Boa leitura! :)


Para Thats & Kahli Hime

O plano

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Capítulo IX

Ao limiar da morte

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Ela o olhou impertinente, subindo um pouco a barra do vestido e evidenciando suas pernas claras. Não, ela não era do tipo de garota que usava vestidos, no entanto ele não poderia negar que aquele tecido escuro, vermelho ou cor-de-vinho – para ele aquilo não importava –, combinava perfeitamente com seus olhos claros. Ele a olhou tentando disfarçar a sede que sentia de seus doces lábios. Oh, ela ainda era uma criança comparada a ele, mas era como se isso não importasse naquele momento. Ele engoliu em seco, e ela exibiu seus dentes perfeitamente alinhados e brancos num sorriso indecifrável.

Era tentador demais para ele.

— Vai me ensinar a abrir o pote de azeitonas, sensei? – murmurou, olhando-o de relance com um pote de vidro em mãos.

— Acredito que já a tenha ensinado isso. – falou, olhando para o chão.

— Talvez eu seja uma aluna muito ruim. – a garota falou, mexendo um pouco mais as pernas, de modo a evidenciá-las. — Talvez você devesse me ensinar novamente, sensei.

Sensei, ponderou. Ele não passava disso e, evidentemente, não deveria passar. Mas ele queria e como! Suas noites eram mal dormidas por causa daquela garota que parecia ter por prazer atormentá-lo, botá-lo ao limiar da insanidade. Talvez ele devesse simplesmente jogá-la naquele chão mal varrido e fazer aquilo o que ambos desejavam, porque, sim, ela também queria aquilo. No entanto ele não podia, não era certo. A maldita garota tinha um namorado, que provavelmente não amava. Mas o tinha, e não era de seu desejo destruir algum relacionamento. Além do seu próprio casamento que se deteriorara com o tempo, feito uma mobilha velha.

Entretanto, ele nunca foi uma cara direito; aliás, embora fosse ambidestro, tinha mais facilidade com o lado esquerdo. Talvez ele tivesse uma inclinação ao antagônico, ou simplesmente ao errado e proibido. Mas aquilo era diferente. Sim, ele já havia dormido com muitas outras mulheres, e realmente nunca se importara com a sua esposa, que, aliás, estava interessada num contador qualquer do Hokage, que talvez fosse uns dez anos a menos do que ele – e que ela, também. Evidentemente ele não tinha o casamento perfeito, não tinha filhos, não tinha um lar de verdade (pois o que tinha era apenas uma casa, comandada por uma esposa indulgente), e, francamente, não tinha amor. O sexo não era mais quente e ele não ficaria surpreso caso se tornasse um impotente em poucos anos. Em alguns meses faria quarenta anos, mas ao invés de ser agraciado com algum presente dos céus, fora indultado por uma maldita garota saída diretamente do inferno.

Embora muitas vezes fosse angelical, tinha de admitir.

Talvez o demônio fosse ele. E, quem sabe, ele apreciasse isso tanto quanto ela.

Ela era a sua aluna há muito. Ele a viu se tornar genin e, como num piscar de olhos, tornar-se jounin. Ela já tinha capacidade de entrar para a Anbu, mas se recusava a deixar o seu velho time. Seus olhos claros sempre o fitavam de maneira fraterna, no entanto, foi como se de um dia para o outro ela passara a lhe olhar de uma nova maneira. E foi como uma doença contagiosa e sem cura, pois logo ele também foi pego por tal mal, não encontrando nenhum antídoto. Eram dois condenados ou talvez dois doentes, para ele já não importava mais.

Talvez ela fosse o seu remédio.

E, talvez, a sua sede pela cura fosse exorbitante demais.

— Deixe que eu abra isso. – comentou com a sua voz apática, estendendo a mão em direção da garota. Ela pouco estendeu o braço, obrigando-o a se aproximar. Porém aquilo era um joguinho estúpido para ele. Que, pouco se importando, aproximou-se mais do que deveria, tomando o vidro de azeitonas das mãos da aluna. Em um pequeno click a tampa fora aberta e o jounin de elite devolveu o frasco para a garota de olhos claros. — Pronto.

— Muito obrigada, sensei. – ela respondeu, tocando a face do homem com seus olhos. Eram claros e perspicazes, como os de um gato. Ele já estava se virando para sair quando ela o segurou pelos pulsos, puxando-o. — Espere.

— Eu tenho que...

— Não. – ela o interrompeu. — Você não tem que fazer nada.

— Pra falar a verdade...

— Não minta. – ela caminhou de costas, conduzindo-o em sua direção. É claro que ele poderia ter se desvencilhado dela, mas ele não era um cara direito, afinal de contas. Ela se sentou sobre a mesa, ao lado do pote de vidro. Suas pernas alvas ficaram à mostra e um olhar sedento devorou-as. — Não minta para mim.

— Eu não minto para você. – explanou, notando o pequeno riso se formar nos finos lábios femininos.

— Mas omite.

— O que é diferente de uma mentira.

— Sensei... – ela murmurou, obrigando-o a colar seu corpo ao dela. Embora suas palavras tentassem dizer uma coisa, o corpo dele dizia outra. Ela, sentada sobre a mesa, enlaçou a cintura masculina com as pernas, passando as mãos por seus ombros largos e, uma das mãos dele, receosamente, tocava a sua cintura fina. Inclinando-se, pouco a pouco, a dona de orbes claramente tentadores, roçou seus lábios finos no maxilar de seu sensei, sussurrando: — Tire essa máscara.

— Eu não uso máscara. – ele respondeu, passando a mão no dorso pequeno à sua frente.

Talvez ele devesse parar por ali, no entanto ele tinha o péssimo hábito de não dar ouvidos aos inúmeros "talvez" que se passa em sua mente, repetidas vezes. E ainda tinha um estranho gosto às coisas proibidas, erradas e antagônicas.

— Sim, você usa. – beijou o pomo de adão saliente, sentindo alguns resquícios de uma barba rala. — Usa uma máscara de indiferença, apática.

— Eu não consigo ser diferente disso. – disse, notando as pequenas mãos vaguearem por seu traseiro. Ele riu e ela também. — O quê você acha do "talvez"?

— Que seja a justificativa do covarde. – respondeu, dando de ombros.

— Direita ou esquerda?

— Está falando de política?

— Apenas responda.

— Bom, eu não sei. – ela ponderou um pouco, olhando para os lados. — Na verdade eu sou canhota...

A garota não pode terminar de falar, uma vez que seu sensei a beijou de surpresa, roubando-lhe a fala e o ar. Ela não pôde fazer muita coisa além de acatar aos lábios exigentes e enlaçá-lo mais firme. O jounin a deitou suavemente sobre a mesa, encaixando-se perfeitamente no meio de suas pernas elegantes. O vestido, cuja cor ele pouco se importava, subiu consideravelmente, expondo ainda mais o belo par de pernas da moça. Talvez ele não devesse fazer aquilo, mas ele não gostava do talvez. Aquilo era errado, e exatamente por isso era tão apreciado por ambos. Eles eram antagônicos, assim como seus beijos concupiscentes. Aquela seria a primeira vez de muitas outras que viriam.

E tal pensamento não se baseava em um talvez, não, era em um forte e corpulento com certeza...

— Kakashi-sensei? – a voz da garota tirou-o de sua concentração, fazendo-o a olhar preguiçosamente, sem abaixar o livro de capa alaranjada. Ela se acomodou a sua frente, na mesa quadrada em que há certo tempo já estava. — Você viu o Sasuke-kun por aí?

— Não. – respondeu sincero, não achando a mesma concentração que tinha antes ao ler o livro. Olhou para os lados, notando que Genma ainda estava no balcão e, notoriamente, permanecia falando algo a mais com a garçonete, além de pedir uma garrafa de alguma bebida qualquer. A moça de cabelos róseos ainda jazia a sua frente, mordendo os lábios finos, avulsamente. — Por quê?

— Ele disse que estaria aqui. – passou a mão pelo cabelo, olhando para a toalha de plástico que cobria a mesa. — Mas não o encontro em nenhum lugar... – Kakashi estava notando que Genma conversava animadamente com a atendente, o que significava que a bebida demoraria. — Estou atrapalhando?

— De forma alguma. – respondeu, sorrindo sob a máscara.

A Haruno suspirou alto, deixando seus ombros caírem. Era evidente que algo a incomodava, no entanto não era da conta do mascarado. Ela era a sua aluna, e essencialmente a sua vida ninja que o interessava. E a amorosa? Bem, ela mal tinha dezessete anos, ainda era uma adolescente, logo, era um campo minado no qual Kakashi fazia questão de não conhecer, ou mesmo pisar. Entretanto, não era fácil para ele vê-la ali, desacorçoada. Precisando de qualquer ombro, ou simplesmente um ouvido solidário. Então, é claro, como um homem de caráter, que também é um ambidestro e que adorava o antagonismo, ele resolveu fazer o que deveria – por mais inacreditável que pudesse ser.

— Algum problema que queira desabafar? – indagou, fechando o livro e o guardando dentro de seu colete.

— Eu... – anelou, apoiando-se na mesa. Seu pequeno decote ressaltou, e demorou alguns segundos para o Hatake perceber que estava o fitando mais do que deveria. Entretanto, de qualquer maneira, ela não notou e ele não se importou de olhar um pouco mais. — Você já teve a sensação de ser usado, sensei?

— Acredito que sim. – comentou, coçando o queixo.

— Foi horrível, não foi? – o shinobi não quis a responder, pois não era esse tipo de conversa que queria ter. Se, por acaso, ela quisesse falar tudo o que viesse em sua mente, por ele tudo bem, mas não queria influenciá-la com a sua opinião. — Tenho medo de estar fazendo a escolha errada, sensei. – ela apertou os lábios rosados, olhando incerta para os lados. Ela estava confusa. — Em breve farei dezoito anos, e creio que esteja dando passos errados na minha vida... Talvez eu devesse... Eu não sei... – riu sozinha, um riso falso e morto. — Talvez eu nem devesse estar pensando nessas coisas...

— Você confia no talvez? – ele perguntou, fitando-a sério.

— Talvez. – ela riu, e o ninja apenas sorriu por conta de suas bochechas coradas. — Não.

— Então pare de se prender no meio termo e saia de uma vez de cima do muro. – a kunoichi franziu o cenho, fitando-o curiosa. Não era como se estivesse surpresa ao notar um Kakashi "conselheiro", mas nunca imaginou que ele fosse se interessar por suas torpes causas. — Às vezes temos de tomar certas decisões, por mais difíceis que possam ser, Sakura. Não aceite o meio termo, não deixe a sua vida ser um meio termo. – ele passou a mão sobre a da garota, rindo confortável. — Nem tenha tanta pressa, mas também não deixe a vida passar diante de seus olhos sem que você faça algo.

— Você acha que eu devo esperar um pouco mais?

Ele nem sabia ao certo do que ela estava falando, mas sabia que havia um tom de desespero em sua fala. Ele apenas sorriu, notando que Sasuke apenas os observava de longe, na entrada do pub. O shinobi tirou a mão de cima das da garota, voltando a sua posição inicial. Sakura notou o Uchiha na porta e logo fitou Kakashi, a espera de uma resposta.

— O momento certo chegará, Sakura. E você saberá. – ela acenou com a cabeça, levantando-se seguidamente, mas logo sentiu seu pulso sendo capturado. Olhou para seu sensei, curiosa, notando apenas seu habitual olhar de peixe morto, indiferente. — Mas não deixe o momento certo passar, ok?

Sakura apenas assentiu, caminhando em direção de Sasuke. No caminho, passou por Genma, que se aproximava com o cenho franzido. Ele pôs os dois copos sobre a mesa, sem tirar o lacre da garrafa de saquê. Fitou o mascarado que apenas tirava o livro do colete. Ambos pararam, somente se fitando. Um, desentendido por tal clima estranho, e o outro, curiosamente perplexo. Um dos ninjas tirou a senbon da boca, guardando-a em um bolso, para logo em seguida derramar uma quantidade exagerada nos dois copos.

— Sabe – o Shiranui começou. —, existem razões para eu não ser um professor, Kakashi. – disse, bebendo um pouco da bebida de arroz. — E você sabe o por quê?

— Por que você não sabe ensinar nem mesmo uma pedra a cair no chão? – o outro revirou os olhos.

— Porque eu simplesmente não conseguiria ter uma aluna.

— Mn.

— Não que eu não conseguisse enxergá-la como a minha aluna, e que eu seja o seu "protetor" – fez o sinal de aspas com os dedos. —, mas temos plena consciência de que não são nada nossas, sanguineamente. – bebeu outro gole, notando que o Copy Ninja apenas o observava. — Você a vê crescer e se tornar uma mulher atraente, e se tentar alguma coisa com ela você pode ser chamado de aproveitador ou de qualquer outra coisa de cunho pervertido...

— Aonde você quer chegar com isso, Genma? – Kakashi questionou, fechando o Icha Icha.

— Nada. – sorriu, mas voltou à seriedade ao ver a carranca do outro. — Só acho que um dia essa leitura por Icha Icha e a sua obsessão pelos peitos da sua aluna de cabelo cor-de-rosa ainda te pegaram. E lhe darão uma bela rasteira, cara.

— Mn.

Mas Kakashi tinha bons reflexos e sabia muito bem escapar de rasteiras. Além do mais, olhar os seios de Sakura, ou de outras mulheres, não era um ato de maldade, na verdade não, era apenas um hábito que adquirira com o passar dos anos. Não havia nada de especial com os de sua aluna, eram tão pequenos, afinal de contas. Talvez fosse apenas um hábito, pensou, no entanto ele tinha certo receio com o talvez.

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Para ele não era uma coisa muito delicada ela se tornar uma felina – uma pantera, para ser exato. Muito menos o fato de ela estar o arranhando sem nenhum cuidado. Aliás, o fato dela, nada inocentemente levar uma delicada mão ao seu membro ereto já era uma prova mais do que evidente que toda aquela conversa de: "Por favor, seja delicado", ou "Não seja bruto", não passava de mais um drama feminino. Certo, definitivamente esse estilo predatório da garota não o assustava, é claro que não, mas também não parecia fazer o feitio dela. Que, aliás, parecia apreciar toda aquela situação.

Não, pode ser que ela apenas estivesse sendo influenciada pelo veneno.

O que, entretanto, não deixava de ser agradável para ele, isto é.

Ele a jogou no chão, notando um estranho sorriso se formar nos lábios femininos. Ela o puxou pelos cabelos, voltando a atacar a sua boca. Deixando-se levar, o Hatake apertou as coxas torneadas da moça, fazendo-a ofegar. Tocou seu seio eriçado, por debaixo do sutiã, e ela apenas arqueou em sua direção. No entanto, foi o gemido de uma mulher gorda que os observava que o chamara a atenção. De canto, notou-a ainda estar próxima da cela e, inacreditavelmente, não havia uma chupeta em sua boca. Ela riu para ele, que ficou desentendido. Então, rapidamente, sentiu-se jogado ao chão empoeirado, e alguns fios rosados nublarem a sua visão.

No entanto, foi realmente cegado quando Sakura começou a movimentar a mão que estava em seu membro, por dentro da calça.

Para cima.

E para baixo.

Ele quase se permitiu apenas apreciar as sensações, apesar disso, aquela tortura extasiante também deveria ser sentida por ela. Logo, o mascarado fez o que obviamente já deveria ter feito. Desceu as mãos pelo corpo feminino, pairando sobre a calcinha Sexy, ou melhor, que tinha por nome Sexy. A kunoichi o olhou hesitante, sentindo dois dedos masculinos ultrapassar os limites do tecido amarelo, tocando-a. Sua boca se abriu, e Kakashi não pode deixar de notar orbes esverdeados imersos num prazer inesperado. Ele começou a mover os dedos, apenas massageando seu clitóris, contudo a pequena mão que jazia em seu membro voltou a se mover, ao mesmo ritmo em que seus dedos a acariciava.

Os dois ninjas ouviram uma baque surdo, mas também havia um crescente calor que lhes subia por todo o corpo, chamuscando por todo o caminho. O veneno corria por suas artérias, mas o desejo seguia por suas veias, deixando-os aturdidos. A garota notou que a mulher roliça fitava intensamente a face de Kakashi e, de certa forma incomodada, a kunoichi voltou a erguer a máscara de seu sensei, não se importando com seu olhar dúbio.

Um dedo embrenhou-se em sua intimidade e, por Kami!, ela praticamente sentiu o seu corpo pegar fogo e virar cinzas por tamanho êxtase que experimentou. Ele sorriu, embora estivesse com o rosto coberto, e quando outro dedo foi se aventurar em seu ponto quente e molhado, a garota praticamente miou, pois, afinal de contas, ela ainda era uma pantera que não sabia rugir. A mão em seu membro vacilou um pouco, praticamente parando de se mover. Mas ele não se importava, pois o próximo passo que ele daria seria voltar a repousá-la ao chão, e consumar de uma vez por todas aquele ato e, enfim, expelir o maldito veneno. Ainda havia tempo, não havia?

Mas antes que pudesse confirmar a sua dúvida, ouviu um estrondo nas grades da cela, e sem conseguir fazer nada, notou que Sakura fora arrancada de cima dele e que algo também o puxava, arrastando-o pelo chão empoeirado. Olhou para os lados, notando que a recepcionista voyeur havia sido derrubada por Naruto e que o relógio anunciava não haver mais do que onze minutos para ele e Sakura. Ele sabia que seu chakra estava cortado, no entanto o Bushin de Naruto parecia tão atordoado que mal conseguia segurá-lo. Olhos verdes o fitavam, como se não soubesse o que fazer, mas foi como se o encontro de seus olhares emitisse o que deveria ser feito.

— Mas o que está acontecendo aqui?! – o loiro perguntou desesperado, olhando para os dois companheiros. Sakura não respondeu, soltando-se do clone, assim como Kakashi fez, voltando a se agarrar um no outro. Ele se jogou em cima da garota, enquanto ela tentava arrancar as suas calças. — Droga! – o loiro gritou, auxiliando os dois clones a separar o casal, que pareciam irredutíveis!

— Eu só tenho dez minutos, Naruto, saia da frente! – Sakura gritou, debatendo-se, sendo afastada de Kakashi.

— Não! – o Uzumaki gritou. — Espere a missão acabar e depois vocês vão ao motel!

— Não! – a rosada gritou, tentando alcançar Kakashi.


Mas não importava o quanto o casal de ninjas protestasse, ou melhor, que a kunoichi reclamasse e chiasse, Naruto era irredutível em suas decisões, e, aparentemente, ficara tão chocado com a cena que presenciou que resolveu não escutar o que os colegas de equipe tinham a dizer. Amarrou-os lado a lado nas grades e saiu junto com seus clones atrás da recepcionista voyeur. Sakura ainda tentou se soltar, mas ela sabia que já era muito tarde. Ainda havia aquele intenso êxtase correndo por suas veias, entretanto, o pensamento de estar no limiar da morte não era algo muito excitante. Kakashi jazia ao seu lado, voltando à mesma atitude que tivera no inicio.

Taciturno.

A Haruno simplesmente deixou a sua cabeça cair, repousando-a nos ombros de seu sensei. Talvez eles tivessem um pouco mais de duzentos e quarenta segundos, mas era como se o tempo tivesse parado ali, naquele estranho momento. Duzentos e quarenta sempre lhe pareceram um número razoavelmente alto, no entanto, agora, parecia pequeno demais. Então ela ponderou e notou que era um número alto, pois agora eles só tinham duzentos e trinta e oito segundos. Sakura realmente nunca imaginara como morreria; contudo, morrer sob o efeito de uma substância estimulantemente mortífera nunca se passara por sua cabeça. Aliás, tendo justamente Kakashi como o seu parceiro nesta torturante viagem também lhe era surpresa.

Mas quem realmente consegue adivinhar como morrerá?

Agora eles mal tinham duzentos segundos de vida, mas parecia que seu coração queria poupar o trabalho de algum ceifeiro da morte. Afinal, ele já batia tão forte, e era como se o seu coração não recebesse mais oxigênio, causando-lhe uma estranha dor, quem sabe em dez segundos ela poderia cair dura com um enfarte do miocárdio? Kakashi parecia calmo. Porém Sakura era impulsiva demais para apenas ficar quieta e esperar a morte lhe estender a mão.

Ela ainda era tão jovem...

— Sakura. – ela o ouviu lhe chamar e, rapidamente, olhou-o curiosa. Havia aquele mesmo sorriso reconfortante em seus olhos plissados, e aquilo fez o seu coração se acalmar. — Eu sinto muito por não conseguir arranjar uma solução para nós dois.

— Sensei...

— Eu também sinto muito por não ser o sensei que você e os garotos mereciam.

— Você não poderia ser melhor, Kakashi-sensei. – ela sorriu, notando seu riso reconfortante.

Talvez pudesse haver professores melhores do que ele, mas não seria a mesma coisa. Não seria o Time Sete. Todos tinham as suas falhas, e eram exatamente as imperfeições que tornavam aqueles ninjas em verdadeiros seres humanos. Ninguém era perfeito, e parar para se apegar em fugazes "talvez" não parecia ser uma boa escolha ao limiar da morte. Eles ainda tinham em torno de um minuto, o que significava que em nada adiantaria ponderar sobre as possibilidades que bateram em suas portas durante os dias e foram ignoradas. As coisas eram como eram, e nada poderia mudar aquilo. O começo já havia sido impresso, mas ainda havia o fim para ser trilhado.

A cabeça de tonalidade rosa voltou a se pousar nos ombros masculinos e, respeitosamente, ela sentiu a cabeça masculina pousar-se sobre a sua. Não era a maneira como ela imaginou morrer, entretanto não de era de todo ruim. De certa forma, ela nunca imaginara que morreria assim. A kunoichi realmente nunca havia parado para pensar em como morreria, mas o pensamento de morrer num campo de batalha era uma das possibilidades que se passara em sua mente. No entanto, era uma reflexão que se passava na mente de todos os ninjas, ela sabia que aquilo não era nenhuma exclusividade. Então, sentiu-se privilegiada de simplesmente repousar naqueles ombros largos e balsâmicos, deixando-se desfalecer. Seus olhos foram ficando pesados, e um bocejo era inevitável. Talvez a morte fosse um como um sono passageiro, que, entretanto, leva as pessoas para aonde é que deva ir repousar eternamente.

— As coisas poderiam ser diferentes, não acha? – ouviu-o dizer, sem se mover.

— Como? – questionou, desanimada.

— Talvez eu devesse ter feito aquilo que você havia me pedido, antes de sermos capturados.

— O quê eu havia lhe pedido? – a garota franziu o cenho, forçando-se a se lembrar de qualquer coisa que tenha dito, mas ela havia bebido mais do que devia e por incrível que pareça, tinha tido até mesmo a proeza de se esquecer da secura de sua garganta e de sua ressaca. Forçando seus neurônios, a garota não se lembrava de muita coisa, além de estarem bebendo numa barraquinha qualquer. Eram amostras, e com certeza exagerou na quantidade. Ela lhe pediu um beijo, e ele recusou. — Sensei...?

Kakashi não a respondeu, deixando-a apenas mais apreensiva. Eles ainda tinham em torno de vinte segundos e, quem sabe, ainda houvesse tempo de pelo menos um selinho.

— Enquanto caminhávamos – ele suspirou. —, você foi mais prudente do que eu. Devia ter feito o quê você disse.

Enquanto caminhavam? Ela refletiu, forçando-se a se lembrar do ocorrido...

Vamos voltar para a pousada... O que foi?

Você vai me dar aquele sexo oral?

Não.

A Haruno ergueu a cabeça rapidamente, fitando-o perplexa. Ele estava sério, como o habitual. Sua máscara torta jazia em sua face pálida. Aquela não havia sido uma proposta muito das prudentes, na opinião da garota, mas não deixava de ser apreciável. Apesar de tudo o que os acontecera nas últimas duas horas, ela não havia recebido aquilo que sugerira mais cedo e, nem por isso, jamais imaginou que Kakashi levaria a sério, muito menos que se arrependeria de não tê-lo feito. Sem saber ao certo o que fazia, apenas tendo em mente que talvez só tivesse cinco segundos de vida, inclinou-se na direção do jounin, beijando-o por cima da máscara.

Kakashi não fez nada, além de arregalar milimétricamente os olhos por conta da ação da aluna. Ele acreditou que talvez aquela fosse a maneira da garota de se despedir dele e do mundo, e francamente, ele não se importava de participar disso. Embora algo dentro de si dissesse que ela havia ficado afetada por conta de sua última declaração. Mas o que havia demais em dizer que ela havia sido prudente? Ora, de fato, se houvesse contatado com os garotos, como ela sugeriu, talvez nada disso estaria acontecendo. Eles não teriam sido sequestrados por aquela gorda, ou mesmo que fossem, talvez tivessem sido encontrados mais cedo e conseguido arrumar alguma solução. Mas não, agora estavam ali, com menos de dois segundos de vida, se beijando. Se pelo menos não houvesse aquela máscara os atrapalhando...

— NÃÃÃOOO!

A voz de Naruto ecoou alto, e o casal se separou. Bom, as duas horas já haviam se passado, o que significava que a qualquer momento poderia ser o último. O loiro se jogou na cela, acompanhado por um de seus clones, desamarrando os dois companheiros de time rapidamente. Soltos, notaram Sasuke e Sai apenas os observarem atônitos. O silêncio fez-se majestade e tudo o que Kakashi e Sakura fizeram foram se sentar mais ao fundo, encostados à parede. Aparentemente a mulher roliça havia contado aos garotos sobre a situação no qual os dois estavam a passar. Todos se sentaram, calados à suas maneiras. Não havia muito que se dizer. Naruto não permitia se despedir, então correra para fora, atrás daquela gorda maldita que jazia amarrada em um dos quartos, talvez ainda houvesse tempo... Sasuke apenas os fitava, sem muito expressar, e Sai os desenhava, como num último registro.

Sakura voltou a sentir seus olhos se pesarem e sua cabeça pender para frente. Talvez aquele fosse o seu momento, no fim das contas. Hesitante, apenas pegou na mão daquele que esteve ao seu lado nas últimas horas, e também por todo o dia. Kakashi a olhou compreensivo, sorrindo confortável. Ela apreciava aquele riso e sentindo seus olhos se colarem, o máximo que pode fazer ainda consciente foi deixar sua cabeça cair nos ombros do Hatake, permitindo que a escuridão a levasse.

Para onde é que fosse.

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Seu corpo flutuou, imerso na escuridão. Todavia, era reconfortante. Ela nunca imaginara que seria essa a sensação da morte, mas também nunca parou para pensar sobre isso. A morte, de certa forma, ainda era uma palavra incógnita em seus pensamentos. Ela nunca perdeu ninguém, assim, diretamente; logo, nunca pensou em como seria ser perdida. Talvez a morte fosse simplesmente um verbete pouco conhecido a fundo, e é claro que não seria ela que a explicaria, afinal, não entraria em contato com o mundo dos vivos apenas para isso. Todos deveriam passar por tal sensação de descoberta, assim como ela...

Sentiu-se tocar em algo macio e sua cabeça repousada. Uma mão grande tracejou a sua face e, num esforço fenomenal, Sakura abriu seus olhos. Então estava viva? Aos poucos as coisas deixavam de ser anômalos borrões, e a kunoichi notou uma face encoberta e alguns fios prateados arrepiados em sua frente. Ele a olhava, de cenho franzido, tirando alguns fios rosados de sua testa suada. Sua garganta estava dolorida por tamanha sede e secura. Olhando para os lados, de maneira dúbia, notou estar de volta na suíte que dividira com Kakashi e que ele estava inclinado em sua direção, apenas a fitando. A Haruno tentou se sentar, mas o sentiu forçá-la de volta ao leito, com o seu sorriso plissado e reconfortante, é claro, por debaixo da máscara.

— Eu não morri? – questionou, piscando fortemente.

— Creio que não. – ele respondeu, acomodando melhor o travesseiro da aluna.

— Mas eu senti como se a morte me levasse... – anelou, sentindo a cabeça latejar. — A morte havia me tomado, sensei.

— Não foi a morte quem a levou. – comentou, ajeitando um lençol sobre o corpo feminino, cuidadosamente. — Entenda que a ressaca demorou um pouco mais do que deveria para te pegar. – ele riu, olhando o bico que se formou na carranca feminina. — Não se preocupe, eu estarei aqui para lhe dar todos os copos de água que precisar.

— Não precisamos continuar fingindo ser um casal. – comentou, notando o cenho do ninja se franzir. — Você sabe, a missão já acabou.

— Não, tecnicamente. – ele deu de ombros, afastando-se um pouco. — Ainda iremos interrogar os dois cabeças e levá-los até às autoridades locais.

— Então o disfarce continua sendo desnecessário. – os dois continuaram se olhando, e a rosada notou que parecia que ele não estava satisfeito. — Acho que os garotos já devem estar pensando que somos um casal mais do que consolidado, você sabe...

O Copy Ninja maneou com a cabeça, esfregando o queixo, ponderativo.

— Mas a minha casa ainda precisa de uma faxina, você sabe. – ambos riram, mas ele apenas deu de ombros. — Eu sinto muito por hoje. – disse, passando a mão pelos cabelos desgrenhados.

— Não, imagine. – a garota queria rir, reconfortante como Kakashi sempre fazia, porém, o máximo que conseguira foi lhe lançar um riso encardido. — O importante é que a missão foi desempenhada, sensei.

— É claro.

— Mas – sentou-se, não notando o lençol cair de seu corpo. —, as nossas duas horas não passaram?

— Sim.

— Então porque ainda estamos vivos?

— A voyeur não sabe ao certo, mas acredita que não haja os mesmo efeitos em seres humanos e em pequenos roedores.

— Talvez a diferença de tamanho, ou alguma parte do nosso sistema imunológico possa ter atuado de maneira que os deles não. – ponderou, sentindo um pouco de frio. — Preciso colher as amostras da substância e analisar melhor na Vila.

— Sasuke já as colheu. – deu de ombros, olhando para baixo.

— Ótimo.

— Sexy.

— Oi? – indagou, notando que Kakashi fitava a cama de maneira estranha.

— A sua calcinha.

— Hein? – e foi somente então que ela notara que ainda jazia apenas de lingerie, e que usava aquela calcinha ridícula que Ino havia lhe dado num festa de confraternização do hospital. Cobrindo-se rapidamente, Sakura deu uma bofetada leve no braço de seu sensei, mas que pelo visto foi um pouco mais forte do que imaginava. — Não olhe mais, e, por favor, esqueça-se dela!

— Se é isso o que deseja. – encolhendo os ombros, o jounin se levantou, caminhando em direção do banheiro, mas parou bem próximo da porta, olhando a garota de relance. De certa forma, as coisas estavam sendo mais fáceis do que imaginara, afinal, não era sempre que um professor se vê obrigado a fazer o que fez com uma aluna e vice-versa. — Apenas descanse, Sakura. – ela assentiu, e ele adentou no banheiro despreocupado.

Entretanto, enganou-se ao pensar que as coisas estivessem sendo bem assimiladas na cabeça da jovem ninja. Pois, de fato, não era sempre que um professor se vê obrigado a fazer o que fez com uma aluna e vice-versa. Todavia, poderia ser ainda mais raro o fato da aluna, inexplicavelmente, não se importar como deveria. Ou melhor, sentir o que sentia. Que ela estava se sentindo meio avulsa, e que tudo o que mais desejava no momento era que não se fosse mais comentado nada a respeito da cena que fizeram na cela, sim, era verdade, mas ela não poderia negar que havia algo no fundo de seu âmago que lhe sussurrava para terminar o que haviam começado.

Talvez fosse a sua impertinente Inner, que por muito esteve adormecida.

Porém, já fazia algum tempo que ela passou a temer o talvez.

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Certo, aquilo era um ato estupidamente estúpido – sim, não havia definição melhor para aquilo, estava certo disso. No entanto, segundo a sua mente genial, que apesar dos pesares, não se engana nunca!, situações desesperadas exigem medidas exageradas. Logo, o que havia demais em seguir uma estranha sugestão vinda do estranho do time? Não, tal estranho não era Sasuke (mas que também não deixava de ser estranho, para ele), mas sim Sai. Um branquelo esquisito, fissurado em livros e também, estranhamente na opinião do loiro, no tamanho das genitálias alheias. Enfim, como ia refletindo, aquilo era estúpido, sim!, porém era necessário também. Notando que o Uchiha apenas revirou os olhos por conta de seu ato, Naruto simplesmente resolveu se abstiver das (chatas) opiniões do moreno emburrado. Assim, colocou o copo sobre a parede, notando o ensurdecedor barulho do nada em seu ouvido.

— Não adiantou nada, Palmito. – ele resmungou, espreitando seus olhos e fazendo um bico. — Não dá para escutar nada aqui.

— É claro que não. – o desenhista falou, dando os últimos retoques no desenho que começara no cativeiro de Kakashi e Sakura. — Você está usando um copo descartável, Pintinho.

— Mas não é um copo de qualquer jeito?

— Não, Pintinho, o copo deve ser de vidro. – caminhou um pouco, pegando duas taças que estavam sobre uma cômoda. — Segundo um livro interessantíssimo que li, devemos pegar uma taça limpa e a pressionar contra a parede. O formato de cone auxilia a trazer o som e a conectá-lo no cabo da taça. – o loiro apenas o fitava de cenho franzido. E, obviamente, Sai não entendeu. — O quê foi?

— Por que você leu um livro que explicava isso? – perguntou, cruzando os braços.

— Bom, na verdade o livro não tratava sobre isso especificamente. – coçou os cabelos negros, mandando um pérfido sorriso ao colega. — Falava sobre um detetive que desconfiava que a irmã estivesse transando com seu pai.

— Incesto?

— Não, eles eram irmãos apenas por parte de mãe. – deu de ombros, passando as mãos pela parede clara. — Acho que aqui está bom.

— Você também irá escutar a conversa deles?

— Um livro dizia que é sempre bom dar apoio aos amigos ou...

— Você me considera um amigo? – o Uzumaki indagou, não percebendo que o outro pretendia complementar a frase.

— Pessoas estúpidas.

— Palmito.

Ambos os ninjas ajeitaram as taças de vidro sobre a parede, procurando encontrar a posição certa para ouvir todos os ruídos do outro cômodo. Sasuke apenas os fitou, revirando os olhos por tamanha parvoíce, afinal, para ele, era evidente que Sakura e Kakashi apenas caíram na armadilha daquela gorda voyeur, assim como aqueles dois caras caíram na armadilha do irmão voyeur. Sim, pois da mesma maneira em que aconteceu com os dois ninjas, de serem capturados e vítimas de uma estranha "experiência científica", aconteceu com os dois homens que ousaram desafiar a quadrilha (que na verdade não passava de uma dupla, no fim das contas). Todavia, enquanto a mulher tinha por fascínio assistir um casal heterossexual em um momento íntimo, o irmão tinha por um casal homossexual. E, não lhe surpreendera ao descobrir que, embora estivessem... err... Transando, os dois caras afirmavam não serem gays, muito menos um casal. Pois, segundo eles, embora aquilo fosse quase tão ruim como a morte, eles ainda queriam viver. Logo, Sasuke assumiu esse ponto de partida para notar que a sua ex-namorada e seu sensei, que passaram pelo mesmo tipo de "tortura", fizeram a mesma escolha...

— Eu ouvi a palavra banana? – o loiro indagou.

— Eu acho que escutei anal. – o desenhista comentou.

Ambos olharam para o Uchiha, que apenas ampliara o tamanho de seus olhos imperceptivelmente. Naruto voltou a prestar atenção nos sons emitidos pela taça, não conseguindo interpretar os muxoxos que lhe era ouvido. Ao que se constava, os dois colegas de equipe conversavam algo, mas era como se fosse Sakura a principal interlocutora da conversa. Ele não conseguia ouvir a voz de Kakashi, todavia, Sakura tagarelava coisas estranhas o tempo todo. Tais como um estranho woun-woun-woun (que ele julgou serem palavras indecifráveis) e outras como, por exemplo: eliminar, anal, banana, dor e rapidez.

Kami.

Sama.

Olhando para Sai, ao seu lado direito, recebeu de volta apenas um aceno de cabeça, como se seja lá o que estivesse se passando em sua cabeça, o outro concordava piamente. Por Kami, que Sai não estivesse pensando que aqueles dois estavam combinando a maneira de fazer sexo anal, o loiro ponderou. Afinal, seja lá o que aqueles dois estivessem conversando, aparentemente Sakura queria eliminar o anal, mas não a banana, porém tudo bem se houvesse dor, contando que fosse rápido. E, por Kami e por todos os Hokages, que aqueles woun-woun-woun's não fossem gemidos!, o loiro cruzava os dedos, sem notar que Sasuke se pusera ao seu lado esquerdo.

Com uma taça em seus ouvidos.

Não que o Uchiha estivesse curioso sobre o teor da conversa, é claro que não, entretanto, era melhor averiguar que tipos de bobagens aqueles dois imbecis estavam levando na maldade. Não era curiosidade, com certeza não, o Uchiha refletiu, escutando um estranho woun-woun-woun.

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Sentado preguiçosamente sobre a cama, e com o Icha Icha aberto, Kakashi apenas respondeu com um "Mn" a (des)interessante conversa de sua aluna. Ele apenas suspirou, notando que, além de não parar de beber água, a garota estava inventando qualquer assunto para fugir de certo assunto. Uma hora ela iria calar a boca e, então, eles poderiam falar sobre aquilo que aconteceu na cela e, de certa forma, esclarecer qualquer ponto que pudesse ter ficado sem explicação.

—... Eliminar o todo o acetaldeído, que também é conhecido por etanal, que pode causar dores de cabeça, náuseas e tontura.

— Mn.

— Para ajudar na ressaca – bebeu mais gole de água. —, a banana, que é fonte de potássio, também ajuda muito, sabia? – ele não e respondeu, passando mais uma página de seu livro. — Doces também fazem bem, mas é claro, não é apenas ingerindo tudo o que eu disse que a ressaca sumira numa exorbitante rapidez... Você está me ouvindo?

— Mn.

— Isso significa um "sim"?

— Mn.

Pegando uma almofada, a garota jogou no rosto de seu sensei que, preguiçosamente, inclinou a cabeça para o lado esquerdo, escapando facilmente do quadrado fofo. Ela o praguejou, mentalmente, jogando-se ao lado do ninja na cama, que emitiu um barulho de molas. Aproximou-se dele, mas não muito, e se esgueirando, tentou decodificar o que estava escrito no livro laranja nas mãos de Kakashi, no entanto, como em um piscar de olhos, o livreto fora fechado e tudo o que ela realmente visualizou, além do título, era um casal engraçadinho, cuja mulher fugia alegremente do homem.

— Quem olha pela capa até pensa que seja uma comédia. – ela comentou, olhando para o teto.

— Nem tudo é comédia, assim como nem tudo é drama. – o mascarado comentou, dando de ombros.

— Ainda bem que aquela Sensual Seduction não estragou o seu livro, não é?

— Falando nela – o Hatake começou, chamando a atenção da garota que o fitava curiosa. —, o quê acha de falarmos sobre o que nos aconteceu?

— Você sabe qual a relação entre desidratação e dores de cabeça na ressaca? – ela desviou o assunto, apoiando-se nos cotovelos.

— Sakura...

— Como o álcool faz com que as pessoas urinem mais do que o normal, existe uma grande perda de água.

— Por isso, o corpo tenta se reidratar roubando água do cérebro que acaba ficando um pouco menor do que o normal. – o shinobi comentou, suspirando exacerbado. — Você já disse isso, Sakura.

— Já falei que as membranas que ligam o cérebro ao crânio são esticadas e assim surge a dor?

— Sim.

— Ah.

— Agora podemos falar sobre...

— Soro também faz bem, sabia? – ele apenas revirou os olhos, e quando ela pensou em dizer algo a mais uma ideia saltitou em sua cabeça.

— Certo, Sakura, você tem o direito de não querer falar sobre isso, mas... – parou, notando que a aluna fitava o nada com uma estranha expressão. Arqueando uma sobrancelha, ele se sentou melhor na cama, fitando-a intrigado — Algo de errado?

— Soro ajuda na ressaca. – ela repetiu, e o Hatake apenas espreitou os olhos. — Sabe, eu já tomei porres bem menores e tive ressaca bem piores. – olhando para ele, Sakura percebeu que talvez a mesma ideia que se passou em sua mente passeava pela dele. — Aquele veneno...

— Tinha a aparência de soro. – o mascarado comentou.

— E não nos matou.

— Nem mesmo ao casal gay.

— Que casal gay?

— Os dois caras que passaram por situação semelhante a nossa, só que tendo por voyeur o irmão dela.

— Ela tem irmão? – ele maneou com a cabeça. — Também é voyeur? – ele assentiu novamente. — E é gay? – ele deu de ombros. — Certo, mas enfim, onde a maldita está?

— Quarto dez, sob a vigília de um Bushin do Naruto.

Olharam-se brevemente, e não fora necessária nenhuma palavra para que ambos pulassem da cama, marchando em direção da porta. Cavalheiresco, Kakashi permitiu que a rosada passasse primeiro e tranquilamente caminharam pelo corredor. Adentraram no elevador, calmamente, descendo para o quarto andar. A porta se abriu e, novamente, Kakashi deu passagem à aluna que apenas lhe sorriu. Havia dois clones de Naruto próximos à porta, cada um com uma taça encostada sobre a parede. Os dois jounins deram de ombros – afinal, aquilo era uma esquisitice que não parecia ser atípica à Naruto –, enquanto Kakashi fazia uma sequência de selos, fazendo a porta se destrancar.

Um outro Naruto, que jazia sentado em um canto do cômodo os olhou intrigado, enquanto a Sensual Seduction tinha em seu colo um cara magro e pequeno. O seu estranho irmão, obviamente. O clone do Uzumaki tentou saber o que os outros ninjas queriam, no entanto, fora simplesmente enxotado para fora pela kunoichi de cabelos róseos. Ao finalmente sentirem-se à vontade, os dois ninjas se puseram na frente da falsa recepcionista, fitando-a séria.

— Vejam só – a mulher começou, usando de um escárnio palpável. —, e não é que o meu casal favorito que estiveram ao limiar da morte estão vivos! – riu sozinha, enquanto o garoto em seu colo apenas a olhava desentendido. — Diga-me, kunoichi, conseguiu o seu tão desejado sexo oral? – a garota fez uma carranca e a balofa sorriu. — Pelo visto não.

E, pelo visto, aquela cretina ficaria sem dentes, a ninja ponderou.


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:: Próximo capítulo: Pedra, papel e tesoura ::

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