Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.


CAPÍTULO VINTE E UM

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"Você escolheu a vingança."

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Caro E,
...
Não. Quer saber? Basta disso.

Sem assinatura
Solar Swan, janeiro de 1830

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Carta destruída.

..::..::..::..

Cullen havia imaginado aquele momento centenas de vezes – milhares delas.

Havia repassado a cena mentalmente, entrado em uma sala de carteado privada onde Billy Black estivesse sentado, sozinho e no limite, diminuído pelo mero tamanho e o poder do Anjo Caído, o reino onde Edward reinava. Nem uma vez, em todo aquele tempo, ele havia imaginado que sentiria qualquer coisa além de triunfo no momento em que nove anos acumulados de raiva e frustração finalmente chegavam ao fim. Mas não foi triunfo que Edward sentiu ao abrir a porta da luxuosa suíte privada instalada longe do salão principal do clube e encontrou o olhar sem emoção do antigo inimigo.

Foi frustração. E raiva... Porque mesmo naquele momento, nove anos mais tarde, aquele homem ainda estava extorquindo Edward. Essa noite, ele havia lhe roubado seu futuro com sua esposa e aquilo não podia continuar. Na sua memória, Black sempre havia sido grande – pele bronzeada, dentes brancos, punhos largos –, o tipo de homem que pegava o que queria sem hesitar. O tipo de homem que arruinava vidas sem olhar para trás. E quase uma década depois, Billy Black não havia mudado. Estava tão forte e saudável como sempre, com um pouco mais de cabelos grisalhos, mas o mesmo pescoço e os mesmos ombros largos. Os anos haviam sido bons com ele.

O olhar de Edward desviou para o lugar onde a mão esquerda de Billy estava espalmada sobre o veludo verde da mesa. Ele lembrou do maneirismo, a forma como aquela mão cerrava em punho e batia na madeira para exigir mais cartas ou comemorar uma vitória. Quando Edward era um jovem, apenas aprendendo os segredos das mesas, ele assistia àquilo e invejava seu controle absoluto. Sentou-se na cadeira diretamente na frente de Black e aguardou em silêncio. Os dedos de Billy se remexeram contra o tecido verde.

"Protesto por ter sido trazido aqui à força no meio da noite por seus capangas."

"Não achei que fosse atender a um convite."

"E tinha razão." Como Edward não respondeu, Black suspirou. "Suponho que tenha me chamado aqui para se vangloriar sobre Falconwell?"

"Entre outras coisas." Edward enfiou a mão no bolso do casaco, tirou de lá a prova do nascimento de Jacob, passando os dedos pelo papel.

"Confesso que fiquei surpreso por ter se prestado a casar-se com a garota Swan, mesmo por Falconwell. Ela não é exatamente um prêmio." Fez uma pausa. "Mas as terras eram o objetivo, não? Parabéns! Os fins justificam os meios, imagino."

Edward cerrou os dentes diante da frase, tão parecida com a forma como ele próprio tinha descrito seu casamento no começo daquela jornada. Detestou o eco, e a lembrança de que ele era tão estúpido como Black. Não faça isso. As palavras de Isabella ecoaram através dele numa súplica, e ele paralisou, sentindo as bordas envelhecidas do papel em seu polegar. Você é muito mais do que pensa. Edward revirou o quadrado de papel na mão, pensando nas palavras, nos olhos chocolates da esposa pedindo que ele fosse mais. Melhor. Digno. Eu amo você. A última arma de Bella contra sua vingança. A curiosidade deixou Billy impaciente.

"Vamos lá, garoto. O que é?"

E com aquelas palavras curtas e grossas, Edward voltou a ter 21 anos de idade, encarando aquele homem, querendo destruí-lo. Só que, desta vez, ele tinha poder para fazer isso. Com um movimento do pulso, fez a carta voar até o outro lado da mesa, com uma mira perfeita. Black a apanhou, abriu, leu e não ergueu o olhar.

"Onde conseguiu isso?"

"Você pode ter as minhas terras, mas não tem o meu poder."

"Isso vai acabar comigo."

"É o meu maior desejo." Edward esperou pelo momento da vitória. Que a surpresa e o lamento atravessassem o rosto do outro antes que ele levantasse os olhos do papel e reconhecesse a derrota. Mas quando Billy Black encarou Edward por cima do documento amarelado, não era derrota que brilhava em seus olhos.

Era admiração.

"Há quanto tempo você vem esperando por este momento?"

Edward estreitou o olhar, obrigando-se a se recostar na cadeira, ocultando a própria surpresa.

"Desde que você tirou tudo de mim."

"Desde que você perdeu tudo para mim", Black corrigiu.

"Eu era uma criança, com apenas um punhado de jogos na minha história", Edward disse, com a raiva aumentando. "Mas eu não sou mais aquele. Hoje eu sei que você forçou o jogo. Que me deixou ganhar até estar tudo lá, naquela aposta imensa."

"Você acha que eu trapaceei?"

O olhar de Edward não se modificou.

"Eu sei disso."

Uma sombra de um sorriso – suficiente para provar que Edward tinha razão – atravessou os lábios de Black antes dele devolver a atenção ao maldito papel.

"Então agora você sabe a verdade. O menino era bastardo do meu irmão com a filha de um fazendeiro local. A mulher com quem me casei era inútil – um dote grande o bastante, mas incapaz de produzir um filho. Paguei à garota e assumi o filho como meu. Melhor um herdeiro falso do que herdeiro algum."

Jacob sempre havia sido diferente daquele homem, jamais tão frio e calculista. Agora tudo fazia sentido, e Edward descobriu que em algum lugar, bem no fundo, enterrado onde ele não pensava que houvesse emoção a ser encontrada, sentiu compaixão pelo menino que um dia foi seu amigo – o menino que tentou tanto ser um filho para seu pai. O visconde continuou.

"Havia apenas poucas pessoas próximas o bastante para saber que minha esposa jamais pariu." Ele levantou o papel, um pequeno sorriso nos lábios. "Vejo agora que nem elas deveriam ter recebido minha confiança."

"Talvez elas tenham decidido que você que não era confiável."

Billy ergueu uma das sobrancelhas.

"Continua me culpando?"

"Você continua merecendo."

"Por favor", Black zombou. "Olhe ao seu redor. Você construiu este lugar, reconstruiu a sua vida, a sua fortuna. O que faria se fosse obrigado a passar tudo adiante? A entregar tudo a alguém que jamais teve uma participação em seu crescimento? Em seu sucesso? Está me dizendo que não faria exatamente a mesma coisa que eu fiz?" O velho largou o papel em cima da mesa. "Seria uma mentira. Você é tão confiável quanto eu, e aí está a prova."

Black recostou-se na cadeira.

"É uma pena que eu tenha ficado com Jacob e não com você. Você teria sido um ótimo filho para mim, tendo aprendido tão bem as lições que lhe ensinei."

Edward resistiu ao impulso de ficar horrorizado com o que ele dizia, com a insinuação de que ele e Black eram parecidos, ainda que reconhecesse a verdade. E a desprezasse. Desviou o olhar para o documento em cima da mesa. Aquilo pesava tudo e nada sobre ele ao mesmo tempo. Havia um rugido em seus ouvidos ao registrar a importância do que havia feito. Do que estava fazendo...

Inconsciente dos pensamentos de Edward, Billy disse:

"Vamos fazer negócio. Ainda tenho o resto – tudo o que seu pai lhe deixou. Todo o seu passado. Acha que eu não esperava que fosse fazer algo assim?" Enfiou a mão no bolso do casaco e retirou um maço de papéis. "Somos feitos do mesmo material, você e eu." Ele depositou a pilha de papéis sobre a mesa. "Vingt-et-un ainda é seu jogo? Meu legado contra o seu."

E quando Edward viu tudo ali, esparramado sobre o tecido verde com clareza calculada, foi tomado pela compreensão. Ele havia repassado aquela noite fatídica centenas de vezes – milhares –, vendo as cartas virarem e deslizarem sobre o tecido até seus lugares, contando dez, catorze e os vinte e dois que marcaram o fim de sua herança e sua juventude. E ele sempre pensou que aquele momento marcava o fim de tudo de bom que havia nele. Mas não.

Esse seria. Pensou em Isabella em seus braços, os lábios macios contra os dele, a respiração suspensa ao implorar para que ele não fosse até ali, para não fazer aquilo. A forma como ela o encarou direto nos olhos e lhe pediu para não abrir mão de sua última chance de ser bom – o último vestígio de sua decência. Para não deixar a vingança vencer o amor.

Ele pegou a pilha de escrituras em cima da mesa, folheando-as, espalhando-as sobre o feltro: Gales, Escócia, Newcastle, Devon – uma coleção de casas acumuladas pelas gerações de marqueses –, um dia tão vitalmente importantes para ele... agora apenas um amontoado de tijolo e argamassa. Apenas o passado. Não o futuro. Não havia nada sem Isabella. O que ele havia feito? Bom Deus. Ele a amava. A percepção o atingiu como um golpe, absolutamente fora de controle, e mais poderosa do que qualquer outra coisa. E ele se odiou por não ter tido a chance de dizer a ela.

E de repente, como se ele a houvesse chamado, ela estava ali, com sua voz aumentando do lado de fora da porta.

"Pode tentar me impedir com o seu silêncio e a sua... enormidade... mas, não se engane, eu entrarei nesta sala!"

Edward se levantou e viu a porta da sala escancarar, revelando um Bruno confuso e, logo atrás dele, uma Isabella furiosa. O guarda ergueu as mãos em uma expressão impotente que Edward teria achado divertida, se estivessem em outro momento e local. Bruno não parecia compreender o que fazer com aquela mulher pequena e estranha que tinha a força de dez ou vinte homens. Ela passou por ele e entrou na sala, queixo erguido, ombros eretos, raiva, frustração e determinação no rosto encantador. Ele jamais a desejou tanto na vida. Mas ele não a queria em nenhum lugar perto de William Black. Aproximou-se dela, puxando-a de lado, e dizendo baixinho:

"Você não deveria estar aqui".

"Nem você."

Edward virou-se para Carlisle, que tinha aparecido na porta ao lado de Bruno.

"Você devia tê-la levado para casa."

Carlisle levantou o ombro num gesto frouxo.

"A dama é deveras... incontrolável."

Bella lançou um sorriso para o homem alto.

"Obrigada. Esta pode muito bem ter sido a melhor coisa que alguém já disse a meu respeito."

Edward teve a nítida impressão que toda aquela noite estava prestes a sair do controle. Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, Bella passou por ele, adentrando mais na sala.

"Lorde Black", ela disse, baixando os olhos para o homem.

"Isabella", ele respondeu, sem conseguir esconder a surpresa no olhar.

"Lady Cullen para você", ela corrigiu, fria e enfaticamente, e Edward tinha certeza de que ela jamais tinha estado mais linda. "Pensando bem, sempre foi lady para você. E nunca se referiu a mim dessa forma."

O outro estreitou os olhos de irritação, e Edward teve uma vontade imensa de acertar o rosto do visconde com um murro por aquele olhar. Não foi necessário. Sua esposa era mais do que capaz de cuidar de si mesma.

"Vejo que não gosta disso. Bem, deixe-me dizer do que eu não gosto. Eu não gosto de insolência. E não gosto de crueldade. E definitivamente não gosto de você. Está na hora de nós dois acertarmos as contas, Black, porque, embora possa ter roubado as terras, os fundos e a reputação do meu marido e possa ter sido um pai verdadeiramente terrível para meu amigo, eu absolutamente me recuso a permitir que tire mais alguma coisa de mim, seu velho desprezível."

Edward ergueu as sobrancelhas diante daquilo. Sabia que deveria interrompê-la, porém, sabia que não queria fazê-lo.

"Eu não preciso ouvir isso." Billy ficou vermelho, levantou-se subitamente da cadeira, com descrença furiosa e olhou para Edward. "Controle sua mulher antes que eu seja obrigado a fazê-lo por você."

Edward avançou, dominado pela fúria por conta da ameaça. Isabella virou o rosto para ele antes que pudesse chegar ao visconde, forte como o aço.

"Não. Esta batalha não é sua."

Ele ficou paralisado com as palavras, embora não devesse ficar surpreso. Sua esposa o mantinha em um estado de perpétua mudez. De que diabos ela estava falando? Aquela era absolutamente uma batalha dele. Ainda que ele não estivesse esperando por aquele momento durante quase uma década, Black havia acabado de ameaçar a única coisa que lhe era preciosa. Edward paralisou com esse pensamento. A única coisa que lhe era preciosa. Era verdade. Havia Isabella, e depois todo o resto. Todas as terras, todo o dinheiro, o Anjo Caído, a vingança... nada daquilo valia sequer uma fração daquela mulher.

Aquela mulher maravilhosa que havia virado as costas para ele uma vez mais, estava encarando o inimigo dele e acenando uma mão para porta, onde Bruno e agora Carlisle estavam parados, parecendo muito sérios e muito assustadores.

"Gostaria de tentar fugir antes de eu terminar?"

Edward não pôde evitar. Ele sorriu. Ela era uma rainha guerreira. Sua rainha guerreira.

"Você teve uma vida muito livre de consequências, Black, e, embora eu lhe assegure que adoraria vê-lo perder tudo o que lhe importa em uma só tacada, temo que isso cobraria um preço muito alto daqueles a quem amo."

Ela olhou para a mesa, vendo os papéis ali expostos, compreendendo imediatamente a situação.

"É para ser uma aposta, então? O vencedor fica com tudo?" Ela olhou para Edward, os olhos arregalados de emoção por uma fração de segundo antes de desviar o olhar que ele reconheceu mesmo assim – decepção. "Você ia apostar?"

Ele queria dizer a verdade a ela, que tinha decidido antes dela entrar que não valia a pena... que nada daquilo valia arriscar a felicidade dela. O futuro deles.

Mas Isabella já havia se virado para a porta.

"Carlisle?"

Ele se endireitou.

"Senhora?"

"Traga um baralho."

Carlisle olhou para Cullen.

"Eu não acho que..."

Cullen assentiu uma vez com a cabeça.

"A dama deseja um baralho."

Carlisle não ia a lugar algum sem suas cartas, então atravessou a sala e entregou o baralho a Isabella. Ela sacudiu a cabeça.

"Eu pretendo jogar. Precisamos de um crupiê."

Edward voltou o olhar para ela quando Black zombou:

"Eu não vou jogar cartas com uma mulher."

Ela assumiu o lugar em um lado da mesa.

"Eu normalmente não jogo cartas com homens que roubam heranças de garotos, mas esta noite parece ser uma noite de exceções."

Carlisle olhou para Edward.

"Ela é incrível."

Edward foi dominado pela possessividade quando sentou na cadeira mantendo os olhos fixos na esposa.

"Ela é minha."

Billy inclinou-se na direção de Isabella, o olhar furioso.

"Eu não jogo cartas com mulheres e certamente não jogo com mulheres que não tenham nada que eu queira."

Bella tirou de dentro do corpete um papel seu, que pôs em cima da mesa.

"Pelo contrário, tenho algo que você quer desesperadamente." Edward inclinou-se para frente para ver melhor o papel, mas Isabella o cobriu com a mão. Quando ele levantou a cabeça, o olhar castanho e frio de sua esposa estava sobre o visconde. "Jake não é seu único segredo, não é?"

Black estreitou os olhos, furioso.

"O que você tem? Onde conseguiu?"

Isabella levantou uma sobrancelha.

"Parece que jogará cartas com uma mulher, afinal."

"Qualquer coisa que tiver, destruirá Jacob igualmente."

"Acho que ele ficará bem se tiver permissão para ir embora. Mas, eu lhe garanto, você não." Ela fez uma pausa. "E acho que sabe por quê."

Black franziu a testa, e Edward reconheceu a frustração e a raiva no rosto do outro homem, ao se virar para Carlisle.

"Dê as cartas."

Carlisle olhou para Edward, a pergunta em seu olhar tão clara como se ele tivesse falado em voz alta. Edward não apostava havia nove anos. Durante todo aquele tempo, não tinha jogado uma única rodada de cartas, como se estivesse esperando por aquele momento, quando apostaria contra Billy Black novamente... e, dessa vez, venceria. Mas ao ver a esposa, orgulhosa e gloriosa, enfrentar o homem que ele passou tanto tempo da vida odiando, ele se deu conta de que aquele desejo maldito que o tinha importunado durante toda a última década sempre que pensava em Black e nas terras que ele lhe havia roubado havia desaparecido, junto com seu desejo de vingança. Aqueles desejos eram seu passado. Isabella era seu futuro. Se ele a merecesse.

"A dama joga por mim."

Ele tirou a prova da ilegitimidade de Jacob de onde estava na frente dele e a pôs sobre a mesa diante dela, que voltou a atenção para ele, os olhos castanhos claros, cheios de surpresa ao registrar o significado do movimento. Ele não arruinaria Jacob. Algo atravessou sua expressão... uma mistura de felicidade, orgulho e mais alguma coisa, e Edward decidiu naquele instante trazê-la de volta muitas e muitas vezes, todos os dias. A expressão desapareceu em um instante, substituída por... súbita apreensão.

"Tem o que queria, amor. É seu." Ele levantou uma sobrancelha. "Mas eu não pararia se fosse você. Está numa onda de sorte."

Ela olhou para a aposta de Black – o passado de Edward –, e ele quis beijá-la profundamente pela emoção que demonstrou... nervosismo e desejo... desejo de vencer. Por ele. Acenou com a cabeça para Carlisle, que deu início aos trabalhos, embaralhando as cartas com movimentos rápidos e hábeis.

"Uma mão de vingt-et-un. O vencedor fica com tudo."

Carlisle deu as cartas, uma para baixo, uma para cima, e ocorreu a Edward que o jogo não era para damas. Embora as regras fossem enganosamente simples, Bella provavelmente jamais o havia jogado, e sem um golpe de sorte muito bom, ela se veria destruída por um jogador veterano como Black.

Enquanto Edward pensava nessa possibilidade – de que depois de todos aqueles anos ele teria chegado tão perto de destruir Black e recuperar as terras do marquesado, e fracassado –, percebeu que, por tempo demais, tinha considerado essas coisas como marcos de sua redenção. Agora, no entanto, conhecia a verdade. Isabella era sua redenção. Diante dela, virado para cima, estava o quatro de paus. Ele a observou levantar o canto da outra carta, em busca de qualquer indicação do que ela poderia ter na mão. Imaginou que não era nada impressionante. Virou-se para Black, encarando um dez de copas, a mão esquerda espalmada sobre a mesa, como sempre. Carlisle olhou para Black, que bateu com a palma da mão na mesa uma vez.

"Segure." Uma boa mão.

Billy provavelmente chegava à mesa conclusão de Edward – que Bella era uma novata e, como todas as novatas, pediria cartas demais. Carlisle olhou para Isabella.

"Senhora?"

Ela mordiscou o lábio inferior, chamando a atenção de Edward.

"Pode me dar outra, por favor?"

Um lado da boca de Edward levantou em um sinal de sorriso. Tão educada, mesmo apostando mais de um milhão de libras em imóveis em um dos mais exclusivos cassinos de Londres. Carlisle deu mais uma carta: o três de copas. Sete.

Edward desejou que ela segurasse, sabendo que a próxima carta a levaria acima de vinte e um. Era o erro mais comum, apostar em um par de cartas baixas.

"Outra, por favor."

Carlisle hesitou, sabendo das chances e não gostando delas.

"A moça pediu outra carta", Black disse, todo convencido, sabendo que estava prestes a vencer, e Edward jurou que, embora o outro pudesse deixar o clube sem perder nada, sairia de lá tendo sentido toda a força de seu punho.

O seis de copas ganhou o lugar ao lado das outras cartas. Treze. Isabella mordeu o lábio e conferiu a carta virada para baixo novamente – prova de que era novata no jogo. Se tivesse vinte e um, não teria olhado. Encarou Carlisle, e, com os olhos preocupados, encarou Edward. Ele seria capaz de apostar toda sua fortuna que ela havia passado dos vinte e um pontos.

"Só isso?"

"A menos que queira outra."

Ela sacudiu a cabeça.

"Não."

"A garota passou. Um cego veria isso." Black revelou sua segunda carta com um sorriso: uma dama. Vinte.

O visconde era o homem de maior sorte em Londres naquela noite. E Edward não se importava. Simplesmente queria que aquela noite acabasse, para poder levar sua esposa para casa e dizer a ela que a amava. Finalmente.

"De fato, passei de vinte", Isabella disse, revelando sua carta final.

Edward inclinou-se para frente, certo de estar enganado. O oito de ouros. Aquele que o arruinou uma década antes.

Carlisle não conseguiu conter a surpresa na voz.

"A dama tem vinte e um."

"Impossível!" Billy inclinou-se para frente. "Impossível!"

Edward não conseguiu se conter. Deu risada, chamando a atenção dela com o som.

"Minha esposa magnífica", ele disse, a voz cheia de orgulho, sacudindo a cabeça, sem acreditar.

Houve um movimento atrás dela, e a briga começou.

"Sua cadela trapaceira!" As mãos pesadas de Black estavam nos ombros dela, arrancando-a da cadeira com raiva furiosa. Bella gritou e tropeçou antes dele levantá-la do chão e sacudi-la violentamente. "Acha que isto é uma brincadeira? Sua cadela trapaceira!"

Não passou mais do que um ou dois segundos para Edward alcançá-la, mas pareceu uma eternidade o tempo que ele levou para arrancá-la dos braços de Black e passá-la para Carlisle, que já estava a postos, esperando para mantê-la a salvo. E então Edward foi para cima de Black com fúria visceral.

"Eu não preciso acabar com você, afinal", ele rosnou. "Irei matá-lo." E então estava com as lapelas do outro nas mãos, girando-o na direção da parede, jogando-o contra ela com toda a força, querendo puni-lo ininterruptamente por ousar tocar em Isabella.

Por ousar machucá-la. Queria aquele homem morto. Naquele momento.

"Acha que eu ainda sou um garoto?", ele perguntou, puxando Billy para longe da parede e atirando-o novamente contra ela. "Acha que pode vir ao meu clube e ameaçar minha esposa sem repercussões? Acha que eu deixaria você tocar nela? Você não é digno de respirar o mesmo ar que ela."

"Edward!", ela gritou do outro lado da sala, onde Carlisle a impedia de entrar na confusão. "Pare com isso!" Ele se virou para ela, viu as lágrimas escorrendo em seu rosto e paralisou, dividido entre machucar Billy e confortá-la. "Ele não vale a pena, Edward."

"Você se casou com ela pela terra", Black disse, recuperando o fôlego. "Pode ter enganado o resto de Londres, mas não a mim. Eu sei que Falconwell importa mais a você do que qualquer coisa no mundo. Ela era um meio para um fim. Acha que não vejo isso?"

Um meio para um fim. O eco das palavras – tão frequentemente repetidas no começo do casamento dos dois – foi um golpe, em parte por serem verdadeiras, mas principalmente por agora serem tão falsas.

"Seu miserável. Acha que me conhece?" Atirou Billy contra a parede novamente, a força da emoção o deixando furioso. "Eu a amo. Ela é a única coisa que importa. E você ousou tocar nela!"

Black abriu a boca para falar, mas Edward o interrompeu.

"Você não merece misericórdia. Foi uma desgraça como pai, como guardião e como homem. Por causa da generosidade da dama, você me deve o fato de que ainda pode caminhar. Mas se chegar a um quilômetro dela novamente, ou se eu ouvir um sussurro seu contra ela, terei prazer em arrancar cada membro seu. Fui claro?"

Black engoliu em seco e assentiu rapidamente com a cabeça.

"Sim."

"Duvida que eu faria isso?"

"Não."

Empurrou o visconde na direção de Bruno.

"Livre-se dele. E mande buscar Jacob Black." Edward atravessou a sala, certo de que suas ordens seriam cumpridas, e abraçou Bella com força.

Ela deitou o rosto na curva de seu pescoço.

"O que foi que você disse?", ela sussurrou para a pele dele, a voz tremendo enquanto as mãos dele a seguravam contra si. Levantou a cabeça, os olhos castanhos brilhando com as lágrimas, e repetiu: "O que foi que você disse?".

Não foi da forma como ele havia planejado lhe dizer, mas nada em seu casamento acontecia de modo tradicional, e ele pensou que aquele momento não tinha por que ser diferente de todo o resto. Então ali, parado no meio de uma sala de jogos de cartas de um cassino, ele encarou a esposa nos olhos e disse:

"Eu amo você."

Ela sacudiu a cabeça.

"Mas você escolheu a ele. Você escolheu a vingança."

"Não", ele disse, apoiando-se na mesa, puxando-a para o meio de suas coxas, segurando as mãos dela nas dele. "Não. Eu escolho você. Eu escolho o amor que sinto por você, Bella."

Isabella inclinou a cabeça, olhando no fundo dos olhos dele.

"Isso é verdade?"

E, de repente, a verdade importava mais do que ele jamais poderia ter imaginado.

"Meu Deus, sim. Sim, é verdade." Ele segurou o rosto dela nas mãos. "Eu escolho você, Isabella. Eu escolho o amor em vez da vingança. Escolho o futuro em vez do passado. Escolho a sua felicidade em vez de todo o resto."

Ela ficou em silêncio por um longo tempo. Tempo suficiente para deixá-lo preocupado.

"Bells?", ele perguntou, subitamente apavorado. "Você acredita em mim?"

"Eu...", ela começou, então parou, e ele soube o que ela estava prestes a dizer. Desejou que pudesse impedir. "Eu não sei."


Quando ele enfim se declara, ela duvida :(

Obrigada a quem me apoiou e compreendeu a bagunça da minha vida com um filho com necessidades especiais. Posso garantir que, mesmo que atrase um pouco, não vou deixar de concluir nenhuma e estou buscando novas adaptações com certeza! Obrigada mesmo, inclusive Vitoria Aguiar e Xlia Cullen, beijos!