Nota da Autora: Ah... como vocês me deixam feliz com os comentários... :-) Tá vendo só o que acontece quando vocês também são bonzinhos comigo?

Alguns já notaram a mudança na marca do sapato da Kikyo... hehehe... achei que não lembravam disso. Eu explico: O Mule Dior era um sapato lindíssimo da marca, mas que infelizmente saiu de linha. Adorava aquele calçado. Hoje só tem fotos dele. Como o Louboutin é uma marca que não sai nunca de linha, resolvi mudar um pouco e atualizar os preços :-)

Próximo capítulo só sai no próximo fim de semana. Vou viajar, pensar um pouco na vida e fazer novos planos pra diminuir a saudade.


Disclaimer: "Inuyasha" é propriedade de Takahashi Rumiko.

A cor do dinheiro

Capítulo 14: Conselho de criminosos

Para Lan Ayath

O líder do Conselho da Yakuza arrumou a gola da camisa.

As histórias a respeito do líder de toda a máfia japonesa eram inúmeras, quase todas não comprovadas. Diziam que aquele homem da província de Chiba não era o preferido na família para a sucessão de líder. O cargo passou a ser dele apenas depois que misteriosamente os outros concorrentes morreram.

Bokuseno ajeitou a gravata e abotoou os punhos da camisa social.

Para chegar ao posto mais alto, chefe de toda uma organização criminosa, ele precisou fazer muitos, muitos negócios e matar muita, muita gente. E não tinha remorso de nada.

Estalou as juntas dos dedos e pegou um cigarro.

Já falei que fumar faz mal para você. – um jovem falou ao lado dele.

E eu me pergunto se por acaso é alguma coisa pra mim pra me aconselhar isso. – foi a resposta sarcástica de Bokuseno.

O jovem, médico e membro de uma importante família, o aguardava pacientemente para irem juntos à reunião. Ele estreitou os olhos lilases ao ouvir o comentário e virou o rosto para o lado.

Ah, Bokuseno-sama. Bom dia! – disse Rin na primeira vez que a encontrou algumas semanas após a morte do pai, o líder da família Shiroi.

A garota estava muito diferente da vez que se viram no casamento realizado no Templo Higurashi. Parecia mais cheia de energia, rosto mais corado, sorriso no rosto, uma fita colorida amarrando uma mecha do cabelo negro na lateral do rosto. Estava trabalhando no jardim quase sem vida e sem uso da mansão Shiroi enquanto cantarolava uma canção qualquer.

Da última vez, ela tinha o aspecto tão doente que nem parecia ter quase vinte anos: estava extremamente magra, com cabelo maltratado, olheiras profundas, pele sem vida.

Não passou despercebido a Bokuseno que Rin plantava cravos rosas e vermelhos.

Cravo. A flor que representava a saudade.

O líder perguntou-se por quanto tempo ela ficaria com aquele sorriso, tão parecido com o da mãe biológica, depois que soubesse o motivo da visita dele.

Então... Ela não quis vir...? – Bokuseno perguntou repentinamente – Disse o motivo?

Ela ainda estava dormindo e meu primo não quis acordá-la. – Hakudoushi mentiu.

Os dois ficaram em silêncio. O médico aguentava com muita coragem ficar ao lado do fumante.

Estão todos aí?

Por que não pergunta a um empregado? – o rapaz estreitou ainda mais os olhos.

Antes de Bokuseno falar, a porta da sala abriu e um segurança apareceu, fazendo uma reverência:

Todos já chegaram, senhor. A senhorita Sakasagami Yura-sama informou que não poderá participar e não mandou representante.

Azar o dela. E que procure se informar do que aconteceu pelos outros. Se ela ligar e perguntar o que aconteceu, digam que não tenho tempo de passar relatórios pra ela.

Sim, senhor. – o rapaz se curvou.

Arrume mais uma cadeira para o Gaijin. – Bokuseno apontou com o polegar o médico ao lado, que fechou os olhos com irritação – Junto aos Akai.

Quando o segurança se retirou, Hakudoushi aproveitou para falar:

Eu não gosto quando os outros me chamam assim.

Bokuseno arqueou as sobrancelhas.

Oh?

Hakudoushi deu um suspiro e virou-se:

Vou esperar junto aos outros. Quanto à Rin, era a única coisa que eu tinha que informar.

Muito obrigado, menino Akai.

O médico balançou a cabeça. Se não era por aquele apelido odioso, era sempre chamado de "menino". Pelo menos soava melhor que aquele ridículo "Hashi" que Miroku inventou, Hakudoushi pensou ao sair da sala.

E, dez minutos depois, a reunião começou.

Numa posição de privilégio, na ponta da mesa, estava Hatsutomi Bokuseno. De um lado estavam Higurashi Kikyo, Akai Sesshoumaru, acompanhado de Miroku, Inuyasha e Hakudoushi; Naraku Onigumo e Nobunaga Amari. Do outro, Ookami Kouga, Hime Abi, Kuranosuke Takeda, Aoki Kosetsu, Rasetsu Kansuke e Shiroi Bankotsu.

Acho que da última vez que nos encontramos foi para tratar da escolha da nova líder de uma das famílias. – Bokuseno começou, dando uma volta completa na cadeira giratória.

Ninguém à mesa falou. Quase todos estavam presentes nesse dia e com o silêncio queriam dizer que aquela informação desnecessária, pois não estavam esquecidos.

A reunião de hoje foi proposta por Akai Sesshoumaru. E a principal pauta envolve essa mesma líder que anunciei na última reunião.

E onde ela está? – Hime Abi perguntou.

Pergunte a Bankotsu, Abi. – Bokuseno avisou.

"Bankotsu"? – ela perguntou com surpresa, virando o rosto para o lado do rapaz – Filho de Sankotsu, não? Você a está representando?

Na verdade, eu sou o novo líder. – o rapaz respondeu educadamente e com um sorriso gentil.

Oh? – a mulher arqueou as bem definidas sobrancelhas – Ela não aceitou o posto?

Aceitou. – Bankotsu respondeu – Mas eu quis o cargo e a tirei do posto.

Era impressionante como algumas pessoas não tinham um pingo de medo na hora de contar a verdade, Bokuseno sorria consigo mesmo.

Alguém pode, por favor, me explicar o que está acontecendo? – Abi voltou a falar, balançando a cabeça e sorrindo irônica, meio sem jeito – Não estou entendendo. O que tem uma coisa a ver com a outra?

Já que vocêgostade falar, Bankotsu... – Bokuseno começou – Faça o favor de explicar a todos o que aconteceu.

Bankotsu tomou fôlego e começou, sorrindo animado:

Minha meia-irmãzinha, a pequena e indefesa Rin, foi escolhida pelo nosso grande - usou a palavra com ironia – líder, Bokuseno-sama, para ser a chefe da nossa família. Só que eu achei que era um cargo pesado demais pra ela, daí eu resolvi tomá-lo. Simples, não?

Silêncio à mesa. Alguns se remexeram desconfortáveis. Era óbvio que entendiam que aquilo havia acontecido sem autorização do líder Bokuseno.

E por acaso... – Naraku começou a falar com uma frieza educada – Essa garota quer o cargo de volta?

Não. – Sesshoumaru se fez presente, o que fez todos os outros olharem para ele.

E o motivo desta reunião, afinal, é...? – Takeda perguntou.

A garota foi tirada do posto sem um aviso ou votação no Conselho. – Bokuseno falou com certa preguiça. Era detestável ter que explicar algumas coisas em reuniões. Essa era, talvez, a parte mais chata do cargo de presidente – Mesmo que ela não quisesse, nós tínhamos que ser avisados.

E essa garota? – Abi anotava tudo numa agenda para ajudá-la a organizar os pensamentos – A... "Rin"... Não quis vir?

Hakudoushi remexeu-se, aproximando-se da mesa. Aquilo significava que queria falar, o que foi notado por Bokuseno, que permitiu que ele falasse:

Shiroi Rin está sob meus cuidados, recuperando-se de uma anemia que beirava a uma S.F.C. – Hakudoushi manteve-se tão sério quanto Sesshoumaru.

"S.F.C."? – Abi ficou curiosa, também anotando a sigla na agenda.

"Síndrome de Fadiga Crônica". – Hakudoushi "traduziu" – A anemia é só um estágio inicial, que ficou mais grave depois que ela foi atacada na noite que a tiraram do cargo.

Estou vendo que tem gente voltando à yakuza. – Kansuke falou com sarcasmo – Estava com saudades nossa?

Hakudoushi estreitou os olhos numa ameaça e o outro homem virou a cabeça para os companheiros ao lado dele para continuar:

Eu sempre desconfiei que esses estrangeiros nunca têm coragem suficiente para serem membros do grupo. Primeiro deixam a guarda que lideram, depois viram médicos no nosso Japão e dão a desculpa de que são...

O discurso dele foi interrompido por um objeto cortante que passou raspando pela garganta dele, cortou a gola da camisa e bateu numa parede, fazendo um ruído de objeto metálico caindo no chão. Abi estava ao lado dele e arregalou os olhos, assustada, quase caindo da cadeira.

Quando quiser falar mal de mim, pelo menos tenha a coragem de olhar na minha cara. – Hakudoushi falou em tom de ameaça – Se quero ou não estar aqui, isso é um problema que diz respeito exclusivamente ao líder da minha família, já que sou o único aqui que não tem razões para estar na reunião.

Os outros presentes ficaram calados ante a seriedade das palavras do médico.

E ele não é estrangeiro, Kanzuke. – Bokuseno quebrou o momento sério – Ele é japonês. Né... Hashi?

O olhar de Hakudoushi ficou tão sério e mortal que, se tivesse o poder, poderia matar quem ele quisesse àquela mesa. Trocou um olhar irritado com Bokuseno, que retribuiu calmamente com um sorriso divertido. Miroku, ao lado do primo, coçava o ouvido com o dedo mindinho e virou o rosto, nervoso, para o outro lado.

Será que o problema envolve só as mulheres no nosso grupo? – Kotatsu resolveu falar – É impressionante como isso acontece demais. E tudo por causa do posto de líder.

À mesa, Kikyo e Abi olhavam curiosamente o homem. Bokuseno mordeu o lábio inferior, divertindo-se. Algumas pessoas realmente não tinham apego à vida.

Um empregado entrou na sala discretamente – quase ninguém realmente notou a presença dele, já que a atenção agora era entre as duas únicas mulheres do Conselho e um velho conservador dos costumes japoneses. Para ele, mulheres eram aquelas que ainda deveriam andar atrás dos homens em toda e qualquer situação e nunca participar de negócios.

O jovem funcionário serviu uma porção de pudim numa tigela a Bokuseno, recebendo um agradecimento, depois retirou-se tão silencioso quanto entrou. Enquanto Kotatsu falava mais, Bokuseno se servia como se nada estivesse acontecendo.

Acho desnecessário marcar reuniões para resolver questões relacionadas a pessoas que não deveriam estar aqui. Se continuarmos nesse ritmo, daqui a pouco vamos discutir se vou passar o cargo à minha filha de onze anos.

Mas você não vai? – Bokuseno fingiu uma surpresa fingida para irritá-lo.

Ninguém, além dos membros da família Akai, notou Kikyo estreitar os olhos.

Nunca. Nem com quinze anos, uma criança como ela teria maturidade suficiente para assumir um posto de um homem honrado. Problemas como esses só estão acontecendo por conta da presença de...

Você está insinuando que eu sou imatura? – Kikyo perguntou com o sangue frio.

Oh... Por que pensa nisso, senhorita "já-fui-líder-aos-quinze-anos" Higurashi?

O homem recebeu como resposta um movimento brusco de Kikyo, que pôs o pé na beirada da mesa e empurrou-a com força para prendê-lo contra a parede. Do lado dele, as pessoas se levantaram depressa ou se desviaram, inclusive uma pálida Abi, resgatada por um cavalheiro Takeda. A sala então ficou dividida entre um Kotatsu preso contra uma parede por uma mesa de um lado e os demais membros da yakuza do outro. Bokuseno segurava e olhava confuso a colher porque o pudim caiu no chão todo aquele teatro.

Repita o que falou se for corajoso. – ela ordenou.

Hã? – ele ainda estava perdido.

Num movimento extremamente rápido, Kikyo tinha a automática em mãos e pulou em cima da mesa, colocando a arma na boca de Kotatsu antes que ele pudesse gritar. Foi um movimento que assustou inclusive Inuyasha e Miroku, ambos se escondendo atrás de um indiferente Hakudoushi.

Inuyasha, segure Kikyo. – Sesshoumaru era tão inexpressivo quanto o primo.

–Eeeeeu? – o irmão ficou extremamente assustado.

Miroku, segure Kikyo. – o líder Akai ordenou.

Tá doido, é? Ela já tentou me matar fazendo a mesma coisa. – Miroku estremeceu com a lembrança nada agradável – 'Cê não sabe como é porque não 'tava lá na hora.

Sesshoumaru viu, de soslaio, Bokuseno olhar atônito para a sobremesa caída no chão, como se aquilo fosse mais importante do que o que acontecia naquele momento.

Eu sabia que não teria coragem suficiente para me falar. – Kikyo sorria sarcasticamente. Estavam com os rostos quase se tocando. – Eu tinha mesmo que lembrar que os homens com medo dos próprios filhos delinquentes não têm força alguma ao falar.

Ele nem pode responder porque tá com esse negócio na boca. – Miroku murmurou meio que para defender o outro.

Kikyo virou o rosto para trás e Miroku, tenso, novamente se escondeu atrás do jovem médico.

Hakudoushi tentou trocar um olhar com Sesshoumaru, mas este tinha os olhos fixos em Bokuseno. Aparentemente, o líder maior ali não tinha a mínima intenção de parar a briga, acostumado a ver cenas como aquela.

Rápida, Kikyo escutou um "hmmff!" do homem, tirou a arma e chutou a cabeça dele para o lado, que bateu na mesa e a deslocou mais para o lado.

Da próxima vez... – ela o pegou pelos cabelos e puxou-os.

Kikyo...

... que ousar falar assim de...

Kikyo?

... mim ou qualquer outra mulher, eu vou...

KIKYO!

Foi só então que ela percebeu que Bokuseno a chamava. Olhou-o com a sobrancelha erguida, desafiando-o.

Você está sujando minha mesa. – ele falou calmamente, as sobrancelhas também erguidas.

Hã?

Um momento de silêncio se fez, e o líder, não mais de tanto bom humor, falou com certa arrogância:

Tire seu sapatinho Christian Louboutin de 800 dólares de cima da minha mesa de carvalho AGORA, antes que eu mande você limpá-la com a manga da sua blusa Dolce & Gabbana.

Olhares se cruzaram num desafio. Por um milésimo de segundo, Kikyo sentiu-se insegura e achou melhor descer da mesa para o próprio bem. Primeiramente, largou a cabeça do homem com tal violência que precisou tirar alguns cabelos dele que prenderam entre os dedos dela. Recuperou a compostura, ajeitou os longos cabelos negros e a caríssima blusa, e caminhou – em cima da mesa – até chegar à ponta e descer com elegância.

E não parecia envergonhada da cena que fizera.

Será que depois de todo esse teatro, poderíamos realmente começar? – Bokuseno não disfarçava a irritação na voz. A mesa foi colocada na posição de antes por dois empregados e os participantes do outro lado voltaram às cadeiras, ainda temerosos. Será que aconteceria mais alguma coisa?

Eu ainda quero saber o motivo desta reunião... – Takeda cantarolou, apertando a região entre os olhos como se estivesse com dor de cabeça.

Paciência, Takeda. – Bokuseno avisou.

Ela foi atacada numa noite. – a palavra foi tomada por Sesshoumaru, a boca escondida atrás das mãos entrecruzadas, os olhos fixos em Bankotsu – O cargo foi tirado dela nesse dia e ela passou mal nos outros. Ficou sem dinheiro, sem casa, sem apoio num plano que nosso Conselho não sabia.

E agora você quer que ela fique com o cargo? – o meio-irmão de Rin perguntou.

Já disse que não. O que me interessa no momento é outra coisa. – Sesshoumaru estreitou ainda mais os olhos.

O quê? – Bankotsu usou o mesmo tom frio e sério do outro rapaz.

Eu quero... – Sesshoumaru descruzou as mãos e endireitou-se na cadeira - Tudo.

"Tudo"? – Bankotsu repetiu curiosamente.

Eu quero tudo que você tem. – o outro começou a esclarecer – Se teve coragem de arrancar da sua meia-irmã tudo que tinha, vou devolver a ela. Vou tirar até o último centavo do seu bolso e acabar com a sua família.

Silêncio à mesa. Bankotsu tinha os lábios ligeiramente abertos, as sobrancelhas levemente arqueadas, o olhar estranhamente surpreso.

Isso tudo... Ela... Rin pediu pra fazer isso? – o irmão dela estava admirado demais.

Na verdade, ela não tem a mínima noção disso. – Sesshoumaru permitiu que um daqueles pequenos sorrisos, que ocorrem só quando ele está muito confiante, aparecesse nos lábios dele – O problema começou quando vocês quebraram a união entre as famílias. E nós, os Akai, tratamos dessa forma quem faz isso, para que nenhuma outra família faça o mesmo. Isso é... tradição.

Ora, ora... – Kouga sorriu com satisfação. Tinha gostado daquilo.

E quando você pretende fazer isso? – Bankotsu mudou para uma posição mais confortável na cadeira.

Em um mês. – Sesshoumaru respondeu tranquilamente – Meu pai dava esse prazo para que o infeliz realizasse todos os desejos dele antes de morrer. E não adiantava fugir, porque sempre conseguíamos encontrá-lo em qualquer buraco.

Dê-nos dois meses. – Bankotsu falou confiante – Será o tempo necessário para nós acertarmos as contas com vocês. Ou por acaso acha que não temos direito?

Hã? – Miroku e Inuyasha falaram ao mesmo tempo. Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha e Hakudoushi ficou curioso.

Vocês terão o um mês de vocês e nós teremos o nosso um mês. – o rapaz começou a explicar – Por acaso esqueceu que você quase matou minha irmãzinha naquele estacionamento?

Os olhos de Sesshoumaru se estreitaram. Bokuseno fixou os dele no jovem líder, o que foi notado apenas por Hakudoushi.

O médico inclinou-se para falar ao ouvido do primo, ainda impassível enquanto o escutava com atenção.

Muito bem. – Sesshoumaru pronunciou-se depois que Hakudoushi se afastou – Você terá também esse seu um mês. Será o tempo necessário para treinarem se quiserem nos enfrentar... ou realizarem seus últimos desejos.

Esse aviso é só pra mim ou vale pros meus filhos também? – Bankotsu perguntou.

Um silêncio mortal se fez à mesa. Todos queriam escutar a resposta de Sesshoumaru, mas este tinha os olhos fixos em quem agora era inimigo dele.

Inuyasha discretamente procurou pela automática escondida, o que foi notado por Miroku, que o olhou com receio até que o primo explicasse:

Se xingarem a mãe, vai ter guerra aqui. – Inuyasha sussurrou.

A surpresa foi maior quando o líder Akai simplesmente deu um sorriso que chegava a ser irônico, zombeteiro e maligno ao mesmo tempo.

Não se preocupe. – falou por fim – Existirá alguém para cuidar deles.

Bokuseno aproveitou os segundos de silêncio para comentar:

Mas você não tem filhos, Bankotsu.

Como posso ter certeza? – Bankotsu virou a cadeira para o lado e ficou quase de frente para o líder do conselho – Há tanta gente nesse mundo... Meus filhos podem até estar com outra família, sob outro nome, recebendo uma boa educação até que o pai de criação delas morra e eu apareça para colocá-las como líder de alguma família.

É... – o líder falou num sussurro zombeteiro – Isso pode acontecer também.

Assim como pode acontecer de nunca ajudá-los nos momentos mais difíceis. – Bankotsu falou com certo ressentimento, encarando-o com mais intensidade.

Eu acho que a senhora não deve se preocupar... – o outro, um homem de cabelos claros e ondulados, deu a opinião – Afinal, foi só um despreparo do seu primeiro filho que o levou à morte.

O copo tremeu na mão de Bokuseno.

Kagewaki! – ele o repreendeu e os dois se encararam. Um estava tenso, o outro mantinha-se calmo.

Só Etsuko não estava nem uma coisa nem outra.

Mas meu filho não era da yakuza... – ela falou inocentemente, piscando ao olhar Bokuseno, que em muitos anos não parecia tão seguro de si.

Depois que Etsuko descobriu o que havia acontecido com o filho e saiu às pressas levando Rin, os dois homens ficaram sozinhos. O homem chamado Kagewaki riu.

Ah... Desculpe... – ele passou a mão nos cabelos e continuou rindo – Ela não sabia?

No outro instante, Bokuseno estava diante dele, os olhos estreitados numa ameaça:

Se acontecer alguma coisa com a menina... Sabe o que farei com você?

Oh... – o outro arqueou uma sobrancelha em desafio – O quê?

O copo com bebida foi estendido para que ele o pegasse.

Se não for atrás delas e impedir que alguma coisa aconteça, em uma hora você vai descobrir. E vai se arrepender de abrir sua boca quando não deve.

Kagewaki estreitou os olhos e olhou o copo, mas não o aceitou. Levantou-se e não deu as costas ao dono da casa, passando altivo pela porta e atravessando o corredor, que estava cheio de seguranças.

Vamos a algum lugar, senhor? – um dos subordinados perguntou.

Casa da família Shiroi... agora. – o chefe falou.

Não deveríamos avisar ao senhor Akai sobre...?

Vamos agora. – o chefe parou e virou-se, movendo a boca para gritar ao rapaz, mas fechando-a ao ver Bokuseno parado no final do corredor, bebendo tranquilamente.

Não se esqueça... – Bokuseno apontou o copo para ele – Que eu estou de olho em você.

Kagewaki zombou e deu as costas, erguendo uma mão para acenar para quem estava atrás de si.

–Você ficou sabendo de alguma fofoca entre as famílias, é isso? – Bokuseno falou com certa impaciência diante das insinuações – Não tá falando do Nobunaga, né? Todo mundo sobre os filhos dele com a antiga secretária.

–QUÊ? – o outro arregalou os olhos.

–Ops... – Bokuseno displicentemente passou a olhar para o outro lado.

Você se preocupa demais com a sua meia-irmã. – Sesshoumaru voltou a falar e não se mostrando nem um pouco abalado com o que Bankotsu dissera anteriormente – Em breve ela não terá mais o nome da sua família.

Silêncio se fez à mesa.

Eu vou acabar com você. – os dois falaram ao mesmo tempo, não quebrando o contato visual e sorrindo malignamente.

Bokuseno bateu palmas lentamente e os olhares se voltaram para ele.

Alguém pretende entrar nessa briga? – perguntou meio sem interesse.

Eu. – Kikyo se manifestou, tirando o cabelo que cobria o ombro direito – Qualquer ameaça à família Akai é uma ameaça ao meu sobrinho.

Mais alguém?

Silêncio. Com isso, Bokuseno deu um suspiro cansado.

Então podemos...

Quem você apoiaria? – Naraku perguntou repentinamente.

–"Apoiaria"? – Bokuseno piscou de uma forma que fez Sesshoumaru lembrar-se de Rin fazendo o mesmo em diversas ocasiões.

Há uma certa desvantagem, não percebeu? – Naraku era sério, inteligente e frio – São duas famílias contra uma.

–Pra mim parecem ser duas contra duas. A Yura está apoiando a família Shiroi.

Alguns se entreolharam, mas sem fazer comentários. A ausência da líder da décima família sequer foi sentida.

–Ops... Parece que vocês não sabiam que ela e Bankotsu organizaram o ataque à mansão Akai. – Bokuseno fingiu-se alarmado por ser o portador de alguma notícia desagradável, recuperando depois a pose séria –Vocês sabem que eu não posso declarar apoio a ninguém. Sou o líder do Conselho. Mas...Você quer participar, Naraku? Você e os demais aqui podem fazer as alianças que quiserem. Conversar agora ou mandar um e-mail com aqueles cartões virtuais fazendo um convite, etc e tal.

O senhor não vai então apoiar ninguém? Nenhuma família? – Abi quis saber.

Eu vou torcer apenas pela briga. – ele avisou com um sorriso divertido.

O líder da yakuza levantou-se e puxou a manga do braço direito para olhar as horas e falou:

–Bem...Podem continuar por aqui, se quiserem. A reunião está encerrada... pra mim. - deu as costas ao grupo – Podem discutir ou se matarem agora. Só não sujem a minha mesa, por favor. Preciso tomar meus remédios.

E foi embora. O perfil dele foi seguido pelo olhar de Sesshoumaru até desaparecer atrás da porta fechada.

Todos estavam mais do que intrigados com tudo o que acontecera na reunião. Alguns começaram a conversar discretamente entre si, outros preferiram se retirar. Sesshoumaru foi um deles, ignorando os olhares ao se erguer para sair da sala acompanhado do irmão mais novo e dos primos.

No corredor, a conversa entre os quatro foi iniciada por Miroku:

E aí? Vamos pra farra depois dessa?

Ninguém respondeu.

Ah, esqueci que vocês são casados. – Miroku comentou numa brincadeira.

Sesshoumaru e Hakudoushi pararam e o olharam.

Ei, não me olhem com essa cara. Ou vão me dizer que não vão pra farra porque preferem ficar em casa?

Os dois ergueram as sobrancelhas.

Akai-sama... – um empregado vestido com trajes tradicionais da época Taisho falou atrás de Sesshoumaru. Ele virou-se, o mesmo fazendo Hakudoushi por instinto – Bokuseno-sama deseja falar-lhe.

O empregado virou-se e o líder dos Akai o seguiu, o mesmo fazendo os outros.

Vocês não podem acompanhá-lo. – o empregado interceptou a passagem de Hakudoushi, Miroku e Inuyasha – Bokuseno-sama desejar falar apenas com o senhor Akai. Podem esperar na sala de visitas.

Muito obrigado. – Hakudoushi agradeceu e começou a andar ao local indicado, seguido de Inuyasha e Miroku.

Sesshoumaru os viu desaparecem no final do corredor e voltou a acompanhar o empregado até ficar diante de uma porta: a do escritório de Bokuseno.

Sesshoumaru entrou e viu o líder de costas para ele, servindo-se de uma bebida no minibar que mantinha ali. Também notou que havia um pires com alguns comprimidos ao lado da garrafa de licor.

Feche a porta. – Bokuseno pediu, sem se virar.

O líder Akai obedeceu por educação e também porque conhecia o próprio lugar – o pedido tinha sido feito pelo chefe dele, não por qualquer pessoa que pudesse simplesmente ignorar.

Ficou parado no meio do escritório, as mãos nos bolsos da calça. Iria esperar pacientemente por Bokuseno começar a falar.

Eles ficaram se matando na sala? – o líder do conselho engoliu os comprimidos junto com a bebida.

Eu não sei. Mas Higurashi ainda estava lá quando saímos.

Tomara que ela não suje as cadeiras também. – Bokuseno fechou a garrafa e deu um suspiro muito profundo, aproximando o copo de vidro cheio de gelo da testa. Era como se quisesse que aquilo eliminasse uma dor de cabeça muito forte.

Afastou-se do bar e foi à mesa dele, mudando um enfeite de lugar ao passar pelo lado dela e se sentar numa confortável cadeira giratória.

Ah... – ele se jogou nela e fechou os olhos, virando o rosto como se sonhasse – É tão complicado ter que aguentar essa gente... E o modo como agem... E ter que ficar informado a respeito de tudo o que acontece.

O senhor queria falar comigo? – Sesshoumaru continuava no mesmo lugar. Não tinha o menor interesse em ouvir as divagações do próprio chefe.

Eu já escutei de Hakudoushi, mas eu quero saber de você.

Saber o quê?

Sobre Rin. – Bokuseno permanecia com o rosto virado para o lado, mas via o rapaz pelo canto dos olhos – Ela não quis vir com você?

Ela estava dormindo. – Sesshoumaru falou calmamente – E ainda está um pouco doente, como ouviu Hakudoushi falar na reunião.

Rin ainda o culpava por tê-la influenciado a matar Sankotsu, e Bankotsu tinha mágoas porque Bokuseno não fizera nada para impedir os assassinatos de Yuri e Etsuko.

Cinco vidas destruídas... Isso porque ele contava com a mãe de Rin.

Pensei que ficaria com raiva de ter ficado com a menor parte da herança. – Bokuseno comentou com Rin – Não dá pra quase nada.

Os dois ainda estavam no jardim. Ela agora plantava uma muda de camélia, a flor favorita de Etsuko.

Eu não me importo. – ela deu um sorriso de satisfação sem parar o que fazia – É o suficiente pra pagar o aluguel de uma casinha por alguns meses e me sustentar até conseguir um emprego.

E onde seria essa "casinha"? – ele franziu discretamente a testa.

Rin parou por um momento o que fazia, piscou várias vezes, puxando um canto dos lábios naquele mesmo tique que Etsuko tinha.

Bokuseno percebeu que ela iria mentir.

Em alguma cidade perto do mar. – e voltou a mexer na terra para colocar uma muda de glória da manhã roxa no buraco que fez no chão, cantarolando um conhecido "lá lá lá lá lá" de uma canção de Satou Akemi.

A flor roxa era, muito provavelmente, uma homenagem ao falecido Yuri.

Obviamente que ela evitaria ser precisa para não ser localizada. O Japão tinha centenas de lugares agradáveis na região costeira.

Rin não era filha biológica de Etsuko, mas ela tinha adquirido uma das principais características dela...

O que está cantando? – ele quis saber.

Rin parou por um momento o que fazia e deu um sorriso para ele:

– "Shiawase ni narou ne".

... ela era tão tola quanto a madrasta.

–"Vamos ser felizes", é? – ele ergueu as sobrancelhas, sem disfarçar um sorriso irônico.

Rin terminou de plantar a última muda de glória da manhã e ficou em pé, o braço esquerdo passando na testa para tirar o suor acumulado ali. Retirou as luvas de jardinagem e as jogou no chão.

–Bankotsu está lá dentro. – ela avisou sem encontrar o olhar dele, supondo que o irmão seria o motivo da visita do outro ali. Abaixou-se, então, para pegar o material de jardinagem: uma pequena pá, as luvas, um mini ancinho, tesoura, um borrifador.

–Eu não vim falar com Bankotsu. – ele falou extremamente sério.

Alguma coisa na voz do líder fez a garota congelar por alguns segundos e finalmente virar o rosto para ele.

–Vamos falar sobre o outro testamento, Rin. – ele aumentou o sorriso – O testamento da yakuza. Eu estou de posse dele.

Então ela realmente não quis vir. – o outro declarou, passando a mão pelos cabelos meio grisalhos – E ela está se dando bem com você?

Sesshoumaru arqueou uma sobrancelha, evidentemente surpreso, e respondeu logo:

Ela nunca esteve melhor.

Mesmo depois do que você fez com ela? – Bokuseno o olhava de maneira estranha, como se pudesse ler o menor pensamento dele.

Ficaram calados enquanto se encaravam.

Você tentou matar essa menina, Sesshoumaru?

Nunca tive essa intenção. – ele não piscou, não desviou o olhar, a voz transmitia segurança.

Então quis treinar tiro ao alvo com a cabeça dela?

Sesshoumaru não respondeu. Estava desnecessário responder a uma pergunta que chegava a ser estúpida. É lógico que ele nunca teve intenções de...

Pensando agora, ele realmente nunca chegara a pedir desculpas por tudo que ele tinha feito. Não só a arma na cabeça, mas o braço machucado, a forma como a tratou, puxando-a para andar depressa, gritando com ela.

Sorte sua que agora eu sei que ela está bem em suas mãos. Eu a tiraria de lá em cinco minutos se soubesse que ela não estivesse.

E como a tiraria de lá? – Sesshoumaru quis saber.

Você não vai querer saber como. – o outro respondeu com segurança.

Sesshoumaru ficou calado, olhando para os lados discretamente e mantendo as mãos nos bolsos. Era a primeira vez que estava ali.

Quer me perguntar alguma coisa? – Bokuseno o olhou curiosamente.

Apenas se por acaso se lembra da ocasião em que foi tirada uma foto. – Sesshoumaru olhou-o de relance.

Quem sabe? – o outro deu de ombros e esticou a mão para pegar o objeto que trocara de lugar para colocá-lo em cima de alguns papéis.

O rapaz enfiou a mão dentro do paletó e tirou de lá a fotografia que Rin tanto observou durante a noite. Foi até a mesa e entregou-a ao líder do conselho, que ergueu uma sobrancelha.

Claro que lembro. – ele respondeu ao devolvê-la – Foi o dia em que seu pai escolheu você como líder. Até hoje acredito que foi uma escolha melhor que Hakudoushi.

Quem são as pessoas?

Por quê?

Eu gostaria de saber.

Alguém deixou você curioso por causa disso?

Sesshoumaru o encarou, mas não respondeu.

Espero que tenha reconhecido o seu pai, você e o falecido senhor Higurashi. Os outros são o pai de Rin e a madrasta dela.

Você sabe o que aconteceu com ela? – Sesshoumaru perguntou.

Rin não contou?

Ela só me falou como a mãe dela morreu.

Ah... – Bokuseno olhou para o outro lado e fechou os olhos para coçar disfarçadamente a orelha – Ah, sim...

O jovem esperou pacientemente pela informação, fazendo a leitura do corpo do outro: um sorriso meio triste, as linhas do rosto franzidas, o modo como ele fechara a mão ao escutar a pergunta. Parecia que também não eram boas lembranças que ele tinha.

Se Rin não quis contar como Etsuko morreu, então eu não tenho o direito de fazer isso.

Etsuko? Sim, ele a escutou falar aquele nome na hora.

E se ela não quis contar como ela havia morrido, foi porque essa mulher tinha sido...

Você vai dar essa foto pra ela? – Bokuseno interrompeu os pensamentos dele.

Se ela quiser, não farei objeções.

Por que ela faria? – o mais velho entrecruzou os dedos e deu um sorriso - Faz tempo que ela não vê uma foto dela.

Como você sabe... disso? – Sesshoumaru mostrava mais interesse em olhar um piano vertical meio esquecido num canto da sala do que a figura do líder.

Disso o quê? As fotos? – como Sesshoumaru confirmou com a cabeça, Bokuseno continuou – Elas foram jogadas fora quando ela desapareceu. A existência dela foi apagada daquela casa.

Quem a fez desaparecer?

Bokuseno estreitou o olhar como se quisesse ler os pensamentos de Sesshoumaru.

Eu sei o que está pensando... Você já sabe que ela foi morta e quer encontrar o responsável.

Já o pegaram?

Não. – o outro fechou os olhos e deu um sorriso de satisfação – Mas ele já morreu.

Você o matou?

Não.

Como sabe se ele está mesmo morto?

Bokuseno ficou alguns segundos em silêncio.

Não há nada que eu não saiba. – falou, por fim, no tom mais sério dele.

Sesshoumaru guardou a foto e olhou de novo para os lados.

Você nunca esteve aqui, não é? – Bokuseno perguntou repentinamente.

Não. – o rapaz foi ao piano porque algo chamara a atenção dele.

Pegando poeira e numa posição despercebida aos visitantes, havia o retrato de uma menina tocando aquele piano. Parecia que ela não sabia que tiravam a foto: só havia a sombra do movimento das mãos no teclado, rosto voltado para a partitura, o cabelo encobrindo parte da lateral do rosto.

Mas não era difícil de reconhecer quem era. O rapaz estendeu a mão para pegar a imagem, mas Bokuseno o fez parar:

Não toque no piano.

Sesshoumaru o olhou intrigado.

Era da minha mulher. – o outro explicou.

A mão foi para o bolso e ele escutou Bokuseno falar:

Rin morou uma época aqui em casa. – ele tirou um cigarro da carteira e procurou pelo isqueiro em cima da mesa – Ela também costumava tocar aí.

Quanto tempo ela ficou aqui? – Sesshoumaru passou um dedo no móvel para tirar com o polegar a poeira acumulada ali.

Não me lembro, mas não foi pouco. A madrasta também morou aqui com ela. – Bokuseno afastou-se um pouco da mesa para poder colocar uma perna em cima do outro joelho e acender o cigarro – Há alguma outra coisa que queira me perguntar?

Não era você quem queria falar comigo?

Eu já falei. – Bokuseno tirou o cigarro e jogou as cinzas dentro de um porta-trecos – Só queria confirmar se o que Bankotsu tinha dito era verdade.

Se eu queria matá-la naquele dia? – Sesshoumaru ergueu a tampa do teclado e tocou em um "mi" de uma das oitavas.

É, era isso. Agora suma da minha frente. – o outro falou secamente.

O jovem lançou-lhe um olhar em desafio.

Eu não gosto quando falam assim comigo.

Bokuseno o encarou com um rosto sério, embora estivesse se divertindo no íntimo:

Por favor, suma da minha frente. – repetiu num tom mais "educado", escutando um rosnado ameaçador de Sesshoumaru.

Baixando a tampa do teclado, o jovem líder Akai olhou mais uma vez a foto.

Eu achei que tivesse avisado que não era para tocar nele. – Bokuseno fechou os olhos e deixou o cigarro entre os dedos.

Rin tocava bem? – Sesshoumaru analisou até mesmo os detalhes da roupa e o modo como o cabelo cobria as orelhas dela na foto. Era ainda curto, chegando aos ombros. Na opinião dele, Rin ficava melhor agora com aqueles longos, lisos e negros cabelos alcançando o meio das costas.

Ela tinha um meio-irmão que sabia como ensiná-la. Tinha algumas partituras favoritas que tocava bem... Outras, nem tanto.

Eu gostaria de vê-la tocar em alguma ocasião. – Sesshoumaru afastou-se do piano e olhou para outros móveis, colocando as mãos nos bolsos.

Ela era muito ruim no início, mas treinou bastante com o Yuri, mesmo depois da morte dele. Conhecia as composições que ele mais gostava. – deu um suspiro meio cansado – Também queria muito que ela voltasse a tocar.

Os dois eram muito ligados?

Ela o seguia pela casa toda... E ele tinha muita paciência, principalmente quando ela não falava nada. Pareciam irmãos de verdade.

Eu pensei em comprar um para ela. – Sesshoumaru indicou com um movimento do rosto o piano – Do mesmo modelo.

A mãe dela sabia tocar, foi ela quem escolheu esse aí dizendo ser o melhor. Acho que não existe mais a loja. Mas em qualquer lugar você pode mandar buscar. Não tem nada que não se possa encomendar hoje em dia, inclusive comida e pessoas. – Bokuseno deu um sorriso irônico e fechou os olhos, desta forma não notando o leve arquear de sobrancelha de Sesshoumaru.

Silêncio se fez entre os dois.

O líder abriu lentamente os olhos e os virou para encarar, de soslaio, um Sesshoumaru evidentemente surpreso com o que dissera, dando-se conta do que havia acontecido.

O silêncio que permaneceu entre eles por mais alguns segundos serviu apenas para confirmar algumas coisas ao jovem líder.

Eu penso que devo ir agora. – Sesshoumaru tirou o cabelo que cobria a orelha e jogou-o para trás, sorrindo discretamente diante da mudez do líder – Preciso comprar um presente. Eu prometi para Rin que levaria algo que a agradasse.

Sem nenhuma despedida educada, ele saiu da sala para encontrar os primos.

Bokuseno, sozinho e pensativo, segurou o cigarro com um enorme interesse na forma como as cinzas caíam pela mesa.


Próximo capítulo

"Eu tenho certeza de que ele não vai achar que você foi a responsável por tudo."

"Eu falei com seu pai hoje."

"Vamos ver mesmo... Se Hakudoushi não tem motivos pra entrar na briga."

Capítulo 15: Diálogos vazios.