Para Thats & Kahli Hime
O plano
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Capítulo IV
Confusões na terma
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Quando a guerra acabara, Sasuke percebeu que todos os seus objetivos, enfim, foram concretizados. Ou melhor, quase todos. Bom, é claro que as coisas até que haviam saído conforme planejou em boa parte da sua vida, porém, de fato, também não eram como imaginava. O Uchiha jamais havia suspeitado que fora vítima de uma grande mentira. Desde o massacre do seu clã às reais intenções de Madara, ou melhor, Tobi.
Ou seria Obito?
Talvez ambos, de certa forma.
Enfim, a guerra acabou, e Sasuke se sentiu deslocado. O que seria dali para frente? Bom, ele não teria futuro em outras vilas, afinal, para muitos, o último Uchiha era um traidor problemático com um estranho corte de cabelo. Durante certo tempo, ele não sabia exatamente o que fazer. Até que se lembrou de um de seus objetivos que, com o passar do tempo, foi perdendo espaço para a sua sede de vingança. Que era a reconstrução do seu clã.
Inicialmente ele bem que pensou em aceitar os convites indecentes de Karin, mas depois pensou melhor, e não. Ela não era uma mulher do mesmo nível que ele. Na verdade, não havia mulher em seu nível, contudo ele queria alguém que estivesse o mais perto disso. Ainda no período em que as vilas estavam se estabilizando, Sasuke resolveu procurar a Godaime. Obviamente ele fora recebido com quatro pedras na mão e várias reclamações daquela mulher de seios fartos. Ela conseguia ser mais irritante do que a Sakura! Mas, por fim, graças a Hokage, o conselho o aceitou de volta e toda a vila não poderia protestar. Porém com uma condição: novos Uchihas deveriam ser fabricados. Sim, o clã deveria ser reconstruído, e já! E então, Sasuke se viu obrigado a achar uma mulher apropriada logo. No entanto a tarefa não foi nada, nada fácil.
Inicialmente ele pensou na ex-colega de time, mas não. Ela era muito chorona e irritante. Depois se recordou de Ino, contudo ela tinha a capacidade de ser pior do que Sakura. Pensou em procurar por Tenten, mas não estava muito animado para iniciar uma briga com Neji. Hinata também chegou a ser uma possibilidade, mas além dela ser completamente apaixonada por Naruto, ele não queria uma esposa que desmaiasse toda vez que o visse nu. Como seria então para fazer os filhos? Um completo desastre, pensou. Ele quase tentou saber por Karin, ou ter uma conversa séria com o conselho, mas um dia as coisas mudaram.
Em uma festa qualquer, provavelmente em comemoração ao fim da guerra, o Uchiha viu Sakura de longe e, bem, sob aquele ângulo a rosada parecia uma mulher apropriada. Ela estava arrumada, feliz e apreciável. Seus cabelos estavam curtos – e pouca gente sabia, mas ele adora mulheres de cabelos curtos. Ela se aproximou e cumprimentou-o e, ali, ele deu a sua cartada. Enquanto a moça falava – com ele, Naruto e Sai –, o Uchiha mostrou-se bastante receptível, olhava no fundo de seus olhos e, quando necessário, dava um meio sorriso. E a garota notou, evidentemente. No fim da festa, como quem não quer nada, Sasuke a chamou para ajudá-lo com a arrumação da sua casa, no complexo Uchiha, e obviamente ela aceitou.
Em menos de uma semana os dois já estavam namorando e, somente após três meses, de namoro Sakura "cedeu". Sim, nem mesmo Sasuke conseguia convencê-la a não esperar pelo casamento. Aquilo era piegas e uma perca de tempo, em sua opinião. Sim, eles só tinham dezessete anos na época, mas isso não era de total absurdo. Crianças já faziam coisas bem piores do que eles. E as coisas iam muito bem, naquele tempo. Iam, pois logo em seguida ele recebeu um ultimato do conselho de Konoha.
Filhos, restauração de clã, rapidez, e mais filhos, foram os tópicos da reunião. Aqueles velhos pareciam não entender que as coisas não eram bem assim, o Uchiha não era um coelho procriando para poder ter tantos filhos tão rapidamente. Além do mais, ele nem havia conversado com Sakura sobre isso. Mas o conselho foi bem claro: ou teria filhos ou estaria fora da Vila permanentemente. E sem outra escolha, ele abriu o jogo com a rosada, que relutantemente aceitou. Só estavam adiantando as coisas, que mal havia?
No entanto, já estavam tentando há quase um ano e nada. Parecia até mesmo que a kunoichi não se importava com a necessidade do rapaz. Mesmo tentando controlar o ciclo menstrual da garota, nada acontecia – não por maldade, mas por necessidade, ele repetia a si mesmo. Era frustrante e, antes que percebesse, o relacionamento já não era o mesmo de antes. E, diabos, ele próprio se sentia um coelho depravado. As coisas estavam indo de mal a pior – o sexo não era mais emocionante e ele chegava ao ápice muito antes de Sakura. Ele não se sentia bem com isso e então ele fez uma reunião com o conselho.
Cinco anos, foi tudo o que pediu. Ele sabia que não estava pronto para ser pai e a namorada também não parecia muito animada. Naquela mesma noite Sakura faria dezoito anos e ele lhe daria um presente inesquecível. Porém a festa foi um desastre, ou melhor, a festa não foi. Ela nem se realizou. O Uchiha resolveu então seguir seu plano inicial, e a levou para casa. Mas a garota estava bêbada e o "atacou". Foi uma noite um tanto quanto bizarra. Durante o sexo a garota pensou ser um tipo de felino, só pode, pois soltava miados, rugidos e outros sons animalescos. Definitivamente, foi horrível – mas ele não iria dizer nada a ela. O presente ficou para o dia seguinte, no entanto, quando acordou, a Haruno já não estava mais na cama.
Durante o dia todo planejou o que dizer a ela e como entregar o presente. Era difícil de admitir, mas estava nervoso. Quando ela chegou, durante a noite na sua casa, ele até tentou começar o seu discurso, mas ela foi mais rápida. "Acabou", disse impetuosamente. Ele ficou calado, e ela completou: "Não está dando certo, nem dará. Sinto muito, mas não creio que haja futuro entre nós", sem dizer mais nada, Sakura saiu, deixando a porta aberta atrás de si – e um Sasuke inexpressivo.
Calmamente o Uchiha tirou o pequeno anel do bolso, depositando-o numa gaveta qualquer.
Talvez ainda não fosse o momento para pedi-la em casamento, pensou. Por enquanto.
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Ela já estava ficando sem ter o que fazer ali. Afinal, nunca foi do tipo de pessoa que aguenta ficar muito tempo com a bunda no lugar sem nada fazer. Mas, bem, havia uma fonte termal somente para ela, então, que mal havia de nadar um pouco? Não que ela fosse uma grande apreciadora do nado, entretanto era algo que a fazia relaxar. Sair um pouco da realidade nebulosa em que estava. A garota ia de um lado ao outro. Ia até o fundo. Até que...
Até que sentiu uma presença na água. Talvez fosse uma garota, assim como ela, que também escolhera relaxar um pouco na terma. Porém ela viu algo intrigante. Uma panturrilha masculina. Como sabia que era masculina? Pois além de ser mais grossa do que a de uma mulher, tinha pelos que nenhuma garota gostaria de exibir. A neblina ainda embaçava a sua visão, mas ela sabia muito bem que era um homem ali. Na fonte termal feminina! O cara parecia indiferente, pois assim que entrou já foi se estabilizando na borda. Para melhor aprecia a paisagem!, a kunoichi pensou. Mas as coisas não ficariam assim, o tal pervertido deveria ser castigado.
E assim, Sakura levantou-se calmamente, agradecendo por tal neblina manter a sua descrição. O homem também se levantou e nada fez. A rosada se perguntou se não seria Naruto ali, ou mesmo Sai. Mas não, o tal homem era mais alto. Talvez até mais atlético que os garotos. Porém ele era um pervertido e sofreria por invadir a ala feminina! Num movimento único, Sakura já havia derrubado o homem, pulando em cima dele.
Ele sofreria! ah, e como!
— Seu pervertido de uma figa! – afundou a cabeça dele na água, enquanto ele se debatia. Ela direcionou sua mão ao pescoço, até que notou algo atípico. Um tipo de tecido... Aquilo era uma máscara? – Sensei?
— Sakur...
Não, ele não tinha o direito de falar nada. Como o seu sensei pode ter tamanha audácia – ou seria saliência? – de invadir as termas femininas? Naruto ela já estava acostumada, se fosse Sai não a surpreenderia. Mas Kakashi? Justamente ele? Que ele era um pervertido, bom, isso não era novidade para ninguém, mas observar a aluna nua nas termas? Ah, isso já era demais!
— Seu pervertido, pervertido! Não respeita nem a sua própria aluna? – ela não conseguia acreditar em tamanho ultraje!
Sakura continuou afundando o seu sensei na água, ao mesmo tempo em que apertava seu pescoço. Oh, como ela estava com raiva, e, oh, ele sofreria as consequências por ser tão depravado. Dane-se que ele é seu superior, ele é um depravado! E como Sakura odeia caras depravados!
Tamanha era sua cólera que, inocentemente, não abstivera o fato de estar posicionada acima de seu sensei.
Nu.
E mesmo um volume peculiar que crescia em meio àquela confusão de pernas e água.
Certamente a fama de pervertido de Kakashi não era de completa mentira, mas bem, ele também não era insano. Sim, ele lia e era fã da série Icha Icha, mas nunca foi do tipo de perder o seu tempo observando garotas em fontes termais. Obviamente ele sabia que Jiraya fazia esse tipo de coisas, contudo não era por ser fã que ele seguiria todos os passos de seu autor favorito. A leitura era o seu vício, isso era um fato incontestável, todavia ele não era um pervertido compulsivo. Porém, é claro que Sakura não perceberia que tudo era um mal entendido, bom, não enquanto ela estava tentando afogá-lo.
Menos ainda quando seu amigo parecia gostar da agitação e resolver querer ter vida própria.
Diabos.
Ele não queria que ela maldasse dele, mas bem, a situação em que se encontrava exigia medidas desesperadas. Então, ele fez. Mesmo com a visão embaçada – e ardendo por causa da água –, tentou focalizar o corpo acima do seu, e achou o ponto em que devia atacar. Suas mãos se desvencilharam e, em um movimento rápido, jogou-as para frente e apertou. Sim, ele acabara de apertar os seios de sua aluna, e sim, a garota voou quase três metros de distância dele por conta do ato, e sim, ele, enfim, voltou a respirar normalmente. E não, não foi tão ruim assim.
O fato de voltar a respirar e de apertar os pequenos seios.
Longe disso.
— Como... – a kunoichi estava perplexa. — Como você pôde fazer uma coisa dessas?
— Você não pararia de me afogar tão cedo, Sakura. – justificou.
— Você apertou os meus peitos, sensei! – apontou o dedo indicador em direção do mascarado. — Como pôde?
— Você estava me afogando.
— Você apertou os meus peitos. – repetiu atônica. — Seu pervertido! – ela já começava a avançar na direção do ninja.
— Se tentar me afogar novamente, eu os aperto novamente. – a garota parou, diante da sentença. — E eu não estou brincando, Sakura.
— E eu ainda quero quebrar a tua cara, Kakashi-sensei.
Ambos se fitaram por um longo período sem saber exatamente o que fazer. Não era como se houvesse um culpado ali, mas não era isso o que Sakura pensava. Quem, diabos, poderia imaginar que tudo fora armado por Naruto, em colaboração com a Sensual sedution? A única coisa que se passava na cabeça da Haruno é que seu professor avançou para um dos piores estágios da depravação; e Kakashi se perguntava como toda essa confusão pode acontecer?
— Isso não passa de um mal entendido, Sakura. – o Hatake proferiu, indiferente.
— Aham, claro que sim.
— Estou falando a verdade, por que eu mentiria?
— Você é um pervertido, por que não estaria mentindo?
— Primeiramente eu não sou o único pervertido aqui. – olhou bem para a garota, mas por causa da neblina enxergava apenas um embaço cor-de-rosa. — E por que eu mentiria?
— Você acabou de mentir, sensei.
— Que tudo não passa de um mal entendido?
— Não, de que não é o único pervertido por aqui.
Ele sorriu debochadamente. Sakura às vezes parecia subestimar a inteligência dele. Oh, pobre garota.
— Sakura, sim, você é uma pervertida.
— O quê? Mas é claro que não! – cruzou os braços. — Não sou eu quem invadiu uma fonte termal para ver a aluna nua, ou mesmo apertei os seios dela.
— Evidentemente. – ele concordou. — Mas também não sou quem fica escutando a respiração alheia pelo radiocomunicador, não é mesmo, Sakura-chan?
Ela corou profundamente.
— Como você... Do quê você está falando? – fez-se de desentendida.
— Isso te deixa excitada? – perguntou divertido e mal teve tempo de terminar a frase quando um tsunami atingiu-lhe em cheio.
— Eu não sou como você! – berrou nervosa.
— Não, é muito pior. – e outro tsunami o atingiu. — O resto do time já sabe? – indagou.
— Que eu fico ouvindo a sua respiração?
O Copy Ninja olhou para sua aluna de maneira vaga e, de certa forma, aquilo a assustou. Sakura era uma pessoa bastante volúvel, na opinião do Hatake.
— Eu queria dizer da equipe inteira, sabe. – maneou com a mão, um pouco desorientado. — Ouvindo a respiração de todos.
— Oh.
Ele continuou olhando-a, e ela permaneceu assustada.
— Então é só a minha que você escuta? – cocou o queixo pensativo.
— N-não é o que você está pensando, sensei. Eu só...
— Compreendo.
A Haruno olhou-o rapidamente.
— Compreende?
A garota viu o homem sair do seu canto, avançando em sua direção. Calmamente. Segurando uma parte muito importante do próprio corpo com as mãos. Uma pena. Ela percebia que não tinha escapatória, enquanto ele se aproximava. Céus, ele iria encurralá-la contra a borda da fonte e ela não sabia o que fazer. Ela nem sabia o que exatamente o que ele quis dizer. O que ele compreendia? E por que ele olhava em seus olhos de maneira tão séria? E por que suas pernas pareciam ter ganhado um peso de chumbo, impossibilitando-a de sair do lugar? Ele iria soltar aquilo que escondia com as mãos?
— Por que não me disse antes, Sakura?
Ele já estava tão próximo, que parecia roubar todo o oxigênio que era de direito da kunoichi. Suas pernas começavam a bambear. E o fato de ambos estarem completamente nus – na verdade ele ainda usava a máscara, mas de resto... – deixava-a sem fôlego e reação. Kami, seu olhar era intenso e ela simplesmente não conseguia parar de salivar. Nunca antes ela havia pensando em um episódio como esse, bom, na verdade sim, mas não numa fonte termal. Quer dizer, foram bobagens que Ino colocou em sua cabeça, mas não era como se ela desejasse.
Mas ela também não repudiaria.
— Eu...– balbuciou, sentindo-o se aproximar cada vez mais. Uma parte de si exigia que seus olhos verdes olhassem para um lugar que não deveria, porém, por mais tentador que pudesse ser, o fator apreensão e ansiedade a fazia olhar para os olhos dele. — Eu...
— É tudo culpa minha...
— Não, sou eu quem fica fantasiando sobre...
— Eu não devia ter fumado na adolescência. – os dois se olharem confusos. Era impressão dele ou estavam falando de coisas distintas? — Do que está falando?
Ela o olhou profundamente, tentando digerir o que ele havia dito. Olhou para o sensei que ainda a encurralava contra parede da terma, porém, sem encostar-se a ela. Ele ainda segurava aquele volume com as duas mãos, porém ela tinha certeza de que, se não fosse pela neblina, Kakashi não seria capaz de esconder tudo. Interessante. Analisou o peitoral a sua frente e percebeu que a frase dita por seu professor em nada tinha a ver com a frase quase dita por ela.
Merda.
— Oi?
— Você dizia que...
Pensa rápido! Pensa rápido!
— Que é minha culpa... Pois sou eu quem fica fantasiando sobre... Ser médica o tempo todo. – desviou do olhar negro e profundo que a observava atentamente. — A shishou me mataria se soubesse disso. Você sabe, ela me mandou nessa missão para eu descansar daquela rotina estressante do hospital. – sorriu sem graça.
Obviamente que Kakashi não acreditou na desculpa da aluna, no entanto ele não iria constrangê-la. Não agora.
Afinal, pensar no assunto apenas tornava mais difícil esconder o seu amigo intrometido.
Volte a dormir, ordenou mentalmente.
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Naruto olhou para o lado, notando a maneira estranha em que Sasuke franzia a testa e como Sai fazia uma expressão idiota, olhando para o nada. Eles pareciam nervosos (ou seria assustados?), enquanto a recepcionista balofa terminava de se vestir. E, para o seu infortúnio, em momento algum a cretina deixou de estampar um sorriso pervertido.
— Não precisam desviar o olhar, não há nada aqui que vocês não apreciem, garotos. – a Sensual seduction disse, prepotentemente.
Os três olharam para o chão, enquanto pensavam no que estava acontecendo com Kakashi e Sakura – afinal, um queria botar em prática uma vingança maquiavélica, e os outros dois queriam impedir tal malfeitoria. Naruto se perguntava se havia dado tudo certo, enquanto Sasuke e Sai ponderavam como puderam ser enganados. Todavia, os três permaneciam ali, assistindo ao fim do show de horrores, proporcionado pela digníssima recepcionista.
— Onde eles estão? – O Uchiha perguntou, impacientemente.
— Eles quem? – Naruto indagou de maneira pérfida.
— Você é estúpido, mas não tanto. – Sasuke avançou em direção do loiro, que se escondeu atrás da mulher roliça. — Saia da frente.
— Querido – a balofa se adiantou. —, antes de qualquer coisa, nem pense em tocar em um fio dourado do meu anjinho. – agarrou Naruto, que não conseguiu escapar dos braços gordos da mulher. — E, em segundo lugar, do que você está falando?
— Isso não é da sua conta. – respondeu-a. — Agora saia daí.
O Uzumaki permaneceu preso à recepcionista, embora ele acreditasse ser menos pior enfrentar Sasuke a estar com ela. Enquanto isso, a fúria do Uchiha apenas aumentava. Pois, ora, se já não bastava não ter conseguido atrapalhar os planos do maldito dobe, ainda teve de presenciar o loiro e a gorducha numa cena deplorável. E depois disso, pensou que nem valia mais a pena quebrar a cara daquele estúpido, afinal, ele já fora bastante "torturado" pela recepcionista pervertida.
— Deixe-os. – Sai se aproximou de Sasuke. — Talvez eles estejam querendo terminar o que começaram.
O loiro arregalou os olhos, ainda mais quando os dois colegas começaram a sair e a recepcionista passou a esfregar o seu traseiro. E ele passou a ter a ligeira sensação de que se ficasse mais um minuto com essa louca a sua integridade e dignidade jamais voltariam a serem as mesmas.
— Hey, onde pensam que vão? Me esperem! – correu, deixando uma balofa decepcionada para trás.
Os garotos são sempre assim, a mulher pensou. Brincam com o seu afeto, não se importam com os seus sentimentos, mas, ainda assim, usam do seu corpo. Ah, mas assim é o amor, suspirou.
— Eu juro que não sei. – o loiro alcançou os colegas, que já saiam da estalagem. — Eu juro que não fiz nada!
— Sabemos que você fez. – respondeu Sai.
— Sabem do que? Vocês nem mesmo me ajudaram, como eu conseguiria dar prosseguimento ao plano?
— Com a ajuda da sua namorada gorda. – o Uchiha parou, no meio da rua. — Onde eles estão?
Naruto não poderia simplesmente dizer que, todo esse tempo, os dois outros colegas de time estavam na ala masculina – que era bem ao lado de onde estavam –, isso era brincar com a própria sorte, pensou. Então era bem mais fácil inventar alguma desculpa qualquer, e deixar o O plano seguir adiante, estava certo disso.
— Fontes Termais Paradise of Love. – fingiu aborrecimento, enquanto olhava para o chão. — Menti para ambos, dizendo que era a melhor da região. Sakura se interessou prontamente, pois ela ainda desejava um lugar "adequado"; já Kakashi, se interessou, principalmente porque menti dizendo que aquele era o lugar em que o ero-sannin se inspirou para escrever Icha Icha Paradise.
Os dois ninjas olharam para o garoto loiro, que remexia em uma pedrinha no chão com os pés. De certa forma ele parecia dizer a verdade, mas era Naruto a frente deles, então, sob hipótese alguma deve-se confiar fielmente nele.
— Sai, volte às fontes termais da pousada e averigue a situação. – o Uchiha tomou a iniciativa, afinal, ele não se permitiria deixar tal parvoíce seguir adiante. — E você, dobe, leve-me a esse tal de Paradise of Love.
Não era como imaginava que seria, mas tudo bem, Naruto era um homem, e ele saberia driblar quaisquer barreiras a sua frente. Mas seria de grande relevância se Sai não conseguisse fazer nada.
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— Você só pode estar mentido! – acusou-o impertinentemente. — Eu vi muito bem na hora em que eu entrei: F-e-m-i-n-i-n-o! – mandou-lhe um olhar fulminante, que em nada ameaçara o Hatake.
— Pois quando eu entrei dizia "Masculino". – proferiu, indiferentemente.
— Talvez o seu sharingan esteja com problema.
— Eu vi com os dois olhos, Sakura.
— Então os seus dois olhos estão com problemas, Kakashi.
Kami, ela conseguia ser pior do que Naruto, mas bem, ele não faria nada. Kakashi suspirou, passou a mão pelos cabelos prateados e, por fim, virou-se em direção à borda. Sem se preocupar com a reação da garota, o prateado se levantou. Completamente nu. Saindo da terma.
— O que pensa estar fazendo, seu pervertido? – embora Sakura não pudesse enxergá-lo perfeitamente, pois o vapor continuava muito espesso, ela conseguiu delinear seu dorso tonificado. — Está me ouvindo? Ou além de cego também é surdo?
— Indo embora. – respondeu.
— O quê?
Ela caminhou em direção da borda e o viu seguir rumo ao armário. E se ele foi para lá, significa que ele também deixou as roupas ali. E se ele também deixou as roupas ali, obviamente ele viu as delas. E se ele viu as delas, ele era um pervertido de uma figa que esteve mentindo o tempo todo! Ah, mas ela iria desmascará-lo. Figurativamente, e se fosse o caso, e literalmente, por que não? Marchou furiosamente, embora a sua visão estivesse prejudicada por causa da neblina, já estava planejando de que forma o faria sofrer, quando bateu em algo duro e úmido. Eram as costas dele. Ela a olhou demoradamente, deixando seus olhos descerem sem pressa. Era bem mais definida que a de Sasuke, ainda que não fosse tão corpulento. Mas Sakura nunca gostou de caras tão grandes, para ela, armários são para guardar as coisas e não para namorar. E o corpo de Kakashi parecia bastante agradável, principalmente quando ela conseguiu distinguir bem o contorno do seu bumbum.
— Não estão aqui. – o ninja deu uma olhada pelo ombro para a sua aluna. — Você sabe o que pode ter acontecido?
A garota notou que ele disse algo, porém não compreendeu. Mas a maneira em que o seu tom saiu, provavelmente ele perguntou algo. E ele também estava olhando para trás. Talvez ele estivesse perguntando para ela o que ela estava olhando – talvez Kakashi não tivesse percebido a direção de seus olhos. Logo, era só inventar uma desculpa esfarrapada e manter intacta a sua dignidade. Assim, a garota deu uma última olhadela no bumbum a sua frente, pigarreou e disse:
— Eu não estava olhando para a sua bunda. – pigarreou novamente. — Embora ela esteja bem aqui, nua, diante dos meus olhos. Pois, ao contrário de você, eu não uma depravada que se aproveita da inocência dos outros.
O jounin franziu o cenho diante da colocação estranha da aluna. É sério que essa era a sua maneira de fugir de situações constrangedoras? Criando uma nova situação constrangedora, para, assim, encobrir a primeira? Tsc, ela poderia fazer melhor. Mas, bem, se ela não fez, faria ele. Por que não?
— Sério? – questionou divertido. — Não é o que parece.
— Você realmente é um prepotente e então fica andando por aí pelado.
— Sim, e você fica olhando.
— Eu não tenho culpa se você fica desfilando por aí completamente nu. Também não tenho culpa por ter olhos. Eu tenho olhos, Kakashi!
O ninja se virou, ficando em frente à Sakura, que instantaneamente passou a olhar para os seus olhos. Era um movimento arriscado e que o tornava cada vez mais enrijecido. Mas ao inferno o decoro – ele já estava ferrado mesmo. A graça, porém, era vê-la buscando forças para não descer o olhar. Afinal, ela não queria correr o risco de manchar ainda mais a sua dignidade, embora a sua curiosidade quisesse mandar para as bulhufas o decoro. Só uma olhadinha, que mal há?, uma voz soou dentro dela. Uma voz que há muito jazia adormecida.
— O mesmo para você. – Kakashi olhou-a de cima a baixo, vagarosamente.
Mas o que ele quis dizer com isso?, a garota se perguntou. Entretanto, de repente, foi como seu o olhar do Hatake estivesse tocando-a e um arrepio estranho se alastrou por seu corpo. Ah é, ela também estava nua.
Completamente nua.
— Pare de olhar seu pervertido! – ele sorriu. — Isso não é nem um pouco engraçado. – dizia enquanto tentava tampar o seu corpo com as mãos.
O que não adiantava nada, mas era engraçado de se ver na opinião do mascarado, que teve de se segurar e buscar o decoro em si, e continuar o pensamento inicial – aquele de antes de saber que Sakura olhava para a sua bunda, descaradamente.
Pigarreou.
— Yare, yare, mas onde estão as nossas roupas? – questionou, enquanto vasculhava todos os armários.
— Com assim? – a garota avançou em direção aos armários. — Eu deixei as minhas bem aqui! – apontou para o armário número dois.
— E as minhas estavam aqui. – o ninja apontou para o armário número um.
Andaram em direção à saída e lá tiveram uma surpresa, afinal, não era bem aquela palavra que esperavam estar escrito na placa. "Manutenção". Os dois se olharam, e de certa forma sabiam exatamente o que havia acontecido.
— Naruto. – disseram em uníssimo.
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Sai correu apressadamente, parando em frente das duas entradas. Feminina e Manutenção. E, bem, se agora a pouco presenciaram a cena aterrorizante de Naruto com a Sensual seduction na ala feminina, é bem provável que, caso estejam ali, Kakashi e a feiosa estariam na ala masculina, que por um acaso bastante suspeito do destino, jazia em manutenção. Entrou calmamente no local, notando o quão espesso estava o vapor. Ele olhou para os lados, não encontrando nada, porém, mais a frente escutou um ruído.
Aproximando-se do lugar de onde ouviu um som estranho, não encontrou nada. Nada além de pequeno rouxinol que bebericava da água da fonte.
Talvez Naruto não estivesse mentindo, afinal de contas. Talvez as vítimas do loiro, de fato, estivessem na tal fonte termal em que Sasuke e ele estavam a caminho.
Assim, sem nada mais para fazer, sacou alguns pinceis e seu caderno, passando a desenhar a ave a sua frente. Quem sabe Sakura apreciasse a imagem e finalmente aceitasse transar com ele? O garoto sorriu com o próprio pensamento.
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Não estava sendo muito fácil andar pelos corredores da pousada completamente nu. Ou melhor, nus. Pois Sakura e Kakashi se viram obrigados a deixar a fonte termal da maneira em que vieram ao mundo. Inicialmente tentaram andar cada um por si, isto é, separadamente – mas digamos que não estava sendo muito fácil para Sakura tampar a sua frente e a retaguarda ao mesmo tempo. Enquanto Kakashi parecia ter uma certa dificuldade em "segurar as suas coisas", sem que nada escapasse ou transparecesse. Então num mútuo acordo, o Hatake andava calmamente segurando as suas "coisas", enquanto a Haruno andava atrás dele, quase colada, segurando em seus ombros. Aquela aproximação toda, porém, tornavam as "coisas" de Kakashi cada vez mais. Contudo ele realmente estava se esforçando para abstrair aquilo de sua mente. Afinal, de certa forma, porém eles já estavam sendo mais do que expostos. Pois eram sempre vítimas de piadinhas ou risadinhas sacanas por onde passavam.
— É proibida a circulação de pessoas nuas pelos corredores. – ouviram aquela voz irritantemente familiar. — Mas quem sabe para o mascarado eu faça uma exceção.
Olharam para a mulher atrás do balcão, que vagarosamente lambia a chupeta de caramelo.
— As nossas roupas foram roubadas. – a kunoichi se justificou.
— Ah, então essa roupas são suas? – abaixou-se, pegando de um canto qualquer uma muda de roupas. — Não devia deixá-las por aí, jogadas pelos cantos. Não sou obrigada a recolher as coisas de um casalzinho lascivo e leviano. Eu tenho mais coisas pra fazer, sabiam?
— Mas é claro, chupar um caramelo exige muita concentração. – a garota fitou seriamente a balofa. — Afinal, cada um se vira como pode.
— Você tem razão, querida. – sorriu. — E antes que me esqueça, a pousada está muito cheia e eu tive de retirar as suas coisas do seu quarto e colocá-las no do seu noivo. Não se preocupem, já que o leito não foi usado, ele não será cobrado.
— Como assim? – a Haruno indagou surpresa. — Eu pensei que...
— Oh, eu não tenho culpa que o festival atraia tantos turistas, principalmente jovens solteiros. – suspirou. — Mas pensem pelo lado bom, agora vocês não precisaram usar a fonte termal para uma rapidinha. – aproximou-se do casal. — A nossa cama é bastante resistente, então usem e abusem! Ela não range e não fica batendo contra a parede quando... Vocês sabem quando. E é bastante confortável.
Um silêncio estranho pairou no ar, e eles continuavam ali, pelados em frente de uma balofa pervertida que ainda tinha em posse as suas roupas.
— Yare, compreendemos muito bem, e obrigado por nos avisar. – o prateado disse apático. — Agora as nossas roupas, por gentileza.
— Oh, sim, perdão! – direcionou a muda para o casal, mas quando Kakashi tentou alcançá-la ela se afastou, aproveitando para tentar enxergar aquilo que o mascarado teve de exibir para deixar uma mão livre. — Oh, por que você não quer alcançar?
O Hatake voltou a se cobrir com as duas mãos, e a se aproximar do balcão. Mas desta vez com um objetivo diferente.
— Pegue as nossas roupas, amor. – olhou para a garota atrás de si.
— O que? Mas eu...
— Pegue-as, por gentileza. – disse entre-dentes.
Bem, a Haruno não pode fazer muito além de ceder ao pedido do falso-noivo-sensei e forçar uma das mãos para tentar alcançar a recepcionista, mas que ainda estava distante. Seu corpo se aproximou mais de Kakashi, ainda assim, nada. Ela já estava ficando impaciente, quando permitiu se escorar completamente em seu sensei. Sem se importar com a estranha sensação que sentiu ao contato entre as peles. Até pode sentir o bumbum dele sobre o seu umbigo, mas teve de ignorar coisas que faziam a sua Inner delirar. Esticou o braço ao máximo que pode e, finalmente, obteve sucesso. Sorriu triunfantemente para a balofa carrancuda, e puxou o seu "noivo" para darem um fora dali. Oh, como ela detestava essa Sensual seduction!
— Já podemos ir, querido. – empurrou-o em direção ao elevador, ambos completamente nus. — A nossa suíte, com uma adorável cama, nos espera. – lançou um último olhar para a mulher roliça.
Um olhar onipotente.
Saíram das vistas da recepcionista, que ponderava com o seu chupe-chupe. Pois, para um casal de fingidos, até que encenavam muito bem.
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A carranca era apenas um dos sinais de irritação de Sasuke, pois os seus passos firmes, seu punho fechado e o olhar assassino-psicótico também eram demonstrações do humor fétido em que estava. Naruto o seguia, soltando as suas asneiras costumeiras, e o que o moreno mais queria era esfregar a cara do loiro naquele asfalto quente, deixando apodrecer naquele sol que tanto esquentava a sua cabeça. Não, o pensamento de Sakura e Kakashi juntos era o real motivo de sua cabeça esquentar tanto.
— Não há razões pra você ficar enfezado, teme. Tô certo. – o Uzumaki tentou tocou o ombro do Uchiha, porém, foi duramente empurrado. — Hey, para de frescura! Você sabe muito bem que não vai acontecer nada de errado entre eles.
— O que a sua mente minúscula compreende por "algo de errado"? – questionou, fitando o amigo com um ódio nítido.
— Algo como, sei lá, que um aluno e um professor não devem fazer. – coçou o queixo, pensativamente. — Vejamos, eles não podem se matar, xingar a mãe do outro, e nem... – pensou um pouco mais. — E nem fazerem sexo. – tsc, é claro que não, pensou.
— E o que te faz pensar isso?
— Pois o meu plano era fazer a Sakura-chan achar que o Kakashi-sensei estava a olhando tomar banho. – sorriu ao se recordar do maravilhoso plano, denominado por ele como "O plano". — Por mais que o sensei tente explicar que tudo foi algum tipo de erro, a Sakura-chan jamais vai acreditar, então ela vai bater nele até que se canse. Ambos ficarão ressentidos um com o outro. Notarão que eu sempre estou certo. Por isso era muito melhor termos ficado naquela fonte termal unissex mesmo, que eu queria inicialmente. Assim, o Kakashi-sensei vai perceber que é muito melhor escutar o que eu tenho a dizer, do que ela. E a Sakura-chan perceberá que as minhas ideias são melhores que as delas.
— Por isso você simplesmente resolve deixá-los na mesma fonte termal, nus. Apenas para que aprendam que você é o melhor?
— Sim!
— Imbecil.
— Hey!
Sasuke continuou com a carranca, quando adentrou na pousada, marchando em direção da recepção. Olhou enojado para a mulher que seguia um ritmo rigoroso na chupeta de caramelo, e que bem se semelhava a um boq...
— Em que posso ajudá-lo, querido? – a balofa disse, enquanto lambia o caramelo.
— Onde estão? – perguntou sem rodeios.
— Oh, você acredita que não estão nos meus bolsos? – soltou, sarcasticamente.
— Será que não estão na sua barriga? – delicadeza não compunha o dicionário do Uchiha.
A mulher estreitou os olhos, como se custasse a acreditar no que acabara de ouvir.
— Um pouco mais de educação, por gentileza.
— E um pouco mais de profissionalismo. – definitivamente, Sasuke não estava num bom humor hoje. Na verdade eram raros os momentos em que estava, entretanto, nesse momento estava ainda pior. — Agora me diga onde estão.
A mulher olhou para Naruto, que jazia resignando atrás do moreno. Ela bem que pensou em inventar uma nova mentira, contudo, oh, já estava cansada disso. Que valeu a pena fazer parte dessa confusão na terma, sim, valeu – afinal, por quanto tempo não conseguia tirar uma casaquinha dos turistas? –, além do mais, ela tinha que admitir, fazia muito tempo que não se divertia tanto. Porém, todo esse oba-oba em que se meteu apenas estava atrapalhando-a no seu trabalho, então por que não ser sincera agora?
— Eles foram para a suíte. – ela viu o moreno deixar os ombros caírem, numa espécie de alívio. — E a garota parecia bastante ansiosa para desfrutar da cama. – sorriu. — Com o noivo.
Foi como um flash, a maneira em que o Uchiha desapareceu da vista da recepcionista e do loiro. E um flash ainda mais rápido a velocidade do Uzumaki, quando se notou sozinho com a balofa do chupe-chupe. Mas se engana quem pensa que ela estava triste, não, longe disse. Pois um dos passatempos favoritos da gorducha era colocar lenha na fogueira nas confusões alheia. Como ela bem ponderava, gostava de ver o circo pegar fogo e o palhaço morrer queimado. Sorriu satisfeita, voltando para o seu árduo trabalho. Sem deixar de se deliciar com a chupeta de caramelo, claro.
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:: Próximo Capítulo: Um novo plano ::
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N/A: Então, pessoas, o que estão achando? Ah, espero que estejam gostando ;D
Enfim, no capítulo anterior perguntei se alguém tinha interesse de ler a minha outra fic, Time Sete x Sakura, pois bem, já comecei a publicá-la, e caso tenham curiosidade deem uma passadinha por lá também.
Comentários são bem-vindos e apreciados :)
