Para Thaths & Kahli Hime
O plano
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Capítulo X
Pedra, papel e tesoura
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Seres humanos tinham estranhos hábitos volúveis. Em um dia mostravam-se fiéis a A, e num outro, ao B. Alguns livros, ou melhor, autores, afirmavam que o mal da humanidade era decorrente da civilização ou das sociedades modernas. E isso era quase que excitante para ele. A leitura o possibilitava conhecer inúmeras ideias sem mesmo ter de conversar com alguém – embora segundo outro livro, relações interpessoais também fossem de demasia importância, devia ressaltar. Mas, de qualquer maneira, era fascinante em sua opinião ainda que ele tivesse suas próprias teorias em mente.
Para Sai, seja lá qual fossem os atos humanos – da bondade à maldade –, tudo era decorrente ao antagonismo e magnetismo dos cromossomos X e Y. É certo que muitos achariam que ele estivesse exagerando, mas seus livros comprovavam muito bem isso: guerras eclodiram mundo a fora por causa de tais pequeninos! E haviam inúmeros tópicos que poderia levantar acerca das justificativas sobre a sua opinião, no entanto, ao invés de fazer isso, pegou seu caderno pessoal e começou a trilhar o seu estudo sobre o "Estranho Caso do Time Sete/Time Kakashi". Não que houvesse algum tipo de mistério assombroso que rondasse o time, ele acreditava que não. Mas desde que entrara naquela estranha equipe notou o atípico clima do qual desfrutavam.
Naruto, Sakura, Sasuke e Kakashi.
Ao que se consta, Naruto gostava de Sakura que gostava de Sasuke que gostava de vingança. E Kakashi? Bem, ele gostava de Icha Icha. Depois, Sasuke foi embora para treinar com Orochimaru, Naruto tentou trazê-lo de volta para Sakura e ela ficou chorando feito uma garotinha frouxa. E Kakashi? Bem, continuou a ler Icha Icha. Ao não alcançar o seu objetivo de trazer o seu amado amigo de volta, Naruto partiu para treinar com Jiraya e Sakura passou a ser treinada pela própria Godaime da Folha. E Kakashi? Esperava pelo lançamento de Icha Icha Tactics. Naruto voltou depois de certo tempo, mais forte do que muitos imaginavam, assim como Sakura, que se tornara uma excelente medic-nin e usuária de taijutsu. E Kakashi? Desfrutava de seu amado Icha Icha Tactics. Naruto continuou atrás do amigo, de uma maneira um tanto quanto demasiadamente amorosa. Mas Sasuke continuava a desfrutar o seu treinamento com a cobra, quer dizer, o Sannin das Cobras. Enquanto isso, Sakura parecia ainda amar o Uchiha, porém de maneira mais contida do que o Uzumaki. E Kakashi? Bem, lamentava a morte de Jiraya, o que daria o fim a sua amada série Icha Icha.
Ao limiar da Guerra, Sasuke descobriu que seu irmão havia morrido por Konoha e (estupidamente) resolveu se vingar de Konoha. Um ato bastante coerente para um cara que usava um ridículo laço lilás no traseiro, Sai refletia. Naruto aprendeu a controlar e lidar com a Kyuubi, ou melhor, com Kurama, e também teve uma breve aproximação com Hinata. Kakashi teve de aceitar e se recuperar do corte em seu coração, figurativamente, ao descobrir que seu grande e melhor amigo era um dos cretinos que almejava botar em prática o plano "Olhos da Lua". E Sakura? Bem, talvez houvesse se perdido no meio da multidão ferida que necessitava de seu amparo.
Contudo o fato de Sakura ter ficado próxima a Kakashi, lhe socorrido primeiramente e que ele a tenha salvo algumas vezes, não lhe passou despercebido. Fazendo uma nova anotação no papel alvo de seu caderno, o branquelo levou em consideração a repentina ideia que se passou em sua mente: Kakashi e Sakura já davam indícios de um romance muito antes da missão no País das Fontes Termais! Bem, ele não tinha provas consistentes, além de seus flagras quando ambos se olhavam (Kakashi olhava os pequenos seios da garota; e Sakura admirava o bumbum dele). Assim como tinha o fator Sasuke que entrava como uma ponta ao triângulo. Pois, para ele, com certeza o relacionamento além professor e aluna teve início durante a Guerra - que, aliás, a rosada e o prateado estiveram no mesmo esquadrão por tempo mais do que suficiente para começarem algo que ainda não terminara. E ele não duvidava que a Haruno só iniciou algo com o Uchiha por causa de alguma briga com Kakashi, afinal, um livro mesmo dizia que muitas mulheres costumam fazer ciúmes nos caras que amam após uma briga de razões tolas.
Sai ponderou, coçando o queixo calmamente. Talvez fosse muita informação de uma única vez, entretanto o pensamento de que seria bem melhor que Sakura o houvesse escolhido para causar ciúmes em Kakashi, ao invés de Sasuke, martelava em sua mente. Então, olhando o emaranhado de palavras e ideias em seu caderno, o branquelo simplesmente sacou o pergaminho de relatório, iniciando a sua própria narração e perspectiva acerca da atípica missão no País das Fontes Termais. Contudo, o seu sorriso débil em relação a sua exorbitante descoberta iluminou de uma maneira desconhecida.
Talvez ele pudesse ser melhor do que aqueles detetives excêntricos dos livros.
E, talvez, ele também pudesse descobrir mais sobre o estranho triângulo Gordona Sedução x Pintinho x Hinata. E isso, com certeza, daria um ótimo livro.
Evidentemente.
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Os olhos âmbares espreitaram-se consideravelmente. Havia um curioso clima tenso, mas os shinobis optaram pelo silêncio ao confronto. Mas, também, não sabiam nem mesmo como deveria confrontar, se é que deveriam, isto é. Kakashi engoliu em seco, um tanto avulso pela situação, enquanto Sakura enxugava as mãos suadas no short preto. Talvez eles nem precisassem estar ali, mas a palavra "talvez" já estava os incomodando de um tempo para cá, francamente.
A mulher apoiou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos. Remexeu-se sobre a cadeira estofada, para em seguida apoiar o queixo sobre as mãos e fitar os dois shinobis a sua frente. Com os olhos espreitados. Impaciente, ela pegou os cincos relatórios, espalhando-os pela mesa mogno. Olhos verdes os fitaram, de maneira dúbia, para logo se direcionar ao jounin prateado. Ela não sabia o que dizer, mas o silêncio que pairava pelo ar era pesado e amargo. Oh, o que diabos estava acontecendo?
— Sei que vocês estão se perguntando o que está acontecendo – a loira começou a falar, permanecendo na mesma posição. —, e pretendo se bastante breve. – os dois ninjas assentiram, incertos quanto o que exatamente estava acontecendo. — O que, diabos, aconteceu na última missão do Time Sete?
— Tsunade-shishou...
— São cinco relatórios, contando trapalhadas sobre a missão no País das Fontes Termais. – a Hokage voltou a se recostar na cadeira, mas não abandonou o olhar espreitado. — Era uma missão simples – comentou, cruzando os braços. —, até mesmo genins a completariam sem muito esforço.
— Houve certos imprevistos. – a rosada tentou justificar.
— Oh, já sei – a loira começou, voltando a se apoiar sobre a mesa. —, é muito complicado notar que, ao invés de uma quadrilha, os bandidos não passavam de uma dupla.
— Mas um deles valia por três. – o mascarado comentou, ignorando o olhar duro que recebeu como resposta.
— Como ia dizendo, ao que parece esses meses todos em que ficaram sem uma missão em equipe realmente afetou-os profundamente. – ela estalou a língua, maneando com a cabeça. Sakura olhou de relance para Kakashi, mas este estava ocupado demais observando alguma sujeirinha por debaixo da unha. — Começarei a discutir acerca da missão, mas antes disso há algo que vocês precisam me contar? – os ninjas apenas a fitaram, sem nada dizer e ela interpretou aquilo como um sinal de que deveria prosseguir, ou melhor, iniciar a discussão. — Certo. – falou, pegando os cinco relatórios em mãos. — Primeiramente, porque um episódio de uma fonte termal mista ganhou destaque em dois relatórios?
— A terma próxima a Yugakure? – a garota questionou, enquanto a Hokage apenas maneava com a cabeça. — Bom, Naruto queria parar no meio do caminho e eu não queria.
— Então Kakashi simplesmente acatou ao seu pedido? – arqueou uma sobrancelha loira, fitando o casal a sua frente.
— De certa forma, sim. – a moça confirmou, deixando de notar o estranho brilho que se passou nos olhos de sua Shishou. — É só isso que estranhou?
— Não. – respondeu, postando os cinco relatórios lado a lado. — Há outras coisas das quais mereçam uma retaliação, mas iremos por partes. – suspirou, massageando as têmporas. Fitou o casal mais uma vez, concentrando-se no que realmente importava naquele momento. — Notei certas divergências quanto ao nome da mulher que se passou por recepcionista, mas na verdade fazia parte da dupla criminosa.
— Divergência?
— Sim. – respondeu, pegando relatório por relatório. — Kakashi a chama de "voyeur"; Sasuke citou-a como "recepcionista balofa"; Naruto a chamou de "Ogra maldita"; e você, Sakura, nomeou-a de "Sensual Seduction". – ela os olhou séria, notando ainda haver um relatório em mãos. — Já estava me esquecendo, ainda falta o codinome usado por Sai, não é mesmo? – riu, pérfida. — Ele a chamou de: "Gordona Sedução/Chupe-chupe do Pintinho". – Kakashi olhou para o teto tentando se abster da ironia e Sakura falhou na tentativa de segurar o riso. — Isso não é engraçado, Sakura.
— Perdoe-me, shishou.
— Digam-me: isso é algum tipo de piada? – nenhum dos shinobis a sua frente responderam, embora aquilo não fosse uma pergunta retórica. — Acham graça em caçoar com a minha cara?
— Não. – a Haruno respondeu, notando que Tsunade apenas espreitou ainda mais os olhos. — Quer dizer, não vejo graça em caçoar da sua cara. – mas a loira continuava a lhe fitar quase que irada e Sakura apenas se encolheu sobre a cadeira. — Não que o objetivo fosse caçoar da sua cara... Me desculpe.
Tsunade apenas voltou a suspirar, massageando as têmporas. Definitivamente, a Hokage nunca imaginou que uma simples missão ranking C traria tais frutos. Aliás, maldita hora em que Naruto bateu em sua porta insistindo que o Time Sete necessitava de uma missão, uma vez que há muito estavam cada um preso em suas próprias missões e obrigações. Oh, ela deveria ter mandado o loiro encrenqueiro pastar, mas ela sabia que seria ainda pior. Pois, se por acaso negasse o pedido, com certeza ele tornaria a bater em sua porta de novo. E de novo. E de novo. E de novo.
Oh, maldita hiperatividade ninja!
— Certo – suspirou, passando as mãos pelos fios loiros. —, compreendo a razão de não gostarem dela, e mesmo arranjar um apelido, mas é cabível que no relatório usasse o verdadeiro nome dela, não acham?
— Sim. – Kakashi confirmou, maneando com a cabeça.
— E qual é o nome dela? – perguntou, notando como os dois shinobis apenas se fitaram rapidamente e, logo em seguida, desviando seus olhares para o teto. — Vocês não sabem, é isso? — permaneceram calados, e isso significava uma afirmativa à sua questão. — Por que, diabos, vocês não sabem?
Sakura olhou para Kakashi, com aquele mesmo olhar que algumas vezes lhe mandara durante a missão. Aquele que dizia algo como: Tudo está sendo irrelevante para mim. No entanto, embora o olhar fosse o mesmo, a mensagem era diferente. Parecia dizer algo como: Não a deixe cortar a minha cabeça! Salve-me! Salve-me!
— Ela não quis nos revelar, e apenas a entregamos para as autoridades locais, Tsunade-sama.
A jovem kunoichi suspirou, agradecendo mentalmente por seu sensei ter respondido a questão por ela. E, para ampliar o seu alivio, ao que parecia, Tsunade havia ficado satisfeita com a resposta que ouvira. Certo, talvez não fosse a resposta que desejava ouvir, mas parecia saciar a sua curiosidade seca. A loira voltou a juntar os relatórios, e Kakashi apenas se perguntou o que de tão interessante havia em ora ficar arrumando-os sobre a mesa ora acumulando os cinco papéis em mãos. Talvez fosse apenas um "tique", ele imaginou.
— Shishou – a moça começou a falar, enxugando as mãos suadas na roupa. Suas mãos sempre transpiravam quando estava nervosa e, agora, evidentemente, não seria diferente. —, não querendo contrariar os seus pensamentos, longe disso, porém me pergunto por que apenas Kakashi-sensei e eu fomos convocados? Por que não chamou os outros?
— Porque, de certa forma, você foram os que mais concordaram durante os relatos, embora ainda haja algumas coisas que não. – respondeu, separando três relatórios. — Além do mais, tenho outros assuntos para tratar apenas com vocês. – sorriu, e a rosada sentiu o seu sangue congelar. Tentando procurar um riso conforte de seu sensei, apenas o encontrou observando uma outra sujeirinha por debaixo de uma outra unha. — Há algo que vocês desejam me contar?
Os dois shinobis se olharam, porém, não trocaram nenhuma palavra ou mesmo um olhar que durasse mais do que alguns milésimos.
— Não, shishou.
— Certo, então seremos breves. – comentou, pegando um pergaminho dos três que havia separado. — Naruto afirma que vocês – olhou para o casal a sua frente, completando. — estão namorando.
— Como é?
— É exatamente isso o que você escutou, Sakura. – levando o papel para uma posição que privilegiasse, a Godaime passou a ler as palavras usadas por Naruto. — "Infelizmente o 'O plano' não me trouxe os resultados almejados, de modo que a Sakura-chan e o Kakashi-sensei começaram um relacionamento. As coisas saíram do controle, tô certo." – terminou de ler o trecho que grifara, voltando a fitar o casal a sua frente que apenas trocavam estranhos olhares. Talvez cúmplices? Ou seria assustado? — E então? O que me dizem sobre isso?
O Hatake até pensou em negar e desmentir o que Naruto havia relatado, porém, ele não sabia qual era o desejo de Sakura – de continuar com a farsa ou revogar a mentira. Além do mais, ainda havia a faxina em seu apartamento e, sinceramente, por ela não se importaria em mentir para a Hokage. Seu apartamento andava numa desordem que ele próprio não sabia o que fazer. Sakura parecia uma moça bem organizada, talvez soubesse como ajudar, não é mesmo?
— Naruto está equivocado, shishou. – a garota falou e o prateado a olhou logo em seguida. E, obviamente, o olhar não passou despercebido pela mulher loira. — Kakashi-sensei e eu não começamos a namorar por causa desse plano estúpido.
— Então você confirma o que o Uchiha diz?
— O que exatamente ele diz?
— Segundo ele: "Sakura inventou um suposto namoro com Kakashi apenas para se vingar do ridículo plano de Naruto. Evidentemente o retardado acreditou na farsa, assim como Sai, mas tudo não passa uma mentira ridícula." – a mulher notou a maneira como a rosada deixou a sua boca se abrir, não emitindo som algum, e como Kakashi apenas suspirou desanimado. — Ele está certo?
— Não.
— Não? – arqueou uma sobrancelha assim como o mascarado o fez, olhando para a garota de cabelos róseos. — O que quer dizer com isso, Sakura?
— Que começamos antes, shishou.
E, então, Kakashi praticamente engasgou, chamando a atenção da kunoichi. E, então, ambos ignoraram um adverso sorriso que brotou nos lábios da Hokage.
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— Não há nenhum copo de vidro por aqui, Shizune?
A mulher subiu seus olhos da papelada a sua frente, fitando curiosamente o loiro hiperativo.
— Não. – respondeu, voltando a atenção para os pergaminhos. — São normas.
— Sério? – perguntou, enquanto olhava para um quadro esquisito, no qual mais lhe parecia um gato cor-de-rosa atropelado no asfalto, enquanto um raio passava por detrás do desastre. Fez uma careta enojada voltando a falar com a morena. — São proibidos os copos de vidro por aqui?
— Sim, sim. – confirmou a morena, passando alguns pergaminhos para um lado. — Ao que parece – olhou-o divertida. —, algumas pessoas ainda insistem em fazer aquele velho e burlesco truque do copo, sabe.
— Truque do copo? – indagou, olhando para os demais companheiros. — Não sei que truque é esse, Shizune.
— Oh, é aquele, você sabe. Em que se coloca o copo contra a parede e escuta o que está sendo dito do outro lado.
— Ah, sim. – soltou um riso encardido, andando mais um pouco e parando em mais um quadro de horror. Havia o desenho de um grilo esmagado sobre algum arco-íris e aparentemente havia um esquilo observando o inseto esmagado. Não fazia muito sentido para ele, mas não se importava de qualquer forma. — Mas pensei que era usado um copo de plástico ou descartável, sabe.
— Não. – ela sorriu, separando outros pergaminhos. — Na verdade deve-se pegar uma taça limpa e a pressionar contra a parede. O formato de cone auxilia a trazer o som e a conectá-lo no cabo da taça.
Naruto olhou para Sai, que sorria feito um retardado fingido, estava certo disso. Impaciente, Naruto voltou a se sentar de fronte a Sasuke e ao lado de Sai. O clima estava estranho, segundo o Uzumaki. Mal havia voltado à Konoha, aliás, chegaram do País das Fontes Termais há dois dias, mandaram seus respectivos relatórios e, durante a manhã de hoje, foram simplesmente convocados a uma reunião com a Hokage. Entretanto, aquilo era estranho, muito estranho. Pois, apesar da equipe toda ter sido convocada, apenas Kakashi e Sakura foram chamados para a sala de Tsunade. E, oh, como ele queria saber o que se passava naquela maldita saleta!
— Hey, palmito-Sai? – sussurrou ao colega que estava sentado ao seu lado, fitando os quadros assombrosos na parede. — O que acha que está acontecendo?
— Na sala da Hokage?
— Não, Sai, na prisão da Sensual Seduction. – falou irônico, troçando da pergunta do colega.
— Hmm pelo visto já está sentido saudades do seu chupe-chupe, não é Pintinho?
— O quê?! – gritou exacerbado, se contendo ao notar o olhar repreendedor de Shizune. — Não fale bobagens, seu transparente de uma figa! Aquela gorda não era o meu chupe-chupe!
— Oh, compreendo. – falou o branquelo, coçando o queixo. — Você é quem dava o chupe-chupe nela.
— Mas hein?! Eu te mato seu palmito desbotado de uma figa! – gritou novamente, agarrando o pescoço claro do colega, mas fora contido com uma agenda que lhe jogaram na cabeça. Foi Shizune. — Hey!
— Estamos na Torre Hokage, se por acaso ainda não percebeu, Naruto. – a mulher falou, levantando-se para pegar a agenda de volta. — E é proibido escândalos por aqui! – repreendeu, murmurando para si logo em seguida. — Além dos escândalos da própria Hokage.
Naruto se calou, cruzando os braços e fazendo um bico irritado. Ele não olharia para Sai, então, apenas olhou para frente. Contudo, a cara de bunda branca e azeda de Sasuke apenas fez a sua irritação aumentar. Aquele maldito o fitou de maneira onipotente e como aquilo o abespinhou, por Kami! Começou a batucar os pés, passando então a admirar o chão, mas uma lesminha verde-catarro também fez o seu ódio aumentar. Sentindo o garoto palmito lhe cutucar as costelas, o loiro o fitou de esguelha, arqueando uma sobrancelha.
— O que é, Palmito? – o outro não lhe respondeu, apenas fitando-o profundamente. Sua irritação apenas aumentava e se por acaso o outro continuasse a lhe olhar de tal maneira, oh, ele daria um belo soco no meio das fuças transparente daquele bastardo. — O que foi?
— Eu não sei. – o ninja desenhista deu de ombros, pegando o livro que trouxera. — Aqui diz que a irritação é o prelúdio de várias doenças, Pintinho.
— Oh, sério? – fingiu interesse, mas ainda desejava quebrar a cara daquele transparente encardido de uma figa. — Qual tipo de doenças, Palmito?
— São muitas, sinceramente. – comentou, abrindo o livro. — Mas pela sua cara e o jeito em que você está já até sei quais poderiam ser.
— Mesmo? – agora o loiro se interessou, afinal, desde a última missão, de fato, sentiu-se mais irritado do que o costume. — E quais são elas?
— Prisão de ventre, hemorroidas e ejaculação precoce.
O transparente sorriu e tudo o que o loiro mais desejou é que o maldito simplesmente sumisse. Ou que simplesmente pudesse dar um soco nele e quebrar os seus dentes, é claro.
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Os olhos âmbar espreitaram-se consideravelmente. Havia um curioso clima tenso, mas os shinobis optaram pelo silêncio ao confronto. Mas, também, não sabiam nem mesmo como deveria confrontar, se é que deveriam, isto é. Kakashi engoliu em seco, um tanto avulso pela situação, enquanto Sakura enxugava as mãos suadas no short preto. Talvez eles nem precisassem estar ali, mas a palavra "talvez" já estava os incomodando de um tempo para cá, francamente.
A mulher apoiou os cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos. Remexeu-se sobre a cadeira estofada, para em seguida apoiar o queixo sobre as mãos e fitar os dois shinobis a sua frente. Com os olhos espreitados. Impaciente, ela pegou os cincos relatórios, espalhando-os pela mesa mogno. Olhos verdes os fitaram, de maneira dúbia, para logo se direcionar ao jounin prateado. Ela não sabia o que dizer, mas o silêncio que pairava pelo ar era pesado e amargo.
E era como se estivessem em um déjà vu, também.
— Então nem Naruto ou mesmo Sasuke estão certos? – a mulher indagou, recebendo um manear incerto da pupila e o silêncio do mascarado. — Bom, agora vamos ao que Sai relatou, e admito que fiquei bastante intrigada com isso.
— Espero que aquele palmito não tenha dito bobagens. – Sakura murmurou, cruzando os braços.
— Não creio que ele diria algo insensato, Sakura. – o Hatake falou, sorrindo para a menina.
Ela lhe sorriu de volta e ele, aproveitando-se da distração da Hokage falou algo sem emitir som. A garota fez uma leitura labial e depois de certo tempo é que realmente compreendeu o que as três sílabas significavam. FA-XI-NA. Revirou os olhos, cruzando os braços emburrada.
— Segundo Sai – a loira começou, pegando os dois ninjas de surpresa. — "A Feiosa gemia feito uma Tigresa na menopausa." – ela segurou o riso e Sakura percebeu, emburrada. — "Eles se aproveitaram da desculpa do veneno para acasalarem feito um casal de tigres, evidentemente. Porém, a Feiosa não sabe nem rugir." – a mulher parou, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha. — O que ele diz é verdade?
— Não. – o Hatake respondeu, e os ombros da garota pareciam ter perdido um peso. E, então, ele completou. — Ela não é mais uma tigresa, agora é uma pantera.
— Uma pantera? – a loira questionou, cruzando os braços. — Negra?
— Cor-de-rosa. – o ninja tornou a falar, recebendo um beliscão de sua aluna.
— Uma pantera cor-de-rosa? – franzindo o cenho, Tsunade apenas encarava a garota que se sentia cada vez mais constrangida. Ora, deviam estar tratando de algo mais sério, não sobre as ridículas piadas de Kakashi! Talvez a Shishou realmente estivesse decepcionada com a pupila e Sakura sentiu-se morrer com a cara estranha que a mulher lhe mandava. O que aquilo significava? — Bom – começou, encolhendo os ombros. —, até que são parecidas.
— Oi?
Não, ela não se parecia com a pantera cor-de-rosa!
— Enfim, vocês disseram que começaram a namorar antes da missão, e nisso Sai acertou, aparentemente. – pegou mais uma vez o pergaminho, lendo uma citação em específico. — "Não é apenas pela Feiosa ser desprovida de beleza (e peitos) que significa que ela não tenha homens ao seu enlace. É difícil de acreditar, mas tenho certeza mais do que absoluta que o relacionamento amoroso e sexual dela com Kakashi-san teve inicio durante a Guerra. Não tenho provas consistentes, mas garanto não estar mentindo. Sasuke foi apenas um fantoche nas mãos daquela tigresa na menopausa, e Kakashi é o seu atual e viril objeto sexual." – a Godaime segurou o riso, mandando um olhar sério ao casal que a admirava com os olhos levemente abertos. — Começaram, então, o relacionamento de vocês durante a Guerra?
— Shishou...
— E Sakura tinha apenas dezesseis anos! – exclamou, dando um soco sobre a mesa. Ameaçou Kakashi com um olhar e ele apenas engoliu em seco. — Sabe que isso é considerado pedofilia segundo as nossas leis.
— Hokage-sama...
— Eu posso te prender por isso, Kakashi.
— Shishou.
— A menos...
A mulher se calou, e os dois shinobis pareciam apreensivos com o que ela tinha para dizer.
— A menos...? – e menina questionou, apoiando-se sobre a mesa.
A Godaime sorriu, recostando-se sobre a cadeira estofada.
— A menos que eu faça valer o artigo 15775.3-5.
— E o que diz esse artigo? – ela perguntou, mas a mulher apenas sorriu para o Hatake.
— Havendo abuso sobre um(a) menor e que este(a) tenha consentido, o agressor terá de desposá-lo. – o Copy Ninja disse, enquanto a menina tentou exclamar algo, mas se calou ao notar que ainda havia mais alguma coisa a ser dito. — E como uma forma de pedir perdão à Vila, um filho deverá ser gerado no prazo de um ano.
— O quê? – olhou para o sensei e logo em seguida para sua shishou, mas ambos estavam sérios. Na verdade, havia uma expressão indecifrável na loira, porém foi na face de Kakashi que ela se prendeu. Era a mesma de quando ele descobriu a maneira de extrair o veneno da Sensual Seduction. E, também, ele jazia taciturno, como esteve na cela. — Eu não fugi de um casamento para cair em um outro. – disse consigo mesma, e o mascarado a olhou curioso. — E de volta a essa história de filho?
Tsunade a olhou curiosa, enquanto Kakashi aproveitou da brecha para, enfim, falar algo em sua defesa.
— O nosso relacionamento não começou durante a Guerra, Hokage-sama. – o prateado falou convicto.
De forma a acreditar na própria mentira.
— Oh, não? – a dona de orbes âmbar questionou sarcástica. — Conte-me melhor essa história, Kakashi.
— Bom – ele coçou a nuca, fingindo estar deixando a memória voltar (mas na verdade estava apenas formulando melhor a mentira). —, Sakura e eu apenas nos apaixonamos durante a Guerra.
— Interessante. – sorriu. — Continue.
— Mas não admitimos o que sentíamos a nenhum de nós. – olhou para a garota, que o fitava de cenho franzido. — Não admitíamos a ninguém, é claro.
— Realmente interessante. – a loira apoiou-se na mesa, olhando para a kunoichi. — Concorda com o que Kakashi afirma, Sakura?
— Hai, shishou.
— E quanto ao Sasuke? – a mulher averiguou, lançando um olhar sério ao suposto casal. Os dois se olharam rapidamente, e, desta vez, Kakashi parecia não ter exatamente uma resposta (mentirosa) na ponta da língua. A Hokage arqueou uma sobrancelha, desgostosa por conta do silêncio. — Acho que eu fiz uma pergunta. – comentou, sorrindo. — E exijo uma resposta.
Sakura deu leve estalo na língua, suspirando derrotada.
— Então – enxugou as mãos no short escuro, engolindo em seco. —, digamos que eu simplesmente não queria aceitar os meus novos sentimentos, e depois que o Sasuke-kun voltou, bom, eu achei mais sensato namorar com ele a tentar algo com o meu sensei. – escorregou uma mecha rosa para trás da orelha, suspirando. — A senhora entende?
— O que significa que Sai tem razão?
— De que Sasuke foi apenas um fantoche nas mãos dela e eu sou o atual e viril objeto sexual de Sakura? – o prateado indagou, cruzando os braços. — Talvez sim, embora não com essas palavras.
— Não – respondeu com uma careta – Sasuke não foi um fantoche em minhas mãos! – a garota exclamou, beliscando as costelas do sensei.
— Mas eu sou o seu atual e viril objeto sexual, amor. – ele comentou, desviando de um ataque de beliscões.
E a Hokage percebeu que o seu plano praticamente já estava encaminhando, sem ela muito se esforçar. Aliás, ela nem se esforçou, diga-se de passagem. Mas ainda haviam coisas, ou melhor, questões a serem levantadas, e ela não perderia tempo pensando em lances em prol de Konoha.
— Há, também, outra coisa que me deixou intrigada. – comentou, notando o casal retomar a compostura, fitando-a sérios. — Por que apenas vocês dois não citaram em seus relatórios que o veneno era na realidade soro? – os dois ninjas continuaram sérios, praticamente sem piscar, também. — Isso realmente não é uma pergunta retórica, para a informação de vocês.
Era tudo o que os dois mais desejavam que fosse, no entanto.
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Naruto batucou mais uma vez os pés, assobiando algo sem muito som, porém com muita baba e respingos. Ele não havia dado o merecido soco em Sai, no entanto borrifava saliva no branquelo como um modo de castigo – ainda que o outro parecesse não se importar. Sasuke continuava com a sua habitual cara de bunda, e o Uzumaki ponderava se não era o Uchiha que jazia com as doenças que Sai apontara. Prisão de ventre, hemorroidas e ejaculação precoce. Hm, ele nunca havia pensado sobre tal assunto, mas parando para analisar, talvez fosse desse mal que o esquisitão de cabelos num formato de bunda de galinha sofria.
Alisando o queixo, o loiro hiperativo ponderou consideravelmente sobre o amigo.
Sasuke era um cara esquisito e não se abria facilmente – ou melhor, nunca, aparentemente. E, pelo tempo em que passavam juntos, o Uchiha nunca frequenta o banheiro, o que talvez pudesse evidenciar a prisão de ventre. O loiro fez uma careta, recordando-se do quão ruim é estar numa situação como essa (pois ele mesmo já esteve). Depois, fitando disfarçadamente o colega, concluiu que Sasuke não tinha hemorroida. Não, ele não tinha. Ele teve, estava certo disso. Bom, não que apenas batendo o olho no cara mal-humorado a sua frente fosse possível dar tal diagnóstico, mas havia certa evidência que comprovaria as suas suspeitas: o estranho laço lilás que o Uchiha usava em seu traseiro. Não que o Uzumaki passasse o tempo olhando para aquela coisa excentricamente Uchiha, é claro que não! Contudo, era difícil não notar aquela coisa gigante, isto é.
E sobre o último sintoma? Bom, não era ele quem sabia ou poderia provar, mas também havia outra evidência: Sakura-chan. O que ela tem a ver com a ejaculação precoce do Uchiha-bastardo? Sinceramente, Naruto nem queria pensar muito sobre o assunto, mas ele desconhecia alguma outra razão que a fizesse dar um pé na bunda (curada de hemorroidas) do cara. O loiro ponderou mais um pouco, franzindo o cenho na direção do colega. Talvez Sasuke estivesse passando por mais dificuldades do que muitos imaginavam, e talvez ele devesse ajudar o pobre Uchiha.
— Hey, transparente? – sussurrou ao outro que jazia ao seu lado. O ninja desenhista o olhou e Naruto franziu o cenho ao notar que ainda havia gotículas de sua baba na face do branquelo. É claro que ele ficou enojado, mas não tinha tempo para falar do seu cuspe na cara do transparente-nin. — Acho que o Teme se encaixa nas descrições de doenças que você havia me dito.
— Hm.
O Uzumaki continuou fitando o desenhista, arqueando as sobrancelhas para cima e para baixo repetitivamente. O outro apenas bocejou, passando mais algumas páginas de seu livro. Ele havia trazido dois que eram: "Homens são de Marte e as mulheres de Vênus!" e "Os estranhos males do cara moribundo, deitado na sarjeta, com hemorroidas e frieiras, dentre outras doenças". Eram livros distintos, mas bastante interessantes, ele achava. E, naquele momento, ele lia o primeiro, de tal modo que se recusava a pensar em coisas sobre o segundo. Afinal, não queria confundir as ideias de um com as do outro. Imagine! E se por acaso ele fique pensando que as mulheres de Vênus têm hemorroidas? E os homens de Marte, ejaculação precoce? Bom, não que sejam fatos impossíveis, mas não era sobre isso que o livro se tratava, afinal de contas.
— E então? – o loiro questionou.
— O quê? – o outro falou, não olhando para o Uzumaki.
— Eu disse que o Sasuke-teme está com aquelas doenças que você havia dito que eu tinha. – disse o loiro, sussurrando.
— E eu disse: Hm. – sussurrou, também.
— Hein? – franziu o cenho, tomando o livro do branquelo. Sai tentou recuperá-lo, mas Naruto se aproveitou e pegou o outro. — E agora, o que me diz?
— Que aqui parece haver revistas interessantes! – exclamou, fazendo Naruto jogar os dois livros no chão e migrar para o lado do Uchiha. Sai apenas deu de ombros, murmurando o nome do colega. — Pintinho.
Cruzando os braços e fazendo um bico colossal, o loiro passou fitar o teto. Sasuke, ao seu lado, parecia um cadáver. Mudo e petrificado. Fitando o Uchiha, o loiro apenas franziu o cenho recordando-se dos pensamentos que tivera há pouco. O rapaz branco de cabelos negros jazia ao seu jeito cubo-de-gelo-Uchiha-de-ser, o que também significava, na mente loiro do Uzumaki, que aquela era a maneira do esquisito o venerar. Pois, sim, Naruto era o melhor e, evidentemente, Sasuke sabia disso (ainda que não admitisse). Naruto sorriu, voltando a contemplar o teto. Porém, não ficou satisfeito. Então, gargalhou histericamente, chamando a atenção de todos que estavam presentes na recepção da Torre Hokage.
E, então, se conteve ao notar o olhar de esgueira do Uchiha. Ou seria um olhar que sofria pela prisão de ventre e pela ejaculação precoce?, perguntou-se.
— Teme – começou a falar, não recebendo nenhuma resposta ou mesmo um olhar de atenção. Mas resolveu continuar. —, você anda bastante irritado de uns tempos para cá. Mais do que o costume, na verdade. – o outro continuou em silêncio, e Naruto virou-se na direção do colega, fitando-o sério. — Isso pode ser o prelúdio de doenças, Teme. – uma sobrancelha negra se arqueou, e, enfim, Sasuke se permitiu olhar para o loiro (retardado, em sua opinião). — E doenças sérias, diga-se de passagem.
Houve um breve silêncio, e Naruto piscou algumas vezes, admirado pela capacidade de não piscar do Uchiha.
— E quais são elas? – o moreno perguntou, com o seu tom evasivo.
O Uzumaki apoiou-se em seus próprios joelhos, aproximando-se ligeiramente do moreno. Aquilo era um assunto delicado, de certa forma. E ele não ficaria surpreso se descobrisse que essa tenha sido a causa de Sakura ter dado um pé na bunda do amigo emburrado. Talvez tenha sido muita pressão para a pobre. E ter um namorado com tais males e que não assume, oh!, pode ter sido demais para a jovem kunoichi. Naruto não julgaria a colega por ter deixado Sasuke, ela tinha todo o direito por tal, mas o Uchiha não poderia se entregar ao marasmo – embora parecesse que ele sempre esteve mesmo antes do pé na bunda.
— Doenças sérias. – falou o loiro, enquanto o moreno fazia um sinal com as sobrancelhas como se lhe pedisse para continuar a falar. — Doenças como: prisão de ventre, hemorroidas e ejaculação precoce. – o Uchiha franziu o cenho, numa expressão exasperada, e, para Naruto, a negação e descrença são os primeiros sintomas. — Embora eu ache que você não tenha mais hemorroidas, Teme.
— Dobe. – Sasuke falou, piscando calmamente.
— Não se preocupe, ajudarei você passar por esse momento difícil, amigão! – tentou abraçar o colega, que simplesmente se afastou. — Também prometo não contar a ninguém. – o outro revirou os olhos, e Naruto interpretou aquilo como o jeito ninja de Sasuke de ceder. — Principalmente sobre a sua ejaculação precoce!
No entanto, o loiro, evidentemente, falou mais alto do que deveria e o estranho assunto não passou despercebido por Shizune e Sai, que riram discretamente. Naruto até pensou em se desculpar, mas havia um olhar iradamente raivoso em Sasuke e o loiro simplesmente preferiu não arriscar. De modo que, a passos largos e ligeiros, voltou ao seu antigo assento, ao lado de Sai (que continuava com resquícios de cuspe na cara, para o nojo do Uzumaki). Talvez ele devesse apenas ficar quieto, sentado em seu lugar, e esperar pela saída de Kakashi e Sakura do escritório. E era isso o que faria.
Mas não por muito tempo.
A porta se abriu e, como um flash cor-de-rosa, Sakura saiu de dentro da saleta, avançando em na direção do loiro. Oh, ele estava morto! E, oh!, ele não sabia a razão! Porém, enganou-se redondamente. A Haruno não avançou em sua direção, não, mas é claro que não. A moça de cabelos róseos e olhar colérico, avançou em direção de Sai, puxando-o pelo colarinho. Ergueu-o em uma dificuldade nula, batendo-o contra a parede. Suas mãos que, aparentemente eram delicadas, fecharam-se num punho exacerbado que quase "encostou" na face pálida do garoto palmito. Porém, foi impedida a tempo por Kakashi que, como um relâmpago, postou-se atrás da aluna/pseudo namorada/ tigresa/pantera – eram muitas descrições que cabiam à Sakura em relação à Kakashi, mas Naruto sentia por necessidade se lembrar de cada uma. Sai sorriu de maneira pérfida, como o habitual, e Kakashi realmente teve de fazer força para tirar a aluna de cima do garoto alvo.
— Seu palmito desgraçado! – a rosada gritou, quando já estava a alguns metros de distância, sendo segurada por Kakashi. — Pare de inventar fofocas e comece a pegar um bronzeado!
— Oh, a minha melanina é muito sensível. Além disso, é impossível eu me bronzear, Feiosa. – deu de ombros, voltando a se sentar.
— O que houve para te deixar tão zangada, Sakura-chan? – o Uzumaki perguntou, cauteloso. Afinal, não desejava receber o mesmo tratamento que o palmito.
A garota até pensou em dizer que, por causa das maluquices de Sai, Kakashi quase foi preso por pedofilia ou pior! Ela quase teve de se casar e ter filhos num prazo menor do que um ano! Não, aquilo era um absurdo dos maiores! Entretanto, teve de engolir o sapo e fingir que tudo não passava de um mau humor corriqueiro, pois Tsunade estava na porta assistindo o escândalo da aluna de cabelos cor-de-rosa. Oh, como Sakura desejava tornar o Sai, o palmito, em Sai, o presunto! Mas teve de se controlar e somente depois de alguns segundos é que percebeu que ainda estava sob o enlace de Kakashi – e que ela estava praticamente sendo "encoxada" por ele.
E, novamente como em um flash cor-de-rosa, a garota se afastou. Assim como Naruto e Sai se afastaram dela. Ela até pensou em apontar o dedo indicador para cada um dos cretinos ali presentes. Até mesmo a Kakashi, pois, afinal, como puderam descrever a trágica missão no País das Fontes Termais como uma comédia ao nível pastelão? Oras, apesar dos pesares, foi uma missão séria e aqueles bakas não deviam ter fugido da seriedade que deveria haver. Ironizar o estranho drama vivido por ela e Kakashi na maldita cela da Sensual Seduction? Acusá-los de já terem um relacionamento antes mesmo da missão, durante a Guerra? Dar mais atenção aos sons emitidos por ela do que nas informações que a maldita balofa tinha para dar? Argh! Pelo visto somente ela deu atenção aos detalhes que realmente importavam para a missão ao invés do (falso) relacionamento amoroso dela com o Hatake.
— Sakura está com raiva, pois exijo um novo relatório. – falou a Godaime, próxima a mesa de Shizune. — Não é mesmo, Sakura?
— Hai. – a moça respondeu, fitando os próprios pés.
— E por que vocês ficaram todo esse tempo em reunião? Era apenas para pedir isso? – o Uzumaki perguntou, cruzando os braços. — E por que somente o Kakashi-sensei e Sakura-chan foram convocados?
— Porque não lhe interessa. – a loira respondeu ríspida, mandando um olhar duro para todos na recepção. Até mesmo para Shizune, que não tinha nada a ver com a sua exaltação. — E eu quero esse relatório para hoje à tarde.
E, assim, a mulher voltou para o seu escritório, fazendo quase que todo o prédio tremer ao bater a porta. O Time Sete trocou olhares disjuntos e Shizune apenas deu de ombros, voltando a sua atenção aos pergaminhos em sua mesa.
— Não precisamos mais do que uma pessoa para refazer o relatório. – Kakashi falou, cruzando os braços.
— Mas é provável que não haja um voluntário por aqui. – Sasuke comentou.
— E o que faremos, então? – questionou Sakura.
— O que a gente sempre faz em momentos como esse. – o Hatake tornou a falar.
— Joquempô. – Naruto comentou.
Embora Sai preferisse chamar o jogo de Pedra, Papel e Tesoura.
Levaram uma mão fechada para o alto, balançando-a rapidamente e, em uníssimo, disseram a palavra mágica: Joquempô! Todavia, a maioria dos rapazes já sabia exatamente qual elemento jogar, uma vez que Sakura sempre usava o mesmo. Kakashi, Naruto e Sasuke estenderam uma mão fechada, enquanto Sakura exibia dois dedos e Sai, três. Os quatro ninjas fitaram Sai, cada um com a sua maneira perplexa de ser. O garoto pálido sorria, e isso deixava as coisas ainda mais confusas.
— O que diabos significa isso, Palmito? – o loiro perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Um tridente! – exclamou, enquanto lançava a mão, ou melhor, os dedos que simbolizavam as pontas do tridente, para cima e para baixo.
— No jogo se usa apenas pedra, papel e tesoura. – a rosada alertou, batendo na mão do garoto. — Não há essa coisa de tridente, idiota.
— Mas um livro dizia que é muito interessante, criativo e empreendedor. – respondeu, fazendo todos revirarem os olhos.
— De qualquer forma, o Palmito-nin e a Sakura-chan perderam. – o loiro explanou, sorrindo. — Então eles farão o novo relatório da missão.
— Como é?! – a garota se exaltou. — Devíamos todos fazer juntos!
— Só diz isso porque perdeu. – o loiro falou, maneando com a cabeça para os lados.
— Ora, seu! – a garota até tentou retaliar, porém, foi contida por seu sensei. — Kakashi-sensei...
— Eu sinto muito, Sakura.
No entanto, mesmo que sentisse, ele não estava a fim de refazer um relatório sobre uma missão estúpida. Além do mais, Sakura pareceu a mais fidedigna em seu relato sobre a missão, ainda que tenha omitido certos detalhes. Mas tudo bem para ele, pois Sai estaria com ela para ajudá-la – e também perturbá-la, claro. E então, desanimadamente, a rosada aproximou-se de Sai, com os ombros caídos e uma faceta quase que morta.
— E então? – o ninja pálido indagou, sorrindo. — Iremos para a minha casa ou para a sua?
Ela não o respondeu de imediato, uma vez que achou que o inferno seria bem melhor de se enfrentar do que estar junto dele.
Na toca do palmito.
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Não havia muito tempo que o Time Sete, finalmente, havia partido da Torre Hokage. Contudo Shizune esperou terminar a própria tarefa para poder falar com a Godaime. Levantando-se calmamente, a morena seguiu em direção da sala principal, abstendo-se das habituais batidas. Entrou, sem se anunciar, e Tsunade não pareceu surpresa por seu ato.
— Ainda aprecio bons hábitos. – a loira falou, acomodando-se na cadeira.
— Você não fez o que eu penso que fez. Ou não fez?
— Eu não sei o que você pensa, muito menos sei se o que eu fiz condiz com os teus pensamentos, Shizune.
A morena suspirou, acomodando-se em uma das cadeiras de fronte a mesa da Hokage loira.
— O Conselho continua te pressionando, Tsunade-sama?
— E quando não esteve? – resmungou, cruzando os braços sob os seios fartos.
— E acha que desta vez dará certo?
— Sim. – a loira sorriu. — Pois desta vez eu tenho um plano. – a morena arregalou levemente os olhos, talvez surpresa, ao que parecia. Todavia ainda era cedo, afinal, ela ainda iria botar as cartas sobre a mesa e, neste jogo, ela não perderia. Não mesmo. A morena já estava se preparando para sair quando Tsunade lhe chamou. — Convoque Yamanaka Ino, urgentemente.
— Hai, Tsunade-sama.
Não, desta vez daria certo, ela tinha certeza disso!
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:: Próximo capítulo: Lenha na fogueira ::
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N/A: bem, não sei nem por onde começar. Aos leitores que por aqui ainda habitam (e acompanhavam a fic), por favor, me perdoem.
Pessoas, estou voltando aos poucos, porém o objetivo é apenas terminar o que deixei em aberto. Talvez eu também retome a tradução de Uma Lição de Química, postada no Tradutoras Ponto Com, junto com a Kahli Hime, mas ainda não entrei em contato com ela e tenho por objetivo terminar O Plano.
Pretendo terminar essa fanfic neste ano, com atualizações mensais (eu ouvi um amém?). Além dela, também estou postando um projetinho que estava engavetada há uns cinco anos rs. Quem quiser conferir, chama-se Intrínseco e também é kakasaku 3
Comentários foram e continuam a ser bem-vindos e apreciados! :D
