Perdão pela super demora! Tenham uma boa leitura! :D
Para Thaths & Kahli Hime
O plano
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Capítulo V
Um novo plano
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Nem sempre a palavra companheirismo fora uma das primeiras do dicionário de Hatake Kakashi, todavia, a vida segue um caminho em constantes mudanças e, bem, o jounin também teve de mudar. Não apenas por questões de adaptações, mas também pela construção de seu caráter. Ele vivia num mundo diferente de muitos, numa época conflituosa. E essa realidade shinobi o ensinou diversas coisas, desde a perda repentina de seus companheiros à difícil convivência com quatro alunos problemáticos. Bom, eram fatos distintos, entretanto não deixava de marcam a vida do Hatake.
Depois de sete anos com o Time Sete, muitas coisas aconteceram e muita coisa aprendeu sobre os seus alunos. As personalidades volúveis e juvenis de seus discípulos, e também a vontade do fogo que cada um carregava consigo. Aprendeu que Naruto era um dos maiores encrenqueiros do mundo ninja, também o mais perseverante em seus objetivos e um amigo fiel para todos os momentos. Sai sofreu muito na Raiz, mas com a ajuda da equipe finalmente estava conseguindo se adaptar ao meio social; era um ótimo desenhista e suas estratégias eram de boa qualidade. Sasuke não era apenas um vingador e o último remanescente Uchiha, pois apesar de bastante reservado lutava por seus ideais; e também ambicionava se casar e ter filhos. E tinha Sakura, a única garota do time, que inicialmente o fazia se lembrar de Rin, a garota sempre teve uma personalidade forte e contrastante, e desenvolveu posteriormente um potente taijutsu; ela tinha muito em comum com a sua shishou, mais do que pudesse imaginar.
Era admirável notar o quanto as crianças haviam crescido.
E também era admirável o quanto eles tinham a proeza de serem problemáticos.
As coisas haviam mudado depois de tantos anos e da guerra, principalmente. Sasuke voltou trazendo uma nova harmonia ao time, que há muito lutava pelo seu regresso. Naruto finalmente havia se "ajeitado" com Hinata, Sai já conseguia ser harmonizar com as pessoas – embora continuasse fissurado em seus livros, e Sasuke e Sakura, enfim, iniciaram um relacionamento. Porém ele continuava o mesmo. Não que se importasse com as mudanças que deveria sofrer, não, não havia nem razão para tal, acreditava. Mas os seus "amigos", bem, esses haviam mudado as concepções.
"Já deu uma olhada nas pernas dela? Cara, sério, sério mesmo, olhe!"
"Hm, então ela tem peitos agora?"
"Dane-se o Uchiha, leve-a para um canto e jogue o seu charme, cachorrão!"
Definitivamente Genma era um idiota, sempre foi, no entanto, a tendência é sempre piorar, e com o shinobi não foi diferente. Sim, obviamente as mudanças físicas de Sakura não haviam passado despercebidas, mas ele não iria atacar a garota que aos seus olhos ainda tinha doze anos! Com corpo de dezoito, embora. Genma vivia o atormentando para notar, avançar, flertar, entre outras coisas, a pobre aluna de cabelos cor-de-rosa. No entanto, de tantas vezes ouvir as bobagens do colega, bom, digamos que ele resolveu apenas notar a aluna. Não, ele não a levaria para um canto, muito menos jogaria o seu "charme" para a garota. Mas, sim, ele olhava para as suas pernas, e sim, também notava os pequenos seios da garota.
Ela ainda namorava Sasuke quando o mascarado começou a tratar os seus alunos como adultos, não apenas Sakura, como amigo sugeriu. Ele não queria que houvesse favoritismo ali, embora fosse mais inclinado a sua aluna jounin. Todos tinham os seus predicados, porém, em missões ela era a sua escolhida como parceira. Não era por favoritismo, muito menos para ter um momento a sós com ela, como dizia Genma, era apenas uma questão estratégica. Pois, apesar da rivalidade, Naruto e Sasuke faziam uma ótima dupla e Sai só conseguia trabalhar sozinho. Então, sobrava apenas Sakura e ele.
O que talvez fosse um grande equívoco, afinal, era certo que a garota o levaria a loucura. Mais cedo que pudesse imaginar.
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Ao adentrarem no elevador, Sakura se permitiu afastar do Hatake. Era bastante embaraçoso estar completamente nua diante de seu sensei, porém era uma situação adjacente aos dois. O que ela poderia fazer além de tentar escapar e observar o traseiro dele? Bom, não que ela se orgulhasse de tal ato, mas, por uma péssima influência da sua amiga porca, o fato era inevitável. Embora estivesse torcendo que Kakashi não estivesse fazendo o mesmo, isto é, observando-a escondido.
A porta se abriu, adentrando uma senhora acompanhada por um cachorro, que rosnou para Kakashi. Os dois shinobis se olharam, notando que a mulher não havia percebido o estado dos dois. O elevador continuava a subir, até que parou. Quinto andar. Sakura se agarrou às costas de seu sensei e ambos caminharam em direção à saída. Ouviram o cachorro latir e um grito exasperado. A senhora tentava esquivar seu olhar de Sakura, tentado, digamos assim, olhar mais para o ninja de cabelos prateados. E isso não passou despercebido para a kunoichi que se virou ao ouvir:
— Sexo se faz em camas! – mulher mandou-lhes um olhar de desaprovação e horror.
— E em quaisquer outros lugares que caiba mais de uma pessoa! – Sakura disse debochadamente, fitando a mulher que sumia no elevador. — Mas que descarada, sabia repreender, porém não conseguia tirar os olhos de você.
— Ciúmes? – o Copy Ninja sorriu.
— Não, isso foi uma constatação!
— Evidentemente.
Ainda "colados", entraram no quarto. Kakashi ficou parado de fronte a porta, permitindo que sua aluna corresse para o banheiro. Vestiu-se sem muitos rodeios, ao contrário de Sakura que parecia estar fazendo as próprias roupas no banheiro. Acomodou-se na cama, despreocupadamente, sacando o livro do bolso. Teve muita sorte da recepcionista pervertida o não ter encontrado. O que aquela balofa poderia ter feito com o pobre Icha Icha? Oh, não queria nem imaginar. Ela já era estranha com uma chupeta de caramelo, que dirá com um livro de Jiraya em mãos?
A porta do banheiro se abriu, e Kakashi não pode deixar de notar o aroma de sabonete que Sakura trazia consigo. A garota com os cabelos úmidos se jogou ao seu lado na cama, deixando algumas gotas acertarem o mascarado, deitou-se, fitando o teto desanimadamente. Suspirou e continuou a ler o seu livro. Ela parecia inquieta, e olhava-o de quando em quando. Obviamente ela tinha algo a dizer, mas não sabia como começar.
— Tudo bem, foi uma armação do Naruto. – o ninja abaixou o livro, fitando a garota.
— Eu sei, mas eu te ofendi sem saber da verdade. – suspirou. — Por favor, me desculpe.
— Está tudo bem. – sorriu, notando o olhar curioso da aluna. — Não é a primeira vez que me chamam assim. E, provavelmente, não será última.
— Ah, mas lendo esses romances sujos, o que mais quer que as pessoas digam? – deitou-se de bruços, apoiando-se no ombro do mascarado. Que estranhou a proximidade, obviamente.
— Como sabe que são romances sujos? Já leu por acaso?
— Não, e nem me interesso. – respondeu impertinente.
— Engraçado, tenho a sensação de que seus olhos estão se arrastando linha por linha. – sorriu.
Assim como a garota.
"Já não eram mais beijos apaixonados que compartilhavam. O romance há muito havia esfriado, e ela já tinha olhos para outro. Os dois nunca admitiriam a ninguém, mas as batidas de seus corações já tinham donos. Donos nos quais não eram as pessoas com quem dividiam a cama todas as noites. Usavam-se idealizando que fosse outra pessoa a sua frente. Aquilo era repugnante, porém era a solução para a tormenta que os perseguiam.
Ela o tocou, evitando seus olhos escuros, e sem se importar, ele a beijou como por muito tempo não a beijava. Seu coração se partia imaginando que não fosse a outra ali, contudo o desejo o consumia, e o alívio imediato pulsava em suas veias, fazendo-se se esquecer das artérias que flamejava seu coração. Era a sua esposa ali, diante dele, mas não era a mulher que tanto amava. Quem poderia imaginar que se apaixonaria por uma pessoa vinte anos mais jovem? Quem poderia imaginar que o seu casamento chegaria ao fundo do poço? Como poderia imaginar que a garota que viu crescer roubaria o seu coração?..."
A página foi virada antes que a kunoichi terminasse de ler. Olhou feio para o mascarado que parecia se divertir com a sua expressão. Sem aguentar, bufou exacerbada.
— Poderia ter esperado eu terminar de ler a página, sabia?
Kakashi fingiu estar surpreso com a declaração da aluna. E, é claro, isso a irritou.
— Oh, não sabia que era uma pervertida! – a garota deu um soco em seu ombro, mas não conseguiu conter o riso. — Pensei que você o achasse um fosse um romance sujo.
— Talvez não seja tanto assim. – admitiu.
— E talvez você nem devesse estar lendo. – disse, mantendo a seriedade. — Quantos anos você tem mesmo? Dezesseis?
— Dezenove! – gritou, notando que o ninja apenas se divertia com a sua impaciência. Suspirou, deitando-se novamente nos ombros de Kakashi. Fitando o teto, refletiu um pouco. — Às vezes acho que eu nunca mais sentirei esse tipo de coisa, sabe? – sem olhar para o homem abaixo dela, prosseguiu. — Não que o que eu tenha sentido fosse sido único, na verdade eu não sei. Mas agora que acabou me pergunto se realmente foi como todos dizem. Eu o amei, e sofri quando fui rejeitada. Talvez seja por isso que não sinta mais nada por ele, ou por qualquer outra pessoa. – anelou deprimida. — Não parece como os livros.
— Eu entendo. – os dois se olharam. — O amor que ouvimos falar é muito idealizado. Nem parece real, certas vezes.
— Você já se apaixonou, Kakashi-sensei?
— Sim.
— Quantas vezes?
Ele sorriu, olhando-a nos olhos.
— Incontáveis vezes.
— Como você consegue? – ela soou deslumbrada.
— É inevitável. – respondeu sem emoção.
— Você acha que um dia eu conseguirei me apaixonar de novo? – fitou-o intensamente.
— Sim. – respondeu. — E mais cedo do que possa imaginar.
Continuaram se olhando, e sem uma razão coesa para a cabeça da moça, ela sorriu. E Kakashi se permitiu repetir o gesto da aluna.
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Sasuke praticamente pulou do elevador quando, finalmente, chegou ao quinto andar. Naruto, por sua vez, despreocupadamente seguiu o colega, sem muita exaltação. Afinal, não havia razão para tal. Andaram pelo corredor, parando na frente do quarto número quinze. O Uchiha parecia um pouco relutante, mas não resistiu, e olhou pela fechadura. Ele não viu nada, o que o incomodou profundamente. Sem pensar duas vezes, sacou uma chave mestra do bolso e enfiou na fechadura. Entrementes, Naruto se perguntava o quão longe o ciúme do teme o levaria?
Como Sakura aguentou um cara desses?, se perguntou intrigado. Talvez ela goste de caras vingativos, possessivo, psicóticos e...
Seu pensamento foi cortado assim que a porta fora aberta, revelando um casal romanticamente deitado, olhando um para o outro. E sorrindo!
— Sai de perto dela seu velho sujo! – Naruto gritou, invadindo a suíte. — Saia!
Sakura revirou os olhos com as declarações do Uzumaki, todavia, seus olhos quase lançaram lasers ao notar o ex-namorado. Com uma chave suspeita em mãos.
— Saiam vocês daqui! – gritou. — Quem os chamou aqui?
— Sabemos muito bem da pouca vergonha que aconteceu entre vocês na fonte termal! – o loiro gritou, repreendendo-os.
Kakashi olhou para Sakura, e esta fez algo que o mascarado não imaginava, ou melhor, falou algo surpreendente.
— Pois eu lhe agradeço, Naruto. – falou, emitindo um sorriso de puro escárnio.
— Me agradece, Sakura-chan? – olhou confuso para a garota que agarrava um braço de Kakashi.
— Graças a você, descobri a minha paixão pelo Kakashi-kun.
— Kakashi-kun? – Sasuke repetiu.
— Algum problema, Uchiha? – a garota espreitou os olhos para o ex, que não respondeu nada. — Eu realmente não tenho a menor ideia do porque e como vocês resolveram fazer essa brincadeira, mas eu agradeço.
— Agradece? – Naruto questionou, se perguntando onde foi parar aquele desfecho que tanto idealizara? Para ele, neste exato momento, Sakura e Kakashi deveriam estar se odiando, porém idolatrando-o, e não deitados na mesma cama agarrados. O que foi que deu de erradao, afinal de contas? — Sakura-chan o Kakashi-sensei é um velhaco! Você tem que ficar com caras mais jovens.
— Ele não é velho. – agarrou-se mais ao jounin, que apesar de ser uma das peças chaves da discussão, apenas observava. Assim como Sasuke. — E eu gosto de caras mais experientes.
— Em primeiro lugar, Sakura-chan: Sim, o Kakashi-sensei é velho sim, ele tem trinta e três anos! Ouviu bem? Trinta e três anos! – aproximou-se de Sasuke, bastante exaltado. — E em segundo lugar: Eu tenho certeza que o teme ainda era virgem quando vocês começaram a namorar. – a Haruno notou a pigmentação rubra do Uchiha, mas preferiu se mantiver em silêncio. — A menos que tenha acontecido algo entre ele e o sannin das cobras. – o loiro praticamente sussurrou, coçando a nuca.
— Como é? – ele avançava na direção do loiro, contudo foi parado ao ouvir a voz de Sakura.
— Não comecem uma luta aqui! – a garota gritou. — E, Naruto, primeiramente o Kakashi não é velho, e ele ainda tem trinta e dois, afinal, estamos em maio e o aniversário dele é somente no dia quinze de setembro...
— Você sabe até a data... – o ninja hiperativo rezingou.
— Err... Como ia dizendo... Em segundo lugar, exatamente por ter ficado com um cara inexperiente e mais jovem é que agora eu estou à procura de novos horizontes...
— Inexperiente e mais novo? – Sasuke indagou, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha. — Você só é uns três meses mais velha do que eu e me acha jovem? Tsc. E você é a última pessoa que deve reclamar de inexperiência, Sakura.
A garota nem teve tempo de responder, pois o moreno simplesmente se virou, saindo porta a fora. Naruto pareceu um tanto quanto avulso, fazendo então o mesmo que o amigo. Sakura olhou para Kakashi, no entanto a única coisa que vislumbrou foram os seus olhos de peixe morto. Suspirou. Talvez a sua vingança não fosse tão boa assim.
Será que eles acreditaram?
Será que Kakashi não ficaria bravo?
E por que continuava agarrada ao braço do Hatake?
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A porta se abriu violentamente, assustando Sai que dava os seus últimos retoques no desenho. O ninja notou a carranca obscura de Sasuke e uma expressão imbecil de Naruto. Por mais que tenha lido tanto, neste exato momento, ele não conseguia se recordar de alguma citação que se encaixasse na expressão dos dois colegas. O Uchiha se isolou num canto, fitando o nada e tudo ao mesmo tempo, enquanto o Uzumaki andava de um lado para o outro, coçando o queixo. Era incrível de se imaginar, mas Sai, finalmente, pode perceber que Naruto pensava.
Aparentemente.
— Isso não pode estar acontecendo. – o loiro ajuizou um pouco alto. — Só pode ser uma armação. – andou mais um pouco, parando no meio do cômodo. — Isso não fazia parte do meu plano!
— Como se chama o seu plano? – Sai perguntou.
— O plano. – respondeu, triunfante.
— O plano? – o branquelo pensou não ter ouvido direito.
— Sim.
— Que nome ridículo. – resmungou.
— O plano é meu! – gritou. — E eu dou o nome que eu quiser, seu palmito desbotado!
Sai olhou para Naruto, e depois para Sasuke. Hm, pelo vista havia acontecido algo que ele não sabia. Mas o quê? Que o Uchiha às vezes tem a mania de se isolar do mundo para bancar o vingador solitário já não era mais novidade. E que Naruto era um retardado que vivia a resmungar asneiras, tsc, isso já era bastante corriqueiro. Porém havia algo sólido no ar, e Sai não conseguia captar a razão disso. Será que...
— O que aconteceu nas fontes termais? – questionou aos dois colegas de time.
— Nada. – Naruto respondeu, e Sai suspirou aliviado. — Mas deve estar acontecendo na cama deles agora.
— Como é?
— Não exagere, Naruto. – Sasuke grunhiu.
— Desde quando eles dividem a cama? – o desenhista indagou apavorado.
— Desde que Naruto pediu para a namorada gorda dele expulsasse Sakura do quarto dela. – o Uchiha respondeu.
— Ela não é minha namorada! – Naruto marchou para a cama.
— Não é o que aparentou, hoje mais cedo. – o ninja desenhista falou, ponderando um pouco. — Um livro uma vez dizia que quando um cara procura outra parceira, embora já esteja consolidado com uma, é sinal de que a primeira não o satisfaz sexualmente. – ponderou mais um pouco, fingindo não notar o olhar feroz do colega loiro. — Engraçado, pensei que fosse você que não satisfizesse a Hinata-san. – suspirou. — Você sabe, o seu pintinho não deve nem fazer cócegas nela.
— Cale a boca seu bastardo de uma figa! – se jogou em cima de Sai. Os dois caíram no chão, rolando de um lado para o outro, mas sem conseguirem acertar seus golpes. — Pare de falar daquela gorda maldita! E pare de falar do meu pinto!
— A Hinata sabe do seu caso com a Sensual seduction? – o branquelo perguntou, num tom sarcástico. — A Sensual seduction gostou do seu pintinho?
— Ah, seu bastardo! – cegado pelo ódio, desferiu um soco que atingiu certeiramente a face pálida do colega. — Oh, me desculpe Sai! – mas o palmito-nin não respondia nada, o que realmente assustou Naruto. — ME DESCULPE! – o garoto continuou quieto, fitando o teto. — Sai...
— Li em um livro que...
— Ah! – o Uzumaki exclamou. — Cala a boca, seu palmito desgraçado! – Naruto se jogou ao lado de Sasuke, sem perceber que o moreno se afastou, mandando-lhe um olhar de desprezo. — E agora, Teme?
— Hn.
Naruto revirou os olhos. Não, essa resposta não tinha nada a ver com "sim" ou qualquer outra coisa positiva que ele quisesse dizer, como por exemplo, "sim!, o Naruto é e sempre será melhor do que eu". Esse hn era sinal de que Sasuke estava ponderando mais do que devia, num determinado assunto. As últimas vezes que o viu assim, foi quando Sakura lhe deu um pé na bunda. O que para o Uzumaki foi bastante divertido, embora trágico. Afinal, digamos que "acidentalmente" ele tenha encontrado certo anel nas coisas de Sasuke. Esse hn não era por uma razão boba, e esse hn tinha tudo a ver com a cena melosa de Kakashi e Sakura, estava certo disso.
— Sasuke, você acha que...
— Eles estão fingindo. – disse, com os dedos entrelaçados, olhando para um canto da parede. — É apenas uma armaçãozinha idiota da Sakura.
— Por que a Sakura-chan faria isso?
— Para se vingar de você. – respondeu. — Talvez de nós todos. – olhou para os dois colegas que o escutava atentamente. — Embora apenas o Naruto tenha seguido com o plano estúpido, Sai e eu não conseguimos impedir. E por sabermos de tal estupidez, sem nada poder fazer, podemos ser considerado cúmplices.
— Mas e a Sensual seduction? – Sai perguntou. — Ela é quem foi a verdadeira cúmplice do pintinho.
— Porém isso não importa para Sakura.
— Mas por que ela iria inventar que está de caso com o Kakashi-sensei? – o loiro parecia confuso. — Isso não faz sentido, pois... – olhou para os dois colegas e então... Foi como se uma luz caísse na cabeça dele, trazendo com sigo as respostas. — Ah, seus desgraçados! Entendi o porquê de vocês estarem tão preocupados! – os dois morenos se olharam, mas o loiro não deu tempo para que pudessem responder. — O Sasuke-teme, ainda quer voltar para a Sakura-chan, assim, finalmente conseguirá reconstruir o clã Uchiha. – sorriu. — Já o Sai ainda sonha em... – parou de falar ao realmente se dar conta do que o garoto queria com a amiga. — Seu bastardo! – avançou no garoto pálido, deferindo-lhe vários golpes, novamente.
— Sai de cima, pintinho. Até parece que o Sasuke não quer o mesmo. – Naruto parou, olhando em direção do Uchiha. — Não se esqueça de que a primeira vez dela, Naruto-kun, foi com ele.
Saindo de cima do ninja sem cor, o loiro começou a caminhar em direção de Sasuke.
— Nem vem, dobe. – Sasuke resmungou. — Éramos namorados na época, e não haja como se você não soubesse como é. – o Uzumaki parou, olhando para o chão. — Não, você não sabe.
— Você é virgem, Naruto-kun? – Sai o perguntou.
— Não te interessa! Seu... – parou um pouco e pensou. — Nem vem falar de mim, transparente. Aposto que você também é. – o outro arqueou a sobrancelha. — Só fica correndo atrás da Sakura-chan pra poder tirar o atraso. Mas ela nunca vai aceitar você, seu transparente encardido de uma figa! Tô certo. – os três pararam, apenas se fitando, até que Naruto desabafou. — Será que eu sou o único aqui que não tem segundas intenções com a Sakura-chan?
O silêncio passeou pelo quarto, sussurrando a resposta para o ninja hiperativo.
Sim.
De certa forma ele era o mais inocente nessa confusão. Pois nem mesmo Kakashi era confiável.
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Ainda era estranho para ela vê-lo com aquelas roupas. Um jeans desbotado, sapatos comuns, uma blusa escura e a uma máscara. Não que estivesse bizarro, na verdade não, mas Hatake Kakashi ainda é usualmente visto apenas com o seu velho uniforme ninja. Então, ele, vestido como um simples civil mascarado, de certa forma, era algo bastante adverso.
— Você está usando a mesma máscara? – Sakura falou, notando a sobrancelha arqueada do sensei. — Quero dizer, é a mesma máscara que usou na terma, está usando agora?
— Sim. – respondeu, voltando a fitar o livro.
— Que horror! – exclamou, porém não obteve nenhuma resposta do mascarado. — Isso não é muito higiênico, sabe. Tipo, você passa horas com esse pano no rosto, sabe-se lá quantas bactérias se acumulam aí. Oh, e você ainda usa blusas com a máscara acoplada. Tsc. Sabe quantas bactérias do seu corpo têm contato direto com o seu rosto?
— Mn.
— Milhões! Não, minto. Bilhões! Você pode imaginar isso? – apoiou-se um pouco mais na mesa, aproximando-se dele. — E se você não fizer a barba, a quantidade será ainda maior! E...
— Querida. – interrompeu-a.
— Sim?
— Cale a boca.
A garota bufou, cruzando os braços. Afinal, não foi por maldade que estava falando aquilo, é claro que não, porém, como médica, é um dever cívico alertar sobre os males que as bactérias podem causar. As pessoas adoecem por bem menos do que isso, então, que mal havia em alertá-lo? Mas não, não seja uma pessoa prestativa, pois Hatake Kakashi não se importa com nada além dos seus livros sujos e...
— O que está acontecendo? – a rosada questionou, e ele não parecia ter compreendido. — No livro. – esclareceu. — O que está acontecendo no livro?
— Pensei que fosse um livro sujo para você. – o mascarado comentou, ainda fitando o livreto.
— E são sujos. – Sakura respondeu. — Mas também é legal.
— Você nem leu o resto pra saber.
— Se fosse chato você não estaria lendo.
— Gosto é algo bastante subjetivo, querida.
A Haruno revirou os olhos.
— Enfim – suspirou. —, me desculpe por te envolver na minha "vingança". – ele a olhou, abaixando o livro. — É realmente difícil ser a única garota no meio de tantos garotos, sabe? – ele negou com a cabeça, fazendo-a rir. De fato, ele realmente não sabe o que é isso. — É como se todos quisessem cuidar de mim, com diferentes objetivos.
— Quatro caras e uma garota. – Kakashi explanou.
Cinco, na verdade, Sakura pensou. Afinal, Yamato-taicho também era uma figura masculina bastante carimbada no time.
— Bom, como ia dizendo, me desculpe te envolver nisso. – suspirou. — É bem provável que eles irão pegar no seu pé, também.
— Creio que não, pois já devem saber que tudo não passa de uma mentira.
— E por quê?
— Eles sabem que nunca ficaríamos juntos.
Nunca?, ela se questionou.
— Sério? – indagou, arqueando a sobrancelha rosa. — Você se acha bom de mais para mim?
— Eu não disse isso.
— E como sabe que nunca ficaríamos?
Ficaríamos?, ele se questionou.
— Eu não sei. – o mascarado respondeu, voltando a olhar para o livro. — É apenas uma suposição.
Não que Sakura realmente houvesse se incomodado com a declaração de seu sensei, no entanto, era contraditório ele dizer uma coisa dessas. Afinal, fora ele quem começou com essa história de que eram noivos. Bom, foi mais para evitar a aproximação da Sensual seduction, mas não deixava de ser uma mentira começada por ele. Além do mais, não era surpresa para ela notar as olhadas que Kakashi lançava às suas pernas e seios. Entretanto ela não poderia culpá-lo, afinal, ela andava com roupas bastante curtas e, inevitavelmente, os homens pensam demais com a cabeça debaixo.
— Você olha para as minhas pernas. – falou, monotonamente, fazendo Kakashi arquear a sobrancelha e abaixar o livro laranja. — E também olha para os meus peitos. – apoiou-se na mesa. — Você também olha para a minha bunda?
— Então, é essa a conversa adulta que você tanto ansiava? – ele questionou curioso.
— Eu olho para a sua bunda.
— Minha bunda?
— É. – respondeu. — Ela não é pequena, nem grande. Não é muito dura, nem parece ser mole, sabe. Parece ser boa para apertar.
— Minha bunda?
— Bom, err... – talvez a ficha só tenha caído agora de que o assunto da conversa não era lá dos muito bons. — Sabe, foi a Ino quem me disse.
— A Ino também olha para a minha bunda? – a garota não respondeu, coçando a nuca um tanto nervosa. — Estranho. – ele disse, fazendo-a olhar em sua direção. — Nunca a achei muito interessante.
— Sua bunda?
— Não, a Ino.
— Oh. – droga, por que ela tinha que começar a falar sobre isso? Justamente isso! Mas, bem, ela não mostraria a ele que estava incomodada com um assunto que ela mesma criou. De jeito nenhum. — Ela é bastante interessante, bonita de se olhar.
Kakashi apenas maneou com a cabeça, um pouco ponderativo. E, para o alívio de Sakura, a atenção do mascarado se voltou novamente à leitura. Ela estava olhando para o corredor, à procura dos meninos quando o ouviu falar.
— A sua também é bastante interessante. – ele falou, erguendo seus olhos do livro, fitando-a diretamente. — É bonita de se olhar.
E então, Sakura pensou que nunca mais andaria na frente dele. Assim ele não mais a avaliaria e, bem, ela continuaria apreciando o bumbum dele. Talvez ter essas conversas mais maduras não fosse tão ruim, refletiu.
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Era como se o elevador fosse pequeno de mais para os três rapazes. Cada um observava o outro de esguelha, como se fossem inimigos mortais. Sasuke era indiferente, Sai era observador e Naruto era paranoico. Ele até que sabia os motivos dos outros dois para terem ciúmes de Sakura, porém nunca se permitiu realmente entender as razões. Oh, aquilo era nojento! Sakura era como uma irmã para ele, mais nova e mais velha, mutuamente, logo, imaginar dois marmanjos excitados em cima dela era como um filme de terror, em que as vísceras dos personagens escapam, fazendo rastros pegajosos no chão. Oh, aquilo era um horror! Só de imaginar o seu estômago se revirava.
Obviamente o Uzumaki não poderia impedir a rosada de tomar as suas decisões (e, inevitavelmente, fazer sexo), mas se estivesse ao seu alcance, de alguma forma, retardar, bem, ele faria isso. Eram três urubus em volta de uma cerejeira. Não, poderiam ser quatro, afinal, nunca se sabe as verdadeiras intenções daquele olhudo do Yamato-taicho, estava certo disso.
Saíram do elevador, caminhando em direção ao restaurante da pousada. Sakura e Kakashi os estavam esperando por lá. Passavam pela recepção quando ouviram:
— Chouji-kun.
Sim, era ela. E Naruto estava muito inclinado a seguir o seu caminho para onde fosse – até para o inferno! – desde que fosse longe dela. Porém, Sai o empurrou em direção à balofa.
— Não deixe a sua namorada esperando, pintinho.
— Ela não é... – parou, ao se deparar de fronte a mulher roliça. — Olá. – falou, notando que os colegas seguiam para o restaurante, deixando-o para trás. Sozinho. Com a balofa do chupe-chupe.
— Pensei que não apareceria tão cedo, meu anjo. – suspirou, apoiando-se no balcão e, assim, aproximando-se do loiro. — Eu já estava com saudades.
— Hn.
A mulher interpretou a sua resposta como um "sim", ou qualquer outra coisa positiva, como por exemplo, "sim!, eu também te desejo, meu caramelo de chupeta".
— E eu acho que mereço um beijo. – sorriu.
— Outro?! – gritou exasperado. — Eu já dei os que te devia.
— Ora, mas não há nenhum problema de mais um ou outro. – deu de ombros. — Afinal, por que não repetir o que foi bom?
Mas não foi bom, Naruto pensou.
E antes que pudesse notar, a mulher agarrou-o pelo pescoço, tomando seus lábios. Faminta. Sem a permissão do loiro, ela enfiou a língua dentro da boca dele. E ele, bem, debatia-se mais do que uma lagartixa com câimbra. A recepcionista segurava-o firmemente, roubando todo o ar e dignidade do loiro. Suas mãos vagueavam pelo corpo masculino, apalpando aqui e ali. Oh, como ela gostava de caras magrinhos! Pois, bem, apesar de estar apenas uns poucos quilos acima do normal, gostava de ficar com pessoas do mesmo porte que ela. Magros e atléticos.
Naruto se desprendeu da mulher, esbaforido.
— Chega! – gritou. — Eu vou te contar a verdade de uma vez por todas!
— Como assim? – soou curiosa.
— Eu... Err. Eu sinto muito. – suspirou. — Eu tenho namorada.
— Oi?
— Eu disse que tenho namorada.
A mulher olhou para os lados. Não era bem isso que esperava ouvir, todavia a notícia não era boa.
— E você não pretende terminar com ela. – Naruto olhou para os próprios pés, e a recepcionista entendeu aquilo como uma confirmação a sua triste afirmação. — Eu sou apenas um caso a mais, então?
— Não, eu...
— Ou você simplesmente esteve me usando esse tempo todo no seu estúpido O plano? – sorriu. — Aposto que você já fez o que queria, se arrependeu, e não vê mais a necessidade de me usar.
— Eu sinto muito.
— Cretino.
Olharam-se por mais um tempo, até que Naruto, finalmente, caminhou em direção ao restante do time, deixando uma recepcionista pensativa. Ela suspirou, pegando uma nova chupeta de caramelo do bolso. Ela iria se vingar, e sabia exatamente como. Afinal, um novo plano era delineado em sua mente, enquanto chupava vigorosamente o caramelo.
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Quando, finalmente, os cinco estavam reunidos, Kakashi começou a falar.
— É provável que o movimento esteja atuando durante o festival, logo, deveremos estar lá também. – olhou para os alunos, que apenas acenavam com a cabeça. — Normalmente eles não andam sozinhos, por isso manteremos a mesma formação. – os garotos se entreolharam, pensando em Sakura que, mais uma vez, ficaria sozinha com o Hatake. — Já sabemos como manter contato. Todos entendidos?
— Hai. – responderam quase em uníssimo, se não fosse por Sasuke, que se manteve calado.
Como sempre.
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:: Próximo Capítulo: Estranhas propostas ::
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N/A: Pessoas, sinto muitíssimo pela espera. Juro que não era a minha intenção T_T
Ainda essa semana tentarei atualizar Afável e, se der, nesse mês volto com mais um capítulo de OP ;)
Comentários são mais do que bem-vindos :D
