Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
CAPÍTULO DEZ
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"Estamos casados e eu quero uma noite de núpcias. Eu a mereço, acredito, depois de todos esses anos."
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Caro E,
Não tendo recebido resposta sua em inglês, pensei que talvez você pudesse responder em idiomas alternativos. Esteja avisado de que há latim (provavelmente incorreto) abaixo.
Écrivez, s'il vous plaît
Placet scribes
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Scrivimi, per favore
Ysgrifennwch, os gwelwch yn dda
Confesso que pedi que uma das criadas galesas da cozinha me ajudasse com a última, mas o sentimento é o mesmo.
Por favor, escreva, I.
Solar Swan, setembro de 1816
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Sem resposta (em qualquer idioma).
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Como sócio do mais luxuoso cassino de Londres, Cullen estava familiarizado com tentações. Era especializado em pecado e tinha um conhecimento pessoal dos vícios. Conhecia a sensação do tecido verde esmeralda estendido sobre uma mesa de bilhar, compreendia a forma como o coração disparava ao som dos dados fazendo barulho na mão de alguém, conhecia o precipício que um jogador desafiava ao esperar por aquela única carta que o faria ganhar – ou perder – uma fortuna.
Mas jamais em sua vida experimentou uma tentação tão aguda como aquela – o chamado ao pecado e à malícia que disparou em sua cabeça, ao ver sua nova e virginal esposa se contorcendo sobre sua colcha de pele, vestindo apenas uma camisola de linho. Seu corpo foi dominado por um desejo forte e intenso, e ele fez um enorme esforço para não rasgar a roupa de dormir dela em duas, deixando-a nua diante de seus olhos, suas mãos e sua boca, pelo resto da noite.
Para reivindicá-la como sua.
Sentiu raiva, agora misturada em uma combinação intoxicante com desejo, quando ela piscou para ele, lenta e languidamente, à luz cintilante das velas. O lampejo de um sorriso que ela lhe deu fez com que quisesse tirar toda a roupa e subir naquela cama para roçar a colcha macia em sua pele impecável e mostrar a ela exatamente o quanto podia ser gloriosa a depravação. Ela piscou novamente, e ele endureceu, as calças perfeitamente cortadas de repente pareciam justas demais.
"Edward", ela sussurrou, com um toque de satisfação em seu tom de voz que não o ajudava muito. "Você não deveria estar aqui."
E, no entanto, ele estava... Uma raposa invadindo um galinheiro.
"Estava esperando outra pessoa?" As palavras soaram duras aos ouvidos dela, repletas de um significado que ela não compreenderia. "Continua sendo meu quarto, não?"
Isabella sorriu.
"Você fez uma piada. Claro que sim."
"Então por que eu não deveria estar aqui?"
A pergunta pareceu incomodá-la. Ela franziu o nariz.
"Você deveria estar com sua deusa." Ela fechou os olhos e se balançou sobre a pele novamente, soltando um gemido baixo de prazer.
"Minha deusa?"
"Mmm. Alice me disse que você não dorme aqui." Isabella tentou sentar-se, mas seu movimento foi dificultado pela pele e pela cama de penas, e Edward viu o decote de sua camisola deslizar, devastadora e lindamente, deixando à mostra a curva de um dos seios nus. "Você fica sempre tão quieto, Edward. Tenta me intimidar?"
Cullen forçou-se a acalmar a voz.
"Eu a intimido?"
"Às vezes... Mas não agora."
Ela rastejou até ele, ajoelhando-se em sua frente, sobre a cama, com um dos joelhos esticando o tecido, e Cullen se viu rezando para que a camisola caísse mais dois centímetros... dois centímetros. Apenas o suficiente para expor um de seus mamilos perfeitos. Sacudiu a cabeça para afastar o pensamento. Era um homem de 30 anos, não um garoto de 12. Já havia visto muitos seios na vida.
Não precisava sentir desejo pela esposa, balançando diante dele, testando a força do tecido da camisola e a sanidade dele ao mesmo tempo. De fato, ele não havia retornado por um acesso de desejo. Havia retornado porque estava com raiva. Com raiva dela por ter quase se casado com Jacob. Por não ter contado a verdade a ele.
Ela interrompeu seus pensamentos, e ele a segurou pela cintura para evitar que caísse.
"Sinto muito por não ser perfeita."
Naquele momento, a única imperfeição nela era o fato de estar vestida.
"O que a faz dizer isso?"
"Nós nos casamos hoje", ela disse. "Ou talvez não se lembre disso?"
"Eu me lembro." Ela estava tornando impossível esquecer.
"É mesmo? Porque você me deixou..."
"Eu me lembro disso também." Ele havia voltado, pronto para consumar o casamento. Pronto para reivindicá-la como sua e eliminar qualquer dúvida de que os dois estivessem casados, de que Falconwell era dele.
De que ela era dele. Dele, e não de Jacob.
"Noivas não esperam ser deixadas em suas noites de núpcias, Edward." Ele não respondeu, e ela ficou mais insolente, levando as mãos aos braços dele, agarrando-o através das camadas de roupa. "Não gostamos disso. Principalmente quando o noivo renuncia a uma noite conosco por uma de suas... beldades de cabelos negros."
Aquilo não estava fazendo sentido.
"Quem?"
Ela fez um aceno com a mão.
"Elas sempre têm cabelos negros, as que vencem..."
"Quem vence o quê?"
Ela ainda estava falando.
"...Não importa se ela tem os cabelos negros ou não, na verdade. Só importa que ela exista. E eu não gosto disso."
"Entendo", ele disse. Ela achava que ele estava com outra mulher? Talvez se estivesse com outra mulher, ele não estaria ali, desejando-a tanto.
"Na realidade, acho que não entende." Ela se balançou, observando-o atentamente. "Está rindo de mim?"
"Não." Ele pelo menos sabia que essa era a resposta certa.
"Posso dizer do que mais as noivas não gostam na noite de núpcias?"
"Por favor."
"Não gostamos de ficar em casa. Sozinhas."
"Imagino que isso esteja junto com não gostar de ser deixada."
Ela estreitou o olhar e abaixou as mãos, balançando-se para trás, o suficiente para ele apertar mais forte ao redor da cintura e segurá-la firme – para sentir o calor suave de seu corpo sob a camisola, lembrando-o da forma como ela se moldava a suas mãos... à sua boca... ao resto dele.
"Está zombando de mim."
"Juro que não."
"Também não gostamos que zombem de nós."
Ele precisava se controlar antes de perder a cabeça.
"Isabella."
Ela sorriu.
"Gosto de como diz meu nome."
Ele ignorou as palavras e o flerte involuntário que carregavam. Ela não sabia o que estava fazendo.
"Por que não está na sua própria cama?"
Isabella meneou a cabeça, pensando na pergunta.
"Nós nos casamos por todos os motivos errados. Ou por todos os motivos certos... caso se esteja procurando por um casamento de conveniência. Mas, de qualquer maneira, não nos casamos por paixão. Quero dizer, pense bem. Você não me comprometeu realmente em Falconwell."
Uma lembrança dela se contorcendo contra ele, pressionando suas mãos, sua boca. A sensação dela, o gosto dela.
"Estou bastante seguro de que sim."
Ela sacudiu a cabeça.
"Não. Não me comprometeu. Eu sei o suficiente para compreender a mecânica do processo, sabe."
Ele queria explorar esse conhecimento. Profundamente.
"Entendo."
"Eu sei que há... mais..."
Muito mais. Muito mais do que ele queria mostrar a ela. Muito mais do que ele havia planejado mostrar a ela ao voltar para casa. Mas...
"Você andou bebendo."
"Só um pouquinho." Ela suspirou, olhando por cima do ombro dele, para a escuridão do quarto. "Edward, você me prometeu aventura."
"Sim."
"Uma aventura noturna."
Os dedos de Cullen apertaram a cintura dela, puxando-a para ele. Ou talvez ela estivesse simplesmente se balançando naquela direção. De qualquer maneira, ele não interrompeu o movimento.
"Eu lhe prometi uma volta no meu clube."
Ela sacudiu a cabeça.
"Eu não quero isso esta noite. Não mais."
Ela tinha os olhos chocolates mais lindos do mundo. Um homem poderia se perder naqueles olhos.
"O que quer em vez disso?"
"Nós nos casamos hoje." Sim. Eles haviam se casado. "Eu sou sua esposa."
Ele deslizou as mãos pelas costas dela até seus dedos afundarem nos cachos castanhos, segurando sua cabeça e a entortando um pouquinho, perfeitamente, para que pudesse dominá-la e lembrá-la de que ele era seu marido. Ele e mais ninguém. Ele se inclinou para frente, roçando os lábios nos dela, de modo suave e provocativo. Isabella suspirou e se aproximou, mas ele recuou, recusando-se a permitir que ela assumisse o controle. Ela havia se casado com ele, dando-lhe a oportunidade de recuperar seu nome e suas terras. E, naquela noite, ele não queria nada além de dar a ela acesso a um mundo de prazer como agradecimento.
"Isabella."
Ela abriu os olhos lentamente.
"Sim?"
"Quanto você bebeu?"
Ela sacudiu a cabeça.
"Não estou embriagada. Aparentemente, bebi apenas o suficiente para ter coragem de pedir o que quero."
Ela havia bebido demais, então. Ele sabia disso, ainda que o que ela havia dito o tivesse feito transbordar de desejo.
"E o que é que você quer, querida?"
Ela o olhou de frente.
"Quero minha noite de núpcias."
Tão simples, tão direta, tão irresistível. Ele abocanhou seus lábios, sabendo que não deveria fazê-lo, e beijou-a como se tivessem todo o tempo do mundo, como se ele não estivesse morrendo para fazer parte dela. Para estar dentro dela. Para fazer com que ela fosse dele. Sugou o lábio inferior carnudo dela entre os dentes, lambendo e acariciando com a língua até ela gemer de prazer no fundo da garganta. Soltou sua boca, beijando-a no rosto e sussurrando:
"Diga meu nome."
"Edward", ela disse, sem hesitar, a palavra estremecendo no ouvido dele, fazendo-o sentir uma onda de prazer.
"Não... Cullen." Ele pegou o lóbulo de uma das orelhas dela com a boca e o prendeu antes de soltá-lo e dizer: "Diga".
"Cullen...", ela se remexeu, pressionando o corpo contra o dele, pedindo mais. "Por favor."
"Depois disso, não haverá como voltar atrás", ele prometeu, os lábios na têmpora dela, as mãos se deliciando com a maciez de sua pele.
Os olhos dela se abriram, incrivelmente claros na escuridão, e ela sussurrou:
"Por que pensa que eu voltaria atrás?"
Ele paralisou diante da pergunta, diante da sincera confusão das palavras dela. Era a bebida falando. Tinha de ser. Era inconcebível pensar que ela não compreendesse o que ele queria dizer. Que ela não via que ele não era nada como os homens que a haviam cortejado antes.
"Não sou o homem com quem você planejava se casar." Ele deveria confrontá-la com Jacob. Mas não queria o nome de outro homem pronunciado naquele momento. Naquele lugar. Ela já o estava enfraquecendo.
Ela sorriu, um sorriso pequeno e talvez triste.
"No entanto, é o homem com quem me casei. Sei que não se importa comigo, Edward. Sei que apenas casou-se comigo por Falconwell. Mas é tarde demais para olhar para trás, não é? Estamos casados e eu quero uma noite de núpcias. Eu a mereço, acredito, depois de todos esses anos. Por favor. Se não for muito incômodo."
As mãos dele foram até a gola da camisola dela e, com um puxão forte, ele rasgou o tecido em dois. Ela arfou com o movimento, arregalando os olhos.
"Você a arruinou." Cullen gemeu com o espanto nas palavras dela. Com o prazer.
Queria arruinar mais do que o linho. Desceu a camisola para baixo dos braços dela, até o tecido amontoar nos joelhos, deixando-a branca e nua à luz de velas. À luz de velas fraca demais. Ele queria ver cada centímetro dela... ver a forma como o pulso dela aceleraria ao seu toque, a maneira como ela estremeceria quando ele acariciasse a parte interna de suas coxas, como ela o prenderia com as pernas quando ele a penetrasse. Quando ele a tomasse para si.
Ele a deitou novamente sobre a pele, enlouquecendo de desejo com a forma como ela suspirou ao sentir as costas contra a pele de vison macia, ao sentir a delícia do toque de pele contra pele. Cullen deitou-se sobre ela, dominando-lhe a boca, até as mãos dela estarem enroscadas nos cabelos dele, e o corpo estar pressionando o dele. Apenas então, ele afastou os lábios dos dela e sussurrou:
"Vou fazer amor com você sobre esta pele. Vai senti-la em cada centímetro do seu corpo. E o prazer que vou lhe dar será maior do que jamais imaginou. Você gritará meu nome quando ele vier."
Ele então a deixou, retirando a própria roupa, cuidadosamente arrumando as peças em uma pilha, em cima de uma cadeira próxima, antes de voltar à cama e descobrir que ela havia se coberto, com uma das mãos sobre os seios e a outra sobre o triângulo de cachos que escondiam sua parte mais íntima. Ele se deitou ao lado de Isabella, segurando a própria cabeça com uma das mãos, e acariciando a coxa dela com a outra, até a curva do quadril, passando para a barriga. Ela estava com os olhos bem fechados, apertados, respirando rapidamente, e Cullen não conseguiu se conter. Ele se abaixou, lambendo a curva de uma orelha, mordiscando o lóbulo antes de pedir:
"Jamais se esconda de mim."
Ela então sacudiu a cabeça, os olhos castanhos arregalados.
"Eu não posso. Não posso simplesmente... ficar aqui deitada. Nua."
Ele mordiscou o lóbulo da orelha dela de novo.
"Eu não disse nada sobre simplesmente ficar aí deitada, querida." Levantou a mão que estava cobrindo os seios e pôs um dedo dentro da boca, lambendo-o delicadamente antes de raspá-lo de leve entre os dentes.
"Ah..." Ela suspirou, olhando fixo para os lábios dele. "Você é muito bom nisso."
Ele removeu o dedo devagar e inclinou-se para beijá-la, longa e lascivamente.
"Não é a única coisa em que sou bom."
As pálpebras dela estremeceram diante da promessa erótica contida nas palavras, e ela disse, baixinho:
"Imagino que tenha muito mais prática do que eu."
Naquele momento, não importava que ele tivesse estado com outras mulheres. Tudo o que ele queria fazer era ensinar Isabella e ser aquele que lhe apresentaria o prazer. A ser aquele que lhe ensinaria a tomá-la para si mesma.
"Mostre-me onde me quer", ele sussurrou.
Ela corou, fechando os olhos e sacudindo a cabeça.
"Eu não poderia fazer isso."
Ele devolveu o dedo dela à boca, sugando cuidadosamente até seus olhos se abrirem, encontrando-o, etéreos à luz de velas. Ela observou o movimento dos lábios dele, e o momento foi tão intenso, que ele pensou que poderia ficar ali para sempre.
"Mostre-me."
Então os olhos dela se encheram de coragem, e ele viu com intenso prazer aquele dedo com que ele fez amor percorrer o seio dela, circundando o duro e arrepiado bico. Ele passou as costas de uma das mãos sobre os lábios ao observar o movimento, enquanto ela o tentava de maneira inacreditável.
"Por favor..." Ela parou de falar. Ele levantou a cabeça. "Por favor, Cullen..." E ele quis recompensá-la por dizer seu nome – dele e de mais ninguém. Abaixou a cabeça e a sugou gentilmente, enquanto o dedo dela se movia para o outro seio e soltava um longo e estremecido: "Sim...".
Ele passou a mão pela barriga dela, descendo mais e mais antes de subi-la e beliscar levemente a pele macia sob o seio.
"Não pare agora, querida."
Ela não parou, o dedo percorrendo a pele macia da barriga, indo até os cachos que escondiam aquele lugar magnífico entre suas coxas. Ele a observou, encorajando-a com sussurros enquanto ela explorava sozinha, testando o próprio conhecimento, a própria habilidade, até ele achar que poderia morrer se não entrasse nela. Deu um beijo demorado em sua barriga, depois em seu pulso estendido, considerando o arfar de sua respiração um prêmio e então sussurrou a pergunta contra a pele dela:
"O que você sente aqui?" Um dedo dele deslizou sobre as costas da mão dela, parando sobre o nó dos dedos. Como ela não respondeu, ele olhou em seus olhos, vendo a vergonha neles.
Ela sacudiu a cabeça, a voz quase inaudível.
"Não posso."
Ele encontrou os dedos dela em um calor sedoso e disse:
"Eu posso." Pressionou um dedo para dentro dela, enrolando-o, e ela arfou com a sensação. "Você está molhada, querida... molhada e pronta para mim. Para mim. Para mais ninguém."
"Edward", ela sussurrou seu nome de batismo, e o prazer daquele simples instante foi quase insuportável. Com um sorriso tímido e inseguro, ela abriu as pernas e o acolheu com tamanha confiança, que ele mal pôde suportar.
Ele se moveu ao seu encontro, com a cabeça macia dele aninhando-se contra a abertura aveludada do corpo dela, e ficou ali parado, segurando o peso nos braços, olhando para o rosto de Isabella, um misto de relaxamento, prazer e encantamento, e não conseguiu deixar de beijá-la, a língua acariciando habilmente a dela, antes de recuar. Foi a coisa mais difícil que ele fez na vida, pausar ali no precipício do que sabia que seria um momento extraordinário... apoiando-se levemente nela, mal entrando antes de sair. Pensou que poderia morrer com tamanho prazer. Fechou levemente os olhos e sussurrou:
"Abra os olhos. Olhe para mim. Quero que me veja." Quando ela obedeceu, ele balançou para dentro dela com suavidade, o mais gentilmente possível. Ela sugou o ar depressa, a expressão sendo inundada por dor. Ele parou, sem querer machucá-la. Abaixou-se, beijou-a uma vez, profundamente, para recuperar sua atenção. "Está bem?"
Ela sorriu, e ele reconheceu a tensão.
"Estou ótima."
Ele sacudiu a cabeça, sem conseguir esconder o sorriso na voz.
"Mentirosa." Levou a mão até onde ela estava tão pequena e apertada – maravilhosamente apertada – ao redor de sua espessura. Ele encontrou a saliência dura e protuberante no cerne dela e percorreu um círculo lentamente, observando os olhos de Isabella se estreitarem de prazer. Continuou o movimento ao deslizar para dentro dela, lenta e profundamente, até ela tê-lo por completo. Paralisou, louco para se mover na direção dela.
"Agora?" Ela respirou fundo, e ele afundou mais, surpreendendo aos dois. Ele encostou a testa na dela. "Diga se está tudo bem. Diga se eu posso me mexer."
Sua esposa inocente enroscou os dedos nos cabelos de sua nuca e sussurrou:
"Por favor, Edward."
E ele não pôde resistir ao apelo. Prendeu os lábios dela com um beijo lascivo e um gemido profundo ao mexer-se com cuidado, puxando devagar até quase sair de dentro dela, então balançando de volta gentilmente, sem parar, o polegar a acariciando, garantindo o prazer dela, enquanto se perguntava se seria capaz de conter o próprio prazer.
"Edward...", ela sussurrou, e ele a encarou nos olhos, preocupado que pudesse a estar machucando. Ele paralisou. Ela arqueou as costas. "Não pare. Não pare de se mexer. Você tinha razão..." Ela fechou os olhos lentamente e deu um gemido de prazer quando ele afundou nela em uma longa estocada.
Cullen pensou que perderia o controle ao ouvir aquele gemido, baixo e sonoro, saindo do fundo da garganta dela, mas não parou. Ela sacudiu a cabeça, deslizando as mãos pelos ombros e as costas dele, enfim parando em suas nádegas, agarrando-as no ritmo dos movimentos dele, das carícias de seu polegar.
"Edward!"
Estava acontecendo com ele também. Ele nunca pensou muito em marcar o tempo de seu gozo com o da parceira. Nunca havia se importado em compartilhar a experiência. Mas, subitamente, não conseguia pensar em nada além de encontrar-se com Isabella lá, à beira de seu prazer, e deixá-lo inundar os dois ao mesmo tempo.
"Espere por mim", ele sussurrou no ouvido dela, pressionando o corpo contra o dela. "Não vá sem mim."
"Não consigo esperar. Não consigo parar!" Ela convulsionou ao redor dele, ordenhando-o em um ritmo rápido e impressionante, dizendo seu nome, levando-o à loucura, fazendo-o experimentar um clímax assustador e exagerado, incomparável com tudo o que ele jamais havia sentido.
Ele caiu sobre ela com a respiração extremamente ofegante ao enterrar o rosto em seu pescoço e se permitir ser inundado pelo extraordinário prazer que o dominava em ondas diferentes de tudo o que ele tinha vivido antes. Longos minutos se passaram antes que, com medo de esmagá-la com o peso de seu corpo, Edward rolou para o lado, passou a mão pela lateral de Isabella e a puxou para ele, ainda sem conseguir soltá-la. Bom Deus. Havia sido o sexo mais incrível da vida dele. O mais embriagante. Mais do que ele jamais imaginou ser possível.
E a simples ideia de que tal experiência tivesse ocorrido com Bella fez com que ele fosse tomado pelo medo.
Aquela mulher. Aquele casamento. Aquilo tudo. Não significava nada. Não podia significar nada. Ela era um meio para um fim. O caminho para sua vingança. Era tudo o que ela podia ser. Durante toda sua vida, Cullen destruiu tudo de valor que teve. Quando Isabella percebesse isso... que ele era todo tipo de decepção, ela o agradeceria por não permitir que se aproximasse muito. Ela ficaria grata por ele liberá-la para um mundo tranquilo e simples, onde teria tudo o que desejasse... e não precisaria se preocupar com ele.
Você não merece ela. As palavras de Jacob ecoaram em seus pensamentos – aquelas palavras que o haviam mandado para casa, para sua esposa, para provar o lugar dele na vida dela. Para provar que ela pertencia a ele. Que ele poderia dominar o corpo dela de uma forma que nenhum outro homem conseguiria fazer. Mas ele havia sido dominado.
"Edward", ela sussurrou contra seu peito, o nome soando como uma promessa em seus lábios, enquanto ela acariciava seu torso com uma das mãos. O toque demorado e intenso provocou outra onda de prazer, seguida rápido demais pelo desejo, quando ela sussurrou, suave, sonolenta e tentadora: "Foi esplêndido".
Ele queria dizer a ela para não se sentir muito confortável em sua cama. Não se sentir muito confortável em sua vida. Queria dizer a ela que a noite havia sido um meio para um fim. Que o casamento deles jamais seria do tipo que ela queria.
Mas ela já estava dormindo...
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Caro E,
Entendo que não deseje responder às minhas cartas, mas pretendo continuá-las enviando mesmo assim. Um ano, dois ou dez – jamais quero que pense que o esqueci. Não que fosse acreditar nisso, não?
Semana que vem é seu aniversário. Eu teria bordado um lenço para você, mas sabe que bordado e eu não combinamos muito bem.
Saudade, I.
Solar Swan, janeiro de 1817
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Sem resposta.
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Na manhã seguinte, Isabella entrou no salão do café da manhã, esperando ver o novo marido – o homem que havia mudado tudo em um dia e uma noite gloriosos, o homem que a fazia perceber que talvez o casamento deles pudesse ser mais. Que talvez o caso de amor forçado dos dois poderia ser menos forçado e mais... bem... um caso de amor. Porque certamente não havia nada tão incrível como a forma como ele a tinha feito se sentir na noite anterior em sua cama. Não importava muito que ela tivesse acordado não abrigada em pele luxuosa, mas em seus lençóis de linho impecáveis e perfeitamente lisos no quarto que lhe havia sido designado.
Na verdade, ela ficou deveras comovida que ele a tivesse levado para lá à noite sem despertá-la. Ele era obviamente um marido gentil, carinhoso e amoroso, e o casamento deles, que começou como uma farsa desastrosa, estava destinado a algo muito, muito maior. Ela esperava que ele fosse se juntar a ela quando sentou-se à encantadora mesa comprida no belo e luxuosamente decorado salão de café da manhã, imaginando se ele ainda gostava de salsichas no desjejum, como quando era muito jovem. Esperava que ele fosse se juntar a ela quando aceitou um prato de ovos e torrada (sem salsicha à vista) do jovem lacaio, que bateu os calcanhares de modo bastante extravagante antes de retornar a seu posto no canto do salão. Esperava que Edward fosse se juntar a ela enquanto comeu a torrada, enquanto bebeu o chá que esfriava rapidamente, enquanto passava os olhos pelo jornal, perfeitamente dobrado e posicionado à esquerda do lugar vazio na outra ponta da mesa, que foi ficando cada vez maior.
E, depois de uma hora inteira aguardando, Isabella parou de esperar. Ele não a acompanharia. Ela permaneceria sozinha.
De súbito, ficou absolutamente ciente do lacaio no canto do salão, cujo trabalho era ao mesmo tempo saber de imediato o que sua patroa poderia precisar e ignorá-la por completo, e Bella sentiu o rosto ficar vermelho.
Porque, decerto, o jovem lacaio estava pensando coisas terrivelmente embaraçosas. Olhou para ele, que não estava olhando, mas definitivamente, estava pensando. Edward não a acompanharia. Burra, Isabella burra. Era claro que ele não a acompanharia. Os acontecimentos da noite anterior não haviam sido mágicos para ele. Haviam sido necessários. Ele a havia oficialmente tornado sua esposa. E, então, como qualquer bom marido, ele a havia deixado à própria sorte. Sozinha.
Bella olhou para o prato vazio, onde a gema amarelo-escura do ovo que ela comeu tão alegremente havia secado, prendendo-se de modo bastante grotesco à porcelana. Era o primeiro dia completo de sua vida como mulher casada, e ela estava tomando café da manhã sozinha. Irônico, considerando que ela sempre pensou que tomar café da manhã com um marido que mal a conhecesse era algo, de fato, deveras solitário. Mas, agora, ela tomaria com prazer café da manhã sozinha, mesmo casada, sob os olhos atentos de um lacaio jovem demais, que estava fazendo o melhor possível para não vê-la. Parecia que em seu desejo por um marido que a quisesse mais do que pelo que era normalmente solicitado à uma esposa, ela se vira casada com um que não a queria sequer por isso.
Talvez tivesse feito algo errado na noite anterior.
Sentiu o calor chegar às orelhas, que queimavam, provavelmente vermelhas como rosas, enquanto ela tentava pensar no que poderia ter feito de errado, em como a noite de núpcias poderia ter sido diferente. Mas toda vez que tentava pensar, lembrava-se do jovem lacaio, agora ele próprio vermelho, no canto, sem saber o que dizer à patroa e muito provavelmente desejando que ela terminasse o café da manhã e deixasse o salão. Ela precisava deixar aquele salão.
Levantou-se com toda a graça esperada de uma marquesa e, desesperada por ignorar o constrangimento, seguiu na direção da porta. De maneira abençoada, o lacaio não a encarou enquanto ela atravessou o salão em um passo que poderia ser descrito apenas como "o mais perto de correr possível sem ser pouco feminino, uma vez que damas não correm". Mas a porta se abriu antes que ela pudesse chegar até lá, e a Srta. Worth entrou, deixando Isabella sem escolha além de parar completamente, com as saias de seu vestido amarelo, escolhido pela beleza em vez de por bom senso balançando ao redor das pernas, naquele dia frio de janeiro.
A lindíssima jovem governanta parou na soleira da porta, sem revelar qualquer emoção ao fazer uma rápida reverência, e disse:
"Bom dia, senhora."
Isabella resistiu ao impulso de fazer o mesmo, preferindo juntar as mãos à frente do corpo e dizer:
"Bom dia, Srta. Worth."
Trocadas as gentilezas, as duas mulheres se encararam por um longo momento, antes de a governanta dizer:
"Lorde Cullen pediu-me para informá-la de que jantarão na Casa Tottenham na quarta-feira."
Dali a três dias, portanto.
"Ah." O fato de que Edward passasse um recado tão simples através de uma criada fez com que Isabella percebesse o quanto estava enganada a respeito da noite anterior. Se ele não conseguia encontrar tempo para contar à esposa sobre um jantar, tinha de fato pouco interesse na nela.
Bella respirou fundo, desejando espantar a decepção.
"Ele também pediu que eu a recordasse de que o jantar será o primeiro a que comparecerão como marido e esposa."
Não houve necessidade de espantar a decepção, uma vez que foi quase que imediatamente substituída por irritação. Isabella voltou a atenção para a governanta. Por um instante, se perguntou se havia sido a Srta. Worth a considerar necessário fazer um anúncio tão óbvio, como se ela fosse algum tipo imbecil e não conseguisse se lembrar dos eventos do dia anterior. Como se ela pudesse, de alguma forma, esquecer que os dois ainda não haviam sido apresentados à sociedade. Mas bastou um olhar para a expressão cabisbaixa da Srta. Worth, para Isabella ter certeza absoluta da identidade do irritante naquela situação particular – seu marido, que aparentemente tinha pouca confiança em sua capacidade, ou de responder a convites para jantares, ou de compreender a importância desses convites.
Sem pensar, levantou uma sobrancelha, encarou a governanta e disse:
"Que lembrança excelente. Não havia me dado conta de que estamos casados há menos de vinte e quatro horas e de que, durante esse período, eu não saí de casa. É uma sorte, não é, ter um marido tão disposto a me lembrar das coisas mais simples?" A Sra. Worth arregalou os olhos diante do sarcasmo que jorrava das palavras de Isabella, mas não respondeu. "É uma pena que ele não tenha podido me lembrar disso ele próprio, durante o café da manhã. Ele está em casa?"
A Srta. Worth hesitou antes de dizer:
"Não, senhora. Ele não passou pela casa desde que vocês retornaram de Surrey."
Não era verdade, claro. Mas assim Isabella soube que Edward havia retornado tarde na noite anterior e deixado a casa imediatamente após o interlúdio dos dois. Claro que sim. A raiva de Bella ardeu. Ele havia ido para casa para consumar o casamento e ido embora quase que no mesmo instante.
Aquela seria sua vida. Ir e vir conforme os caprichos dele, obedecê-lo, comparecer aos jantares quando o convite a incluísse e ficar ali sozinha, quando não. Que desastre.
Encarou a Srta. Worth e identificou compaixão em seus olhos. Detestou vê-la. Detestou Edward por fazê-la sentir-se tão constrangida. Por fazê-la sentir-se tão infeliz. Por fazê-la sentir-se tão menos. Mas aquele era seu casamento. Aquela havia sido sua escolha. Mesmo que tivesse sido dele – houve uma pequena parte dela que queria aquele casamento. Que acreditava que poderia ser mais. Tola Isabella. Pobre Bella tola.
Endireitando os ombros, ela disse:
"Pode dizer a meu marido que eu o verei na quarta-feira. Para jantar na Casa Tottenham."
Aiiiii correria! Até a próxima sexta e um bom feriado à todas. Beijinhos!
