Para Thaths & Kahli Hime
O plano
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Capítulo I
Algumas verdades
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Para Naruto, as pessoas tinham o péssimo hábito de julgar os outros. Absolutamente sempre, sem ao menos conhecê-las. Basta apenas um individuo nascer, e pronto! Será rotulado conforme o olhar hipócrita a sua volta. Não há piedade ou comiseração, todas as pessoas precisam ser taxadas, sim, todas.
E com ele não foi diferente.
No inicio, fora um garoto isolado, no qual, sempre era encurralado por aqueles olhares. Foi rotulado como o garoto demônio. Mas ninguém... Ninguém teve a decência de explicar que a razão de tal apelido, até então, em nada tinha a ver com o seu comportamento travesso. Aliás, esse comportamento surgiu justamente por isso. Se fosse pra ser chamado de demônio, sem que houvesse razão, e por mais que tentasse provar que não era nada daquilo que lhe chamavam, então um verdadeiro demônio ele seria.
Mas, enfim, as coisas mudaram.
Hoje em dia, após finalmente provar o seu valor, Naruto passou a ser respeitado, deixando de ser chamado de demônio. Bom, na verdade as pessoas até o chamavam disso, mas não na maldade, e sim o comparando a um ser estrondosamente forte que é capaz de se tornar o mais irracional das criaturas para defender aqueles a quem ama. Não que um demônio seja irracional ou defenderia a quem ama – na verdade o loiro não entende muito dessas coisas e nem se interessa pelo assunto –, mas não seria ele a contestar.
No entanto, toda a sua soberania e força... er... Infernal, em nada era lembrada por seus colegas de time, cotidianamente. Sempre foi e é taxado como o ninja hiperativo e cabeça oca número um do time, quiçá de toda a aldeia. O que era um absurdo, em sua opinião. Seus colegas estavam certos quando o chamavam de hiperativo, isso era fato, mas cabeça oca? Fala sério, ele era o mais astuto daquela equipe, estava certo disso.
Tudo bem, tudo bem, talvez seja um exagero achar que era o mais normal daquele time, afinal, a questão era: Quem, diabos, era normal ali? Se haveria o menos pior ali, esse alguém seria ele.
E sim, menos pior, não melhor. Pois, ora bolas, como ninjas podem ser tão malucos? Esta não era uma característica muito boa para pessoas que defendia a vida de outras... Ou talvez seja, já que é necessário ter muito sangue frio, em certas ocasiões.
Mas como ia dizendo, seus companheiros de time faziam um mau julgamento sobre a sua pessoa. Traçava-o como um garoto bobo e de pouca inteligência. Mas, sério, ele não era burro, só tinha dificuldade de concentração – uma péssima combinação com a hiperatividade, ele sabia – mas o quê poderia fazer?
Entretanto, as coisas mudariam. Ele tinha um plano, no qual, fora arquitetado minuciosamente enquanto urinava atrás de uma árvore. Sim, enquanto mirava estrategicamente o esguicho no tronco, tudo o que deveria ser feito passou em sua mente. Santo esguicho, pensou, santo esguicho!
Todavia, precisava de ajuda, e ele sabia exatamente a quem recorrer.
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— Esse lugar até que está bom.
— Tem certeza?
— Sim, Kakashi-sensei. – começou. — Não é lá essas coisas, mas até que está bom, comparada às outras termas da cidade.
Eles já haviam percorrido a cidade toda, e kami, por que as mulheres tinham de ser tão... tão... apegadas a detalhes? Céus, como aquela garota conseguia enxergar uma pequena mancha de lodo entre os dedos de uma estátua? Porque, oh, aquilo era um absurdo inadmissível! Tsc. Como se ela fosse esfregar o bumbum nos dedos da estátua! Ou então, não era possível ficar num ambiente em que a recepcionista balofa chupava um pirulito em forma de chupetinha, se sentido a "sensual seduction", como afirmara a ninja de cabelos róseos. Oh, aquilo também era intolerável!
Tudo era inadmissível!
Tudo era um absurdo!
E para Kakashi tudo isso tinha um nome – temido por todos os homens, diga-se de passagem.
Tensão. Pré. Menstrual.
Só podia ser, não havia outra explicação. E todos estavam ferrados, pois a Haruno com TPM não era exatamente um poço de harmonia e bonança...
— Podemos então fazer as reservas dos quartos?
— Ainda não, sensei. Precisamos ver se os quartos são toleráveis.
E então, o ninja mascarado se perguntou por que não se tornou limpador de suor de bunda de lutador de sumô? As coisas seriam tão simples, pensou, não seriam?
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— Não.
— Mas Sasuke... Eu realmente preciso da sua ajuda, e eu não insistiria se não fosse necessário. – argumentou o loiro hiperativo, degustando de mais um pouco do ramen a sua frente.
O restaurante não era como o Ichiraku, obviamente que não, mas a comida até que era boa. Não tanto quanto os restaurantes de Konoha, claro, mas quando se está com fome, até o mais ou menos serve.
Pelo menos era assim que Naruto pensava.
— Em primeiro lugar, sim, você insistiria e insiste em coisas desnecessárias. – o Uchiha começou. — Em segundo lugar, não tenho nada contra o Kakashi, então não me vejo nessa conspiração estúpida. E em terceiro – suspirou. —, Sakura é minha ex-namorada, porque eu ajudaria na sua vingança?
O Uzumaki engoliu rapidamente o macarrão, já tendo em mente o seu contra-argumento.
— Ok, tentarei responder tudo em ordem cronológica, teme, assim você não irá confundir as respostas. Em primeiro lugar... – qual era a primeira sentença mesmo? Ah, sim! — Não tenho culpa de ser hiperativo. A própria baa-chan disse que não posso lutar contra a minha personalidade. Em segundo lugar, eu também não tenho nada contra o sensei, mas, infelizmente as atitudes dele merecem punições, afinal, quantas vezes o cretino nos fez pagar a conta dele? Quantas vezes ele não se atrasou, hein?
— Isso não me convence, Naruto.
— Espere, eu ainda não respondi tudo! – ele tinha um trunfo. — Em terceiro lugar, Sasuke-teme, a Sakura-chan é a sua ex-namorada, por que não me ajudar no plano?
— Estou dentro. – respondeu o Uchiha.
Nada imprevisível para um vingador nato.
— E você, Sai? – indagou Naruto, observando o colega pálido. — Irá me ajudar?
— Vi em um livro que a vingança deprava a humanidade. Ou seria a depravação que humaniza a vingança? – ele já havia lido tantos livros que, francamente, recordar-se facilmente das freses dita por eles era algo muito complexo. — De qualquer forma, outro livro dizia que o trabalho harmonioso com seus colegas, gera frutos harmoniosos. Então, sim, eu os ajudarei.
— Corta essa, Sai! – Naruto se aproximou do colega. — Qual é a verdadeira razão de me ajudar?
O desenhista pareceu um pouco relutante, mas, enfim, percebeu que não havia mal algum em revelar os seus motivos.
— Kakashi-san nunca me emprestou seus livros, ele merece ser punido.
Ou não. Talvez merecesse até uma gratificação. Mas isso não vem ao caso.
O Uzumaki já tinha tudo planejado em mente, mas ainda faltava repassar aos comparsas e acertar alguns detalhes. E se dependesse dele, o martírio de Kakashi e Sakura, em breve, teria inicio.
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Não fazia parte de o seu plano tornar as coisas tão complicas, mas a Haruno realmente não estava satisfeita com tudo à sua volta.
Em primeiro lugar, ela realmente não queria ir para uma fonte termal. Mas Naruto sabe muito bem como estragar tudo!
Em segundo, não fora ela que pediu pelo "poder de escolha", se havia um culpado nisso, esse alguém seria o Kakashi-sensei.
E em terceiro lugar... Por que diabos sua shishou exigiu a participação dela nessa maldita missão? Tudo bem, tudo bem, ela estava trabalhando demais no hospital, e sair um pouco da rotina não é tão ruim assim... Mas sair numa missão ranking C? A hokage só podia estar de brincadeira. Bom, também se deve levar em conta que, depois da guerra, não há mais ameaças realmente poderosas, no máximo pequenas facções de tráfico de entorpecentes ou furtos, mas nada, além disso. Nesta missão, por exemplo, eles deveriam descobrir e autuar uma pequena quadrilha, famosa por golpes em cassinos. Um tipo de missão para chounins ou mesmo genins, mas para jounins? Isso era um absurdo!
Sinceramente, a garota preferiria mil vezes estar no hospital, atendendo inúmeros pacientes, do que estar ao lado de seu sensei resmungão.
— Por mim tanto faz. – a jovem soltou.
— O quê disse?
— Eu estou de saco cheio, Kakashi-sensei. – a garota suspirou. — Eu nem queria estar aqui, pra falar a verdade.
— Ok – Kakashi começou. —, isso significa que a escolha da pousada é irrelevante?
— De certa forma, sim, é irrelevante. Aliás, tudo está sendo irrelevante para mim.
... Tudo está sendo irrelevante para mim.
... Tudo está sendo irrelevante para mim.
Somente agora a garota teve a decoro de avisa-lo disso? Oh, quem estava de saco cheio era Kakashi. Oh, sim, essa garota é o próprio diabo. E nem mesmo Naruto chega aos pés dela! Ele tinha que concordar com Sasuke, Sakura, terminantemente, é a pessoa mais irritante de todo o mundo ninja!
Mas ela ainda era a sua aluna. E ele não diria isso a ela. Tenzou o escutaria, posteriormente.
— Vamos voltar para a segunda pousada. – resmungou, sem deixar transparecer a irritação pela aluna de cabelos róseos.
— O quê? A pousada da sensual seduction? De jeito nenhum! – respondeu rapidamente.
— Pensei que era irrelevante para você.
— Bom, sim, mas isso é diferente.
— Diferente como?
— Diferente.
— Yare. – suspirou sob a máscara. — Vamos à quarta pousada.
— Não!
— E por que não?
— Porque aquele velhinho ficou piscando para mim. E não quero outro pervertido na minha cola.
Outro?, pensou o mascarado.
— O quê sugere, então? – ele já estava cansado, tinha que admitir.
— Em que direção está a sensual seduction?
Oh, garota irritante.
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A pequena língua percorreu por todo o comprimento úmido, de forma lenta e quente. Observando-o por entre as lambidas, enquanto o céu se tornava um pequeno atalho e o seu deleite uma angustiante viagem. Não que fosse a primeira vez que fizesse aquilo, mas céus, cada vez era uma experiência nova, e lascívia. Sua boca salivava e seu rosto corava. Pouco a pouco, os movimentos ganharam uma nova intensidade, e as pequenas lambidas tornaram-se chupões estalados...
— Ah-ham.
A frente do balcão encontrava-se uma garota de cabelos cor de rosa e um homem mascarado.
E ambos pareciam aturdidos.
Recobrando a compostura, e afastando-se do caramelo em formato de chupeta, a recepcionista assumiu uma pose impassível.
— O que desejam?
— Quartos. – o grisalho respondeu.
— Quantos?
Kakashi e Sakura se olharam por um momento, refletindo sobre a decisão. Passaram tanto tempo atrás de um lugar tolerável, que se esqueceram de planejar a quantidade de quartos a se alugar. Aliás, esqueceram-se, até mesmo, de inventar alguma desculpa. Estavam vestidos como civis, isso era fato, porém ainda não haviam inventando uma tradicional historinha da razão de estarem ali.
— Quais tipos de quarto há? – Kakashi perguntou.
— Hm, vejamos... Temos de casais, solteiros e solteirões.
— E como são?
— Em aspecto geral, tipo decoração e design, ou em relação às camas?
— Em relação às camas, por gentileza.
— Bem, o quarto de casal, obviamente, há uma cama de casal. O quarto de solteiro, tem uma cama de solteiro. E o quarto solteirões, uma exclusividade em toda a região, é composta por três camas de solteiros, a preço de duas! – a mulher realmente parecia orgulhosa. — E então, o que vão querer?
Kakashi tentou obter alguma resposta nos olhos da aluna, mas esta o devolveu um tipo de resposta como: ... Tudo está sendo irrelevante para mim.
— Dois solteiros e um solteirão, por gentileza.
— Então vocês não são casados?!
Antes que o shinobi pudesse reagir, a recepcionista – acima do peso – debruçou-se no balcão rapidamente, lhe lançando o mesmo sórdido olhar, que, há pouco, era direcionado ao caramelo babado.
Por mil demônios, definitivamente, hoje não era o seu dia de sorte.
— E então? – a mulher debruçou-se ainda mais, enquanto o ninja se afastou. — Vocês não são casados?
— Não.
— Não?!
— Não. – a mulher sorria lascivamente, enquanto, ao fundo, Sakura soltou uma risadinha. — Somos noivos.
Não que o plano do mascarado fosse se passar de noivo de sua própria aluna, mas, ocasiões desesperadas, exigem decisões desesperadas. E se Sakura, de algum modo, se sentisse violada, bem, essa era a recompensa por tê-lo feito vagar por mais de duas horas pelo vilarejo atrás de um "lugar tolerável".
O Hatake não era vingativo, era apenas... Apenas... Apenas um jounin experiente que devia arquitetar planos no menor tempo possível.
Ou simplesmente um homem que não deseja receber galanteios de uma mulher que tenta seduzir uma chupeta de caramelo.
— São noivos? Hmpf. Uma pena. – a mulher parecia dizer para si mesma, porém, num tom um tanto quanto alto. — Mas me respondam uma coisa.
— Sim?
— Por que querem ficar em quarto separados? – a recepcionista questionou. — Não há mal em dormirem juntos. É claro que, segunda as tradições, o casal só pode "dormir" juntos depois do casório, mas vocês estão numa pousada, e ninguém irá impedi-los de nada!
— Bom...
— A não ser que...
A não ser que estivessem mentindo? Que nunca foram ou serão noivos?, pensou Sakura.
— A não ser que os acompanhantes sejam parentes da moça, estou certa?
— Absolutamente.
A mulher roliça sorriu.
— E o quê eles são dela?
— Irmãos.
— Primos.
Os dois ninjas se olharam, após as respostas distintas.
As coisas realmente não estavam dando muito certo.
— Irmãos ou primos? – a mulher parecia desconfiada.
— Bom... – o ninja ainda estava pensando em que dizer.
— Na verdade, vieram conosco meus dois irmãos e um primo. – a rosada respondeu.
— Isso tudo para manter os olhos em vocês? – o casal deu de ombros. — Devem ser uns danadinhos, hein!
— Oi? – a kunoichi pensou ter entendido errado. Pensou.
— Precisam até de uma escolta para não aprontarem!
— É verdade. – Kakashi respondeu indiferente.
— O quê? – Sakura contestou descrente. Como o seu sensei podia ser tão depravado? E essa recepcionista, então? Pior ainda!
— Ok, façamos o seguinte – a mulher começou. — Vocês alugarão um quarto solteirão, um de solteiro e outro de casal. Este será cobrado no mesmo valor que o de solteiro. Afinal, nunca se sabe quando certos pombinhos resolverão brincar no ninho, não é?
— É. – o mascarado concordou.
— Mas me digam mais uma coisa... – a mulher espreitou os olhos. — Ela não é muito novinha não?
Céus! Como essa mulher era chata!
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O plano era bastante simples, se não bobo, para falar a verdade. Afinal de contas, Naruto jamais desejaria o mal aos seus melhores amigos, apenas um castigo. Porém, seus demais companheiros e comparsas não pareciam muito satisfeitos com as ideias do Uzumaki.
— Ah, fala sério, o meu plano não é tão ruim assim, tô certo.
— Não é tão ruim? – o Uchiha indagou. — É ridículo, isso sim.
— Não é não!
— Naruto-kun, desta vez vejo-me obrigado a concordar com o Uchiha-san, e dizer-lhe que o plano, de fato, é demasiado ridículo. – Sai interveio. — Ora, isso não me parece um tipo adequado de vingança.
— E quem é você para falar de vingança, transparente? Tsc. – resmungou o loiro, bastante impaciente. — Vocês ainda não entenderam, ou melhor, não sentiram a essência magnética do plano!
— Que diabos é essa "essência magnética"? – questionou Sasuke.
— É algo que você nunca vai saber, caso não me ajude.
Agora sim o Uchiha viu-se ainda mais inclinado a não participar dessa palhaçada. Afinal, já bastava saber que o plano fora elaborado enquanto o loiro retardado observava o esguicho da sua urina, agora vem essa história de essência magnética. Tsc. Era melhor nem ter perdido o seu tempo com isso.
— Eu estou fora, Naruto.
— O quê disse?
— Você entendeu muito bem.
— Mas...
— Eu também, Naruto-kun. – o ninja desenhista articulou.
— Você também?
— Nada contra você, sua essência magnética ou o seu pintinho... – suspirou. — Mas o plano é ridículo, e não vejo razões para participar desse motim.
O loiro observou os pratos vazios a sua frente, tomando nota que, independente dos fatos adversos, seu lema ninja de ser o impede de desistir. E, mesmo sozinho, o plano seguiria em frente.
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Os ninjas caminhavam por entre pequenas barraquinhas e civis agitados, com o preparativo do festival. Bom, na verdade, não era simplesmente um festival convencional, mas sim, a festa de aniversário do senhor feudal de Yugakure, no qual, Sakura não recordara o nome e nem fazia questão de tal.
Kakashi caminhava ao seu lado, com as mãos no bolso e uma aparência perfidamente inocente. Sim, perfidamente. Afinal, a kunoichi conhece perfeitamente o caráter depravado de seu sensei, que a expôs para uma mulher desconhecida que tem por prazer chupar pirulitos em formato de chupeta.
Não que o que fora dito seja verdade, de jeito nenhum! Mas foi humilhante ver o seu sensei confirmar que, garotas jovens, como ela, não faziam menos do que um furacão quando... err... "brincavam no ninho", como bem diria a sensual seduction.
Oh, aquilo era humilhante.
Muito humilhante.
Mas isso não é o pior, não mesmo. Se já era horrível o bastante ser caluniada assim, por nada, perceber que Kakashi pouco se importou com isso foi pior ainda!
Não houve nenhum pedido de desculpas, nenhuma retaliação.
E, a cada passo que davam em direção ao restaurante, em que se encontravam o restante do time, Sakura sentia seu sangue borbulhar energicamente, o seu punho apertar de forma dolorosamente e, inevitavelmente, uma carranca delinear a sua face. Oh, ela estava controlando cada um de seus átomos para não, deliberadamente, avançar em seu professor pervertido, dar um soco no meio da sua cara, esganar aquele pescoço encoberto com um belo mata-leão, joga-lo ao chão, e, impetuosamente, chutar as suas bol...
— Está tudo bem com você, Sakura?
Saindo de seu transe, a kunoichi percebeu estar parada no meio da rua, tensa, e com os punhos firmemente fechados.
Droga.
— Está tudo bem, sensei. – a garota relaxou, tornando a acompanhar o mascarado. — Está tudo bem.
— Sério? – o homem a analisou. — Pois eu venho lhe achando um pouco aborrecida desde que saímos da pousada.
Por que será, hein?, a ninja pensou.
— Eu já disse que está tudo bem. – Kakashi permaneceu observando-a. — O quê?
— Você pode não acreditar, Sakura, mas eu te conheço bem. Algo está te afligindo, o quê é?
A moça sorriu ironicamente, degustando a frase dita por seu professor. A quem Kakashi pensa que engana? Nem mesmo o Sr. Ukki – a planta do mascarado – cairia nessa conversa! Fala sério, o homem mal sabia que ela era a médica chefe do hospital de Konoha, e um dos braços direitos da Hokage.
Mas saber que os meninos já faziam missões solos, aprendiam golpes novos, ou mesmo estavam com uma enorme dívida em restaurantes, era realmente importante! Dane-se que ela salvava dezenas de vidas por dia, o importante era a palhaçada que os homens do time faziam!
Mas ela não se importava, não mesmo.
Sempre foi assim, e será! Não importa o quanto Sakura progredisse, sempre será tratada como uma garotinha inútil. Sempre.
— Não, Kakashi-sensei, definitivamente você não me conhece.
O homem de cabelos prateados observou a kunoichi ao seu lado, refletindo sobre a sua colocação.
Por um momento ele pensou que ela estava redondamente enganada, porém, não muito depois, teve de concordar. Eles não se conheciam muito bem, apesar dos anos de convivência.
O Hatake tinha que admitir, no quesito relação interpessoal com seus alunos, até Orochimaru era melhor do que ele. Mas isso não significa que desconhecesse completamente seus alunos, de forma alguma, o fato é que ele não era tão próximo deles.
Então, nem ele, ou mesmo Sakura, estavam certos. O que denota que havia um meio termo nessa história; um equívoco por ambas as partes.
— Você está certa, não nos conhecemos muito bem. – o shinobi suspirou, preguiçosamente. — Eu não sei muita coisa sobre você, e você também não sabe muito sobre mim...
— Opa, opa, sensei! – a rosada se adiantou. — Quem disse que eu não te conheço bem?
Desconfiado, dessa vez, fora o Hatake quem sorriu ironicamente.
— Você realmente não me conhece Sakura. – comentou. — Não tanto quanto imagina.
— É claro que eu o conheço!
— Jura? – o shinobi alisou o rosto mascarado, ponderativo. — Ok, mas então diga cinco verdades sobre mim.
Ah, isso era fácil, Sakura pensou. Eles já integravam a mesma equipe por aproximadamente sete anos, é óbvio que ela sabia cinco verdades sobre ele, talvez até mais, diga-se de passagem. Então, por que era como se ela houvesse esquecido tudo sobre o mascarado?
— Primeiro: você é filho do lendário canino branco; segundo: o seu sharingan é um presente do seu melhor amigo; terceiro: você é o maior pervertido de todo o país do fogo (desde a morte de Jiraya); e quarto... – hm, ela já estava ficando sem ideia. Eram quatro verdades sobre ele, não eram? — Ah! E quarto: você não sabe a minha idade!
Sob a máscara, um sorriso agnóstico estampou a face do Copy ninja, enquanto ele se divertia com as respostas de sua aluna.
— A primeira e a segunda estão certas. A terceira e a quarta estão erradas e você se esqueceu da quinta verdade. Ou seja, você não me conhece, Sakura-chan.
Oh, com ela detestava quando ele a chamava assim, principalmente quando ela, mesmo que não completamente, estava errada. Mas a rosada não estava completamente errada! Ela não se lembrou de uma quinta verdade, mas que ele era um pervertido e não sabia a idade dela, bem, isso era fato!
— O quê? Por acaso acha que sabe a minha idade, sensei?
— Provavelmente.
— Então a diga.
— Quinze anos. – ela o olhou feio. — Dezessete, talvez?
— Não!
— Dezesseis?
— Dezenove, sensei. – a moça bufou. — Eu tenho dezenove anos.
— Sério? Você já é maior de idade? – ele realmente parecia surpreso, para a cólera da kunoichi.
— Sim, e por isso estou cansada de ser tratada como criança.
— Não te trato como criança, Sakura. – seus olhos se encontraram, e ele refletiu. — Ok, talvez eu te trate mesmo um pouco como criança, me perdoe.
— Tudo bem. – suspirou. — Isso prova que eu acertei três verdades, por enquanto. Mas, fala sério, eu acertei as quatro.
— Eu discordo.
— Como assim discorda?
— Discordando, oras. – deu de ombros, preguiçosamente. — Você não acertou a verdade número três.
— Que você é um pervertido?
— Aham.
— Mas você é!
— Não.
— É sim!
— Não sou.
— Como não? Desde sempre você anda com a cara enfiada nesses livros sujos, escritos pelo Jiraya, no qual é internacionalmente conhecido por sua depravação. Aliás, todo mundo sabe o teor pornográfico que este livro tem, e o quão pervertido são os seus leitores.
— Você acha que eu sou um pervertido, apenas porque eu leio esse livro?
— Por ler, e por, provavelmente, fazer certas coisas pervertidas por conta do livro.
— Que tipo de coisas?
— Você sabe... – o Hatake permaneceu olhando-a seriamente. — Não se faça de bobo, você sabe muito bem do que eu estou falando.
— Não, eu não sei. E se você sabe, é porque é a única pervertida por aqui.
Ah! Era só o que lhe faltava, ser chamada de pervertida, pela perversão em pessoa.
— Hã? Agora eu sou a pervertida. – isso, definitivamente, deixou-a indignada.
— Se você concorda com tal fato, não irei discordar.
A kunoichi olhou para o céu, observando lento ritmo das nuvens e, calmamente, procurou tranquilizar cada átomo desordeiro de seu corpo.
Inspirou e expirou, tranquilamente.
Ela não estava no seu estado mais calmo, obviamente, mas ela não se permitiria perder o controle justamente aqui, no meio da rua, com o seu sensei e rodeada por testemunhas, claro.
— Ok, sensei, nós não nos conhecemos perfeitamente. Você não sabia a minha idade e eu não sei cinco verdades sua. – suspirou. — Talvez você não seja o maior pervertido do país do fogo e a minha mente não é tão limpa quanto um diamante...
— Os diamantes não são necessariamente limpos, Sakura.
Uma veia pulsou na testa da garota.
— Você entendeu perfeitamente o que eu quis dizer, e, por gentileza, não me interrompa novamente! – suspirou, tomando um ar perfidamente angelical. — Como ia dizendo... Talvez este seja o momento em que devemos avançar um nível na nossa relação...
Os olhos do Hatake ampliaram rapidamente, enquanto, quase imperceptivelmente, quase, seu corpo tencionou, ao ouvir a proposta da aluna.
Absolutamente, ele era um pervertido.
— Talvez este seja o momento em que devemos avançar um nível na nossa relação de amizade e começarmos a nos tratarmos como adultos, tal como realmente somos. – o homem pareceu relaxar. — Não precisamos perder o respeito hierárquico, mas não vamos nos prender num passado distante, em que eu era uma tola menina de doze anos e você um jovem professor de vinte e seis anos.
Kakashi parecia ponderar seriamente sobre o assunto. Seus olhos escaparam dos da moça e, indiscretamente, vagueou por seu corpo, fazendo-a corar instantaneamente.
— Então essa é a sua proposta? Ser tratada como uma adulta? – questionou friamente.
— Hai.
— Você tem certeza? Não mudará de ideia?
— Certeza absoluta, sensei.
Enviando-lhe um olhar ambíguo, o shinobi pôs-se a caminhar, sem esperar por sua aluna.
— Quer ouvir mais uma verdade, Sakura? – virou-se em direção a jovem que o observava atentamente. — Você se arrependerá amargamente por propor isso. Amargamente.
E antes que Sakura pudesse replicar, o mascarado iniciou a sua caminhada. Deixando para trás uma velha criança, porém, sendo acompanhado por uma jovem mulher.
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:: Próximo Capítulo: Belos olhos ::
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Ah, muitíssimo obrigada por lerem, acompanharem e favoritarem! O/
Sério, eu fiquei muito feliz com o retorno que tive! *-*
Em breve teremos o capítulo dois e outras coisitas (sim, mais fics *apanha*).
E não deixem de comentar! ;DD
Beijos,
Pimentinha.
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ps: Bels, flor, o casal da estória será KakaSaku, embora ele ainda irá se desenvolver :D
