Ótima leitura! ;)


Para Thaths & Kahli Hime

O plano

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Capítulo VIII

Cinco minutos

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Aquilo era um estranho hábito, tinha que concordar, mas era tradição iniciada desde... Desde que ela e Ino passaram a trabalhar juntas no hospital. Não, na verdade aquilo havia começado antes, mas se tornou um costume apenas depois de passarem ainda mais tempo juntas. Ficavam a manhã toda trabalhando em suas respectivos funções, isto é, cuidar e tratar de diversos pacientes. E quando se aproximava o meio dia, ambas sorriam, imaginando as besteiras que conversariam durante o almoço.

Bom, elas tinham uma hora e meia de recesso e inacreditavelmente em menos de vinte minutos já haviam abocanhado toda a refeição que lhes eram dadas. E o que deveriam fazer para matar o tempo? Bom, a loira bem que insistia em suas fofocas, mas era censurada por Sakura, assim como a rosada que tentava discutir sobre livros, mas era ignorada por Ino. Elas tinham mais de uma hora livres, então descobriam acidentalmente uma coisa que ambas apreciavam.

Bumbuns masculinos.

Não era por perversão de nenhuma delas, evidentemente que não, era apenas um hábito que uma não imaginava ser compartilhada pela outra. Estavam na recepção, deixando a hora morrer, e fingindo prestar atenção na monótona televisão muda. A Yamanaka nunca compreendera a razão de haver uma tv ali, se era para abstê-la de som. Sakura foleava um livro, passando as páginas preguiçosamente. O silêncio era irritante, mas logo ouviram as portas do hospital se abrirem. Shiranui Genma. Ele entrou calmamente, mandando-lhes um breve aceno de cabeça. As garotas seguiram-no até o balcão da recepção, onde o shinobi conversou com a recepcionista. Disfarçadamente os dois pares de olhos femininos desceram de seu dorso, vagarosamente, chegando à região dos glúteos. E não era por maldade, era apenas um hábito que ambas mantinham, sem o conhecimento da outra.

Até então.

Compartilharam risos discretos, enquanto Sakura voltava a fitar seu livro e Ino disfarçava com uma revista qualquer que dava dicas de dietas extravagantes. O homem pegou um envelope pardo, segurando-o despreocupadamente. Ele passou, com um mínimo sorriso no rosto e uma tradicional senbon na boca, maneando novamente às duas garotas. Maneando de volta, as duas disfarçadamente fitaram suas costas esguias, deixando seus olhos descerem até o bumbum bem torneado do ninja. As duas se olharam, voltando a disfarçar em seus respectivos materiais de leitura.

— Eu vi isso, Testão. – a loira falou, cutucando a costela da outra.

— Não sei do que você está falando, Porca. – respondeu, virando a página de seu livro.

— Não pense que eu não vi. – riu alto, fazendo a rosada revirar os olhos. — Mas não posso te culpar, é claro que a bunda do Genma é melhor do que muita coisa, incluindo esse seu livro idiota. – inclinou a cabeça de lado, fitando o titulo do livro nas mãos da outra kunoichi. — "Uma tarde na noite"? Isso é ridículo, Testão.

— Cale a boca, Porca. – Sakura falou, fechando o livro logo em seguida. — É um livro muito intrigante, que conta a história de... – parou, notando que a loira fingia cochilar. Suspirando derrotada, ela apenas abandonou o livro, virando-se para a loira. — Pensava que eu fosse a única a fazer isso.

— Achou que apenas os homens apreciam bundas? – Ino despertou, mandando-lhe um sorriso de escárnio. — Não seja tola.

As duas sorriram, descobrindo mais um gosto em comum. Não era por maldade era apenas um hábito, justificavam entre si. As médicas, então, acharam uma coisa melhor a se fazer durante o horário de almoço. Sim, observar bumbuns masculinos. Almoçavam da maneira como sempre almoçavam e logo em seguida, como se não fosse nada demais – e como se não fosse tão agradável assim –, seguiam para a recepção. E lá, bem, disfarçavam as risadinhas e os olhos críticos, apreciando a bela vista que tinham. É claro que nem todos os homens da vila passaram por ali, mas as duas já haviam até feito um Top 3 dos bumbuns. Aquilo era ridículo, sim, com certeza era, mas tudo não passava de uma brincadeira das duas garotas e não havia nenhum mal nisso, havia?

Enfim, o top era bastante sucinto e fora escolhido a dedo (ou seria a olho?) pelas duas que, de certa forma, partilhavam dos mesmos gostos e julgamentos – pelo menos nesse assunto. Em terceiro lugar vinha Kiba, que embora fosse um tanto esquisito para as duas, tinha os glúteos consistentes. Em segundo estava Capitão Yamato, ou Tenzo, como também poderia ser chamado, que embora fosse um tanto calado tinha um jeito peculiarmente sexy e um bumbum consistente, na opinião das moças. E em primeiríssimo lugar, ah, o deus do bumbum atraente e sedutor, Genma. As duas não poderiam negar, aquele era O bumbum.

Até que...

Terminaram o almoço da maneira que sempre faziam e seguiram calmamente em direção a recepção. Sentaram-se nas cadeiras, desanimadamente, e cada uma pegou o seu próprio material de leitura. A semana estava sendo fraca, segundo as duas. Um ou outro shinobi aparecia por ali e apenas a bunda grande e gorda da enfermeira Li era o único glúteo que passava, para o martírio das garotas. Talvez o estranho hábito, ou tradição, estivesse chegando ao fim. Ino bocejou, erguendo os braços para o alto. Inclinou a cabeça curiosa, fazendo uma careta ao notar o título bizarro do livro que a amiga lia.

— "Um crepúsculo no amanhecer"? – sua careta fez a outra revirar os olhos, fingindo ignorar a loira. — O que mais falta para você ler? "O pôr-do-sol da madrugada"? "O anteontem de depois de amanhã"? "A barata de esgoto"?

— "A barata de esgoto"? – a rosada perguntou, fazendo uma estranha careta.

— Sim, e é uma porcaria. Acredite, eu não mentiria sobre isso. – as duas se olharam, apenas maneando com a cabeça. Sakura voltou a ler o seu livro, enquanto Ino voltou a se espreguiçar. Os olhos azuis fitava o teto desanimadamente até ouvir o barulho na porta. Desanimadamente, pensou ser Li, a enfermeira, mas notou que Sakura a cutucava incessantemente. — Mas o que...? – parou, apenas fitando o bumbum máster, em sua opinião. — Uau.

Ele andou despreocupadamente, parando no balcão. Cruzou as pernas, quase que preguiçoso, apoiando-se e falando com a recepcionista. As duas moças fingiam ler, mandando pequenas olhadelas ao bumbum bonito. Era perfeito! Ino riu, encontrando um novo vencedor. Sakura fitava-o, quase como descrente. Não que ela nunca tivesse olhado para aquela bunda, sim, já o havia feito, contudo, não de tal forma. Não avaliando. Se já lhe era estranho ter Yamato na lista, parecia pior ter o seu velho (que não era exatamente velho) sensei também.

O Hatake se virou, dobrando o envelope. Deu alguns passos, e as duas garotas apenas voltarem a ler, ainda que a revista de Ino estivesse de cabeça para baixo – não passando despercebido ao jounin. Ele parou em frente da aluna, apenas ficando calado. Ela notou as duas pernas masculinas à sua frente, trajada com um tecido azul bastante escuro. Hesitante, abaixou o livro, obrigando seus olhos a subirem. Mas eles não queriam, para o seu nervosismo crescente. Seus olhos se fixaram num lugar onde não poderiam se fixar e não era no bumbum dele, diga-se de passagem. Assim, reunindo toda a sua força de vontade, ergueu os olhos vagarosamente, embora rapidamente eles teimassem a voltar para onde estavam.

— Kakashi-sensei? – fingiu surpresa, e aliviou-se ao notar que ele estava lendo o envelope (e não a observando observá-lo). — Precisa de ajuda?

— Yo, Sakura. – ergueu uma mão, e apenas mandou um sorriso para Ino que praticamente se derreteu. — Acho que você deveria procurar por livros mais decentes. – comentou em seu tom preguiçosamente habitual.

— Não é pornografia, sensei. – falou num muxoxo. — Não se preocupe.

— Não é da pornografia que estou falando. – respondeu, guardando o envelope no bolso dentro do colete. — É do conteúdo estúpido. – mandou a garota um riso plissado, ignorando a carranca que recebeu de volta. — Era isso. Até.

Ela cerrou os olhos, exasperada, porém logo voltou a abri-los bem, apreciando a traseira do mascarado que se afastava. Ino continuou fitando a porta, mesmo depois que ele já havia a deixado para trás. As duas suspiraram em uníssimo, sorrindo como bobas. E talvez fossem, a loira pensou. Mas era recompensador, sejamos francas.

— Eu pegava, Testão. – soltou, notando o olhar confuso da outra. — Você sabe, Kakashi-sensei é um homem e tanto.

— Você acha? – perguntou quase descrente do que acabara de ouvir.

— Sim. – maneou com a cabeça. — E como pegava.

— Nem vem, Porca, ele é o meu sensei.

— E...?

— E ele é o meu sensei.

— E daí? Não é o seu namorado. – deu de ombros.

— Mas isso é estranho, Ino.

— Só porque ele é o seu sensei não quer dizer que não possa ser atraente. – fechou o livro da rosada, jogando-o no porta-revistas. — E vai me dizer que nunca o notou?

— Bom, não, sinceramente. – confessou, encolhendo os ombros. — E não acho legal que você fique dizendo que o "pegaria". – fez o sinal de aspas com os dedos, enfatizando o incomodo.

— O que? Isso é ciúme, Testa? – riu, acusando a garota. — Sei que você está com o Sasuke, mas me diga. – virou-se completamente na direção da Haruno. — Você também o pegaria, não pegaria?

— Como é? – indagou descrente. — Não fale bobagens, Porca, tsc. É claro que não.

— E o primeiro sinal é a negação. – a loira acusou, levantando-se logo em seguida.

Sakura deu de ombros, pegando o livro jogado. Até tentou voltar a ler, mas já não tinha muito ânimo para isso. Olhando para uma página qualquer apenas pensou que Ino estava certa. Não de que o primeiro sinal é a negação, bem, sim, também. Talvez. Mas no que se referia de que sim, pegaria Kakashi. Não que estivesse apaixonada, é claro que não, estava muito bem resolvida com Sasuke, diga-se de passagem. Porém olhando por um outro ângulo, seu sensei era um homem bastante atraente e não haveria mal nisso. É claro, se não estivesse com Sasuke.

O que significava que nunca ficaria com Kakashi, pois nunca terminaria com o Uchiha.

Pelo menos era isso o que pensava, poucas semanas antes de fazer dezoito anos.

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Certo, ele apenas pensou que roçaria os lábios mascarados nos da aluna, no entanto havia uma chupeta no meio do caminho, deixando-o aturdido. Não, talvez fosse uma escolha errada e talvez aquela chupeta no meio do caminho fosse um sinal de Kami. E, droga, ele não gostava da palavra "talvez". Suspirando, voltou a se afastar da garota. Ela o olhou confusa, e a mulher roliça do outro lado das grades abaixou o livro surpresa. Sakura suspirou, fitando o relógio rapidamente. Uma hora e nove minutos. Passando a mão pelos fios róseos, levantou-se e caminhou em direção às grades.

— Eu sou tão horrível assim? – perguntou, deixando o olhar tocar o chão. Ele continuou calado. — Eu realmente não desejo a nossa morte, mas cada vez mais tenho certeza que você é indiferente quanto isso, sensei.

— Não é isso. – respondeu, fitando-a.

Ela sorriu debochada, apoiando-se na nas grades.

— Você ainda acha que tenho doze anos, não é?

— Não.

— Teme ter que revelar o seu rosto. – tirou a chupeta de caramelo da boca, mas o colocara de volta, sem saber o que fazia ou deveria fazer.

— Não.

— Não me acha atraente? – indagou, esperando por uma resposta negativa, mas tudo o que obteve foi o silêncio. — Então é isso?

— Sakura...

— Eu posso fazer um henge.

O Hatake arqueou as sobrancelhas, assim como a mulher que aos fundos os assistia atentamente.

— Não é isso, Sakura. – respirou alto, passando as mãos pelos cabelos desgrenhados. — Não posso simplesmente abrir as suas pernas e agir como um animal. – ela tentou falar, mas ele a interrompeu. — E "romântico"? Em qual sentido? Qual tipo de sentimento você quer que eu expresse além de tesão?

Que nem pode ser categorizado exatamente como um sentimento, ele ponderava.

— Quando falei em ser romântico, Kakashi – ele notou a falta do tradicional sufixo. —, não quero dizer que tenha de haver velas ou pétalas à nossa volta, enquanto fazemos "amor". – virou-se, escorando-se nas grades. — Apenas quero que seja... Delicado?

Ele se levantou, encostando-se a parede e cruzando os braços. Ao longe, a mulher fechara o livro, inclinando-se na direção do casal e pressentindo que finalmente as coisas começariam a fluir. Apenas mais um pouco de um drama açucarado e então haveria um pornô apimentado. Ela sabia disso, tinha certeza absoluta!

— Você ainda é a minha aluna.

— Oh, jura? – cruzou os braços. — E o que mais?

— Você realmente não se importa?

— Jura que está surpreso pelo meu instinto de sobrevivência? – ele permaneceu calado, irritando-a. — Pensei que você estava quase cedendo.

— Pensei estar fazendo a escolha certa. – deu de ombros.

— Não fale como se fosse algo simples. – apontou o dedo na direção do mascarado, segurando os átomos desordeiros de seu corpo. — Talvez seja a escolha certa. Podemos morrer, caso não façamos. E, ao que parece, você prefere morrer, a ter de me fod... – parou de falar, notando que ele começou a se aproximar. E, é claro, ela engoliu em seco.

— Não é assim tão simples. – falou, em torno de dois palmos de distância da garota. — Não me parece tão fácil.

— Então, talvez, não deva ser você a dar o primeiro passo. – respondeu, permanecendo imóvel.

— E sobre essa coisa de romantismo? – indagou, pousando uma mão ao lado da cabeça da kunoichi. — O que você quer exatamente?

Olhos verdes subiram e desceram vacilantes, notando a curta distância em que estavam. O topo de sua cabeça mal ultrapassava o queixo mascarado e ele tinha de se curvar para poder conversar, olhando-a nos olhos. Droga, ela estava se sentindo intimidada por sua aproximação e, por isso, levou mais tempo do que deveria para dar uma simples e curta resposta.

— Não seja bruto.

O shinobi apenas maneou com a cabeça, sem fazer nenhum outro movimento. Sakura o fitou, notando que se ficasse nas pontas dos pés, quem sabe, pudesse alcançar a boca mascarada. E, assim o fez, embora apenas tenha se erguido. Talvez fosse ela quem devesse dar o primeiro passo, mas era tão difícil quanto o caminho a ser seguido. Aproximou-se um pouco, notando que ele não recuara, mas não conseguiu ir adiante. Seu coração palpitava e, realmente, era estranho estar diante de tal situação. Sim, olhava para bunda de Kakashi, mas não, não imaginava que um dia teria de beijar o seu sensei.

Ou fazer algo a mais.

Ele notou a sua hesitação, mas era um caminho sem volta para si também. Deixando-se guiar e apagando quaisquer pensamentos de sua mente, aproximou-se novamente da garota, roçando seus lábios mascarados nos dela. E, da mesma maneira que fizera a pouco, afastou-se. Ela até iria revirar os olhos e bufar exasperada, mas se deteve ao senti-lo arrancar a chupeta de sua boca e jogar para fora da cela. Sentiu vontade de sorri, porém ela apenas fechou os olhos e, sem esperar por alguma autorização, levou às mãos ao tecido escuro, puxando-o. Não era como se não desejasse ver o tão misterioso rosto de seu sensei, mas não achou justo se aproveitar da ocasião. E, de modo inesperado, a garota sentiu lábios levemente carnudos tocar o seu, fazendo-a instantaneamente fraquejar o joelho.

Céus, aquilo estava mesmo acontecendo?

A rosada não conseguiu conter o suspiro.

A mulher roliça notou a maneira como o ex-mascarado circundou a cintura fina da garota com uma mão enquanto a outra se pousou na nuca. A menina de cabelos cor-de-rosa enlaçou o pescoço dele, puxando-o mais para si. E, de longe, apesar de todo o drama em que o casal insistia se inserir, para a mulher, ambos pareciam muito soltos e à vontade com a situação. Olhando ao relógio mais uma vez, sorriu ao notar que ainda faltava uma hora e três minutos.

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Não, aquela não era uma missão que se enquadrava ao Time Sete. Não, definitivamente não. Nem mesmo para genins, em sua opinião. Civis fariam aquele trabalho com as mãos nas costas e poderiam até se vangloriar. Mas, ninjas de elite? Aquilo praticamente mancharia o currículo deles, estava certo disso. Sim, havia uma balofa que botaria medo em qualquer um, e também havia o fato de que ela sequestrou dois bons ninjas (porque sim, para ele, a culpada pelo desaparecimento de Kakashi e Sakura era a Sensual Seduction), mas provavelmente eles deviam ter caído em alguma armação ridícula.

Embora, talvez, eles tivessem se deixado cair para descobrir mais coisas sobre a quadrilha...

Ou simplesmente se meteram em um buraco e estavam metendo em outro buraco.

Kami, ele cruzava os dedos para que fosse a primeira possibilidade.

Pulou por mais algumas árvores, sabendo que seus Kage Bushins carregavam alguns caras que, sem nenhum esforço, foram derrotados e carregados como leitões no espeto. Oh, a baa-chan deveria tê-los dado uma missão melhor. Sim, ninguém sabe que fora ele quem bateu na porta da Hokage solicitando uma missão para reunir o Time Sete. Porque, fala sério, há quanto tempo não saiam em uma juntos? Estava cansado de ver Kakashi-sensei sair em missões solos, Sakura ficar presa naquele hospital, Sai ler seus livros idiotas e Sasuke ficar enfezado por ter levado um pé na bunda. Certo, talvez ele estivesse exagerando, mas evidentemente havia, de certa forma, havia a verdade em seus excessos.

Pintinho? – o rádio chiou, e ele revirou os olhos.

— Palmito.

Acho que perdi o contato com o Uchiha.

— Sério? Vou dar uma checada aqui. – clicou algumas vezes no aparelho em seu ouvido. Nenhuma resposta do teme. — Ele se desconectou, Sai.

Será que ele também foi pego pela Gordona Sedução?

— Não é "Gordona Sedução", palmito, é Sensual Seduction.

Ah, a sua namorada tem que ser chamada pelo nome certo, compreendo.

— Não, seu idiota, ela não é a minha namorada!

Certo, certo, também não é da minha conta a sua vida sexual. – falou em seu irritantemente tom sem emoção. — Você acha que o Uchiha também foi capturado?

— Não, o teme não seria tão estúpido. – pensou um pouco. — Seria?

Eu não sei. – respondeu, ficando um pouco calado. O loiro até pensou em dizer algo, mas se calou ao notar que o outro ninja iria falar algo. — Nunca li nada sobre isso.

— Ah, jura que nunca viu um livro que contava sobre o bizarro desaparecimento do Teme? – indagou, não podendo segurar o sarcasmo.

Não. – respondeu. — O máximo que li foi sobre a saída dele da Vila e da sua estranha perseguição com forte indício homossexual.

— Forte indício homossexual?! – gritou, quase tropeçando em um galho. — Aquilo era amizade, não havia nenhum outro tipo de interesse, seu bastardo!

Mas algumas pessoas falaram que...

— As pessoas falam demais, seu palmito de uma figa! Não dê ouvido a elas!

Mas se falavam é porque havia um fundo de verdade.

— Não, não havia! – gritou, desconectando o comunicador.

Avistou um estranho casebre a sua frente e desceu, pensando ser um dos esconderijos que os laranjas falaram ser da quadrilha. Deixando seus clones seguirem caminho, seguiu em direção da porta que jazia aberta. Adentrando-a, encontrou algumas máquinas caça-níqueis pelo caminho, e continuou andando. Até chegar numa segunda porta, sentindo-se incrivelmente enojado. — Mas que merda é essa?

E por que Sasuke também estava ali?

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Quase que sorrindo, ela apenas fechou os olhos e, sem esperar por alguma autorização, levou às mãos ao tecido escuro, puxando-o. Não era como se não desejasse ver o tão misterioso rosto de seu sensei, mas não achou justo se aproveitar da ocasião. E, de modo inesperado, a garota sentiu lábios levemente carnudos tocar o seu, fazendo-a instantaneamente fraquejar o joelho. Uma respiração calma tocou o rosto da kunoichi, e ela praticamente perdeu o chão quando o sentiu segurar sua cintura. Era um toque tão suave, tão terno, que como uma simples reação de física, impulsionada por tal simples ação, ela teve de enlaçar o pescoço masculino. Seus lábios continuavam conectados, todavia, estáticos à nova realidade em que se inseriam.

Aquilo veneno estava fazendo efeito.

A garota separou levemente os lábios, em busca de ar, notando que ele se aproveitara passando a língua pela região. Ela não era boba, muito menos inexperiente, logo, puxou-o mais para si, permitindo que a língua dele fizesse o que tanto ansiava. Como se ela própria não estivesse ansiando por tal. Kakashi segurou a sua nuca, suavemente, aconchegando-se a proximidade da garota. Era o que tinham de fazer, não era? Então, bem, talvez fosse simplesmente mais fácil se deixar levar, não se importando com a consequência. Aprofundando o beijo, não pôde deixar de notar o doce sabor de caramelo e segurar um riso.

Não, não houve uma batalha por dominação, afinal, era pra ser delicado e uma guerra de línguas sedentas pela predominância não seria nada suave. Tudo era calmo, e parecia ter o seu próprio ritmo. Ele reprimiu a vontade de apertar os pequenos seios pontudos que o tocava, porém ela não pôde aguentar a vontade de tocar a bunda masculina. Conseguia ser melhor do que o imaginado, a garota ponderou, sentindo-o vacilar em seu beijo. Afastaram-se milimétricamente, mas a kunoichi o aproximou de volta sentindo algo que nunca havia sentindo.

Era o veneno, só poderia ser.

Kakashi conchegou o corpo da aluna, desencostando-a das grades. Sem cortar o beijo lento e, surpreendentemente, lascivo, caminharam, parando no meio da cela. Com um olho aberto, ele notou a mulher roliça os assistirem com um estranho sorriso em lábios, mas resolveu apenas ignorar a sua presença. Sakura o empurrou contra a parede, ainda de olhos fechados, voltando a colar seu corpo junto ao dele. Ela beijou seu pescoço e notou que não alcançaria algo além dali. Suas mãos pequenas trilharam pelo torso masculino, até sentir-se impedida. Ele segurava suas mãos, aparentemente, deixando-a confusa.

— Abra seus olhos. – falou, pegando-a de surpresa.

— Não quero me aproveitar da situação, sensei. – disse com a voz calma, sem tentar se soltar.

— Digamos que seria eu quem deveria dizer isso. – afinal, todo fã de Icha Icha sempre sonhou em viver algo semelhante ao que Yagami viveu.

A garota suspirou, cedendo ao pedido de Kakashi. Certo, mas antes que realmente abrisse os olhos deixou uma ideia se fixar em sua mente – a fim de evitar quaisquer tipos de incômodos posteriormente. Ele tinha o bumbum número um de Konoha, era um cara legal e beijava bem, mesmo que seja feio, não se importe. Não se importe, Sakura, não se importe!, repetia como se fosse um mantra e, quando se viu habituada a ideia, abriu os olhos vagarosamente. Aos poucos ela pode ver a camisa preta de civil que ele usava e relutantemente ergueu seus olhos. Havia um pedaço de pano escuro enrolado em torno do pescoço, próximo ao pomo de adão acentuado.

Ele tinha o maxilar largo, e seus lábios não eram tão carnudos quanto pensou que fosse. Não, não havia dentes salientes, ou lábios exageradamente grossos ou mesmo uma boca demasiadamente pequena. Seus lábios eram finos e por conta do maxilar largo, havia a impressão de que a sua boca não fosse tão grande. Mas não era pequena. Ela não se enganaria, não depois de beijá-lo. Seu nariz era fino e um pouco pontudo. A cicatriz em seu olho esquerdo estendia-se até à maçã de seu rosto claro. Ela abriu a boca, num som mudo, deixando-o confuso.

— Então... – o Hatake coçou a nuca, um tanto avulso. — Esse é o momento em que você diz...

— Uau. – definitivamente, ela nunca o imaginara assim. — Você é mais bonito do que o Sasuke. – falou em um muxoxo.

— Mn. – comparação com o ex-namorado, ele não estava surpreso por isso.

— Bom. – ela sorriu, fazendo-o arquear uma sobrancelha. — Mas continuemos.

Ele até pensou que ela fosse dizer algo a mais, afinal, foram sete anos o perturbando para ver o seu tão misterioso rosto. No entanto surpreendeu-se com as mãos pequenas que tocaram seus ombros, impulsionando-o delicadamente para baixo. Bom, na verdade para ela foi delicado, para ele foi um tanto quanto bruto. Sentou-se no chão, sentindo o impacto em seu traseiro. Quanto romantismo, ele observou. A kunoichi sentou em seu colo, pousando uma perna em cada lado, fitando-o intensamente. Sim, ela estava corada. E sim, rapidamente os olhos verdes procuraram qualquer lugar para olhar, desde que não fossem seus olhos. Não estava surpreso, e por isso sabia perfeitamente que devia continuar antes que ela deixasse a realidade lhe atingir.

Tocou em sua nuca, puxando-a suavemente. Seus lábios voltaram a se encostar, e sem nenhuma barreira, tornaram a se beijar como faziam anteriormente. Ela sentiu uma mão grande pousar em sua cintura enquanto a outra passeava em suas costas. Céus, aquela substância estava começando a fazer efeito no corpo da jovem ninja que, inconscientemente, passou a puxar de leve o cabelo prateado e, digamos, que se remexer em seu colo. Ela só queria achar uma posição confortável, sabe? Enquanto isso, em seu corpo começou a subir um anômalo calor que há muito tempo não a tomava. Todavia, era diferente desta vez. Era mais intenso. A mão em sua cintura apertou um pouco mais e ela ofegou. Mexeu-se de maneira mais aturada no colo de seu sensei, notando que o volume acentuado parecia estar crescendo mais.

E mais.

Iria caber?

A Haruno já nem sabia quantos minutos haviam se passado, uma vez que era inebriante demais as sensações que a tocavam. Não, eram as mãos de Kakashi que a inebriavam. A ereção dele apenas aumentava e ela simplesmente não conseguia parar de "esbarrar" ali. Oh, a temperatura não parava de subir e era como se seu corpo necessitasse ficar mais próximo ao dele. Ela precisava pressionar seu corpo mais ali. Lá, no colo dele. Mn, suprimiu um gemido. Ele segurou em sua cintura e antes que a garota soubesse o que iria acontecer, sentiu-se pousada ao chão. Com o jounin em cima dela. Seus rostos voltaram a se afastar, mas era como se uma corrente elétrica impulsionasse-os a se aproximarem novamente. O corpo masculino friccionava-se ao feminino, e Sakura não conseguia fazer muita coisa além de ofegar. Ele beijou o pescoço alvo da garota, notando o suave aroma de lavanda que emanava de sua pele. Kakashi sentiu-se empurrado para longe dela, notando como os orbes verdes jaziam maiores do que estava habituado a ver.

— Se não fosse por tudo isso. – a rosada começou a falar, olhando-o séria. — Se não fosse essa missão e se não fossemos capturados. – completou. — Haveria alguma chance de isso acontecer?

Embora ele não apreciasse a palavra, o único verbete que poderia ser usado adequadamente como resposta era o enfadonho talvez. Mas ele não diria isso a ela.

— Eu não sei. – respondeu com voz rouca, devolvendo o olhar à garota. — Você acha que aconteceria?

Quem sabe, a garota refletiu. Não havia uma resposta concreta, em sua opinião.

— Eu não sei. – replicou, olhando para o sharingan. — Você irá apagar a minha memória depois que tudo isso acabar?

— Não. – elucidou, querendo tomar a garota de uma vez por todas. — Você quer esquecer?

— Não. – acomodou-o melhor sob si, esbarrando no volume no meio das pernas dele. Oh, Ino a mataria quando soubesse. Sorriu, incentivando-o a rir também. Não era um riso de felicidade, muito menos de tristeza. Era algo como um reconforto, pois somente os dois saberiam o quão difícil e prazerosa era a situação em que se encontravam. — Não posso ou mesmo desejo me esquecer de hoje. De agora.

E nem ele gostaria de se esquecer.

Isso não deveria ter acontecido, é verdade. Todavia, não poderia fingir que não aconteceu, muito menos que não apreciara o efeito causado pelo veneno. Certo, para ele não houve diferença dos efeitos causados pela substância das sensações que tem ao estar com alguma garota – além da vontade incontrolável de tocar a moça abaixo de si e se esquecer de suas responsabilidades. A Godaime o mataria, tinha plena consciência disso, então faria as coisas valerem à pena, ao menos morreria satisfeito (seja pelo veneno ou pelo punhos furiosos de Tsunade).

Tocou os pequenos seios, fazendo a kunoichi se arquear. Ela roçou em sua ereção e desta vez fora ele quem quase arqueou. Talvez o veneno estivesse fazendo efeito sobre si, pois as coisas estavam começando a ficar mais quentes do que deveria e seu corpo ansiava pelo de Sakura. Beijou-a novamente, descendo as mãos para sua cintura e posteriormente para suas coxas nuas. A garota usava um vestido cor-de-vinho comum, como o de uma simples civil. Apertou-a, sentindo-a ofegar ao seu toque e puxando-o mais para si. Ela beijou seu queixo, direcionando a pequena boca em seu maxilar, mordendo-o vagarosamente. Talvez ele estivesse distraído com sua boca quando a sentiu descer as mãos por seu dorso, apertando a sua bunda. Ele sorriu, revidando o gesto impertinente com um aperto nos pequenos seios. Contudo, surpreendeu-se ao senti-la tocando em seu membro. Olhou-a rapidamente, mas ela estava concentrada de mais olhando para .

Oh, céus.

Pegando-a de surpresa, o Copy Ninja tirou as pequenas mãos de seu corpo, fazendo-a se detiver. Riu de sua surpresa e riu ainda mais de seu embaraço quando ele começou a puxar o seu vestido. Era uma bela vestimenta, sim, tinha de concordar, mas ficava ainda melhor fora do corpo da aluna. Ela usava um pequeno sutiã rosa, e sua calcinha amarela com uma estampa vermelha fez seus olhos se abrirem consideravelmente. Sexy, era o que dizia ali, e ele não discordaria de tal fato. Não que a peça fosse sexy, evidentemente que não, no entanto a garota que as usava era. E muito, em seus orbes famintos.

A garota puxou-o pelo colarinho, descendo as mãos aos botões da camisa escura, arrebentando-os enquanto arrancava sua camisa à sua maneira romântica. Kakashi não estava usando cueca, e talvez por tal fato ela não tenha avançado mais. Ela tomou seus lábios, de maneira impertinente, circulando o dorso masculino com as pernas. Ela estremeceu, sentindo a ereção comprimindo o seu sexo encoberto apenas pelo tecido fina da calcinha. Já nem se importava de estar apenas de lingerie (ridículas), ele estava tão próximo e tão vidrado em seu corpo que não importava o que estivesse vestindo, era como se aquele par de olhos distintos desejasse arrancar tudo o que vestisse com os dentes. Suas bocas se procuraram novamente e uma batalha foi inevitável, evidentemente.


— Certo. – ouviram a voz da Sensual Seduction, que se escorou na cela. O casal a olhou, congelando na extada posição em que se encontravam antes de serem interrompidos. As pernas da garota ainda estavam circundadas nas costas do Hatake, cujas mãos jaziam uma sobre o peito da menina e outra numa coxa alva, enquanto seus lábios continuavam conectados. Estáticos, porém conectados. — Não é querendo cortar o barato de vocês, sabe. Mas acho que devo alertar que o veneno só é expelido com o orgasmo. – os dois ninjas continuaram a fitando, como se não houvesse nenhuma novidade. — E não sei se vocês perceberam, mas só faltam vinte minutos para o tempo de vocês acabar e se não o fizerem... – fez um gesto com as mãos, jogando cada uma para os lados. — Vocês sabem, morreram instantaneamente como duas baratas tontas. – deixou os ombros caírem, suspirando audivelmente. — Eu sinto muito.

Não, ela não sentia. E ambos tinham plena consciência de tal, todavia, pouco se importavam com os pensamentos da balofa do chupe-chupe.

Levou apenas dois segundos para os dois pares de olhos se encontrarem, e outros dois segundos para desconectarem seus lábios. No entanto, foi em menos de um segundo que a kunoichi empurrou o shinobi para o lado, pousando-se em cima dele logo em seguida. Sem esperar por mais outro segundo, voltou a beijá-lo, passando as mãos pelo corpo masculino abaixo de si. Sim, é claro que ele mal teve tempo de reagir. E, sim, obviamente ficou surpreso por tal atitude da garota. No entanto, o que mais lhe surpreendera foi o fato da moça começar a arranhar o seu torso.

— Hey. – falou, afastando as mãos da garota de cima de si. — Não creio que isso seja muito romântico. – ela revirou os olhos, grunhido algo que ele não entendeu. Aquilo foi um miado? — Pensei que você não seria mais uma tigresa.

— E não sou. – respondeu, esfregando-se à ereção pulsante do homem abaixo de si. — Agora eu sou uma pantera.

Ele riu, arfando logo em seguida, sentindo-a se contorcer em cima de seu membro encoberto pela calça.

— Você tem algum fetiche por felinos?

— Você aceita ser o meu tigrão ou prefere ser algum canino? – indagou, ignorando a outra pergunta.

— Tigres ou caninos não acasalam com panteras, Sak... – ela moveu-se novamente, tomando seu ar. Oh, talvez, finalmente a substância estivesse fazendo efeito. — Eu prefiro ser um lobo. – falou divertido, voltando a ser arranhado. Mas a sua respiração parou no momento em que ela pegou em seu pênis, apertando-o ardentemente. — Droga, mas e o romantismo?

— Dane-se o romantismo, sensei. – ela riu, fazendo-o franzir o cenho. — Eu quero orgasmos múltiplos!

Sim, pois não é lá uma coisa romantica o acasalamento de um lobo com uma pantera (que um dia já fora uma tigresa), ele ajuizou.

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Certo, talvez Sai tenha colocado caraminholas em sua mente genial, e que talvez ele tenha feito um péssimo julgamento. Mas o que se poderia pensar ao ver o Uchiha observando um cara se masturbando enquanto outros dois err... Se "pegavam" numa cela? Ele não entendia muito dessas coisas de homossexualidade, ou melhor, não entendia nada. O máximo que sabia era que alguém sempre se dava mal nessa história. Enfim, como ia refletindo, o que mais se poderia pensar ao notar tal cena? Oh, que Sasuke havia acabado de chegar e que também estava perplexo o bastante para não saber o que fazer? É claro que não! Não depois de ter conversado com Sai. É claro que ele poderia ter esperado mais um pouco, dando o tempo ao Uchiha recobrar a compostura e fazer o seu trabalho (ou quem sabe se juntar a festinha?, pensou), mas não, ele simplesmente não conseguiu.

Não, ele não era homofóbico, ou algum tipo desses ridículos intolerantes. Na verdade a única coisa que realmente importava para o Uzumaki era que nenhum err... Gay, se "insinuasse" para ele. Ou melhor, insinuar não era o problema, mas querer forçá-lo a algo que não quisesse. Sim, ele tinha uma bela namorada e, infelizmente, até teve uma amante (acidentalmente) cuja beleza era nula. No entanto, eram todas derivadas do sexo feminino. Bom, pelo menos ele esperava que a última fosse mesmo uma mulher... Como ia refletindo com a sua mente genial, talvez ele tenha julgado o Uchiha mal e talvez o outro tivesse razão para ficar emburrado, mas não eternamente, como parecia que fosse ficar.

— Foi mal, teme. – falou, pulando no galho, avistando seus clones carregarem os três caras "suspeitos". — O Sai falou umas bobagens e eu acabei me influenciando por elas.

— Hn.

— Não que eu ache que você seja gay, acho que não. Você namorou a Sakura-chan, acho que ela não namoraria um cara gay... – ponderou um pouco. — Mas é estranho que ela tenha te amado por tanto tempo e depois terminar com você do nada. – olhou para o moreno, arregalando os olhos.

E, obviamente, o Uchiha notou o estranho olhar.

— O que você está insinuando? – perguntou, arqueando uma sobrancelha.

— Ela não te pegou na cama com um cara, né? – indagou numa voz baixa.

— Como é?! – aquilo era um absurdo, na opinião ex-nukenin.

— Ah, eu não sei. – deu de ombros. — Ninguém nunca entendeu a razão de vocês terminarem. E eu menos, afinal, você até iria pedi-la em casamento.

— Por mim já estaríamos casados, dobe.

— Mas agora ela está com o Kakashi-sensei. – o loiro falou, coçando o queixo pensativo. — Será que ela já estava apaixonada por ele?

Sasuke não respondeu, apenas fitando o caminho a sua frente e Naruto tinha certeza de que o silêncio do outro significava que a sua mente estava mais do que barulhenta. Talvez não fosse um assunto muito fácil ao Uchiha e, então por isso, o Uzumaki resolveu apenas se calar, notando a pousada se aproximar pouco a pouco. Seus clones já estavam a sua espera, fitando assombrados os três caras "suspeitos" na opinião do loiro. Suspeitos de serem contraventores e de um estranho rito sexual, em sua opinião. Adentrou na recepção da pousada, notando Sai atrás do balcão lendo aquele mesmo estranho livro.

— As pessoas realmente pensam que sou o recepcionista daqui, Pintinho. – Sai falou, rindo pérfido. — Já aluguei três quartos.

— Certo, certo, mas você conseguiu alguma noticia do Kakashi-sensei e da Sakura-chan?

— Não, mas consegui o telefone de uma garota. – tirou ao papel amassado do bolso. — Mas por que ele quer que eu ligue para ela?

O loiro revirou os olhos, caminhando de um lado para o outro. Droga, onde, diabos, aquela maldita havia levado os companheiros de equipe? Seus clones já haviam procurado por todos os lados, em cada quarto da pousada e, até mesmo, atrás do balcão, afinal, a maldita não saia dali e, quem sabe, talvez, houvesse uma maneira de esconder dois ninjas ali? Oh, ele realmente esperava que aqueles dois não houvessem simplesmente saído para um passeio romântico e se esquecido da missão. Kami, que não fosse isso!

Sasuke apareceu na recepção, trazendo consigo o estranho que se masturbava assistindo outros caras se pegando. Instintivamente, Naruto se afastou e notou que nem Sasuke e nem Sai tinham receio de se aproximar. Será que era ele quem estava sendo paranoico? O cara fora jogado no sofá, com os membros amarrados. Os três ninjas se aproximaram e, como uma garotinha assustada, o homem baixo e de cabelos castanhos se encolheu. Por alguma razão, Naruto viu algo nele que se semelhava com a recepcionista. Talvez fosse o branco dos olhos, ponderou.

— Para onde a sua irmã levou eles? – Sasuke perguntou, fazendo Naruto arquear uma sobrancelha.

— Ele é irmão daquela gorda?! – o homem baixo o olhou, temoroso, acenando com a cabeça. — Mas você é tão pequeno!

— Ela é a minha irmã mais velha. – vociferou assustado. — Mas ela nem sempre foi daquele tamanho.

— Impossível. – o loiro comentou.

— Para onde ela os levou? – Sasuke voltou a questionar, ignorando a conversa do loiro estúpido.

— Eu não sei. – o jovem deu de ombros, olhando para os lados. — Aquele era o único cativeiro que eu tinha conhecimento.

— Você está falando a verdade? – Naruto questionou, espreitando os olhos. — Eu não confio naquela ogra, e se você é irmão dela, também não confio em você.

— Não passo fazer nada. – deu de ombros. — Mas creio que esteja por essa pousada.


Os três (na verdade oito, contando com os outros cinco clones de Naruto) ninjas se olharam. Tinham certeza de que já haviam procurado por todos os cantos, mas pelo visto algum lugar passou batido. Sasuke indicou que cada um procuraria por uma região. Sai procuraria pela cobertura e o terceiro andar. Ele procuraria pelo segundo e primeiro andar e Naruto e seus clones ficaram responsáveis pelo térreo e suas redondezas. Espalharam-se rapidamente, indo para os seus respectivos pontos de busca.

O Uzumaki fez mais cinco Kage Bushins, completando, então, dez Narutos. Dois ficaram pela recepção, enquanto mais três correriam em direção da cozinha e restaurante, o original e mais quatro seguiram em direção do jardim e das termas, dividindo-se logo em seguida. Não havia o sinal de nada atípico pelas termas, enquanto andava pelo lugar embaçado e quente. Droga, tudo começou por causa dessas malditas fontes termais!, pensou. Caminhou mais adiante, sabendo que os demais clones também não acharam nada de importante. Ele até pensou em voltar e procurar por Sasuke e Sai, talvez fosse ao perímetro deles em que houvesse alguma pista, no entanto, o Uzumaki sentiu-se contrair com uma súbita vontade de urinar. E, observar o movimento daquelas águas cristalinas apenas aumentava o seu aperto.

Não, ele não podia urinar naquelas águas.

Mas e daí? Aquela balofa que se dane!, pensou, caminhando mais adiante num ponto mais escondido. Mais dois clones o acompanhou, parando ao seu lado e abrindo os respectivos zíperes. Naruto já estava até começando a mirar, quando um clone o cutucou. Olhando para o lado, notou uma porta escura ali. Sorriu, finalmente. Caminhou, segurando as calças e sendo seguido pelos dois clones. Abriu a porta facilmente, no entanto a passagem foi atrapalhada pelas duas cópias que também queriam adentrar no local. Malditos! Era ele quem merecia ir ao banheiro! Tentou empurrar os clones, mas os três caíram ao chão, derrubando a porta num baque surdo e, para a sua surpresa, não havia nenhum tipo de vasou sanitário ou mictório.

Erguendo as calças, que deslizaram com a queda, notou o lugar vazio e escuro em que estava. Entretanto havia um tipo de alçapão mais ao fundo. Arqueando uma sobrancelha, e se esquecendo momentaneamente da vontade de urinar, puxou uma alça do alçapão, encontrando uma estranha escada. Os dois Bushins olharam-no curiosos, incentivando-o a seguir em frente. Desceu as escadas em passos mudos, botou a mão no corrimão grudento e notando uma fraca luz ao fim do ambiente.

— Teme. – falou, conectando o comunicador. — Sai. – terminou de descer as escadas. — Venham para as termas femininas.

Andou mais um pouco, acompanhado pelos dois clones e logo avistou a balofa parada próxima às grades, assistindo alguma coisa nas celas. Ele revirou os olhos, pensando ser mais um caso de dois homens se pegando lá dentro, e que talvez essa coisa de assistir atos sexuais entre homens fosse de família. No entanto, um vulto rosa passou rapidamente por detrás da cela, surpreendendo-o. Não, não podia ser o que estava pensando ser, poderia? Acenando para as duas cópias, iniciou seu movimento.

Rapidamente correu em direção da Sensual Seduction, jogando-a ao chão, ela bem que tentou reagir, mas fora impedida por ele. Debatendo-se, ela conseguiu empurrá-lo e, de relance, notou seus dois clones quebrarem a cela, separando o casal quase pelados. A gorda, aproveitando-se de sua distração, correu em direção às escadas. E sem saber ao certo o que deveria fazer, Naruto adentrou na cela, notando um Kakashi com uma máscara mal colocada e todo arranhado; e uma Sakura de sutiã e calcinha, rosnando feito uma felina. Os clones tinham dificuldade em segurá-los, pois, aparentemente, eles queriam terminar o que estavam fazendo.

Mas hein?


— O que está acontecendo aqui?! – perguntou desesperado, olhando para os dois companheiros. Sakura não respondeu, soltando-se do clone, assim como Kakashi fez, voltando a se agarrar um no outro. Pois, pelo visto, eles queriam continuar o que estavam fazendo. — Droga! – o loiro gritou, auxiliando os dois clones a separar o casal.

— Eu só tenho dez minutos, Naruto, saia da frente! – Sakura gritou, debatendo-se.

— Não! – o Uzumaki gritou. — Espere a missão acabar e depois vocês vão ao motel!

— Não! – a rosada gritou, tentando alcançar Kakashi.

No entanto, com o chakra ainda cortado e sob o efeito da medicação os dois ninjas viram-se sendo amarrados lado a lado na cela, enquanto Naruto fazia uma carranca. Nada parecia fazê-lo escutar, e talvez aqueles fossem os últimos momentos de vida dos dois shinobis. O loiro saiu logo em seguida, acompanhado por apenas um dos clones. Kakashi suspirou derrotado, olhando para o relógio. Ainda tinham cinco minutos. Apesar disso, aparentemente, Sakura e ele morreriam em breve e sem poderem se explicar. E pior, excitados como nunca antes estiveram.


N/A: E, como sempre, estou atrasada. :P

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