Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
CAPÍTULO DOZE
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"Está preparado para ela viajar o mundo? Jogar seu dinheiro fora com frivolidades? Dar festas loucas e escandalizar a sociedade? Ter um amante?"
"Se for discreta, não é problema meu."
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Caro E,
Jake veio para cá para a festa de São Miguel, e celebramos em grande estilo, embora sentíssemos muito sua falta. Ainda assim, seguimos em frente, colhemos as últimas amoras silvestres e as comemos até passar mal, seguindo a tradição. Nossos dentes ficaram absoluta e perturbadoramente azul-acinzentados no processo – você teria ficado orgulhoso.
Quem sabe o veremos no Natal este ano? A festa de Santo Estêvão em Coldharbour está se tornando uma bela festividade, de fato.
Estamos todos pensando em você e sentindo muito a sua falta.
Sempre sua, I.
Solar Swan, setembro de 1818.
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Sem resposta.
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Ela havia pedido que ele não a tocasse, e ele a atendeu. Na verdade, ele foi mais além. Ele a deixou completamente sozinha naquela noite, quando a devolveu para a Mansão do Diabo e foi embora imediatamente, seguindo para onde quer que iam os maridos sem suas esposas.
...E mais uma vez na noite seguinte, quando ela jantou na imensa e vazia sala de jantar, sob os olhos atentos de vários lacaios desajeitados e jovens demais.
Pelo menos estava acostumando-se a eles, e sentiu-se bastante orgulhosa de si mesmo por não corar durante toda a refeição.
...E mais uma vez na noite seguinte, em que ficou parada diante da janela de seu quarto como uma tola, atraída na direção da carruagem dele como se estivesse presa ao veículo com um fio, ao observá-la se afastar. Como se, caso olhasse por tempo suficiente, ele retornaria.
E ele lhe daria o casamento que ela queria.
"Chega de janelas", ela jurou, virando-se de costas para a rua fria e escura e seguindo ao outro lado do quarto, para mergulhar as mãos no lavatório, observando a água fria empalidecer e distorcer seus dedos abaixo da superfície. "Chega de janelas", repetiu, baixinho, ao ouvir uma carruagem parar do lado de fora da residência, ignorando o acelerar de seu coração e a vontade de correr até a vidraça.
Preferiu secar as mãos com impressionante calma e seguiu até a porta que ligava o quarto do marido ao seu, encostando o ouvido na madeira fria e tentando ouvir a chegada dele. Depois de longos minutos que lhe deixaram apenas com uma dor irritante no pescoço, a curiosidade de Isabella a venceu, e ela seguiu até a porta do quarto para espiar pelo corredor e ver se o marido havia, de fato, voltado para casa.
Abriu a porta – menos de dois centímetros – para olhar para o corredor, e deparou-se com a Srta. Worth. Deu um gritinho e bateu a porta, o coração disparado, antes de se dar conta de que havia acabado de fazer papel de tola na frente da inquietante governanta do marido.
Respirando fundo, abriu a porta com um largo sorriso.
"Srta. Worth, você me assustou."
A governanta abaixou a cabeça.
"A senhora tem uma visita."
Isabella franziu a testa.
"Uma visita?" Passavam das onze da noite.
A governanta lhe entregou um cartão.
"Ele diz que é muito importante."
Ele... Bella pegou o cartão. Jacob! Ela foi dominada pela alegria. Ele era a primeira pessoa a visitá-la naquela casa imensa e vazia – nem mesmo sua mãe tinha ido, preferindo mandar dizer que ela a visitaria assim que o botão dos recém-casados tivesse desabrochado. Mal sabia sua mãe que o desabrochar jamais havia chegado perto da rosa. Mas Jacob era seu amigo e amigos se visitavam. Isabella não conseguiu evitar de sorrir diante da Srta. Worth.
"Descerei em seguida. Sirva-lhe chá. Ou... vinho. Ou... uísque." Sacudiu a cabeça. "O que quer que as pessoas bebam a esta hora."
Fechou a porta e melhorou a aparência antes de descer apressadamente a escada e ir até a antessala, onde ele estava parado, diante de uma grande lareira de mármore, parecendo pequeno dentro do ambiente extravagante.
"Jake!", ela disse, indo diretamente em direção a ele, emocionada por vê-lo. "O que está fazendo aqui?"
Ele sorriu.
"Estou aqui para raptá-la, é claro."
Deveria ter sido uma piada, mas havia um tom no que ele disse que ela não gostou, e foi nesse instante que Isabella percebeu que Jacob não deveria estar ali – que Edward ficaria furioso se descobrisse Jacob Black em sua sala, com sua esposa. Não importaria que Jake e Bella fossem amigos desde sempre.
"Você não deveria estar aqui", ela disse, quando ele se virou para ela, segurando suas mãos e levando-as aos lábios. "Ele ficará furioso."
"Você e eu ainda somos amigos, não?"
Ela não hesitou, a culpa em relação ao seu último encontro ainda estava presente.
"Claro que sim."
"E, como um bom amigo, estou aqui para me certificar de que você esteja bem e... enforcá-lo."
Depois da última interação que teve com o marido, ela deveria apoiar a estratégia de enforcá-lo, mas não conseguiu. Por algum motivo, a simples ideia de estar ali naquela sala com Jacob fazia Isabella sentir-se como se estivesse traindo o marido e o casamento deles. Sacudiu a cabeça.
"Não é uma boa ideia você estar aqui, Jake."
Ele a encarou com uma seriedade incomum no olhar.
"Diga-me uma coisa. Você está bem?"
As palavras saíram suaves de preocupação, e ela não estava esperando a emoção que provocaram nela, as lágrimas que lhe trouxeram imediatamente aos olhos. Fazia uma semana que ela havia se casado em uma cerimônia minúscula e apressada em Surrey, e ninguém havia pensado em perguntar por ela. Nem mesmo o marido.
"Eu..." Ela parou, sentindo a emoção fechar a garganta.
Os olhos negros normalmente amistosos de Jacob ficaram sombrios.
"Você está infeliz. Eu vou matá-lo."
"Não! Não..." Ela estendeu a mão, pousando-a no braço dele. "Não estou infeliz. Não estou. Estou apenas... estou..." Ela respirou fundo, finalmente decidindo por: "Não é fácil".
"Ele machucou você?"
"Não!" Isabella saltou em defesa de Edward, antes mesmo de pensar na pergunta. "Não... não." Não da forma como ele se referia.
Jacob não acreditou nela. Cruzou os braços.
"Não o proteja. Ele machucou você?"
"Não."
"O que é, então?"
"Eu não o vejo muito."
"Isso não é uma surpresa", ele disse, e Isabella ouviu o ataque nas palavras. A emoção que vinha com a amizade se perdeu. Ela havia sentido o mesmo quando Edward foi embora. Quando parou de escrever. Quando parou de se importar. Jacob ficou em silêncio por um longo tempo antes de dizer: "Gostaria de vê-lo mais?".
Era uma pergunta sem resposta fácil. Ela não queria nada com uma metade de Edward, com o homem frio e distante que se casou com ela pelas terras. Mas a outra metade – o homem que a abraçava e se preocupava com seu conforto e fazia coisas deliciosas e maravilhosas com sua mente e seu corpo –, ela não se importaria em vê-la novamente. Claro que não poderia dizer isso a Jake. Não poderia explicar que Edward era dois homens e que estava ao mesmo tempo furiosa e fascinada por ele. Não poderia dizer isso porque mal queria admitir o fato para si mesma.
"Bells?"
Ela suspirou.
"O casamento é algo estranho."
"De fato, é. Imagino que duas vezes mais estranho quando se está casada com Edward. Eu sabia que ele iria atrás de você. Sabia que ele seria frio e insensível e daria um jeito de se casar com você rapidamente... por Falconwell." Isabella percebeu que deveria estar contestando as afirmações de Jacob e contando-lhe a história bem elaborada por eles, mas era tarde demais, e ele prosseguiu. "Eu tentei me casar com você primeiro... para poupá-la de casar-se com ele."
As palavras de Jake da manhã do seu pedido de casamento ecoaram em sua mente.
"Era isso que você queria dizer. Queria me proteger de Edward."
"Ele não é mais o mesmo de antes."
"Por que não me disse isso?"
Ele meneou a cabeça.
"Você teria acreditado em mim?"
"Sim." Não...
Ele sorriu, menos do que o habitual. Mais sério.
"Bellsy, se soubesse que ele estava indo atrás de você, teria esperado." Ele fez uma pausa. "Sempre foi ele."
Isabella franziu a testa. Não era verdade. Era? Uma visão lhe veio à mente – um dia quente de primavera, os três dentro da velha torre Norman, localizada nas terras de Falconwell. Enquanto exploravam, uma escada havia cedido sob os pés de Isabella, e ela havia ficado presa um nível acima de Edward e Jacob. Não era muito alto, um ou dois metros, mas alto o bastante para ela ter medo de saltar. Ela pediu socorro, e Jake foi o primeiro a encontrá-la. Ele lhe disse para pular, prometeu que a apanharia. Mas ela ficou paralisada de medo. E então Edward apareceu. O tranquilo e destemido Edward, que a encarou nos olhos e lhe deu forças. Pule, Bells. Serei a sua rede. Ela acreditou nele. Como sempre.
Respirou fundo com a lembrança, a recordação de seu tempo com Edward, da forma como ele sempre a havia feito sentir-se segura. Olhou para Jake.
"Ele não é mais aquele garoto."
"Não. Não é. Billy cuidou disso." Ele fez uma pausa, e então disse: "Eu gostaria de ter podido evitar isso, Bells. Sinto muito".
Ela sacudiu a cabeça.
"Sem pedidos de desculpas. Ele é frio e enfurecedor quando quer ser, mas construiu muito para si mesmo, provou seu valor várias vezes. O casamento pode ser desafiador, mas imagino que a maioria seja, não?"
"O nosso não teria sido."
"O nosso teria sido um desafio de uma forma diferente, Jake. Você sabe disso." Ela sorriu. "A sua poesia... é abominável."
"É verdade." Ele deu um sorriso, que desapareceu em seguida, mudando de assunto. "Ando pensando na Índia. Dizem que há um mundo de oportunidades por lá."
"Você deixaria a Inglaterra? Por quê?"
Ele absorveu bem as palavras, depositando o copo vazio sobre uma mesa próxima.
"Seu marido planeja me destruir."
Ela levou um instante para compreender as palavras.
"Estou certa de que não é verdade."
"É verdade. Ele me disse."
Isabella ficou confusa.
"Quando?"
"No dia do casamento de vocês. Fui até o Solar Swan para vê-la, para convencê-la a casar-se comigo, mas descobri que estava atrasado e que você já havia partido para Londres com ele. Vim atrás. Segui direto para o clube dele."
Edward não havia dito nada.
"E você o viu?"
"Por tempo suficiente para ele me explicar que tem planos de vingança contra meu pai. Contra mim. Quando ele estiver terminado, não terei outra escolha a não ser deixar a Grã-Bretanha."
As palavras não a surpreenderam. Era claro que Falconwell não seria suficiente para seu marido insensível. Era claro que ele iria querer vingança contra Billy Black. Mas Jacob?
"Ele não faria isso, Jacob. Vocês têm um passado, uma história... Nós três temos."
Jacob deu um sorrisinho irônico.
"Nosso passado não tem o mesmo peso de uma vingança, infelizmente."
Ela sacudiu a cabeça.
"O que ele poderia estar planejando..."
"Eu não sou..." Jacob respirou fundo. "Ele sabe..." Fez uma pausa, desviou o olhar e tentou novamente. "Eu não sou filho de Black."
Isabella ficou boquiaberta e muda.
"Não pode estar falando a verdade."
Ele deu uma risadinha autodepreciativa.
"Eu certamente não mentiria a respeito disso, Bellsy."
Ele tinha razão, claro. Não era o tipo da coisa sobre a qual se mentia.
"Você não é..."
"Não."
"Quem..."
"Não sei. Eu não sabia que era um bastardo até poucos anos atrás, quando meu... quando Billy me contou a verdade."
Ela o observou atentamente, percebendo a tristeza silenciosa por trás de seus olhos.
"Você nunca disse nada."
"Não é algo que se comente, na verdade." Ele fez uma pausa. "É algo que fazemos o possível para manter em segredo... e esperamos que ninguém descubra."
Mas alguém havia descoberto... Isabella engoliu em seco, voltando a atenção para uma grande pintura a óleo na parede – mais uma paisagem – uma região selvagem escarpada e intocada demais para ser de qualquer outro lugar que não o Norte. Fixou o olhar em uma grande rocha em um lado da obra de arte enquanto compreendia a situação.
"Isso destruiria seu pai."
"O único filho dele, um bastardo."
Ela olhou para ele.
"Não se refira a si mesmo dessa forma."
"Todo mundo fará isso em breve."
Silêncio... E, com o silêncio, a absoluta certeza de que Jacob tinha razão. De que os planos de Edward incluíam sua destruição. Um meio para um fim. Ele percebeu o instante em que ela reconheceu a verdade e deu um passo em sua direção.
"Venha comigo, Bella. Podemos deixar este lugar, esta vida, e começarmos de novo. Na Índia, nas Américas, na Grécia, na Espanha, no Oriente... Aonde quer que você escolha."
Isabella arregalou os olhos. Ele estava falando sério.
"Eu estou casada, Jacob."
Um canto da boca de Jacob levantou.
"Com Edward. Você precisa fugir tanto quanto eu. Talvez mais... pelo menos minha destruição pelas mãos dele será rápida."
"Como quer que seja, estou casada. E você..." Ela parou de falar.
"Eu não sou nada. Não depois que ele acabar comigo."
Bella pensou no marido, a quem havia jurado fidelidade e lealdade, que havia lutado por tanto tempo para reconstruir sua fortuna sem seu nome. Ele sabia da importância de um nome, de uma identidade... Não podia acreditar que ele faria isso. Sacudiu a cabeça.
"Você está errado. Ele não faria..." Mas enquanto pronunciava as palavras, sabia que não eram verdadeiras.
Ele faria qualquer coisa por sua vingança, até mesmo destruir seus amigos.
Jacob tensionou o maxilar, e ela ficou subitamente nervosa. Jamais o tinha visto tão sério. Tão decidido.
"Eu não estou errado. Ele tem uma prova. Está disposto a usá-la. Ele é implacável, Bell... não é mais o amigo que conhecemos." Jacob estava próximo, e segurou uma das mãos dela nas dele. "Ele não merece você. Venha comigo. Venha comigo, e nenhum de nós ficará solitário."
Ela ficou em silêncio durante um longo momento antes de dizer baixinho:
"Ele é meu marido."
"Ele está usando você."
As palavras, ainda que verdadeiras, feriram. Ela o encarou.
"É claro que está, assim como todos os outros homens da minha vida fizeram. Meu pai, o duque de Leighton, os outros pretendentes... você." Quando ele abriu a boca para negar, ela sacudiu a cabeça e levantou um dedo. "Não, Jake. Não tente fazer a nós dois de tolos. Pode não estar me usando por minhas terras, por meu dinheiro ou por minha reputação, mas tem medo da sua vida depois que a verdade for exposta, e acha que eu serei uma boa companhia, alguém para manter a solidão afastada."
"Isso é tão ruim?", Jacob perguntou, a voz começando a denotar desespero. "E a nossa amizade? O nosso passado? E eu?"
Ela não fingiu não compreender o que ele disse e o ultimato implícito, nascido da aflição. Ele estava lhe pedindo para fazer uma escolha: seu amigo mais antigo, que jamais a abandonou, ou seu marido, sua família, sua vida. Não era uma escolha. Não de verdade.
"Ele é meu marido!", ela disse. "Talvez eu não devesse ter escrito essa história, mas a história é essa, mesmo assim."
Isabella parou, perdendo o fôlego para a irritação e a frustração. Jacob a observou por um longo momento, as palavras pairando entre os dois.
"Então é isso." Ele sorriu, triste. "Confesso que não estou surpreso. Você sempre gostou mais dele."
Ela sacudiu a cabeça.
"Isso não é verdade."
"É claro que é. Um dia, você se dará conta." Ele levou a mão ao queixo dela, em um gesto fraternal. Este era o problema, claro, Jacob sempre havia sido mais irmão do que homem. Ao contrário de Edward que não havia nada de fraternal nele. Também não havia nada gentil em relação a ele. E embora pudesse ter escolhido a ele naquela triste e estranha guerra, ela não ficaria parada enquanto ele destruísse Jacob.
"Não deixarei que ele o destrua", ela prometeu. "Juro."
Jacob agitou uma das mãos no ar, e sua descrença era evidente.
"Ah, Bells... como se você pudesse impedir."
As palavras deveriam tê-la deixado triste. Ela deveria ter ouvido a verdade nelas. Em vez disso, o que ele disse a deixou irritada. Edward a havia tirado de sua família, mudado sua vida em uma centena de formas, impingido aquela farsa sobre ela e ameaçado seu mais querido amigo. E fez tudo isso mantendo-a a uma distância segura, como se ela fosse algo insignificante com que ele não precisasse se preocupar. Bem, era melhor ele começar a se preocupar. Bella ergueu o queixo e endireitou os ombros.
"Ele não é Deus", ela disse, com a voz firme. "Ele não tem o direito de brincar conosco como se fôssemos seus soldadinhos de chumbo."
Jake reconheceu sua ira e sorriu, triste.
"Não faça isso, Bellsy. Eu não valho a pena."
Ela levantou uma sobrancelha.
"Discordo. E mesmo que você não valesse, eu valho. E já cansei dele."
"Ele vai machucar você."
Bella levantou um canto da boca em um sorriso irônico.
"Ele provavelmente vai me machucar de qualquer maneira. Mais um motivo para enfrentá-lo." Ela caminhou até a porta da antessala, abrindo-a para deixá-lo sair. Quando ele se aproximou, a visão das botas dele pisando macio no tapete luxuoso a encheu de tristeza. "Eu sinto muito, Jake."
Ele segurou os ombros dela e lhe deu um beijo carinhoso na testa, antes de dizer:
"Eu realmente quero sua felicidade, Bella. Você sabe disso, não sabe?"
"Sei."
"Irá me dizer se mudar de ideia?"
Ela assentiu com a cabeça.
"Sim."
Ele a encarou por um longo tempo, antes de desviar o olhar, uma sombra cruzando seu rosto bonito.
"Vou esperar por você até não poder mais esperar..."
Isabella queria dizer para ele não ir. Queria pedir para ele ficar. Mas por tristeza, por medo, ou por uma percepção clara de que seu marido era um navio que não iria voltar, preferiu dizer:
"Boa noite, Jake."
Ele se virou e atravessou a porta aberta que levava ao saguão, e Bella acompanhou a linha de seus ombros enquanto ele seguia rumo à saída da Mansão do Diabo. A porta se fechou atrás dele, e Isabella ouviu o barulho das rodas da carruagem na rua silenciosa, pontuando sua solidão. Ela estava sozinha... Sozinha naquela casa que era um mausoléu, cheia de coisas que não eram dela e de pessoas que não conhecia. Sozinha naquele mundo silencioso. Houve um movimento nas sombras no lado oposto do saguão, e ela soube imediatamente tratar-se da Srta. Worth. Ela também sabia a quem era devida a lealdade da governanta. Isabella falou no escuro:
"Quanto tempo levará para ele saber que recebi uma visita masculina às onze da noite?"
A governanta apareceu, mas não falou por um longo momento. Quando falou, foi com absoluta tranquilidade.
"Mandei mensagem ao clube no momento da chegada do Sr. Black."
Isabella observou a bela mulher, a traição – embora esperada – atravessando-a, atiçando o fogo de sua ira.
"Você desperdiçou papel."
Seguiu para a escadaria central da Mansão do Diabo e começou a subir os degraus. Na metade do caminho, virou-se para encarar a governanta, parada ao pé da escada, observando-a com seus cabelos perfeitos, sua pele perfeita e seus olhos perfeitos, como se ficar de sentinela pudesse evitar que Isabella fizesse qualquer outra coisa capaz de irritar o patrão. E isso serviu apenas para deixar Bella mais irritada. De repente, estava se sentindo realmente ousada.
"Onde fica o clube?"
A governanta arregalou os olhos.
"Eu certamente não sei."
"Curioso, porque certamente sei que você sabe." Não baixou o tom de voz, deixando a voz alta chegar à outra, sem remorso. "Tenho certeza de que sabe tudo o que acontece nesta casa. Todas as idas e vindas. E tenho certeza de que sabe que meu marido passa suas noites em seu clube e não aqui."
Por um longo momento, a Srta. Worth não falou, e Bella se perguntou, fugazmente, se tinha autoridade para dispensar a bela e insolente mulher. Enfim, deu um aceno de mão e voltou a subir a escada.
"Diga-me ou não. Se for preciso, contratarei uma carruagem e irei atrás dele."
"Ele não gostaria disso." A governanta a estava seguindo agora, percorrendo o longo corredor superior que levava ao quarto de Isabella.
"Não. Não gostaria. Mas descobri que tenho pouco interesse pelo que ele gosta ou não." Na verdade, estava descobrindo que sua falta de interesse era bastante libertadora. Abriu a porta de seu quarto e foi até o guarda-roupas, de onde tirou uma grande capa. Virando-se novamente, encontrou o olhar arregalado da bela governanta.
E fez uma pausa... Talvez fosse ela a deusa de cabelos escuros de Edward.
Talvez fosse a Victoria Worth quem possuísse seu coração, sua mente e suas noites. E enquanto estudava o rosto de porcelana da mulher, avaliando sua altura, a forma como se encaixaria em Edward, a forma como combinava com ele muito melhor do que Isabella, a Srta. Worth sorriu. Não um sorriso qualquer. Um sorriso amplo e acolhedor.
"O Sr. Black... Ele não é seu amante."
A ideia de que uma criada pudesse dizer algo tão absolutamente inadequado fez Bella recuar por um instante antes de responder, com toda sinceridade:
"Não. Não é." E já que as luvas haviam sido retiradas: "E você não é amante de Edward".
A surpresa fez a governanta falar sem pensar.
"Por Deus, não. Eu não o aceitaria nem que ele implorasse." Ela fez uma pausa. "Quero dizer... não quis dizer... ele é um bom homem, senhora."
Bella trocou as luvas de pele de pelica branca por outras de camurça azul-marinho, e enquanto encaixava os dedos, falou honestamente:
"Ele é um cretino e também não estou absolutamente segura de que o aceitaria se ele implorasse. Exceto pelo fato de que estou casada com ele."
"Bem, peço que me perdoe, mas não deveria mesmo aceitá-lo até ele implorar. Ele não deveria deixá-la tão..."
"Regularmente?" Bella completou a frase, decidindo que talvez tivesse julgado mal a governanta. "Infelizmente, Srta. Worth, não creio que implorar faça parte do repertório de meu marido."
A governanta sorriu.
"Por favor, chame-me de Worth. É como todos os outros me chamam."
"Os outros?"
"Os outros sócios do Anjo Caído."
Bella franziu a testa.
"Como conhece os sócios de meu marido?"
"Eu costumava trabalhar no Anjo Caído, lavando panelas, depenando galinhas, tudo o que precisasse ser feito."
"Como veio parar aqui?"
Uma nuvem passou pelo rosto da mulher.
"Ganhei corpo. As pessoas começaram a perceber."
"Homens?" Não precisava ser uma pergunta. Bella sabia a resposta. Um rosto como o de Worth não poderia se manter escondido por muito tempo nas cozinhas de um antro de jogatina.
"Os funcionários faziam de tudo para evitar que os membros do clube se aproximassem demais, não apenas de mim, mas de todas as garotas." Isabella inclinou-se para frente, sabendo o que viria a seguir. Desprezando o que viria a seguir. Desejando que pudesse apagar as palavras antes de serem pronunciadas. "Mas eu fui descuidada. Homens poderosos podem ser persistentes, homens ricos podem ser uma tentação e todos do sexo masculino são ótimos mentirosos quando querem ser."
Bella sabia disso. Seu marido era mestre na eloquência. Worth deu um sorriso triste.
"Cullen nos encontrou."
Bella observou a outra mulher passar um dedo pela moldura dourada de uma grande pintura a óleo na parede.
"Ele ficou furioso", ela disse, sabendo instintivamente que, quaisquer que fossem seus defeitos, o marido jamais suportaria aquele tipo de comportamento. "Ele quase matou o homem." Bella sentiu uma onda de orgulho enquanto Worth prosseguia. "Apesar de todo seu aspecto sombrio... de todo seu egoísmo... ele é um bom homem." Deu um passo para trás, avaliando a roupa de Bella. "Se pretende entrar no Anjo Caído, precisará ser pela entrada dos proprietários. É a única maneira de chegar ao salão principal. E precisará de uma capa com um capuz maior se pretende manter o rosto coberto."
Isabella não havia pensado nisso. Atravessou o quarto, passando para o corredor mal iluminado além dele.
"Obrigada."
"Ele ficará furioso quando a senhora chegar lá", Worth acrescentou. "Meu bilhete não terá ajudado." Ela fez uma pausa. "Sinto muito por isso."
Bella olhou para Worth quando as duas chegaram ao pé da escada.
"Cobrarei esta dívida", Isabella disse, "mas não esta noite. Esta noite, simplesmente direi que sua mensagem estava incompleta, e pretendo entregar o restante pessoalmente."
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Caro E,
Meu aniversário chegou novamente, e este é mais incômodo do que qualquer um dos anteriores. Minha mãe está prestes a realizar um baile de debutante, e eu sou vista como a novilha gorda (não é a metáfora mais favorável, não?). De qualquer maneira, ela já está fazendo planos para março, pode acreditar – estou segura de que não durarei além do inverno.
Prometa que virá ao fadado evento... Sei que aos 20 anos tem pouca idade para comparecer a bailes ou se preocupar com a temporada, mas seria bom ver um rosto amigo.
Sempre sua, I.
Solar Swan, agosto de 1820
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Sem resposta.
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"Você deveria estar em casa com sua esposa."
Cullen não se virou do lugar diante da janela que dava para o salão do Anjo Caído.
"Minha esposa está deitada a salvo em sua cama, dormindo."
Ele sabia como imaginar a cena: Isabella em sua impecável camisola branca de linho, enrolada em uma porção de cobertores, encolhida de lado, os cabelos chocolates estendidos como uma onda atrás dela – dando um doce suspiro durante o sonho, tentando-o, mesmo na fantasia. Ou, melhor ainda, na cama dele, sobre sua pele, voluptuosa e desejando ser descoberta. Os dias desde que ela pediu para ele não tocá-la estavam se mostrando intermináveis.
A noite na Casa Tottenham havia começado com um único alvo alcançável: estabelecer as bases do amor falso de Cullen e Isabella para o resto da sociedade. Mas então ela se manteve forte naquele ninho de cobras que era a sala de jantar, reforçando sua história, fingindo carinho, devoção e, afinal, defendendo-o com seus modos perfeitos e refinados.
Por mais que dissesse a si mesmo que havia ido atrás dela com o objetivo de convencer os convidados de Tottenham a respeito de seu fascínio pela nova esposa, ele sabia, no fundo, que não era verdade. Os convidados estavam longe da sua mente, e seu fascínio não havia sido nada falso. Ele precisava tocá-la... Precisava estar perto dela. No instante em que a beijou, perdeu o controle da situação – ofegando, puxando-a ao encontro dele, desejando que estivessem em qualquer lugar que não ali, naquele corredor, naquela casa, com aquelas pessoas.
Sentiu vontade de assassinar Tottenham por interrompê-los. Mas Deus sabia o que teria acontecido se o visconde não tivesse feito aquilo, levando-se em conta que Cullen considerava seriamente levantar as saias da esposa, ajoelhar-se e mostrar a ela exatamente aonde o prazer poderia levá-los, quando o visconde limpou a garganta – varrendo o desejo da mente de Cullen.
Ela havia ficado imóvel como uma estátua em seus braços, e ele soube naquele momento, que ela pensava o pior dele. Ela acreditava que tudo tinha sido feito para benefício de Tottenham... e era verdade – mas Cullen não esperava que fosse tão longe. E jamais admitiria a ela que havia se deixado levar tanto quanto ela. Então, disse-lhe a verdade sobre o plano, sabendo que as palavras iriam feri-la. Sabendo que ela o odiaria ainda mais por enganá-la. E quando ela pronunciou, com a pose de uma rainha, que ele jamais deveria tocá-la novamente, Edward soube que era o melhor para ambos. Mesmo que tudo o que ele mais quisesse fosse levá-la para casa e fazê-la retirar o que havia dito.
Jasper tentou novamente.
"Você ficou aqui todas as noites desde que voltou."
"Por que se importa tanto?"
"Eu conheço as mulheres e sei que elas não gostam de ser ignoradas."
Cullen não respondeu.
"Soube que está trabalhando para que uma das garotas Swan torne-se Lady Tottenham."
Cullen estreitou o olhar.
"Você soube..."
Jasper levantou um ombro e sorriu.
"Tenho minhas fontes."
Edward voltou-se novamente para a janela, vendo Tottenham abaixo, diante da mesa de piquet.
"As jovens Swan solteiras chegaram hoje à cidade. Isso me dá alguns dias para garantir o interesse do visconde."
"Então o jantar foi um sucesso?"
"Sonho com convites chegando em massa."
Hale riu.
"Pobre e infeliz Cullen. Obrigado a restaurar a única coisa que não quer pela única coisa que quer." Edward encarou Jasper, mas não discordou. "Você percebe que o clube lhe deu mais dinheiro do que jamais conseguiria gastar e que não há qualquer motivo para provar a si mesmo, ao realizar sua vingança, não?"
"Não tem nada a ver com o dinheiro."
"Então o título tem a ver com o quê? A forma como ele o desmoralizou?"
"Eu não me importo com o título."
"Claro que se importa. É exatamente como todos os outros aristocratas, consumido pelo poder mágico do seu título, mesmo que se ressinta dele." Jasper fez uma pausa. "Não que isso tenha mais importância. Você se casou com a garota, e está no caminho para a vingança. Ou seria ressurreição?"
Edward fez uma careta através do vitral vermelho que representava uma chama do inferno, através do qual podia ver a roleta girando lá embaixo.
"Não tenho planos de ressurreição. Farei o que for necessário para destruir William Black. E, depois disso, retomarei minha vida."
"Sem ela?"
"Sem Isabella."
Mas ele a queria. Havia passado sem coisas que queria, antes. Sobrevivido.
"E como espera explicar isso à senhora?"
"Ela não precisa de mim para ter a vida que deseja. Pode viver onde quiser, como quiser, nas minhas terras, com o meu dinheiro. Ficarei satisfeito em conceder isso a ela." Ele havia dito o mesmo antes, mais de uma vez, mas estava ficando mais difícil de acreditar.
"Como imagina que isso acontecerá?", Jasper perguntou lentamente. "Você está casado."
"Há formas de ela ser feliz, ainda assim."
"E é isso que você deseja? A felicidade dela?"
Cullen considerou as palavras, percebendo a surpresa no tom de Jasper. Ele certamente não havia começado esta jornada pensando na felicidade de Bella, de alguma maneira. No entanto – mesmo sabendo que o tornava o pior tipo de marido possível –, ele sacrificaria a felicidade dela por sua vingança. Mas não era um monstro. Se pudesse, ele a manteria feliz e destruiria Black.
Como prova disso, honraria o pedido que ela lhe havia feito de não tocá-la, pois sabia muito bem que habituar-se a levar sua noiva perfeita e virginal para a cama seria um erro, uma vez que ela era exatamente o tipo de mulher que iria querer mais. Muito mais do que ele tinha para dar. Então, ficaria longe dela, mesmo que a desejasse mais do que era capaz de dizer.
"Eu a forcei a casar-se comigo por um pedaço de terra. O mínimo que posso fazer é pensar no que pode deixá-la contente, depois que nosso casamento cumprir seu propósito. Vou mandá-la de volta no instante em que a prova para a queda de Black for minha."
"Por quê?"
Porque ela merece mais. Cullen fingiu desinteresse.
"Eu prometi a ela liberdade. E aventura."
Jasper riu diante disso.
"Prometeu? Tenho certeza de que ela aceitou com empolgação. Ela esperou por um longo tempo desde aquele primeiro pedido de casamento, tempo suficiente para perceber que a maioria dos casamentos não vale o papel em que suas certidões são impressas. E você honrará a promessa?"
Cullen não desviou o olhar do salão.
"Sim."
"Qualquer aventura?"
Edward virou a cabeça.
"O que isso quer dizer?"
"Quero dizer, na minha experiência, que mulheres com emoção ao alcance são bastante... criativas. Está preparado para ela viajar o mundo? Jogar seu dinheiro fora com frivolidades? Dar festas loucas e escandalizar a sociedade? Ter um amante?"
A última alternativa foi dita com jeito casual, mas Cullen sabia que Jasper o estava provocando deliberadamente.
"Ela pode fazer o que bem entender."
"Então, se ela assim desejar, você permitirá que lhe ponha chifres?"
Ele sabia que era uma isca. Sabia que não devia se alterar. Cerrou os punhos, mesmo assim.
"Se for discreta, não é problema meu."
"Você não a quer para si?"
"Não."
Mentiroso.
"Foi uma experiência pouco satisfatória, é? Melhor deixar para outro homem, então."
Cullen resistiu ao impulso de atirar Jasper contra a parede. Detestava a simples ideia de outro tocando nela. Outro homem descobrindo seu entusiasmo, sua paixão – mais tentadora do que cartas, bilhar, roleta. Ela ameaçava seu controle, seus desejos cuidadosamente refreados, seus sentimentos escondidos havia tanto tempo. Ele não poderia fazê-la feliz e era apenas uma questão de tempo. Era melhor assim. Para ambos.
A porta da sala dos sócios se abriu, e Emmett salvou Edward de precisar continuar com a conversa irritante. A silhueta maciça do terceiro sócio bloqueou a luz ao atravessar o ambiente. Era sábado à noite, e Jasper, Carlisle e Emmett tinham um jogo marcado. Carlisle seguiu atrás de Emmett, embaralhando um maço de cartas. Ele falou, com surpresa na voz:
"Cullen vai jogar?"
Edward ignorou a insinuação que surgiu com a pergunta. Ele queria jogar. Queria perder-se nas regras simples e diretas do jogo. Queria fingir que não havia nada mais na vida além de sorte. Mas sabia que não era assim. A sorte não estava do seu lado havia muito tempo.
"Não vou jogar."
Os três não esperavam realmente que ele se juntasse a eles, mas sempre o convidavam. Jasper o encarou.
"Beba conosco, então."
Se ficasse, Jasper o perturbaria mais, fazendo mais perguntas. Mas, se fosse embora, Bella o assombraria, fazendo-o sentir-se como todos os tipos de tolos do mundo, portanto decidiu ficar.
Os outros haviam se sentado à mesa dos sócios, usada apenas para aquele jogo – Emmett, Carlisle e Jasper sendo os únicos jogadores. Edward sentou-se na quarta cadeira, sempre à mesa, nunca no jogo. Emmett embaralhou as cartas, e Edward observou-as voarem pelos dedos do grandalhão uma, duas vezes, antes de atravessarem a mesa. O ritmo do papel macio deslizando sobre o tecido verde grosso era uma tentação em si mesmo. Jogaram duas rodadas em silêncio antes da pergunta de Jasper vir, clara e obstinada do outro lado da mesa:
"E quando ela quiser filhos?"
Emmett e Carlisle hesitaram diante das próprias cartas com a pergunta tão inesperada, que não conseguiram deixar de demonstrar interesse. Carlisle falou primeiro:
"Quando quem quiser filhos?"
Jasper recostou-se.
"A Isabella de Cullen."
Edward não gostou da descrição possessiva. Ou talvez tivesse gostado demais.
Filhos. Eles precisariam de mais do que um pai em Londres e uma mãe no campo. Precisariam de mais do que uma infância vivida à sombra de um antro de jogatina. E, se fossem meninas, precisariam de mais do que um pai com uma reputação sórdida. Um pai que destruía tudo em que tocava, incluindo sua mãe.
Merda.
"Ela irá querer", Jasper continuou. "Ela é do tipo que irá querer filhos."
"Como pode saber?", Edward perguntou, irritado que aquilo fosse sequer um tema de conversa.
"Eu sei muito sobre a moça."
Emmett e Carlisle agora voltaram a atenção a Jasper.
"Sinceramente?", Emmett perguntou, com tom de descrença na voz.
"Ela tem cara de cavalo?", indagou Carlisle. "Cullen diz que não, mas acho que deve ser esse o motivo pelo qual ele está aqui conosco e não em casa, mostrando a ela como podem ser divertidas as experiências noturnas da marquesa de Cullen."
Edward foi tomado pela irritação.
"Nem todos nós passamos as noites como porcos no cio."
Carlisle avaliou as cartas uma vez mais.
"Prefiro coelhos", ele disse casualmente, arrancando uma gargalhada de Emmett, antes de olhar para Jasper uma vez mais. "Mas, sinceramente, fale sobre a nova Lady Cullen."
Jasper descartou.
"Ela não tem cara de cavalo."
Edward rangeu os dentes. Não. Não tem.
"Ela é maçante?"
"Não que eu saiba", Jasper respondeu, antes de virar-se para Edward. "Ela é maçante?"
Edward teve uma visão de Isabella caminhando pela neve no meio da noite com uma lanterna, antes de anunciar que estava em busca de piratas do campo, seguida por uma lembrança dela nua, deitada sobre seu cobertor de pele. Remexeu-se no lugar.
"De forma alguma."
Emmett levantou uma carta.
"Então, qual é o seu problema?"
Houve uma pausa, e Cullen olhou de um sócio para outro, um mais espantado do que o outro.
"Sinceramente, vocês estão parecendo mulheres mexeriqueiras, loucas por um escândalo."
Jasper levantou uma sobrancelha.
"Por isso, vou contar a eles." Houve uma pausa, enquanto os outros se inclinavam para frente, esperando. "O problema é que ele está decidido a mandar a moça embora."
Emmett levantou o olhar.
"Por quanto tempo?"
"Para sempre."
Carlisle apertou os lábios e virou-se para Cullen.
"Isso é porque ela era virgem? Por favor, Cullen, não pode culpá-la por isso. Quero dizer, sabe Deus por quê, mas a maioria dos aristocratas esnobes valoriza essas características. Dê-lhe tempo. Ela vai aprender."
Edward apertou os dentes.
"Ela se saiu muito bem."
Emmett inclinou-se para frente, completamente sério.
"Ela não gostou?"
Jasper abafou o riso, e Edward estreitou os olhos.
"Você está se divertindo, não está?"
"Muito."
"Talvez possa pedir alguns conselhos a Worth", Carlisle sugeriu, descartando.
Jasper pegou a carta.
"Ficarei feliz de compartilhar minha experiência pessoal, se quiser."
Emmett sorriu para as cartas.
"E eu também."
Aquilo tudo era demais para Edward.
"Não preciso de conselhos. Ela gostou bastante."
"Ouvi dizer que nem todas gostam desde o começo", Carlisle disse.
"Isso é verdade", respondeu Jasper, experiente.
"Não há problema se ela não gostou, velho", Emmett observou. "Você pode tentar de novo."
"Ela gostou." A voz de Cullen estava baixa e tensa, e ele pensou que seria capaz de matar o próximo que falasse.
"Bem, uma coisa é certa", Emmett disse, casualmente, e Cullen ignorou a pontada de decepção pelo fato de que aquele homem imenso era provavelmente o único da mesa que ele não conseguiria matar. "Se ela quiser filhos, alguém terá que fazer o serviço."
Se ela quisesse filhos, ele faria o serviço.
Carlisle descartou.
"Se garante que ela não é feia, ficarei feliz em..."
Não terminou a frase... Cullen avançou sobre ele, e os dois caíram no chão, em uma cacofonia de cadeiras quebradas, risadas e o som de osso batendo em carne. Emmett suspirou, atirando as cartas na mesa.
"Esses jogos nunca terminam como jogos de carta devem terminar."
"Pensei que bons jogos de carta sempre terminassem com uma briga", disse Jasper.
Carlisle e Edward rolaram por cima de uma cadeira, derrubando-a quando Justin entrou na sala. O sujeito de óculos ignorou os dois, rolando pelo chão, e abaixou-se para sussurrar algo para Emmett e Jasper.
Emmett então interferiu na briga, levando um soco perdido em uma das bochechas e soltando um xingamento antes de arrancar Carlisle de Edward. Puxando um lenço, Carlisle limpou o sangue de um corte logo acima do olho e encarou Edward longamente.
"Se está tão tenso assim na primeira semana do seu casamento, precisa levar aquela sua esposa para a cama, ou então tirá-la da sua casa."
Cullen passou a mão por um lábio inchado, sabendo que o sócio estava falando a verdade.
"Eu preciso dela. Sem ela, não tenho Black."
E se eu tocar nela novamente, posso não deixá-la ir embora. E então ele a destruiria da mesma forma como havia destruído tudo de valor que jamais teve. Os olhos de Carlisle brilharam, um deles inchando rapidamente, como se tivesse escutado o pensamento de Cullen com total clareza.
"Então isso limita as suas opções."
"Cullen", Justin disse, atraindo sua atenção, "há um bilhete de Worth para você."
Edward foi inundado por uma onda de desconforto ao romper o selo da Mansão do Diabo e ler as poucas linhas de texto rabiscadas apressadamente no papel. Foi tomado por descrença e fúria com o que leu. Jacob Black estava na casa dele. Com a esposa dele. Ele o mataria se Jacob tocasse nela, ou talvez o matasse de qualquer maneira. Amaldiçoando, Cullen levantou-se e seguiu na direção da porta, chegando à metade da sala antes de Jasper falar:
"Soube que também estamos com um problema na roleta."
"Dane-se a roleta", ele resmungou, escancarando a porta da sala dos sócios.
"Bem, considerando que sua esposa está lá embaixo, talvez Carlisle possa verificar o caso, mas..."
Edward congelou, o estômago se enchendo de incredulidade e pavor diante dos sorrisos dos sócios. Quase perdendo o controle, seguiu até a janela para olhar para o cassino, e foi imediatamente atraído para alguém, em um dos lados da roleta, vestindo uma capa, uma mão delicada estendida para depositar uma única moeda de ouro sobre o tecido numerado.
"Parece que a dama está fazendo a aventura que você prometeu", Jasper disse, ironicamente.
Não! Não poderia ser ela. Ela não faria algo tão tolo. Não arriscaria as irmãs nem a si mesma. Qualquer coisa poderia acontecer com ela lá embaixo, no ninho de cobras, cercada por homens que bebiam demais e apostavam demais... homens que apostavam alto para provar que estavam no controle de alguma coisa, mesmo que não fossem suas as bolsas. Cullen amaldiçoou, furioso, e saiu correndo pela porta.
Ouviu um assovio baixo e foi seguido pelas palavras de Carlisle.
"Se o rosto dela tiver metade da qualidade de sua coragem, eu a tirarei das suas mãos com satisfação!"
Só sobre o cadáver dele.
Parecem um bando de velhas fofoqueiras mesmo hahaha
