Eu estava trabalhando nos capítulos finais quando eu percebi que coloquei pouquíssimo smut nesta fic. Como vocês deixaram isso acontecer? Por que ninguém me avisou? XD Então, eu adicionei este capítulo rapidinho – que não estava nos meus planos iniciais - só porque.
CAPÍTULO 22 – PILLOW TALK
Eu desperto para a agradável e conhecida sensação de tê-la em meus braços e sorrio. Finalmente. Eu ainda não sei que lugar é este, mas pela claridade que se infiltra no cômodo, em breve o dia amanhecerá.
Alguns minutos após ela adormecer, Nick entrou no quarto trazendo um berço improvisado para acomodar Hiou. Ontem Kyoko estava tão exausta que apenas suspirou quando eu a deitei para que continuasse dormindo, mas agora ela começa a despertar. Ela vai ficar brava ao perceber que eu a estava observando dormir, o que me faz sorrir ainda mais.
"Bom dia, meu humpf!" Ela mal abriu os olhos e já cobriu minha boca com a mão. Ela parece alerta, como se esperasse um ataque surpresa, o que imediatamente me põe em alerta também. A cabeça dela se move bem devagar, até que ela avista Hiou dormindo tranquilamente e suspira, aliviada.
"Se você o acordar, eu te mato!"
A voz dela foi um sussurro quase inaudível e há um brilho feroz nos olhos dela. Oh, como eu senti falta das suas ameaças de morte! Ela sente meu sorriso se alargando sob a mão que ainda cobre a minha boca, o que a faz erguer uma sobrancelha em aviso. Ela tem ideia de quão excitado ela está me deixando?
A ponta da minha língua traça uma linha em sua palma, o que a faz retirar a mão de sobre a minha boca com um arquejo.
"Você já está bem?" Pelo bem de não acordar Hiou, eu torço para que ela entenda o significado da minha curta pergunta sussurrada.
"...Como assim?" Pelo visto, não. Ou então, ela está me provocando.
"Estou perguntando do seu resguardo. Já acabou?"
"Oh não, você não pode estar pensando-"
Ela para de falar e ruboriza no instante em que eu coloco a mão dela, a mesma que esteve me calando segundos atrás, na minha quase dolorosa ereção. Desta vez, sou eu que ergo uma sobrancelha desafiadora para ela.
"Mas... nós ainda temos que conversar e-"
"É o tipo de conversa que vai me deixar puto com você?"
"...Eu vou ficar feliz se você ainda quiser olhar na minha cara depois que eu contar tudo"
O pior é que ela parece acreditar no que está dizendo. Merda, eu sabia que seria grave, mas não imaginava que fosse tanto.
"Então eu prefiro saber só depois de uma boa foda"
"Ren!"
"Shhh, fale baixo senão você vai acordar Hiou!" Eu teria rido se eu não estivesse tão desesperado. O mero contato com a pele dela está me deixando louco!
"Mas... ele vai acordar daqui a vinte minutos, no máximo!"
"E eu só preciso de dez" Humilhante, eu sei. Ela me olha com uma expressão perplexa e morde o lábio inferior ao pesar as minhas palavras. "Eu estou disposto a implorar, se for preciso" O pior é que é verdade.
"O q-quê você está dizendo? O que houve com a sua dignidade?"
"Fugiu no meio da noite há quase um ano, deixando-me na secura por todo esse tempo só para reaparecer da maneira mais inesperada, e sexy para caralho!"
"Espera, o quê? Você não... arranjou outra procriadora?"
"...Era você quem eu queria, Kyoko"
Se eu soubesse que era isso que ela precisava ouvir, teria dito logo de cara. Perdemos preciosos minutos em nosso debate sussurrado. Em um gesto de mudo consentimento, eu a vejo retirar apressadamente a própria calça enquanto eu brigo com os cordões da minha. A impaciência para estar dentro dela outra vez me deixa descoordenado. Quando eu finalmente consigo desatar o nó que eu mesmo criei, ela me empurra contra a cama e monta sobre mim.
O movimento me toma de surpresa, ela nunca gostou de ficar por cima, então eu só consigo observa-la revelando meu pênis, posicionando-o e deslizando sobre ele. Puta merda, dentro dela eu estou em casa.
Não consigo evitar um gemido alto, o que a faz colocar novamente a mão sobre a minha boca. Ela está tão molhada e perfeita enquanto me cavalga que talvez eu não dure sequer sete minutos. Há algo de selvagem na maneira como ela me olha, balança os quadris e corre as unhas pelo meu peitoral e abdominais, o que me faz pensar que ela sentiu tanto a minha falta quanto eu senti a dela. Eu tento reduzir a velocidade dela segurando-a pelos quadris, mas é em vão: o ritmo é dela, não meu; as regras são dela, não minhas.
Ou seja, ela está me fodendo e eu estou adorando cada segundo. Tanto, que talvez eu não dure cinco minutos.
Ela não está em situação melhor do que a minha, a julgar pela força com a qual ela está mordendo o lábio inferior. Não sei como ela ainda não tirou sangue. Kyoko sempre foi uma amante vocal, então deve ser uma verdadeira agonia controlar o próprio tesão a ponto de eu só conseguir ouvir os ruídos da respiração dela. Eu mesmo quero vocalizar todo o frenesi sensorial que ela está me fazendo sentir, é a primeira vez que ela me fode e ela está me fodendo com gosto. Preciso faze-la gozar rápido, ou vou envergonhar a mim mesmo.
Eu me sento e a envolvo em meus braços. Tomo a boca dela na minha e liberto o abusado lábio da agressão dos dentes. A boca um do outro abafa os sons que estamos loucos para fazer, mas não podemos. A pele dela está suada e escorregadia e ela está ofegante como se lutasse pela própria vida, mas se recusa a esmorecer. Minhas mãos descem para as nádegas dela e assim eu a ajudo a manter o ritmo frenético que ela decidiu estabelecer. Ah, Kyoko. Eu vou me lembrar de que você prefere estocadas fundas, curtas e rápidas!
Sem aviso, ela afasta a boca da minha e morde meu ombro enquanto o corpo dela é percorrido por espasmos. Um único gemido estrangulado se sobressai ao barulho das nossas respirações ofegantes e eu finalmente me permito gozar enquanto percorro o corpo dela com as mãos e cubro seu delicado pescoço com beijos. Quando eu terei o bastante dela? Quando será o suficiente?
Ela percebeu que minha intenção é continuar, afinal, eu permaneço duro feito pedra e uma única transa rápida, por mais incrível que tenha sido, não vai compensar todo o tempo em que estivemos separados, mas ela delicadamente me demove da ideia ao sair de cima de mim.
"Não vamos abusar da sorte", foi tudo que ela sussurrou ao meu ouvido.
Kyoko se levanta da cama e eu tenho a satisfação de perceber que ela está com as pernas bambas. Ela espia Hiou antes de sumir atrás de uma cortina que eu ainda não havia notado no cômodo, mas que eu imagino que leve a um quarto de banho. Ela retorna alguns minutos depois parecendo nova, como se ela não tivesse acabado de foder o inferno para fora de mim, o que me fez ter ganas de agarra-la de volta para cama e foder o inferno para fora dela também, mas nosso filho escolhe aquele momento para acordar.
Eu a observo sorrir e acariciar Hiou com tanto amor que é comovente. Ela enfrentaria o inferno por ele, da mesma forma que enfrentou o inferno por Maria. Eu quase tenho pena do pobre coitado que queira ferir qualquer um dos dois: não existe criatura mais feroz neste mundo do que Kyoko protegendo a cria dela.
O contraste entre quem ela é agora com o filho e quem ela foi há poucos minutos comigo é tão gritante que eu rio. Ela me olha intrigada, mas nada dizemos um para o outro. A tensão sexual à qual Nick se referiu ontem diminuiu, então aos poucos a solenidade da conversa que nos aguarda começa a pesar sobre nós. Eu me levanto lentamente e sigo para o mesmo local de onde Kyoko saiu, enquanto ela amamenta nosso filho. Eu torço para que ela não tenha algo tão grave para me dizer, afinal.
Eu detestaria ter que adiar meu pedido de casamento para depois da guerra.
