Para Thaths & Kahli Hime

O plano

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Capítulo II

Belos olhos

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Quando menina, sempre acreditara que estando uma pessoa adulta um mundo novo delinear-se-ia em seus olhos. Um mundo onde ela não mais seria pequena e frágil; um lugar em que as pessoas a reverenciariam por ser uma adulta com todo o seu predicado e adjetivo. Um mundo onde o seu um metro e sessenta e um de altura não a tornaria uma simples kunoichi de madeixas róseas.

No entanto, as coisas não eram de tal forma.

Há um ano, quando completou dezoito anos, percebeu que um dígito a mais na sua idade em nada, absolutamente nada, mudaria sua a vida. A garota passou semanas – talvez meses, que por pouco não pode ser considerados anos – planejando a sua entrada triunfal ao mundo adulto, no mundo real. Ah, como era perfeito! Haveria uma festa, não, uma balada em sua homenagem no bar mais comentado de Konoha! Estava tudo planejado.

Ou quase tudo?

Bom, não que ela fosse uma irresponsável, mas digamos que ela confiou que Ino, sem a menor dificuldade, seria a pessoa mais sensata a espalhar os convites, afinal, quem mais poderia propagar uma noticia em menos tempo possível? Isso era uma tarefa perfeita para a amiga, se ela estivesse sóbria, claro.

Quem poderia imaginar que o sumiço de uma garrafa de gim e outra de tequila era obra da loira geniosa? Quem poderia adivinhar que a fofoqueira número um da Aldeia da Folha estava em seu estado mais deplorável aos fundos do estabelecimento? E quem poderia imaginar que haveria a maior festa de aniversário prestes a acontecer?

Tudo fora se tornando um amontoado de catástrofes, culminando com a pior (tentativa de) festa que a ninja teve em toda a sua vida.

Ou quase teve.

Por fim, se já bastava não ter convidado na festa, pior foi ver que, por falta de gente, seu festejo teve de ceder lugar para a cúpula de reunião da "Liga das Senhoras Viúvas/Desquitadas/Solteiras/Encalhadas de Konoha", pois as digníssimas precisavam de um recinto para realizar o campeonato de ponto cruz e exigiam um lugar de "arromba". Lugar que, inicialmente, deveria ocorrer um marco na vida da kunoichi. Um lugar que marcaria o nascimento de uma nova adulta.

Kami, tudo o que Sakura mais desejou naquele momento foi afundar na fossa mais próxima, e morrer. Porém, como também não conseguiu isso, trilhou um caminho mais simples. Secou uma garrafa de tequila e outra de vodka, saquê era bebida para crianças, pensou. A garota não se lembra de muita coisa depois disso, apenas de Sasuke levando-a para casa e acordando no dia seguinte depois de uma intensa noite de sexo esquisito. Não que de fato tivesse sido estranho, na verdade a moça não se recorda direito. Vultos estranhos e movimentos adversos, além de sons rasgados e animalescos, ainda fazem seu corpo se arrepiar de horror.

É claro que depois disso, após seu desastroso aniversário de dezoito anos, algumas coisas mudaram. Acordara na manhã seguinte, enxotou Sasuke de sua cama e da sua vida, parou de planejar festas, ignorou Ino por meses, parou de beber e de fazer sexo. Bom, é claro que este último não é de interesse público e também, não é como a garota tenha se tornada uma puritana traumatizada. Sasuke não era o homem de seus sonhos, nem o cara que a completava, muito menos uma pessoa com quem ela queira dividir a cama novamente, mas isso não tinha nada a ver com a falta de sexo. A garota apenas acreditava que não se entregaria novamente para qualquer um, a qualquer momento. Não mais, nunca mais!

Todavia, muitas coisas permaneciam as mesmas e, aos olhos de muitos, se não de todos, Sakura ainda era a garotinha do time sete. A delicada pupila da Hokage. A ninja fofinha e chorona de cabelos cor-de-rosa. Não importa o que ela fizesse, sempre seria taxada de tal forma, sempre rotulada. Nem mesmo seus colegas de time, praticamente irmãos para a moça – exceto Sasuke, por motivos óbvios –, ainda a tratavam como uma menininha de doze anos.

Não que as coisas fossem irreversíveis, ela acreditava, e exatamente por isso a ninja lutava para que seus esforços sejam reconhecidos e, finalmente, aos olhos de todos tornasse-se uma adulta reconhecida. E, bem, em algum momento isso aconteceria. Mesmo que fosse com a ajuda de seu sensei depravado.

Hatake Kakashi.

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— O quê? Eu não escutei direito. Chacoalhou a cabeça, mostrando a sua falta de entendimento. — Não mesmo. Repita, sensei!

O grisalho suspirou, notando a reação previsível do Uzumaki.

— O que eu disse, Naruto, é que, a partir de agora, todos devem tratar a Sakura da maneira que ela deve ser tratada. – olhou para a garota de relance. — Como uma adulta.

Os garotos da equipe ainda pareciam abobalhados, no entanto, apenas o loiro expunha tamanha perplexidade. Sakura não entendia tal reação, nem mesmo Kakashi.

— E por quê? – indagou Sasuke.

— Pois Sakura já é maior de idade e, depois de mim, é a que possui o maior nível ninja. – explicou Kakashi.

— Mas...

— Naruto. – Kakashi interrompeu-o.

Orbes azulados fitaram a moça de cabeleira rosa, perguntando-se o que ela fizera para conseguir tal gratificação. Ora, pois, todos sabiam que o Hatake, nunca, jamais, confiaria tanto num aluno. Não que o professor achasse-os crianças, obviamente que não, porém, o mascarado sempre os julgara irresponsáveis. Ainda que fosse um mau pensamento, aquilo não se aplicaria a todos, ou melhor, a ele. Todos eram insensatos, isso era fato, porém ele, Uzumaki Naruto, prevalecia-se sobre os demais – embora poucos acreditem.

— O que você tem a dizer sobre isso, Sakura-chan? – o loiro olhava-a sarcasticamente.

— Que finalmente eu ganhei o meu presente de dezoito anos. – a garota lançou um olhar a Sasuke, o que não passou despercebido pelo mascarado.

— Ainda acho isso injusto, Kakashi-sensei. Todos nós temos mais de dezoito anos, é ridícula essa exclusividade, tô certo. – cruzou os braços, fazendo uma carranca. — Se for para ter alguém a ser respeitado, abaixo de você, esse alguém é o Yamato-taichou.


O prateado suspirou, pensando nas razões de seus alunos serem tão problemáticos. Naruto era o ninja imperativo número um e cabeça oca de todo o País do Fogo; Sakura ainda era uma menina-mulher extremamente temperamental; Sasuke era o típico vingador solitário que, no fundo, ainda sonha em ter uma esposa e sete filhos; e Sai não tinha uma personalidade, procurando ajuda em livros que muito provavelmente em nada o ajudará.

— Naruto, entenda, tecnicamente o Tenzou não faz parte da equipe, além do mais, ele não está tão presente assim conosco. De qualquer forma, hierarquicamente falando, Sakura se encontra no mesmo nível que eu, uma vez que ela também é uma jounin. Já vocês – olhou para cada um dos garotos. —, ainda são chunins.

A kunoichi sorriu triunfantemente.

— Só acho estranho que essa decisão surgiu do nada. – resmungou Sasuke.

— Isso não é da sua conta Uchiha. – a Haruno mandou-lhe um olhar fulminante.

— É da conta de todos nós, Sakura-chan. – o loiro se intrometeu.

— Não, não é. – uma veia já começava a se formar na testa da ninja.

— Analisando minuciosamente a situação em que nos encontramos – Sai começou seu discurso —, esse tópico começou somente agora, por iniciativa do Kakashi-san. Com base nisso, é provável que alguma coisa tenha acontecido enquanto estavam a sós, procurando pela pousada...

— Não aconteceu nada!

Todos, absolutamente todos os homens observaram a forma tensa em que a kunoichi frisou o não ocorrido. Para os garotos, ela agiu de forma estranha; para Kakashi, de maneira exagerada.

— Por que você está tensa? – o Uchiha parecia desconfiado.

— Eu não estou tensa! – a garota se defendeu.

— Mas é muito estranha toda essa história, Sakura-chan. – Naruto dizia, enquanto coçava o queixo, pensativamente. — Primeiro, vem você, Kakashi-sensei, com essa história de que devemos tratar a Sakura-chan como uma adulta, porém todo mundo sabe que o Kakashi-sensei jamais faria isso, assim, do nada. E em segundo lugar, por que a Sakura-chan ficou tão nervosa?

— Eu não...

— Certa vez, vi em um livro que homens e mulheres costumam pagar favores conforme o bel prazer de ambos. – sorriu, de maneira imbecil na visão de Sakura. — Assim, muitos optam por favores íntimos.


Era agora que ela transformaria Sai, um palmito, num lamentável presunto.

— O quê?! – o rosto da jovem tomara uma tonalidade abarcante, fechando os punhos numa raiva reprimida. — Seu palmito de uma figa! Não venha com essas acusações baratas. O pervertido que tentou coisas sexuais comigo foi você!

— Como é?! – Naruto se exaltou.

— Não sei do que você está falando, feiosa. E pelo o que eu saiba, o único que conseguiu tal façanha foi o Uchiha.

Todos olharem para Sasuke, que soltou um muxoxo incompreensível. Todos o observaram, exceto Sakura, que procurava um lugar mais adequado para esconder um presunto, futuramente. Um presunto que, provisoriamente, é conhecido como Sai.

— O quê você tem a dizer, Sakura-chan? – desta vez, era o loiro quem parecia tenso.

— Sasuke e eu namoramos por quase um ano, somos jovens e livres. Além do mais, a nossa intimidade em nada tem a ver com isso. – a Haruno se defendeu.

— Err... Eu me referia aos supostos favores sexuais ao Kakashi-sensei.

— Oh.

— Não houve favores sexuais, nem nenhum tipo de troca de favores. – Kakashi resolveu, por fim, tomar parte na conversa.

— Então o que aconteceu? – indagou Sai, curiosamente.

— Apenas estávamos nos conhecendo melhor. – inocentemente, a garota respondeu.

Para a aflição do mascarado. Afinal, um pervertido como ele sabia muito bem o que se passava na mente vazia e empoeirada de seus alunos.

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— Bem-vinda de volta, senhorita Mitsashi. E muito, muitíssimo bem-vindo senhor Shiranui. – a mulher roliça mandou-lhe um sorriso sedutoramente babado. — Então esses são os seus irmãos e o seu primo?

— Sim. – Sakura aproximou-se de seus supostos irmãos. — Estes são Shino e Kiba. – apontou para Sasuke e Sai, respectivamente. — E o meu primo – assinalou para Naruto. — Chouji.

— Belos olhos, Chouji. – a recepcionista piscou para Naruto.

E ele sentiu calafrios.

— Já podemos subir? – Sasuke perguntou, para o alívio de Naruto, que deixou de ser o centro das atenções.

— Sim. – Kakashi iniciou a caminhada, sentido ao pequeno elevador, e sem perder tempo – para não correr o risco de ficar para trás, com a balofa do chupe-chupe – o Uzumaki avançou ao lado de seu sensei.

Ficando para trás, Sakura percebeu a aproximação atípica do Uchiha, e, obviamente, ela já imaginou que não seria por acaso. É claro que não.

— Então, Hinata, ainda é estranho vê-la com o Iruka. – evidentemente, na presença da recepcionista, Sasuke falaria em códigos. Todavia, não havia a necessidade do uso do sarcasmo.

— Ah, não fique com ciúmes, irmão. Ele é um bom homem, você sabe disso. – a kunoichi resolveu encarnar a personagem.

— Mas é um pervertido.

— Não deixa de ser um bom homem.

— Nem de ser um pervertido.

Sérios, os ninjas ficaram se encarando calados, durante um tempo. Talvez até demais.

— Sabe, querido, qual o seu nome mesmo?

Olharam para o lado, deparando-se com a sensual seduction inclinada em suas direções.

Ah, não. De novo não, pensou Sakura.


— Shino.

— Oh, sim, Shino. Como pude me esquecer? É claro, quem mandou o seu primo ser tão bonito, né? – os ninjas se entreolharam. — Como ia dizendo, não fique com ciúmes da Hinata, Shino. Ela é a sua irmã, e é natural sentir ciúmes dela, porém ela não é mais uma criança, e devemos respeitar a opinião e as vontades dela, afinal, a Hinata já é uma adulta. – oh, finalmente Sakura teria de concordar com a mulher, embora o motivo da discussão fosse besteiras da cabeça vingadoramente possessiva de Sasuke. Talvez ela não seja tão ruim, quiçá só seja mal interpretada pelos outros. — Se você fosse mulher, entenderia que não há nada mais excitante do que um cara mais velho e pervertido. Não sabe quantas experiências prazerosas é possível se adquirir, não é mesmo Hinata?

O Uchiha prendeu uma risada que teimava em se manifestar, enquanto a Haruno segurava-se para não avançar na recepcionista.

— Vamos, Shino.

Enlaçando o braço de Sasuke, a rosada marchou em direção ao elevador, deixando para trás uma recepcionista lascívia e tagarela.

Esperando que o elevador descesse, o moreno deixou escapar um risinho irônico. Ele nunca fora do tipo que ria fácil, mas havia situações inevitáveis. O Uchiha aprendeu a ignorar a estupidez de Naruto, as desculpas de Kakashi e as esquisitices de Sai, no entanto, as trapalhadas de Sakura eram impagáveis.

— É sério? – Sasuke questionou, vendo a kunoichi olhá-lo de maneira confusa. — Não há nada mais excitante do que um velho tarado?

— Ah, cala a boca! – a garota gritou.

Ele sorriu.

Talvez fosse por isso que Jiraya conseguia fazer as suas "pesquisas", o moreno pensou.

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Não era um momento apropriado, porém Sakura não tinha culpa de se arrepiar sempre que escutava aquele suspiro em seu ouvido, seu sopro profundo. Era um momento íntimo, e a garota se sentia agraciada pelos deuses por compartilhar esses momentos com ele. Era sempre assim, durante as missões, dividia-se a equipe em três, e inevitavelmente os dois ficavam juntos. Sempre juntos. Normalmente ele começava uma conversa corriqueira, e quando não havia nenhum tipo de ação na missão, ele começava a dele. E quando a garota dava por si, ele apenas chamava por seu nome, fascinantemente.

Sakura.

Suspirou.

— Kakashi...

Mais rápido.

— Uh-hum...

A garota acelerou, sentindo uma linha de suor percorrer o seu busto.

Estou quase lá, Sakura. – respirou profundamente, causando arrepios na garota.

— Eu também sensei. – a garota já sentia seu corpo pesado. — Devo ir mais rápido?

Não, esse ritmo está bom... Ah...

O rádio transmissor fora desligado.


As pernas logo foram perdendo seu ritmo acelerado, quando o jounin avistou a garota se aproximando. A missão de localização fora um fracasso, e ele esperava que pelo menos Sai conseguisse alguma informação, já que estava encarregado de vigiar todo o perímetro aereamente.

Sakura aproximava-se, pulando de árvore em árvore, respirando com dificuldade, por conta da extensa corrida.

— Nenhuma pista? – o mascarado questionou.

— Não... Mas acho... Que pelo lado leste... Deva... Ter...

Enquanto a garota se abanava, tentando recuperar o fôlego, a pequena linha de suor, que se caminhava rumo ao pequeno busto, não passou despercebido pelo ninja copiador, embora ele não tenha demonstrado nenhuma reação.

— Vamos, temos que encontrar Naruto e Sasuke pelo lado sul. – Kakashi alertou a aluna que há pouco se sentou no chão.

— Hey, eu corri quase vinte quilômetros seguidos. Mereço um pouco de descanso, sensei. – ranzinza, a Haruno protestou.

— Infelizmente, Sakura, jounins não se dão a tal luxo. Ainda mais sendo adultos, como você e eu. – olhou para o lado, como se um assunto um tanto quanto embaraçador. — Mas, bem, você ainda pode voltar a ser tratada como antes, como os garotos...

— Vamos sensei, os meninos estão nos esperando. Vamos!

As pessoas podem chamar o que ele acabou de fazer de chantagem emocional, entretanto, para Kakashi, isso é a mais velha brincadeira que ele conhecia. Afinal, cutucar a onça com vara curta era mole, em comparação a conviver com o temperamento instável da Haruno. E digamos que não há nada de mais natural para um ninja do que viver perigosamente.


— Os garotos estão muito longe, sensei? – questionou a Haruno.

— Provavelmente. – o mascarado respondeu preguiçosamente.

— Não me diga que não sabe.

— Pois eu digo.

A garota, cansada e irritada, estava a um passo de quebrar algo na cabeça de seu sensei. Como um líder de equipes, um jounin, um professor, um ninja!, poderia ser tão irresponsável? É claro que os demais companheiros não estavam num nível tão abaixo, porém Kakashi conseguia se sobressair. Sakura não ficava tão surpresa por tais atitudes, afinal, a única com o seu juízo perfeito na equipe era ela, somente.

— Como assim não sabe? Que tipo de líder você é? – a garota já estava cansada de ser a única responsável do time.

— Não tenho culpa que eles não sejam como você, Sakura.

— Assim como eu?

— Sim, que sempre mantém o radiocomunicador ligado.

Por um momento, um milésimo de segundo, a rosada pensou em responder, em revelar a verdadeira razão de sua eficiência, contudo, ela sabia perfeitamente bem que é sempre bom manter certos segredos para poder manter certas amizades. Além de manter a sua honra, claro.

— E então, o que faremos? – não querendo manter nenhum outro assunto sobre o radiocomunicador, a kunoichi procurou um tópico mais pertinente.

— Vamos checar a cidade, talvez haja alguma pista da quadrilha. – suspirou. — Porém devemos ser discretos.

— Isso significa que devemos manter o disfarce.

— Possivelmente.

— De que nós somos noivos?

— Podemos fingir que somos casados, assim ninguém estranhará o seu estresse para comigo.

Oh, ela queria esganar aquele pescoço encapado, no entanto, Sakura sabia que ele tinha razão.

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Já estava correndo por entre as árvores por um bom tempo, quando na verdade, o que mais desejava era se jogar nas águas refrescantes duma fonte termal. Ah, ele saberia desfrutar de cada gota confortável, embriagando-se no maior poço de satisfação que poderia existir. Ah, esquecer-se-ia de seus problemas, da sua missão estúpida e da maldita titica que manchara seu uniforme. Mas não, de jeito algum, ele não podia desfrutar de seu maior prazer – momentâneo –, pois, aparentemente, Sakura era a única a ser privilegiada. Nem mesmo Sasuke, o ninja que se sentia o top de Konoha era agraciado por tais regalias. Se antes o Uzumaki já tinha razões para se vingar de Sakura e Kakashi, agora os motivos potencializaram-se ao cubo, ou seria à quarta? Não importa, ele apenas sabia o que deveria fazer e faria, com ou sem a ajuda dos demais companheiros.

— Alguma coisa por aí, teme? – religou o comunicador.

Não. – o Uchiha respondeu, indiferente.

— Notícias sobre o Sai?

Não.

— Tá, depois eu falo com você. Vou falar com ele.

A linha ficou muda, o que significa que Sasuke não daria nenhuma resposta. O que não era mais nenhuma novidade para o loiro, afinal, para ele, esse era o jeito carinhoso do Uchiha mostrar o quanto o venerava e, também, o quanto Naruto era superior, estava certo disso.

— Sai?

O que foi, pintinho? – o outro ninja respondeu.

— Argh, eu não sou um pintinho!

É verdade, você não é um pintinho, você tem um pintinho.

— Caramba, qual é a sua fascinação pelo o meu pinto, hein?!

Como assim?

— Por que se incomoda tanto com o tamanho dele? – Naruto questionou, aborrecido. — Mesmo que fosse pequeno, em que isso lhe interessa?

Eu... É... Hm... – o outro garoto parecia confuso. — O que você quer afinal de contas?

O loiro suspirou.

— Está tudo bem por aí? Algo de importante?

Não, está tudo bem. Nada de atípico ou relevante.

— Notícias do Kakashi-sensei e da Sakura-chan?

Não.

— Ok, valeu.


Bom, Naruto também não encontrara nada de anômalo na região em que se encontrava, nem Sasuke e Sai. No entanto, Kakashi e Sakura ainda não haviam mandado nenhuma notícia sobre a localização onde estavam. Talvez não estivesse acontecendo nada, porém, como um bom ninja que é, o Uzumaki conectou seu radiocomunicador com o de seu sensei, a fim de saber o que acontecia.

Eu discordo. – Naruto reconheceu a voz de seu sensei.

Talvez este não fosse um momento apropriado para escutar conversa alheia, na verdade nenhum momento é. Só que, com um Uzumaki aborrecido e entediado, nada melhor do que uma conversa sem nexo para distrair sua mente amofinada.

Discorda? – Sakura parecia irritada. — Só pode estar mentindo.

Não estou mentindo. – o mascarado usava um tom suasório.

Quer dizer que não gosta dos grossos? – Naruto ainda não compreendia o teor do assunto, embora parecesse que fosse uma discussão longa. — Eu não acredito em você!

Então não acredite. – completou. — Você gosta dos grossos?

São mais atrativos e fazem muita diferença, você sabe.

O comunicador foi desconectado.

O ninja hiperativo, por certo tempo, ficou atordoado.

Sakura gosta de grosso.

Kakashi gosta de fino.

Céus, que não estivessem falando sobre o que ele pensava ser. Ele até entende Sakura ter tal gosto, afinal, ela era uma garota. Mas seu sensei? O cara era uma pessoa solitária, ele sabia, mas...

Era melhor esquecer isso, e seguir para a pousada. Independente dos gostos exóticos de Kakashi, o prateado não escaparia da sua vingança. Não mesmo.

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Era um absurdo mensurar o quão mentiroso um homem pode ser. Com o seu cinismo e suas desculpas baratas. Não que ela estivesse descrevendo o seu sensei, na verdade não –, apesar de ele se encaixar perfeitamente em tal perfil. A garota não sabia ao certo quando começou, porém, há um bom tempo estava discutindo com Kakashi sobre um assunto que ela jamais imaginou tratar com ele.

Fisionomia.

— Uma boca mais carnuda sempre faz mais sucesso, principalmente entre os homens. – soltou a garota.

— Não necessariamente com todos, Sakura. – o mascarado complementou.

— Ah, não? – relutante, a rosada continuou. — Então, qual é a primeira coisa que chama a tua atenção numa mulher?

O mascarado parecia ponderativo, simultaneamente em que demonstrava a sua preguiça em responder.

— Isso depende muito da mulher. – replicou.

— Sério? – parecia surpresa. — Qual foi a primeira coisa minha que te chamou a atenção, sensei?

— Seus olhos. – parando de caminhar, Sakura fitou seu sensei. — Você tem belos olhos, Sakura.


Naquele instante, a ninja de cabelos cor-de-rosa lembrou-se da cantada esdrúxula que a recepcionista lançara para Naruto. Aos lábios daquela mulher a frase tinha soado tão depravada, que a garota sentiu arrepios e pena do amigo. No entanto, neste exato momento, a frase dita por Kakashi, estranhamente, fez um gélido tremor espelhar por sua barriga. Uma sensação adversa e extasiante ao mesmo tempo.

— Meus olhos? – questionou mansamente.

— Sim. – completou. — Sempre gosto de analisar olhares infantis.

— Hein?

É isso? Seu olhar é infantil?

Embora estivesse surpresa, Sakura não entendia porque se chocou com tal justificativa, não havia razões para isso.

— Obviamente eles já não são os mesmos de quando você tinha doze anos, mas não deixam de ser bonitos. – a menina observava-o atordoada. — O que foi?

A rosada demorou um tempo para digerir a pergunta.

— Nada.

— Mn. – ele a olhou fixamente. — E você? O que mais te chama a atenção?

— As mãos.

— Sério?

— Sim.

Na verdade ela também gostava de observar os bumbuns masculinos, mas isso não vinha ao caso.

— E o que mais te chamou a atenção em mim? – ele parecia curiosamente divertido.

— Seu olhar. – a kunoichi o fitou. — Você tem um olhar de peixe morto.

Isso não era novidade para ninguém.


Olhando-o seriamente, Sakura notou que, embora tendo solicitado ao restante dos alunos tratarem-na como adulta, era como se para Kakashi as coisas não tivessem mudado. Ele continuava tratando-a da mesma maneira como sempre a tratou e, pior!, preferindo ler o seu maldito livro pervertido de capa laranja à conversar com ela. Droga, ele havia dito que ela se arrependeria, no entanto, as coisas continuavam as mesmas.

— Sabe – a garota começou. —, eu pensei que você iria me tratar como adulta.

— Mn. – ele não a olhou, mantendo a sua atenção no livro.

— E você até pediu para os garotos me tratarem como adulta. – comentou, fingindo-se de desinteressada. — Pensei que as cosias mudariam.

— Mnn.

— Mas não mudaram.

— Mnnn.

— E você continua me tratando como uma criança! – pegou um graveto do chão, jogando na cabeça de seu sensei. — Por que disse que eu me arrependeria?

— Do que você está falando? – o shinobi realmente parecia desentendido e isso apenas aumentou a cólera da garota.

— Você disse que me trataria como adulta!

— E estou te tratando.

— Sério? – questionou descrente. — Então por que disse: "Você se arrependerá amargamente por propor isso." – imitou-o com uma voz ridiculamente grossa, fazendo-o revirar os olhos. — "Amargamente". – completou.

— Porque talvez você fosse se arrepender de me pedir uma coisa que já faço. – deu de ombros. — Se arrependeria amargamente de perder o seu tempo com algo que já acontece.

— Como é? – a rosada questionou descrente. — É esse o arrependimento?

— Sim. – respondeu. — Que tipo você pensou que seria?

Ela até poderia responder o que pensou que fosse, mas depois que dissesse, provavelmente, ele pensaria que ela também fosse fã daqueles livros sujos.

— Eu não sei. – mentiu. — Mas não imaginei que foi isso.

— Mn.

— Agora me diga uma coisa. – a Haruno voltou a falar, fazendo o prateado suspirar cansado. — Se você já me trata como adulta, por que diabos pediu aos garotos que me tratassem como adulta?

— Porque assim você pararia de me encher o saco?

É, evidentemente, o Hatake falou mais do que devia – ou mais do que Sakura desejava ouvir. Pois a kunoichi simplesmente virou às costas para o mascarado, marchando furiosamente em outra direção. E, pelo visto, para a garota, sinceridade não faz parte do dicionário adulto. No entanto, sua reação apenas confirmou o seu disfarce.

De que realmente eram casados.

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Quando Sasuke optou pelo hermético caminho da vingança, não mediu esforços para obtê-lo. Emendou-se ao covildas cobras e durante anos treinou com Orochimaru, embora este fosse um dos maiores traidores de Konoha. Depois, após certas descobertas, entrou na Akatsuki. Planejou vingar-se de toda a vila, traiu mais uma vez seus companheiros, porém fora enganado. Após algumas reviravoltas, juntou-se ao País do Fogo novamente, acompanhado com as demais vilas, auxiliando no fim da guerra.

O Uchiha verdadeiramente passou por maus bocados para alcançar a sua vingança – se é que alcançou, Naruto realmente tem as suas dúvidas –, porém, as coisas não parecia perfeitas para ele. O shinobi não parecia feliz, nem mesmo quando namorou Sakura. Sempre indiferente, calado e chato. Sua figura lividamente silenciosa às vezes parecia com um fantasma, um fantasma fraco que sempre perderia para o futuro Hokage, ele, Uzumaki Naruto.

Mas, bem, o que realmente tomava conta da mente do loiro era a sua vingança contra os colegas de time, Kakashi e Sakura. Sua intenção não era tão sanguinária como a de Sasuke, no entanto, não havia nada de nobre nela. Seus artifícios seriam outros com objetivos completamente distintos.


— Olá. – o Uzumaki soou interessado.

— Como vai, Chouji? – a mulher parecia surpresa.

— Vou bem. – sorriu. — Mas poderia ficar ainda melhor.

Dando uma longa lambida na chupeta de caramelo, a mulher sorriu maliciosamente para o loiro.

— Existe algo que eu possa fazer para ajudá-lo?

O loiro sorriu, impetuosamente.

— Existe. – aproximou-se da mulher, pegando em uma de suas mãos. — Pois só você é capaz de me ajudar. – o loiro olhou-a intensamente. — Já lhe disseram que você tem belos olhos?

A mulher estremeceu, e Naruto se perguntou o que certa Hyuuga faria se o visse neste exato momento.


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:: Próximo Capítulo: Operação Pink e o Cérebro ::

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Então, pessoas, gostaram? Logo, logo teremos mais O/

Bom, aos que não viram, postei a primeira parte de uma two-shot KakaSaku ontem. Ela é bem diferente dessa fic, mas espero que também agrade. :)

Então, sintam-se todos convidados a darem uma conferida nela. :D

Enfim, comentários?