto dela.
Beijou-a, beijaram-se, abraçaram-se, deitaram-se de novo.
As coisas começaram a esquentar de verdade entre os dois, pois que era inverno e eles ficaram duas semanas sem notícias e sem se verem.
Um grito de Rin fez com que Sesshoumaru abrisse os olhos, mas não deixasse de mordê-la no ombro.
–Doeu... – escutou-a murmurar, parando qualquer movimento para ver o que havia acontecido com o ombro. Ele também observou. A pele delicada tinha as marcas dos dentes dele.
Algum dia, ela teria o nome dele marcado ali. Pelo menos uma marca, um símbolo da família tatuado no ombro.
Isto é, se ela concordasse.
–Quer que eu pare?– ele perguntou no ouvido dela, sugando o lóbulo dali e obtendo uma resposta positiva quando começou a movê-la mais rápido naquela posição: ela no colo dele e Sesshoumaru segurando-a pela cintura, sentindo as unhas dela tentarem arranhá-lo nos ombros como represália, resultado de como Rin aprendia as coisas depressa.
Tinha ele o completo controle do momento, perguntando-se se por acaso ela já tinha percebido que não o conhecia direito. Ela precisava entender isso logo.
Save me, save me, save me
I can't face this life alone
Save me, save me, save me
I'm naked and I'm far from home
Mudando de posição, ele a deitou no futon e ordenou que Rin prendesse as pernas no quadril dele, o que ela fez com prazer.
–Sess...Mais rápido...! – escutou-a gemer tão ansiosa quanto ele.
Apressando cada movimento, ele a beijou no pescoço, na orelha, na testa, nas maças vermelhas e nos lábios, demorando mais tempo ali para brigar com a língua dela.
Ele tentou lembrar onde havia parado na história. Ela talvez nem quisesse mais ouvir. Estava deitada de lado, protegendo devidamente o braço machucado. Ele queria poder abraçá-la em outras posições, mas ela reclamou que o membro incomodava e que sentia dor.
Depois de tomar uma medicação que Hakudoushi prescrevera, eles se acomodaram para que ela voltasse a ouvir a história. Ele não queria que o sexo fosse uma desculpa para não ouvirem o resto. Muito provavelmente ela não.
–Por que me mordeu? – infelizmente, Rin fez com que ele se esquecesse novamente do ponto onde parou. Ele também queria saber exatamente onde havia errado, do princípio ao fim. Descobrindo o motivo, seria fácil evitar outro erro. Não ligou, no entanto, para a pausa que fizeram.
Mudando novamente de posição, deitou-a por cima e forçou a cabeça dela a ficar encostada no ombro dele, sentindo os dedos graciosos e femininos fazendo contornos pelo peito.
–Pareceu que estava gostando. Não fez objeções. – Sesshoumaru a viu sorrir ao ouvir a resposta.
–É que parece... Bem... Você me pareceu bem agressivo agora... – notou que ela estava corada ao completar – Mas não quer dizer que eu não tenha gostado... Er...
Em silêncio, ele apenas a escutava suspirar e deixar a mão andar pelo corpo dele como se fosse um boneco, fazendo uma dança infantil e inocente pelo tórax.
The slate will soon be clean
I'll erase the memories
To start again with somebody new
–Tenho certeza de que não me sentiria segura com mais ninguém além de você.
–É claro que está segura comigo. – até os ouvidos dele ouviram o convencimento por trás das palavras.
Silêncio se fez e ele sabia que deveria continuar. Quando começou a falar, ela parou de mover a mão.
Was it all wasted?
All that love?
Na casa de um antigo negociante, uma trilha de sangue levava quem chegasse ali ao quarto do dono, que no momento era espancado por tentar impedir o assassinato da própria esposa. Os filhos dele, um casal, apenas escutaram os gritos dentro do armário em que foram trancados por Hakudoushi.
O médico fechou os olhos ao escutar o grito que as crianças deram ao escutar a mãe gritar antes de morrer, desviando depois o olhar para o homem que causara tudo.
I hang my head and I advertise
A soul for sale or rent
Sesshoumaru caminhou até Mouryoumaru enquanto carregava a arma, já de cartucho vazio por ter gastado a munição matando os empregados e os antigos membros da guarda de Sara com a ajuda de Miroku, Inuyasha e outros homens de confiança, que estavam um pouco afastados e observavam de um canto a cena. O outro tinha visto a esposa morrer, mas nada se comparava ao ódio que sentiu ao ver o líder Akai dar um meio sorriso quando ela pediu para não matá-la. Proferiu alguma maldição e esqueceu-se completamente dela ao vê-lo parado em frente a ele, fazendo a mira na testa.
–Isso é o que acontece a quem não aceita minhas decisões. – Sesshoumaru falou friamente, apertando o gatilho.
Mais um grito infantil soou no local quando o tiro foi disparado, matando o sujeito. Sesshoumaru guardou a arma dentro do casaco e virando-se para Hakudoushi, fazendo um aceno com a cabeça.
Como o médico não entendeu, ou fingiu não entender, o líder estreitou o olhar.
–Abra essa maldita porta, Hakudoushi.
–Pra quê? – ele replicou, tocando na maçaneta como se não quisesse que mais ninguém abrisse o armário.
Tirou imediatamente a mão quando um tiro quebrou a fechadura, não conseguindo impedir que as crianças gritassem mais uma vez.
–Falei pra abrir a porta em japonês, Hakudoushi. Não finja que não entendeu.
–Melhor irmos, Sesshoumaru. – Miroku se manifestou – Não é bom a gente ficar aqui muito tempo, a polícia vai chegar logo.
Sesshoumaru o olhou pelo lado e ignorou-o.
–Abram essa porta. – Sesshoumaru ordenou a outros dois homens, que passaram por Hakudoushi, atônito, e abriram o armário, deixando sair o casal de lá, que quiseram correr para fora do quarto para poderem fugir.
Quando os viu, Sesshoumaru fez mira neles, mas Hakudoushi foi mais rápido e os desacordou com um golpe na nuca de cada um, deixando-os caídos no chão.
–Miroku já falou que teremos problemas se a polícia nos encontrar aqui. – o médico falou – Vamos embora.
–Mate esses dois antes, Miroku.
Desta vez, até Inuyasha não se conteve:
–Ei, Sesshoumaru, isso não é...!
–O que você disse? – Miroku estremeceu.
–Que Hakudoushi finja não entender o que eu digo até passa, mas você não tem esse direito. – o primo respondeu – Mandei matar essas crianças.
–Ah, não... – Miroku ergueu as mãos e balançou a cabeça para enfatizar a negação – Eu posso ser o maior filho da mãe do planeta, mas eu não mato crianças.
Um sujeito perto de Miroku foi morto e o sangue espirrou na roupa dele, o que o fez pensar, no choque, que também foi atingido.
–Sesshoumaru! – Hakudoushi gritou.
–Você ficou doido, foi? – Inuyasha não sabia o que fazer, principalmente ao ver o irmão matar mais um sujeito perto do primo, que ficou coberto de sangue.
–PORRA, SESSHOUMARU! – Miroku tirou a camisa só para se certificar de que não tinha sido atingido – PARA COM ISSO, PORRA!
Respirou aliviado ao perceber que não tinha ferimentos em local algum, mas a sensação só durou alguns segundos, pois logo se assustou ao ver o líder da família se aproximar.
Cara a cara, Miroku deixou escapar algum murmúrio e baixou o rosto, olhando os lados.
–Você não quer que eu faça isso, quer? – ele perguntou calmamente – Sei que faria bem menos do que eu nessa hora, Miroku.
–Você ficou doido... – o primo conseguiu murmurar – São só crian...
Parou de falar quando escutou a automática ser carregada, levantando o rosto e sentindo um frio na espinha quando se viu ameaçado pelo próprio primo.
Para sorte de Miroku, as sirenes das viaturas soaram mais fortes do lado de fora e Sesshoumaru baixou a mira, olhando para fora por uma janela. Três carros haviam chegado e um dos homens que estavam com eles entrou no ambiente.
–Senhor, a polícia chegou!
O líder Akai se dirigiu para fora do quarto, mas voltou depois para avisar:
–Quando eu voltar, quero ver os corpos.
E saiu, não percebendo a troca de olhares entre os irmãos e os primos.
Cumprindo a palavra, voltou minutos após resolver com alguns policiais, que tinham ligação com a máfia, a retirada da equipe daquela vizinhança. As pessoas da redondeza provavelmente estavam com medo do que acontecia, deduziu isso quando esteve no jardim e olhou as casas de um lado e de outro. As luzes estavam desligadas, mas os moradores deveriam saber o que estava acontecendo.
Quando entrou, subiu as escadas e viu Miroku carregando gasolina, sem a camisa que escondia a tatuagem do cão demoníaco que, diferente da dele, ficava apenas nas costas.
–Aonde vai, Miroku? – ele perguntou e viu a irritação do primo em querer fazer aquilo.
–Não disse que queria ver? – Miroku perguntou revoltado, voltando a andar até um quarto que não era o mesmo de antes. Lá encontrou mais alguns homens e Inuyasha, mas...
–Onde está Hakudoushi?
–Voltou pra casa. Não o viu sair? – Miroku respondeu num tom malcriado – Era pra ter ido com ele... Melhor que fazer esse serviço.
Havia uma cama ali, na qual Sesshoumaru pôde ver os lençóis cobrindo as crianças na cama. Miroku começou a jogar a gasolina por todo canto do quarto e em cima dos móveis.
–Satisfeito agora? – o primo perguntou a ele.
–Jogue em cima deles. – Sesshoumaru ordenou.
–Quê? – Miroku exclamou, arrependendo-se depois ao ver o líder pegar novamente a arma – Tá bom, tá bom! Já entendi!
–E você está bem, Inuyasha? – ele perguntou ao irmão, que estava trêmulo enquanto observava o modo como Miroku jogava o combustível em cima dos pequenos e do lençol – Parece um pouco assustado.
–É que... – ele passou a mão pelo cabelo – Eu também não queria me envolver nisso... Acho que vai pegar mal pra gente...
–E você se importa com o que os outros dizem? – o mais velho estreitou os olhos.
–Eu me importo com o que Kagome pode pensar de mim. – Inuyasha replicou com frieza.
–Terminei. – Miroku jogou longe os latões e saiu do local, seguido pelos outros. Parou à porta e tirou um isqueiro do bolso e um pedaço de pano, que queimou para produzir o fogo que jogou ali, fechando o quarto sob um olhar atento de Sesshoumaru.
I have no heart, I'm cold inside
I have no real intent
Ao terminar a narração, observou o rosto de Rin.
Não havia palavra alguma que descrevesse a expressão dela. Não era a mesma de quando ele falou sobre o que ele fez com o assassino da esposa dele, quando ainda mal se conheciam naquela sacada de hotel em Osaka.
Rin piscava lentamente, como se estivesse vendo um filme. Não havia choque, não havia revolta, não havia tristeza. Ela simplesmente parecia... normal. Era como se esperasse o rumo que tudo havia tomado.
Será que a história dela estava mais carregada de situações parecidas e agora ela simplesmente já não se chocava com nada?
–Eu estou com fome. – ela falou de repente, depois de alguns segundos de silêncio – Está muito tarde para comer alguma coisa?
Sesshoumaru piscou também, não deixando transparecer a surpresa pela mudança da conversa, e tirou o braço que tocava a cintura dela para erguê-lo e levá-lo até um dos lados do futon, pegando o relógio que fora jogado por lá.
–Não muito... O que quer? – perguntou depois de ver a hora.
–Qualquer coisa... – viu-a morder adoravelmente os lábios – Você me deixou com fome.
Com o comentário, manteve-se sério e ergueu uma sobrancelha.
–Lembro que Miroku escondeu de Shippou algum chocolate dentro daquele pote perto do laptop.
Deixou que a garota erguesse um pouco o rosto e olhasse um móvel próximo. Ele permanecia deitado de lado e segurando-a como podia, não permitindo que ela separasse totalmente o corpo.
–Será que eu posso...?
–Comer? – ele completou quando percebeu a hesitação.
–... Sim? – ela pediu em uma pergunta.
–Você acha que não?
–Bem... São de Miroku-sama.
–Eu posso dizer que foi Shippou quem comeu.
–Mesmo assim... – ela ficava ainda mais graciosa com aquela testa franzida de preocupação e o cabelo desalinhado, na opinião de Sesshoumaru – Não vai causar confusão entre você e o seu primo?
–Rin... – ele deu um suspiro cansado – Ninguém aqui em casa brigaria por causa de comida. Você pode comer todos esses chocolates que estão aí e o máximo que Miroku vai fazer é mandar comprar outra caixa. Ou apanhar de mim, se ele vier reclamar.
Reprimiu a vontade de sorrir ao ver Rin erguer a sobrancelha, imitando os maneirismos dele, e se levantar e pegar a camisa dele para vesti-la para não andar até o móvel sem roupa.
Viu-a parar um momento perto do laptop, sabendo o que ela estava vendo. Provavelmente era a fotografia que estava ali em uma moldura.
–Já pegou, Rin? – chamou e percebeu que ela ficara sem jeito.
Quando a garota voltou, sentou-se e a puxou para o colo, cheirando o pescoço dela.
–Não estava com fome? – ele perguntou no ouvido dela quando a viu largar o chocolate, alguns bombons embrulhados, no chão.
–Eu... – ela o olhou com surpresa, principalmente quando ele pressionou na mão dela um dos chocolates.
–Abra. – ordenou-lhe, sugando o lóbulo da orelha na qual falara.
Hesitando um pouco, ela abriu o pequeno embrulho e mordendo o doce, prendendo a respiração quando se surpreendeu ao, no momento em que mastigava, sentir os lábios chocados aos dele, uma língua tentando encontrar a outra. Depois, Sesshoumaru começou a lamber um dos dedos de Rin que ainda seguravam um pedaço do chocolate.
–O que v... O que você... quer... fazer? – ela tinha a respiração entrecortada.
Save me, save me, save me
I can't face this life alone
Save me, save me, save me
I'm naked and I'm far from home
–Não adivinha? – ele perguntou, deitando-a novamente e afastando as pernas dela.
-Hmm... – ela gemeu, mas voltou a tentar afastá-lo com as mãos no peito dele, como fizera no início da noite – Não tente me distrair. Você tem que continuar.
Parou quase imediatamente.
Ele não queria contar aquela parte.
Mas ele sabia que ela tinha que saber. Principalmente depois que ela conheceu a mãe dele.
Each night I cry
I still believe the lie
I love you till I die
Na casa da família Akai, embora fosse já tarde da noite, dormir era algo impossível por conta da discussão entre mãe e filho que ocorria em um dos quartos no último andar da casa. Era possível escutar tudo de outros andares: os outros membros da família e até os empregados empalideciam ao escutar Izayoi falando de uma maneira nunca ouvida antes.
Dentro do quarto, Sesshoumaru aguardava pacientemente a mãe acabar de berrar para então ir embora. Jamais justificaria a ela o ato que cometera, muito menos pediria desculpas. Tampouco se importava com o nervosismo dela, visível pelo modo como que as mãos tremiam ao segurar um copo com água e açúcar.
–Como? MAS COMO? – ela gritava, tremendo e derramando água no chão – Eram só crianças, seu ASSASSINO!
Ser chamado de "assassino" pela própria mãe foi algo que ele não esperava. De certa forma foi... deprimente.
–"Assassino"? – ele zombou – Você também não era uma?
–Como é? – ela se enfureceu – Por acaso eu te ensinei a matar crianças?
–Seria melhor que a senhora parasse de fazer drama e tentasse se acalmar. Está derramando água por todo canto.
Sesshoumaru calmamente se desviou ao ver o copo passar por ele e ficar estilhaçado na parede, atirado por Izayoi.
–SAIA DO MEU QUARTO, SAIA! SUMA DA MINHA FRENTE!
O líder deu as costas e abriu a porta, escutando somente o choro dela depois que a viu cair de joelhos no chão molhado.
Deu de cara com Hakudoushi, mais pálido que o normal, o cabelo molhado, a roupa trocada e visivelmente assustado. Percebeu que o primo havia sido o único a ter coragem de se aproximar da porta, porque os demais, Kagome, Miroku, Inuyasha e mesmo Jaken, estavam perto da escadaria.
Quando passou por Hakudoushi, escutou a mãe murmurar o nome do primo em tom de choro e a porta fechar depois que o médico entrou.
Ao vê-los, os empregados se dispersaram e desceram sem pronunciar uma única palavra. Kagome virou-se e desceu, seguida de Inuyasha e Miroku. Quando Sesshoumaru percebeu, já estava sozinho no silencioso corredor e nas escadas.
Chegou ao fim do corredor do terceiro andar e viu Inuyasha e Kagome conversando num canto e aproximou-se deles.
–Você já vai, Kagome? – Sesshoumaru perguntou, notando como o irmão olhava pasmo para a namorada.
–Já... – ela respondeu depois de um esforço, colocando as luvas de inverno apressadamente.
–Mas... – era Inuyasha falando – Mas por que agora?
–Eu... – Kagome respirou fundo e deu um sorriso para não mostrar o nervosismo – Eu vou ajudar na decoração do templo, Inuyasha. Minha mãe pediu.
–Não acha que é um pouco tarde para voltar, Higurashi? – Sesshoumaru perguntou – São quase três da manhã.
Alguns segundos depois, os dois encontraram olhares. O líder se surpreendeu ao perceber que ela não deixou de encará-lo, o que normalmente acontecia quando fazia o mesmo com outras pessoas.
–Obrigada por me informar a hora, Sesshoumaru. – ela tentou disfarçar a ironia usando um tom educado – Eu nem tinha percebido que era madrugada.
Não querendo arrumar confusão que resultaria numa briga com a irmã dela, Sesshoumaru resolveu ignorar o verdadeiro sentido daquele enunciado de Kagome.
–Posso te levar então? – Inuyasha passou a mão nos cabelos – É perigoso ir sozinha por aquelas escadas do templo e...
–Não precisa. – a garota o interrompeu – Kouga-kun vai me levar.
–Quem? – Inuyasha arregalou os olhos.
–Kouga vai me levar. – ela repetiu calmamente, terminando de ajeitar a luva na mão direita.
–Por que ele?
Kagome o encarou com um olhar desafiante e um sorriso nervoso, apertando o tecido entre os dedos, evitando piscar enquanto os segundos passavam até a pergunta:
–Vê algum problema nisso agora, Inuyasha?
–Kagome. – Kouga apareceu naquele andar acompanhado de Jaken e dos dois seguranças que sempre estavam com ele – Já está pronta?
–Já. Podemos ir? – ela perguntou desinteressada e afastou-se do namorado, passando por Kouga e os outros três, andando a passos firmes para sair da casa sem olhar para trás.
Como Kouga não chamou o irmão mais novo pelos apelidos que inventara, Sesshoumaru arqueou as sobrancelhas com surpresa ao ver Kouga se aproximar de Inuyasha.
–Acho que seria melhor... daqui a meia hora... – Kouga começou depois de pigarrear – Ligue daqui a uns quarenta minutos pra saber se ela chegou bem.
Inuyasha ainda tinha o olhar perdido pelo caminho que Kagome fizera ao descer as escadas para o outro andar e piscou ao escutar o pedido de Kouga.
–Tá... – conseguiu comentar quase num sussurro, vendo o visitante se retirar para ir atrás da garota depois de fazer uma breve reverência ao dono da casa, ao lado do irmão.
Sentindo uma certa... pena pelo irmão ter sido ignorado daquela forma pela namorada, Sesshoumaru resolveu falar:
–Não é melhor ir dormir, irmãozinho?
Inuyasha piscou assustado, como se tivesse percebido a presença do mais velho somente naquele momento.
–Hein? – perguntou sem entender – Falou alguma coisa?
Como o irmão era realmente um idiota. Tinha levado um fora da namorada e nem tinha percebido.
Nenhum dos dois sabia ao certo quanto tempo ficaram só abraçados, sem comentar nada, sem continuar a história. Sesshoumaru sentia que ela queria falar, mas decidiu não pressioná-la.
No entanto, chegou um momento que cansou:
–Você está pensativa de novo, Rin. – Sesshoumaru a assustou ao interromper os pensamentos dela de forma tão repentina – Em Osaka você costumava conversar comigo.
Rin mordeu os lábios e olhava nervosa uma parede, sentindo o abraço dele mais forte.
–Quer perguntar para mim alguma coisa? – ele sabia que era isso. Ela queria saber de algo e não sabia como perguntar.
–Queria saber... – ela começou devagar – Bem... Você... Você ficou o tempo todo com aquela mulher?
– "Mulher"? – ele arqueou a sobrancelha. Ela falava de Sara?
–A irmã de Kagome-sama... – ela falou num murmúrio um pouco tímido – Você ficou essas duas semanas ao lado dela?
Oh.
–Não gosta de Kikyo, Rin? – ele deslizou a mão pelo cabelo dela, sentindo algo estranho por conta da reação dela.
–Não gosto do jeito dela quando me olha... É uma moça muito estranha. – ela confessou.
–Kikyo é uma aliada,Rin. – ele falou calmamente – Mas gosta de uma provocação. Se ela vier atrás de você, pode me falar.
Sesshoumaru sentiu Rin se remexer inquieta nos braços.
–Ela fez alguma coisa?
Rin ergueu o rosto e passou a língua entre os lábios para umedecê-los antes de explicar:
–Ela estava perto do meu quarto... Quis saber por que eu não gostava dela.
O líder piscou com certa surpresa e precisou se sentar no futonpara ouvir a história. Rin acomodou-se em seizaantes de continuar:
–E-Eu falei pra Hakudoushi-sama hoje cedo que não gostei de ela estar com você por duas semanas... – ela ficou um pouco vermelha com a confissão, mesmo assim continuou – Mas estávamos no jardim, não tinha ninguém por perto além de você, Miroku-sama e aquele seu amigo. E hoje, antes do jantar, ela estava perto do meu quarto e quis saber o motivo de eu não gostar dela.
–Como ela sabia disso? – ele franziu o cenho – Ela não estava por perto naquela hora.
–Eu achei por um momento que tinha sido Hakudoushi-sama quem tinha contado, mas ela mesma falou que descobriu de outra forma...
–Se ela vier de novo incomodar você, pode me avisar. Ela pode ser bem desagradável às vezes.
–A-Acho que eu... Eu acho que consigo ignorá-la. Não quero arrumar brigas aqui, Sesshoumaru. – ela sorriu sem graça – Não precisa se preocupar.
Sesshoumaru a abraçou e a sentiu pressionar o rosto no peito dele, esfregando o nariz no local, enquanto explorava as costas dela com a ponta dos dedos.
–Quer dormir?
–Ainda estou com fome... Hakudoushi-sama passou alguns remédios que me deixam assim.
–Será que posso acabar com essa fome? – viu-a arregalar os olhos e não deu tempo para que ela protestasse ou falasse alguma coisa que pudesse impedi-lo de fazer o que planejava... Se é que ela queria pará-lo.
Sem qualquer aviso, deitou-a de bruços na cama, tomando extremo cuidado para o braço dela não machucar mais.
Tirando o cabelo da parte de trás, ele começou a beijá-la e acaricia-la nas costas, escutando-a murmurar alguma coisa com a voz trêmula e apaixonada.
As costas dela foram preenchidas de beijos e ele a virou novamente, desta vez começando pelo rosto com uma nova sessão. A testa, o nariz, os lábios, o queixo, o pescoço, os seios, o ventre, demorando-se um pouco ali para deixá-la na expectativa, até ficar com o rosto entre as pernas dela.
–Ah...! – ouviu um gemido dela e resolveu completar o que ela queria.
Yeah, save me, save me
Forever save me
Don't let me face my life alone
Save me, save me
I'm naked and I'm far from home
Alguns meses se passaram e agora Sesshoumaru, embora estivesse segurando um convite de casamento que foi entregue pelo irmão naquela manhã, estava com a cabeça em outra coisa. Um assunto delicado, relacionado à mãe, que havia voltado do hospital depois de uma semana de recuperação.
Izayoi foi parar no hospital depois de uma queda, ocorrida na escadaria que levava ao térreo. Sesshoumaru havia visto. Ela parecia bem, estava sorrindo ao outro filho, Inuyasha, que contaria a ela a respeito do casamento com Kagome. E então...
Tudo tinha sido tão rápido. Ela escorregou num dos degraus e chegou desacordada ao solo. Depois houve a correria para levá-la ao hospital... Não tinha sido a primeira vez, realmente. Ultimamente a mãe deixava cair coisas no chão por não conseguir segurá-las direito e aquela tinha sido a terceira queda dela em dois meses. A penúltima vez que foi por ocasião de um jantar com uma família amiga da deles, quando ela caiu após se levantar da cadeira.
Nesta última, porém, descobriram o motivo. Na verdade, ele escutou os boatos quando ainda estava no hospital, três dias antes. Ele não a visitara no quarto por causa dos problemas que tinha com ela, mas esteve o tempo todo nos corredores.
Engraçado saber disso agora... Lembrou-se de quando ele notou os tremores, quando disse que era apenas drama que ela fazia.
Colocou o convite dentro do envelope timbrado e olhou as letras do nome da família, acomodando as pernas sobre o futon no qual costumava meditar em algumas ocasiões.
Escutou a porta se abrir e fechar, sabendo que era Hakudoushi.
–Acabei de chegar... Disseram que você queria me ver.
De costas, o líder permaneceu calado e deixou que o médico continuasse.
–Agora nós conseguimos descobrir qual é a doença de tia Izayoi... Eu... Eu tinha uma leve sensação de que era relacionado ao cérebro... É algo tão complicado numa região que...
–O que minha mãe tem, Hakudoushi? – Sesshoumaru o cortou. Não tinha o mínimo interesse em escutar monólogos a respeito de doenças cerebrais. Sinceramente tinha coisas mais importantes para fazer.
–Tia Izayoi... – Hakudoushi respirou fundo – Está com Mal de Parkinson.
Sesshoumaru continuou em silêncio.
–Parkinson é uma doença que...
–Eu sei que doença é essa, Hakudoushi. – Sesshoumaru o interrompeu com certa impaciência – Quero saber se ela já sabe.
–Nós... – o médico limpou a garganta – Nós ficamos conversando sobre isso esta manhã... Eu confesso que não gostei de vê-la chorar... Eu devia ter suspeitado disso há algum tempo. Desde que comecei a estudar ela já apresentava alguns sintomas...
–Quando ela vai voltar? – ele interrompeu aquela verborreia médica.
–Ela disse que... Que não precisa mais que cuidem dela no hospital e já está bem. Quer voltar hoje. Miroku e eu vamos buscá-la às quatro. Ela quer mostrar que está bem, mesmo com a doença em estágio tão avançado.
Hakudoushi continuava falando e Sesshoumaru olhou sem querer o relógio.
–Vamos buscá-la, Hakudoushi. – disse ao levantar-se – Está quase na hora.
Claro que ele não quis comentar ainda sobre a doença da mãe para a garota. Chegaria um momento que teria que falar a respeito, mas ela parecia gostar tanto dos beijos, parecia estar gostando tanto do que estavam fazendo...
–Finalmente satisfeita? – Sesshoumaru perguntou e mordiscava o ombro, escutando-a rir. Ambos já estavam cansados e seria melhor que dormisse logo, pois teria uma reunião com certa pessoa muito cedo.
Os dedos dele tocavam a pele do braço, descendo sem intenção ao curativo que ela tinha no antebraço. Com isso, sentiu-a estremecer e contrair o membro.
–Desculpe. Eu havia me esquecido.
–Tudo bem, eu nem me lembro também às vezes. – tocou o peito dele e fez movimentos circulares na região.
–Nós já tivemos problemas por causa disso. – Sesshoumaru a virou e sentiu as costas dela pressionada no local que antes ela roçava com aquela pequena mão, encostando um lado do rosto no dela para poder falar melhor ao ouvido – O que aconteceu naquele restaurante não foi brincadeira.
–Mas não sabíamos o que estava acontecendo. – ela fitou uma parede fechou os olhos para aproveitar a deliciosa sensação de ter o lóbulo sugado pelos lábios dele – Nós sabemos agora que foi um engano.
–Eu não estava brincando com aquela arma. – o líder beijou o ombro dela – Não era como roleta-russa. Eu poderia ter realmente matado você.
Ao ouvi-lo pronunciar o nome daquela brincadeira mortal, Rin arregalou os olhos, sentiu o sangue gelar e afastou-se dele subitamente, o que o fez arquear as sobrancelhas.
–O que foi? – ele perguntou, sentando-se ao vê-la fazer o mesmo.
–Nada... – ela respirou fundo. Parecia que tentava se acalmar o nervosismo ao esfregar as mãos – Posso descer e pegar água? Estou com sede.
–Você quer sair do quarto por algum motivo especial? – ele perguntou calmamente – Ou isso ou não viu que há uma pequena geladeira ali.
Rin olhou o local indicado por ele e ficou sem jeito. Não havia motivos para sair do quarto se havia água ali, mas também não tinha culpa por não ver o eletrodoméstico num canto.
–Vá lá beber água. – ele falou, olhando depois a cama de casal – E depois vamos para nossa cama.
Rin sentiu o rosto quente e não conseguiu pensar em nada para falar, e Sesshoumaru a viu levantar-se, pegar novamente a camisa dele e vesti-la para ir se servir. Ficou pensativo e colocou um braço embaixo da nuca, olhando o teto, curioso sobre algumas coisas a respeito dela.
Próximo capítulo:
"–Quer conversar sobre alguma coisa?"
"–E por que achou que eu pensaria coisas erradas sobre você?
"–Vou conversar com Sesshoumaru depois que isso acabar. Mas vamos esperar mais um pouco... Só até tudo isso acabar. Eu prometo."
Capítulo 12: Na mente de uma criança.
