N/T: Os trechos em negrito e itálico que aprecem neste capítulo são trechos da música "20 de Enero".


Capítulo 3: 20 de Janeiro

Quando terminaram, os dois estavam prontos para deixarem o lugar. Quando estavam saindo, Shiryu viu algo que o deixou totalmente paralisado. Era Shunrei, ela estava tão linda que parecia uma miragem, um sonho...

- Shunrei... - o cavaleiro sussurrou o seu nome.

Naquele instante, ele ficou hipnotizado. Não conseguia acreditar no que via. Pensava que seus olhos estavam pregando-lhe uma peça, que os seus sonhos se misturavam com a realidade. Ela estava linda, com os seus longos cabelos soltos e um belo vestido floral, aos seus olhos, ela era a mulher mais bela que existia. Por um momento o resto do mundo desapareceu para ele, eram apenas ele e ela. Ele pensou em correr até onde ela estava e abraçá-la com tanta força que os dois se fundiriam em um só e ela nunca poderia se afastar dele novamente.

No entanto, naquele momento ele percebeu o que estivera invisível aos seus olhos até então, que ela não estava sozinha, havia alguém ao seu lado, era um jovem alto de cabelos castanhos e que carregava um bebê em seus braços.

Aquela descoberta apagou completamente o sorriso que tinha se desenhado no seu rosto. Estava claro, ele tinha uma vida ao lado de outra pessoa, e ele não tinha o direito de querer ser parte dela novamente, então decidiu sair dali sem se aproximar dela, sem lhe dizer nada, bem como ela nunca saberia, pois ela não o tinha visto naquele lugar.


Ao chegar ao Japão, Shiryu decidiu tirar alguns duas de descanso. Viajou para Rozan. Ao chegar em frente à cabana que tinha sido o seu lar por tantos anos, ele sentiu uma grande nostalgia dentro de si. Aquele lugar trazia-lhe a memória os belos momentos que ele queria profundamente viver outra vez, os valiosos dias de treinamento com o seu mestre e a bela companhia da sua amada.

A cabana parecia descuidada porque, desde o dia em que ele tinha voltado do Santuário à procura de Shunrei e não a encontrou, Shiryu não visitara novamente aquele lugar, pois não sentia com coragem para estar ali sem a presença da sua amada. Mas agora ele estava ali, ele achava que aquele era o lugar perfeito para tirar um tempo para meditar e assimilar que ela não estaria mais ao seu lado, como ele sempre sonhou. Decidiu então limpar aquele lugar, começando pela sala, que estava totalmente coberta de folhas, enquanto ele ocupava-se em recolhê-las, encontrou um envelope embaixo delas. Estava muito sujo e amarelado e começava a rasgar-se; curioso, o Cavaleiro de Dragão terminou de rasgá-lo, e nele encontrou uma carta que dizia:

"Shiryu,

Lamento muito ter partido assim, sem esperar para me despedir de você, sinto muito, eu realmente sinto muito.

Eu quero dizer o quanto sou grata por tudo que você fez por mim durante todo este tempo. Minha vida sem você não teria sido tão feliz. Desde que você chegou em Rozan, você tornou-se meu amigo, meu confidente. Eu nunca vou esquecê-lo, e nunca vou esquecer o quão bom e carinhoso você foi comigo. Eu sei que você tem uma missão muito importante, e eu não quero mais ser um fardo para você.

Shiryu, eu quero que você saiba que desde que te conheci eu te amei, mesmo sabendo que você jamais poderia me corresponder como eu gostaria. E é por esta razão que eu estou de partida, eu não posso mais continuar morando aqui, sentindo que você jamais poderá me amar.

Eu desejo que você seja imensamente feliz, e que a vida lhe dê tudo aquilo que você almeje.

Com eterno amor,

Shunrei".

Com os olhos banhados em lágrimas, Shiryu terminou de ler a carta que Shunrei tinha deixado há anos atrás para dizer-lhe adeus. Não entendia como ele não a tinha visto naquele dia em que voltara para lá, talvez naquele momento o desespero de não encontrar a amada o tenha cegado. Ele ficou profundamente surpreso com o que ela lhe revelara naquela carta, de que ela o amava, de que estava apaixonada por ele, mas naquele momento ele lembrou-se com tristeza do que tinha visto há poucos dias em Macau e chegou à triste conclusão de que ela já não sentia o mesmo por ele, porque o lugar que algum dia ele tivera no coração dela já estava ocupado por outra pessoa.


Dias mais tarde

- Telefonei-lhes porque preciso que vocês participem de uma reunião muito importante que tem a ver com a área que vocês supervisionam - informou Tatsumi - Trata-se de um jantar, hoje à noite, com alguns membros muito importantes da fundação que querem começar a apoiar as nossas obras em favor dos mais necessitados.

- Lamento, Tatsumi, mas esta noite eu não posso comparecer - disse Hyoga rapidamente - Acho que Shiryu pode ir sem a minha companhia. Eu já tenho planos para esta noite, que não pretendo adiar.

- Está bem - disse o Cavaleiro de Dragão, que sabia muito bem o que Hyoga estava planejando fazer naquele dia - Eu irei sozinho, não acho que seja nada do outro mundo.

Depois que saíram do escritório de Tatsumi, Hyoga contou ao amigo os planos que tinha preparado para pedir a Eiri para ser sua namorada naquela noite.

- Fico feliz por você - disse o cavaleiro - Espero que você seja muito feliz, amigo. Eiri é uma boa garota, e percebe-se que ela te ama muito. Dou-lhe um conselho, amigo nunca economize esforços para mostrar a ela o quanto você a ama, e assegure-se de que ela esteja ciente de que é o amor da sua vida, e a coisa mais importante para você.

- Obrigado, Shiryu. Lamento que não tenha dado certo entre você e Shunrei, espero que algum dia você também encontre alguém a quem entregar os seus sentimentos e você possa refazer a sua vida, como ela o fez - disse o Cavaleiro de Cisne, lembrando-se do que ambos tinham visto há algumas semanas, em Macau.

- Obrigado, amigo,, mas seu que nunca conseguirei tirar Shunrei da minha cabeça, e muito menos do meu coração. Ela não é apenas o meu primeiro amor, também será o único - disse, com firmeza, o cavaleiro - Mas não é hora de falar sobre os meus problemas sentimentais, hoje deve ser um dia totalmente feliz para você. Desejo-lhe boa sorte esta noite, e não se preocupe com a reunião, eu me encarrego.

Naquela noite

Shiryu estava se preparando para o jantar com os sócios enquanto pensava no amigo e em como ele estava lidando com a sua proposta de namoro. Foi inevitável para ele pensar em como seria a sua vida se tivesse encontrado a coragem para confessar o seu amor a Shunrei, talvez estivessem casados, e ele fosse o pai daquele garotinho que aquele homem de sorte carregava nos braços, naquele dia. Mas as suas dúvidas e temores fizeram daquilo apenas um sonho que agora era irrealizável. Ele pensou com tristeza no quanto a sua amada devia ter sofrido pensando que ele não a amava e no quão tolo ele foi ao não perceber que ela o amava, mas agora ele não podia fazer nada além de lamentar, porque ela já tinha dado o seu coração para outra pessoa.

Ao chegar ao restaurante indicado por Tatsumi, Shiryu notou que ele havia sido o primeiro a chegar. Ele acomodou-se em uma mesa reservada para ele e os sócios. Em poucos minutos, chegaram dois homens, que apresentaram-se como importantes empresários da indústria química. Só faltava chegar um sócio. Quando Shiryu o viu chegar, ele reconheceu-o imediatamente, era o homem que estava com Shunrei em Macau. Ele mal podia acreditar em quão pequeno o mundo podia ser. O homem apresentou-se como Diogo Mourão.


Dias depois daquela reunião, Diogo começou a freqüentar as instalações da fundação, e lá ele se encontrou várias vezes com Shiryu. Durante aquelas visitas, Shiryu pôde perceber que algumas das mulheres da empresa mostravam-se interessadas no português, e incomodava-o profundamente que ele não fosse indiferente a algumas delas. Não conseguia entender como aquele homem podia fazer algo assim, como ele podia tirar proveito da ausência de Shunrei para flertar com outras mulheres. Se ele estivesse em seu lugar, jamais pensaria em outra mulher além dela. Um dia, em uma das visitas do português, ele não conseguiu conter a sua indignação e, quando estava a sós com ele, reclamou:

- Como você pode fazer algo assim ? - ele perguntou, visivelmente irritado.

- Não entendo qual o propósito da sua pergunta - respondeu o português, confuso - Do que você está falando ?

- Não banque o inocente, se você é um homem comprometido, como pode flertar tranqüilamente com outras mulheres ? - perguntou o cavaleiro, irritado.

- Comprometido ? Do que você está falando ? Você nem me conhece - perguntou ele, ainda mais confuso.

- Tem razão, eu não o conheço, mas à sua esposa, sim, e sei que Shunrei não merece isso - desafogou ele.

- Shunrei ? Minha esposa ? Espere um instante... como você sabe sobre ela ? - interrogou Diogo.

- Isso não importa agora. O que importa é que você... que você - Shiryu não conseguiu terminar de falar, quando foi interrompido por Diogo.

- Não sei como você conhece Shunrei, mas você está se confundindo, ela não é minha esposa, é apenas uma boa amiga. Eu a conheci recentemente em Macau - o português revelou.

- Você e ela são apenas amigos ? - perguntou o cavaleiro, confuso e um pouco envergonhado.

- Eu gostaria que o que você diz fosse verdade, mas nós somos apenas amigos. Como você sabe sobre Shunrei ? - interrogou Diogo - Você a conhece ?

- Sim, eu a conheço - respondeu ele, ainda envergonhado - Há muitos anos. Eu morei com ela e com o seu pai adotivo em Rozan. Há dois anos ela foi embora de lá e eu não a tinha visto novamente até algumas semanas atrás, quando viajei para uma convenção em Macau, e lá eu a vi com você e com um bebê. Pensei que você fosse marido dela ou algo assim.

- Caramba, é o que eu mais gostaria - disse Diogo - Eu conheci Shunrei há cerca de quatro meses, em Macau. Ela me ajudou quando eu sofri um acidente na cidade, eu sou muito grato a ela, porque ela praticamente salvou a minha vida. Essa garota é um lindo anjo e, embora eu quisesse que nós fôssemos mais do que amigos, ela foi sincera comigo e deixou claro que não podemos ser mais do que isso... apenas amigos. É por isso que, às vezes, eu visito-a em Macau e na ocasião em que você nos viu, provavelmente foi há algumas semanas, quando eu também levei a minha prima e o seu bebê, para que eles conhecessem a cidade.

- Então foi tudo um mal-entendido - exclamou ele, feliz - Desculpe-me por minhas reclamações sem sentido, Sr. Mourão.

- Tudo bem, não se preocupe com isso - respondeu Diogo, gentilmente - Preocupe-se em ir procurá-la - disse o português, ante o olhar de espanto dele - Quando eu confesse i os meus sentimentos a Shunrei, ela me disse sinceramente que não poderia retribuir porque já estava apaixonada por alguém, de uma pessoa que ela conhecia desde a infância, e posso deduzir claramente que essa pessoa é você.

Ao escutar aquilo, Shiryu sentiu que o seu coração batia novamente, e que o seu mundo preto e branco recuperava as cores. A vida, tão ingrata com ele, tinha dado-lhe outra oportunidade, que, desta vez, ele estava determinado a aproveitar.


Depois da conversa que tivera com Diogo, ele decidiu procurar Shunrei, confessar-lhe o seu amor e estar sempre ao lado dela. Graças à sua capacidade de mover-se à velocidade da luz, em poucos instantes ele estava em Macau, à procura do endereço onde Diogo disse que ela coração batia a toda velocidade, em suas mãos estava a amarrotado e amarelada carta que ela lhe deixara há anos, em Rozan. Ao lê-la, ele já não sentia mais o mesmo que tinha sentido ao lê-la pela primeira vez, quando achava que ela já não o amava, agora aquela cartas em suas mãos lhe parecia a mais bela declaração de amor.

Aquele dia era 20 de janeiro, exatamente a data em que eles tinham se conhecido há doze anos, em Rozan, quando eram apenas duas crianças, e ele não pôde evitar se apaixonar por ela e, pelo visto, também ela por ele. Ele estava feliz, ela o amava e agora não havia nenhuma razão para não estarem juntos, ele não tinha nenhuma razão para não confessar-lhe o seu amor.

Pensei que era um bom momento,
Finalmente se tornava realidade,
De tanto ouvir falar do seu silêncio,
Dizem que se arrasta como o mar.

Quando ele chegou ao restaurante já era noite, Shiryu perguntou imediatamente por Shunrei, na esperança de encontrá-la ali.

- Ela não está - respondeu a sra. Aitana - Aliás, hoje ela saiu mais cedo porque sentiu-se um pouco indisposta.

- Ela está doente ? - perguntou ele, preocupado - Por favor, a senhora pode me dizer o endereço onde eu possa encontrá-la ?

- Lamento, meu jovem. Mas não posso lhe dar esse tipo de informação - respondeu, meio desconfiada, a sra. Aitana - Se você precisa de algo, terá que vir depois de amanhã, porque amanhã será o seu dia de folga.

- Por favor, senhora. Eu preciso falar com ela, preciso vê-la hoje mesmo - disse ele, visivelmente angustiado - Eu estive procurando-a por um longo tempo. Por favor, me ajude.

- Você a conhece há muito tempo ? - perguntou a sra. Aitana, intrigada - Você é de Rozan ?

- Sim, senhora. Eu vivi em Rozan com ela e com o seu pai adotivo. Há dois anos ela desapareceu e eu tenho procurado-a desde então. Por favor, diga-me onde ela mora, eu preciso vê-la - ele implorou.

- Então você deve ser Shiryu - ela exclamou, surpresa.

- Sim ! Ela lhe falou sobre mim ? - o Cavaleiro de dragão perguntou feliz, o fato de sua amada ter falado sobre ele deu-lhe ainda mais esperanças.

Depois de contar a sra. Aitana como ele tinha encontrado o paradeiro de Shunrei, ele lhe deu o endereço do apartamento de Shunrei, que ficava a poucos minutos de distância. Shiryu deixou o lugar apressadamente, ele estava imensamente feliz, finalmente, depois de tanto tempo, ele estaria novamente com a sua amada.

Quero estar ao teu lado,
Quero te olhar e sentir,
Quero me perder esperando,
Quero te amar ou morrer...

No momento em que vi teu olhar buscando o meu rosto,
Na madrugada de 20 de janeiro saindo do trem,
Me perguntei o que seria sem ti pelo resto da vida,
E desde então eu te amo, te adoro e volto a te querer.


Shunrei estava se preparando para dormir. Ela estava tomando um chá quente para aliviar um pouco a dor de cabeça. Ela repassou mentalmente a atividade do dia, tinha passado o tempo todo pensando nele. Naquele dia, 20 de janeiro, completavam-se doze anos desde que o conhecera. Lembrava-se daquele fato como o dia mais feliz da sua vida. Não pôde deixar de ser perguntar como seria a sua vida se ela tivesse continuado nos Cinco Picos. Pensou que talvez Shiryu tivesse ficado lá por causa de uma obrigação para com ela e isso levava-a a se convencer de que fizera a coisa certa ao partir.

De repente, o som da campainha tirou-a de seus pensamentos. Parecia estranho que alguém batesse à sua porta, não era comum ela ter visitas àquela hora, ela achou que talvez fosse o dono do edifício que tinha ido levar-lhe alguma conta. Com isso em mente, ela levantou-se do sofá e foi até a porta.

Ao abrir, ela ficou totalmente paralisada ao ver quem estava ali.

- Shunrei - murmurou o Cavaleiro de Dragão - Finalmente encontrei você.

- Sh... Sh... Shiryu - gaguejou ela, totalmente surpresa - Por q...? Como ?... - ela não sabia o que dizer.

Mas, antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Shiryu se aproximou dele a abraçou-a com força. Parecia quele queria fundir-se para sempre com ela naquele abraço. Ela sentia que o seu coração ia parar a qualquer momento devido à emoção que sentia; aquele abraço tão caloroso, tão ansiado durante tanto tempo, era uma carícia para o seu frágil coração.

Quando Shiryu finalmente interrompeu o abraço, olhou-a nos olhos e percebeu que ela estava totalmente surpresa e levemente corada devido ao seu abraço inesperado e que, assim como ele, não sabia o que dizer.

- Eu te procurei por tanto tempo - ele finalmente conseguiu dizer.

- Shiryu, me perdoe, eu... eu não queria machucar você - disse ela, e, inevitavelmente, seus olhos começaram a ficar embaçados pelas lágrimas - Mas eu não podia... - antes de completar a frase, ela foi interrompida por Shiryu.

- Posso entrar ? - perguntou ele, ao que ela acedeu. Uma vez lá dentro, ele continuou: - Você não imagina o quão feliz eu estou por poder tê-la encontrado, Shunrei. Não quero fazer nenhuma recriminação, só quero que você me diga se o que você escreveu aqui é verdade - disse ele, tirando do bolso a carta que ela tinha escrito há dois anos.

Ao ver a carta e lembrar-se da declaração que tinha escrito nela, o rosto de Shunrei ficou vermelho.

- Shiryu, eu não quero que você se sinta obrigado a...

Naquele momento, ela foi interrompida por Shiryu, que inesperadamente inclinou-se e pousou os lábios nos dela, num leve roçar.

- Eu te amo, Shunrei - ele sussurrou - Eu te amo desde a primeira vez que te vi, me perdoe por não ter lhe dito isso antes. Se eu tivesse sido sincero com você, você não teria se afastado de mim. Prometo que de hoje em diante vou fazer todo o possível para convencê-la do seu amor.

Ela não sabia o que dizer, o que parecia impossível para ela estava acontecendo naquele exato momento. O homem que amava com todo o seu ser estava ali confessando-lhe o seu amor e comprometendo-se a provar isso com os seus atos. Parecia-lhe que tudo aquilo era um lindo sonho, ou um delírio provocado pela sua dor de cabeça.

- Shiryu - ela conseguiu finalmente falar - , pensei que você nunca conseguiria corresponder aos meus sentimentos - em seguida ela abraçou-o, cedendo às lágrimas.

Nesse momento, Shiryu correspondeu ao abraço da jovem, e não pôde evitar ficar com o rosto banhado em lágrimas. Alguns segundos depois, ele desfez o abraço e olhou-a nos olhos com ternura, percebendo que ela, assim como ele, irradiava uma grande felicidade. Então, segurando delicadamente o rosto da amada em suas mãos, ele inclinou-se até ela, unindo os seus lábios em um terno e delicado beijo; ela, por sua vez, circundou o pescoço do seu amor, permitindo-lhe aprofundar o seu doce beijo. Era a primeira vez que eles se beijavam, ela sentia-se flutuando no ar, amava estar nos braços daquele homem, a quem amara por toda a sua vida, aquele beijo era algo que ela desejava com todo o seu ser, um sonho adiado pela timidez de ambos que agora se tornava realidade. Eles separaram-se para recuperar o fôlego, ele apoiou a sua testa na dela, permitindo-se apreciar o cheiro da sua amada.

- Você não imagina quantas vezes eu sonhei com este momento - disse ele, acariciando-lhe o rosto - Mas a realidade foi muito melhor. Te amo, Shunrei, te amo.

Ela sorriu, satisfeita. Apoiou a cabeça no peito do amado e ele, por sua vez, abraçou-a com força, para que ela se deleitasse com as batidas aceleradas do seu coração.

Segundos depois, Shunrei segurou-lhe a mão e o fez acompanhá-la até a sala de estar.

- Bem-vindo, Shiryu - depois de se sentarem no confortável sofá da sala, ambos começaram a falar sobre os seus sentimentos, o quanto se amavam e queriam ficar juntos. Shiryu contou-lhe o quanto sentiu a falta dela o tempo todo e sobre a busca que empreendera para descobrir o seu paradeiro e, e, claro, das coincidências da vida que o tinham levado novamente para junto dela. Ela, por sua vez, contou-lhe como tinha chegado ali e como tinha sido a sua vida durante aquele tempo em que eles estiveram separados, e o quanto pensara nele durante todo esse tempo. Enquanto isso, já era tarde da noite, e era evidente que o sono os venceria.

- Tenho medo, Shiryu - disse ela, acariciando gentilmente o rosto dele - Medo de acordar amanhã e não ver você, medo de que isso seja apenas um sonho.

- Eu temo a mesma coisa, mas tenho uma solução para isso - disse ele, sorrindo - Você se lembra do que nós fazíamos quando éramos crianças e você tinha medo de dormir ?

- Sim - ela respondeu, corada - Eu dormia ao seu lado porque você me fazia sentir segura. Com você, os meus medos desapareciam.

Após ela ter dito isso, ele segurou-lhe a mão e levou-a até onde deduziu que era o quarto dela.

- Tudo bem, vamos fazer aquilo que nós fazíamos quando éramos crianças, simplesmente vamos dormir juntos - disse ele - Assim os nossos medos desaparecerão, porque quando estou com você eu me sinto o mais corajoso dos homens e não sinto mais medo.

Shunrei sorriu, comovida, e concordou com o seu pedido. Eles deitaram-se na cama dela, e ela recostou a cabeça no peito do seu amado, enquanto ele acariciava os cabelos dela; em poucos minutos, Shunrei foi vencida pelo sono, embalada pelas batidas do coração do seu amado.

Anos atrás

O pequeno Shiryu já estava nos Cinco Picos há várias semanas, treinando com o seu antigo mestre. Naquele dia, ele tinha treinado duro e estava realmente exausto. Depois de jantar com a pequena Shunrei e agradecer pela sua deliciosa comida, ele foi para o seu quarto e logo adormeceu, até que um certo barulho o acordou, uma grande tempestade tinha desabado e ele escutou ruídos vindos da cozinha, e decidiu investigar o que era. Quando chegou lá, ele surpreendeu-se com o que encontrou, Shunrei estava debaixo da mesa, chorando e tremendo assustada.

- O que há, Shunrei ? - perguntou o garoto, preocupado - Você está com medo da tempestade ?

- Estou com tanto medo, Shiryu ! - exclamou a garota, correndo para os braços dele - Sempre que há tempestades eu fico com muito medo, mas o mestre nunca está em casa - disse ela, chorando novamente.

- Calma, agora eu estou aqui - disse ele abraçando-a fortemente ao seu peito - Eu estarei sempre ao seu lado para que você não tenha medo de nada, eu vou te proteger, não vou deixar que nada lhe aconteça.

Segurando a garota em seus braços, o pequeno Shiryu levou-a ao seu quarto e sentou-a na cama.

- Não me deixe sozinha, Shiryu, eu estou com medo - disse a garota entre soluços - Fique comigo hoje.

O garoto olhou para ela com ternura. Shunrei era a garota mais amável e gentil que ele já conhecera e ele não podia negar que, aos seus olhos, era a garota mais bonita que ele já vira. Sem pensar duas vezes, ele acedeu ao pedido de Shunrei e acomodou-se ao lado dela na cama, a garotinha, sem hesitar, aproximou-se do peito do companheiro e apoiou nele a sua cabeça. Shiryu enterneceu-se ainda mais ao sentir a garota tremer em seus braços e, para acalmá-la, acariciou gentilmente os seus cabelos, enquanto dizia frases reconfortantes, cheias de carinho e de ternura. "Como ela é linda !", ele pensou e, sem que tivesse premeditado, aproximou-se do rosto da garotinha, e, sem nenhuma malícia, pousou os lábios nos dela, voltou a olhá-la e sorriu extasiado. "Nunca vou permitir que algo de ruim aconteça com você, eu sempre vou te proteger"; então, voltou a deitar ao lado dela, Não entendia porque, mas sentia-se muito feliz quando estava perto dela.

"Claro que eu sei porque me sinto tão feliz quando tenho você por perto !", pensou o cavaleiro, enquanto observava a amada dormir em seus braços. "Eu te amo, é você quem faz com que as batidas do meu coração tenham sentido".

Com este pensamento em mente, ele dormiu profundamente, com a firme convicção de que o nascer do Sol não iria dissipar a sua imensa felicidade.

Te perdi e não te perderei,
Nunca mais te deixarei,
Te procurei muito longe daqui,
Te encontrei pensando em mim...


N/A: Continua...

Eu imaginava escrever apenas três capítulos, com essas músicas que gosto tanto, mas acho que, terminando a história aqui, ela ficaria um pouco incompleta e com pontas soltas, então decidi escrever um quarto capítulo, que será o final.

Espero que vocês tenham gostado, e que me deixem a par de suas opiniões.

E, a todos os leitores, também dou os meus sinceros agradecimentos. Deixem de ser tímidos e comentem, eu gostaria de saber o que vocês acham !

Eu prometo que o último capítulo será só romance entre os nossos protagonistas, realmente depois de tanto drama eles merecem isso.

Nos lemos em breve...


N/T 2: E, a seguir, o gran finale.