Epilogo

Eles assistiram Harry desaparecer com uma dor incomensurável. Lily chorava e James já não tinha mais forças para consola-la, Sirius foi quem a abraçou, enquanto Remus e Peter não tiravam as mãos do ombro de James, como se ele fosse quebrar caso fizessem isso. Dumbledore falou muito, mas os ouvidos de James pareciam tampados, como se ele estivesse em outro mundo assistindo tudo por traz de um véu.

Sua cabeça girava tanto, calculando todas as possibilidades, que ele começou a se sentir tonto. Sua respiração estava rasa e ele começava a se sentir sufocado, ele estava afundando lentamente em uma água muito gelada, escura e ele não fazia ideia como emergir.

- Professor – foi a voz enérgica de Minerva que fez o diretor interromper seu fluxo de pensamento – O que faremos agora?

- Torcer para fazermos algo diferente do que fizemos no passado de Harry – disse Dumbledore em meio a um suspiro.

Por muito tempo se especulou o que eles poderiam fazer para mudar seus próprios futuros. Dumbledore os fizera prometer que não contariam nada do que tinham visto e ouvido naquela sala e eles assim o fizeram. Mesmo Snape guardou para si aquelas informações, não querendo reviver a morte da única pessoa que já havia amado na vida.

Lily parecia irredutível e conformada que daria sua vida ao seu filho, o que frustrava James de todas as formas possível, ele, um otimista inveterado, não gostava de pensar que essa seria a única maneira e passou o resto de seu sétimo ano na biblioteca atrás de respostas.

Mas isso não queria dizer que a ruiva não faria nada a este respeito, seus pensamentos se resguardavam em duas coisas: manter James vivo e deixar Harry. E com isso ela trabalhou com afinco, do mesmo jeito que James.

Passou o tempo e o casamento veio, assim como o nascimento de Harry. James pensou que já saber como o garotinho seria iria tirar parte da graça, mas quando ele pegou pela primeira vez aquele serzinho cor de rosa, com cabelos incrivelmente pretos e bagunçados, ele achou, pela primeira vez em anos, que estava completo novamente.

Quando a profecia foi feita e Dumbledore os comunicou disso as peças se encaixaram todas, o medo tomou conta de James ainda mais, pois agora tinha certeza que Harry não tinha sido um ataque aleatório como chegou a torcer. Foi neste ponto que os quatro marotos, Dumbledore e Snape começaram a agir de forma a proteger o casal e a criança.

Dumbledore sugeriu que usassem o Fidellius, assim Voldemort não os achariam. James concordou e quis usar Sirius como fiel do segredo. Sirius achando que seria muito obvio, sugeriu Peter. Peter, por sua vez, sabia que certas coisas não poderiam ser mudadas, e decidiu escolher Voldemort, já que provavelmente todos os seus amigos e protetores morreriam. Remus se afastou com medo de que ele fosse o causador da morte dos amigos.

Mas foi de fato Snape o responsável pela a única alteração desta história. Ao ouvir a profecia ele sabia de quem estavam falando, sabia que Lily morreria, independente do que fizesse. O menino e Potter não importavam, mas Lily, ele sabia, pois ela dissera a ele, não sairia da frente do filho. Então Severus calou-se, morreria com o segredo da profecia para si.

Quando outubro chegou ao final naquele ano, Harry já havia dito algumas das suas primeiras palavras e já havia dado seus passos sozinho, fazendo seus pais começarem a temer ter que correr atrás dele logo logo. Lily saiu da cozinha com um sorriso cansado no rosto, ela olhou brevemente para James e Harry brincando no chão. O mais velho criava fumaça para o pequeno bebe pegar. Harry gargalhava toda vez que uma fumaça de desfazia em sua mãozinha.

- Terminei – disse Lily sorrindo, quando os dois olharam para ela, tão parecidos.

- Só precisamos esperar Sirius chegar – disse James se pondo de pé e bocejando. Um barulho do lado de fora o fez ficar atento ele entregou Harry para Lily que parecia assustada, mas determinada e foi até o hall de entrada.

A varinha em punho de James não tremeu nenhuma vez, enquanto ele abria a porta e se deparava com seu melhor amigo.

- Sirius Black – respondeu o homem do lado de fora com as mãos para o alto – Animago, maroto e melhor padrinho do mundo.

- Entre logo – resmungou James com um sorriso no rosto – O que ainda está fazendo aí fora?

- Esperando você baixar esta varinha. - sorriu Sirius em retorno entrando e tirando sua capa de viagem surrada - Já vi o que você pode fazer com ela, Prongs, e eu agradeceria de não ser uma vítima sua.

James gargalhou levando o amigo até onde Lily e Harry aguardavam cautelosos. Assim que o garotinho o viu abriu um sorriso e estendeu os bracinhos gritando "Pad". Sirius sorriu de volta e pegou o afilhado o jogando imediatamente para cima, fazendo o garotinho gargalhar.

- Não sei se gosto do seu nome vir tão naturalmente a Harry – disse James um pouco chateado – Às vezes eu tenho que cortar um dobrado para que ele diga "papai".

Sirius apenas lhe respondeu com um sorriso cafajeste no rosto e um abraço na criança.

- E eu não sei se você deveria deixa-lo tão elétrico perto da hora de ele ir dormir – disse Lily ignorando o marido – Ele vai te dar trabalho, Harry pode ser um garotinho bem teimoso as vezes. - terminou ela com uma voz doce e orgulhosa.

- Você não acha que seria melhor eu ir com James? - Sirius questionou deixando-se mostrar preocupado pela primeira vez na noite.

- Não - respondeu Lily resoluta – Eu vou, apenas cuide de Harry.

Sirius olhou para James que deu de ombros resignado.

- É o trabalho dela – disse James simplesmente – Ela merece ir.

Sirius concordou com um acenar, enquanto acomodava melhor Harry em seu colo.

- Certo, filhote, hoje eu sou sua babá enquanto papai e mamãe se divertem – disse para o garotinho que agarrava seu cabelo animado – O que vamos fazer? Ver filme até tarde? Nos encher de doce? Ou sair para voar?

- Srius – gemeu Lily

- Brincadeira, Lils, vou me comportar, as instruções estão no lugar de sempre? - perguntou Sirius sorrindo. Ela assentiu - Então vamos nos dar bem, certo, Filhote?

Lily sorriu e agradeceu dando um beijo no filho. James e Sirius se encararam. Black assentiu sério sabendo que James não precisava falar nada em voz alta, para saber o que estava pedindo. James também, deu um beijo na testa sem cicatriz de Harry e se juntou a Lily que passava um cordão sobre os dois.

A última cena que viram foi Sirius fazendo Harry dar um tchauzinho com mão para eles e o mundo girou.

- Como foi? - disse James já erguendo a varinha para a mulher loira na sua frente.

- Bem – respondeu ela com um sorriso – Lembrei ele de pegar um casaco.

- Claro que lembrou – riu James balançando a varinha e fazendo o cabelo loiro voltar ao tom acaju original – Se não ficar quieta seus olhos podem nunca mais voltarem a ser verdes – resmungou James para a mulher inquieta a sua frente, mas ele mantinha um sorriso no rosto.

- Ele vai ficar bem? - ela questionou mordendo os lábios.

- É claro que vai – sorriu James – Ele é nosso filho.

Lily assentiu, agora toda a transfiguração de seu rosto desfeita, volta a ser ela mesma. Ela pegou o outro vira tempo que estava com ela e jogou sobre James.

- Desta vez quero vê-lo crescer – disse ela.

- Nós vamos! - James sorriu.

O casal desapareceu no mesmo momento em que um garotinho desaparecia, não muito longe dali, enquanto caia da escada, indo, para quem sabe, um lugar melhor.

Fim.

Agora é fim mesmo! Ficarei com saudades enormes dessa fic, que seria uma oneshot, mas acabou durando mais que eu esperava espero que tenham gostado.

Agradecimentos especiais:

Assunçao: Que nunca me abandonou, obrigada pela companhia e comentários nesta jornada. Talvez o epilogo não tenha sido o que você esperava, mas espero que goste assim mesmo. Obrigada por tudo. Beijão.

Milena S Correia: Deu certo! Obrigada por tudo e por seus comentários maravilhosos.

Adhara Riddle: Que bom que você gostou da Fic. Obrigada pelo feedback. Esta aqui o epilogo, espero que tenha ficado bom.

Bea: Não foi minha intenção matá-la, espero que você esteja bem. Eu não sei se eu conseguiria matar a Lily tbm... seria demais até para mim... Obrigada pelo elogio, espero que tenha gostado deste finzinho. Foi pequeno mas foi de coração.

Sefora. : Menina, não é que tinha, demorei muito né. Que bom que você não perdeu a fé em mim. Foi dramático, eu sei, mas eu gosto de um bom drama. Marotos, como não amá-los? E a Lily? Ela é incrivel, concordo com você. Aliás obrigada pelo elogio, acabou rápido né? Tbm achei... ficarei com saudades de escrever o Harry criança, ele era fofo. Beijos e muito obrigada pela companhia nesta jornada.

A todos os outros que comentaram, favoritaram, acompanharam a FIC até aqui... Obrigada de coração. Foi muito divertido. Espero que tenham gostado!

Malfeito Feito.