Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
CAPÍTULO VINTE E DOIS
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"Tem um instante para dizer adeus a um velho amigo?"
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Isabella não dormiu naquela noite. Nem sequer tentou. Assim, quando Jacob a procurou na manhã seguinte, não importava que fosse cedo demais para receber visitas. Ele estava parado diante da lareira, de sobretudo, chapéu e bengala na mão, quando ela entrou na antessala. Ele se virou, viu os olhos vermelhos da amiga e disse, cheio de cuidado:
"Deus meu. Sua aparência está tão horrível como a dele."
Foi tudo o que precisou. Ela explodiu no choro. Jacob foi em sua direção.
"Ah, Bells. Não. Ah – maldição. Não chore. Eu retiro o que disse. Você não está horrível."
"Mentiroso", ela disse, secando as lágrimas.
Um canto da boca de Jake levantou.
"De forma alguma. Você está ótima. Nem um pouco parecida com uma dama falsa."
Ela se sentiu uma tola.
"Não consigo evitar, sabe."
"Você o ama."
Bella respirou fundo.
"Profundamente."
"E ele ama você."
As lágrimas ameaçaram voltar.
"Ele diz que sim."
"Você não acredita nele?"
Ela queria acreditar. Desesperadamente.
"Eu não consigo... não entendo por que ele me amaria. Não compreendo o que em mim o teria mudado. O que o teria tocado. O que o teria feito me amar."
Ela encolheu um ombro e olhou para os pés, a ponta dos sapatos verdes aparecendo por baixo da barra do vestido.
"Ah, Bella..." Ele suspirou, puxando-a para um abraço caloroso e fraternal. "Eu fui um idiota. E Black também. E todos os outros. Você era melhor do que qualquer um de nós. Do que todos nós somados." Jacob deu um passo para trás e segurou-a pelos ombros, firmemente, encarando-a nos olhos. "E você é melhor do que Edward também."
Ela respirou fundo, estendendo a mão para alisar a lapela do sobretudo do amigo.
"Não sou, sabe."
Um lado da boca do amigo levantou em um sorriso triste.
"E este é o motivo pelo qual ele não merece você. Porque ele é um cretino, e você o ama mesmo assim."
"Amo", ela disse baixinho.
"Eu o vi ontem à noite, sabe, depois que você o deixou." Ela olhou para cima. "Ele me deu a prova do meu escândalo. Disse que você a ganhou dele."
"Ele a deu para mim", Isabella corrigiu. "Não precisei apostar por ela. Ele não ia arruiná-lo, Jake. Ele desistiu."
Jacob sacudiu a cabeça.
"Você o fez desistir. Você o amou o bastante para mostrar a ele que havia mais na vida do que vingança. Você o mudou. Você deu a ele outra chance de ser o Edward que conhecíamos, em vez do Cullen duro e frio que ele se tornou. Você moveu a montanha." Ele levantou a mão para lhe dar um tapinha no queixo. "Ele a adora. Qualquer um pode ver isso."
Eu escolho você. Eu escolho o amor. As palavras que ela repetiu várias vezes, mentalmente ao longo da noite, de repente faziam sentido. E, como se uma vela tivesse sido acesa, ela soube, sem dúvida, que eram verdadeiras. Que ele a amava. Essa percepção a deixou exultante.
"Ele me ama", ela disse, primeiro baixinho, deixando as palavras ecoarem, testando a sensação delas em sua boca. "Ele me ama", ela repetiu, dando risada, dessa vez para Jacob. "Ele realmente me ama."
"É claro que ama, sua boba", ele disse com um sorriso. "Homens como Cullen não fazem juras falsas de amor." Ele baixou a voz até um sussurro conspiratório. "Não combina muito bem com o personagem."
Claro que não! O grande e perigoso Cullen, todo frio e cruel, o homem que administrava um antro de jogatina, raptava mulheres no meio da noite e vivia a vida por vingança não era alguém que se apaixonava pela própria esposa. Mas, de alguma forma, ele havia feito isso. E Isabella sabia que não devia passar nem mais um instante se perguntando como ou por quê... quando podia simplesmente passar o resto da vida retribuindo seu amor.
Ela sorriu para Jacob e disse:
"Preciso ir atrás dele. Preciso dizer que acredito nele."
O amigo assentiu uma vez com a cabeça, satisfeito, endireitando o sobretudo.
"Ótimo plano. Mas, antes de sair correndo para salvar seu casamento, tem um instante para dizer adeus a um velho amigo?"
Em sua ansiedade para ir ao encontro de Edward, Bella não compreendeu as palavras imediatamente.
"Sim, é claro." Ela fez uma pausa. "Espere... Adeus?"
"Estou partindo para a Índia. O navio sai hoje."
"Índia? Por quê?" Ela franziu a testa. "Jake, você não precisa ir agora. Seu segredo... é seu novamente."
"E por isso eu serei eternamente grato. Mas estou com passagem marcada, e seria uma pena desperdiçá-la."
Ela o observou atentamente.
"Realmente deseja isso?"
Ele levantou uma sobrancelha.
"Você realmente deseja Edward?"
Sim. Meu Deus, sim. Bella sorriu.
"Então que seja uma aventura para nós dois." Ele riu. "Aliás, desconfio que a sua seja mais desafiadora do que a minha."
"Sentirei sua falta", ela disse.
Jacob abaixou a cabeça.
"E eu a sua. Mas enviarei presentes de longe para seus filhos."
Filhos. Ela queria ver Edward. Imediatamente.
"Por favor, faça isso", ela disse. "E eu lhes contarei histórias de seu tio Jake."
"Edward irá adorar isso", ele respondeu dando uma risada. "Espero que eles sigam os meus passos, tornando-se pescadores extraordinários e poetas medíocres. Agora, vá encontrar seu marido."
Ela sorriu.
"Creio que irei."
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Edward subiu a escada de entrada da Mansão do Diabo de dois em dois degraus, desesperado para chegar à esposa, furioso consigo mesmo por não tê-la trancado em uma sala do clube na noite anterior e se recusado a deixá-la sair até acreditar que ele a amava. Como ela podia não acreditar nele? Como podia não ver que ela estava provocando estragos em sua mente e seu corpo, que ela havia destruído sua tranquilidade e o aniquilado com seu amor? Como podia não enxergar que ele estava desesperado por ela?
A porta se abriu quando ele chegou ao último degrau, e o objeto de seus pensamentos saiu correndo da casa, quase o derrubando escada abaixo. Ela parou de repente, a capa verde girando ao seu redor, roçando nas pernas dele, e os dois se encararam por um longo momento. Ele recuperou o fôlego diante dela.
Como era possível que algum dia a tivesse considerado sem graça? Ela parecia uma joia naquele dia frio e chuvoso de fevereiro, bochechas coradas, olhos chocolates e lábios rosados que o faziam querer levá-la para a cama mais próxima. Para a cama deles. Porque estava na hora de os dois terem uma cama. Ele ia derrubar a parede entre os quartos para nunca mais precisar olhar para aquela maldita porta novamente. Ela interrompeu seus pensamentos.
"Edward..."
"Espere." Ele a interrompeu, não querendo arriscar ouvir o que ela tinha a dizer. Não antes de falar a sua parte. "Sinto muito. Pode entrar, por favor?"
Ela o acompanhou para dentro de casa, o som da grande porta de carvalho que se fechava atrás deles ecoando no saguão de mármore. O olhar dela desviou para o pacote na mão dele.
"O que é isso?"
Ele havia se esquecido de que estava com aquilo. Sua arma.
"Venha comigo." Ele pegou sua mão, desejando que não estivessem usando luvas, desejando que pudesse tocá-la, pele na pele, e subiu a escada até o primeiro andar da casa, puxando-a para a sala de jantar e colocando o pacote embrulhado em papel pergaminho sobre a longa mesa de mogno.
"É para você."
Ela sorriu, curiosa, e ele resistiu ao desejo de beijá-la, sem querer apressar as coisas. Sem querer assustá-la. Ela abriu o papel cuidadosamente, puxando-o apenas o suficiente para espiar o que havia dentro. Olhou para cima, a testa franzida de confusão antes de remover o pergaminho.
"É..."
"Espere." Ele pegou um fósforo, e acendeu.
Ela riu, e ele relaxou um pouco com o som, como música no salão vazio.
"É um pudim de figo?"
"Não quero que seja uma mentira, Seis Cents. Quero que seja a verdade. Quero que tenhamos nos apaixonado com um pudim de figo", ele disse, com a voz embargada. "Em você, eu vejo o meu coração, o meu propósito... a minha alma."
Houve um momento de silêncio absoluto quando ela recordou da primeira vez que ele havia dito aquelas palavras, e ele pensou, fugazmente, que pudesse ser tarde demais. Que aquele pudim bobo era muito pouco. Mas então ela estava em seus braços, beijando-o, e ele pôs todo seu amor, toda sua emoção naquela carícia, adorando a forma como as mãos dela brincavam em sua nuca, adorando o arfar dela quando ele segurou seu lábio inferior entre os dentes. Ela se afastou e abriu os lindos olhos chocolates para encará-lo, mas ele não estava pronto para soltá-la, e roubou mais um beijo antes de prometer:
"Eu sou seu, meu amor... seu, para fazer comigo o que quiser. Quando a roubei no meio da noite e a reivindiquei como minha, como poderia saber que agora, esta noite, para sempre, eu que seria seu? Que o meu coração seria roubado? Sei que sou indigno de você. Sei que tenho uma vida inteira de ruína que preciso reparar. Mas eu juro que farei tudo o que puder para fazê-la feliz, meu amor. Vou trabalhar todos os dias para ser um homem digno de você. Do seu amor. Por favor... por favor, me dê essa chance."
Por favor, acredite em mim. Os olhos dela se encheram de lágrimas, e quando ela sacudiu a cabeça, ele ficou sem fôlego, incapaz de encarar a possibilidade de ela rejeitá-lo, de não acreditar nele. O silêncio se estendeu entre os dois, e ele ficou desesperado pelas palavras de Isabella.
"Durante tanto tempo, eu desejei", ela sussurrou, os dedos no rosto dele, como que para convencer a si mesma que ele estava lá. Que ele era dela. "Eu ansiei por mais, sonhei com amor. Eu desejei este momento. Eu desejei você." Uma lágrima correu, descendo pelo rosto encantador, e ele levantou a mão para secá-la. "Acho que eu o amo desde que éramos crianças, Edward. Acho que sempre foi você."
Ele encostou a testa na dela, puxando-a para ele, querendo-a perto de si. Charlie já não havia dito o mesmo?
"Eu estou aqui. Sou seu. E, por Deus, Bella, eu desejei você também. Tanto, tanto."
Ela sorriu, tão linda.
"Como isso é possível?"
"Como poderia não ser?", ele perguntou, as palavras roucas e cheias de emoção. "Durante nove anos, eu achava que era a vingança que iria me salvar, e foi preciso você – minha esposa linda e forte – para provar que eu estava errado, que o amor era a minha salvação. Você é a minha redenção", ele sussurrou.
"Você é a minha bênção."
Ela estava chorando de verdade, e ele bebeu suas lágrimas antes de capturar sua boca em um beijo longo e intenso, despejando todo seu amor na carícia, até ambos estarem arfando, sem fôlego. Ele levantou a cabeça.
"Diga que acredita em mim."
"Eu acredito em você."
Edward fechou os olhos diante da onda de alívio que tomou conta dele ao ouvir aquelas palavras.
"Diga de novo."
"Eu acredito em você, Edward."
"Eu amo você."
Isabella sorriu.
"Eu sei."
Ele a beijou, profunda e rapidamente.
"É costume a dama retribuir o sentimento..."
Ela riu.
"É?"
Ele fez uma careta.
"Diga que me ama, Lady Isabella."
"É Lady Cullen, para você." Ela passou os braços ao redor dos ombros dele e enroscou os dedos em seus cabelos. "Eu amo você, Edward. Amo você desesperadamente. E estou muito feliz que tenha decidido me amar também."
"Como eu poderia não amar?", ele perguntou. "Você é minha guerreira, enfrentando Bruno e Billy Black para lutar."
Ela sorriu timidamente.
"Não consegui ir embora. Eu não seria seu anjo caído. Eu o seguiria até o inferno... mas apenas para trazê-lo de volta."
As palavras o comoveram.
"Eu não mereço você", ele disse, "mas temo que não posso deixá-la ir."
O olhar escuro sério dela não se abalou quando ela perguntou:
"Promete?"
Com tudo o que ele era.
"Prometo." Edward a envolveu em seus braços, repousando o queixo na cabeça da amada, antes de lembrar da outra coisa que havia levado para ela. "Trouxe seus ganhos, amor." Tirou os papéis do jogo de cartas da noite anterior e os colocou ao lado do pudim.
"Sua propriedade."
Deu um beijo no pescoço dela e sorriu quando ela suspirou com a carícia.
"Não minha. Sua. Conquistada facilmente."
Ela sacudiu a cabeça.
"Há apenas uma coisa dos ganhos de ontem à noite que eu quero."
"O que é?"
Ela se levantou para beijá-lo intensamente, deixando-o sem fôlego.
"Você."
"Acho que poderá se arrepender desse ganho, Seis Cents."
Ela sacudiu a cabeça, muito séria.
"Jamais."
Os dois se beijaram novamente, perdendo-se um no outro por longos minutos, antes dele ficar curioso e levantar a cabeça.
"O que você tinha contra Black?"
Ela deu uma risadinha e deu a volta nele para pegar a aposta, revirando a pilha de papéis onde recuperou o quadradinho de papel.
"Você se esqueceu de me ensinar a regra mais importante dos canalhas."
"Que é qual?"
Ela desdobrou cuidadosamente o papel e entregou-o para ele.
"Na dúvida, blefe."
Era o convite dela para o Anjo Caído. A surpresa deu lugar ao riso, e então ao orgulho.
"Minha esposa esperta e jogadora. Eu acreditei que você tinha algo realmente danoso."
Ela sorriu, corajosa e alegre, e ele achou que havia conversado demais. Preferiu levar a esposa até o chão da sala de jantar e deixá-la nua, idolatrando cada centímetro glorioso de pele que ela revelava. E quando a risada deu lugar aos suspiros, ele a lembrou repetidamente do quanto a amava.
Durante anos, quando os filhos e netos perguntavam sobre a marca redonda escura na mesa de jantar da Mansão do Diabo, a marquesa de Cullen contava a história de um pudim de figo que deu errado... antes do marquês dizer que, na opinião dele, havia dado muito certo.
Último capítulo postado, um peso a menos na consciência, rs. Bônus a seguir...
