Capitulo 6. A pior lembrança de Harry

O cortejo seguiu silencioso e até mesmo Harry, que agora vinha caminhando ao lado e de mão dadas com James, não dizia uma palavra se quer. Lily estava muito incomodada com os olhares constantes de Snape, apesar da ruiva o estar ignorando a sensação de estar sendo observada e a culpa de ter sido, pelo menos um pouco, a causadora de terem descoberto Harry, fez com que ela adiantasse o passo, passando por Remus e Peter e parando ao lado do menino, segurando a mão dele que ainda não estava sendo dominada por James.

Sirius, percebendo que Snape estava agora a seu lado, deu uma risada sem vida e cruel em direção ao garoto.

- Você está tão ferrado, Snivellus. – ele disse para o Sonserino.

- Sr. Black! – disse a Professora Minerva em tom de alerta.

- Só estou constatando um fato, Professora – disse Sirius mostrando um sorriso falso.

Snape olhou para frente, a varinha bem segura na sua mão, pronto para contra-atacar qualquer coisa que Sirius atirasse para cima dele, mas o grifinório não parecia muito propício a atacar o rival, pelo menos não naquele momento. Apesar do falso sorriso ter sido abolido do rosto do garoto, sendo subsistido por uma carranca, Sirius parecia estar tratando Snape como se ele não fosse mais do que um verme nojento que ele tinha que aturar.

Apesar da tensão instaurada o cortejo chegou a gárgula que guardava a sala do diretor sem nenhum incidente e todos os membros intactos. Dumbledore sentou atrás de sua escrivaninha, não antes de transfigurar seis cadeiras a sua frente, James e Lily, que estava com Harry em seu colo, ficaram mais próximos da mesa do diretor, com Sirius ao Lado de James e Remus ao lado de Lily. Peter ficou mais atrás ao lado, relativamente, de Severus, que colocou propositalmente sua cadeira o mais distante dos marotos possível.

A Professora McGonnagal configurou sua própria cadeira que, ao contrário das de Dumbledore, era simples e sem o estofado florido. Ela sentou atrás de todos, braços e pernas cruzados, rigidamente, a varinha em punho e os lábios apertados mostrando desgosto.

- Então, agora que estamos acomodados – disse Dumbledore olhando sobre os óculos – Quero ouvir a história de vocês e deste rapazinho.

Remus iniciou sua parte, Sirius ainda estava muito nervoso para dizer alguma coisa, e contou como os dois encontraram Harry no corredor e resolveram leva-lo para James. Da maneira que ele contou, parecia que era realmente o certo a fazer: levar uma criança perdida aos monitores chefes, Remus ficara bom em deixar suas meias verdades críveis, sem que os interceptadores desconfiassem das suas omissões.

Lily então tomou a palavra, dizendo como Harry estava magro e com frio, e como ela identificou que ele parecia com James.

- James me mostrou uma foto dele criança, os dois eram iguais.

- Exceto pelos olhos – respondeu Dumbledore.

- Exatamente – Lily deu um sorriso, o primeiro desde que encontrara com Snape aquela manhã – Exceto pelos os olhos, Harry parecia muito com James e então ele me contou que mora com os tios, e me disse o nome deles, Petúnia e Valter Dursley, que naturalmente são trouxas. - Dumbledore não disse nada mais assentiu, reconhecendo o nome, pelo menos de Petúnia, quem ele já havia mantido uma correspondência.

- Então ele nos disse seu nome completo – Lily sorriu para Harry – Harry James Potter, e não sobrou dúvidas.

- De fato – Professor Dumbledore deu um meio sorriso, ignorando o ofego de McGonnagal no fundo da sala – E ele disse o que aconteceu com os pais dele?

- Meus pais morreram – foi Harry que respondeu baixinho – Quando eu era bebê.

Professora Minerva deu um soluço, os olhos de Dumbledore brilharam tristes e Severus empalideceu. Lily abraçou Harry um pouco mais forte e James a abraçou de lado, antes de soltá-la, para segurar uma das mãos de Harry.

- Sinto perguntar isso, Harry, mas você se lembra como? – disse Dumbledore encarando o garotinho.

Harry balançou a cabeça negando, seu cabelo deslocando levemente deixando a cicatriz ainda mais aparente, como um sinal de que tudo aquilo acontecera, ou aconteceria, dependendo do ponto de referência.

- Não me lembro – o garotinho respondeu triste – Tia Petúnia disse que eles morreram em um acidente de carro. Mas quando eu penso nisso – Harry fez uma cara como se tivesse forçando a se lembrar, James e Lily olharam para ele com curiosidade mórbida, pois não haviam ouvido ele dizer sobre a morte deles – Eu só lembro de uma luz verde – Harry continuou – Mas carros não têm luz verde, têm?

Lily ofegou e os demais empalideceram, olhando diretamente para Dumbledore, que suspirou.

- Não, Harry, eles não têm uma luz verde. – Dumbledore suspirou cansado, antes de dar um leve sorriso, que não chegou aos olhos – Como você chegou ao castelo, você se lembra?

Harry contou da mulher que lhe dera o pingente em forma de ampulheta e como ele caíra da escada, após Duda empurrá-lo. Dumbledore questionou como a mulher era, mas não foi possível identifica-la por ninguém que conheciam pelo menos. Poderia ser qualquer pessoa, considerando transfiguração humana e poção polissuco.

- Receio que teremos que manda-lo de volta para os seus tios, Harry – Dumbledore disse olhando para o menino e não prestando atenção nos resmungos indignados de James, Sirius e Lily. – Eles devem estar preocupados.

- Não estão, senhor, eu juro. Eles nem gostam de mim – Harry disse quase em pânico – Eu gosto daqui. James disse que eu podia ficar com ele.

James concordou, dando um apertinho na mão do menino para mostrar que sua proposta ainda estava de pé.

- Eles te tratam mal, Harry? – perguntou Dumbledore confuso olhando para Lily que sustentou o olhar do diretor com um misto de desafio e tristeza. O menino ficou quieto mordendo a bochecha – Não posso te mandar de volta se eles te tratam mal – o diretor continuou – E eu aconselho que não minta.

Harry negou com a cabeça e James deu um suspiro cansado, Harry era muito nobre para falar mal da família.

- Eles já te bateram Harry? – Perguntou James um pouco sem paciência. Harry negou – Já te deixaram sem comida?

- Só quando faço alguma coisa errada. - disse Harry confuso.

- Como o que? – foi a vez de Dumbledore perguntar.

- Quando eu pergunto sobre o papai ou a mamãe – disse Harry dando de ombros – Ou fico no quintal da frente onde os vizinhos podem me ver.

- Onde você dormia, meu amor? – Lily questionou antes de beijar o topo da cabeça dele.

- No armário, de baixo da escada – Harry respondeu confuso.

- No armário? – engasgou Minerva. Harry tentou olhar para a professora severa e assentiu.

- Você é obrigado a arrumar casa ou cozinhar? – perguntou Remus.

- Sim – Harry respondeu.

- E seu primo? Ele também é obrigado? – Remus continuou calmamente. Harry negou com a cabeça, ainda estava confuso com o interrogatório.

- Quantos anos você tem, Harry? – Dumbledore questionou.

- Cinco – disse Harry com um sorriso – Eu acho!

- Você acha? – Snape abriu a boca com um pouco de escárnio.

Lily bufou, irritada, mas acalmou antes de perguntar a Harry.

- Você teve alguma festa de aniversário?

- Sim. Vocês fizeram uma festa para mim.

- Tirando essa, meu amor, seus tios já fizeram alguma festa para você? – Lily continuou.

- Não! Só Duda faz aniversário.

- Algum presente, filhote? – perguntou Sirius, Harry negou novamente.

- Acho que temos um ponto, professor – Disse James com o maxilar trincado, em sinal de obstinação, encerrando o assunto.

- Minha irmã me odeia – disse Lily triste – Harry não vai voltar para Petúnia, não se eu puder evitar.

Dumbledore deu um pequeno suspiro.

- Ele não sofre maus tratos...

- Ele não é amado – disse Lily nervosa – Harry fica!

- Srta. Evans... – Dumbledore disse – Isso não pode acontecer, Harry não está no tempo dele, não sabemos o que pode acarretar só de vocês saberem que ele vai existir.

- Podemos usar isso ao nosso favor – disse Remus pensativo – Se Harry pudesse lembrar, então poderíamos reverter o que ocorreu, ou pelo menos entender o que ocorreu.

- Sr. Lupin não podemos fazer isso. – suspirou Minerva triste – O professor Dumbledore, mesmo, disse que mexer com o tempo é perigoso.

- Não, Minerva – disse Dumbledore muito quietamente – O que estava pensando, Sr. Lupin?

- Legilimência – disse Remus com um dar de ombros – Jame... Os pais de Harry não podem ter morrido de causas naturais, ainda mais, se formos acreditar na lembrança dele, Harry viu uma luz verde, nós sabemos o que significa.

- Legilimência não vai ajudar – resmungou Snape e todos olharam para ele, os olhos de Dumbedore brilhando – Se Harry não se lembra fica quase impossível um bruxo achar a lembrança, Legilimencia permite que você acesse as memorias conscientes de um bruxo, as memórias esquecidas vão para um limbo, se o bruxo não pensa nelas o Legilimente não pode acessá-las.

- Pensando em se tornar um Legilimente, Snivelus? – resmungou Sirius.

- Caso não tenha percebido estou tentando ajudar, imbecil – sibilou Snape em retorno.

- Sirius – gemeu Lily – Por favor...

Sirius fez uma careta, mas respirou fundo e ficou quieto. James apertou levemente o ombro dele em sinal de agradecimento.

- O Sr. Snape tem uma certa razão – disse Dumbledore – Apesar de não estar completamente correto. – Snape olhou curioso para Dumbledore, quase tentado a tomar nota quando ele voltou a falar – De fato um legilimente não pode ver memorias que não há a consciência de sua existência, mas as memórias estão lá de alguma forma, digamos, adormecidas.

- Mas poderíamos demorar dias ou até mesmo meses para achar estas memorias, Professor – disse Snape desdenhoso.

- Não se tiver algo que a aflore – Dumbledore disse sem o costumeiro riso.

- Isso seria um feitiço ou poção? – perguntou James preocupado.

- Não sei de nenhuma poção que faça memórias aparecerem – disse Lily negando.

- Nem feitiços – completou Remus.

Todos ficaram calados por um minuto refletindo. Até que Snape disse, com voz baixa, mas que pareceu ecoar por toda a sala:

- Dementadores.

Todos olharam para ele confusos, questionando o que ele estava dizendo, menos Dumbledore, que deu um concordar simples com a cabeça, seu semblante triste olhando diretamente para Harry.

- O que? – Perguntou Sirius.

- Dementadores – repetiu Snape como se tivesse falando com uma criança – Sabe o que eles são, Black? Ficam na prisão do Bruxos em Azkaban, onde você deveria estar...

- Se eu fosse você, eu calava a boca, Snivellus– resmungou Sirius se levantando – Eu sei o que são Dementadores, só quero saber por que você sugeriu isso.

- Dementadores afloram nossas piores memorias – disse Remus em sussurro – E a pior memória de Harry pode ser justamente a morte dos pais dele.

- Não! – disse James bravo – Você não está sugerindo que eu deixe um dementador perto de Harry, está?

- Não – respondeu Remus rapidamente

- Sim – disseram Snape e, surpreendentemente, Dumbledore.

- Vocês estão loucos! – disse Lily – Não!

- Srta. Evans – disse Dumbledore – Se me deixar fazer de um modo controlado, o Sr. Lupin estará certo e podemos salvar mais de uma vida e o jovem Harry não terá que viver com Petúnia.

- Não – disse Lily enfática – Não vou expor Harry a um Dementador! Eu não me importo de morrer.

- Lils... – disse Severus.

- Onde arranjaríamos um dementador? – perguntou James sério.

- James, não – Lily olhou para ele assustada – Você não pode estar considerando isso.

- E se pudermos te salvar? Se Harry lembrar como, como você... – disse James antes de se voltar para Dumbledore – Podemos fazer ele esquecer novamente, professor? Depois que recuperarmos a memória, podemos fazer ele esquecer que aconteceu?

- Se vocês desejarem... – disse Dumbledore em um suspiro – Apesar de não recomendar, as memórias são importantes.

- Não essa! – disse James – Não a de um Dementador.

- Você está maluco – disse Lily apertando mais Harry, que parecia cada vez mais confuso – Vocês estão todos malucos. EU não me importo de morrer, Harry está vivo, isso que importa.

- Lils, Harry não vai ter uma família, isso é ruim suficiente – disse Remus em um sussurro – Se pelo menos tivermos uma chance de vocês ficarem vivos... só uma chance, então temos que tentar.

- Não será um dementador de verdade – disse Dumbledore quietamente. Todos olharam para ele confusos – Vamos usar um bicho papão, o meu bicho papão, especificamente – ele continuou em um sussurro.

Todos engoliram a seco processando a informação, Lily olhou para James pedindo ajuda, mas ele não retribuiu o olhar, estava tão sério que chegava a aparecer mais velho. Ela olhou para Sirius, mas este também não retribuiu seu olhar, ele olhava para baixo, os cabelos cobrindo a face, a única demonstração do abalo emocional que ele estava sofrendo, eram as mãos tremendo. Lily então buscou o olhar de Remus, ele, por sua vez olhava para ela com pena e dor...

O que ela não sabia era como era dolorido para estes dois últimos perder James. Para Sirius, ele sempre seria seu melhor amigo, o irmão que o adotou, quando toda a sua família virou as costas, por quem ele faria tudo e sabia que a reciproca era verdadeira. Já para Remus, James era um dos poucos amigos que possuía, que sabia quem ele era e, não só havia tratado este fato como se não fosse nada, como se arriscara, infringira diversas leis e contra o próprio bom senso, havia se tornado animago apenas para fazer a vida de Remus melhor. Nenhum dos dois podia perder James, isso nem mesmo era uma hipótese.

Lily não olhou para Severus, mas veria nele a mesma dor estampada em Remus, veria ele quase implorando para que ela sobrevivesse. Pouco importava Potter ou o garoto, pouco importava como, mas que ela sobrevivesse.

- Minerva, pode nos trazer o gaveteiro que estava na sala dos professores. Acredito que ninguém ainda tenha eliminado o bicho papão que está morando lá.

Todos se assustaram com as palavras de Dumbledore. Até mesmo Minerva ficou paralisada por um tempo, antes de sair quietamente para cumprir sua função. Harry tremeu e virou seu rosto para o robe de Lily, sussurrando que estava com medo.

- Não vai acontecer nada com você, meu amor – Lily sussurrou, os lábios presos ao topo da cabeça de Harry – Eu estou aqui. Eu sempre vou estar com você, ok?

James tinha colocado a cabeça apoiada em seus braços, ele ainda tremia nervoso, as pernas não paravam quietas, ao contrário dele, Sirius estava anormalmente parado, como se tivesse congelado. O silencio era quase palpável, até mesmo a fênix de Dumbledore parecia estranhamente quieta observando todos ao seu redor.

A professora Minerva retornou quebrando o silêncio, ao seu lado marchava um gaveteiro de madeira de estilho clássico, suas pernas curtas formavam um trote esquisito para consegui acompanhar os passos decididos de McGonnagall. Sem ser mandado o gaveteiro parou ao lado da cadeira de Dumbledore, suas pernas voltaram ao normal, mas mesmo assim ele sacudiu um pouco, fazendo o jovem Harry tremer mais no colo de Lily.

- Srta. Evans, lamento mas acho que você deve deixar o jovem Harry sozinho para isso. – Dumbledore disse calmamente, mas não sorria ou dava sinal de qualquer alegria.

- Não! – disse Lily em um sussurro, abraçando Harry ainda mais forte – Não vou deixar ele sozinho.

- Lily, por favor! – surpreendentemente quem disse isso foi a Professora Minerva que estendia a mão para Lily.

A garota olhou a mão estendida da professora, com um suspirou concordou. Ela levando se desvencilhando de Harry delicadamente, colocando ele sentado na cadeira. Com um beijo na testa do garoto, ela disse, sem encarar os olhos verdes do filho.

- Seja forte, Harry. Eu estarei aqui do lado, ok? Eu não estou te abandonando. Eu te amo! Seja forte, meu amor

Lily deu mais um beijo em Harry e segurou a mão da professora Minerva que a carregou para longe do menino. Sirius se levantou tremulo, deu um beijo na cabeça de Harry, engolindo seco ele olhou para James que parecia arrasado, ele acenou e se encaminhou para o canto da sala juntamente com Remus. James, por sua vez, se abaixou, levantando a cabeça de Harry para olhar nos olhos dele. A voz não saiu confiante como ele desejava, mas já era admirável que tenha saído de qualquer forma:

- Harry – disse James – Escute, não se preocupe, nada de mal vai te acontecer, estaremos aqui, ouviu?

- Eu... eu estou com medo, James – sussurrou Harry.

- Eu sei – James respondeu triste – Eu também estou apavorado. Mas precisamos fazer isso, pela mamãe.

- Pela minha mãe? – Harry perguntou confuso.

- Sim, por sua mãe. Talvez possamos salvá-la se você conseguir lembrar dela. Só por isso estamos fazendo isso. - James fez um carinho na cabeça de Harry, olhando nos olhos do menino ele continuou: - Olha, Campeão, não vou mentir, vai ser apavorante, mas vamos estar aqui o tempo todo, do seu lado, nunca mais vamos sair do seu lado, Ok? – James olhava profundamente para o menino que assentiu de leve, James deu um abraço nele, falando agora com as costas do garoto – Confie em mim, Harry, vai dar tudo certo, meu menino. Você confia em mim?

Harry assentiu de leve, esfregando o rosto na capa de James.

- Bom garoto! – James deu um sorriso sem alegria após voltar a olhar no rosto do menino – Você é muito corajoso, Harry. Estou muito orgulhoso de você.

- James! – sussurrou Remus. James assentiu, deu um beijo em Harry se levantando e postando ao lado dos três amigos.

- Pronto, jovem Harry? – Dumbledore disse amavelmente – Não vou deixar nada acontecer com você.

Harry assentiu, as mãozinhas seguraram no braço da cadeira com força e os olhos buscaram o gaveteiro com curiosidade e temor. Dumbledore postou-se na frente de Harry e com um floreio da varinha, ele abriu o gaveteiro, logo surgiu, como se estivesse exprimido dentro do pequeno móvel, um ser encapuzado parecia estar se inflando de dentro do gaveteiro, como um balão macabro.

As luzes da sala piscaram e o ar começou a esfriar, e eles ouviram uma arfada, como uma matraca, do Dementador. Harry engasgou olhando para a coisa, ele pode ver uma mão saindo pela capa, uma mão putrefata e escura. Dumbledore saiu da frente de Harry, deixando o menino sozinho com a coisa. Harry sentiu as lagrimas escapando dos seus olhos e escorrendo pelas bochechas, tudo ficou mais escuro e ele se sentiu mais gelado.

Então ele ouviu o primeiro grito:

- Lily, pegue Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu o atraso...

Harry tremeu, ele sabia de alguma forma que aquela era a voz do seu pai, ele tinha certeza disso, como se houvesse esquecido há muito tempo, mas agora lembrasse.

- Avada Kedrava! – outra voz gritou.

Harry esta altura chorava profundamente enquanto dizia "papai, papai".

James tremeu, se o dementador já não fosse o bastante, Harry estava em pedaços e era culpa dele. Lily já chorava profusamente no ombro de Minerva McGonnagall, que a abraçava com força e tentava acalmar sua aluna, mesmo estando tão chocada quanto a garota. Sirius saiu pela porta do escritório a passos largos, dizendo que não podia ouvir aquilo.

Quando Harry chamou por James, foi a gota d'água para o maroto. Ele saiu do seu canto com a varinha em punho, pronto para espantar o Dementador. Mas dois braços fortes o pararam, James demorou a reconhecer como Remus a pessoa que estava entre ele e Harry.

- Me solta Moony, chega, chega! – dizia James nervoso – Foi um erro. – James desabou - Me perdoa, Harry!

- Só mais um pouco, James – Remus o segurou mais forte, a voz também estava tremula – Só mais um pouco, já vai acabar. Precisamos saber.

Harry, por outro lado, não ouvia o que se passava ao seu redor. Sua consciência estava direcionada agora para outros gritos.

- O Harry não, o Harry não, por favor, o Harry não!

- Afaste-se sua tola... afaste-se, agora

- O Harry não, por favor, não, me leve, me mate no lugar dele...

- Este é o meu último aviso...

- Harry não! Por favor... tenha piedade... tenha piedade... Harry não! Por favor... farei qualquer coisa...

- Afaste-se... afaste-se, garota...

Harry agora gritava por Lily, que estava ainda apertava no abraço de Minerva McGonnagall. Peter ajudava Remus a segurar James, todos tinham lagrimas nos olhos, o Dementador bicho papão parecia cada vez mais sedento para cima de Harry e ele começava a baixar o capuz. James estancou e empurrou Remus com toda a força, e conseguiu se soltar foi correndo até Harry, antes que Remus pudesse segurá-lo novamente.

Então Harry viu uma luz verde, mesmo com seus olhos fechados, e o mundo se desfez o derrubando em um silencio angustiante e escuro.

Quando James chegou ao lado do garotinho, ele se ajoelhou a tempo de pagá-los braços quando ele desmaiava. Isso o colocou entre Harry e o bicho papão. Ninguém teve tempo de processar quando as luzes da sala voltaram ao normal e o frio pareceu dissipar, quando James olhou para trás não encontrou o dementador e sim o corpo estendido de Lily, os olhos verdes vidrados olhando para o teto.

James agarrou mais Harry em seus braços, era incapaz de fazer qualquer coisa, então a criatura voltou a mudar, agora para a forma morta do garotinho. James voltou a chorar, agarrando mais a Harry. Remus chegou, se colocando na frente de James e fazendo o transformista virar uma lua cheia, antes que Dumbledore conseguisse prender o bicho novamente.

Lily se soltou da professora Minerva correndo até onde James estava.

- Harry! Acorda, filho! – James dizia sacodindo o corpinho magro.

- Harry! – Lily ainda chorava. Mas pareceu que Harry precisava somente ouvir a voz dela para despertar. Os olhos verdes abriram repletos de medo e pavor.

- Mamãe?! – Ele gemeu os olhos se enchendo de lágrimas de novo e o corpo magro tremendo nos braços de James.

- Estou aqui, querido, estou aqui e não vou sair mais do seu lado. – Lily o abraçou tirando-o gentilmente dos braços de James – Está tudo bem, meu amor, tudo bem! Foi só um pesadelo, estou aqui agora.

Harry tremeu contra os braços de Lily, seu rosto escondido na capa dela, suas mãozinhas firmemente agarradas nela, como se ele tivesse medo que ela desaparecesse caso soltasse. James tirou sua capa e colocou gentilmente envolta de Harry, seus olhos evitando os de Lily, ele virou o rosto para Dumbledore, a mandíbula prensada em uma atitude fria.

- E agora, professor? – disse James com a voz rouca.

Dumbledore saiu de trás da escrivaninha com a varinha apontada para Harry, puxando delicadamente da cabeça do menino um fio prateado. Professora Minerva apareceu com um frasquinho de vidro, onde a memória foi depositada.

- Ele deveria comer um chocolate – disse Minerva quietamente.

Dumbledore assentiu, puxando de uma das gavetas de sua escrivaninha uma barra lacrada do melhor chocolate da Dedos de Mel, ele entregou a James com um olhar de pesar. O rapaz abriu a barra e partiu um pedaço grande com um estalo, enquanto McGonagall saia da sala, possivelmente para trazer Sirius de volta.

- Harry... – disse James incerto colocando a mão nas costas do menino que permanecia com o rosto colado na capa de LIly – Campeão, tome, você precisa comer um chocolate, você vai se sentir melhor.

Harry levantou um pouco o rosto encarando James, os óculos manchados de lágrimas, as mesmas que escorriam pela bochecha do garoto.

- A gente vai conseguir salvar a mamãe? – Ele perguntou baixinho.

- Sim, graças a você – James sorriu carinhoso – Estou tão orgulhoso. Você foi tão corajoso, tão corajoso, meu garoto. Mas agora coma isso. É chocolate, vai te fazer bem.

Harry mordeu o chocolate delicadamente, e isso mudou sua feição, a testa não estava mais vincada, e corpo magro parou de tremer, já não estava mais soando frio.

- Coma tudo, Harry – disse Lily com um carinho – Você vai ficar melhor.

Sirius voltou para a sala acompanhado da professora Minerva, os olhos deles estavam vermelhos e ele não fez questão nenhuma de disfarçar. Ele encostou na parede ao lado de Remus, sem encarar James ou Lily, recebeu do amigo um aperto no ombro e um sussurrado "ele esta bem".

Dumbledore levantou da cadeira e depositou a memória na penseira. O conteúdo girou em uma espiral prateada, fluindo juntamente com o silencio instaurado na sala, o professor espiou por um tempo antes de suspirar e questionar:

- Estão preparados para ver estas memórias?

James foi um primeiro a assentir. Ele levantou de sua cadeira, o semblante sério permanecia em seu rosto, ele deu um beijo no topo da cabeça de Harry antes de se postar ao lado do diretor. Remus foi o segundo a se posicionar ao lado de James, com Peter em seu encalço. Sirius não fez menção de se mexer e, vendo isso, James virou para o amigo.

- Não vou te pedir para vir, Padfoot – disse James sabendo o quão difícil para o amigo seria ver a sua morte – Você não precisa fazer isso.

- Mas eu vou – Sirius disse se encaminhando e ficando ao lado de Peter.

- Srta. Evans? – perguntou Dumbledore.

Lily mordeu o lábio, sua vontade era ir com os outros, saber o que fizera de errado para deixar uma criança sozinha no mundo. Uma curiosidade quase mórbida se apossava de seu coração. Mas o coraçãozinho de outra pessoa a segurava na cadeira. Harry ainda tinha o rosto pregado em sua camisa e as mãozinhas apertadas em seu casaco.

- Não vou deixar Harry sozinho – respondeu ela com um leve carinho na cabeça de Harry – E não vou deixar ele ver estas lembranças de novo.

- Eu fico com o jovem Potter – disse McGonnagal se levantando e indo em direção a Lily – Fizemos tudo isso para que vocês aprendessem algo, não vou deixar que você perca a oportunidade.

Lily mordeu o lábio em apreensão, realmente não queria deixar Harry, mas ver o que iria acontecer com ela e James era tentador demais, se pudesse ao menos saber como salvar James, Harry teria um dos pais, não viveria com Petunia, não passaria fome ou medo.

- Harry, querido – Lily disse com a voz baixa e muito mais tranquila do que de fato ela estava – Eu preciso sair um minutinho, Professora Minerva vai ficar com você, esta bem? Eu e James voltamos logo.

Harry olhou para ela, os olhinhos verdes demonstravam medo, mas o menino concordou com uma acenar de cabeça. Lily deu um abraço nele e um beijo antes de solta-lo para que fosse para perto de Minerva.

- Você seria um excelente Grifinório, Sr. Potter – e ela deu um raro sorriso – Eu ficaria honrada caso entre na minha casa quando fizer onze anos.

- Eu posso estudar aqui? – os olhos do menino se arregalaram e isso fez com que McGonnagall desse uma gargalhada.

- Ah, com certeza! – disse ela segurando Harry junto a suas pernas.

Lily sorriu antes de se juntar ao grupo ao redor da Penseira. Remus e Sirius deram um passo para o lado afim de permitir que ela pudesse se postar ao lado de James. Os dois ainda estavam em um clima estranho. James não queria encarar Lily, depois de permitir que Harry passasse pelo horror de um Dementador, e, de fato, ela ainda estava com raiva por isso. Mas os dois permaneceram lado a lado, sem dizer nenhuma palavra.

- Acredito que seria importante a sua participação, Sr. Snape – disse Dumbledore.

- Não! – disse Sirius bravo – Ele quer ver James morto, não vou deixar ele rir sobre o cada... sobre meu melhor amigo.

James olhou para Snape, o garoto parecia pálido, a boca franzida como se tivesse comido algo muito amargo. Ele sabia que Snape não ligaria de ver seu cadáver, até desejaria isso, mas Lily era outra história. James sabia que Snape era apaixonado por ela, um apaixonado reconhece outro. Por mais que Snape não a entendesse, e que tivesse escolhido o pior caminho, ele ainda amava Lily e se ele visse, se ele entendesse e salvasse Lily, para James, compensaria qualquer coisa.

- Deixe ele ir – disse James sério, trazendo todos os olhares para si – Dumbledore está certo, Sirius, talvez seja importante.

- Mas James ele vai... – Sirius tentou argumentar.

- Eu não me importo – James disse em um suspiro – Harry é mais importante agora – assim como Lily, James completou em seu pensamento.

Sirius assentiu enquanto Snape caminhava vagarosamente até a penseira tentando ficar o mais longe de Sirius possível. Dumbledore orientou a todos a tocarem, assim que ele desse o sinal, no conteúdo prateado com a ponta de um dos dedos. James e Lily deram uma última olhada para Harry que os olhava atentamente, James tentou sorrir, mas não teve muito sucesso nisso.

O grupo deu um suspiro coletivo antes de colocarem, quase em uníssono, seus dedos indicadores na Penseira. Rapidamente todos foram sugados até a memória, a sensação de queda causando um pouco de vertigem.

Eles pousaram em uma sala pequena e aconchegante, um riso de criança fez todos olharem para o lado. No chão, um menininho de um ano aproximadamente gargalhava tentando pegar um círculo de fumaça colorida conjurada pelo seu pai, que claramente era James.

- Céus – disse Lily segurando a mão do James que estava ao seu lado – Como você está novo.

James apenas assentiu olhando com carinho Harry tentar pegar uma nova argola de fumaça e rir novamente. Uma porta se abriu, devia levar até a cozinha, uma ruiva saiu de lá com um sorriso no rosto.

- Já está na hora deste rapazinho ir dormir. – disse ela sorrindo.

- Vamos lá, campeão, amanhã brincamos mais – respondeu a versão mais velha de James erguendo Harry e entregando-o para mãe.

A versão mais nova de Lily deu um pequeno soluço e James apertou ainda mais a sua mão, Sirius parecia que ia passar mal a qualquer momento, estava pálido e olhava fixamente para o James da memória. Peter e Remus também não estavam muito melhores e, por mais que Dumbledore e Severus parecessem mais impassíveis, cada um estava tendo sentimentos fortes e discrepantes o suficiente para tentar faze-los desistir.

Harry se aconchegou no colo da mãe pronto para dormir e Lily já sussurrava uma canção de ninar enquanto James se espreguiçava e bocejava cansado, então a cena toda pareceu pausar. A porta de entrada se abriu em baque assustando a todos, o James da memória saiu correndo, deslizando pelo carpete estendido na sala, enquanto Lily ficou apertando o bebê Harry em seu colo.

- Não! – gemeu o James mais novo olhando para um ponto no sofá – eu deixei minha varinha.

Todos correram atrás de James já sabendo o que ia acontecer, antes de alcançarem o hall de entrada eles ouviram o rapaz gritando:

- Lily, pegue Harry e vá! É ele! Vá! Corra! Eu o atraso...

A jovem mãe passou por eles correndo, se fossem sólidos ela provavelmente teria derrubado todos eles em seu caminho. Todos chegaram ao hall no exato momento em que Voldemort gargalhava, Lily tinha certeza que aquele riso iria povoar seus pesadelos pelo resto de sua vida.

- Avada Kedavra!

O raio verde inundou o hall, Sirius gritou, Lily perdeu a força das pernas e caiu ajoelhada ainda agarrada a mão quente de James. Este estava lívido, lavado de qualquer expressão e pesar, somente o susto e a compreensão da finitude da vida estampavam seu rosto.

"Fácil assim" ele pensou "tão fácil como cortar as cordas de uma marionete. Não foi glorioso. Não teve últimas palavras. Nem mesmo um piscar de olhos, simplesmente fim".

Sirius gritou novamente, ecoando o grito da Lily mais velha em algum algum lugar no patamar superior. James acordou vendo a sua própria Lily ajoelhada no chão, soluçando, Sirius gritava querendo chegar ao James já morto no chão, Remus e Peter, ambos com o rosto lavados em lagrimas, seguravam Sirius, impedindo do amigo se jogar. Dumbledore estava triste e Snape, surpreendentemente, assustado.

Voldemort já estava passando pelo corpo de James e se encaminhando lentamente para a escada. James puxou Lily, escondendo o rosto dela na frente da sua camisa e a forçando a caminhar rapidamente junto com ele. Dumbledore acordou do estupor e saiu as pressas ultrapassando Voldemort na escada e carregando consigo todos os outros. James, sem dizer uma palavra, passou o braço livre no entorno de Sirius, bastou isso para o garoto andar junto com eles. Eles chegaram em uma porta fechada, como estavam em uma lembrança passaram por ela tranquilamente. Era o quarto de Harry.

Pomos de ouro giravam preguiçosamente sobre um berço, livros infantis estavam na prateleira, uma vassourinha jazia sobre a cômoda, uma cadeira e várias caixas haviam sido despostas na frente da porta, fazendo uma barricada, devia ter sido a última tentativa de Lily de escapar.

- Eu também estou sem varinha – a Lily mais jovem disse nervosa. James constatou o mesmo e escondeu seu rosto brevemente nos cabelos acaju do seu amor. Sirius ainda chorava, mas James não, ele viu Lily sussurrar para Harry alguma coisa, ele viu Voldemort arrombar a porta, ele viu Lily colocar Harry no berço e estender seus braços e impor seu corpo na frente do filho, aumentando o alvo em si mesma.

- O Harry não, o Harry não, por favor, o Harry não!

- Afaste-se, sua tola... afaste-se, agora...

James se pegou torcendo pra que Lily se afastasse, para que ela corresse dali, mas ele sabia que ela nunca faria isso, nem ele, se os papeis tivessem trocados, nenhum dos dois sairia da frente de Harry, não enquanto houvesse esperança. Ambos eram Grifinórios demais para sair da frente, ambos amavam o filho demais para sair da frente.

Severus teve vontade de sacudir Lily afim de que o bom senso entrasse na cabeça dela, o Lord das Trevas estava dando uma oportunidade de Lily se salvar. Por que ela não saia dali? Ela poderia ter outro filho. A criança do Potter não merecia a vida dela. Será que ela não via isso.

- Harry não, por favor, não, me leve, me mate no lugar dele...

- Estou tão orgulhoso de você – sussurrou James nos cabelos de Lily – Tão orgulhoso... você é tão corajosa... tão incrível

Lily apenas sorriu por entre as lágrimas.

- Afaste-se... afaste-se, garota.

Todos sabiam o que ia acontecer, Voldemort tinha perdido a paciência com Lily. Snape estava quase arrancando os cabelos: "Burra" pensou ele "Grifinória estupida, porque você não podia sair da frente, Lils, era só sair da frente. Ele deixou, ele ia te deixar em paz, ele não ia te matar, você podia continuar viva. Por que você simplesmente não saiu?".

A luz verde encheu novamente o cômodo e a jovem mãe caiu. Foi a única vez que James escondeu o rosto para não ver algo, ele trouxe Lily mais para próximo de si, sentindo as lagrimas dela encharcarem sua camisa, não que ele se importasse. Ele sentiu Sirius o apertar em um abraço de solidariedade, agora era ele que tentava consolar James. Dumbledore derrubou uma única lágrima, enquanto Severus observava a sua amada caída, morta, ele chorava, mas ninguém via, ninguém prestava atenção nele.

Voldemort se voltou para Harry, que segurava as barras do berço e olhava o bruxo das trevas curioso. Lily se soltou de James, passando por Voldemort o ignorando. Ela estendeu a mão a milímetros do rostinho do filho, com um carinho, ela traçou a bochecha dele e sussurrou:

- Me perdoe, Harry, querido, não consegui evitar.

Como se estas palavras acionasse um gatilho em Harry, ele começou a chorar, alto e forte, chamando pelos pais, provavelmente, pais que nunca retornariam para acalmá-lo. Voldemort estendeu a varinha, Lily continuou olhando para o filho e sussurrando que sempre estaria com ele. Voldemort disse o feitiço. James desabou no chão pela primeira vez, ele caiu ajoelhado, miserável. Sirius ajoelhou ao lado dele, sempre fiel, junto na mesma dor.

Mas algo deu errado, não ouviram o baque surdo de um corpo caindo e sim uma explosão. O feitiço pareceu ricochetear, a casa estremeceu, houve um grito, o choro de Harry continuava inundando o lugar a poeira ainda flutuando no ar deixando tudo confuso.

- Ele se foi? – Perguntou Remus assustado – Voldemort se foi?

- Impossível – sussurrou Peter.

Lily continuava sussurrando coisas para o bebê Harry, que havia caído sentado no berço, uma cicatriz viva e vermelha havia aparecido na testa dele, ele chorava a plenos pulmões, como para provar que estava vivo. James foi engatinhando até Lily e abraçou, os dois olhando para o futuro filho como se ele fosse um milagre. Sirius se levantou secando as lagrimas em sua capa.

- Não pode ser... Um bebê? Um bebê acabou com o Lorde das Trevas? Isso é ridículo. – disse Severus Snape.

- Você é cego ou o que? – Sirius se irritou e foi para cima de Severus – Ele se foi, Harry acabou com ele. Qual a sensação, Snivellus, de perder tudo que você acredita? Parece que Voldemort não é tão poderoso assim.

- E você Black? Gostou de perder seu amiguinho? Quem vai te proteger agora? – Revidou Snape.

Sirius tentou chegar em Snape, estava furioso, mas Dumbledore segurou seu braço firmemente.

- Chega, senhores, precisamos voltar. – disse o velho diretor.

Sirius se soltou do aperto do diretor com raiva e então a imagem do quarto de bebe destruído e o choro do bebê Harry se desfizeram e eles voltaram para a sala redonda do diretor, estranhamente o sol pálido invadia o escritório causando uma claridade estranha depois do chalé mais escuro dos Potters.

Recados!
Atrasei de novo, não é? Esse capitulo foi muito difícil de escrever. E provavelmente vou demorar bastante no próximo também, que deve ser o último. Então não me abandonem.
Novamente obrigado a todos que estão lendo, seguindo ou favorizaram a fic! Vocês, além de me deixar super feliz, me fazem continuar.

Agradecimentos especiais:

Johsill– Eu também estou chorando com James. Litros!

Milena S Correa – Dumbledore é uma figura extraordinária. Eu sempre achei que ele se importaria mais com a capa do que qualquer outra coisa. Crianças viajando no tempo? Quinta feira! Relíquia da Morte, façam um altar! Hahaha

Assunção - O que eu faria sem você? Obrigada, mais uma vez. Espero que você tenha gostado deste capitulo! Eu tbm não confio em Dumbledore e Snape, nesta época, ainda não tinha aprendido, não é mesmo?
Annimo - Demorei, mas postei de novo! Obrigada, por ter salvado nos seus favoritos. Espero que tenha gostado deste capitulo.

Kamilly Tobias - Primeiramente, obrigada pelo elogio 3. Que bom que você gostou. Fiquei com medo de você, mulher, eu não queria se Snape neste momento!
Sefora. -Concordo com você, pq a Jk tiou isso de nós? Adoro o James pai tbm, mas sou suspeita não é mesmo! Snape, stalker, amei! Fiquei mega feliz que você está gostando da fic, e espero que tenha gostado deste último capitulo também.

Mickky - Obrigada pelo comentário. Que bom que você esta gostando e que bom que você deu uma chance para a fic. Espero que a continuação tenha de agradado também.