CAPÍTULO 23 – FESTA DE OBRIGADA A TODOS

Tudo finalmente fez sentido, o que é insano por si só. Antes de ouvi-la contar a própria história, as lacunas daquilo que eu não compreendia me incomodavam. Agora, incomoda-me que as lacunas tenham sido preenchidas da maneira mais bizarra possível.

Kyoko conseguiu realizar o impensável: elevar-se do túmulo a Mestre de Clã em poucos anos. A explicação? Ela não é uma pessoa, mas seis.

Eu estou apaixonado por uma maluca...

Dentre tantos motivos - o ataque de Sho e do patriarca Fuwa, descobrir-se grávida, lutar para sobreviver, estar sozinha e sem perspectivas – eu não sei dizer o que a enlouqueceu, mas no fim, o motivo não importa: ela perdeu o juízo e se tornou, de uma maneira tão distorcida quanto sua sanidade, provavelmente a pessoa mais bem adaptada à realidade na qual vivemos.

Enquanto eu a ouvia falar, pude deduzir que Kyoko fragmentou a si mesma em vários pedaços. Recriou-se moldando o que restou de si mesma em cinco pessoas distintas, cada qual com características predominantes úteis aos vários planos que ela elaborou e adaptou ao longo do tempo: Kuon nasceu da necessidade que ela tinha de se fazer passar por um garoto. Como ela não se considerava astuta o bastante, criou Natsu, alguém capaz de usar a malícia a próprio favor. Mio nasceu porque a natureza compassiva de Kyoko não a permitia aceitar o desejo de vingança que crescia dentro dela, enquanto Momiji levou a culpa pelo fato de que todos os planos que ela traçou envolviam derramamento de sangue. Por fim, Setsu a mantinha impassível diante da violência e da loucura que a rodeavam e, principalmente, das que cresciam dentro de si.

Ah, Kyoko... perdoe-me por havê-la encontrado tarde demais!

Ela falou sobre os Cinco como se fossem pessoas reais, à parte dela. Cada "pessoa" que ela se tornava diante de mim para me convencer do que ela dizia acrescentava um novo punhal em meu peito. Não que ela precisasse realmente me convencer: o pouco contato que eu tive com alguns deles antes de ela se tornar minha procriadora foi o bastante para me fazer aceitar tudo que ela me dizia, por mais excêntrica que fosse a explicação.

Cada um deles é um pedaço de Kyoko, uma face de si mesma que ela não quer ou não consegue admitir que possui ou desenvolveu. Enfim, pessoas que ela não seria se pudesse escolher, mas que a vida e as circunstâncias a obrigaram a se tornar: criaturas que ela criou para carregarem o fardo de tudo aquilo que é feio e torpe demais para a inocência que ainda resta nela e que ela tenta proteger a todo custo.

A parte de si mesma da qual ela se recusa a abrir mão, e que seria inevitavelmente corrompida caso ela não encontrasse algum mecanismo de defesa, é exatamente o que mais me fascina nela. Bem, Kyoko resolveu a situação criando não um, mas cinco escudos.

"Natsu" descobriu meus sentimentos por Kyoko e decidiu usa-los para me manipular. O plano original consistia em permitir que nosso relacionamento florescesse o bastante para que eu, enquanto juiz, a acobertasse quando "Momiji" matasse os Fuwas. Kyoko não é uma assassina, menos ainda uma pessoa capaz de usar os sentimentos alheios em benefício próprio. Sem mencionar que ela é compassiva demais para fazer algo prejudicial a alguém que ela sabe que a ama, mas Natsu e Momiji não compartilham de tais características.

"Mio" havia planejado usar os dois anos em que Kyoko seria minha procriadora para colocar o plano de vingança em ação. "Kuon" determinou que as habilidades de Kyoko não seriam usadas neste período, já que as "sombras" se fortalecem enquanto não são usadas e "Momiji" precisaria de toda a energia possível para se infiltrar no palácio Fuwa e liquidar a família inteira. Assim, eu finalmente compreendi porque Kyoko não usou sua habilidade enquanto esteve comigo, nem mesmo quando eu a surpreendia porque ela estava distraída com os próprios pensamentos.

Sem família Fuwa, Maria ficaria a salvo. Era tudo que importava. Ela estava preparada, inclusive, para a possibilidade de que eu a apontasse como a assassina, o que me obrigaria a matá-la. Isto me destruiria, mas para "Natsu" eu não teria a coragem e para "Mio" o desfecho não importava, desde que a vingança fosse concluída. Para Kyoko, a morte era uma pechincha se Maria fosse livrada da ameaça Fuwa.

Finalmente foi esclarecido, também, por que eu sempre precisava encontrá-la ou persegui-la quando ela estava no período fértil: para que o plano funcionasse conforme elaborado, ela não pretendia engravidar. Então, Hiou somente aconteceu em nossas vidas porque Kyoko não contou com a impossibilidade de se esconder de mim sem o auxílio das sombras, menos ainda com a traição do próprio corpo quando eu a encontrava.

E eu pensando que Kyoko fugia de mim para me provocar, quando tudo que ela queria era evitar o complicador de uma gravidez na precária equação que ela havia elaborado...

O plano sofreu um considerável abalo quando a comitiva Fuwa apareceu no território Tsuruga. "Kuon" não conseguiu se conter diante do inimigo e usou as sombras, permitindo que Kyoko ouvisse o que ela imaginou serem meus planos para ela. Bem, ao menos eu posso me consolar com o fato de que ela não encenou a fuga, já que, à época em que Lory e eu elaboramos a cilada contra os Fuwas, ela estava realmente fraca demais para nos espionar.

É um alívio deprimente, eu sei, descobrir que eu realmente parti o coração dela naquela ocasião: primeiro, porque confirma que ela sente algo por mim; segundo, porque é uma dor a menos saber que a reação dela não se resumiu a uma encenação para me desestabilizar.

À fuga seguiu-se o descobrimento da gravidez e uma nova preocupação: como evitar que eu, o sórdido e inescrupuloso pai do bebê, o reivindicasse. Enquanto se escondia, sobrevivia e reformulava os planos, Kyoko encontrou Reino e, com ele, a possibilidade perfeita de salvar-se, recuperar Maria e evitar que eu ficasse com nosso filho. Afinal, quem neste mundo tiraria um bebê de um Mestre de Clã para entrega-lo a um sujeito desacreditado de reputação manchada?

Colocar Sawara na posição de Conselheiro foi um toque brilhante e serviu para dar legitimidade à morte de Sho. Kyoko nem precisou de muito, já que ela sabia que Lory se encarregaria de facilitar a ascensão do suposto aliado. Na verdade, para que o homem aceitasse a aliança que ela propôs em troca de se ajudarem a acabar com os privilégios dos Nobres e com a obrigatoriedade dos dezesseis anos, a única coisa que ela teve que fazer foi lembrar a Sawara que ele tinha uma filha adolescente e prestes a ser forçada a ingressar no doentio circuito de reprodução humana.

Após passar anos administrando o Centro Love Me, não me admira que ele tenha aceitado o acordo sem titubear.

Caralho, é uma merda confirmar que a mulher que eu amo me fodeu de propósito!

Já que eu era um inimigo, "Momiji" considerou prudente me espionar para garantir o sucesso do novo plano em andamento. Ao menos nisto eu acertei: no meio da minha solitária ladainha, Kyoko pôde ouvir minhas explicações, que a princípio soaram como armadilhas, mas que com o tempo começaram a convence-la, até que o "recado" que eu transmiti com a morte de Sho a fez finalmente acreditar no que eu dizia.

Tarde demais.

Ainda tento lidar com isso: Kyoko calculou minuciosamente, deliberadamente, a minha derrocada. Usou-me e enganou-me. Todo o meu empenho, o trabalho de uma vida inteira foi destruído por ela, que queria a minha destituição como Mestre para garantir que eu não teria autoridade para exigir Hiou, mesmo sendo o pai dele. Ao mesmo tempo, ela garantiu que Lory não teria alternativa senão devolver Maria.

"Parabéns, você conseguiu tudo que sempre quis"

"Não, não tudo"

Quando concluiu o relato, ela apenas se calou e me observou com os olhos enormes, como se esperasse meu veredicto, mas tudo que eu consegui dizer foi que eu tinha muito para pensar. Agora que eu tenho um filho, como posso rebater a lógica de uma mãe que protegeu seu bebê de uma ameaça que ela julgava existir? Como questionar a sanidade de uma mulher que sobreviveu ao impensável e ainda encontrou forças para lutar por si e por sua filha? Por outro lado, como posso ignorar a mágoa e a decepção que me assolam, o sentimento de traição que me consome?

Foi de propósito. Ela me destruiu de propósito. Engraçado, eu já sabia, mas ouvir da boca dela tornou tudo muito pior.

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Quando o mundo acabou, após a Terceira Onda devastar a Terra com múltiplas catástrofes naturais, os sobreviventes se resumiram àqueles que já estavam no abrigo construído entre as duas primeiras Ondas. Em um esforço coordenado, as civilizações do mundo reuniram os principais fragmentos de sua história e armazenaram nas Sete Arcas, cápsulas desenvolvidas para supostamente resistirem às intempéries e com autonomia energética suficiente para chegar ao abrigo, berço da civilização que temos hoje.

As Arcas nº 3 e nº 7 se perderam para sempre, eu imagino. Perdas inestimáveis. A Arca nº 1 chegou relativamente intacta ao destino e teve seu conteúdo fracionado entre os líderes dos sobreviventes, ascendentes dos Mestres dos Clãs. A Arca nº 2 sofreu avarias no caminho, o que espalhou seu conteúdo e deu início à atividade dos Escavadores. A Arca nº 6 está intacta, mas no fundo do oceano. Com sorte, teremos acesso a ela daqui a algumas décadas, considerando que o nível do mar está baixando ano a ano.

A Arca nº 4 eu encontrei a alguns quilômetros de Bridge Rock, enquanto vagava com os nômades e com Maria recém-nascida em meus braços. Foi graças a ela que eu tive os meios necessários para elaborar meus planos. Por fim, a Arca nº 5 está a poucos quilômetros adentrando o deserto a partir de Kyoto, meu território, e foi o meu trunfo contra os meus opositores. Afinal, por mais que queiram ver o meu fim, eles não podem ignorar o fato de que a minha estranha habilidade é extremamente vantajosa ao localizar as relíquias que garantirão uma sobrevivência mais confortável para a humanidade.

Claro que eles não precisam saber tudo que eu sei sobre as Arcas. Sempre é mais seguro deixar que eles pensem que há muitas mais por aí, e que eu sou a melhor chance que eles têm de encontra-las.

O ataque a Kyoto foi um fiasco. Dos Clãs Koenji e Morizumi, somente as mulheres foram poupadas. Erika, Kimiko e Yayoi estão presas. Houve sangue, muito sangue, mas também houve lágrimas de alívio. Não muitas, mas para mim foram suficientes para lavarem minhas mãos e minha alma.

O mundo não aguentava mais. Da feia revolução, nasceu uma nova esperança.

Sem herdeiros em ambos os Clãs e com o inepto Conselho desorientado pelo ineditismo dos eventos, Kanae assumiu o território Koenji e Chiori assumiu o território Morizumi. Afinal, eu não conheço pessoas mais capazes e instruídas que as duas para a missão de sanear e desenvolver os dois territórios. Sem mencionar que é particularmente gratificante vê-las no comando dos mesmos Clãs que, hoje eu sei, condenaram as duas à antiga vida que levavam.

Engraçado, foi assim comigo. Meus pais biológicos me venderam para o patriarca Fuwa, e com isso garantiram a entrada no território que hoje me pertence. Se existe algo como um deus, ele tem um estranho senso de humor!

Os rebeldes de Bridge Rock deixaram o deserto e se infiltraram em pontos estratégicos para garantir a segurança e o sucesso da nossa campanha. Fomos rápidos, silenciosos e coordenados. Os Nobres não tiveram a menor chance. Com tantas frentes de batalha, todas as reações contrárias ao golpe de Estado que demos foram pálidas e inúteis. A maioria dos descontentes ou se entregou ou jurou fidelidade. Nem todos sobreviveram, contudo: há muito tempo Ren, Nick e Yashiro ansiavam pelo momento em que colocariam as mãos nos Nobres envolvidos com os Irmãos Açougueiros, que somente escaparam à justiça pela corrupção do antigo sistema.

Foram momentos tensos e lúgubres, mas também de sinistra satisfação. Agora, celebramos abertamente a nossa vitória e o sétimo aniversário de Maria em uma festa que decidimos chamar de "Festa de obrigada a todos". Nome estúpido, eu sei, mas uma galhofa cai bem de vez em quando.

Eu observo minha pequena conversando com Lory e fazendo-o rir. Ela finalmente passou a chama-lo de vovô, o que quase o matou de felicidade. Quando ele perguntou a ela a razão para que ela finalmente o aceitasse, Maria respondeu que era por causa das vantagens de se associar ao maior número possível de Mestres: sendo neta dele, minha filha e irmã do primeiro neto Hizuri, o céu seria o limite para ela.

O homem quase teve uma síncope nervosa de tão orgulhoso que ficou. E eu, aliviada: Maria está bem encaminhada na vida, considerando as figuras importantes que a protegem e a astúcia que ela já demonstra.

Eu sinto o cansaço se abater sobre mim e suspiro, mal capaz de acompanhar as conversas ao meu redor. Em outro canto do aposento, eu vejo Ren olhar feio para um amuado Kuu, que provavelmente tentou tirar Hiou dos braços dele pela terceira vez no dia. Não consigo evitar de sorrir: Hiou está bem encaminhado, também.

Aliás, todas as pessoas que já me preocuparam, além dos meus filhos, estão bem: Kanae e Chiori, Nick e Hikaru, Reino e os ghouls, Sawara e família, Taisho e Okami, estão todos bem. Ren está bem, também; feliz, segurando o filho (que não o estranha mais) e ignorando elegantemente o rastro de baba que lhe ensopa o ombro.

Ele é a imagem perfeita do pai orgulhoso.

Não sei de onde vem a minha tristeza. Eu devo ser mesmo uma pessoa horrível, se consigo encontrar motivos para sofrer em um momento tão grandioso. Mas é como se... eu não fosse mais necessária para nada. Para ninguém.

Eu mal posso acreditar que sobrevivi aos planos insanos que fiz e, já que fui bem-sucedida, eu me deparo com a inédita pergunta: o que diabos eu estou fazendo aqui? Que propósito me moverá agora?

Se ao menos eu soubesse como derrubar a muralha que se ergueu entre mim e Ren... Inferno, porque destituir dois líderes e subverter a ordem mundial foi mais fácil do que lidar com o que eu sinto por ele?

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Kuu e Julie estão radiantes por serem avós. Rick e Tina estão radiantes por serem tios. Nick está radiante por ser padrinho. Eu quase não consigo ficar com Hiou em meus braços sem que um parente babão peça para segura-lo. Eu pensei que Kyoko ficaria tão aborrecida quanto eu, mas pelo visto ela está contente pela atenção que nosso filho está recebendo.

Após praticamente rosnar para Nick (quem ele pensa que é? Não faz nem duas horas que eu estou segurando Hiou!), eu observo Maria correr de Lory para Kyoko e se atirar nos braços abertos da mãe. As duas parecem estar sempre confabulando, pela maneira como conversam e se olham. Imagino que já tenha ficado claro para todos que elas compartilham algo especial, talvez o tal amor incondicional sobre o qual os antepassados falavam e que quase não se vê mais.

Não é a primeira vez que eu me pergunto onde Kyoko aprendeu a amar assim. Certamente não com os pais biológicos, que a venderam para um homem sabidamente cruel e que sequer procuraram saber sobre ela quando os Fuwas registraram seu suposto desaparecimento. Menos ainda com os Fuwas. Será que foi Maria? Será que foram os nômades? Será que foi o deserto, os rebeldes, Kanae e Chiori?

Então, enquanto parabenizamos Maria por seu sétimo aniversário, eu finalmente entendo: a parte que Kyoko quis proteger a ponto de enlouquecer é sua capacidade de amar; um amor raro e abnegado, que a faz se esquecer de si mesma para valorizar e proteger outra pessoa. Algo perigoso de se dar a alguém, porque são poucos os que não fariam mal uso dele, como os pais dela e os Fuwas fizeram.

Maria e Hiou certamente merecem ser amados assim. Será que eu mereço?

Maria me tira de meus devaneios ao me puxar para baixo. Eu me ajoelho e sorrio, mas ela nada diz. O desconforto dela é visível e há lágrimas se formando em seus olhos.

"...Maria, você sabe que as nossas habilidades são diferentes. Eu não vou saber o que você quer se você não me disser"

Ela está inquieta e atrapalhando-se com as mãos, mas finalmente resolve falar.

"Hm... Mamãe falou que Hiou vai começar a balbuciar em breve" Ele vai? Puxa, que excitante! "E v-vai ser estranho... daqui a p-pouco ele vai começar a falar e-" Uau, que incrível! Eu ainda não tinha pensado nisso! Espera, por que Maria está chorando? Eu procuro Kyoko com o olhar, mas não a vejo em parte alguma. O choro de Maria está começando a atrair a atenção das pessoas mais próximas e eu simplesmente não sei o que fazer. "E m-meu irma-mão v-vai t-te chamar de p-pai e..."

Espera, o quê?

Ela está aos prantos e tudo que eu posso fazer é abraça-la enquanto processo as palavras dela, até que o "problema" começa a fazer sentido.

"Oh, Maria! Eu me sentirei honrado em ser também o seu pai, caso você me aceite como tal!"

Há uma comoção ao nosso redor e eu vejo que Julie, Ten, Tina e Lina estão emocionadas. Eu mesmo estou tendo dificuldades para conter as lágrimas, mas Kanae e Chiori apenas exibem um sorriso que é quase zombeteiro. Eu não sei do que as duas são feitas.

Para minha surpresa, Maria se afasta dos meus braços e me encara com os olhos molhados e esperançosos.

"De verdade? Verdade-verdadeira?"

"Claro que sim!"

Eu não tenho dúvidas do que estou dizendo, mas por que eu estou com a sensação de estar caindo em uma armadilha?

"Hm... podemos tornar isto oficial, então?"

Oh-oh. Kanae e Chiori estão rindo.

"...Oficial? O que você quer dizer?"

"Bem, se você é nosso pai, faz sentido que você seja o marido da nossa mãe!"

Ah, agora tudo faz sentido. Sua malandrinha, era isto que você planejava desde o início! Estou rodeado por traidores que riem abertamente da lógica de Maria e do fato de que eu caí na armadilha de uma criança de sete anos de idade. Bem, o que eu posso fazer? Maria é tão adorável, esperta e desesperadora quanto a mãe...

"Você não deveria perder tempo, sabe... Mamãe é uma mulher muito bonita!"

"Hmmm... Ela é, não é?"

"Sim! E ela controla um território inteirinho!"

"Nossa, que impressionante!"

"E ela já teve dois filhos saudáveis!"

"Dois? Caramba!"

"E ela é uma ótima cozinheira!"

"Hm... isto é bom, eu suponho, mas eu não tenho muito apetite..."

"Eh? Mas ela... ela... ela faz um excelente carinho na cabeça!"

Eu não consigo mais me conter e a minha gargalhada se une à dos demais.

"Ok pequena, você me convenceu. Não tenho como recursar a perspectiva de excelentes carinhos na cabeça"

Sorrimos um para o outro, ignorando os gritos de incentivo ao nosso redor.

"Mamãe foi para a cozinha ajudar Taisho. Seja convincente, porque a mamãe está sendo boba"

"A mamãe está sendo boba". Preciso guardar esta para mais tarde!

Maria acaba de completar sete anos, mas me impressiona como poucos adultos conseguiram fazer. "...Você não faz nada pela metade, faz?"

A resposta dela foi rápida e precisa.

"Eu não seria filha da mamãe se eu fizesse!"