Capitulo 7. E agora?

- James! - disse a vozinha de Harry animado assim que viu todos emergirem da penseira - Vocês voltaram!

- Claro que voltamos – disse James se agachando para receber o menino que vinha de encontro a ele – Eu disse que voltaria, não disse?

- Sim – sussurrou Harry brevemente em meio ao abraço - A professora Minerva se transforma em um gato, ela também ajuda o Moony?

James deu uma leve gargalhada e disse que não em um sussurro igual. Harry assentiu com a expressão de que havia entendido. O garoto se desgrudou um pouco de James, apenas o suficiente para ver o rosto de Lily, que também estava abaixada olhando para o menino. Os olhos dela ainda estavam vermelhos de chorar e o sorriso triste povoava seu rosto. Harry percebeu, franzindo a testa, e colocou uma de suas mãozinhas no rosto dela.

- Você está dodói? - perguntou o garoto genuinamente preocupado. Ele também chorava quando estava dodói.

Lily sorriu e negou com um acenar de cabeça, estava emocionalmente cansada demais para falar, ela deu um beijo na palma da mão de Harry na tentativa de acalmá-lo.

- Você está triste? - Harry perguntou para Lily ainda preocupado então virou-se para James - Você não conseguiu salvar ela? Você disse que ia salvar a mamãe.

- Você sabe que eu sou sua mãe? - Lily sussurrou para o menino.

Harry assentiu, os olhos estavam cheios de lágrimas, mas o menino se recusava a derruba-las, mostrando uma coragem que enchia o peito de James de orgulho. Lily sorriu, um sorriso triste, ela passou os dedos delicadamente sobre os olhos do menino, secando as lágrimas não derrubadas.

- Ah, meu menino, meu filhinho, me perdoe. Me perdoe por ter escondido isso de você. Me perdoe por ter deixado você sozinho, por ter deixado você com Petúnia. - Lily dizia isso enquanto abraçava e balançava Harry.

Harry apenas se agarrou a ela com toda a força que possuía, finalmente chorando. O choro de Harry era ruidoso, tão torrencial, que o menino tinha dificuldade de respirar. Isso assustou James, assustou muito. Nestes poucos dias de convivência ele sabia que Harry não era de chorar, nem quando se machucava, nem quando estava triste ou assustado. Em geral ele derrubava uma ou duas lágrimas, mas era só, nem barulho ele fazia, mas agora, Harry chorava a plenos pulmões, como se tivesse despejando todas as lagrimas que fora obrigado a reprimir por conta da criação de Petúnia.

Quando James estava a ponto de entrar em pânico, Lily começou a cantar e balançar Harry, uma canção trouxa, sobre algum lugar além do arco-íris... Harry foi se acalmando, ainda soluçava, tentando pegar mais ar, mas não se debulhava em lágrimas quanto antes.

James massageou as costas dele, ajudando-o a respirar, e tirou as mechas de cabelo que estavam molhadas pelas lágrimas e grudadas no rosto do menino, conjurando um lenço, com mais calma do que de fato tinha, limpou as lagrimas restantes, finalizando com um beijo na bochecha dele. Todo este tempo Harry não de desgrudou de Lily e Lily não parou de cantar.

James se levantou, garantindo que Lily e Harry estavam bem, foi em direção a Remus, o amigo estava quieto, os punhos cerrados, os cabelos, geralmente alinhados, estavam uma bagunça tão grande que era quase pior que o do próprio James. Ele olhava para Harry como se o menino fosse uma miragem. James pôs a mão no ombro do amigo, despertando Remus do devaneio.

- Você está bem? - sussurrou James, sua vós saindo rouca, estranha até para os ouvidos dele.

- Não sei... - respondeu Remus – Vou ficar. E você? Está bem?

- Vou ficar – ecoou James, sem sorrir. Ele colocou a outra mão no ombro de Peter – E você Wormtail?

- Vou sobreviver – respondeu Peter um pouco antes de arrepender – Oh, Merlim, me perdoe James não foi minha intenção, eu não queria dizer isso, é que... céus, foi horrível, ver você morrer.

- Vamos tentar mudar isso, ok? - James deu um sorriso triste e foi em direção a Sirius.

O maroto estava com a cabeça apoiada nas mãos, completamente abalado. James agachou na frente dele, puxando os braços de Sirius para que ele pudesse o encarar.

- Padfoot, me escute. - disse James.

Sirius ainda parecia transtornado, as pupilas dilatadas, o olhar perdido. James suspirou ruidosamente, um misto de pesar e orgulho se acumulava em seu peito. Sequer imagina o que Sirius estava passando, se fosse o inverso... se James assistisse Sirius morrer sabia que estaria pior que o amigo. No momento, ver Lily morrendo na sua frente sem poder fazer nada foi um baque, o seu irmão seria o mesmo. James sabia que seria uma noite insone, repassando a imagem em sua mente, do raio verde, Lily caindo, Harry chorando. Sabia que ele mesmo iria desabar e chorar, mas não podia agora, e ele precisava que Sirius também não sucumbisse, era egoísta, mas ele precisava de Sirius.

- Pads – James chamou mais uma vez – Preciso de você - a voz de James falhou – Mais do que eu jamais precisei de alguém - isso despertou Sirius, os dois se encarando, e todo uma conversa muda se passou entre eles.

- Você não vai morrer! - Sirius quase gritou - Não me peça para cuidar de Harry... não ouse, James, você não vai morrer, não vou deixar...

- Eu tenho... - sussurrou James pesaroso – Me desculpe, Sirius, mas eu vou te pedir isso... Mas não agora. Agora eu preciso que você fique firme, preciso que você me ajude a descobrir porque Voldemort foi atrás de nós?

- O sr. Potter está certo, Sr. Black – disse Dumbledore sentado atrás de sua escrivaninha – Mas eu diria que o correto seria afirmar que ele estava atrás, não de vocês, mas o mais jovem dos Potters.

- Harry? - assustou-se Minerva.

Todos olharam para Dumbledore, até mesmo o jovem Harry desgrudou o rosto da blusa de Lily para olhar para McGonagall. James olhou para baixo e percebeu que estava tremendo, ele havia percebido, havia percebido que Voldemort estava atrás de Harry, mas não queria acreditar.

- Sirius – James disse tentando se controlar, sua voz saiu calma, mas sua verdadeira vontade era gritar, gritar até rasgar sua garganta, gritar até que a dor fosse maior do que a sua raiva – Preciso de você agora.

- Eu... É claro – Sirius enxugou o rosto na manga da roupa – Precisamos de um plano...claro... não precisa acontecer... O que faremos professor?

James suspirou. Sirius ainda não era o mesmo, tinha um olhar maníaco no rosto, mas pelo menos não estava sucumbindo mais ao desespero. James sabia que também não era o mesmo, tinha a impressão que quando olhasse no espelho veria a si mesmo muito mais velho do que estava naquela manhã, até para se aprumar novamente lhe doía, como se seus músculos se recusassem a responder corretamente.

Dumbledore observou seus alunos: o olhar maníaco de Sirius, o medo estampado no rosto de Peter, a incredulidade de Remus, a resolução de Lily, o pânico de James e o desespero de Severus. Tão novos, enfrentando a face da crueldade desnuda e fria. As engrenagens do celebro do diretor estavam rodando a todo vapor, conjecturando e formando possibilidades.

- Voldemort foi atrás do menino, isso é claro. - Dumbledore falava mais para si mesmo do que para a plateia que o ouvia.

- Impossível! - disse a professora Minerva – Por que Você-sabe-quem iria querer matar um bebê?

- Dumbledore está certo – disse Remus com a voz baixa – Voldemort deu a oportunidade para que Lily não morresse, ele disse para que ela saísse da frente, mais de uma vez.

- Céus! - exclamou a professora olhando para a sua aluna assustada – Mas então Você-sabe-quem mudou de ideia sobre os nascidos trouxas?

- Acredito que que não, minha cara Minerva – Dumbledore sorriu triste para a professora, em seguida ele olhou profundamente para Severus como se adivinhasse de quem havia sido a responsabilidade deste ato de Voldemort – Mas também não acredito que isso seja importante no momento. - Ele descolou os olhos de Snape e se voltou para o mais jovem dos Potters – Acredito que o essencial a saber é porque ele se deu ao trabalho de ir atrás de uma criança.

Todos se calaram e olharam para Harry que estava espantado sentado no colo de Lily. O menino podia sentir que todos estavam tensos, mesmo que não entendesse o que estava acontecendo.

- Isso também não é importante – Severus quebrou o silêncio - Basta entregar o garoto, se o Lorde das Trevas o quer, se entregarmos... Lily sobrevive... todos sobrevivem.

- Ora, seu... - Sirius foi o primeiro a se levantar e ir em direção ao sonserino. Remus o segurou por puro reflexo. James também se levantou irado, assim como a professora McGonagall, que previu o perigo da situação.

- ME SOLTA, LUPIN – gritou Sirius forçando sua soltura - VOCÊ OUVIU O QUE ESSE IMBECIL DISSE? ELE QUER ENTREGAR O FILHO DO SEU AMIGO PARA UM ASSASSINO, ELE QUER MATAR HARRY.

Remus soltou o amigo como se houvesse tomado um choque de repente. Sirius partiu pra cima de Snape, mas uma voz inesperada o fez parar quando já estava com as mãos plantadas nas vestes do soserino.

- NÃO, SIRIUS – disse Lily, ela se levantou, com o semblante fechado, e com carinho entregou Harry para um James perplexo – Fique com James, querido – disse com a voz suave e carinhosa, antes de virar os olhos gelados para Snape – Solta ele, Sirius.

- Mas, Lily... Ele queria entregar Harry – disse Sirius olhando incrédulo para ela.

- Solta ele, Padfoot. – disse Lily mais enfática. Foi o uso de seu apelido que fez Sirius larga-lo, mas o garoto permaneceu lá enquanto Lily atravessava a sala do diretor em direção a Snape.

A garota chegou perto de Snape olhando nos olhos de seu antigo amigo, ela estava calma, uma calma preocupante, como aquelas que acontecem minutos antes de grandes tempestades, como se o próprio tempo houvesse parado. Snape a olhou de volta, havia mais de um ano que não ficavam tão próximos, porém o tapa de Lily o fez desviar o olhar. Ninguém viu quando Lily levantou a mão e estapeou o rosto de Snape, todos só ouviram o forte estalar da pele contra pele.

- Não ouse, nunca mais, se quer cogitar isso novamente – ela disse fria e ofegante.

- Lily, você está sendo idiota, ele ia deixar você viver, você não percebe... – Snape tentou argumentar.

- Você que não entendeu, Severus – Lily ergueu a varinha apontada para ele - Ninguém vai encostar no meu filho, nem Voldemort, nem você. Eu vou ficar na frente dele, sempre, em qualquer circunstância, Severus, não importa o que você diga.

- DEIXE DE SER BURRA, VOCÊ VAI MORRER – Severus gritou tomado pelo desespero segurando Lily pelos ombros – POR CONTA DO FILHO DO POTTER. Merlim, essa criança nem nasceu e pode nem nascer...

Sirius não aguentou mais e socou Snape, fazendo com que o Sonserino soltasse Lily.

- Black! - a professora Minerva o censurou.

Lily abraçou o braço de Sirius, parte para pará-lo, parte porque estava de fato aliviada de ele ter feito Severus a soltar, pela primeira vez sentiu medo de Severus, sentiu que ele faria qualquer coisa para não perdê-la, até mesmo contra Harry. Este pensamento fez sua espinha gelar.

- Estava de saco cheio desse imbecil, professora. - disse Sirius se acalmando e dando um meio abraço em Lily. - Você esta bem? - Ele sussurrou para Lily que concordou, mesmo sabendo que deveria estar com uma cara horrível, não que Sirius estivesse muito melhor também.

- Senhorita Evans, você pode repetir o que disse ao Sr. Snape? - disse Dumbledore como se não houvesse tido uma briga.

Todos olharam espantados para o diretor. Lily franziu a testa confusa com a solicitação.

- Eu dissse que ninguém vai encostar em Harry - Lily disse incerta – Nem Voldemort, nem Severus. Eu sempre vou ficar na frente dele.

- É isso! - declarou Dumbledore se levantando e indo em direção a Harry – Se eu me recordo, jovem Potter, o senhor tem uma cicatriz em sua testa. Estou correto?

O menino acenou positivamente e com a mãozinha retirou a franja do rosto. Dumbledore se abaixou e olhou curioso. James, que segurava Harry ainda em seu colo, também olhava confuso de Harry para Dumbledore. O silencio palpável na sala.

- Acredito que tenha sido aí que a maldição tenha ricocheteado. - Dumbledore olhava com certa veneração para a cicatriz em forma de raio.

- Isso não faz sentido algum – disse Remus – Eu vi que Voldemort lançou a maldição da morte. Eu sempre achei que não havia defesa possível para ela...

- E não há - sorriu Dumbledore.

- Mas e Harry? - questionou James apertando o garoto ainda mais no seu colo.

- Sim Harry. - Disse Dumbledore com os olhos brilhantes de entusiasmo - Eu tenho um palpite, principalmente, depois de ouvir o que a nossa adorável Srta Evans disse.

- Eu? - Lily questionou fraquinho.

- Sim. Acredito que você seja a responsável por Harry ter podido nos fornecer esta memória.

- Mas eu... eu morri...

- Sim, minha cara, mas o modo como você morreu que mudou tudo. - Dumbledore sorriu carinhoso - Você entrou na frente do seu filho e morreu no lugar dele, um ato de muita coragem e, principalmente, muito amor, e isso marcou Harry de maneiras inimagináveis. Acredito que seu amor seja responsável pelo escudo do Jovem Potter que ricocheteou a maldição lançada por Voldemort.

- O senhor quer dizer que o fato de Lily ter morrido salvou Harry? – Remus perguntou surpreso.

- Mas James também morreu para proteger Lily e Harry? - disse Sirius com a voz vacilante – Lily não deveria estar protegida devido a esta lógica.

- Mas eu não tive escolha – disse James baixinho e depois aumentando a voz enquanto a total compreensão do que Dumbledore dizia o atingia – Lily teve escolha, ela poderia ter saído da frente ter se salvado, mas ela escolheu estar lá, ela deu a vida por Harry.

- Mas você poderia ter fugido – disse Sirius insistindo.

- Por mais que o ato de James ter sido de extrema coragem – disse Dumbledore olhando tristemente para James – Quando a morte lhe foi anunciada ele não teve nenhuma opção.

- Qualquer mãe faria o que eu fiz – disse Lily em um sussurro, a alegria tomando conta de si, ela havia conseguido salvar o filho, mesmo após a morte ela havia protegido Harry.

- Não a minha... – disse Sirius amargo – Acho que entendo o que você quis dizer, professor.

- O ato de amor de Lily deve ter marcado o jovem Harry de uma maneira que Voldemort não compreenderia e foi o suficiente para rechaça-lo quase a ponto do nada – Dumbledore finalizou com fascinação.

- Então ele não morreu? – gemeu Peter.

- Acredito que não - disse Dumbledore – mas talvez tenha ficado fraco o suficiente para permitir que o Jovem Harry cresça tranquilamente.

- Não graças a Petúnia – resmungou Lily, antes de tomar folego para espantar a sua tristeza, estava muito feliz por ter salvado seu filho, seu peito encheu de esperança. Ela virou-se para Sirius que permanecia fiel ao seu lado - Você é o padrinho de Harry, ele tem que ficar com você e não com Petúnia.

- Não sabemos se eu não morri no futuro, Lils – disse ele olhando para ela assustado.

- Pois não morra – ela respondeu com um sorriso. Ela continuava dizendo quase febril, todo um plano desenrolando em sua cabeça – James também não precisa morrer, podemos nos manter separados quando o tempo vier. Harry cresce com um pai e com vocês... Não poderia pedir mais nada...

- VOCÊ ESTA MALUCA? - James e Snape gritaram em uníssono, mas somente o Grifinório continuou - Você acha que eu vou te deixar sozinha? Que eu vou dormir enquanto eu sei que minha mulher e meu filho estão sendo perseguidos? Enquanto VOCÊ ESTÁ SENDO MORTA? VOCE ESTA MALUCA, SE ACHA QUE EU VOU ACEITAR ISSO!

- E você está assustando o Harry – disse Remus seco.

Harry estava encolhido no peito de James, completamente assustado. O rapaz deu um suspiro pesaroso, antes de acariciar as costas do menininho e dizer com uma voz muito mais suave e carinhosa:

- Me perdoe, filhote, desculpe por isso, vai ficar tudo bem. Sua mãe só está sendo cabeça dura, mas vamos mudar isso, JUNTOS. Não vamos deixa-la sozinha, vamos?

Harry negou com a cabeça e James deu um beijo nele e o presenteou com um sussurro de "bom garoto".

- O que fazemos agora, diretor? - perguntou Remus.

Todos olharam para o velho professor sedentos por uma solução.

- Temos que mandar o jovem Harry de volta ao tempo dele. - disse Dumbledore se sentando novamente

- Não - disseram Lily e James.

- Sinto muito, mas isso não está em discussão. Ele não pertence a este tempo ele precisa voltar – Dumbledore disse categórico.

- Mas ele não pode... - chorou Lily voltando a ficar ao lado de James e Harry. - Ele não pode voltar, o lugar dele é conosco.

- Srta Evans, se esta viagem dele serviu para alguma coisa, quando ele chegar em casa serão os senhores e não sua irmã que estarão esperando por ele.

James sorriu esperançoso e olhou para Lily certo de que iria encontrar o mesmo riso nela. Mas a ruiva, ao invés disso, mordia os lábios apreensiva. Ele franziu a testa, bufando ao entender que a garota ainda estava com a ideia de que teria que morrer para salvar Harry. James respirou profundamente antes de sussurrar para ela, a voz saindo perigosamente séria:

- Nós vamos estar lá esperando por ele. E vamos fazer isso juntos, Lily, isso é uma promessa. Uma que eu pretendo cumprir. - James fechou os olhos ao ver dúvida nos olhos dela – E se... se o seu método for o único jeito... faremos isso juntos, novamente, vamos garantir que Harry tenha com quem ficar, mas eu não vou te abandonar nunca, ouviu?

Lily demorou um pouco, mas assentiu com uma acenar de cabeça. James respirou um pouco mais aliviado, olhando para o diretor ele disse sério:

- Ele não pode ficar nem mais um pouco? - James implorou.

- Sinto muito, mas não - disse Dumbledore categórico - Ele está arriscando sua vida cada vez mais, a cada minuto que passa neste tempo.

James assentiu resignado e deu uma última olhada para Lily, que ainda estava receosa, mas acentiu. Com esta confirmação, James fez carinhosamente Harry olhara para seu rosto. O rosto tão parecido com o seu e os olhos tão iguais o de Lily o tiraram o folego, o seu peito estava tão preenchido com amor que James achou que não poderia viver mais sem aquela criança por perto, seria como arrancar seu coração.

- Harry, campeão, você vai precisar ir... - James tentou sorrir.

- Mas você prometeu que eu poderia ficar... - disse o menino assustado – Você disse que queria ficar comigo. Eu fiz alguma coisa de errado? Foi minha culpa que a mamãe morreu?

- Não - disse Lily tomando Harry dos braços de James - Não foi sua culpa, querido. Nós queríamos muito que você ficasse. Nós te amamos muito, mas não pode, aqui é perigoso para você.

- Mas eu quero ficar aqui! - disse Harry com as mãozinhas apertadas.

- Eu sei, campeão - disse James forçando sua voz sair mais que um sussurro – Lily está certa, queríamos que você ficasse, muito, mas estaremos esperando por você quando voltar para casa. - James olhou para a sala – Um de nós, pelo menos. Não vamos esquecer você e você não esquece da gente, combinado?

Harry assentiu com olhos marejados. James também estava entrando em colapso a dor no peito estava muito grande agora, e ele achou que ia chorar como Harry havia feito a qualquer momento.

- Eu peço que você se despeça dos seus jovens amigos, jovem Harry. - Dumbledore falou com uma voz calma.

James concordou quando Lily colocou Harry no chão, ele pensou em tudo que havia comprado para Harry, o menino não tinha tido tempo de usar tudo. Então um estalo surgiu na sua mente e ele olhou nervoso para o diretor.

- Eu preciso pegar uma coisa... Por favor, me esperem, eu já volto – o rapaz saindo correndo do escritório do diretor ignorando seus amigos que gritavam seu nome.

James nunca havia corrido tanto pelos corredores quanto estava agora. As lagrimas finalmente borravam seus olhos impedindo que enxergasse a frente. Se o castelo não tivesse tão vazio ou se James não conhecesse aqueles corredores como a palma de sua mão, ele provavelmente causaria um acidente.

Em tempo recorde ele chegou na sala comunal de Grifinório, mas passou direto pelo salão em direção ao seu dormitório. Seu quarto estava arrumado, diferente da bagunça deixada pela manhã, ele olhou para a cama e não achou o que queria. O cansaço e a frustração fizeram com que ele chutasse o pé da cama extravasando um pouco de sua raiva.

Ele finalmente chorou, enquanto gritava de raiva e impotência. Seu ataque durou ainda por um breve período antes que ele se controlasse para procurar aquilo que vinha fazer. Ele abriu o malão e encontrou os pertences de Harry, esperando que ele não desabasse novamente ele pegou aquilo que seria importante para Harry e voltou correndo para a sala do diretor.

Harry foi até a professora Minerva e pediu para que ela se abaixasse, ela olhou confusa para o garotinho, mas o fez assim mesmo. Harry lhe pegou desprevenida quando lhe agarrou pelo pescoço em um abraço demorado, a professora piscou quando o garotinho emitiu seu fraco adeus.

- Até breve – a professora o corrigiu gentilmente – Nos veremos quando você vier estudar aqui e, não conte a ninguém, mas estarei torcendo para que caia na minha casa.

Harry sorriu brilhantemente e concordou resoluto. Então ele foi ao próximo, Peter, que abaixou e estendeu a mão.

- Até logo, Harry, não deixe os trouxas assustarem você - o garoto lhe deu um sorriso, antes de Harry assentir e sorrir fraquinho de volta, confuso com o que eram "trouxas".

- Não ligue para o que Peter disser, Harry – Remus sorriu para o menino também agachando – Vamos sentir sua falta.

Harry sorriu e abraçou o lobisomem.

- Eu adorei ser seu amigo – disse o garotinho, fazendo com que Remus travasse em seu abraço, apertando o menino um pouco mais.

- Eu também, Harry, eu também - ele disse sorrindo para o menino, que já havia lhe soltado.

- Harry! - chamou Sirius de braços abertos.

O garoto correu até Sirius dando uma gargalhadinha. Sirius o segurou e o girou.

- Vou sentir saudade, filhote – disse Sirius abraçando o menino – Promete que não vai esquecer da gente? - Harry acenou positivamente e ganhou um beijo de Sirius – Amo você, pequenino.

Harry não queria chorar então apenas sorriu para seu futuro padrinho, então os passos de Lily chamaram a atenção dele. Ela era tão bonita, como um anjo. Harry não pode deixar de sorrir para ela. Lily e Harry se abraçaram e não disseram nada, apenas ficaram abraçados aproveitando um a companhia do outro.

James chegou ofegante, e observou esta cena por alguns minutos. Ele apenas assentiu quando Sirius perguntou se ele estava bem. Harry foi o primeiro a perceber a presença de James novamente, ele deu um gritinho chamado pelo rapaz, fazendo com que Lily o devolvesse ao chão.

James agachou e estendeu os quatro bichinhos de pelúcia que Sirius havia dado.

- Você não pode ir embora sem isso, não é mesmo? - o garoto sorriu e Harry negou com a bochechas rosadas de contentamento, enquanto abraçava os bichinhos de pelucia que Sirius havia lhe dado – Lembra do que Sirius disse? É para você não esquecer que nós te amamos, ok?

Harry assentiu para James. O rapaz sorriu orgulhoso.

- Eu não queria que você fosse, Harry, vou morrer de saudades quando você partir, mas eu preciso deixar você ir, você viver - James acariciou a bochecha do garoto – Estou tão orgulhoso de você, de como você é corajoso, educado e tem um coração tão bom. Continue assim, meu menino. Espero estar lá quando você chegar, mas se eu não puder... se eu não puder, continue assim, cresca assim, vou estar olhando por você seja de onde for.

Harry largou os bichinhos e abraçou James que retribuiu, tentando expressar todo o seu carinho naquele abraço.

- Eu te amo, Harry, muito, muito mesmo – sussurrou James no cabelo de Harry, e, somente ele ouviu a resposta do menino, que dizia a mesma coisa. James jurou guardar aquele "eu te amo" para o resto de sua vida.

- Certo – disse James se desfazendo do abraço, por mais que doesse - Você precisa ir... - ele ajudou o menino a pegar novamente seus brinquedos. Esperou Lily dar mais um beijo em Harry, dizendo que o amava, e colocou o garotinho sobre a cadeira, dando a oportunidade para Dumbledore se aproxima.

- Nos vemos em breve, Sr. Potter – disse Dumbledore pegando o vira tempo do pescoço do garoto – Espero que em uma situação melhor.

- ADEUS, HARRY – gritaram Sirius, Peter e Remus.

- Até mais, querido – disse Lily chorosa.

- Nos vemos em breve, filho – James disse abraçando Lily

- Adeus, Harry – disse Dumbledore antes de dar um toque no vira tempo e o mundo inteiro girar e virar um borrão.

O rosto de todos desapareceu e Harry quis gritar para eles voltarem, mas seu peito estava sendo comprimido e as únicas coisas que pode fazer foi segurar seus brinquedos o mais forte que podia e fechar os olhos.

Ele caiu novamente em um chão duro, mas não era frio como as pedras do castelo. Ele se recusou a abrir os olhos e ver que estava de volta em seu armário, olhando para a face invertida da escada.

- Harry – alguém o chama, e ele fecha ainda mais os olhos não querendo acordar do seu sono por tia Petunia.

- Campeão? - uma voz masculina o chama eo balão de felicidade de Harry se enche novamente.

Então ele sorri e abre os olhos. Não tinha sido um sonho.

Fim

Mas fica, vai ter Epilogo! E prometo não demorar tanto deste vez.

Perdão para quem ficou esperando, tempos difíceis. Mas obrigado a quem esperou, obrigada mesmo! Espero que tenha valido a pena.

Agradecimentos especiais:

sefora. - Eu também não acredito que esta acabando, vou sentir saudades de escrever e de ler o comentários de vocês. Obrigada pelos elogios. E, menina, amei sua analise do Dumbledore, concordo com você. RdM me impactou muito com relação ao Dumbledore e eu nunca mais o conseguir ver como um deus sem falhas. E bebe Harry e Marotos é muito amor (sou supeita, mas...). Muito obrigada pelos seus inumeros reviews. Espero que tenha gostado do "final".

Assuncao- Tivemos mais Severus idiota neste... Ele gosta da ideia que faz da Lily, eu acho, e não dela em si... Obrigada pelos Revies e comentários, não tenho palavras para descrever o quão incrivel é receber o comentário de vocês. A jornada ficou muito mais facil com vc aqui! Beijos.

Milena S Correa- Tensão mesmo, Milena. Eu tenho uma tendencia para o Drama (adoro lágrimas e discurso, deu para perceber?). Espero que tenha gostado deste também e meu agradecimento eterno pelos seus Reviews.

TheLastSith - Muito, muito, muito obrigada pelos seus elogios. Eu que chorei com eles. Espero que o final tenha ficado digno. Não foi fácil, e sem vcs teria sido mais difícil, mas saber que você e outras pessoas gostaram compensa qualquer coisa!

Miih Mcgonagall- Desculpa, eu demorei muito né? Espero que não tenham desistido de mim! Ai esta o final, mas tem epilogo, que eu espero não demorar. Que bom que você gostou, muito obrigada! Depois me diz o que achou do fim.

Beijos a todos que favoritaram e estão seguindo a Fic, a todos que leram, obrigada pelo apoio.

Beijos, Nati