Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
PRÓLOGO
-CULLEN-
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"Afinal, o que seu pai diria se eu lhe deixasse sem nada?"
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~LONDRES,
INVERNO, 1821
Um oito de ouros o arruinou.
Se tivesse sido o seis, ele poderia ter se salvado. Ou se tivesse sido o sete, ele teria ido embora com o triplo do que possuía. Mas foi o oito... O jovem marquês de Cullen viu a carta deslizar sobre o viçoso pano verde e tomar o lugar ao lado do sete de paus que estava exposto à mesa, provocando-o. Seus olhos já estavam se fechando; o ar, deixava o ambiente em um movimento único e insuportável.
Vingt et deux. Um a mais do que os vingt et un em que ele havia apostado. Nos quais apostou tudo...
Houve um suspiro coletivo no salão, enquanto ele acompanhava o movimento da carta com a ponta de um dedo – e os espectadores, com o ávido prazer de quem escapou por pouco da própria desgraça, assistiam ao horror se desenrolar.
Então, começaram os comentários.
"Ele apostou tudo?"
"Tudo o que não estava comprometido. Jovem demais para saber o que estava fazendo."
"Agora está velho o bastante. Nada amadurece um homem mais rápido do que isso. Ele realmente perdeu tudo?"
"Tudo."
Seus olhos se abriram e focaram o homem do outro lado da mesa, cruzando com o frio olhar cinzento que conhecia por toda a vida. O visconde de Black havia sido amigo e vizinho do pai, escolhido a dedo pelo velho marquês de Cullen para ser guardião de seu único filho e herdeiro. Depois da morte dos pais, Black foi escolhido para proteger o marquesado de Cullen, aumentar o patrimônio em dez vezes e garantir sua prosperidade. E então, o havia tomado.
Vizinho, talvez. Amigo, jamais. O jovem marquês se viu atingido pela traição.
"O senhor fez isso de propósito." Pela primeira vez em seus 21 anos, ouviu a juventude de sua voz. E a odiou.
Não havia qualquer emoção no rosto do oponente ao levantar o bilhete do centro da mesa. Cullen resistiu ao impulso de recuar do rabisco arrogante de sua assinatura na página branca – a prova de que ele havia perdido tudo.
"Foi sua escolha. Foi sua a escolha de apostar mais do que estava disposto a perder."
Ele havia sido depenado. Billy Black o pressionou sem parar, fazendo-o ir mais e mais além, deixando-o vencer, até que ele não conseguia mais se imaginar perdendo. Era uma tática antiga, e Edward era jovem demais para percebê-la.
Ansioso demais. Cullen ergueu o olhar, com raiva e frustração que lhe engasgavam as palavras.
"E foi sua a escolha de ganhar."
"Sem mim, não haveria nada a ganhar", disse o homem mais velho.
"Meu pai." Jacob Black, filho do visconde e o melhor amigo de Edward, deu um passo à frente, com a voz trêmula. "Não faça isso."
Lentamente, Black dobrou o bilhete e levantou-se da cadeira, ignorando o filho. Em vez disso, olhou friamente para Cullen.
"Você deveria me agradecer por lhe ensinar uma lição valiosa tão cedo na vida. Infelizmente, agora não tem nada além da roupa do corpo e um solar vazio." O visconde lançou um olhar para a pilha de moedas em cima da mesa – as sobras de seus ganhos da noite.
"Posso deixar o dinheiro. O que lhe parece? Um presente de despedida, ou como queira. Afinal, o que seu pai diria se eu lhe deixasse sem nada?"
Cullen levantou-se num salto da cadeira, atirando-a para longe da mesa.
"Não tem o direito de falar em meu pai!"
Black ergueu uma sobrancelha diante do descontrole e deixou o silêncio reinar por um longo momento.
"Sabe, creio que eu deva levar o dinheiro, afinal, e sua filiação a este clube. Está na hora de você ir embora."
Cullen sentiu o rosto queimar diante das palavras. Sua filiação ao clube, suas terras, seus criados, cavalos, roupas, tudo. Tudo exceto uma casa, alguns hectares de terra e um título. Um título agora em desgraça.
O visconde levantou um lado da boca em um sorriso irônico e jogou um guinéu na direção de Edward, que o apanhou instintivamente, segurando a moeda de ouro que cintilava sob as luzes brilhantes da sala de jogos.
"Gaste-o com sabedoria, rapaz. Foi a última coisa que recebeu de mim."
"Meu pai...", Jake tentou novamente. Black virou-se para ele.
"Nem mais uma palavra. Não aceitarei que implore por ele."
O mais velho amigo de Cullen virou os olhos tristes para ele, erguendo as mãos em um sinal de impotência. Jacob precisava do pai, do dinheiro e do apoio dele.
Coisas que Edward não tinha mais. O ódio tomou conta por um breve instante, antes de desaparecer, extinto por uma fria determinação. Então Cullen pôs a moeda no bolso e virou as costas para seus pares, seu clube, seu mundo e a vida que sempre conheceu...
Jurando vingança.
Bom, já começamos com a ruína e perda total da herança de Edward. O motivo que o levou a ser quem é e porque ele faz as coisas como faz. Um completo canalha, frio e calculista. Não acreditam em mim? Esperem para ver o próximo rsrs
Beijinhos!
