Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.


CAPÍTULO QUINZE

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"Ninfas não deveriam ser cínicas, amor."

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Caro E,

À essa altura, já deve saber da novidade, mesmo onde quer que esteja. Estou arruinada. O duque fez tudo o que pôde para me poupar do constrangimento, mas estamos em Londres, e tal esforço é, evidentemente, inútil. Ele casou-se em uma semana – simplesmente por amor. Mamãe está (sem qualquer surpresa) arrasada, chorando e lamuriando-se como um coro de carpideiras.

É errado que eu sinta como se um peso tivesse saído de sobre meus ombros? É provável. Gostaria que estivesse aqui. Você saberia o que dizer.

Sem assinatura
Casa Swan, novembro de 1823

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Carta não enviada.

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Isabella sentou-se em um banco de madeira, olhando para o lago gelado, onde metade de Londres parecia estar reunida. O frio incomum do inverno havia resultado na camada de gelo mais espessa em quase uma década, deixando o local lotado de pessoas ávidas por passar a tarde patinando no gelo.

Não havia como escapar dos olhos atentos da sociedade. Assim que seu grupo de patinadores saiu da carruagem e chegou ao topo da colina que descia suavemente até o lago Serpentine, eles se revezaram para prender as lâminas de madeira e aço à sola das botas. Penélope esperou o máximo possível para sentar e amarrar suas lâminas, absolutamente ciente do fato de que andar de patins com Edward seria um desafio, uma vez que ele provavelmente aproveitaria a oportunidade para mostrar a toda Londres o quanto estavam apaixonados.

Pela centésima vez, Bella amaldiçoou a farsa ridícula e observou as irmãs descerem a colina, de mãos dadas, e se lembrou do objetivo maior de sua frustração. Sua distração tornou mais difícil prender as lâminas aos pés, e, depois da terceira tentativa, Edward atirou as próprias lâminas para o lado e se agachou à sua frente, pegando um de seus pés pelo tornozelo, antes dela perceber as intenções dele. Puxou o pé com força, fazendo com que Edward se desequilibrasse para trás, e precisasse se segurar com as mãos apoiadas na neve, chamando a atenção de um grupo de moças.

"O que você acha que está fazendo?", ela sussurrou, inclinando-se para frente, sem querer causar uma cena maior.

Ele olhou para ela, os ângulos charmosos e os olhos falsamente inocentes, e disse simplesmente:

"Ajudando você com os patins."

"Eu não preciso da sua ajuda."

"Perdão, mas parece precisar." Ele baixou a voz até um ponto em que apenas ela podia escutar. "Deixe-me ajudar você."

Ele não a estava ajudando por ela. Ele a estava ajudando por eles, os outros prestando atenção, que adorariam a cena e sem dúvida entrariam em frenesi para contar aos amigos e familiares sobre como o marquês de Cullen era o homem mais solícito, bondoso e maravilhoso a frequentar as margens do lago Serpentine. Mas ela não adoraria isso. Ela poria os próprios malditos patins.

"Estou ótima, obrigada." E prontamente encaixou o equipamento nas botas, amarrando as tiras com cuidado para garantir que estivessem bem presas. "Pronto." Ela olhou para Edward, que a observava atentamente, com algo estranho e não identificável na expressão. "Perfeitos."

Ele então se levantou e estendeu a mão para ajudá-la a ficar em pé.

"Pelo menos deixe-me fazer isso, Isabella", ele sussurrou, e ela não pôde resistir às palavras suaves.

Ela lhe deu a mão e ele a ajudou a se levantar, segurando-a até que se reequilibrasse sobre as lâminas.

"Se eu me lembro bem, nunca foi tão boa caminhando de patins, como era patinando."

Ela piscou os olhos, quase tropeçando com o movimento e agarrando os braços dele cuidadosamente ao recuperar o equilíbrio.

"Você disse que não se lembrava."

"Não", ele disse baixinho, guiando-a colina abaixo na direção do lago. "Você disse que eu não me lembrava."

"Mas você se lembra."

Ele levantou um canto da boca em um sorriso triste.

"Você ficaria espantada com tudo de que me lembro..."

Havia algo em suas palavras, uma suavidade que era estranha a ele, e ela não conseguiu evitar a desconfiança.

"Por que está se comportando assim?" Ela franziu a testa. "Mais uma oportunidade de provar nossa história de amor?"

Algo brilhou no olhar dele, desaparecendo em seguida.

"Qualquer oportunidade para isso", ele disse em voz baixa antes de desviar o olhar. Ela seguiu os olhos dele e viu Pippa e Olivia, de mãos dadas, uma ajudando a outra a chegar ao gelo. Qualquer oportunidade para casar suas irmãs.

"É melhor eu me juntar a elas", Isabella disse, levantando o rosto para ele, encontrando seus lindos olhos castanhos. Foi apenas então que percebeu o quanto ele a estava segurando perto de si, e como a suave inclinação da colina a deixava quase olho no olho com ele.

Um lado da boca de Cullen levantou.

"Suas bochechas parecem cerejas."

Ela enfiou o queixo na gola de pele que trazia no pescoço.

"Está frio", respondeu, na defensiva.

Ele sacudiu a cabeça.

"Não estou reclamando. Acho que estão encantadoras. Deixam você parecida com uma ninfa de inverno."

"Estou longe de parecer uma ninfa."

Ele levantou a mão e pressionou um dedo na sobrancelha levantada.

"Você não costumava fazer isso. Não costumava ser tão cínica."

Ela se afastou do toque caloroso.

"Devo ter aprendido com você."

Ele olhou para ela por um longo tempo, muito sério, antes de se aproximar e sussurrar em seu ouvido:

"Ninfas não deveriam ser cínicas, amor."

De repente, não parecia mais tão frio. Ele recuou, sacudindo a cabeça.

"Que pena."

"O quê?"

Ele inclinou a cabeça para ela, quase tocando-lhe a testa.

"Tenho quase certeza de que você está ruborizada. Mas, com o frio, é impossível saber com certeza."

Isabella não conseguiu evitar o sorriso, gostando da brincadeira, esquecendo, por um instante fugaz, que nada daquilo era real.

"Tão triste que jamais virá a saber."

Ele levou as mãos dela aos lábios, beijando primeiro um conjunto de nós de dedos coberto de pelica, depois o outro, e ela desejou que não estivesse usando luvas.

"Seu gelo a aguarda, milady. Estarei com vocês em seguida."

Ela olhou para o lago lotado, onde as irmãs haviam se unido aos frequentadores, em seus círculos sobre a superfície lisa e convidativa. De repente, ficar ali parada com ele pareceu muito mais excitante do que qualquer coisa que pudesse acontecer no gelo. Mas ficar ali parada com ele não era uma opção.

"Está certo."

Edward a acompanhou até a beira do lago, onde ela saiu deslizando e desapareceu no meio da multidão, logo encontrando as irmãs. Olivia passou a mão pelo braço de Bella e disse:

"Cullen é maravilhoso, Bells. Diga-me, está extasiada?" Ela suspirou. "Eu estaria."

Penélope olhou para os pés, vendo-os deslizar pelo gelo, aparecendo por baixo do vestido.

"Extasiada é uma forma de descrever", ela disse. Frustrada e totalmente confusa seria outra.

Olivia fez questão de olhar ao redor do lago.

"Será que ele conhece algum desses senhores solteiros?"

Se fosse como ele dizia, metade daqueles homens devia dinheiro ao Anjo Caído.

"Imagino que sim."

"Excelente!", Olivia acrescentou. "Muito bem, Bella. Acho que ele será um cunhado que valerá o que custou! E é lindo também, não? Ah! Estou vendo Louisa Holbrooke!"

Acenou avidamente para o outro lado do lago e saiu para falar com a amiga, deixando Bella respondendo baixinho:

"Sim. Ele é lindo" – grata por um momento em que não precisou mentir.

Olhou para o ponto na colina onde os dois estavam parados pouco antes. Ele ainda estava parado lá, toda a atenção voltada para ela. Sentiu impulso de acenar. Mas seria uma tolice, não seria? Seria... Enquanto ela pensava no que fazer, ele tornou a decisão desnecessária. Levantou um dos braços compridos e acenou para ela. Seria rude ignorá-lo. Então acenou de volta. Ele sentou no banco e começou a amarrar os patins, e Bella soltou um pequeno suspiro, forçando-se a se virar, antes de fazer algo ainda mais tolo.

"Uma coisa aconteceu."

Por um instante, Isabella pensou que Pippa havia percebido as estranhas interações entre Edward e ela. Com a mente em disparada, ela se virou para encarar a irmã mais nova.

"O que quer dizer?"

"Castleton me pediu em casamento."

Bella arregalou os olhos diante do anúncio inesperado e esperou que Pippa reconhecesse o fato de que elas haviam passado grande parte da manhã juntas e que apenas naquele momento a irmã havia decidido mencionar o pedido. Como Pippa não disse nada e continuou deslizando calmamente para frente, como se as duas estivessem falando sobre o clima e não sobre o futuro, Isabella não se segurou.

"Você não parece muito feliz com isso."

Pippa manteve a cabeça abaixada por alguns longos minutos.

"Ele é um conde, parece bastante gentil, não se importa que eu deteste dançar e tem um belo estábulo com cavalos."

Bella teria sorrido diante da simplicidade das palavras, como se aquelas quatro características fossem suficientes para se ter um casamento satisfatório, não fosse pelo tom de resignação que continham. Ocorreu a Isabella que Pippa talvez tivesse escolhido aquele momento para compartilhar a informação porque havia muita gente por perto – muitos olhos vendo e ouvidos escutando –, gente demais para permitir uma conversa séria. Mesmo assim, ela segurou com força uma das mãos da irmã e a fez parar no centro do lago. Inclinou-se na direção dela e disse, baixinho:

"Você não precisa dizer sim."

"Vai importar se eu disser não?", Pippa respondeu, sorrindo abertamente, como se as duas estivessem falando sobre algum acontecimento divertido da manhã e não sobre seu futuro. Seus sonhos. "Não haverá simplesmente outro homem logo ali na frente esperando para pegar meu dote? E outro depois desse? E mais outro? Até as minhas chances desaparecerem... Ele sabe que eu sou mais inteligente do que ele, e está disposto a permitir que eu administre seus bens. Isso já é alguma coisa." Ela encarou Isabella. "Eu sei o que você fez."

Isabella olhou nos olhos da irmã.

"O que quer dizer com isso?"

"Eu estava na festa de Santo Estêvão, Bella. Acho que eu teria notado a volta de Cullen assim como metade da vila."

Isabella mordiscou um lábio, imaginando o que deveria dizer.

"Não precisa me dizer que estou certa." Pippa a poupou. "Mas saiba que eu sei o que você fez. E sou grata por isso."

As duas patinaram em silêncio por um tempo, até que Bella disse:

"Eu fiz isso para você não precisar aceitar casar-se com Castleton, Pippa. Edward e eu... a história foi para beneficiar você. Você e Olivia."

Pippa sorriu.

"E isso foi gentil da sua parte. Mas é tolice pensar que teremos nossas histórias de amor, Bella. Elas não acontecem todos os dias e você sabe disso melhor do que ninguém."

Isabella engoliu o nó na garganta, diante das palavras da irmã, da lembrança de que seu próprio casamento não era nada parecido com uma história de amor.

"Outras pessoas se casam por amor", ela observou, arrumando as luvas forradas de pele e olhando para o lago. "Pense em Leighton e na esposa dele."

Pippa olhou para ela, os olhos arregalados, parecidos com os de uma coruja por trás dos óculos.

"É o melhor que consegue fazer? Um casamento escandaloso de oito anos atrás?"

Era o exemplo que ela levava mais perto do coração.

"O número de anos não importa. Nem o escândalo."

"Claro que importa", Pippa disse, parando e amarrando o próprio chapéu embaixo do queixo. "Um escândalo desses deixaria mamãe histérica e o resto de vocês iria se esconder."

"Não eu", ela disse, demonstrando empatia.

"Não, você não. Você tem seu próprio marido escandaloso."

Isabella pensou no marido, do outro lado do lago, focando o olhar no imenso ferimento em seu rosto.

"Ele é o escândalo."

Pippa virou-se para ela.

"Qualquer que tenha sido o motivo para o seu casamento, Bella... ele realmente parece se importar com você."

O teatro certamente está perdendo um grande talento. Ela não disse isso. Pippa não precisava escutar isso.

"Talvez eu acabe mesmo me casando com Castleton", Pippa disse. "Isso deixará papai feliz e eu nunca mais precisarei participar de outra temporada. Pense em todas as visitas à costureira de que poderei me abster."

Isabella sorriu com a brincadeira, ainda que quisesse abrir a boca e gritar com a injustiça de tudo. Pippa não merecia um casamento sem amor, tanto quanto nenhuma das outras garotas Swan. Tanto quanto Bella. Mas pertenciam à sociedade londrina, em que os casamentos sem amor eram a regra. Ela suspirou, mas não disse nada.

"Não se preocupe comigo, Bells ", Philippa disse, puxando Isabella para o meio dos patinadores uma vez mais. "Ficarei bem com Castleton. Ele é um homem bom o bastante. Não creio que papai fosse permitir que me cortejasse se não fosse ele." Ela se inclinou para mais perto da irmã. "E não se preocupe com Olivia. Ela não faz ideia de que você e Lorde Cullen estejam..." Ela parou de falar. "Ela está focada demais em arranjar um nobre bonito para si."

Isabella não ficou reconfortada pela ideia de que talvez tivesse enganado a irmã mais nova e a feito acreditar que seu casamento era uma história de amor.

O fato a deixou terrivelmente desconfortável. Olivia, o jornal O Escândalo, o restante da sociedade acreditando que Edward a amava – que ela o amava – apenas servia para provar o pior... que Bella estava perdendo a si mesma para essa charada. Se suas irmãs mal questionavam seus sentimentos por Edward, quem poderia dizer se ela própria em breve não estaria acreditando na farsa? Então como acabaria? Sozinha novamente...

"Bella?", o chamado de Pippa a arrancou de seu devaneio.

Ela forçou um sorriso. Pippa a observou por um longo tempo, parecendo ver mais do que Penélope desejava, e ela desviou o olhar da avaliação da irmã.

Finalmente, Pippa disse:

"Acho que vou me juntar a Olivia e Louisa. Vem comigo?"

Bella sacudiu a cabeça.

"Não."

"Devo ficar com você?"

"Não, obrigada."

A Swan mais jovem sorriu.

"Está esperando por seu marido?"

Bella negou imediatamente, e Pippa lhe deu um sorriso sagaz.

"Acho que gosta dele, minha irmã. Contrariando o seu bom senso, não há nada de errado com isso, sabe." Ela fez uma pausa, então disse, com naturalidade: "Acho que deve ser muito bom gostar do próprio marido".

Antes que Isabella pudesse responder, Pippa se afastou. Sem pensar, procurou mais uma vez por Edward, que não estava mais no ponto em que ela o tinha visto pela última vez. Ela rastreou o lago e o localizou na borda, conversando com o visconde de Tottenham. Observou-o por um longo tempo antes de Edward olhar para o outro lado do gelo, com a expressão séria encontrando a dela quase que imediatamente. Ela foi tomada pelo nervosismo e se virou, sem conseguir manter-se firme com metade de Londres entre eles.

Enfiou o queixo na gola e patinou, com a cabeça abaixada, atravessando um aglomerado de pessoas até a outra ponta do lago, onde saiu do gelo e andou pesadamente na direção de um vendedor de castanhas que havia se estabelecido ali perto. Mal tinha dado um passo, quando ouviu a conversa.

"Pode acreditar que Tottenham esteja disposto a dar a ele o benefício da dúvida?" A pergunta veio de trás dela, e Isabella fez uma pausa, sabendo imediatamente que alguém estava falando sobre Edward.

"Não consigo nem sequer imaginar como Tottenham poderia conhecer alguém como ele."

"Ouvi dizer que Cullen ainda está à frente daquele clube escandaloso. O que acha que isso diz sobre ele?"

"Nada de bom. Cullen é terrível, exatamente como os homens que frequentam aquele lugar." Bella resistiu ao impulso de se virar e dizer àquelas mexeriqueiras que muito provavelmente eram a prole ou eram casadas com homens que dariam um braço para terem uma chance de apostar no Anjo Caído. "Dizem que ele está em busca de convites para a temporada. Dizem que ele está pronto para retornar à sociedade e que ela é o motivo disso."

Bella aproximou-se mais quando o vento aumentou, e as palavras ficaram difíceis de compreender.

"Lady Lauren Mallory disse à prima da minha mãe que ele não conseguia parar de tocar nela durante o jantar na semana passada."

"Ouvi a mesma coisa... e você viu o jornal O Escândalo desta manhã?"

"Pode acreditar naquilo? Uma história de amor? Com Isabella Swan? Eu poderia jurar que ele havia se casado com ela por sua reputação, pobrezinha."

"E não se esqueça de Falconwell... que era a sede do marquesado antes..."

As palavras se perderam no vento, mas Bella as escutou mesmo assim.

Antes dele perdê-la.

"É de se espantar como uma pessoa tão decente como Isabella Swan pode gostar de alguém tão perverso como o marquês de Cullen."

Com muita facilidade, temia Isabella.

"Tolice. Olhe para o homem. A pergunta verdadeira é como alguém como ele poderia se apaixonar por uma mulher tão entediante como ela! Ela não conseguiu segurar nem sequer o enfadonho e frio Leighton."

As duas se desmancharam em risos, e Bella fechou os olhos ao ouvir o som agudo.

"Você é terrível! Pobre Isabella."

Deus, como ela detestava aquela palavra.

"Francamente, mais lascivo impossível e duas vezes mais bonito... mesmo com aquele olho roxo. Como acha que ele fez aquilo?"

"Ouvi dizer que há brigas no clube dele. Lutas semelhantes às dos gladiadores." Bella revirou os olhos. Seu marido era muitas coisas, mas gladiador dos tempos modernos não era uma delas.

"Bem, preciso confessar que eu não me recusaria a cuidar de seus ferimentos..." A voz desapareceu com um suspiro.

Bella resistiu ao impulso de mostrar àquela maldosa exatamente o tipo de ferimentos que podiam ser provocados em alguém.

"Talvez Isabella pudesse lhe dar algumas dicas... você poderia tentar fisgar um dos outros membros."

A risada cruel das duas se perdeu na distância. Bella virou-se para vê-las se afastar, sem conseguir reconhecê-las de costas. Não que fosse fazer algo se as tivesse reconhecido. Claro que elas consideravam a história merecedora de mexerico. Era risível que ela e Edward tivessem uma história de amor e que o casamento deles pudesse ser qualquer coisa além de um negócio. Que alguém como ele pudesse amar alguém como eu. Ela inspirou fundo ao pensar nisso, sentindo a pontada de frio do ar brigando com o nó de emoção que sentia na garganta.

"Lady Cullen." Girou na direção do título ainda estranho a ela, para encontrar Riley Biers a poucos metros de distância, vindo em sua direção.

Não havia indicação de que o jornalista tivesse ouvido as mulheres, mas Isabella não conseguiu deixar de imaginar que fosse aquele o caso.

"Sr. Biers", ela disse, afastando pensamentos de tédio e respondendo com um sorriso ao sorriso dele. "Que surpresa."

"Minha irmã solicitou minha companhia", ele disse, apontando para um grupo de moças a vários metros de distância. "E confesso ter uma fraqueza por esportes de inverno." Ele lhe ofereceu um braço e apontou para o vendedor ali perto. "Gostaria de um pouco de castanhas?"

Ela acompanhou o olhar dele, a fumaça do carrinho de castanhas encobrindo o rosto do proprietário.

"Gostaria muito, obrigada." Eles seguiram lentamente rumo à banca, Isabella caminhando com dificuldade sobre os patins, o Sr. Biers gentil demais para mencionar sua falta de coordenação. "Eu também tenho irmãs."

Ela pensou na resignação de Pippa – sua decisão de se casar com Castleton apesar de seu desinteresse, por todos os motivos errados.

"Criaturas preocupantes, não?"

Ela forçou um sorriso.

"Sendo eu mesma uma irmã, prefiro não responder."

"É justo." Ele fez uma pausa, acrescentando em tom de provocação: "Imagino que um casamento com Cullen tornaria qualquer irmã de certo modo preocupante".

Bella sorriu.

"Considere-se com sorte por não ser meu irmão."

Ele pagou o vendedor e entregou um saquinho de nozes assadas para ela, esperando que experimentasse uma antes de dizer:

"Está se saindo muito bem."

Voltou rapidamente a atenção para seus olhos claros. Ele sabia. Ela fez o máximo para parecer impassível quando falou, deliberadamente não compreendendo o que ele dizia.

"Andei de patins minha vida toda."

Ele meneou a cabeça, reconhecendo a forma como ela evitava sua observação.

"Bem, sua técnica demonstra mais habilidade do que seria de se esperar de uma dama."

Eles não estavam falando sobre patinação, isso ela sabia, mas ele estava se referindo aos mexericos sobre ela e Cullen? Ou sobre a farsa do casamento dos dois? Ou sobre algo ainda mais crítico? Ela beliscou uma castanha, saboreando sua doçura ao pensar na resposta.

"Gosto sempre de surpreender aqueles ao meu redor."

"Desempenhar com tamanha sofisticação demanda muita força."

Ela levantou uma sobrancelha e encarou o jornalista com um olhar franco.

"Tive anos de prática."

Ele então sorriu calorosamente.

"De fato, teve, senhora. E posso dizer o quanto Cullen teve sorte de finalmente ficar com a senhora. Espero ansiosamente por vê-los durante a temporada. Certamente serão o casal mais comentado de Londres e sei que meus colunistas já estão empolgados por tê-los na cidade."

A clareza veio como o vento gelado.

"Seus colunistas."

Ele abaixou a cabeça, sorrindo secretamente:

"O Escândalo é um dos meus jornais."

"O artigo de hoje..." Ela parou de falar.

"Vai empalidecer diante do que dirá de suas habilidades de patinadora."

Ela apertou os lábios.

"Tão inesperado."

Ele riu. Ela não estava tentando ser divertida.

"Isabella consegue patinar ao meu redor desde quando mal conseguíamos nos manter em pé." As palavras de Edward a assustaram, e ela se virou para encará-lo, a surpresa com a aparição dele prejudicando seu equilíbrio precário sobre as lâminas e derrubando-a nos braços dele que a aguardavam, como se tivesse planejado tudo aquilo. Ela deu um gritinho quando ele a puxou contra seu corpo.

"Como minha graça extraordinária demonstra neste momento", Bella emendou, arrancando uma risada calorosa de Edward que a percorreu de maneira agradabilíssima. Ela se afastou para olhar nos olhos dele.

Edward não desviou o olhar ao dizer:

"Foi um dos muitos motivos pelos quais me casei com ela. Tenho certeza de que não pode me condenar por isso, Biers."

Ficando ruborizada, Bella se virou para encarar o jornalista, que abaixou a cabeça e disse:

"Nem um pouco. De fato um casal de sorte". Piscou para Isabella. "Ela está evidentemente comprometida com você." Então olhou para longe antes entortar o chapéu e fazer uma pequena reverência para ela. "Creio que negligenciei minha irmã por tempo demais. Lady Cullen, foi uma honra patinar com a senhora."

Ela fez uma pequena reverência.

"O prazer foi meu." Quando ele saiu patinando, ela se virou para encarar Edward novamente, baixando a voz até um sussurro. "Aquele homem sabe que nosso casamento é mais do que um caso de amor."

Ele se inclinou na direção dela, falando igualmente baixo.

"Não quer dizer menos?"

Ela estreitou os olhos.

"Você está evitando o assunto."

"É claro que Riley sabe", ele disse casualmente. "É um dos homens mais inteligentes da Grã-Bretanha. Possivelmente o homem mais inteligente na Grã-Bretanha, e um dos mais bem-sucedidos também. Mas ele guardará nossos segredos."

"Ele é um jornalista", ela lembrou a ele.

Então ele riu, uma risada encantadora e sincera que o deixou infinitamente mais bonito.

"Não precisa dizer isso como se ele fosse um inseto sob um vidro." Edward fez uma pausa, observando o sujeito em questão encantar a irmã e sua turma de amigas. "Riley sabe que é melhor não especular sobre nosso casamento nos jornais."

Ela não acreditou nele. A verdade do casamento dos dois seria um escândalo incrível.

"Como você o conhece?"

"Ele gosta de jogar."

"A mim me parece que o homem mais inteligente da Grã-Bretanha não deveria gostar tanto de um jogo de azar."

"Ele gostaria, se tivesse a sorte do diabo."

"Não parece preocupado com o que ele sabe."

"É porque não estou. Sei de muitos segredos de Biers para ele contar algum dos meus."

"Mas ele ficará feliz em contar o de Jacob?"

Edward olhou para ela.

"Não vamos falar sobre isso."

Ela continuou.

"Ainda está planejando arruiná-lo?"

"Não hoje."

"Quando, então?"

Ele suspirou.

"Pelo menos daqui a uma semana, como prometido."

Havia alguma coisa ali, na forma suave e resignada como ele falava, algo que Isabella desejou ser capaz de identificar. Era dúvida? Arrependimento?

"Edward..."

"Eu comprei e paguei por esta tarde, esposa. Basta." Ele pegou uma castanha do saquinho na mão dela e a enfiou, inteira, na boca. No mesmo instante, ele arregalou os olhos e inspirou profundamente. "Está fervendo!"

Ela não deveria ter sentido prazer com a dor dele, mas sentiu.

"Se tivesse pedido uma antes de ter simplesmente pegado o que queria, eu o teria alertado."

Ele levantou uma das sobrancelhas.

"Jamais peça. Pegue o que quiser, quando quiser."

"Outra regra dos canalhas?"

Ele abaixou a cabeça como reconhecimento da ironia.

"Faz parte da diversão, Isabella."

As palavras a percorreram com a lembrança – espontânea – dele a atirando por cima do ombro naquela primeira noite... a noite que tudo havia mudado. Ela levantou o queixo, recusando-se a sentir-se constrangida.

"Sim, descobri isso ontem à noite no seu clube, quando ganhei na roleta." Ele levantou as sobrancelhas rapidamente, e Bella sentiu-se orgulhosa de si mesma. Um golpe direto.

"É um jogo de azar. Não exige qualquer habilidade."

"Não exige habilidade, mas é preciso sorte", ela ironizou.

Ele sorriu, ficando muito mais bonito do que um homem deveria ser.

"Venha, minha esposa. Vamos dar a volta no lago."

Ele pegou o saco de castanhas das mãos dela e o enfiou no bolso do casaco antes de guiá-la até o gelo e ela retomar a conversa sobre os segredos.

"As coisas são assim? Você troca segredos?"

"Apenas quando preciso."

"Apenas como meio para um fim." As palavras foram mais para ela do que para ele.

"Eu sei que estou fora da aristocracia há uma década, mas ainda estamos em Londres, não? Informação ainda é o produto mais valioso?"

"Suponho que sim." Ela não gostava de como era simples para ele, do quanto ele era insensível, de como guardava segredos com facilidade e os usava facilmente para punir as pessoas ao seu redor. Forçou um sorriso, sabendo que toda Londres os observava. Detestando estar em exibição. "E é assim que são as coisas com você e Billy Black?"

Edward sacudiu a cabeça.

"Nada de Black hoje também. Fizemos nosso trato."

"Eu jamais concordei com ele."

"Você não ter me atirado da carruagem no caminho para cá foi um acordo tácito", ele disse com ironia. "Mas se você deseja concordar formalmente, aceitarei seu amuleto de boa-fé."

"Eu não tenho meu próprio amuleto."

"Está tudo bem", ele sorriu. "Pode pegar o meu emprestado."

Ela olhou para ele.

"Quer dizer que posso devolver o seu."

"Semântica."

Ela não conseguiu esconder o sorriso ao enfiar a mão no bolso da capa, onde carregava o guinéu que ele lhe tinha dado, e retirar a moeda.

"Uma tarde", ela disse.

"Por uma semana", ele concordou.

Ela soltou a moeda na palma da mão aberta dele, vendo-o depositá-la no bolso do casaco. Ela se virou, vendo Pippa dar risada do outro lado do lago com um grupo de moças.

"Lorde Castleton pediu Pippa em casamento."

Ele não se moveu.

"E?"

"E ela dirá sim." Ele não respondeu. Claro que não. Ele não compreendia. Não tinha como compreender. "Eles não combinam."

"Isso é tão estranho?"

Não. Não era. Mas ele não precisava ser tão insensível. Bella começou a patinar mais rápido.

"Ela merece uma chance de ter mais."

"Ela não precisa dizer sim."

Bella lançou um olhar de lado para Edward.

"Estou surpresa que diga algo assim. Não a quer casada o mais rapidamente possível?"

Ele desviou o olhar, concentrando-se na patinação por longos minutos.

"Sabe que sim. Mas não tenho interesse em forçá-la a se casar."

"Era apenas a mim que estava interessado em forçar a casar?"

"Isabella", ele começou, e ela apressou-se à frente dele, patinando mais rápido, sentindo o vento frio no rosto, desejando que pudesse continuar, que pudesse deslizar para longe daquela vida estranha e forçada que estava vivendo. Contornou um grande grupo de pessoas, e então ele estava ao seu lado novamente, a mão dele em seu braço, diminuindo sua velocidade. "Bella", ele disse novamente. "Por favor."

Talvez fosse a expressão, a suavidade nela, a estranheza dela sendo pronunciada por ele. A forma como ele falou, como se ela pudesse ignorá-lo, e ele a soltaria. Mas ela parou, afundando os patins no gelo ao se virar de frente para ele.

"Eu deveria acabar com isso", ela disse, sabendo que tinha emoção demais em suas palavras. "Eu deveria fazer com que elas pudessem ter uma vida diferente. Casamentos construídos sobre mais do que..."

"Mais do que um belo dote."

Ela desviou o olhar das palavras.

"Elas deveriam ter uma chance melhor do que a nossa. Você me deu o seu amuleto."

"E pelo menos uma delas terá." Ele apontou para a outra ponta do lago, e ela seguiu o olhar dele para onde Olivia e Tottenham estavam conversando. A irmã com o rosto perfeito corado, sorrindo para Tottenham. "Ele vale uma fortuna, e sua reputação é limpa o bastante para que venha a se tornar primeiro-ministro algum dia. Se eles combinarem, pode ser um casal incrível."

"Eles estão sozinhos? Juntos?" Bella começou a patinar novamente, na direção dos dois. "Edward, precisamos ir até lá."

Ele segurou a mão dela, diminuindo seu ritmo.

"Isabella, eles não estão sozinhos em uma varanda de um baile. Eles estão parados, alegremente, à beira do lago, conversando."

"Sans chaperone." Ela disse: "Estou falando sério. Precisamos voltar!".

"Bem, se você diz isso em francês, deve ser algo realmente muito sério." Como ele estava com o rosto virado para o outro lado, ela não conseguia ter certeza, mas teve a impressão de que a estava provocando. "É tudo absolutamente transparente." Ele estendeu o braço e segurou a mão dela, virando-a para patinar em uma direção diferente, enquanto ela tentava se afastar.

"Você me deve uma tarde, esposa." Quando ele a segurou firme, ela parou de resistir, e ele orbitou ao seu redor, até ela não poder fazer nada além de segui-lo, olhando para ele por todo o caminho.

E então ele a puxou para seus braços, como se os dois estivessem dançando, e eles patinaram algo semelhante a uma valsa, até estarem a uma distância suficiente de todos para não serem ouvidos.

"Todo mundo está olhando."

"Deixe que olhem." Ele a abraçou apertado, sussurrando em seu ouvido: "Não se lembra de como era passar aqueles primeiros minutos sem fôlego a sós com um pretendente?"

"Não." Ela tentou se afastar. "Edward, precisamos voltar."

Subitamente, não era por Olivia que ela acreditava que precisava voltar. Era por si mesma. Por sua sanidade. Porque estar nos braços dele, daquele jeito, com a voz dele em seu ouvido, não era bom para suas convicções. Ele os girou em um círculo lento.

"Voltaremos até eles em poucos minutos. Por ora, responda à pergunta."

"Eu respondi." Ela tentou se afastar, mas ele a segurou firmemente. "Isto não é decente."

"Não vou soltá-la. Se alguém nos vir, simplesmente virão o marquês de Cullen mimando sua encantadora esposa. Agora responda à pergunta."

Só que ele não a estava mimando. Aquilo não era real. Era?

"Eu nunca fui cortejada. Não a ponto de ficar sem fôlego." Ela não podia acreditar que havia admitido isso a ele.

"Seu duque não fez o máximo para conquistá-la?"

Isabella não pôde evitar. Ela riu.

"Você conheceu o duque de Leighton? Ele não é do tipo mais conquistador." Fez uma pausa quando uma lembrança do duque interrompendo um baile por sua futura esposa lhe veio à mente, antes de acrescentar: "Pelo menos não comigo".

"E os outros?"

"Que outros?"

"Os outros pretendentes, Bella. Um deles certamente fez o máximo para..."

Ela sacudiu a cabeça, olhando ao redor, procurando pelas irmãs, temendo ser vista. Philippa estava parada com um grupo de meninas no centro do gelo cintilante.

"Nenhum pretendente jamais me deixou sem fôlego."

"Nem mesmo Jacob?"

Não. Ela deveria ter dito, mas não quis. Não quis trair o amigo. Não quis que Edward soubesse que ela havia sido um meio para um fim para todos eles... inclusive para Jake.

"Pensei que não fosse falar sobre Jacob."

"Você o ama?" Havia uma urgência no tom dele, e ela soube que ele não desistiria enquanto ela não respondesse.

Ela levantou um ombro.

"Ele é um amigo querido. É claro que me importo com ele."

Os olhos dele ficaram sombrios.

"Não foi o que eu quis dizer, e você sabe disso."

Ela não fingiu ter compreendido mal. Em vez disso, disse a verdade, sabendo que a confissão daria poder a ele. Não se importou, porque queria que algo em seu relacionamento fosse real.

"Ele também não me deixou sem fôlego."

Uma criancinha – com menos de 4 ou 5 anos – passou patinando por eles, seguida pelo pai que pedia desculpas e pela mãe que se virou para fazer uma reverência aos dois. Isabella sorriu e acenou, dispensando o pedido de desculpas, antes de dizer, baixinho:

"Talvez esse seja o problema. Talvez eu tenha esperado demais por perder o fôlego e tenha deixado passar... bem... todo o resto."

Como ele não disse nada, ela olhou para ele e o viu acompanhar a mesma família que ela estava observando. Finalmente, ele olhou para ela muito sério, e ela não conseguiu desviar o olhar enquanto os dois giravam e giravam na valsa, sem forçar qualquer movimento, mas, ainda assim, girando. Alguma coisa mudou no ar entre eles.

"Fico feliz que não tenha se casado com Leighton, com Jacob ou com qualquer dos outros lamentavelmente sem graça, Seis Cents."

Ninguém além de Edward jamais a chamou de Seis Cents, um apelido bobo que ele lhe tinha dado havia uma eternidade, garantindo que ela valia muito mais do que um penny, um centavo, para ele. Tinham sido palavras doces na época, uma brincadeira encantadora com seu nome que a fez sorrir, e sua reação naquele instante não foi diferente. Sentiu uma onda de calor atravessar o corpo ao ouvir o apelido, seguida por uma pergunta muito mais séria.

"Isso é sincero? Ou é falsa sinceridade? Quem é você neste momento? O verdadeiro você? Ou alguma aproximação do homem que acredita que querem que seja? Não me diga que não importa, porque agora... neste momento... importa." A voz dela ficou mais suave. "E eu nem ao menos sei por quê."

"É a verdade."

E talvez isso fizesse dela uma tola, mas Bella acreditou nele. Os dois ficaram ali parados por um longo momento, os olhos dele matizados de dourado e verde, tão atentos sobre ela, como se os dois estivessem a sós naquele lago – como se toda Londres não estivesse dançando e deslizando ao redor deles –, e ela se perguntou o que poderia acontecer se toda Londres não estivesse lá. Se toda Londres não importasse.

Ele estava tão perto, o calor dele era tão real e tentador, e ela achou que poderia beijá-lo ali. Não. Ela se afastou antes que ele pudesse. Precisou fazer isso. Não podia suportar a ideia dele usá-la novamente. Havia começado a nevar, flocos se acumulavam na aba do chapéu listrado e do casaco lindamente cortado dele.

"Preciso ir até Olivia antes que ela e Tottenham decidam fugir para se casarem." Ela fez uma pausa. "Obrigada pela tarde."

Ela se virou e foi embora, patinando, sentindo profundamente a perda dele. Era errado que ele pudesse fazê-la querê-lo tanto, tão rapidamente, com um simples sorriso suave ou uma palavra gentil? Ela era fraca quando se tratava dele. E ele era tão absolutamente forte.

"Isabella", ele a chamou, e ela se virou, encontrando seu olhar, algo totalmente perigoso brilhando nos olhos verdes dele. "A tarde ainda não acabou."


PERDÃO? *desvia das pedras* POR FAVOR, PERDOEM ESSE... *se esconde dos paus e foices* TEMPO EM OFF?

Deixem eu explicar: Fim de ano, correria total. Janeiro, tive que cobrir férias de dois funcionários. Fevereiro, tive que correr atrás do meu trabalho atrasado. E, bem, nessa virada de 2017-2018, descobrimos que o Victor (meu baby mais velho) possui autismo. Apesar de um grau leve, ninguém conseguiu aceitar ainda, e tem sido bem difícil correr atrás de médico e levar ele nas terapias que vão de segunda à quinta.

Foi um caos. Estou me sentindo perdidinha, mas retomando a vida agora que o Carnaval acabou, rs. Ainda estou viva, eu juro, e NÃO DESISTI da fic. Vamos até o fim e teremos mais adaptações sim, prometo. Desculpem de novo e cá estou eu novamente, com um capítulo por semana :)

Beijinhos e até o próximo!