Para Thaths & Kahli Hime
O plano
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Capítulo III
Operação Pink e o Cérebro
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Desde muito pequeno, Sai não fora muito habituado ao convívio social, todavia, agora, isso era algo que estava mais do que acostumado.
Obviamente ele não era um expert no assunto, mas com a companhia que tinha – o tão famoso Time Sete (ou time Kakashi) –, bem, até um psicanalista diria que a companhia era em demasia. Não que o time fosse composto por muitos membros, na verdade não, embora fosse maior do que a maioria, mas digamos que as personalidades de cada um eram tão expressivas, mas tão expressivas... Que mesmo a sua visão minuciosa era entorpecida por tamanhos contrastes.
Após a morte de seu irmão, enquanto ainda estava na Raiz, por muito tempo, acreditou que jamais se submeteria ao convívio social. Aliás, fora em tal período de solidão que aperfeiçoara suas técnicas artísticas. No entanto, fora surpreendido quando foi colocado em um time. Houve distintas razões para tal, mas Sai apenas prefere pensar que era uma obra de Kami-sama. Ou melhor, um castigo de todos os deuses!
Ah, ele passou tanto tempo longe do universo social, que, francamente, um time de dois adolescentes, um adulto pervertido e um substituto de madeira, por um longo tempo, foi o martírio-mor do rapaz. Se já não bastava ser o substituto de um traidor e sofrer comparações esdrúxulas, ainda era incompreendido por seus caracteres desumanos. Não que ele agia como um animal, é claro que não, mas a falta das emoções tipicamente humanos era algo muito característico nele.
Então, pelo bem da equipe – e de si próprio –, resolveu mudar. Como?
Com livros!
Certamente que as pessoas achavam um exagero a maneira como ele interpretava os manuscritos, mas aquilo era muito mais do que um hobby, era a sua principal saída do convívio social. Sim, apesar de estar há tempos no Time Sete, seu maior prazer, no momento, era refugiar-se num mundo somente dele. E, oh!, como era fascinante. Sai descobriu universos paralelos maravilhosos, enigmas emblemáticos, segredos extasiantes!
Certa vez, meio que por acaso, achou um livro velho na Biblioteca de Konoha, e bem, como um bom apreciador, resolveu desvendá-lo. Inicialmente, o que mais lhe chamara a atenção era o subtítulo. Não era algo muito comum, e talvez por isso tal livreto chamara-lhe tamanha curiosidade. "Liberte-se do papai e mamãe", era o que estava escrito, e bem, Sai nunca conheceu seus pais, logo, o garoto nunca esteve preso a eles. Mas, algo em si clamava por conhecer os segredos que continham ali, então resolveu levá-lo para casa.
O garoto não entendeu a vermelhidão da face da bibliotecária, nem mesmo o comentário sarcástico da mulher, dizendo: "O que mais se poderia esperar do pupilo de um pervertido?". Seguiu para casa e chegando lá teve uma surpresa. Uma surpresa... Agradável, digamos. Inicialmente ele levou um choque ao ver as imagens, mas aos poucos, foi se habituando e apreciando uma nova arte estampada naquelas folhas. Uma arte nova, que trazia consigo uma nova essência.
A luxúria.
Não que ele soubesse o verdadeiro teor de tal vocábulo, entretanto, a cada página a palavra era estampada, em diferentes orações. "Deleite-se da luxúria"; "Explore o que de mais extasiante a luxúria pode proporcionar"; ou mesmo: "Beba do cálice do diabo e afogue-se no fogo da luxúria".
Luxúria.
Luxúria.
Luxúria...
Oh, Sai nunca se viu tão sedento por certo "convívio social". Ele precisava dos deleites de tal palavra, nem que tivesse de beber do cálice do diabo. A cada página que avançava, uma dolorosa e incendiária dor, no meio de suas pernas, se formava. Uma dor agradável; uma dor avassaladora, e, oh!, uma vontade estranha. Uma comichão desconhecida por ele. E antes que percebesse, já estava se imaginando em tais imagens, na companhia... Na companhia de certa feiosa.
Ele nunca admitiria a ninguém, mas a sensação estranha e a dor ganharam novos rumos quando, ele, pegou sua própria mão e proporcionou aquilo que desejava que Sakura fizesse. Ora rápido, ora lento... Seria muito melhor se a garota estivesse ali, com ele. O garoto passou toda a tarde, e boa parte da noite, apenas nisso, porém ele queria mais, muito mais. Desejava fazer as mesmas coisas que o casal fazia no livro; queria fazer as mesmas coisas com a feiosa.
E, bem, ele tentou.
E não, ele não conseguiu.
Levou a maior surra da sua vida, mas também tirou a sua casquinha.
E, bem, ele ainda não desistiu.
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Naruto, disfarçadamente, aproximou-se de uma mesa escolhendo uma cadeira de fronte a janela, notando Sai se aproximar. O loiro ainda estava em enlevo, porém, obviamente, o palmito-nin não perceberia, afinal, ele era um cretino sem sentimentos. Só de imaginar que Sai teve a ousadia de tentar algo com a Sakura-chan... Oh, o seu sangue começava a borbulhar. Mas, bem, isso não vinha ao caso agora, até porque, ele, Uzumaki Naruto, não iria se vingar do palmito-nin.
Não hoje.
— E o resto do time? – Sai indagou.
— Devem estar por aí. – Naruto respondeu.
— Hn.
— Hn.
Sai olhou para Naruto, e o loiro olhou para a janela.
— Pois é. – Sai resmungou.
— Pois é. – Naruto o respondeu.
— Chouji-kun? – o loiro permanecia observando a paisagem, distraidamente. Em seus olhos azuis, Sai encontrou um misto de tensão e temor. Como se algo houvesse assustado Naruto profundamente. — Chouji? – Naruto não respondeu. — Chouji-kun? – o loiro permanecia calado. — Pintinho!
— Eu não tenho um pintinho, seu transparente de uma figa! – gritou exasperado.
— Aham, mas bem que gosta de ser chamado assim.
— Eu não... Argh... O que você quer, afinal de contas?
— Bom, nada. Só estou te achando bastante tenso. – deu de ombros. — Está tudo bem com você?
— Se está tudo bem? É claro que está tudo bem! Por que não estaria? – jogou os braços para o alto, e a passou a esfregar a nuca. — Não é como se eu tenha passado pelo maior trauma da minha vida, é claro que não. Hehe. Tô certo.
Sai não estava afim de iniciar uma discussão, mas ele sabia muito que o Uzumaki estava mentindo, e muito mal, diga-se de passagem. Entretanto se o garoto não estava com vontade de falar, ele o deixaria em paz, momentaneamente.
Sasuke acomodou-se com os demais companheiros, observando a nítida tensão entre eles, ou melhor, entre o loiro. E, de certa forma, o moreno já imagina a razão disso.
— Dobe. – falou, acomodando-se melhor na cadeira.
— Hn? – ele parecia estranhamente evasivo.
Sasuke suspirou.
Definitivamente, Naruto estava fazendo o que não deveria. Algo completamente estúpido, assim como ele.
— Não faça. – soltou.
— Como é? – Naruto parecia confuso.
— Eu disse para não fazer. – olhou o colega seriamente. — Não continue com esse plano estúpido.
— Plano? Que plano? – o Uzumaki fingiu desconhecer o assunto. — Não sei do que você está falando.
— Sim, você sabe. E presumo que você já tenha dado inicio a essa asneira.
— Eu...
— É verdade, também acho que o pintinho está fazendo merda. – Sai comentou. — Ele está bastante tenso.
— Eu não...
Ele até pensou em responder, porém as atenções foram tomadas por uma rosada furiosa que marchava em direção à mesa. Os garotos se calaram, enquanto Sakura parecia matar o primeiro que lhe dirige-se a palavra. Entrementes, Kakashi aproximava-se calmamente, com o rosto afundado no Icha Icha Paradise.
— Hinata-chan... – o ninja hiperativo, mais do que nunca, controlava a sua apreensão. — Está tudo bem?
— Sim. – respondeu seca.
Os demais garotos também a observavam, inquietos. No entanto, Kakashi era o único a não ser atingindo pela tensão e nem pelo olhar fulminante que a garota do time lhe lançava. Não que ele não estivesse percebendo, mas ele sabia que a indiferença era uma estaca certeira ao orgulho da Haruno.
— Certa vez eu li em um livro... – Sai tentou amenizar o clima.
— Não quere saber. – Sakura o cortou.
— É isso ae... – Naruto também tentou.
— Cale a boca. – cortou-o também.
Os garotos se entreolharam, e num consenso silencioso resolveram questionar à pessoa menos pior entre os dois.
— Iruka, você poderia nos dizer o quê aconteceu? – o loiro indagou.
— Nada. – respondeu, desviando de um palito de dentes voador.
— Nada? – a Haruno questionou, atirando outro palito em Kakashi. — Ele diz que não aconteceu nada!
— O quê aconteceu? – Naruto a fitou.
— Não interessa! – atirou um palito na face do amigo, que foi atingindo em cheio.
— Querida... – Kakashi tentou acalmá-la.
— Não me chame de querida! – Sakura gritou, chamando a atenção das pessoas que por ali passavam.
O Hatake suspirou.
— Podemos ter um momento particular, meu amor? – o mascarado soou sério.
E Sakura teve sérios arrepios em todo o seu corpo.
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Marcharam para um saguão. Não, Sakura marchava e Kakashi se arrastava atrás de sua aluna, com seu passo calmo e preguiçoso, para o martírio da rosada. De longe, a partir de um ângulo bastante distorcido, de fato, pareciam um casal em seu momento de desentendimento – apesar de, naquele momento, eles não estarem atuando como um casal. Às vezes a vida imita a arte, como muitos costumar dizer.
— Yare, yare. – o mascarado suspirou. — Acho que já andamos demais, não acha?
A garota o olhou séria, aproximando-se de seu sensei. Ele, obviamente, se afastou.
— Por quê? – a garota parecia confusa.
— Por que o quê? – e o Hatake parecia ainda mais.
— Por que tem tanto medo de me tratar como adulta? O que há de errado com isso?
— Bom... – algumas pessoas próximas acharam apropriado diminuir os passos para melhor ouvir a discussão. — Amor, talvez as coisas não sejam tão simples.
— Não me chame de amor, seu cretino! Agora, vamos, me diga, por que não é simples?
O Copy Ninja aproximou-se da rosada, pegando-a pelo braço, delicadamente.
— Em primeiro lugar – aproximou-se do ouvido da garota —, devemos manter o disfarce, e não me passa para te chamar de Tenten que eu não irei me lembrar...
— É Hinata! – Sakura o alertou, enquanto era conduzida ao jardim.
— Que seja. Mas como ia dizendo, se não posso te chamar de querida, nem de amor, do quê devo te chamar? Chuchuzinho? Docinho de jiló? – docinho de jiló? De onde, diabos, Kakashi tirou esse apelido?, a garota se perguntou. — E agora sou eu quem te pergunto, como assim te tratar como adulta?
A garota desvencilhou-se do mascarado, voltando para ele.
— Certo, me chame de amor, querida, o que for. Mas por favor, não invente esses apelidinho novamente. "Docinho de jiló?", ninguém merece. – ela suspirou. — Enfim, como assim digo eu! Estou te pedindo para me tratar como uma adulta, de verdade. Qual é a dificuldade nisso?
— Talvez... – o homem parecia compelido. — Talvez eu não saiba como fazer isso.
— Como não sabe? – a Haruno parecia perplexa. — Você já é um adulto, é só me tratar como você trata os demais adultos. – sugeriu.
— E se eu já a tratar como os demais?
— Como é?
Oh, seria complicado explicar.
— Eu não sei que tipo de coisa você fantasiou, querida. Mas não há muita diferença em ser adulto. – ele suspirou cansado, notando o interesse da garota. — Se tornar adulto não acontece, simplesmente, a partir da maioridade. Na verdade é processo contínuo que se inicia muito tempo antes dos dezoito anos. Essa idade, de fato, é apenas um número estabelecido legalmente. Sabe, a maturidade é um processo bastante subjetivo, cada um amadurece ao seu ritmo.
— Ok, agora me conte uma novidade. – a rosada o respondeu desinteressada.
— Você é louca. Oh, perdão, isso não é uma novidade. – ela fez uma careta.
— Fala sério, você pode até fazer o seu discurso com palavras sábias e bonitas, mas você não respondeu a minha pergunta.
— Que pergunta?
— Por que não me trata por igual?
— Mas eu te trato.
— Não.
— Sim.
— Não, não trata.
— Sim, eu trato.
Oh, essa discussão já estava a deixando a beira dos nervos! Seria bem mais simples pular no pescoço dele e estrangulá-lo até que ele reconhecesse a verdade.
— Então por que você é tão distante? Não conversa? Sabia que somos adultos e não há restrições de assuntos entre nós?
O olho visível de Kakashi curvou-se, numa expressão plissada. O homem parecia divertido, ao mesmo tempo em que demonstrava ter compreendido as queixas da aluna.
— É isso? – ele parecia divertido. — Quer conversar mais comigo? – a kunoichi assentiu, sem muita certeza. — Quer conversar com o maior pervertido do País do Fogo? Oh, isso é uma honra.
— Não quero simplesmente conversar com o maior pervertido do País do fogo, quero ser amiga do meu sens-noivo. – corrigiu-se, notando que permaneciam a sós.
— Por que não disse isso logo? Seria mais simples.
— Bem, eu não sabia direito como falar... Então você aceita?
— Provavelmente. – a garota sorriu. — Mas o que você quer que eu faça, exatamente?
— Ah, que você não tenha vergonha pra conversar comigo. Nós conhecemos há tanto tempo. Você poderia falar de tudo, sabe. Desde o tempo nublado à mania esdrúxula que vocês, homens, têm de coçar o pênis.
— Tudo bem, se é o que deseja. Mas saiba que eu não fico coçando o meu pênis por aí, normalmente eu coço o saco, mas isso já é um hábito para a maioria dos homens.
E dizendo isso, o Hatake saiu, deixando sua aluna boquiaberta para trás.
E Sakura, bem, ela não imaginava que ele fosse atender ao pedido tão prontamente. Embora não fosse exatamente conversar com ele que fosse seu desejo. Bom, não precisamente. No entanto, ter um bom diálogo com ele já a impulsionaria ao mundo adulto, finalmente.
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Os garotos permaneciam calados, aguardando a volta do "casal". Uma mosca perambulava por eles, incomodando profundamente o Uzumaki – que precisava se concentrar para não quebrar o ritmo de seu tamborilar de dedos na mesa. Sasuke estava sério, fitando o nada; e Sai fazia cara de idiota entendido.
Naruto se perguntava a razão da demora de Kakashi e Sakura, afinal, ele queria logo convencer todos a ir à fonte termal, dispersar o teme e o transparente, deixar a amiga e o sensei vulneráveis e... Tcham! Executar seu incrível plano. Oh, ele nunca fora o tipo de pessoa vingativa, assim como o Sasuke, no entanto, Naruto sabia muito bem como atacar – sem tanto drama, como o teme havia feito –, estava certo disso. Se os covardes à sua frente por algum segundo tiveram a ousadia de pensar que, sem a porcaria da ajuda deles, o plano estaria em apuros, estavam completamente enganados! Uzumaki Naruto é um homem, sim, um homem!, um belo homem viril, de palavra e fibra , cujos planos não serão prejudicados por dois fracotes branquelos de uma figa!
— Está tudo bem?
O garotou percebeu que Sakura o observava atentamente, com uma preocupação estampada na face.
— Oh, sim. – respondeu. — Sem problemas, Sakura-chan. – a garota arregalou os olhos, dando um soco no rosto do loiro, no qual, jazia distraído. — Hey!
— Nem faça essa cara! – a garota o alertou. — Não bote a nossa missão em risco, por conta de uma distração, seu idiota!
— Mas o quê eu fiz, Sakura-chan?
— Pare de me chamar assim!
— Sak... – oh! É isso! Ele havia se esquecido da porcaria do codinome, diabos! – Me desculpe, Hinata-chan!
A garota ainda avançou para esbofeteá-lo, porém foi impedida pelo ninja mascarado.
— Yare, acidentes acontecem.
— Sim, acontecem. – a Haruno concordou. — É por isso que acidentalmente o meu punho direito irá se chocar na cara desse idiota!
— Oh, não é para tanto, não há ninguém aqui! – Naruto protestou.
Prevendo uma óbvia confusão, Kakashi obrigou sua aluna a se sentar, longe de Naruto, e resolveu mudar o rumo da conversa.
— Certo, presumo que a missão de todos aqui foi um fracasso, estou certo? – o jounin observou seus alunos assentirem, desanimadamente. — Não temos muito que fazer, por hora. Logo, estamos autorizados a seguir atividades comumente civis.
— Yeah! Enfim, fontes termais! Ah, o que seria ir para o País das Fontes Termais, sem ir numa fonte termal?! – Naruto saiu da mesa, entusiasmado.
Um pérfido entusiasmo.
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Caminhou rapidamente, chegando enfim na recepção. A balofa, no qual mantinha fielmente seu ritual com o chupe-chupe, causando uma onda eletrizante de arrepios num Naruto horrorizado, olhou-o maliciosamente. O garoto se perguntou se poderia voltar, mas... Ele era um homem, no qual o seu orgulho foi ferido, e por tal fato tinha todo o direito de se vingar! E se a balofa mostrou-se simpatizante com a sua causa, dane-se que ela era uma maluca que parecia ficar excitada chupando uma chupeta de caramelo!
— Operação "Pink e o Cérebro" operante. – sussurrou para a mulher.
— Oi?
— Eu disse: "Operação Pink e o Cérebro operante". – Naruto repetiu impaciente.
— Oh, sim, isso eu entendi. – o loiro sorriu. — Mas não entendi o que isso significa.
— Err... Certo, deixe-me explicar. – a balofa assentiu atenta. — Quando digo "Pink", refiro-me à Hinata por causa da sua cabeleira rosa; e "Cérebro" ao Iruka, que é muito inteligente e pensativo. Logo, Operação "Pink e o Cérebro" refere-se à surpresa que planejo aos dois, compreende?
— Oh, sim, agora entendi, Chouji-kun. Mas não poderia colocar um nome mais adequado? – a recepcionista ponderou um pouco. — Não sei, que tal Operação ninfeta e o velhote? A magrela e o tesudo? Ou o gostoso e a sortuda?
— Hein? Não...
— Que tal Operação tapa-buraco? – a mulher sugeriu novamente.
— Operação tapa-buraco? – o Uzumaki parecia confuso.
— É... Se é que me entende. – a recepcionista lhe lançou um olhar sugestivo.
— Oh não, que horror!
— Não faça essa cara de nojo, querido. Você sabe muito bem o que esses dois fazem quando estão a sós. – falam sobre os seus gostos exóticos (em que Sakura gosta de grosso e Kakashi de fino), o loiro pensou.
— Ah, quer saber? O nome do meu plano se chamará "O plano".
— O plano?
— Sim.
— É um nome imbecil. Os outros eram melhores.
— Não quero saber, "O plano" é muito melhor.
— É muito óbvio e redundante.
Isso não importava para Naruto – principalmente porque ele não sabia o significado de redundante – ele só queria dar inicio ao esplendoroso O plano.
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— Ao que se consta, a Operação Pink e o Cérebro teve inicio. – o rádio chiou.
— Quem é o cúmplice?
— A sensual seduction.
— Quem?
— A balofa do chupe-chupe.
A recepcionista pervertida, Sasuke se recordou.
— Hn.
— O que faremos? – Sai soou ansioso.
— Devemos aguardar o Naruto agir. – o Uchiha respondeu impassível.
— Acredito que ele já esteja agindo.
— Por quê?
— Ele já está convencendo o Kakashi-san a ir à fonte termal.
— Estúpido.
— Eu?
— Naruto.
— Qual era o plano dele mesmo?
— Uma armação na fonte termal, entre outras coisas.
— Oh, sim.
— Onde está a Sakura?
— Se encontra a caminho da fonte termal.
— Droga.
— Já podemos começar a agir?
— Sim.
— Operação Felícia operante! – Sai anunciou, exaltado.
— O quê disse?
— Felícia. Sabe aquela que... Deixa pra lá. – comunicador foi desligado.
E, embora confuso, Sasuke começou a agir. Cogitando ser a maior estupidez que se meteu.
Operação Felícia? O que Sai quis dizer com isso?, o Uchiha se perguntou.
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Não era sempre que, no meio – na verdade inicio – de uma missão, Sakura poderia dar ao desfrute de se deliciar numa fonte termal. Ah, a garota já nem se lembrava de quando fora a última vez que esteve numa! Há muito tempo sua vida se tornou o hospital. Ser a médica chefe exigia muito de si e, antes que percebesse, passava praticamente vinte e quatro horas enfurnada em tal lugar. Quando esteve namorando Sasuke, o moreno se queixava de sua constante ausência, afinal, como um clã poderia ser reconstruído sem uma mulher presente? Oh, como isso a incomodava!
A kunoichi sempre detestou ser controlada, e bem, o Uchiha era a possessão em pessoa.
Mas por que estava se recordando disso? Ela tinha toda uma fonte termal para desfrutar e... Onde estavam as toalhas? Era só o que lhe faltava, ter de ficar completamente nua numa fonte termal! Mas, bem, ela estava na ala feminina, será que poderia? Adentrou mais ao fundo do ambiente, e ninguém estava lá. Nenhuma alma viva! A garota ponderou um pouco e, por fim, decidiu-se.
Ora, por que não?, se perguntou. Não haveria nada demais se, ocasionalmente, outra mulher a visse nua. Sendo médica, a nudez não era mais um estorvo aterrorizante, como fora um dia. Então, rapidamente, despiu-se e colocou suas roupas em um dos armários vazios e, ainda mais rapidamente, correu para a fonte, jogando-se como uma bala de canhão. Não havia necessidade de delicadeza, ainda mais por estar sozinha.
Sentiu a temperatura da água e, oh, tinha que concordar com Naruto. Não havia coisa melhor que isso! Bom, na verdade há, mas Sakura não queria saber de outras coisas, apenas da agradável fonte termal. Que por sinal, era a melhor de toda a região! Se não fosse por ela, provavelmente todos teriam de dividir a mesma – aquela unissex, que caia aos pedaços.
A garota notou que o vapor apenas nublava a sua visão, mas não se importou. Afinal, assim ela não seria obrigada a ver as outras garotas que entrassem.
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— Eu não gosto.
— Mas é muito divertido, Kakashi-sensei!
O Hatake fitou seu aluno, se perguntado a razão de tamanha insistência. Não, homens não acham divertido ficar na mesma fonte termal que outros homens. E não, ele nunca apreciou ficar numa fonte quente e vaporosa.
— Não estou afim. – disse, preparando-se para sair.
— Ok, eu não ia te contar isso, mas é que eu realmente preciso que você vá até as termas. – o Uzumaki usou de um tom suplicante. Ou mesmo persuasivo, na opinião do jounin.
— E por quê?
— Bem, é que... É que eu preciso encontrar alguém.
— Quem?
— Isso não vem ao caso, sensei. – fingiu constrangimento. — Eu preciso encontrá-la nas termas femininas, então queria que você ficasse na masculina de olho na Sai e no teme. – o loiro mentiu descaradamente, rezando que Kakashi acreditasse em sua conversa.
O ninja copiador olhou profundamente para seu aluno, e este temeu ter sido pego, no entanto, logo um sorriso plissado fora lançado ao garoto.
— Está certo. – olhou preguiçosamente para os lados. — Em qual direção fica a ala masculina?
Naruto sorriu vitorioso.
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Kakashi olhou para os lados, notando a ausência de qualquer espectro no local. E a ausência de qualquer toalha também, diga-se de passagem. Procurou pela presença de Sasuke e Sai, mas nada, obviamente não estavam por ali. Dando de ombros, despiu-se, guardando sua roupa em um dos vários armários e vazios. E seguiu para a terma.
Nu.
Mas quem se importa? Não havia ninguém ali mesmo. E também, não era como se estivesse despido de tudo, sua máscara continuava fielmente em seu rosto. Uma máscara que usava somente em ocasiões em que têm de abandonar o seu usual uniforme ninja. Adentrou nas águas refrescantes, embora toda a sua visão fosse ofuscada pela espessa neblina. Sentou-se próximo à borda, permitindo ponderar sobre Naruto.
Então o loiro se encontraria com alguém nas termas femininas? E, nem ele, Sasuke e Sai poderiam saber a identidade da moça. Por que será que o nome de certa aluna de cabelos cor-de-rosa parecia ser a única criatura feminina que o jovem iria encontrar? A ideia não era de total absurdo, afinal, quem nunca soube da paixão de Naruto por Sakura? Mesmo a garota tendo apenas olhos para Sasuke, e tendo namorado o mesmo, nada a impediria de dar uma chance ao ninja hiperativo. Ainda assim, Kakashi se perguntava quando esse romance começara, até porque, não fazia muito tempo que ouvira dizer que o Uzumaki estava com certa Hyuuga. Mas, bem, essas paixões de adolescentes, francamente, não era um assunto de sua especialidade e...
O fluxo de pensamento do prateado foi cortado quando notou uma agitação na água. Levantou-se rapidamente, e sentiu algo aproximar-se de si debaixo d'água. Aguardando, observou a água que lhe atingia à altura da cintura. A agitação foi se acalmando, até que parou. E então...
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Não era como se Naruto estivesse mentindo para seu sensei, na verdade ele fora bastante sincero, isto é. Pois, sim, de fato ele iria encontrar uma pessoa na ala feminina, e não, ele não queria que Sasuke e Sai soubessem disso. Logo, o loiro não deveria se sentir culpado!
Não por isso.
— Fiz o que você me pediu. – dizia, com a chupeta de caramelo na boca.
— Você tem certeza de que ninguém percebeu? – o garoto ainda estava desconfiado.
— Sou eu quem cuida desse estabelecimento, então você pode me considerar os olhos e os ouvidos desse lugar!
E a barriga também, pensou Naruto.
— Certo, certo, agora é só esperar. – o ninja disse triunfante. — Vou ver se o teme e o transparente estão por aí.
O garoto já se aproximava da saída, quando a recepcionista estacionou na sua frente, bloqueando o caminho. Ela sorria, ainda com o chupe-chupe na boca.
— Eu sou uma boa garota, não acha que eu mereço uma recompensa?
Oh kami.
— Acho que já te dei uma mais cedo, não se lembra? – Naruto respondeu, de certa forma, amedrontado.
— Mas eu sou uma pessoa muuuuito gulosa. – sorriu, aproximando-se do ninja hiperativo.
E foi nesse instante que o garoto resolveu provar que sua velocidade era tão boa quanto à do seu pai, o Relâmpago Amarelo de Konoha.
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Com passos rápidos e firmes, Sasuke e Sai aproximavam-se da fonte termal, adentrando na porta mais próxima. A neblina era bastante espessa, e o ninja recordou-se da técnica usada por Zabuza. É claro que não era a mesma, mas era algo bem parecido.
Os dois garotos, num silêncio cumplice, adentraram no local, procurando por qualquer coisa suspeita.
A "Operação Pink e o Cérebro" não iria ser efetuada, não mesmo. E para os ninjas, aquilo era uma questão de honra. Uma questão de honra à garota do time, que não merecia passar por tal vexame, e ao sensei que, bem, era preguiçoso demais para sofrer tal martírio.
Ok, na verdade cada um tinha suas razões para estragar a vingança de Naruto, porém, era muito mais fácil omitir certos detalhes.
— Ali. – Sasuke apontou com o seu sharingan ativado.
Sai notou uma movimentação atípica nas águas da terma.
— Vamos.
E, assim, iniciaram uma corrida e, próximos à borda da água, jogaram-se. Misturando-se à agitação, os dois garotos conseguiram separar as duas pessoas que estavam... Que estavam compartilhando de um momento bastante intimo.
Olharam-se surpresos, pois, não era exatamente essa situação que eles imaginavam encontrar. Muito menos tais pessoas.
Naruto e a balofa.
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Algo bem próximo de Kakashi se levantou, vagarosamente. Embora sendo possuidor do sharingan, preferiu deixar a neblina se propagar para descobrir do que se tratava a sua frente. Aos poucos, a figura foi tomando formas, curvas femininas, mais especificamente. Não eram de total exuberância, mas eram agradáveis. Do tipo que ele gostava, tinha que admitir. A pessoa pareceu fazer um movimento e, no momento seguinte a única coisa que percebeu era uma fumaça rosa e algo como um: "seu pervertido de uma figa!".
E bem, depois disso ele apenas percebeu que estava bebendo mais água do que deveria, e que havia um corpo feminino acima do seu.
Bem, talvez não fosse ele o pervertido, no final das contas.
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:: Próximo Capítulo: Confusões na terma ::
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N/A:
Primeiramente, peço desculpas pela demora, acreditem, não foi culpa minha.
E em segundo, eu queria fazer uma pequena enquete com vocês. Quem não quiser responder tudo bem, mas seria de grande ajuda caso respondessem.
Enfim, vamos lá.
Tenho outra fic aqui, prontinha, mas estou insegura de publicá-la ou não. Se é KakaSaku? Sim, também. Mas há outros casais também. Na verdade, é uma Time Sete x Sakura. Sim, TODO o Time Sete (incluindo o Yamato).
Então, eu gostaria de saber se vocês a leriam? Certo, ninguém é obrigado a gostar, mas alguém ficou curioso? E não é por nada não, até o presente momento, não há nada do tipo aqui no site. O que me deixa feliz por ser a primeira à publicar ao mesmo tempo em que me deixa insegura D:
Respondam Sim ou Não, e se por acaso tiveram alguma dúvida ou curiosidade sobre ela fiquem à vontade para perguntar que terei o maior prazer em responder ;D
E, por fim, em terceiro, gostaria de avisá-los que a postagem será mensal. Por motivos de estudos e tal, mas não, não abandonarei a fic, até porque, já tenho uns (vários) capítulos adiantados ;D
Enfim, comentários são bem-vindos e apreciados.
