Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.


CAPÍTULO DEZOITO

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"Como não dá importância aos meus desejos, decidi assumir o controle de meus próprios prazeres. Enquanto receber convites para aventuras, eu os aceitarei."

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Caro E,
Gostaria de ter a coragem de ir ao seu clube e me anunciar como sua velha amiga, mas é claro que não tenho. No entanto, é provavelmente melhor assim, já que não sei ao certo do que gostaria mais: de bater em você ou de abraçá-lo.

Sem assinatura
Casa Swan, março de 1827

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Carta não enviada.

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Ela o estava escorraçando. Aquela esposa suave e doce que ele achava que havia conseguido domar, com o chapéu coberto de neve enquanto ela falava sobre seus pretendentes passados... Um floco perdido derretendo quase imediatamente na ponta do nariz enquanto ela sorria para ele, havia desaparecido. No lugar daquela mulher havia uma amazona, parada no meio de seu clube, no coração do submundo londrino, jogando na roleta enquanto a cidade a assistia, apostando a segurança de seus amigos e a reputação de suas irmãs, e marcando aulas de bilhar com um dos homens mais poderosos e temidos da cidade.

E agora ela estava na frente dele, cheia de coragem, sugerindo que ele a deixasse sozinha. Ele deveria fazer exatamente isso. Deveria dar as costas à ela e fingir que os dois jamais haviam se casado, devolvendo-a a Surrey ou, melhor, despachando-a para o Norte, para viver seus recentes desejos escandalosos longe dele. Ele tinha Falconwell, as ferramentas para sua vingança, e estava na hora de expulsá-la da vida dele. Mas não queria desistir dela... Queria atirá-la por cima do ombro e levá-la para a cama. Que inferno! A cama sequer era necessária.

Ele queria atirá-la nas margens nevadas do Serpentine ou no chão da sala de estar do pai dela ou nos assentos estreitos demais da carruagem dele e deixá-la nua, desprotegida para suas mãos e sua boca, e aquele desejo não havia mudado. A mesa de bilhar era forte o bastante para suportar os dois, ele tinha certeza.

"Não vou a lugar algum até me dizer por que está aqui." Ele grunhiu, sem confiar em si mesmo o bastante para se aproximar, incerto de sua capacidade de ficar perto dela sem atacá-la, sem lhe explicar, muito claramente, que aquele lugar não era para ela. Que ela não era bem-vinda ali. Que aquilo a arruinaria. Esse último pensamento o levou ao limite. "Responda, Isabella. Por que você está aqui?"

Ela o encarou com os olhos castanhos firmes.

"Eu lhe disse... Estou aqui para jogar bilhar."

"Com Carlisle."

"Bem, para ser justa, eu pensei que pudesse ser com você."

"O que a fez pensar isso?" Ele jamais a teria convidado para seu antro de jogatina.

"O convite me foi entregue pela Srta. Worth. Pensei que você o tivesse enviado."

"Por que eu lhe enviaria um convite?"

"Não sei. Talvez tivesse se dado conta de que estava errado e não quisesse admitir em voz alta?"

Carlisle deu uma risadinha de onde estava, perto da porta, e Edward pensou em matá-lo. Mas estava ocupado demais tratando da questão com sua difícil esposa.

"Pois pensou errado. Diga-me que contratou uma carruagem de aluguel novamente."

"Não", ela respondeu, "uma carruagem foi me apanhar."

Ele arregalou os olhos.

"Uma carruagem de quem?"

Ela meneou a cabeça, pensando.

"Não sei ao certo."

Ele sinceramente pensou que podia ter enlouquecido.

"Você aceitou transporte em uma carruagem estranha para a entrada dos fundos de um dos mais famosos cassinos de Londres..."

"Que pertence ao meu marido", ela disse, como se isso fizesse diferença.

"Resposta errada, querida." Ele deu um passo para trás, obrigando-se a se apoiar na mesa de bilhar. "Você veio até aqui em uma carruagem estranha."

"Eu achei que você a tivesse enviado!"

"Bem, eu não enviei!", ele rugiu.

"Bem, isso não é culpa minha!"

Os dois ficaram em silêncio, a resposta furiosa dela ecoando ao redor da pequena sala, ambos respirando forte e rápido. Ele não iria deixá-la ganhar.

"Como diabos entrou aqui?"

"Meu convite incluía uma senha", ela disse, e ele ouviu o prazer em sua voz.

Ela estava apreciando a surpresa dele.

Isabella se aproximou, e ele se sentiu atraído pela forma como sua pele cintilava à luz das velas. Ele respirou fundo, dizendo a si mesmo que era para ser algo tranquilizador, e não porque estava desesperado para sentir seu perfume suave – como o das violetas que cresciam no verão de Surrey.

"Alguém a viu entrar?"

"Ninguém além do cocheiro e do homem na porta, que pegou a senha."

As palavras não o acalmaram.

"Você não devia estar aqui."

"Eu não tinha escolha."

"É mesmo? Não tinha escolha além de deixar nossa casa quente e confortável no meio da noite e vir para o meu local de negócios – um lugar aonde eu expressamente lhe disse para nunca vir? Um lugar que não é de modo algum o tipo de lugar onde mulheres do seu tipo devem estar?"

Ela paralisou, os olhos castanhos brilhando com algo que ele não conseguiu reconhecer.

"Em primeiro lugar, não é nossa casa. É sua casa. Embora eu não consiga imaginar por que sequer a tem, levando em consideração o tempo que passa lá. No entanto, certamente não é minha casa."

"É claro que é." Do que ela estava falando? Ele praticamente havia entregado a casa a ela.

"Não. Não é. Os criados respondem a você. A correspondência chega para você. Pelo amor de Deus, você nem sequer me deixa responder aos convites sociais!" Ele abriu a boca para responder, mas descobriu que não tinha defesa. "Éramos para estar casados, mas eu não faço ideia de como aquela casa funciona ou de como você vive. Eu nem sei qual é sua sobremesa preferida!" As palavras estavam saindo mais rápidas e mais furiosas agora.

"Achei que você não quisesse um casamento baseado em sobremesa", ele disse.

"E não quero! Pelo menos, não achei que quisesse! Mas como não sei quase mais nada a seu respeito, eu me contentaria com a sobremesa!"

"Pudim de figo, querida", ele ironizou. "Você fez dele o meu preferido."

Ela estreitou os olhos para ele.

"Eu deveria atirar um pudim de figo na sua cabeça, isso sim!"

Carlisle segurou o riso, e Edward lembrou-se de que eles tinham plateia. Olhou para o sócio.

"Fora."

"Não. Ele me convidou. Deixe-o ficar."

Carlisle levantou uma sobrancelha.

"É difícil dizer não a uma dama, Cullen."

Ele ia assassinar aquele varapau. E ia gostar.

"O que está fazendo, convidando minha esposa para sair de casa no meio da noite?", perguntou, sem conseguir deixar de dar um passo ameaçador na direção do velho amigo.

"Posso lhe garantir, Cullen, estou gostando tanto de ver sua esposa lhe fazendo correr em círculos, que gostaria de ter sido eu a enviar o convite. Mas não fui."

"Como?", Isabella perguntou. "Você não mandou o convite? Se não foi você, quem foi?"

Cullen sabia a resposta.

"Jasper..."

Jasper era incapaz de se afastar das questões dos outros. Isabella se virou para ele.

"Quem é Jasper?"

Como Cullen não disse nada, Carlisle respondeu:

"Jasper fundou o Anjo Caído. Foi quem nos reuniu nesta sociedade."

Bella sacudiu a cabeça.

"Por que me convidaria para o bilhar?"

"Excelente pergunta." Edward virou-se para o sócio à porta. "Carlisle?"

O outro cruzou os braços e se encostou na porta.

"Parece que Jasper considera que a dama tem um crédito."

Cullen levantou uma das sobrancelhas, mas não falou. Isabella sacudiu a cabeça.

"Impossível. Nós nunca nos encontramos."

Edward estreitou os olhos para Carlisle, que sorriu e disse:

"Infelizmente, Jasper está sempre um passo à nossa frente. Se eu fosse você, simplesmente aceitaria o pagamento."

Isabella levantou as sobrancelhas.

"Em visitas a um cassino?"

"Parece ser a oferta."

Ela sorriu.

"Seria rude recusar."

"De fato, seria, senhora." Carlisle riu, e Edward sentiu desprezo pela familiaridade no tom que ambos trocavam.

"Ela aceitará convites de Jasper, ou de qualquer outro, para o Anjo Caído, por cima do meu cadáver", ele resmungou, e Carlisle pareceu, afinal, reconhecer que ele estava falando sério. "Saia."

Carlisle olhou para Bella.

"Estarei ali fora se precisar de mim."

As palavras deixaram Cullen ainda mais furioso.

"Ela não precisará de você."

Eu darei tudo de que ela precisa. Ele não precisou dizer isso, uma vez que Carlisle já havia saído, e Isabella estava falando.

"Suportei muitas coisas dos homens ao longo dos anos, Edward. Sofri em um noivado com um homem que não dava a mínima importância para mim e se preocupava apenas com minha reputação; um noivado rompido que ecoou através de salões de baile por duas temporadas completas, e quando meu ex-noivo se casou com o amor de sua vida e teve seu herdeiro, ninguém pareceu se importar com isso." Ela marcava os itens com os dedos ao falar, indo na direção dele. "Depois disso, vieram cinco anos de homens me cortejando porque me viam como nada além de um dote – não que evitar aqueles casamentos tenha servido de alguma coisa, já que pareço ter acabado em um casamento que não tem nada a ver comigo e tudo a ver com minha vinculação a um pedaço de terra."

"E quanto a Jacob, seu mais querido amor?"

Os olhos dela flamejaram.

"Ele não é meu amor mais querido, e você sabe disso. Ele não era nem sequer meu noivo."

Edward não conseguiu esconder a surpresa.

"Não era?"

"Não. Eu menti para você. Fingi que ele era, para você parar com seus planos malucos de me raptar para casar."

"Não funcionou."

"Não, não funcionou. E depois disso eu não estava muito animada para dizer a verdade." Ela parou e se recompôs. "Você era exatamente como todos os outros, então por que eu deveria? Pelo menos o noivado com Leighton envolveu algum aspecto da minha própria personalidade – ainda que tenha sido o aspecto tedioso e decente dela."

Edward conteve a língua enquanto ela avançava. Não havia nada tedioso ou decente naquela Isabella, parada em um cassino como se fosse a proprietária, absolutamente furiosa. Ela era vibrante e magnífica, e ele jamais iria desejar qualquer coisa no mundo da forma como a desejava naquele momento. Ela continuou.

"Como não dá a menor importância aos meus desejos, eu decidi assumir o controle de meus próprios prazeres. Enquanto receber convites para aventuras, eu os aceitarei."

Não... sem ele, não aceitaria. Foi a vez de ele avançar sobre ela, sem saber por onde começar, pressionando-a na direção da mesa de bilhar.

"Você se dá conta do que poderia lhe acontecer em um lugar como este? Você poderia ter sido atacada e deixada para morrer."

"As pessoas são raramente atacadas e deixadas para morrer em Mayfair, Edward." Ela deu uma risadinha. Uma risada de verdade, e Edward pensou em ele mesmo estrangulá-la. "A menos que eu corresse o risco de ser atacada por seu porteiro letrado, creio que este lugar é bastante seguro, francamente."

"Como pode saber? Você nem sequer sabe onde está."

"Eu sei que estou do outro lado do Anjo Caído. Foi como o homem na porta se referiu a esse lugar. Como Carlisle se referiu a ele. Como você se referiu a ele."

"Que senha você recebeu?"

"Éloa."

Ele inspirou fundo. Jasper havia lhe dado carta branca no clube. Acesso a qualquer ambiente, a qualquer evento, a qualquer aventura que ela desejasse, sem acompanhante. Sem ele.

"O que isso significa?", ela perguntou, quando percebeu a surpresa dele.

"Significa que eu vou ter uma conversa com Jasper."

"Quero dizer, o que Éloa significa?"

Ele estreitou o olhar, respondendo literalmente.

"É o nome de um anjo."

Isabella inclinou a cabeça, pensando.

"Nunca ouvi falar nele."

"Não teria como ouvir."

"Ele era um anjo caído?"

"Ela era, sim." Ele hesitou, não querendo contar a história, mas não conseguiu parar. "Lúcifer a enganou a cair do paraíso."

"A enganou como?"

Ele a encarou.

"Ela se apaixonou por ele."

Isabella arregalou os olhos.

"Ele a amava?"

Como um viciado ama seu vício.

"Da única forma como ele sabia amar."

Sacudiu a cabeça.

"Como ele pôde enganá-la?"

"Ele nunca lhe disse seu nome."

Ela parou um instante.

"Sem nomes..."

"Não deste lado, não."

"O que acontece deste lado?" Ela se encostou na mesa de bilhar, as mãos apertando as almofadas laterais.

"Nada que você precise saber."

Ela sorriu.

"Você não pode esconder isso de mim, Edward. Sou membro agora."

Ele não queria que ela fosse. Não queria que ela fosse tocada por aquele mundo. Moveu-se lentamente na direção dela, sem conseguir resistir.

"Não deveria ser."

"E se eu quiser ser?"

Ele estava perto dela agora, perto o bastante para tocá-la, para passar os dedos pela pele clara e macia de seu rosto. Quando ele levantou a mão para fazer isso, ela se afastou, virando-se de costas e passando a mão enluvada sobre o tecido verde. Não toque em mim. Suas palavras passaram sussurradas pela mente dele, e ele se segurou para não segui-la.

"Edward?" Seu nome o tirou de seu devaneio. "O que acontece aqui?"

Ele olhou em seus olhos chocolates.

"Este é o lado feminino do clube."

"Há mulheres do outro lado também."

"Não são damas. Aquelas mulheres entram com homens... ou vão embora com eles."

"Quer dizer que são amantes." Os dedos de Isabella encontraram uma bola de bilhar branca, e ela ficou girando-a para frente e para trás na mão. Edward ficou hipnotizado pela forma como a mão dela se movia, segurando e soltando, rolando e parando.

Ele queria aquela mão nele.

"Sim."

"E deste lado?"

Ela estava exatamente na frente dele agora, um metro e oitenta de ardósia e feltro entre eles.

"Deste lado, há damas."

Isabella arregalou os olhos.

"Damas de verdade?"

Ele não conseguiu evitar o tom seco na voz.

"Bem, não estou seguro do quanto elas merecem o adjetivo, mas, sim. Elas detêm os títulos, na maior parte."

"Quantas são?" Ela estava fascinada. Ele não podia culpá-la. A ideia de que qualquer número de mulheres aristocratas tivesse acesso ao vício e ao pecado em qualquer instante era, de fato, escandalosa.

"Não muitas. Cem?"

"Cem!?" Ela espalmou as mãos sobre a mesa e se inclinou para frente, e os olhos dele foram atraídos pela protuberância dos seios subindo e descendo rapidamente sob a costura do vestido. O tecido estava ajustado com uma longa fita branca, as pontas de seda implorando para serem desatadas. "Como isso se mantém em segredo?"

Ele sorriu.

"Eu já lhe disse, querida, nós negociamos com segredos."

Ela sacudiu a cabeça com o rosto cheio de admiração.

"Incrível! E elas vêm aqui para jogar?"

"Entre outras coisas..."

"Que coisas?"

"Tudo o que homens fazem. Elas jogam, assistem a lutas, bebem com extravagância, comem com extravagância..."

"Elas se encontram com amantes aqui?"

Ele não gostou da pergunta, mas sabia que deveria responder. Talvez isso a assustasse.

"Às vezes."

"Que excitante!"

"Não tenha ideias."

"Sobre ter um amante?"

"Sobre qualquer coisa. Você não deve fazer uso do Anjo Caído, Isabella. Não é para mulheres com você." E certamente não com um amante. A ideia de outro homem tocando nela fez Edward querer bater em alguém.

Ela o observou em silêncio durante um longo tempo antes de se mexer, dando a volta na mesa, em direção a ele.

"Você fica dizendo isso... Mulheres como eu. O que isso quer dizer?"

Havia tantas maneiras de responder à pergunta – mulheres que eram inocentes. Mulheres que tinham comportamentos perfeitos, com passados perfeitos e criações perfeitas, e vidas perfeitas. Mulheres que eram perfeitas.

"Eu não a quero tocada por esta vida."

"Por que não? É a sua vida também."

"Isso é diferente. Esta vida não é para você."

Não é boa o bastante para você.

Ela parou no canto da mesa, e ele viu a mágoa em seus olhos. Sabia que ela estava incomodada com as palavras dele. Sabia também que era melhor para os dois que ela continuasse magoada e se mantivesse longe daquele lugar.

"O que há de tão errado comigo, Edward?", ela sussurrou.

Ele arregalou os olhos. Se ele tivesse tido um ano para pensar no que ela poderia dizer naquela situação, jamais teria lhe ocorrido a ideia de que ela considerasse que sua proibição de ela ir ao Anjo Caído fosse por haver algo de errado com ela. Deus, não havia nada de errado com ela. Ela era perfeita. Perfeita demais para aquilo. Perfeita demais para ele.

"Isabella." Ele deu um passo na direção dela, então parou, querendo dizer a coisa certa. Com mulheres de toda a Grã-Bretanha ele sabia o que dizer, mas jamais parecia saber o que dizer para ela.

Ela soltou a bola de bilhar, deixando-a rolar sobre a mesa, para mandar outra em uma nova direção. Quando a bola parou, Bella olhou para ele, os olhos brilhando à luz das velas.

"E se eu não fosse Isabella, Edward? E se as regras estivessem valendo aqui? E se realmente não houvesse nomes?"

"Se realmente não houvesse nomes, você estaria correndo sério perigo."

"Que tipo de perigo?"

O tipo de perigo que termina com outro anjo caído.

"Isso é irrelevante. Há nomes. Você é minha esposa."

O sorriso dela se abriu em um sorriso amargo.

"Não é irônico que, do outro lado daquela porta, cem esposas dos homens mais poderosos na Inglaterra estejam conseguindo o que desejam, com quem quer que desejem, e aqui eu não consigo nem sequer convencer meu marido a me mostrar o que poderia ser? Meu marido, que é dono do clube. Que o adora. Por que não dividi-lo comigo?" As palavras eram suaves e tentadoras, e não havia nada que Edward desejasse mais do que mostrar a ela cada centímetro de sua vida decadente.

Mas pela primeira vez na vida, ele iria fazer a coisa certa. Então, ele disse:

"Porque você merece coisa melhor." Ela arregalou os olhos quando ele a seguiu pela sala, afastando-a da mesa. "Você merece coisa melhor do que uma sala de bilhar em um cassino, do que apostar na roleta com um punhado de homens que acha que você é, na melhor das hipóteses, a amante de alguém e, na pior, algo muito menos lisonjeiro. Você merece coisa melhor do que um lugar em que a qualquer momento pode começar uma briga, uma fortuna pode ser apostada, ou uma inocência pode ser perdida. Você merece ser mantida longe desta vida de pecado e vícios, onde o prazer e a devastação são vermelho e preto, dentro e fora. Você merece coisa melhor", ele repetiu. "Melhor do que eu."

Ele continuou se aproximando, vendo os olhos dela se arregalarem, o castanho escurecer de medo ou de nervosismo ou algo mais, mas não conseguiu se conter.

"Não houve uma única coisa valiosa na minha vida que eu não tenha arruinado ao tocar, Isabella. E eu me amaldiçoarei se permitir que aconteça o mesmo que você."

Sacudiu a cabeça.

"Você não vai me arruinar. Você não faria isso."

Ele levou a mão ao rosto dela, deslizando o polegar pela pele incrivelmente macia, sabendo que ao fazer aquilo estava tornando mais difícil ainda deixá-la ir. Ele sacudiu a cabeça.

"Não percebe, Seis Cents? Eu já fiz isso. Eu já trouxe você aqui, já a expus a este mundo."

Ela negou com a cabeça.

"Não! Eu vim até aqui sozinha. Eu fiz esta escolha."

"Mas não teria vindo se não fosse por mim. E a pior parte é que..."

Ele parou, sem querer dizer mais alguma coisa, mas ela levantou a mão e cobriu a dele, segurando-a em seu rosto.

"O que é, Edward? O que é a pior parte?"

Ele fechou os olhos ao toque, à forma como ela o fazia arder. Não era para ser desse jeito. Ela não deveria afetá-lo dessa maneira. Ele não deveria desejá-la tanto. Ele não deveria se sentir tão atraído por aquela mulher aventureira e excitante, que havia se transformado a partir da mulher com quem ele havia se casado. E no entanto, era como se sentia. Ele pressionou a testa na dela, ansiando por beijá-la, por tocá-la, por atirá-la no chão e fazer amor com ela.

"A pior parte é que, se eu não mandá-la de volta, vou querer mantê-la aqui."

Os olhos dela eram tão castanhos, tão encantadores, emoldurados por cílios espessos e negros, e ele podia ver desejo dentro deles. Ela o queria. A mão dela passou para o peito dele, parando ali por um longo momento, antes de deslizar até sua nuca, os dedos se enroscando nos cabelos dele com um toque lindo e insuportável. O tempo ficou mais lento enquanto ele saboreava a sensação dela contra ele, do calor dela nos seus braços, no perfume dela prendendo seus pensamentos, a noção de que ela era macia e perfeita e dele naquele momento.

"E você irá me odiar por isso." Ele fechou os olhos e sussurrou: "Você merece coisa melhor".

Muito melhor do que eu.

"Edward", ela disse baixinho, "não há ninguém melhor. Não para mim."

As palavras o invadiram, e ela inclinou a cabeça, levantou-se na ponta dos pés e deu um beijo nos lábios dele. Foi o beijo mais perfeito que ele jamais recebeu, os lábios dela firmes nos dele, suaves, doces e absolutamente fascinantes. Ele a desejou por dias, e ela o reivindicou para si com a carícia, pegando o lábio inferior dele com os seus e acariciando, uma, duas vezes, até ele se abrir para ela, e ela roubou seu fôlego com a hesitante exploração da língua – um deslizar sedoso contra a dele. Ele a tomou em seus braços, puxando-a para bem perto, adorando a sensação dela, macia onde ele era duro, seda onde ele era aço. Quando ela finalmente recuou do beijo, seus lábios estavam inchados e rosados, e Edward não conseguiu desviar o olhar deles, abrindo-se docemente antes de se movimentarem ao redor das palavras.

"Eu não quero aprender sobre bilhar esta noite, Edward."

O olhar dele passou dos lábios para os olhos dela.

"Não?"

Ela sacudiu a cabeça devagar, o movimento funcionando como uma promessa pecaminosa.

"Prefiro muito mais aprender sobre você."

Ela o beijou novamente, e ele não lhe pôde resistir. Não havia um homem no mundo que poderia. As mãos dele estavam sobre ela, puxando-a para muito perto de si. Ele estava perdido... Sua esposa estava diante dele como a encarnação da tentação, pedindo para ele fazer amor com ela – arriscando sua reputação e tudo pelo que ele vinha trabalhando para manter. E ele descobriu que não se importava. Ele esticou a mão para trás dela, puxando uma alavanca escondida e abrindo a parede para revelar uma escada que subia para uma intensa escuridão. Esticou a mão para ela, com a palma virada para cima, permitindo que ela tomasse a decisão de subir com ele. Não queria jamais que ela pensasse que a havia forçado naquele momento a ter aquela experiência. Na verdade, a impressão que tinha era justamente o contrário, como se aquela aventureira corajosa o estivesse chamando.

E quando ela pôs a mão sobre a dele sem hesitação, sem remorso, ele foi dominado por um desejo rápido e quase insuportável. Ele a puxou para ele, beijando-a intensamente antes de levá-la para a escadaria escura, fechando a porta atrás deles, mergulhando-os na escuridão.

"Edward?"

Ela sussurrou o nome dele, e o som, suave e melodioso, foi como um canto de sereia. Ele se virou para ela, apertando sua mão, puxando-a para o primeiro degrau com ele, sentindo sua cintura, adorando a sensação do corpo dela sob suas mãos, os quadris arredondados, o volume suave da sua pelve. A respiração de Isabella falhou quando Edward a levantou até o degrau logo acima dele. Os lábios dos dois estavam na mesma altura, e ele lhe roubou um beijo, acariciando-a profundamente, adorando seu sabor, uma droga da qual ele jamais teria o suficiente. Ele se afastou, apenas um pouco, e ela suspirou, o som de seu prazer fazendo-o desejá-la mais do que ele jamais imaginou possível. Ele tomou sua boca novamente, e as mãos dela foram para os cabelos dele, enroscando-se nos fios, puxando-os, fazendo-o desejar que os dois estivessem nus, e ela estivesse guiando sua boca para onde mais a desejava. Ele grunhiu diante da fantasia e se afastou, segurando a mão dela e dizendo:

"Não aqui. Não no escuro. Eu quero ver você."

Ela o beijou, pressionando os seios no peito dele, deixando-o sem fôlego, deixando-o desesperado por ela, por sua pele, por seu toque, pelos gritinhos que o deixavam mais duro do que pedra. Quando ela o soltou da carícia intoxicante, ele descobriu que havia perdido a paciência. Ele a queria naquele instante, imediatamente, sem hesitação.

Então, levantou-a em seus braços e a carregou escada acima, para a luxúria, para o prazer.


Dear God. Estou viva, e finalmente DESCANSADA! Voltei de férias renovada, dormi bastante e fiquei o tempo todo com os pequerruchos, então agora sim, acho que volto a engrenar. INDEPENDENTE DE QUALQUER COISA, a fic será terminada. É uma promessa.

Alguém me perguntou se ele algum dia teria acesso às cartas... Mas eu juro que não lembro hahahaha. Já faz um bom tempo que li o livro e adaptei, então essa pausa está sendo uma releitura. Eu acredito que não, pois no começo as cartas chegavam, mas após a ruína de Cullen aos 21 anos, com o tempo nem o pai da Bella enviava as cartas. Agora, o "carta não enviada" boa parte foi Charlie quem se recusou a postar e mais perto do fim, a própria Bella escrevia e não mandava, ou então as destruía depois.