Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.


CAPÍTULO CINCO

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"Você passará de luz à sombra, de boa a má. Vou arruinar você."

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Ela acordou à luz suave da lareira com o nariz insuportavelmente gelado e todo o restante incrivelmente quente. Desorientada, piscou diversas vezes, olhando para o entorno desconhecido, antes das brasas brilhando na lareira e das paredes rosas trazerem claridade. Estava deitada de costas no ninho de cobertores que havia arrumado antes de cair no sono, coberta com algo grande e quente que cheirava maravilhosamente bem. Afundou o nariz gelado no tecido e inspirou fundo, tentando identificar o perfume – uma mistura de bergamota e flor de tabaco.

Ela virou a cabeça. Edward. Primeiro o choque, então o pânico. Edward estava dormindo ao lado dela. Bem, não exatamente ao lado. Mais precisamente em frente a ela. Mas a sensação era de que estava todo ao seu redor. Ele estava virado de lado, com a cabeça sobre um braço dobrado e o outro atirado por cima dela, a mão agarrada firme à lateral do seu corpo. Ela inspirou abruptamente quando percebeu o quanto o braço dele estava perto de certas... partes dela... que não deveriam ser tocadas. Não que houvesse muitas partes dela livres a serem razoavelmente tocadas, mas não era esse o ponto. O braço dele não era o único problema. Ele estava bastante encostado nela, o peito, o braço, as pernas... e outras partes também. Ela não conseguia decidir se devia sentir-se horrorizada ou absolutamente emocionada. As duas coisas? Era melhor que ela não explorasse a questão com muitos detalhes.

Virou-se para ele, tentando evitar movimentos ou sons desnecessários, e incapaz de ignorar a sensação do braço dele acariciando sua barriga em um ritmo constante, enquanto ela girava embaixo dele. Quando ficaram de frente, expirou longa e cuidadosamente e pensou nos próximos passos. Afinal, não era todos os dias que ela acordava nos braços de – bem, embaixo do braço de – um cavalheiro. Ele não era mais muito cavalheiro, era?

Acordado, ele era apenas ângulos fortes e tensão – os músculos de seu maxilar eram retesados como um arco, como se ele estivesse em um eterno estado de autocontrole. Mas, agora, dormindo, à luz da lareira, ele era... Lindo.

Os ângulos ainda estavam ali, definidos e perfeitos, como se um mestre escultor o tivesse criado – a curva do maxilar, o corte do queixo, o nariz comprido e reto, a curva perfeita das sobrancelhas, e aqueles cílios, idênticos aos de quando ele era menino, incrivelmente longos e fartos, uma carícia negra sobre o rosto dele. E os lábios... Naquele momento, não estavam apertados em uma linha firme e carrancuda, mas encantadores e cheios. Houve um tempo em que sorriam com muita facilidade, mas... haviam se tornado perigosos e tentadores de uma forma que nunca tinham sido quando ele era garoto. Ela percorreu o pico e os vales do lábio superior com o olhar, imaginando quantas mulheres o haviam beijado. Imaginando qual seria a sensação da sua boca – macia ou firme, leve ou sombria.

Ela expirou... A tentação deixando a respiração longa e profunda. Queria tocá-lo. Paralisou diante do pensamento, uma ideia tão estranha e ainda assim tão verdadeira. Ela não deveria querer tocá-lo. Ele era um monstro. Frio, grosseiro, egoísta e absolutamente sem nenhuma relação com o menino que ela conheceu um dia. Com o marido que ela havia imaginado. Seus pensamentos voltaram para mais cedo naquela noite, quando estava imaginando seu velho marido simples e entediante.

Não... Edward não era nada como aquele homem. Talvez fosse por isso que desejasse tocá-lo. Seu olhar pairou sobre sua boca. Talvez não ali, naqueles lábios tentadores e apavorantes... talvez ela desejasse tocar seus cabelos acobreados e rebeldes como sempre foram. Os fios estavam um pouco mais comportados agora, mesmo ao roçarem nas orelhas dele e lhe caírem sobre a testa, mesmo enquanto se recuperavam de um dia de viagem, neve e cobertos por um chapéu. Ela queria tocar os cabelos dele. Os cabelos do homem com quem iria se casar. A mão dela estava se mexendo por conta própria, a caminho dos fios brilhantes e sedosos.

"Edward", ela sussurrou, quando as pontas dos dedos tocaram as mechas sedosas, antes que ela pudesse pensar melhor na situação.

Ele abriu os olhos de repente, como se estivesse esperando que ela falasse, e mexeu-se como um relâmpago, segurando seu pulso com a mão forte, de aço. Ela arfou com o movimento.

"Perdão... eu não queria...", ela puxou a mão uma, duas vezes, e ele a soltou.

Ele voltou a pousar o braço onde ele estava bastante inapropriadamente atravessado em sua barriga, e o movimento a fez lembrar de todos os lugares em que os dois estavam se tocando – a perna dele distraidamente pressionada contra a sua, o olhar, um mosaico de cores que tão bem escondia seus pensamentos. Ela engoliu em seco, hesitou, e então disse a única coisa que conseguiu pensar em dizer:

"Você está na minha cama."

Ele não respondeu. Ela continuou.

"Não está..." Ela procurou a palavra.

"Feito?" O sono deixou a voz dele rouca e suave, e ela não conseguiu conter o arrepio de excitação que sentiu diante da palavra.

Ela assentiu uma vez com a cabeça. Ele deslizou o braço para longe dela, muito lentamente, e ela ignorou a pontada de pesar que sentiu à perda do peso sobre sua barriga.

"O que está fazendo aqui?"

"Eu estava dormindo."

"Quero dizer... por que está na minha cama?"

"Não é sua cama, Isabella. É minha."

O silêncio voltou, e Bella sentiu um arrepio de nervosismo na espinha. Como ela responderia àquilo? Não parecia nem um pouco adequado discutir a cama dele em detalhes. Nem a dela, aliás.

Ele virou de costas, desdobrando o braço que tinha estado sob seu rosto e espreguiçando-se, longa e voluptuosamente, antes de se virar de costas para ela.

Ela tentou dormir. De verdade, tentou. Respirou fundo, observando a forma como os ombros dele faziam uma curva, esticando o tecido da camisa. Ela estava em uma cama com um homem... Um homem que, embora fosse em breve se tornar seu marido, ainda não detinha o título. A situação deveria ser devastadoramente escandalosa. Perversamente excitante. E, no entanto... não importava o que a mãe dela fosse pensar quando ficasse sabendo, a situação não parecia nem um pouco escandalosa. O que era um pouco decepcionante, na verdade. Parecia que mesmo quando estava frente a frente à perspectiva de aventura, ela não conseguia fazer do jeito certo.

Não importava o quanto fosse escandaloso seu futuro marido... ela não era o tipo de mulher que o compelia ao escândalo. Isso havia ficado claro. Mesmo naquele momento, com os dois a sós em um solar abandonado, ela não era o bastante para atrair a atenção de um cavalheiro. Ela expirou sonoramente, e ele virou a cabeça para ela, dando-lhe a visão de uma orelha desenhada à perfeição.

Ela jamais havia reparado na orelha de ninguém antes.

"O que foi?", ele disse baixinho, com a voz áspera.

Ele voltou a se deitar de costas, puxando o cobertor e deixando um dos braços dela exposto ao ar frio do quarto. Quando ele respondeu, estava virado para o teto.

"Conheço o bastante sobre mulheres para saber que suspiros não são nunca apenas suspiros. Eles indicam uma de duas coisas. Esse suspiro em particular representa desprazer feminino."

"Não fico surpresa que você reconheça o som." Isabella não conseguiu resistir. "O que o outro indica?"

Ele a encarou fixamente com seus lindos olhos verdes.

"Prazer feminino."

Bella sentiu o rosto queimar e imaginou que ele também fosse reconhecer aquilo facilmente.

"Ah."

Ele voltou a atenção para o teto outra vez.

"Poderia me dizer o que foi, exatamente, que a deixou insatisfeita?"

Sacudiu a cabeça.

"Nada."

"Está desconfortável?"

"Não." Os cobertores embaixo dela lhe davam proteção suficiente contra o estrado de madeira.

"Está assustada?"

Ela pensou na pergunta e respondeu com sinceridade.

"Não. Deveria estar?"

Ele olhou para ela.

"Eu não machuco mulheres."

"O seu limite é raptá-las e bater nelas?"

"Você está machucada?"

"Não."

Ele se virou mais uma vez, encerrando a conversa, e ela ficou olhando para as costas dele por um longo tempo antes de, quer por exaustão ou exasperação, disparar:

"É só que quando uma mulher é raptada e obrigada a concordar com um casamento, ela espera um pouco mais de... excitação. Do que... isto."

Ele se virou lentamente – irritado – para encará-la. O clima entre eles ficou tenso, e Isabella ficou consciente, de imediato, da posição dos dois, a poucos centímetros de distância um do outro, embaixo do mesmo cobertor – que vinha a ser o sobretudo dele, sobre um catre quente em um quarto pequeno, em uma casa vazia. E ela percebeu que talvez não devesse ter dado a entender que a noite não estava emocionante.

Porque não estava nem um pouco segura de estar preparada para que a noite se tornasse sequer um pouco mais emocionante.

"Eu não quis dizer...", ela se apressou a corrigir a si mesma.

"Ah, acho que você se saiu muito bem no que queria dizer." A voz dele estava baixa e sombria, e de repente ela não estava tão segura de não estar com medo. "Não sou excitante o bastante para você?"

"Não você...", ela respondeu rapidamente. "Toda a..." Ela agitou a mão, levantando o sobretudo quando achou melhor encerrar o assunto. "Não importa."

O olhar dele estava fixo nela, atento e impassível, e, embora ele não tivesse se mexido, parecia ter ficado maior, mais imponente. Como se tivesse sugado muito ar do quarto.

"Como posso tornar esta noite mais satisfatória para você, querida?"

A pergunta suave fez com que ela fosse tomada por uma explosão de sentimentos... a forma como a palavra – satisfatória – saiu lânguida de sua boca fez o coração dela disparar e o estômago apertar. Parecia que a noite estava ficando mais excitante muito depressa. E tudo estava indo rápido demais para o gosto de Isabella.

"Não há necessidade", ela disse, em um tom assustadoramente agudo. "Está ótimo."

"Ótimo?" A palavra saiu de modo preguiçoso dele.

"Muito emocionante." Ela assentiu com a cabeça, levando uma mão à boca para fingir um bocejo. "Tão emocionante, na realidade, que me encontro exausta além do suportável." Bella fez menção de se virar de costas para ele. "Acho que eu devo desejar-lhe boa noite."

"Acho que não", ele disse, as palavras suaves soando altas como um tiro no minúsculo espaço entre eles.

E então ele a tocou... Agarrou seu pulso, fazendo-a virar-se de frente para ele, para encarar seu olhar resoluto.

"Eu detestaria que a noite a deixasse tão... frustrada."

Frustrada. A palavra a atingiu profundamente no estômago, e Bella respirou fundo, tentando diminuir sua agitação. Não funcionou. Ele então prosseguiu, deslizando a mão do pulso, levando-a até seus quadris. Nesse instante, toda sua atenção estava focada naquele ponto, embaixo das saias, da anágua e da capa, onde tinha certeza de conseguir sentir o calor intenso da grande mão dele.

Ele não fez nada para apertá-la, para trazê-la para mais perto, ou para movê-la de uma maneira ou outra. Ela sabia que podia se afastar... sabia que devia se afastar... e, no entanto... Não queria. Em vez disso, ficou ali parada, na iminência de algo novo, diferente e absolutamente excitante. Ela olhou nos olhos dele, escuros à luz da lareira, e implorou em silêncio que ele fizesse alguma coisa.

Mas ele não fez. Em vez disso, disse:

"Jogue a sua carta, Isabella."

Ela ficou boquiaberta diante daquela declaração, com a forma como ele lhe deu poder sobre o momento, e Isabella então percebeu que foi a primeira vez em toda sua vida que um homem realmente lhe dava a oportunidade de fazer uma escolha por si mesma. Não era irônico que tivesse sido aquele homem? O mesmo homem que havia tirado toda escolha dela em um período de poucas horas? Mas agora, ali estava a liberdade sobre a qual ele havia falado. A aventura que ele havia prometido. O poder era intoxicante, irresistível e... Perigoso. Mas ela não se importava, porque foi aquele poder malicioso e maravilhoso que a impulsionou a falar.

"Beije-me."

Mas ele já estava se mexendo, os lábios capturando suas palavras.

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Caro E,
Está uma tristeza absoluta aqui – quente como o inferno, mesmo no meio da noite. Tenho certeza de que sou a única acordada, mas quem consegue dormir no pior do verão em Surrey? Se estivesse aqui, estou certa de que estaríamos fazendo alguma travessura no lago.
Confesso que gostaria de dar uma caminhada... mas imagino que seja algo que jovens moças não devem fazer, não?

Carinhosamente, I.
Solar Swan, Julho de 1815.

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Cara I,
Tolice. Se eu estivesse aí, estaria fazendo alguma travessura. Você estaria enumerando todas as formas como poderíamos logo ser apanhados e repreendidos por nossas transgressões.
Não tenho absoluta certeza sobre o que jovens moças devem ou não fazer, mas seus segredos estão a salvo comigo, mesmo que sua tutora não aprove.

Especialmente por isso.
E.
Eton College, Julho de 1815.

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É importante dizer que Isabella Swan tinha um segredo. Não era um grande segredo, nada que fosse derrubar o Parlamento ou destronar o rei... nada que fosse destruir sua família ou qualquer outra... mas era um segredo pessoal bastante devastador – um segredo que ela se esforçava muito por esquecer sempre que possível. Não deveria ser uma surpresa, uma vez que, até aquela noite, Isabella tinha levado uma vida-modelo – absolutamente decorosa. Sua infância de bom comportamento tornou-se uma vida adulta de excelente comportamento-modelo para as irmãs mais novas, no que dizia respeito exatamente à maneira como se esperava que jovens moças de boa criação se comportassem.

Assim, era uma verdade constrangedora o fato de que, apesar de ela ter sido cortejada por um punhado de rapazes e inclusive ficado noiva de um dos mais poderosos homens da Inglaterra, que parecia não ter problema algum em demonstrar sua paixão quando estava com ele, Isabella Swan jamais havia sido beijada. Até então... Era realmente ridículo. Ela sabia disso. Era 1831, pelo amor de Deus. Jovens damas estavam umedecendo suas anáguas e revelando a pele, e ela sabia, por ter quatro irmãs, que não havia nada de errado com um casto roçar de lábios vez ou outra com um algum pretendente ávido. Só que nunca havia lhe acontecido antes, e aquilo não lhe parecia nem um pouco casto.

Aquilo lhe parecia absolutamente malicioso e nem um pouco o tipo de beijo que uma moça recebia do futuro marido. Parecia algo que uma moça nem sequer discutia com o futuro marido. Edward recuou apenas um pouco, o suficiente para sussurrar contra seus lábios:

"Pare de pensar..."

Como ele sabia?

Não tinha importância. O que importava era que seria indelicado ignorar seu pedido. Assim, ela entregou-se àquilo, àquela estranha e nova sensação de ser beijada, os lábios dele de alguma forma ao mesmo tempo duros e macios, o som da respiração dele implacável em seu rosto. A ponta dos dedos dele acariciando delicadamente, suaves como um sussurro, ao longo do pescoço dela, entortando-lhe o queixo para ter melhor acesso à boca.

"Muito melhor..."

Ela arfou quando ele realinhou os lábios aos dela e a deixou sem fôlego com uma única carícia: chocante... maliciosa... maravilhosa... Aquilo era a língua dele? Era... gloriosamente acariciando a fenda de seus lábios fechados, instando-os a se abrirem. Então pareceu que ele a estava consumindo, e ela mais do que disposta a permitir. Ele traçou um pequeno caminho de fogo pelo lábio inferior dela, e Isabella se perguntou se era possível alguém enlouquecer de prazer.

Certamente que nem todos os homens beijavam assim... de outra forma, as mulheres não conseguiriam fazer nada. Ele recuou.

"Você está pensando de novo."

Ela estava. Estava pensando que ele era magnífico.

"Não consigo evitar." Ela sacudiu a cabeça, indo ao encontro dele.

"Então não estou fazendo isso corretamente."

Ah, Deus. Se ele a beijasse mais corretamente do que aquilo, sua sanidade estaria ameaçada. Talvez já estivesse.

Ela verdadeira e sinceramente não se importava, desde que ele continuasse com aquilo.

As mãos dela se mexeram por conta própria, subindo, acariciando os cabelos dele, puxando-o para mais perto, até que os lábios dele estivessem sobre os dela de novo, e dessa vez... dessa vez ela se soltou. E retribuiu o beijo, deliciando-se com o som profundo e rouco que saía do fundo da garganta dele – o som que viajou direto ao âmago de Bella e lhe disse sem palavras que, apesar de toda sua falta de experiência, ela havia feito alguma coisa certa. As mãos dele começaram então a subir... até ela pensar que poderia morrer se ele não a tocasse... lá, na curva do seio, deslizando com malícia para dentro do tecido que ele havia rasgado do vestido, para economizar o trabalho de seduzi-la. Não que parecesse como se ele fosse ter qualquer problema com isso.

Ela deslizou a mão pelo braço dele até empurrar sua mão na direção dela com mais força, mais firmeza, suspirando o nome dele em sua boca. Ele se afastou com o som, atirando o sobretudo para trás, revelando-os para a luz minguante da lareira, empurrando o tecido para o lado, deixando-a nua diante dos seus olhos, retornando a mão ao corpo dela, acariciando, subindo até ela arquear em sua direção.

"Está gostando disso?" Ela ouviu a resposta naquela pergunta.

Ele sabia que ela nunca havia sentido nada tão poderoso na vida. Tão tentador.

"Não deveria..." A mão dela voltou à dele, segurando-a no lugar, no corpo dela.

"Mas está..." Ele deu um beijo na pele macia na base do pescoço dela, enquanto seus dedos experientes encontravam o lugar em que ela ansiava pelo toque. Ela arfou o nome dele. Ele raspou os dentes no lóbulo macio de uma de suas orelhas até ela estremecer em seus braços. "Fale comigo."

"É incrível", ela disse, sem querer arruinar o momento, sem querer que ele parasse.

"Continue falando", ele sussurrou, afastando o tecido enquanto pressionava o seio para cima, expondo um dos mamilos ao quarto frio.

Ele então a encarou, vendo o bico do mamilo endurecer com o ar, ou o olhar dele, ou ambas as coisas, e Bella de repente sentiu uma vergonha terrível, odiando suas imperfeições, desejando estar em qualquer lugar que não ali, com ele, aquele exemplar perfeito de homem. Ela se mexeu para pegar o sobretudo, com medo de que ele a visse. De que ele a julgasse. De que ele mudasse de ideia. Ele foi mais rápido, segurando os pulsos dela nas mãos, contendo seu movimento.

"Não", ele rosnou, falando alto. "Jamais se esconda de mim."

"Não posso evitar. Eu não quero... você não deveria olhar."

"Se acha que evitarei olhar para você, está louca." Então ele se virou, atirando o sobretudo para trás, para longe do alcance dela, trabalhando rapidamente no vestido destruído, afastando as bordas desfiadas.

Ele a encarou, por um longo momento, até ela não suportar mais observá-lo, por medo de que ele pudesse rejeitá-la. Porque era à rejeição que ela estava mais acostumada quando se tratava do sexo oposto. Rejeição, recusa e desinteresse. E ela não achava que poderia suportar essas coisas agora. Dele... Essa noite. Fechou bem os olhos, respirando fundo, preparando-se para ele se afastar diante de sua falta de atrativos. Suas imperfeições. Ela tinha certeza de que ele se afastaria. Quando os lábios dele tocaram os seus, ela pensou que iria chorar.

E então ele abocanhou seus lábios em um longo beijo, acariciando-a profundamente, até que todos os pensamentos de vergonha foram espantados pelo desejo. Apenas quando ela começou a agarrá-lo pelas lapelas do paletó ele a soltou da carícia devastadora. Um dedo malicioso circundou o bico do seio dela lentamente, como se os dois tivessem todo o tempo do mundo, e ela observou o movimento, mal visível sob o brilho alaranjado do fogo agonizante. A sensação de prazer se acumulou ali, no bico duro e arrepiado... e em outros lugares escandalosos.

"Está gostando disso?", ele perguntou, com a voz baixa e rouca. Bella mordeu o lábio e assentiu. "Diga."

"Sim... esplêndido." Ela sabia que estava parecendo simplória e pouco sofisticada, mas não conseguia afastar o espanto da voz.

Os dedos dele não pararam.

"Tudo deve ser esplêndido. Diga-me se algo não estiver, e eu tratarei de corrigir a situação."

Ele beijou o pescoço dela, passando os dentes pela pele macia. Então olhou para ela.

"Isso também foi esplêndido?"

"Sim."

Ele a recompensou com beijos no pescoço, chupando-lhe a pele delicada do ombro, lambendo a curva de um seio antes de circundar o bico duro e empinado, mordiscando-o e acariciando – o tempo todo evitando o lugar onde ela mais o desejava.

"Eu vou corrompê-la", ele prometeu à pele dela, deslizando a mão pela barriga, sentindo como os músculos ficavam tensos e estremeciam com seu toque. "Você passará de luz à sombra, de boa a má. Vou arruinar você." Ela não se importava. Era dele. Ele a possuía naquele momento, com seu toque. "E você sabe qual será a sensação?"

Ela suspirou a palavra dessa vez.

"Esplêndida..."

Mais do que isso. Mais do que ela jamais imaginou. Ele a encarou nos olhos e, sem desviar o olhar, tomou o bico de um dos seios em sua boca quente, envolvendo a pele com a língua e os dentes, antes de sugar de modo luxuriante, fazendo-a gemer o nome dele e afundar os dedos em seus cabelos.

"Edward...", ela sussurrou, temendo quebrar o feitiço de prazer. Bella fechou os olhos.

Ele levantou a cabeça, e ela o odiou por parar.

"Olhe para mim." As palavras foram uma ordem. Quando ela o encarou uma vez mais, a mão dele deslizou por baixo do tecido amontoado do vestido, roçando os dedos nos pelos, e ela fechou as coxas com um gritinho apavorado.

Ele não poderia... não lá... Mas ele devolveu a atenção a seu seio, beijando e sugando até suas inibições se perderem, e as coxas se abrirem, permitindo que ele deslizasse os dedos entre elas, pousando suavemente contra sua pele, mas sem se mexer – uma tentação maliciosa e maravilhosa. Ela ficou tensa novamente, mas não lhe recusou o acesso dessa vez.

"Prometo que gostará disso. Confie em mim."

Ela deu uma risada trêmula quando os dedos dele se mexeram, abrindo mais suas pernas, ganhando acesso ao seu âmago.

"O leão disse ao cordeiro."

Ele passou a língua na pele macia na parte de baixo do seio dela antes de voltar-se para o outro, dedicando a ele a mesma atenção, enquanto Bella se contorcia embaixo dele e sussurrava seu nome. A mão, maliciosa, separou suas dobras secretas com um dedo e a acariciou suave e gentilmente, até encontrar a entrada quente e molhada dela.

Ele levantou a cabeça, encarando-a enquanto deslizava um dedo comprido para dentro do coração dela, fazendo-a sentir uma descarga de prazer inesperado por todo o corpo. Ele deu um beijo na pele entre seus seios, repetindo o movimento com o dedo antes de sussurrar:

"Você já está molhada para mim. Gloriosamente molhada."

Foi impossível controlar o constrangimento.

"Sinto muito."

Ele a beijou longa e lentamente, deslizando a língua no fundo de sua boca, enquanto o dedo espelhava o gesto abaixo, antes de se afastar, encostar a testa na dela e dizer:

"Isso quer dizer que você me quer. Quer dizer que, mesmo depois de todos esses anos, depois de tudo o que eu fiz, depois de tudo o que eu sou, posso fazer você me querer."

Mais tarde, ela pensaria naquelas palavras e desejaria que tivesse dito alguma coisa a ele, mas não conseguiu, não quando ele deslizou um segundo dedo junto ao primeiro, fazendo um movimento circular com o polegar enquanto sussurrava em seu ouvido.

"Eu vou explorar você... descobrir seu calor e sua maciez, cada pedaço do seu prazer." Ele a acariciou, sentindo a forma como ela pulsava ao seu redor, adorando a maneira como ela balançava os quadris contra ele, enquanto o polegar percorria um pequeno círculo em torno da túrgida saliência de prazer que ele havia desvelado. "Você me faz salivar."

Ela arregalou os olhos diante da declaração, mas ele não lhe deu tempo de pensar a respeito, ao mexer novamente a mão, levantando seus quadris e abaixando o vestido, tirando-o pelos pés e a deixando completamente nua, postando-se entre suas pernas, abrindo-as lentamente, dizendo as coisas mais maliciosas ao deslizar as mãos por sua pele. Ele a segurou pelos joelhos, enquanto os afastava, dando beijos longos, suaves e lascivos na pele macia da parte interna de suas coxas, logo acima das meias.

"Na verdade..." – ele fez uma pausa, girando a língua em um círculo lento, estonteante – "...acho que não consigo passar mais um instante..." – mais uma vez, na outra coxa – "...sem..." – um pouco mais alto, mais perto do desejo – "...prová-la."

E então sua boca estava nela, a língua fazendo carícias demoradas, lambidas lentas, enroscando-se de maneira quase insuportável no lugar onde o prazer se acumulava, tensionava e implorava por ser liberado. Ela deu um grito, sentando-se antes dele levantar a cabeça e pressionar sua barriga macia com uma das mãos.

"Deite-se... deixe-me prová-la. Deixe-me mostrar o quanto pode ser bom. Observe. Diga-me do que você gosta. Do que precisa.

E ela obedeceu, enquanto ele lambia e sugava com sua língua e seus lábios voluptuosos. Ela sussurrava incentivos, aprendendo o que queria, mesmo que ela ainda não tivesse certeza do resultado final. Mais, Edward. Suas mãos seguravam os cabelos dele, segurando-o perto dela. De novo, Edward. Suas coxas se abriram mais, com desejo e devassidão. Aí, Edward... Edward. Ele era seu mundo e não havia nada além daquele momento.

E então os dedos dele se uniram à língua, e ela pensou que poderia morrer enquanto ele pressionava com mais firmeza, friccionava mais deliberadamente, dando-lhe tudo o que ela nem sequer sabia pedir. Ela abriu os olhos de súbito, arfando o nome dele. A língua movia-se mais depressa, circundando o ponto em que ela precisava dele, e ela se movimentava, totalmente desinibida, perdida no prazer crescente, rumo ao ápice... querendo apenas saber o que vinha depois.

"Por favor, não pare".

Ele não parou.

Com o nome dele nos lábios, ela se jogou completamente, balançando contra ele, apertando-se nele, implorando por mais, enquanto ele a possuía com a língua, os lábios e os dedos, até ela perder a consciência de tudo além do intenso e brilhante prazer que ele lhe deu. Quando ela voltou do clímax, ele lhe deu longos e deliciosos beijos na parte interna de suas coxas, até ela sussurrar o nome dele, querendo apenas ficar deitada ao seu lado por uma hora... um dia... uma vida inteira.

Edward parou diante do toque dela, enquanto os dedos de Bella percorriam por seus cabelos, e os dois permaneceram assim por um bom tempo. Ela estava derretida de prazer, o mundo todo reunido na sensação dos fios em suas mãos, no raspar da barba dele na pele macia de suas coxas.

Edward. Ela ficou em silêncio, esperando que ele falasse, que ele dissesse o que ela estava pensando... que a experiência havia sido verdadeiramente extraordinária e que, considerada naquela noite, o casamento dos dois poderia ser muito mais do que ele jamais imaginou que pudesse ser. Tudo ficaria bem. Teria que ficar. Afinal, experiências como aquela não aconteciam todos os dias.

Ele finalmente se mexeu, e ela sentiu a má vontade no movimento quando ele puxou o sobretudo para cobri-la, cercando-o com seu cheiro e seu calor, antes de virar de lado e se levantar em um único movimento fluído, pegando o paletó de onde ele devia tê-lo deixado, cuidadosamente dobrado, mais cedo naquela noite. Ele o vestiu, rápido como um raio.

"Agora você está bem e verdadeiramente arruinada.", disse friamente. "Não há mais discussão quanto ao nosso casamento."

Ela se sentou, segurando o sobretudo ao redor enquanto ele abria a porta e se virava de costas, os ombros largos desaparecendo na escuridão à frente dele.

Ele então a deixou, fechando firmemente a porta atrás de si, marcando suas palavras, deixando Isabella sentada sobre um monte de tecido, fitando a porta, segura de que ele voltaria, de que ela não o havia escutado direito, de que ela não havia compreendido o que ele quis dizer.

Tudo ficaria bem.

Depois de vários minutos, Isabella puxou o vestido com os dedos trêmulos ao tocar o tecido rasgado. Ela se encolheu no catre, recusando-se a permitir que as lágrimas rolassem.


Tadinha...

Gente, a Ma perdeu os arquivos que mantinha com as adaptações e tava correndo contra o tempo para refazer e adiantar por isso o atraso nesses dias. To postando por ela esse cap por que eu sou a melhor amiga desse mundo todo. Né, Ma? kkkkkkkkkkkk Brincadeira, só to quebrando um galho pra essa fofa.

Beijocas, Ktia.