Para Thaths & Kahli Hime

O plano

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Capítulo VII

Escolha certa

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Ela tinha quatorze anos quando deu o seu primeiro beijo, e não foi uma experiência muito agradável. Fez de tudo para mostrar-se afável aos toques do garoto, no entanto, impetuosamente ele enfiava sua língua no fundo da pequena garganta, fazendo-a engasgar constantemente. O garoto empurrou-a contra a parede, demonstrando que talvez quisesse ir a um ponto mais adiante. Evidentemente, a menina ficou assustada. Como não ficaria? Mal havia dado o seu primeiro beijo e o menino queria avançar ainda mais. Empurrando-o para longe de si, a garota limpou a boca babada e segurou uma lágrima que insistia em sair.

— Eu também não estava gostando do seu beijo. – o garoto deu de ombros, começando a se afastar. — Talvez você deva treinar um pouco.

Talvez ela devesse tê-lo escutado, ou mesmo seguido os conselhos de suas amigas. Mas ela não gostou de ficar chupando gelo (pois os seus lábios ficavam amortecidos), muito menos atacar uma indefesa maçã. Também falaram para treinar de frente ao espelho, mas não, sentia-se como se estivesse do outro lado da força, beijando a garota refletida – embora fosse ela mesma. Então ela resolveu acreditar que beijar não era o seu forte. Tinha muitos anos pela frente e sabia que quando a sua vida sexual tivesse início, bem, haveria muitas coisas a mais do que simples beijos.

E assim os anos passaram.

Ela tinha dezesseis quando um garoto levou-a para um quarto de hotel, beijando-a lascivamente. Em momento algum ele reclamou de seu beijo, e isso a agradou profundamente. Ela era muito pequena e magra, comparada ao porte atlético do rapaz. Ele já devia estar próximo aos vinte anos, e, com certeza, tinha muita experiência para lhe passar. Suas mãos grandes apertavam a fina cintura, fazendo-a estremecer. Empurrou-a contra a parede, e ela gostou daquilo. Sentindo a ereção do rapaz se esfregar em seu ventre, movimentou-se libidinosamente contra o volume, obrigando-o a soltar um gemido. Sem se conter, ele se afastou dela, sentando-se na cama. A jovem notou a rapidez em que o zíper foi aberto e como, logo em seguida, o garoto expôs o seu membro ereto.

Acenando com a mão, ele a chamou para perto e sem nenhuma desculpa para fugir, a jovem foi até ele.

— Você já sabe o que tem que fazer, hm? – foi praticamente um pergunta retórica, pois logo ele a empurrou para baixo, obrigando-a a ficar cara a cara com aquilo.

Certo, ela sabia o que fazer, mas não, ela não sabia como fazer. Hesitante, segurou-o meio sem jeito. Uma vez ouvira as suas amigas falando sobre isso, porém não pensou que aconteceria tão rápido. Diziam que deveria ser casual, não muito rápida, nem muito lenta. Deveria começar com as mãos e depois colocar a boca. Em tudo. Mas como? Suas mãos se mexiam desengonçadamente, todavia o cara parecia não estar gostando muito daquilo. Sim, ele estava "animado", mas parecia que havia algum desconforto. Ele a olhou, arqueando uma sobrancelha, tão confuso quanto ela. Então, sem ter ideia de como prosseguir, ela lambeu uma parte. E depois outra. Ele voltou a relaxar, revelando que naquele momento ela estava indo melhor. Sua boca distribuiu beijos aqui e ali, todavia, algo em sua mente dizia que algo pior viria a acontecer.

Tomando um pouco de coragem, ela colocou a ponta na boca, notando o sorriso do rapaz. Contudo, algo dentre de si clamava para que pudesse sair dali o mais rápido possível. Não que temesse o sexo, bom, sim, ela estava ansiosa, mas tinha plena consciência de não ser boa em, err, trabalho bucal. Kami, ela ainda estava parada, com a boca na ponta, quando sentiu as mãos dele empurrando-a para baixo. Foi tudo tão rápido que é difícil até mesmo de saber como aconteceu. Evidentemente que a jovem se engasgou e que o rapaz pareceu não se importar. Ela sentiu o membro ir muito fundo em sua boca, e aqueles malditos onigris que havia comido mais cedo ameaçarem escapar. Instintivamente, fechou a boca forçando os dentes.

E é claro que se esqueceu de que havia um pênis ali.

O rapaz praticamente urrou feito uma fera, porém se encolheu, chorando, feito um gatinho sobre a cama. Ela ficou desesperada, à procura de uma bolsa de gelo pelos corredores. Ninguém notou a maneira estranha como estava, muito menos perguntou o motivo para querer tal coisas. Talvez alguém tenha batido o mindinho numa quina, um vizinho pensou, emprestando uma bolsa e autorizando-a a usar o tempo que fosse necessário. E quando voltou ao quarto, ele ainda estava lá, sem fazer tantas caretas. Mal humorado, puxou o gelo de suas mãos, direcionando-o para .

Ficaram em calados por certo tempo, até ele simplesmente ajeitar as calças e se levantar. Jogou a bolsa com gelo no colo da garota, aproximando-se da porta. Ela suspirou, sentindo-se uma fracassada. Quem diabos morde o pênis de um cara assim?, pensou. É claro que mais tarde, relatos de casos ainda piores chegaram a seus ouvidos, mas já não importava mais. Ela tinha apenas dezesseis anos quando aquilo aconteceu e, é claro que, como uma adolescente, pensou que seu mundo acabaria por ali. Suspirou, jogando-se na cama.

— Relaxa. – ouviu a voz masculina falar. — Só tente treinar para uma próxima vez.

— E com o que eu devo treinar? – indagou, com a voz chorosa.

— Eu não sei. – deu de ombros, pensando logo em seguida. — Tente com esses pirulitos, caramelos, chupe-chupe... Eu não sei.

A porta foi batida, seguidamente, anunciando que o rapaz já havia ido embora. Suspirando novamente, a menina se sentou na cama, pensando no conselho que acabara de receber. Da última vez que um cara sugeriu algo, ela simplesmente ignorou, e talvez não devesse tê-lo feito. Então, levantando-se rapidamente, correu escada a baixo, deixando a bolsa de gelo derretido na porta do vizinho de quarto, e seguiu para a doceria mais próxima. Havia uma gama de variedade ali, porém foi um doce em específico que lhe chamou a atenção.

Uma chupeta de caramelo.

Alguns anos se passaram a partir então. Muitas coisas aconteceram, desde a sua entrada para uma quadrilha de contraventores à engordar alguns quilinhos. Mas o que importa? Agora ela era uma linda mulher que tinha um ótimo trabalho bucal.

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Sua cabeça pesou para frente e era praticamente impossível abrir os olhos. A garganta seca e a estranha sensação de estar girando, lembrou de certo fatídico dia, no qual, foi a última vez em que bebeu tanto. Desesperada, tentou mudar a posição em que estava, porém era como se estivesse com os braços amarrados e esticados para cada lado. A cabeça caiu, novamente, e ela teve a sensação de que seus miolos bailavam ao errante ritmo em que se movia.

Droga, ela estava de ressaca.

E droga, novamente, estava amarrada.

Certo, da última vez em que bebeu, cuidadosamente, Sasuke a botou na cama e, sem nenhum escrúpulo, ela o atacou. Por alguma razão que Sakura desconhece – e faz questão de não lembrar –, ela se sentiu como uma felina. Sim, e o moreno era a sua caça. Talvez as coisas pudessem ter sido interessantes, é claro, se ela não estivesse bêbada. Primeiramente, ela não sabia grunhir e em segundo, Sasuke não parecia ter entrado muito no clima. É claro, homens tem duas cabeças e cada uma pensa conforme a sua vontade, e talvez por isso eles conseguiram, err... Fazer aquilo. Mas foi horrível! Ela se jogou em cima dele, rasgou as roupas de ambos e fez o que deveria fazer. Ou melhor, o que não deveria fazer.

Naquela estranha noite, Sakura se tornou uma tigresa, e tal felino errante ainda assombrava a sua mente, e o pensamento de que alguém tivesse a capturado para libertar aquela fera grotesca assustou-a profundamente, fazendo as suas forças voltarem e a necessidade de se ver livre daquelas amarras.

— Me soltem! – gritou, tentando puxar os braços. — Eu não serei a felina de ninguém! – ouviu o som de grades e, bem, será que ela era uma tigresa enjaulada? — Aquela tigresa maldita morreu! Soltem-me! – seus olhos se abriram, mas tudo continuava embaçado. — Socorro! Eu preciso de... — a sua visão foi voltando ao normal e, escassamente, as coisas iam ganhando formas. Como, por exemplo, um mascarado à sua frente. — Sensei?

— Yo. – acenou com a cabeça.

— O que está acontecendo? – indagou, olhando para os lados. Estavam presos numa cela, aparentemente. — Por que estamos presos?

— Balofa. – o mascarado respondeu, impassível.

— Do que me chamou? – ah, ela quebraria as pernas dele, caso estivesse solta.

— Não você, a recepcionista. – suspirou. — Ela nos prendeu.

— E por que ela faria isso?

— Por que ela faz parte da quadrilha.

— Como é?

Ele até pensou em responder, no entanto, alguns passos se aproximavam e talvez aquela não fosse bem a hora para uma conversa. Calados, eles notaram a mulher roliça que se aproximava, de chupeta na boca e um livreto laranja em mãos. Ambos shinobis arregalaram os olhos e Sakura não deixou de notar um filete de desespero que passou pelos olhos do Hatake. Afinal, desde quando aquela balofa do chupe-chupe tinha o direito de tocar no sagrado Icha Icha de Kakashi?

Ela sorriu, lambendo um dedo gordo e avançando as páginas. O Hatake sentiu que estava suando frio e, bem, aquela maldita tinha sorte em tê-lo amarrado com uma corda especial. Pois, aparentemente, não apenas a corda, como as grades da cela também, eram feitas com um tipo de material que repelia a ação de chakra. Além do mais, ao notar duas pequenas seringas no chão, imaginava que receberam algum tipo de medicação que prendia o fluxo de chakra.

— E vejam só... – a recepcionista falou, sorrindo logo em seguida. — O meu casal favorito, aqui, preso em uma cela! – gargalhou de maneira estranha, e a kunoichi teve vontade de empurrar aquela maldita chupeta goela a baixo. — Sabe, eu realmente não acredito que tentaram me enganar, tsc. Vocês subestimam muito as pessoas.

— Yep. – a rosada concordou, balançando a cabeça. — E o quê você planeja fazer agora, querida?

— Oh! Nada de mais, não se preocupe. – sorriu, aproximando-se da kunoichi. — Você já leu esse livro todo? – perguntou, levantando uma sobrancelha para a garota. Sem obter alguma resposta, continuou a falar. — Sabia que a garota é aluna do Yagami?

— Sério? – a menina indagou, fazendo o ninja a sua frente revirar os olhos.

— Sim. – comentou. — Aparentemente, a aluna quase vinte anos mais jovem conseguiu virar a cabeça do professor. – afirmou com a cabeça.

— Uau. – a menina fez uma careta para Kakashi, que a olhou desentendido. — Por que não me deixou ler o resto?

— "Porque há sempre um Icha Icha na livraria mais próxima de você!" – repetiu um dos slogans de marketing da série, fazendo a aluna revirar os olhos. — Esse livro ainda é meu, e você mal leu duas páginas.

— Você sabia que eles eram professor e aluna?

— Sakura, não é a primeira vez que leio esse livro.

É verdade, desde genin ela o viu com essa série pervertida em mãos e, bem, é claro que ele sabia todos os detalhes da série. A recepcionista sorriu, caminhando em direção do shinobi. Sentou-se ao seu lado, por fora das grades, continuando a folhear o amado livro. Ele a olhava ameaçadoramente, mas não poderia fazer muita coisa, além de algum tipo de careta – embora estivesse mascarado, o que impediria de ser visto. A balofa parou numa parte específica, fingindo-se de perplexa em determinadas cenas.

— Diga-me, bonitão – falou, notando o olhar curioso da garota. —, você pensa nela quando lê essa parte...?

— Não. – respondeu seco.

— Que parte? – Sakura perguntou do outro lado.

— Quando eles... Como posso dizer... – coçou o queixo pensativa, olhando para o alto. — Fazem um treinamento exclusivo?

— Treinamento exclusivo? – a kunoichi perguntou, duvidando se havia entendido certo.

— Ah, você sabe. – sussurrou, como se não quisesse que o prateado escutasse. — Ele a ensina uma coisa que somente um homem forte e viril pode.

— Kami-sama! – exclamou a Haruno, e o mascarado apenas suspirou exasperado. — E onde fizeram isso?

— Na cozinha. – a recepcionista comentou, sorrindo com a curiosidade da kunoichi.

— Na cozinha?! – olhou surpresa para Kakashi, perguntando-se se realmente ele pensava nela quando chegava a tal parte. — E como foi?

— Ele pegou em suas mãos e...

— E a ensinou a técnica secreta de se abrir potes de azeitona. – o Hatake interrompeu a mulher, fazendo-a lhe lançar uma careta.

— Pote de azeitona? – Sakura questionou, perplexa. — E como se faz essa posição?

Kakashi revirou os olhos e a Sensual seduction gargalhou alto. Dando uns tapinhas no ombro do mascarado, a mulher sentou-se entre eles, ainda por trás das grades. Colocando as mãos em um bolso traseiro, retirou um livreto azul, folheando algumas páginas. Sakura olhou para o seu sensei, mas encontrou apenas o habitual olhar de peixe morto vindo dele. Ela notou duas seringas jogadas próximas à gordona, e pela fraqueza que sentia, além da ressaca, também teve cortado o fluxo de chakra, deduziu.

Ótimo.

A mulher parou em uma página específica, passando os dedos nas linhas e lendo-as audivelmente.

— Haruno Sakura. – olhou para a kunoichi, sorrindo perfidamente amigável. — Hatake Kakashi. – mandou uma piscadela para o homem, mas que foi duramente ignorada. — Sai. – avançou algumas páginas. — Uchiha Sasuke. – outras páginas rolaram e ela sorriu alegremente ao parar. — Uzumaki Naruto. – fechou o livro, ainda como o riso bobo em sua boca, balançando a cabeça. — Vocês, ninjas, têm um livro com todos os maiores nukenins... Porque acha que não haveria um livro com todos os ninjas de elite? – a garota se lembrou das cartas de Kabuto, mas não estava muito a fim de iniciar uma conversa com a Seduction. — Sabe, embora as nações admirem o trabalho que vocês exercem, eu não sei, vocês são tão previsíveis.

— Previsíveis? – a garota perguntou.

— Sim, previsíveis. – inclinou-se na direção da moça. — Sempre procuram pousadas com fontes termais. – falou, e Sakura teve vontade de esganar Naruto. — E as termas têm de estar em estado perfeito! E nunca podem ser unissex. – é, talvez o loiro não merecesse ser esganado. — Embora fossemos a caça, vocês é que caíram na armadilha.

— A sua quadrilha armou desde o inicio? – Kakashi perguntou, na sua maneira impassível.

— Ficamos sabendo que ninjas seriam contatados para nos prender. – guardou o livro no bolso novamente, voltando a se concentrar nos shinobis à sua frente. — Estudei todos os rostos do livro e me disfarcei de recepcionista.

— Mn.

— Mas vocês quase me engaram. – comentou por alto, notando os olhares confusos. — Parecia um casal de verdade. As pequenas discussões e implicâncias. – ponderou um pouco. — A maneira que ele olhava para os teus peitos. – fitou a garota que arregalou os olhos. — Ou as olhadelas dela para a tua bunda. – sorriu, ao notar como um encarava o outro, surpresos. — Vocês pareciam um casal, mas segundo esse livro, você é namorada do Uchiha!

— Essa coisa está desatualizada, então.

— Sério? Você trocou o aluno pelo professor?

— Eu não troquei ninguém, sua maluca.

— Hm. – a mulher resmungou, voltando a fitar o casal. Talvez ela devesse seguir com o seu plano logo. — Eu ajudei o Naruto com o O plano dele.

O plano? – o Hatake indagou.

— Sim. – respondeu, levantando-se e caminhando em direção de um armário. — Ele disse que era para unir vocês, mas é claro que não era a intenção dele. Só que tente dizer a ele que, prender duas pessoas nuas em uma fonte termal não às fará se odiarem, como era o seu objetivo principal. – suspirou, procurando as seringas. — Eu não ganharia nada com isso, além de tempo e certas recompensas, então, por que não? – preparou duas injeções de líquido transparente, sem deixar de ser notada pelos dois ninjas.

— Onde está o restante da sua quadrilha? – a rosada perguntou, ao notar a mulher se aproximando.

— Foram dar um jeito no restante da sua equipe. – apontou a agulha no braço da kunoichi, perfurando uma veia. — É só uma picadinha! – andou na direção do mascarado, e com uma nova agulha, repetiu o mesmo movimento que fez anteriormente. — Eu já falei para vocês que sou uma especialista em venenos?

Os dois ninjas olharam-se rapidamente, evitando qualquer tipo de conclusão precipitada.

— Eu também sou. – a Haruno comentou. — E pelo o que pareceu, você nos injetou soro.

— Parece com soro, mas não é.

— E o que seria então?

— Hm... – coçou o queixo, olhando para o alto. — Certa vez estive testando um novo tipo de estimulante sexual e, bem, queria fazer algo completamente diferente dos que há por aí. – a mulher olhou festivamente para o casal, segurando o riso. — Usei a essência de várias plantas exóticas, elementos químicos, entre outros. Aos poucos desenvolvi esse líquido incolor que pode ser usado de várias maneiras, desde a oral, cujo efeito é um pouco mais demorado para se iniciar; e injetável, em que o efeito é bem mais rápido, porém não imediato. – suspirou, voltando a se sentar próxima aos ninjas, que a escutava atentamente. — Testei a substância em dois casais de camundongos, inicialmente. O primeiro casal, assim que tiveram uso da substância, ficaram juntos e momentos depois acasalaram o dia todo e, sério, isso não é normal para pequenos roedores! – riu sozinha, ignorando as duas carrancas que a fitava. — Porém o outro casal, eu os deixei separados, impedindo-os de acasalarem.

A mulher ficou muda abruptamente, e a kunoichi ficou dúbia e curiosa. O que demais aconteceu com os camundongos? Que tipo de reação a substância pode causar caso não haja o acasalamento? E porque aquela esquisita estava sorrindo?

— E o que aconteceu com esse casal? – questionou, tirando a gorda de seus devaneios.

— Simplesmente morreram, acreditam? – bateu nas próprias pernas, semelhando descrente. — Realizei o teste com outros casais de roedores, e quando digo isso, não foram apenas em camundongos, e o resultado foi o mesmo. Eu não sei... – ponderou um pouco. — Depois de várias pesquisas, acredito que o veneno seja expelido apenas com o orgasmo. – olhou para os dois, notando a maneira tensa que logo assumiram. — Num orgasmo, de sexo com penetração.

— Como você sabe que somente com penetração? – Sakura perguntou, tentado fugir do que a balofa insinuava.

— Eu fiz vários testes. – seu sorriso morreu, fazendo-a suspirar. — Enfim, acho que vocês já sabem o que deve fazer.

— Não! – a moça de cabelos rosa gritou, enquanto Kakashi apenas parecia afundar em seus próprios pensamentos. — Você não quer dizer que eu e o Kakashi-sensei... Hehe. – a gorda ainda a olhava séria. — Diga que eu sou uma pervertida e que interpretei as coisas erradas...

— Eu não sei se você é uma pervertida, mas sei que não é idiota. – aproximou-se da garota, cortando as cordas que a prendia nas grades. — E pense pelo lado bom, você irá receber algo bem melhor do que aquele sexo oral.

— Você ouviu a nossa conversa?

A mulher continuou rindo, ignorando a pergunta da jovem ninja. Aproximando-se de Kakashi, cortou as cordas de uma mão e depois da outra. Ele ainda jazia pensativo, mas ela sabia que logo ambos cederiam, mais cedo ou mais tarde. Ela caminhou em direção da sua bolsa, pegando dois pirulitos de caramelo e, indo em direção da cela, jogou um para a rosada. A menina a olhou confusa, não compreendendo a razão do estranho presente.

— Sabe, eu ainda sou uma pessoa bondosa. – ela comentou, sentando-se numa cadeira distante. — E imagino que Kakashi não irá apreciar esse hálito alcóolico que você está, menina. – Sakura até pensou em arremessar aquela porcaria na mulher, mas ao checar o próprio hálito com as mãos teve de concordar com o presente. — E fiquem à vontade para começarem as coisas aí. Segundo os meus cálculos, vocês têm duas horas para terminarem. – olhou para o relógio na parede, constando ainda ser nove e meia da noite. Teriam até às onze e meia, aproximadamente. — E não se incomodem comigo, prometo não olhar!

Como se o problema fosse apenas esse, a Haruno pensou.

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Seu estômago revirou novamente, obrigando-o a parar no meio do caminho e segurar a própria boca. Não sabia exatamente o que havia lhe feito mal, mas prometeu a si que nunca mais comeria em outro lugar que não fosse o Ichiraku. E como se não bastasse estar passando mal, ainda tinha de ter como companhia um maldito resmungão. Certo, ele nem mesmo deveria ter parado para comer durante a missão, mas como um ser humano, comer era essencial (embora nem estivesse com fome). E não adiantaria nada o Uchiha ficar fazendo caretas. Aliás, as carrancas apenas o assustavam e faziam o seu estômago ficar pior.

Naruto até pensou em procurar por Sakura – que por ser médica, saberia como ajudá-lo –, no entanto, ela e Kakashi-sensei estavam incomunicáveis e, ainda que Sasuke dissesse que não havia nada entre aqueles dois, algo dentro de si dizia que sim, havia algo ali e, neste momento, o casal estaria aprontando alguma coisa. Sim, talvez fosse paranoia, mas o seu instinto ninja não mentia para ele, nunca! E, bem, mesmo que não fosse pelas razões que imaginava, ele sabia que algo estava acontecendo com os colegas.

Pintinho? – o comunicador chiou, e ele fez uma careta. — Está melhor?

— Não. – respondeu seco. O outro permaneceu mudo do outro lado da linha e o loiro se perguntou se não estava sendo grosseiro de mais. — Então – pensou em um novo tópico. —, sabe da Sakura-chan e do Kakashi-sensei?

Não.

— Ah. – ouviu um gemido estranho do outro lado da linha. — Está tudo bem aí, Sai?

Sim. – respondeu com o seu habitual tom de voz. — Estou com um laranja da quadrilha, que está me indicando o endereço da "chefia".

— Você deveria esperar. – o Uchiha se intrometeu na conversa. — Não é prudente ir até eles sozinho.

— É verdade, palmito. – Naruto concordou.

Sai não voltou a falar, todavia, Naruto e Sasuke acharam cedo demais para se preocupar. Ainda mais que, ao longe, podia ver o ninja se aproximar com um homem em suas costas. Os dois continuaram o caminho rumo à pousada, de certa forma, curiosos. O loiro se perguntou se o desenhista estava ali à procura de Kakashi, porém não era isso o que estava parecendo. Sem saber ao certo o que faziam, os três (quatro, contando com o laranja), pararam de fronte ao estabelecimento.

— Ué, não disse que estava indo ao endereço que o laranja te passou? – o Uzumaki perguntou, coçando a nuca em confusão.

— Mas este é o endereço, pintinho. – dando de ombros, jogou o bandido no chão. — Pelo menos foi o que ele disse.

— Você não está mentindo, está? – o loiro se aproximou do cara magro que tremia feito uma moça. — Pois se estiver...

— Eu juro que estou falando a verdade, eu juro! – o homem vociferou, tremendo incontrolavelmente.

— Com quem você tratava os negócios? – Sasuke perguntou, com seu tom indiferente.

— Eu não sei direito. – o homem se encolheu, temendo o olhar sinistro do ninja. — Não sei os nomes, mas posso dar as características.

— E como eram? – Sai indagou.

— Havia um homem e uma mulher. – hesitantemente começou a falar, recordando-se claramente das pessoas. — Ele era muito magro e baixo, tinha cabelos castanhos até a altura dos ombros. E a mulher, bem, ela era feia.

— Feia? – Sasuke arqueou uma sobrancelha.

— Grande, muito grande. – pensou mais um pouco, recordando-se da mulher. — Mas não era tão alta, apenas larga. Falava algumas safadezas e apertou a minha bunda diversas vezes.

Os garotos trocaram rápidos olhares, e Naruto tinha certa suspeita em mente, cujo tamanho não cabia em seus pensamentos.

— Ela chupava um caramelo? – o ninja hiperativo indagou.

— Uma chupeta de caramelo. – explanou o homem.

Sai voltou a amarrar o homem, levando-o para o quarto onde estava hospedado com os demais colegas. Subiu rapidamente e voltou logo em seguida, achando Naruto a revirar o balcão da recepcionista e Sasuke averiguando armários próximos. Sem ser convidado a participar da expedição, calmamente o ninja retirou um livro de sua bolsa, continuando a ler de onde tinha parado. Às vezes era estranho notar como havia diferenças entre homens e mulheres, em sua opinião. Passara tanto tempo sob os ensinamentos da Raiz que simplesmente acabou tendo de deixar de lado informações valiosas sobre os seres humanos. Nunca em sua mente ideou que os seres humanos vinham de outro planeta, afinal, o seu interessante livro dizia claramente: Homens são de Marte e as mulheres de Vênus! E isso, bem, surpreendeu-o profundamente.

— Sai? – Naruto o chamou, arqueando uma sobrancelha. — O que está lendo?

— Um interessantíssimo livro que explica a origem interplanetária do ser humano. – sorriu.

Naruto não entendeu bem o que o colega havia dito, e um de seus princípios básico é a de que nunca se discute com um louco, principalmente se esse tal seja um branquelo insensível – o que poderia se referir a Sai ou Sasuke, na maioria das vezes. Com as mãos vazias e os pensamentos em branco, sentou-se no sofá ao canto da recepção e logo Sai o acompanhou, continuando com a desinteressante leitura. E pensando com os seus próprios botões, o loiro se perguntou onde diabos aquela maldita balofa do chupe-chupe poderia ter levado Kakashi e Sakura, pois, para ele, o desaparecimento só poderia ser obra dela.

— Há alguns endereços de cassinos nessas agendas. – Sasuke jogou os cadernos nos colegas, vistoriando o que ficara em suas mãos. — Mas não há nada que possa ligá-la à quadrilha.

— Aquele laranja a descreveu, Teme. – Naruto falou, folheando algumas páginas amareladas. — Só pode ser ela, tô certo.

— Talvez aquele cara ainda tenha coisas a falar. – o outro ninja comentou, ainda lendo o seu livro.

Sasuke ponderou um pouco, tomando a posição de líder, provisoriamente. Uma ideia se passou em sua mente e um plano de verdade seria seguido para se alcançar dois objetivos. Primeiro: encontrar os demais companheiros; segundo: prender a quadrilha. Sorrindo de canto, aproximou-se dos outros dois, permitindo que a sua sombra pairasse sobre eles. Naruto o fitou confuso e Sai continuou intrigado coma própria leitura.

— Mudanças de plano. – falou, cruzando os braços. — Eu tenho um novo.

Como se ele fosse o único, o Uzumaki pensou.

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O ponteiro dos minutos deu mais um passo, enquanto os segundo continuavam a correr. A garota mordeu os lábios afoitamente, notando que quinze minutos se passaram e Kakashi jazia calado. Ela bem que tentou pensar em uma maneira de escapar de tal situação, porém nunca, nunca em toda a sua vida, ouviu falar de uma substância com tal poder. Tentou imaginar como o veneno agia no sistema nervoso e circulatório e qual trajeto faria para, de onde é que estivesse, seguir à "saída".

Durante o seu treinamento medic-nin, jamais ouvira falar de algo do tipo. Certo, a mulher lhe disse que era uma criação própria e recente, e que só foi testada em pequenos roedores, mas como só poderia ser expelida em um orgasmo? E com penetração, diga-se de passagem. A garota já extraiu venenos de diversas maneiras, e lembra-se do nível de dificuldade que teve para curar Kankuro, mas ainda assim, agora era uma situação completamente diferente. O veneno agia de outra maneira e a extração era um tanto quanto peculiar.

Nada surpreendente vindo da Sensual seduction, ponderou.

Suspirando audivelmente, recostou-se à parede, abraçando os próprios joelhos, mais três minutos se passaram e até agora nenhum dos dois falou uma única palavra. Notando-se muito afastada do jounin, timidamente aproximou-se, sentando a alguns palmos de distância. Não que a proximidade a levaria a fazer sexo com Kakashi, todavia não havia razão para estarem tão distantes. Ele ainda não a olhava, com seu olho fechado, recostado na parede e com a cabeça caída. Sakura também notou que a balofa mandou um risinho, piscando para ela logo em seguida. Não era como se a garota estivesse ali para iniciar o que é que deveria fazer, não, na verdade ela só precisava expor os seus pensamentos.

— Kakashi-sensei. – falou baixo, notando um olho negro se abrir. — Eu... Eu não sei o que fazer... – suas palavras morreram, e ela fitou o pirulito de caramelo em mãos. Inconscientemente, tirou-o da embalem, deixando-o em mãos. — Eu não quero morrer, sensei. – tornou a falar. — E eu não tenho ideia de como contornar essa situação.

Ele permaneceu calado, ponderativo. Olhando-o curiosa, a garota colocou a chupeta na boca, sentindo o estranho sabor adocicado. Não era ruim, tinha que admitir, mas não era algo que compraria ou chuparia por ai. O Hatake olhou para ela, de uma maneira intrigante, fazendo-a se sentir estranha. Talvez ele tenha uma ideia, a garota se animou, sentindo o coração bater mais forte. Quiçá houvesse um jutso que pudesse contornar essa situação e o prateado houvesse copiado. Ela tentou se acalmar, no entanto havia um brilho anômalo nos olhos do Hatake que a fez... Estremecer. Ele fez um movimento sob a máscara, como se quisesse dizer algo, mas se conteve. Contudo, ela não.

— Diga. – falou de boca cheia. Desviando de seu olhar, ele voltou a fitar o chão, irritando-a profundamente. Mais quatro minutos haviam se passado e Sakura notou que lhe restavam uma hora e trinta e oito minutos. — Por favor, diga.

Kakashi a olhou novamente, um pouco desconcertado, deixando-a ainda mais ansiosa. E sob um suspiro vacilante, ele finalmente cedeu.

— Eu não consigo ficar excitado com você e essa chupetinha. – deu de ombros, ignorando a boca da garota que se abriu e a chupeta que por muito pouco não se foi ao chão. — Sinto muito.

Sakura piscou mais algumas vezes, perplexa demais para pensar, contudo, aos poucos foi voltando à realidade.

— Hm. – resmungou, embora não tenha abrido mão do caramelo. — E então...?

O Hatake a olhou desanimado, notando que a esperança de haver uma solução alternativa estava morta. Embora um bom estrategista – e um ninja experiente –, nunca passara por situação semelhante. Ser preso e mantido como refém, sim. Ser envenenado por uma droga estimulante e mortífera, não. Inicialmente ele pensou que tudo não passava de um blefe, mas a mulher não pareceu fraquejar em momento algum. Sakura ficou calada desde a injeção, assim como ele, e talvez estivesse pensando na maneira de se livrar de tal situação. Entretanto, nem mesmo a pupila do Hokage mostrou-se capaz de arranjar uma saída.

Passando as mãos no cabelo prateado, fitou a garota que ainda tinha a chupeta na boca, e sorriu.

— Morreremos.

— Como é? – a garota se exaltou, batendo uma das mãos ao chão empoeirado.

— Se por acaso o tempo estipulado por ela esteja certo, acredito que será o nosso fim.

— E por quê?

— Nenhum de nós está excitado. – se pelo menos ele tivesse o Icha Icha ali... – E não é algo tão simples. Não iremos apenas arrancar as nossas roupas e transarmos aqui.

E por que não?

A garota mordeu o lábio, fitando o relógio. Mais cinco minutos se passaram, restando-lhes uma hora e trinta e três minutos. A roliça havia dito que talvez o efeito não fosse imediato, mas não se pode fazer tais conclusões uma vez que a substância tenha sido testada apenas em roedores. Ponderando um pouco, a garota constatou que poucos animais acasalam por motivos não-reprodutivo. A maioria usava de tal para proliferar a espécie e vencer a batalha da seleção natural. No entanto, animais como o ser humano e alguns outros mamíferos, usufruem do sexo também para o prazer. E que, aliás, em momentos de solidão e solitude, ou mesmo sem algum motivo definido, os seres humanos eram capazes de obterem prazer e mesmo chegarem ao clímax sozinhos – às vezes até melhor do que quando acompanhados.

E, apertando a ponta do nariz, recordou-se de uma das aulas que teve com sua shishou, em que a mulher lhe falara do estranho ritual que o sexo se tornou na mente humana. As coisas não eram mais penetrações, turgescências, gravidez e proliferação da espécie, não mais. O Homem havia tornado o sexo além do que devia e o prazer casou-se com ele. Embora haja certos dogmas religiosos e morais, todos (ou a grande maioria) acabam cedendo à tentação da carne, do prazer imensurável. Novas artimanhas haviam sido criadas e Sakura percebeu que, talvez, estivesse seguindo o caminho certo de pensamento.

—Primeiramente, temos que nos estimular. – falou, balançando a cabeça. — Não somos animais que simplesmente queremos vencer a batalha contra a seleção natural. Somos seres humanos em busca de prazer. – sorriu, sentindo que finalmente sabia o que deveria fazer. — É isso! – gritou, chacoalhando o mascarado pelos braços. — É isso, sensei, é isso! – ele maneou com a cabeça, notando não haver nenhuma novidade no que a garota havia dito. — Tire a roupa!

— Hein?

— Eu disse para tirar a roupa, sensei. – falou, enquanto abria o zíper da camisa, parando ao notar que ele continuava imóvel. — O que foi?

— O que exatamente planeja?

— Bem, a maioria dos animais faz sexo por fins procriativos. Aliás, os machos das espécies do reino animal, normalmente, no orgasmo expelem o sêmen. Mas com o homem é diferente. Digo, vocês também expelem o sêmen, mas não necessariamente para fins procriativos.

— Ou seja...?

— Não precisamos transar de verdade para expelir o veneno.

— Certo, acho que estou entendendo a sua teoria – o ninja suspirou, coçando o queixo mascarado. — Você costuma gozar mais facilmente se masturbando, não é mesmo?

Sakura então ficou ruborizada.

— Eu... Err... Bem. – engoliu em seco. — Mas eu não costumo ejacular.

O prateado maneou com a cabeça, em silêncio.

— Bem, aparentemente, teremos que transar e com penetração, Sakura. – comentou. — Mas mesmo com a penetração a maioria das mulheres não têm ejaculações, ainda que cheguem ao clímax...

Era isso! Bastaria apenas cada um estimular a si próprio, chegar ao orgasmo e, quem sabe, expelir tal veneno. Se a excitação não vinha automaticamente, não havia mal algum apenas olhar um ao outro, não é mesmo? A verdade é que só de pensar que veria Sakura nua já começava a deixar o prateado... errr... digamos que animado. Mas era efeito do remédio, não era?, ele se questionava.

— Queridos, desculpem interromper, mas acho que não falei nada sobre punheta, sirirca e porra feminina, ou falei? – a Sensual Seduction interrompeu-os. Céus, como aquela mulher era suja!, a rosada mentalizou. — Quando eu disse sexo com penetração eu quis dizer que, sim, você dois vão ter que transar. Eu fiz vários testes e, não sei quanto a vocês, mas eu não botaria minha vida em risco. – riu debochado ao observar o filete de desespero no rosto de Sakura. — Aceitem que é hoje que vocês irão transar até não aguentarem. – comentou, aproximando-se da kunoichi. — E não precisa me agradecer depois.


Oficialmente, eles estavam em apuros. Sakura sabia bem que por ter sido testado apenas em roedores não necessariamente os efeitos seriam semelhantes com humanos – tudo dependia da espécie do animal, tamanho, dosagem, entre outras questões. Mas valia o risco? Será que a necessidade da penetração terá alguma relação com o sistema nervoso? Ou será que a ejaculação de Kakashi, ao expelir o veneno, seria uma espécie de antidoto que a curaria ao entrar em contato com o seu colo do útero? Nesse sentido, será que pela boca a cura não seria mais eficaz?...

Infernos, só podia ser o veneno estimulante, por algum motivo, neste exato momento, ela queria muito jogar Kakashi na parede e lhe pagar um boq...

— Me desculpe. – o prateado a interrompeu, soltando um suspiro desanimado. — Acho que não temos muita escolha.

— Bom, não há outra escolha. – e menina deu de ombros. Ok, ela estava ficando excitada, mas jamais poderia deixar seu sensei saber disso. Era preciso achar alguma solução. — Talvez possamos começar como se deve, você sabe. – corou um pouco, seguindo em frente com o pensamento. — Talvez se ficarmos apenas com a roupa debaixo, eu não sei, poderemos ficar estimulados e começar você sabe o que.

— Hm. – balançado a cabeça, Kakashi apenas digeria as informações. — E você quer que fiquemos apenas com as roupas de baixo, você de lingerie e eu de cueca? – ela balançou a cabeça, concordando com o que foi questionado. — Eu não posso.

— Não pode? – indagou descrente. — Se iremos transar, que mal há de eu ver a sua cueca?

— Acontece que eu não estou de cueca. – esclareceu.

— E por que você não está usando? – agora ela estava perplexa.

— Porque simplesmente não as uso.

Um assobio foi ouvido e notaram o risinho sacana da mulher roliça que lia o livro despreocupadamente. Ignorando-a completamente, Sakura voltou a fitar Kakashi, ainda descrente do que acabara de ouvir. Será essa a razão de seu bumbum ser tão bonito?, questionou-se.

— E porque não as usa? – questionou, ainda pensando no bumbum.

— Isso não vem ao caso. – usou de seu tom indiferente, fazendo a garota tornar-se a se concentrar. — Agora me diga, qual é o seu plano exatamente?

— Bom, a situação nos obrigar a... você sabe. Creio, assim, que talvez não seja necessário algo muito "aprofundado", mas de qualquer maneira... Bem... Temos que começar algo. – balançando a cabeça, ele apenas notou que, as coisas não eram tão simples como a garota acabara de falar. — Mas...

— Mas...?

— Eu tenho uma exigência.

— Uma exigência? – pensou um pouco. Ela era jovem, será que iria exigir alguma posição específica? Ficar por cima? Baixo? De Lado? De quatro? Hm, coçou o queixo, notando o olhar vacilante que a aluna mandava ao chão. — E qual é?

— Por favor, seja romântico.

Os dois se olharam em silêncio, e talvez ele merecesse morrer, o prateado pensou.

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Sasuke continuou correndo, mantendo os outros dois companheiros na escuta. Haviam conseguido localizar alguns membros da quadrilha e, aparentemente, todos sabiam de certa localização onde reféns poderiam ser levados. O local servia como armazém aos equipamentos fraudulentos e, aos fundos, havia uma cela onde aqueles que se opunham à "chefia" eram aprisionados. O caminho ao cativeiro seguia-se à mata fechada que se embrenhava em um estreito caminho.

O sharingan auxiliava-o em sua busca, enquanto ouvia a discussão imbecil entre Naruto e um contraventor, embora uma facção bastante poderosa, a composição da gangue era em suma miscigenada por civis. Não havia lutadores, muito menos ninjas, pois, ao que parece, eles achavam ser um gasto desnecessário. O que apenas facilitava as coisas, na opinião dos shinobis - ainda que o sequestro de Sakura e Kakashi fosse um mistério. Afinal, como poderiam ter se deixado cair em alguma armadilha? A menos que...

Não houvessem caído em nenhuma armadilha e, naquele exato momento, estivessem fazendo...

Não, aquilo era apenas uma sandice da mente do dobe, não era?

Desviando aqueles torpes pensamentos de sua cabeça, localizou um pequeno casebre por entre algumas árvores, mal iluminado e pequeno. Parou, observando atentamente o lugar. Ao que se constava, havia três pessoas ali, e nenhum chakra ninja poderia ser sentindo. Olhou atentamente o ambiente, percebeu que não havia nenhum tipo de proteção ou segurança. Talvez ele devesse esperar um pouco mais para iniciar o seu avanço, no entanto, Uchiha Sasuke não estava com muita paciência para esperar, muito menos de observar uma velha choupana de civis.

Assim, impacientemente, pulou da árvore onde estava, parando de fronte à entrada. Com um chute de pouca intensidade, abriu a porta, adentrando no cômodo vazio. Haviam três máquinas caça-níqueis espelhadas e outra porta fechada mais adiante. Impaciente, caminhou na direção, tranquilamente, colocou a mão na maçaneta, girando-a sem emitir nenhum ruído. A porta se abria pouco a pouco, revelando uma cena que fez o Uchiha se arrepiar.

Digamos que... de horror?

Ainda asco, pensou em simplesmente sair, e deixar o que acontecia ali continuar. Mas, bem, ele tinha que fazer o seu trabalho não tinha? Destarte, respirou profundamente, invadindo o cativeiro, tomando uma pose impassível e fingindo não ser afetado por tal cena. Afinal, não era sempre que se viam dois caras numa jaula se "pegando", enquanto o outro assistia animadamente. Mas, também, ninguém nunca havia lhe dito que a vida de um ninja seria fácil.

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Mais dezoito minutos se passaram, e o silêncio continuava lá, como uma sombra. Kakashi suspirou, passando as mãos pelo cabelo desgrenhado. Não tinham mais do que uma hora e quinze minutos e, bem, a morte continuava a lhes sussurrarem ao pé do ouvido. Não que desejasse que Sakura e ele viessem ao óbito, não, mas as condições estabelecidas tinha um preço alto demais, e não era fácil simplesmente transar com a sua aluna como se fosse algo corriqueiro. Afinal, como ela bem disse, não eram animais.

Mais um minuto se passou, e ele continuava imóvel.

— Eu quero ter filhos. – ouviu-a dizer. — Não esse ano e nem no próximo, mas um dia. – ele continuou calado, lutando com seus pensamentos. Sim, ele era um homem. E, sim, seria fácil simplesmente se virar para a aluna e fazer o que teria de fazer. Mas não, a sua mente não o permitia. — Talvez eu me case, embora não tenha vocação para dona de casa. – ela suspirou.

— Sakura...

Ela olhou para o relógio, notando que lhe restavam ainda uma hora e dez minutos. Kakashi suspirou novamente, sentindo que seu chakra permanecia cortado. A garota continuava a fitar cada movimento dos ponteiros, sem esboçar nenhuma reação. Era um difícil dilema que ele tinha em mãos – e tudo o que desejou é que estivesse bêbado para, posteriormente, botar a culpa na bebida. Talvez fosse a maior besteira o estava prestes a fazer, mas ela não podia fazer muita coisa. Talvez Sakura fique magoada, porém, de uma torpe maneira, a decisão pudesse ser a certa.

Suspirando mais uma vez, tomou coragem. Deixando a mente em branco e evitando pensar nos aborrecimentos, deixou uma de suas mãos tocarem o solo empoeirado e seguir calmamente. Seu dedo do meio e o fura bolo trilharam o caminho como duas pernas fariam, pousando-se sobre a pele não muito delicada das mãos femininas. Sakura o olhou surpresa, arregalando os olhos verdes. Sorriu para ela, numa tentativa de conforto. A garota pareceu chocada, como se já soubesse do pior. E, tomando mais um pouco de ar e de coragem, Kakashi abaixou-se, tentando roçar os lábios mascarados nos da aluna.

Talvez ele tenha feito a escolha certa, pensou.


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:: Próximo capítulo: Cinco minutos ::

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N/A: Pensei em deixar para atualizar no dia 7, quando a fic fará dois anos que começou a ser postada, mas como eu sei que neste dia estarei bastante ocupada, melhor correr o risco, né?

Mais uma vez, perdoem-me pela demora. Algum comentário?