Disclaimer: Resident Evil não me pertence, ele é da Capcom e de todos os seus idealizadores. Até porque se fosse meu Valenfield já tinha rolado depois das montanhas Arklay. Ah, é claro, a pequena Hope Redfield é minha.
Uma perguntinha, como vocês idealizam a família Valenfield? No meu caso é mais ou menos assim...
Lock Pick
"Foi assim que Chris descobriu que sua filha havia herdado mais do que o cabelo castanho e os olhos determinados da mãe, ela era uma mestra em arrombamento."
Se havia algo que Chris Redfield aprendeu depois de todos aqueles anos é que havia sim vida após o desastre. Outra das muitas coisas que aprendeu é que ter esperança não era uma total perda de tempo e a prova disso era a linda garotinha adormecida a sua frente.
– Bons sonhos, pequena Hope.
Quando achou que tinha perdido Jill há cinco anos foi como se um pedaço da sua alma tivesse sumido. Sua forte e corajosa companheira não media esforços no que quer que estivesse envolvida até que a missão fosse bem sucedida. Destruir a Umbrella e todas as suas engrenagens era um sonho conjunto, perdeu a conta de quantas vezes passou a noite acordado ao lado da amiga traçando estratégias, revendo papéis e arquitetando planos. Mas quando tudo se desvaneceu junto com os rastros dela Chris chegou muito perto da linha entre a loucura e a sensatez.
Quase três anos depois, quando a reencontrou com vida, sentiu um tremor incomum em seu corpo, era uma mistura de alívio e excitação, foi a primeira vez em sua vida que teve esperança. No momento em que Wesker explodiu ela estava lá como deveria ser e no final o sonho de dois jovens, que passavam as madrugadas acordados bolando planos, se tornou realidade como deveria ser.
Depois disso as coisas fluíram normalmente. Jill tinha muito do que se recuperar, todos tinham, e o conforto que a companhia deles causava um no outro foi naturalmente o empurrão de que precisavam. No início ela parecia estar preocupada e em determinado momento se abriu dizendo que não era mais a mesma pessoa de quando se conheceram, que o seu cabelo loiro era apenas a mudança que se sobressaia, mas que por dentro havia muito mais. Mal sabia ela, na época, que aquilo não significava nada para Chris já que ele também não era mais o mesmo homem. A única coisa que continuava inalterada era a fatal atração que sentia, era saber que não importava o quão competente e controlado ele poderia ser se quando estivesse perto dela tinha que se controlar para não gaguejar como um adolescente perto do seu primeiro amor. Porque, céus, Jill era o seu primeiro amor.
O que tinham que passar havia passado. Agora estava casado com a mulher mais incrível que já conheceu e juntos fizeram o seu pequeno milagre. Hope Redfield nasceu em uma manhã de inverno particularmente fria, seu choro era forte e seus olhos se abriram assim que a enfermeira aninhou o bebê nos braços da mãe, ali a garotinha estava mostrando ao mundo para o que veio.
Dois anos e três meses após o seu nascimento Hope se mostrou cada vez mais inteligente. Sua mais nova habilidade era a de abrir coisas, começou com gavetas e armários, daí em diante cada dia era uma surpresa diferente.
Hoje em especial Chris combinou em ficar de olho na filha enquanto Jill tiraria o dia para ela mesma. A esposa não tinha saído em missão desde que a bebê nasceu para se dedicar a ela e nada mais justo do que um dia de folga, afinal não seria a primeira vez que ficaria sozinho com a filha
O dia estava indo bem. Alimentou e deu banho em Hope, escolheu uma roupa que a deixasse confortável e a colocou para uma soneca num berço improvisado que tinham na sala. Não havia segredos ao cuidar de uma criança de dois anos e três meses, certo? O que tanto poderia dar errado? Amava e se encantava com Hope, mas eles mal conseguiam se comunicar além de um pouco de "papa", "fome" e mais algumas palavras ininteligíveis ainda. Ela era um bebê e bebês não davam tanto trabalho como por exemplo... adolescentes. E por este motivo foi fácil relaxar deitado no sofá enquanto assistia televisão. Era bom poder descansar a mente por alguns minutos com alguma baboseira, não era que suas missões estivessem ficando mais difíceis ou que estivesse ficando velho, era apenas a maldade humana que o endurecia enquanto absorvia suas energias. Aos poucos seus olhos ficaram pesados e então ele dormiu.
..
– Hope! – quando acordou desorientado em um pulo seus olhos foram direto para o berço da filha.
Vazio.
Chris olhou para o relógio e ficou chocado com o horário, não poderia ter dormido tanto assim. Já era quase cinco da tarde e Jill chegaria a qualquer momento. Estaria morto se a esposa descobrisse que perdeu a filha na própria casa.
Sua missão esta tarde era: achar Hope, colocá-la em segurança e esconder as provas.
Não queria admitir, mas estava sim apreensivo. Onde uma criança dois anos e três meses poderia se enfiar? Era obvio que não tinha saído de casa, as portas e janelas estavam fechadas, mas isso não queria dizer que ela não poderia se machucar. A questão é que teria que se manter calmo para que tudo desse certo no final, o desespero levava a decisões ruins e decisões ruins levava ao erro. Foi assim que, a passos duros, Chris começou sua análise de ambiente.
No berço viu que as travas de segurança estavam abertas e a grade abaixada, no chão duas almofadas estavam empilhadas e pela altura percebeu que Hope criou algo que amorteceria sua queda.
Uma criança assustadoramente esperta.
Do berço andou até a cozinha seguindo um cobertorzinho deixado no meio do caminho, gostaria de ter ficado mais surpreso do que orgulhoso quando contemplou mais uma vez a engenhosidade da criança no local. Em cima do balcão havia um pote de biscoitos que Jill controlava, era um após o almoço e um após o jantar, mas incrivelmente o pote estava aberto e tinha migalhas por todos o local. Já os biscoitos não estavam mais lá. Dando a volta no balcão descobriu como a filha chegou num lugar tão alto, três gavetas estavam abertas em diferentes tamanhos formando uma escada improvisada.
Uma criança assustadoramente brilhante.
Chris não se espantou por ela ter conseguido abrir o pote, quando uma criança abria as travas do próprio berço nada mais poderia chocar um pai. Então voltou para o corredor agora seguindo migalhas, subiu as escadas e foi até o quarto no final do corredor, aquele em que Jill e ele dividiam.
Ao passar pela soleira o seu coração pareceu se aliviar, era uma sensação de relaxamento que não conseguia explicar. No meio da cama Hope dormia abraçada ao seu coelho de pelúcia, em sua boca ainda havia pequenos pedaços de biscoito.
– Garota se você quase não tivesse me matado de susto eu poderia me animar com o quão incrível suas habilidades são – Chris se aproximou, empurrou com o pé para longe do caminho a pequena banqueta estofada que ela deve ter usado para subir na cama e se sentou. Sua mão foi até os fios lisos da criança e os acariciou, ela era assustadoramente igual a mãe. – Me pergunto o que você faria com uma gazua. Acho que puxou sua mãe, Hope.
Não queria a filha envolvida no mesmo que os pais lidavam, queria que tivesse uma vida normal, que saísse com os amigos e se formasse em uma boa faculdade. Mas Chris era Chris e ele sabia que as probabilidades de algo assim acontecer eram ínfimas. Por este motivo ele chutaria todas as bundas que tinha para chutar até que a sua pequena esperança crescesse e escolhesse o caminho que seguiria.
Hope se remexeu, abriu os olhos e encarou o pai.
– Precisamos ser rápidos, a mamãe está para chegar e eu ainda tenho que esconder as provas da sua aventura.
Foi assim que Chris descobriu que sua filha havia herdado mais do que o cabelo castanho e os olhos determinados da mãe, ela era uma mestra em arrombamento.
Fim (?)
Hello folks e feliz dia dos namorados (ao menos aqui no Brasil)
A ideia para essa fiction apareceu essa semana e por mais que eu não tenha ficado 100% feliz com o resultado ao menos não fugi da ideia original. Tentei fazer algo mais leve, então precisei retratar um Chris em um momento muito bom da sua vida. Valenfield não é o meu forte, mas não tem como não ser rendida pelos primeiros personagens que tivemos contato. Tenho um carinho especial com Chris e Jill.
Não sei vocês, mas tem algumas palavras que não consigo me acostumar com a tradução. Gazua é uma delas e por isso o nome dessa fiction não pode ser outro a não ser Lock Pick. É ótimo que os jogos estejam legendados hoje em dia, mas até hoje eu falo "usar a lock pick, pegar a crank, resolver o puzzle, usar a green herb, porta da sword key..." e assim por diante. Mais uma vez é ótimo que os jogos estejam com legendas e até dublado (hello Village), é só um velho hábito que não consigo mudar.
* Amanhã teremos o capítulo 16 de Pieces, fanfiction também do universo RE com Claire e Leon de casal então nos vemos logo.
