Capítulo 5. A descoberta de Snape

Lily abriu a porta com todo o cuidado, irritantemente ela rangeu como um lamento alto em meio ao quarto silencioso, ela entrou, o mais silenciosamente que conseguiu, e seus olhos seguiram diretamente para a cama de James. Ela conseguiu enxergar os cabelos bagunçados do filho, levemente iluminados pela nesga de luar que entrava pela janela.

Harry dormia de bruços, sobre o peito de James, que a esta altura também dormia, segurando o menino com seu braço. Lily sorriu para aquela cena, Harry já não era tão pequeno, mas mesmo assim duvidava que James a deixasse o tira-lo de cima dele. De certa forma ela tinha até um pouco de inveja.

Sirius a seguia silenciosamente, Lily pode sentir ele sorrindo atrás dela.

- Acha que ele está dormindo? – sussurrou Sirius em sua orelha.

- Sim – concordou ela no mesmo tom de voz – Está muito silencioso.

Sirius deu sua famosa gargalhada, que mais parecia um latido, porém desta vez ela saiu suave, quase delicada. Lily sorriu instintivamente, enquanto ia em direção a cama onde Harry e James estavam. Ela cobriu os dois com o cobertor, colocou os bichinhos de pelúcia em cima do criado mudo de James, ao lado dos óculos dos dois. Ela fez um carinho nos cabelos de Harry, mas sentiu o coração apertar.

Sirius estava se sentando na cama ao lado, ela podia sentir o olhar dele sobre si. Lily sentou-se ao lado dele, evitando olhar para Sirius, seus olhos fixos nas costas de Harry, onde podia ver a respiração dele em conjunto com a de James. Inspirando e expirando. Ela poderia passar horas acompanhando aquele pequeno movimento.

- Sirius? – Lily sussurrou, ainda olhando para James e Harry. Pelo canto dos olhos ela percebeu a atenção de Sirius completa nela.

- Você vai cuidar deles, não vai? – sussurrou ela, ainda sem olhar para o amigo – Quando eu... se eu morrer.

- Você não vai morrer – resmungou Sirius.

Lily sorriu sem alegria, quase resignada. Ela observou uma última vez as costas de Harry subirem e descerem e virou para Sirius. Os olhos dele a fitavam nervosos, um misto de piedade e medo estampava o seu rosto, em geral tão descompromissado.

- Vou morrer um dia, Sirius – disse ela tentando inutilmente fazer uma piada – Todos vamos.

- Mas você vai morrer bem velinha e bem depois de mim – Sirius disse sério.

- E o que eu farei sem você na minha vida?

- Terá que aturar o mal humor de Prongs sozinha, mas você consegue, tenho certeza.

- Sirius! – Lily sorriu desanimada.

- Não diga nada, Lily, temos tempo. Você, James, Harry, e todos os pestinhas que vocês vão ter, vão ficar todos bem. – a voz dele era quase aflita, e Lily tinha certeza que estaria gritando se isso não fosse acordar James e Harry.

- Sirius, eu sei que se eu morri foi para, de alguma forma, proteger Harry, e eu não trocaria a vida dele pela minha de maneira alguma.

- Você não tem como saber disso...

- Mas eu sei! – respondeu Lily com firmeza – Eu simplesmente sei que eu não deixaria meu filho se eu realmente pudesse evitar, e o fato dele estar vivo hoje... Bem, de alguma forma parece que fui bem sucedida.

Sirius ficou quieto só olhando para ela, a aflição dele era quase palpável, os lábios abriam e fechavam sem emitirem quaisquer palavras. Lily sorriu, ela quase podia ver uma briga correndo na cabeça de Sirius, ele queria contradize-la, porém qualquer argumento que tivesse não seria tão bom quanto o dela. Lily suspirou apreciando o momento, era raro ganhar qualquer discussão com Sirius.

- Por isso eu preciso de você. – sussurrou Lily voltando a ficar séria – Preciso que cuide de Harry e principalmente, que cuide de James, ele... ele vai ficar meio perdido, mesmo sabendo que ele vai ser um pai excelente.

- Eu não sou suficiente – disse Sirius em tom de desespero - Harry precisa de uma mãe, ele precisa de você.

- Por isso que você vai ajudar James a achar outra esposa – disse Lily com um sorriso tenso – Ele não vai querer, mas ele precisa, precisa ser feliz. Quero que Harry cresça em um lar feliz.

- Você não vai morrer, Lily, não diga isso..

- Bem, eu vou tentar não morrer – Lily suspirou ao encarar Sirius e perceber o olhar descrente que ele lhe lançava – Eu prometo, Sirius. Não vou me jogar no primeiro Avada Kedrava que lançarem na minha frente. Mas sinceramente, se eu tiver que escolher entre morrer e salvar meu filho, ou mesmo James, não vou vacilar. Não tem como eu vacilar.

Os dois ficaram em silencio, Sirius voltou os olhos para Harry.

- Eu não tenho medo de morrer, Sirius – sussurrou Lily – Ora, o ultimo inimigo a ser vencido é a morte.

- Isso parece algo que os dementadores diriam – respondeu Sirius amargurado – Se pudessem falar, obviamente.

-Oh, não, não – apressou Lily – Não é neste sentido, é no sentido de viver além da morte, é superá-la.

- Ahh – Sirius resmungou.

- Eu só gostaria de saber que vai ter alguém cuidando dele – suspirou Lily – Tuney não vai fazer isso.

- É claro que eu vou cuidar dele – Respondeu Sirius quase ofendido – Da melhor maneira que eu puder, com todo o amor que eu tiver.

Lily sorriu, radiante. Ela abraçou Sirius, com todo o carinho que estava sentindo no momento.

- Você é um bom amigo – disse Lily animada – O melhor, na verdade.

- Eu sei – resmungou Sirius, mas mesmo assim correspondeu o abraço, passando o rosto nas costas de Lily, provavelmente para secar algumas lágrimas – Eu vivo dizendo isso para vocês.

- Vou ter que começar a acreditar – fungou Lily emocionada – Mas por hora, já que meus rapazes estão dormindo, vou deixar você dormir também. Posso avisar o restante?

Sirius assentiu dando uma última olhada para James e Harry e se deitando logo depois que Lily se levantou e foi em direção a porta. Sirius viu quando Peter e Remus entraram em silêncio, e respondeu os murmurados desejos de boa noite, e ouviu o suave ronronar de Harry e James, ouviu Peter roncando e Remus lutando com o travesseiro afim de achar uma melhor posição. Sirius viu e ouviu até que o quarto estivesse extremamente silencioso, seus pensamentos a todo o vapor não deixavam que ele fechasse os olhos.

- Eu não vou deixar seus pais morrerem, filhote – sussurrou Sirius olhando para os cabelos escuros de Harry – Eu prometo, eu juro.

A promessa se perdeu no ar ecoando brevemente pelo quarto. Ela pareceu liberar alguma magia, pois fez com que o fluxo de pensamentos de Sirius parecesse, e os olhos pesassem e se fechassem, trazendo um sono tranquilo e sem sonhos para o primogênito dos Blacks.

- Sirius, Sirius. Acorda! – pulou Harry na cama de Sirius, o rapaz só resmungou.

- Você vai esmagar a cabeça dele assim, Harry – disse James, mas não parecia de fato preocupado.

- Mas ele não quer acordar – disse Harry chateado, mas mesmo assim parando de pular em Sirius.

- Ele já está acordado – disse Remus sorrindo – Não é, Padfoot?

- Hunff – responde Sirius, se cobrindo ainda mais.

- Porque não deixamos ele aí? – perguntou Peter.

- Ele não vai gostar de perder nosso passeio – disse James com um sorriso, e depois olhando para a forma inerte de Sirius ele fez cara de dúvida – Não é, Pads?

- Não estou certo disso – resmungou Sirius, a voz abafada pelo travesseiro.

- Eu vou voar novamente – disse Harry bem baixinho, perto do ouvido coberto de Sirius, como se aquilo fosse um segredo.

Sirius destampou os olhos e olhou incrédulo para o garotinho sorridente ao seu lado. Os olhos de Harry brilhavam vivazes e o sorriso do menino era contagiante. Sirius desviou os olhos para James, que assoviava como se nada tivesse ocorrendo.

- E James deixou você voar de novo? – perguntou baixinho para o garoto.

Harry assentiu animado.

- Lily vai te matar – disse Sirius, alto – ela não vai gostar de você levar Harry para voar.

- Ela sabe – disse James dando de ombros – Ele vai na minha garupa, desta vez.

- Certo! – Sirius cobriu-se novamente.

- Você não vai? – questionou Remus com os olhos estreitos.

- Não dormi direito a noite – resmungou Sirius.

- Não vai ter a mesma graça sem você – disse Harry sem seu sorriso pela primeira vez naquela manhã.

Sirius deu um suspiro, e se descobriu, olhando para o menino. A promessa feita a Lily martelando sua cabeça se juntou ao seu coração, que parecia completo cada vez que olhava para o garotinho.

- Você me convenceu – sorriu Sirius – Eu vou!

Harry o abraçou e Sirius gargalhou ao fazer cosquinha no menino, até ele se contorcer e soltá-lo. Sirius jogou Harry na cama, fazendo o garoto gargalhar ainda mais. Ele atacou o menino com cócegas novamente, não conseguindo parar, os risos de Harry eram inebriantes, quase como Felix Felices, e acreditem, Sirius já havia tomado Felix Felices para saber a sensação.

- Para! Sirius, por favor – Harry pedia enquanto se contorcia e gargalhava.

- Não, você que decidiu me acordar – Sorriu Sirius, puxando Harry pelo pé, já que o menino tinha conseguido fugir parcialmente – Agora, sinta minha fúria.

Harry deu mais uma gargalhada alta e se contorceu tentando lutar contra Sirius.

- Para, Sirius – ria Harry – Padfoot, por favor.

Sirius parou imediatamente, as mãos no ar.

- Como você sabe que este é meu apelido? – perguntou ele olhando para Harry desconfiado.

O menino ficou pálido, o sorriso desapareceu e foi direto para James, que sorria de lado. O garoto pôs a mão na boca e os olhos marejaram ao olhar para James, que teve um instinto instantâneo de querer pega-lo no colo e abraça-lo. Mas não foi isso que ele fez. James abriu um sorriso e disse:

- Tudo bem, Harry. Quando eu disse para manter segredo eu não estava querendo dizer os rapazes. – James indicou os meninos – Eles sabem, afinal. – James pensou mais um pouco – Mas Lily não pode saber, ok?

Harry assentiu. Mas os outros rapazes olhavam de Harry para James e de James para Harry, a bocas abertas em conjunto.

- O que Harry sabe, James? – perguntou Remus desconfiado.

- Tudo – respondeu James.

- Quando você diz tudo, quer dizer tudo? – Perguntou Peter

- Tudo é tudo, Wormtail – disse James divertido.

- Por Merlim, James, você não tem juízo.

- Ele não vai contar para ninguém, não é, Harry?

Harry negou avidamente.

- Bem isso facilita as coisas não é mesmo? – sorriu Sirius maliciosamente.

E antes que qualquer um pudesse prever, Sirius se transformou em um enorme cachorro e partiu para cima de Harry. O garoto riu maravilhado, enquanto tentava fugir das patas de Sirius. O cachorro lambeu o rosto do menino, enquanto o empurrava com as patas macias.

- Cuidado, para não machuca-lo, Padfoot – sorriu James, dizendo isso mais por obrigação do que por achar que Harry sairia seriamente machucado daquela brincadeira.

- Por Merlim, Sirius, não faça tanto barulho – Remus resmungou - se Lily ouve e entra aqui...

Como que invocada pela voz de Remus, os três ouvem uma batida delicada na porta. Sirius se transformou novamente em humano e recebeu um olhar mortífero de Remus, que dizia claramente: "Eu avisei", ou algo pior, que envolvia palavrões e xingamentos somente usados entre os amigos.

Lily o rosto pela fresta da porta:

- Estão vestidos? – perguntou ela com a voz abafada.

Como recebera uma concordância resmungada ela entrou e observou a cena, encarando as caras assustadas e culpados dos marotos e depois olhando para o desgrenhado Harry, que ainda ria.

- O que você ainda está fazendo de pijamas, Sirius – perguntou ela encarando brevemente o maroto – E por que Harry está parecendo... eh... babado?

- Estava tentando assentar o cabelo dele – respondeu Sirius com um sorriso cafajeste.

- Com saliva? – Lily perguntou desconfiada.

- Já que mais nada funcionou – Sirius deu de ombros e saiu em direção ao banheiro sem deixar brecha para mais perguntas.

- Venha cá, Harry – chamou James com um sorriso – Vamos limpar a bagunça que tio Sirius fez em você.

O menino foi até James com um sorriso, enquanto James apanhava o lençol de Sirius e limpava o rosto do menino. Lily os encarou ainda desconfiada, mas o rosto sereno de James a impediu de fazer qualquer comentário.

Não demorou muito para que Sirius se arrumasse e todos saíssem, da mesma maneira que no dia anterior, James e Harry cobertos pela capa e os demais alegremente no melhor clima natalino que se aproximava. Os corredores frios de Hogwarts haviam espantado todos os alunos remanescentes para suas salas comunais. Exceto um.

Severus Snape nunca havia passado um Natal em sua casa desde que entrara para Hogwarts. Os primeiros anos haviam sido interessantes, já que Lily Evans sempre passava com ele, quando podia. Porém desde a briga em seu quinto ano, ela não falava mais com ele, desde então os Natais haviam sido monótonos, a não ser por seus estudos.

Severus gostava de saber, mas não pelo conhecimento em si, mas sim porque saber lhe conferia poder, poder que poucas pessoas tinham. O poder de ler mentes e de se proteger de quem também sabia isso. O poder de misturar ingredientes e criar poções de magnifico poder. O poder de estar na elite bruxa, mesmo sendo um mestiço. O poder de ser mais, muito mais do que era esperado dele. O poder de proteger quem ele amava.

Pois amava Lily, mais do que amava o poder, ou era o que ele pensava e deveria amar mesmo, porém Severus tinha um problema grave, ele enxergava o poder, ou aquilo que ele denominava poder, como a única forma de ter e manter Lily para si. Mas para a infelicidade de Severus, esta eterna busca, fora a única coisa que o afastou de Lily.

Isso e James Potter, obviamente. Mas Severus sabia que poderia ser mais que Poter, o idiota arrogante nunca tivera que correr atrás de nada na vida, tudo simplesmente caia na sua mão: uma família sangue pura e respeitada, boas notas, vitorias no Quadribol e, infelizmente, ao que tudo indicava, até mesmo Lily. Mas Severus sabia o que era querer muito alguma coisa e sabia que faria de tudo até conseguir.

Foi devaneando sobre isso, enquanto estava no corujal, encaminhando uma carta para seus novos, por falta de palavra melhor, amigos, quando a viu. Snape poderia reconhecer os tons acobreados que compunham os cabelos de Lily em qualquer lugar, ele havia crescido e sonhado com aqueles tons praticamente sua vida inteira.

Severus se obrigou a ampliar a visão além dos cabelos de Lily, ela estava ao lado do arrogante do Black, o mestiço Lupin ao outro lado, seguido pelo parvo Pettgrew, se estavam todos ali o imbecil mor também deveria estar, mas não estava, onde diabos se meteu Potter?

Snape ficou observando, procurando em cada ponto pelo garoto, ele tinha certeza que James estaria ali em algum lugar. A espera não decepcionou, Severus, como se surgisse do nada Potter apareceu, fazendo com que Lily virasse para ele. Severus segurou a amurada nervoso, ela não podia estar gostando de estar com ele, podia?

Mas algo estava diferente, mesmo aquela distância não parecia certo. Potter estava com duas cabeças? Severus olhou novamente, chegando o mais para frente para verificar. Quando James retirou das suas costas uma criança incrivelmente parecido com ele. Os mesmos cabelos, o mesmo corpo magro. Snape piscou intrigado e abriu um sorriso, Potter havia ido longe demais.

Severus ficou por mais um tempo observando-os, Lily parecia adorar aquele menino parente dos Potter, ela o abraçava e corria atrás dele em uma brincadeira de pega-pega, exatamente como ela costumava brincar juntamente com Severus, quando eram crianças. Isso causou uma onda de raiva nele, estes momentos pertenciam somente a ele, nem mesmo Petúnia havia tido aquele privilégio, e agora aquele pivete estava tirando isso dele.

Severus ainda viu Potter colocar o garoto em sua vassoura e voar com ele, enquanto Lily olhava para os dois, a patota de James toda subiu nas vassouras, mas Lily se encaminhou de volta ao castelo. Snape correu do seu esconderijo, nunca havia sido do tipo atlético, mas as pernas cumpridas e magras facilitavam sua descida. Ele pulava de três em três degraus, descendo em uma velocidade que ele nunca havia atingido.

Snape saiu derrapando pelos corredores imaginando onde Lily passaria caso ele perdesse a entrada. Não demorou para que Snape a avistasse, caminhando pacificamente em direção as escadas. Severus a chamou por duas vezes antes que Lily decidisse parar e espera-lo.

- O que você quer, Severus – Lily disse, seu sorriso desaparecendo.

Snape tomou folego antes de encontrar os olhos dela, sabia que assim que os visse perderia o ar. Lily era fascinante, a pessoa mais incrível que Snape conhecera em toda a sua vida, carinhosa e gentil, além de estonteantemente bela, mas eram seus olhos, seus lindos olhos verdes, que faziam Snape perder o ar e temer pela própria sanidade.

- Eu vi você lá fora – disse Severus esperando que não soasse muito acusatório. Lily não respondeu apenas o encarou com uma das sobrancelhas levemente arqueada, que, pelo conhecimento de Severus, significava que ela estava aguardando que ele continuasse, e foi o que ele fez, de forma amarga: - Com Potter.

- Entendo! – disse Lily com um inclinar leve de cabeça – É só isso?

- Como só isso? O que você estava fazendo com aquele imbecil e aquela corja de...

- Não te interessa, Sev – cortou Lily – Você não tem mais nada a ver com a minha vida, achei que tinha sido clara.

- Eu sou seu amigo, Lily, seu melhor amigo...

- Não, você não é – Lily suspirou cansada – Eu preciso ir, Sev.

Ela passou por ele e nenhum minuto olhou para trás. Aquilo tinha saído pior que Severus poderia ter imaginado. Incapaz de deixa-la ir, ele gritou:

- Potter está tão ferrado – ele sorriu sadicamente – Eu vi que ele trouxe uma criaturinha proibida para o castelo, Dumbledore não poderá ignorar, nem mesmo para o todo poderoso Potter.

Lily parou, ainda de costas para Snape e disse, com uma voz que ele conhecia bem e catalogava como: "Somente para Petúnia":

- O que você quer dizer, Snape?

Severus resolveu ignorar o uso do seu sobrenome, estava deliciado demais em ter feito Lily lhe escutar por mais de meio minuto.

- Eu vi o pirralho, Lily – Sorriu Snape – Sabe, as regras são claras a respeito de não alunos em Hogwarts, sujeito a expulsão.

- Você não vai contar a ninguém – disse Lily se virando e olhando para ele – Você não pode contar a ninguém.

- E por que você se importa? Até acho que vai ser melhor para o pivete, Potter não sabe cuidar da própria bunda, quem dirá de um fedelinho.

- Não o chame assim – disse Lily nervosa.

- Eu não estava falando nenhuma mentira de Potter...

- Não estava falando dele – Lily rangeu os dentes nervosa.

- Você se apegou ao pirralho? Ah, vamos, Lily, aposto que essa criança é um pentelho, parente de quem é, como poderia não ser?

- Já disse para não chama-lo assim – Lily rosnou, literalmente rosnou.

- Por que não? Ele é um puro sangue metidinho, aposto que não passa de um garoto mimado como Potter...

- Potter não tem nada a haver com isso – disse Lily nervosa se descabelando e se aproximando de Snape – Estou cansada dessa fixação, Snape, cansada dele ser o centro da sua vida. Cresce, Severus.

- Ele não é o centro da minha vida – Severus achou melhor por suprimir o "você é" que ele queria completar.

- Não é o que parece. A cada meia dúzia de palavras que você fala pelo menos uma vez "Potter" está presente.

- Não estará mais – disse Severus olhando para ela com ar arrogante – Não depois que Dumbledore descobrir que ele trouxe o pivete até Hogwarts.

- Você não pode contar para Dumbledore, Severus – Lily olhou para ele assustada – Não pode.

- Claro que posso, Lily, Potter que não poderia trazer um fedelho para cá.

- Ele não trouxe – respondeu Lily nervosa – Só não conte para Dumbledore, ninguém pode saber que Harry está aqui.

- Dumbledore não vai matar o menino, por Merlim, só vai manda-lo de volta para casa – Disse Snape confuso com o tom de Lily, ela praticamente implorava, e Severus nunca havia ouvido ela implorar para nada

- Ele não pode voltar para casa – disse Lily – Por favor, Sev, sei que não tenho direito de te pedir nada, mas não conte a ninguém sobre Harry, por favor.

- Eu não estou te entendendo – disse Snape desconfiado – Você seria completamente contra esta criança estar aqui, não pode estar defendendo Potter.

- Não estou defendendo o Potter – gritou Lily em exasperação – Estou falando do menino, Severus. De uma criança inocente.

- Você não esta me dando argumentos, Lily, para não contar a Dumbledore... – Snape sorriu por dentro, faria Lily lhe dever um favor por inocentar Potter, ele de fato pouco importava com a criança, mas em troca do seu silencio faria Lily se afastar daquele idiota e do seu grupinho inconveniente.

Lily bufou exasperada, olhando para os lados e depois puxando Snape para o local mais reservado.

- Severus, me promete que você não vai contar para ninguém o que eu vou te dizer agora.

- O que? Lily?

- Me promete.

- Eu... eu prometo.

- Certo! – Lily suspirou e olhou para os lados se certificando que ninguém mais estava lhe ouvindo – Você não pode contar sobre Harry para ninguém, porque Harry não é deste tempo, Sev.

- O que? – Disse Snape mais alto do que pretendida, fazendo com que Lily colocasse a mão na boca dele para que ele parasse.

- Shiu! – disse ela – Isso mesmo, o menino tem um vira-tempo. Ele é do futuro, Sev, alguém deu um vira-tempo para ele que o trouxe diretamente para cá, na nossa época. Eu sei que é loucura, mas eu vi o viratempo, sei que Harry não nasceu nesta época.

- E você não quer contar a Dumbledore? Você sabe os riscos de mexer com tempo, Lily, são enormes. Só o fato deste pirralho estar fora do tempo dele pode ter causado uma bagunça.

- Eu sei, eu sei, mas...

- Não, Lily! Você tem que mandar ele de volta para o tempo dele, o mais rápido possível. Antes que ele faça um estrago maior do que a gente pode imaginar.

- Eu não posso, Severus. Não posso – disse ela quase chorosa – Harry não é bem tratado onde ele mora, Sev. Você sabe como é isso. Eu não posso deixar ele ir.

- Você tem – resmungou Snape – Ele não pertence a este tempo. Além disso você não poderia cuidar dele, por Merlim, Lily, você tem 18 anos.

Lily piscou os olhos chorosa, Snape não podia olhar para ela assim, tão abalada. Ele suspirou. Precisava aprender a ser imune a ela, mas era só olhar para aqueles olhos verdes, que ele não tinha mais consciência das suas vontades, nem de si mesmo. Lily tinha o poder de entorpece-lo, e ele, que se achava tão lógico e pragmático, se transformava em um bichinho de estimação manhoso. Ele suspirou.

- Vamos, Lils, não pode ser tão ruim, ele claramente é parente do Potter, e eles são uma família rica. Potter tem cara de quem nunca precisou levantar nem para pegar a própria comida...

- Harry não mora com os Potter – disse Lily em um suspiro tão sussurrado que Snape não teve certeza se havia escutado corretamente.

- Não? – disse Severus quase temeroso, como se soubesse que algo ruim iria acontecesse se Lily pronunciasse sua próxima frase.

- Não – ela deu mais um suspiro e encarou Severus – Harry mora com a Petunia. Harry é meu filho, Sev.

Os dois se encararam por um tempo, Lily completamente séria. Snape deixou um dos seus raros sorrisos.

- Não é engraçado, Lily – disse ele.

- Não estou brincando e nem estou louca – ela resmungou – Harry é meu filho, ou vai ser daqui há alguns anos.

- Você não tem como saber disso, Lily. É obvio que é mais uma brincadeira idiota do Potter e sua turminha.

- Eu tenho certeza, Sev, ele reconheceu Petúnia por uma foto, ele disse que ela casada com Vernon Dursley, o namorado de Petúnia, ninguém sabe disso, nem mesmo você sabia.

- Lily, você não conhece o Potter. Ele é capaz de qualquer coisa...

- Ele tem meus olhos, Sev – interrompeu Lily – Idênticos aos meus, a mesma cor, formato. Ele é meu filho, meu bebê e Petúnia está tratado ele mal. Ele usa as roupas velhas do primo, nunca teve um brinquedo só dele ou comemorou algum aniversário. Você sabe o que é isso, Sev, eu não preciso explicar para você o quanto isso é dolorido.

- Lils... – Snape disso de forma condescendente.

- Não vou devolve-lo a Petúnia - respondeu Lily brava – E contar sobre ele para Dumbledore é praticamente entrega-lo para a pessoa que não tem um pingo de carinho ou compaixão com o próprio sobrinho.

- Lily, você está imaginando coisas na sua cabeça, ele não se parece com você, ele se parece com Potter. – disse ele vagarosamente para que ela entendesse.

- É por que James é o pai – resmungou Lily irritada com o tom de Snape.

Severus a encarou embasbacado. Medindo a expressão séria que Lily fazia, ele balançou a cabeça duas vezes como se tentasse espantar algum pensamento ruim.

- Você só pode estar de brincadeira – disse Severus com uma gargalhada cruel, o sorriso nunca chegando de fato em seus olhos – Você e aquele imbecil? Tendo um filho? Francamente, Lily.

- Não estou brincando – disse Lily tentando manter a calma e acabando com suas reservas de paciência – Harry é meu filho no futuro, Severus, independente de quem é o pai, isso deveria bastar para você. E enquanto eu não arranjar uma maneira de mantê-lo a salvo, não vou deixar ninguém leva-lo de mim.

- Você está completamente maluca em se quer imaginar em ter um filho com Potter...

- James cresceu, Severus, e é um homem corajoso e de muito bom coração. É mais do que eu poderia desejar para pai do meu filho.

- Ele te deu uma poção do amor, Pettigrew deve ter feito uma. Você está dizendo absurdos.

- Eu desisto, não tem como conversar com você, não esqueça do que você me prometeu, Severus. – disse Lily olhando para ele – Você prometeu não contar, se você ainda tem alguma consideração por mim como diz, eu espero que você cumpra sua palavra.

Liy segurou a mão dele e deu um aperto forte antes de soltá-lo, dando as costas e seguindo de volta por onde tinha vindo. Severus olhou para ela esperando que ela se voltasse para trás, mas isso não aconteceu. Suas estranhas ferviam de ódio, Lily não podia estar gostando de Potter, não podia, e Severus faria de tudo para que isso não acontecesse, até mesmo quebrar uma promessa, era para o próprio bem de Lily.

Severus partiu para o lado contrário de Lily, suas pernas se movimentando rapidamente, deixando seu uniforme negro ondulando em suas costas enquanto corria em direção ao escritório de Dumbledore.

Lily voltou distraidamente para onde os marotos estavam, seus pés ditando o caminho, enquanto sua mente estava enevoada em seus pensamentos. Ela chegou na beira do lago, onde os rapazes estavam montando bonecos de neve. James, Remus e Harry, montavam um desconjuntado, com as mãos, enquanto Peter e Sirius montavam um boneco maravilhoso, com as varinhas.

- Lily – gritou Harry animado – Olha o meu boneco de neve. James colocou um cachecol nele.

- Esta lindo, Harry! - Lily sorriu para o menino e depois virando para James que tentava encaixar um galho onde deveria ser o braço do boneco - Por que um cachecol da Lufa-lufa?

- Por que o boneco está idêntico a Bertram Aubrey – quem respondeu foi Sirius demonstrando com as mãos uma cabeça grande.

- Você está sendo cruel, Sirius – disse Lily com um suspiro.

- Você não ia buscar um lanche, Lils? – Perguntou James enquanto levantava Harry para que o menino colocasse a cenoura que faria papel de nariz.

- Oh, Céus, eu esqueci – ela resmungou atrapalhada.

James franziu a testa e passou Harry para que Remus o segurasse. Lily estava pálida e parecia distraída, nervosa. James foi até ela, onde segurou a sua mão fria.

- Está tudo bem, Lils?

- Oh, James, eu acho que fiz uma besteira! – ela respondeu nervosa.

- Não pode ser tão ruim. O que você fez? – James esfregou o polegar no dorso mão dela tentando acalmá-la.

- Eu contei sobre o Harry para Severus – disse ela mordendo os lábios.

- Você o que? – James soltou a mão dela, estava bravo com Lily e supreso. A garota olhou para ele nervosa confirmando o que ele tinha ouvido – Lily, você enlouqueceu?

James começou a andar de um lado para o outro nervoso, enquanto Lily apertava as mãos em punho na lateral de seu corpo.

- O que você disse para ele? – disse James se virando para ela e passando as mãos nos cabelos repetidamente – Por que você disse alguma coisa para ele? Achei que íamos manter isso em segredo.

- Ele viu Harry, James – disse Lily tremendo – Ele o viu e achou que você tinha trazido ele para o castelo, ele ia contar para Dumbledore, o que mais eu poderia fazer?

- Droga, droga, droga – disse James nervoso.

James se virou para os amigos, Remus, ainda com Harry no colo, eles estavam colocando pedrinhas e formando um sorriso torto no boneco de neve, cada vez mais parecido com o verdadeiro Aubrey. Sirius fazia curvas em seu boneco, transformando a bolota de neve em cintura e seios. O coração de James apertou ao ouvir a gargalha de Harry, o medo de nunca mais ouviria aquele som o rodeou e ele sentiu frio.

- O que você contou para ele? – perguntou James ainda sem olhar para Lily.

- T... Tudo – gaguejou ela – Tive que dizer que Harry era meu filho, nosso filho. Ele estava obstinado em contar para Dumbledore. Ele prometeu, James, que não contaria a ninguém.

- Ele prometeu antes de saber que Harry era meu filho? – disse James, se virando para Lily e encarando os olhos dela.

- Sim – disse Lily – Mas isso não importa, ele prometeu de qualquer forma.

- Não, Lily – disse James quase pesaroso – Snape é apaixonado por você, se ele soube que um dia teremos um filho ele vai fazer de tudo para impedir. Até mesmo devolver Harry para o seu tempo.

- Você está enganado...

- Não, não estou, e você sabe disso. – suspirou James retirando um pedaço de pergaminho do bolso – Juro solenemente não fazer nada de bom.

Lily olhou pasma para o pergaminho, enquanto James o desdobrava, e passava os olhos rapidamente pelas linhas que se formavam.

- Onde vocês está, Snape? – resmungou James.

- O que é isso? – Lily perguntou mas foi interrompido pelos xingamentos de James.

- Ele já chegou no escritório do Dumbledore. Vamos, temos pouco tempo. Sirius! – Gritou James já correndo até os meninos.

Lily correu em seu encalço, Sirius já estava virando confuso.

- Snape sabe sobre Harry – disse James nervoso.

Os outros dois rapazes também viraram para James, todos os semblantes preocupados. Harry, que ainda estava no colo de Remus, olhou para James confuso derrubando as pedrinhas que antes segurava.

- Como ele soube? – rosnou Sirius com o olhar fixo em Lily.

- Ele viu a gente aqui fora – disse James apressadamente – E já está com Dumbledore.

- Temos que sair daqui – disse Peter apressadamente.

- Não podemos voltar para o dormitório – disse Remus colocando Harry no chão e apertando o menino contra suas pernas, impedindo-o de sair – Vai ser o primeiro lugar que eles vão nos procurar.

- A passagem atrás do espelho – disse Sirius – Ninguém sabe dela e tem um espaço bom.

- Serve! – concordou James – Pelo menos por enquanto. Vem, campeão, vamos para dentro, ok? – disse James estendendo os braços para Harry.

O menino se soltou de Remus e permitiu que James o pegasse no colo. Logo o menino enfiou a cabeça no pescoço de James, a respiração ritmada fazendo cocegas no rapaz. James esfregou as cotas de Harry carinhosamente, afim de acalmar o menino, ele podia sentir o corpo magro tremendo, muito provavelmente ele entendeu que algum urgente estava acontecendo.

Remus jogou a capa em cima dos dois enquanto Sirius recolhia as vassouras que haviam levado para fora. Lily segurou uma das pontas da capa de James, não queria os perder, mesmo que não pudesse vê-los.

- James – sussurrou Harry, esperando que o rosto confiante de James ficasse a vista – Eu não quero ir embora.

- Você não vai – respondeu James determinado, as linhas do rosto firmes. Ele deu um abraço apertado em Harry – eu não vou deixar.

Eles começaram a andar em um ritmo apertado, James foi colocado no centro, sendo protegido pelo restante.

- Onde fica esta passagem? – Perguntou Lily com a voz estrangulada

- Atrás daquele espelho que fica no sétimo andar – respondeu Sirius, que andava na frente – Qualquer coisa, corram cada um para um lado. Nos encontramos lá.

Todos concordaram e andaram concentrados, deixando pegadas na neve fofa que cobria os terrenos do colégio. Os passos apressados faziam a neve ranger quebrando o silencio, antes tão confortável, a temperatura parecia ter baixado alguns graus consideráveis, fazendo Lily tremer.

Harry estava extremamente quieto, James nunca havia o visto assim, nem mesmo quando dormia, o menino ficava tão silencio. James esfregou a mão nas costas dele, sussurrando que tudo ficaria bem, como se fosse um mantra. Mas Harry não respondia, o único sinal de que ouvia James era que a cada vez que o mantra era pronunciado, ele sentia Harry apertar sua camisa entre a as mãozinhas.

- Não vou deixar ninguém te machucar, campeão – James sussurrou – Eu prometo.

Novamente Harry não disse nada. James engoliu seco, que droga de pai seria que não conseguia apaziguar o medo do seu filho? Mas James tinha tanto medo quanto, talvez até mais. Além de Harry ser de fato seu filho, ele era uma criança incrível: doce, inteligente, educada e amorosa, era impossível não se apegar a ele, não amá-lo imediatamente.

Eles entraram a passos firmes no castelo, o barulho do caminhar deles ecoando pelas paredes frias e vazias do castelo como se fosse o cavalgar de um tropel de cavalos. Eles tinham que se manter juntos, pelo menos até a primeira escadaria, seria um longo caminho até o sétimo andar, mas uma vez que achassem a primeira passagem, poderiam se dividir.

- Senhores, parados aí – A voz conhecida de Minerva McGonagall ecoou no corredor. James fechou os olhos parando junto com os outros.

- Corra – sussurrou Remus.

James sentiu Lily soltando a capa e Sirius se deslocando levemente para o lado, afim de deixar espaço livre para que James corresse.

- Onde está o Sr. Potter? – Perguntou McGonagall se aproximando.

Era mais fácil falar do que fazer, se James corresse ele iria fazer barulho que ecoaria no corredor silencioso, em nenhum momento da sua vida ele duvidaria que Minerva McGonagall acertaria ele, mesmo invisível. Ele calculou que seria mais efetivo ir calmamente, fazendo o mínimo de barulho possível, pelo menos até estar longe do alcance dos ouvidos da sua professora favorita.

James suou frio, testando dar um passo em direção a parede, seus pés moveram vagarosamente para trás, mantendo a pisada firme, seu coração martelando tão alto que ele duvidava que os outros não pudessem ouvir, Harry, por outro lado, mal fazia algum barulho, James só sentia a respiração do menino em seu pescoço, nenhum som, nenhum movimento.

- Professora, James não está aqui – disse Sirius – Estava com dor de cabeça, ainda deve estar no dormitório.

- É mesmo, senhor Black? – respondeu ela com uma das sobrancelhas erguidas – Mas eu sei que ele não está lá. Mais alguma ideia?

- Enfermaria? – perguntou Peter com um sorriso amarelo.

- Tente novamente, senhor Pettgrew – respondeu a professora com um ar superior.

- Por favor, professora – implorou Lily, sabendo que Minerva tinha ouvido a história de Snape, e por mais que não tivesse acreditado na hora, agora desconfiava que poderia ser verdade.

- Srta Evans! – Lily estancou onde estava, a voz sempre bondosa a fez congelar. Um frio subiu pela espinha enquanto ela encarava o velho homem no topo da escada que levaria James ao dormitório.

Ao lado de Dumbledore estava Snape, como se fizesse parte das sombras projetadas pelas paredes do castelo. Ele não sorria, sua expressão era tão neutra, que Lily poderia jurar que ele nunca tivera um sentimento se quer, mesmo sabendo que Severus era cheio deles.

- Onde está o senhor, Potter? – Perguntou Dumbledore com o tom calmo de sempre.

Lily sentiu o gosto da bile subindo pela garganta, e forçou a não olhar na direção em que James deveria estar. Os outros rapazes deviam estar bem treinados com aquele inquérito envolvendo a capa de invisibilidade, pois também não desviaram o olhar do professor.

Sirius pegou sua varinha e agarrou-a, pronto para revidar se algo acontecesse, Remus colocou a mão no bolso, provavelmente imitando o gesto de Sirius, porém muito mais sutilmente que o moreno. Lily e Peter deveriam estar muito mais surpresos que os outros, pois não tiveram nenhuma reação parecida, as varinhas permaneceram guardadas.

- Vou perguntar mais uma vez – disse Dumbledore, com uma calma invejável – Onde está o Senhor Potter?

- Ele tem uma capa de invisibilidade, Professor – disse Snape com um sorriso cruel.

Neste mesmo momento ocorreu uma comoção no meio do corredor.

- ORA, SEU FILHO DA P... – gritou Sirius com a varinha estendida jogando um feitiço não verbal para cima de Snape.

- SIRIUS BLACK, COMO PÔDE? – Gritou Minerva McGonagall indo em direção a Sirius o agarrando pelo braço.

- Protego – disse Dumbledore calmamente rechaçando o feitiço de Sirius com um floreio, impedindo que se quer bagunçasse os cabelos de Snape. O garotou sorriu presunçosamente.

- Me solta, professora, eu vou matar este desgraçado – rugiu Sirius.

- Agindo desta forma você só prova que o Sr. Snape está certo e que Potter está fazendo algo errado – disse Minerva – Quieto se não vou ser obrigada a azará-lo.

- Então vai ter que me azarar...

Antes de terminar a frase a professora irritada jogou um Petrifico Totallus em Sirius, que estancou, somente o olhar demonstrava o quanto surpreso ele estava com o ataque de sua professora favorita.

- Você me obrigou, Sr. Black – Minerva apontava o dedo nervosa, o chapéu caindo de lado, em um sinal claro de desalinho. – Alguém quer pelo amor de Merlim me contar onde está Potter!

Todos olhavam assustados para a professora, Peter até se escondeu um pouco atrás de de Lily, tamanha era a fúria que emanava daquela mulher. Remus aproveitou a confusão e tentou de alguma forma, garantir o caminho de James, mas isso acabou atraindo o olhar perspicaz de Dumbledore que apontou a varinha quase despretensiosamente na direção em que James estaria.

- Accio capa de invisibilidade! – disse Dumbledore.

Pareceu que um dementador havia aparecido no corredor, tamanho foi o silêncio que se fez. Os garotos olharam para Dumbledore, evitando olhar para onde James estaria, esperando silenciosamente a capa aparecer na mão do diretor. Lily, que era menos treinada nestes assuntos, simplesmente olhou descaradamente em direção a James. Até mesmo McGonagall ficou apreensiva, olhando para o diretor.

Mas nada aconteceu. James segurou firme a capa, mesmo tendo a certeza que ela voaria de alguma forma o revelando, mesmo que parcialmente. Mas, para a sua surpresa, nada aconteceu, a capa não se deslocou nem por um segundo, mantendo-se ao redor de James e Harry. O maroto sentiu seus lábios repuxando em um sorriso, e encarou o professor com um olhar de triunfo. Mas os olhos de Dumbledore o encararam também, e James viu o mesmo brilho triunfante nos olhos azuis do Diretor.

- Interessante – sussurrou Dumbledore, enquanto agilmente ia em direção aos marotos. Rápido demais para causar uma reação concreta, e com certeza rápido demais para alguém com a idade dele.

- Não! – A voz rouca de Remus pode ser ouvida segundos antes da mão de Dumbledore agarrar aparentemente o ar. James gemeu quando sentiu a capa deslizando para fora de si, ele largou-a, para que pudesse puxar a varinha e manter Harry junto ao seu corpo.

Todos ofegaram,

- Interessante – sussurrou Dumbledore novamente ao segurar, quase reverente, a capa de James – Você tem um item bastante raro, Sr. Potter.

James não respondeu, estava na dúvida se o professor estava falando da capa ou de Harry. Mas o garotinho encarou o diretor com dois olhos verdes curiosos, obviamente Harry estava achando que Dumbledore estava falando com ele, afinal Harry era um Potter.

- Essa capa é de James – respondeu Harry timidamente.

- Ora, olá, jovenzinho. – disse Dumbledore com um sorriso. James apertou Harry ainda mais em seu colo – Qual o seu nome?

- Harry... Harry Potter – A voz de Harry saiu baixa, mas foi amplificada ao máximo pelo silencio que era mantido no corredor. A professora Minerva ofegou olhando do garotinho para James com a boca aberta em um perfeito "O".

- Olá, Harry – disse Dumbledore calmamente como se fosse comum encontrar garotinhos que não deviam existir – Eu sou o professor Dumbledore, diretor desta escola, espero que esteja gostando da sua estadia.

Harry fez que sim com a cabeça, mais ainda agarrando o uniforme de James.

- Professor... – começou James, mas foi interrompido por Dumbledore.

- Porque não conversamos no meu escritório? – Disse o diretor enfático, sem tirar os olhos de Harry. – Minerva, acha que pode descongelar o sr. Black, agora?

- Claramente que sim – a professora acenou com a varinha, fazendo Sirius voltar ao normal, o garoto cambaleou com o feitiço desfeito e foi seguro por Peter.

- Professora isso foi golpe baixo, como a senhora pode? – resmungou Sirius ajeitando as vestes nervoso, tão vermelho de raiva quanto a professora, pronto para reclamar ainda mais.

- Sirius, por favor... – chiou Lily, os olhos marejados fixos em Harry e James. Sirius, como um balão, pareceu se esvaziar por completo, sua expressão mudou de raiva para uma compreensão triste. Ele segurou a mão de Lily e se calou completamente.

Dumbledore pareceu estar esperando somente isso para começar o estranho cortejo, ele ia ao lado de James, a capa da invisibilidade do garoto cuidadosamente segura em sua mão. James, por sua vez ainda segurava Harry em seus braços, cochichando ao menino que tudo ficaria bem. Peter e Remus vinham logo atrás, este último segurava a varinha firmemente dentro das vestes. Por fim Lily e Sirius ladeados pela Severa Minerva, que ainda tinha os olhos fixos em Sirius.

- Você também, Sr. Snape – disse Dumbledore ao passar pelo Sonserino.

Sirius rosnou para Snape, como um cão raivoso, mostrando os dentes literalmente. Snape se postou ao lado de Lily, preferindo ficar ao lado da ruiva do que ser atacado por Sirius.

- Como você pode, Snape? – Lily cochichou sem encará-lo – você me prometeu que não contaria. Eu pedi para que você não contasse.

- Essa criança é um erro, Lily – ele respondeu olhando para ela – Você não percebe? Nem sabemos se de fato será seu filho, eu particularmente acho impossível...

Lily olhou para ele incrédula, os olhos vermelhos e rastro de lágrimas marcando as bochechas. O olhar, ao contrário do que Severus imaginava, não mostrava-se decepção e sim raiva, muita raiva.

- Harry é meu filho! Eu sei disso, você sabe disso. – ela respondeu raivosa – E se quiserem tirar ele de mim vão ter que lutar comigo. E acredite, Severus, eu não vou cair fácil, eu vou lutar como se minha vida dependesse disso.

- Então somos dois, Evans – sorriu Sirius maníaco – Ouviu, Snivellus? A senhora também, Professora.

- Isso é uma ameaça, Sr. Black – perguntou a professora irritada.

- Ah, é. Infelizmente é – respondeu Sirius em um suspiro.

Recados:

Demorei né? Mil perdões, o feriado me atrapalhou um pouco, mas já voltei. E espero que gostem deste capítulo.
Agradecimentos a todos que estão seguindo e favoritaram a fic e a todos os comentários, especialmente:

Milena S Correa: Que bom que você achou ele fofo, eu tbm acho!

Sefora d. Moreira: Este capitulo tem mais um pouquinho de Sirius e Harry, eu entendo a dificuldade em retratar o Peter, é difícil escrever ele sabendo que ele vai trair os amigos, mas ele fazia parte do grupo, então eu o imagino interagindo e se divertindo, sendo leal. Talvez quando ele encorou a realidade da guerra ele tenha vacilado, mas não acho que na escola ele já soubesse que trairia os amigos. Faz sentido?

Assuncao: O que eu faria sem você e suas correções? Muito obrigada, que bom que você gostou das aventuras de Harry, queria que le também tivesse uma interação com Lily, por isso poções, as vezes acho que a negligencio um pouco. Espero que você tenha gostado deste capitulo tbm.

Bea: Que bom que você está gostando. Obrigada pelos elogios, e me diga o que você achou deste aqui também.

Sirius Raven Black: Você não sabe a alegria que seu comentário me trouxe. Muito obrigada. Espero que este capitulo não tenha te decepcionado. ¡Saludos!