Xinapah! Eu sei, eu sei! Muuuuiitoo atrasada!
Desculpem-me, muito trabalho!
Mas está aqui mais um capítulo e vou tentar postar outro mais rápido.
Já sabem... As partes em itálico são os "flashbacks"
O par olhou um par o outro, sem prenunciar uma palavra, agradecendo por ainda estarem vivos. Em circunstancias normais, seriam voadores soberbos no entanto, com reduzidas capacidades motoras quem sabe o que poderia ter acontecido. Ginny abanou a cabeça, na tentativa de afastar o pensamento e inspirou profundamente, "Bem, acho que está na hora de ir ao campo."
"Parece que sim.", concordou Draco e dirigiram-se os dois para a entrada principal da escola.
Ginny só se apercebeu de quão frio estava e do quão pouco vestia quando chegaram lá fora. Suprimindo um arrepio e suspirando resignadamente, continuou a andar com o seu companheiro louro.
"Toma.", disse ele, cobrindo-a também a ela com a capa que estava por cimas dos seus ombros. Draco pensou que havia algo familiar em estar "enrolado" com Ginny mas devia ser somente a sua imaginação.
Era a mesma capa que tinha acabado nas roupas de Ginny na noite passada e, agora, ela tinha ideia do porquê. Porém, estar tão próxima da pessoa com quem tinha dormido a noite passada não facilitava o seu pensamento racional. A beleza do rapaz, também não ajudava.
"Obrigada.", foi todo o que ela conseguiu dizer, aconchegando-se a ele para que a capa a pudesse cobrir por inteiro.
Acabados de chegar ao campo de Quidditch, Ginny olhou em redor, esperando ver algo que lhe avivasse a memória. Quando o seu olhar pousou no armário das vassouras, viu um pedaço de azevinho pendurado por cima da porta. Quando chamou a atenção de Draco para ele também observar o cenário, ele riu, lembrando-se dos eventos que se desenrolaram no campo na noite anterior.
Eles faziam o caminho até ao campo de Quidditch, enrolados na capa de Draco. Ele não tinha realmente frio mas gostava de ter os braços à volta da cintura dela. Quando ela se aproximava, o seu cabelo vermelho fazia-lhe cocegas no pescoço. Pouco depois de chegarem, a Gryffindor quebrou o abraço e correu rumo ao ármario das vassouras. Ele partiu atrás dela, agarrando-a pela cintura. Draco inclinou-se mas, em vez dos lábios dela, encontrou a ponta dos dedos de Ginny. Ela afastou-se como que dançando e agarrou duas vassouras.
"Ganhas um beijo se me conseguires vencer numa vassoura.", desafiou-o, com excitação brilhando nos seus olhos. Entregou uma das vassouras a Draco antes de levantar voo na restante.
"Está apostado", Draco aceitou o desafio e voou até ficar ao mesmo nível que ela. Também lhe atirou a capa para ela não voltar a ter frio.
Draco descobriu, então, que jogar na posição de chaser enquanto se está bêbedo é bastante difícil. Para começar, ele nunca tinha jogado com a quaffle para a qual Ginny parecia ter uma habilidade inata. Ela fê-lo voar em círculos por uma hora antes de, por pena, marcar o ponto decisivo.
Quando aterraram, Ginny ria-se da performance de Draco e ele não a podia criticar, deve ter parecido realmente estúpido lá em cima. Enquanto ela estava ocupada a imitar o terrível desempenho de Draco, ele planeava uma maneira de ganhar aquele beijo. Sabia que tinha perdido o jogo, mas ele era um Slytherin e um Malfoy, o que é que coisinhas sem importância, como regras, importava?
"Ahh, não te sintas mal Draco, continuas a ser um melhor seeker que eu.", assegurou-lhe Ginny, enquanto enrolava o braço no dele. Estavam a andar de volta ao armário para pousar as vassouras quando ele teve uma ideia.
Depois de arrumarem as vassouras, Draco agarrou Ginny pelo braço.
"Acho que não…", provocou-o ela, "Eu ganhei portanto não te dou um beijo."
"Mas estamos debaixo de azevinho", respondeu ele, sem nada fazer para esconder o seu sorriso satisfeito.
"Quando é que fizeste isso?", perguntou Ginny, olhando para cima de uma forma que Draco achou irresistível.
"Do que é que estás a falar? Eu não fiz nada.", respondeu Draco sem parecer muito convincente.
"Está bem, acho que te posso dar um beijinho", Ginny pôs-se em bicos de pés e beijou-lhe a ponta do nariz antes de desatar a correr, aos risinhos, pelo caminho que vieram.
Draco ficou parado por um momento e depois riu-se da sua audácia. Correu atrás do som do riso dela e dos seus pés na neve. Acelerou para agarrar a cativante ruiva antes de ela fugir. Quando virou a esquina, estava apenas a alguns centímetros dela, conseguindo agarrá-la pela cintura. Ela ria como uma lunática quando ele a virou para ele. Lágrimas corriam-lhe dos olhos achocolatados devido às gargalhadas. Porém, quando ele a puxou para mais perto, os risos desapareceram. Ginny soltou um ligeiro suspiro quando os lábios dos dois se encontraram e trouxe-o para mais perto dela, perdendo-se naquele momento perfeito.
O Slytherin descobriu que os seus lábios eram tão suaves e quentes como ele tinha imaginado que eram. Ele amava a sensação de a ter contra o seu corpo e o seu pensamento naquele momento era que Ginny era somente dele. Conseguia sentir os dedos dela correndo pelos seus cabelos, a respiração dela contra a sua bochecha. Ele tinha intenções de ficar assim durante muito tempo, mas os estômagos deles tinham outros planos. Quando o resmungo sonoro dos órgãos começaram, eles separaram-se rindo-se.
"Bem, isto foi interessante.", comenta o louro secamente.
"Pelo menos descobrimos uma coisa.", disse Ginny, com travessura brilhando nos seus olhos, "Que eu sou melhor jogadora de Quidditch que tu."
"Oh, acho que não.", discutiu Draco, "Estávamos bêbedos e eu decidi ser um cavalheiro e poupar os teus sentimentos."
Ginny apenas lhe lançou um olhar cheio de descrença antes de se afastar da pequena planta verde pendurada por cima da porta. "Quando chegarmos à cozinha precisamos de tomar o pequeno-almoço."
Draco estava perdido nas suas memórias; talvez descobrisse o que raio o havia possuído para levá-lo a beijar a pequena Weasley e ir para a cama com ela. Pensando nisso, eles ainda não tinham descoberto como é que se tinha desenrolado esse evento. Ele tinha um pressentimento de que passariam o dia inteiro à procura de memórias pelo castelo.
Quando chegaram à cozinha, Draco fez cocegas na pêra e a porta abriu-se. Um mar de elfos domésticos cumprimentaram-os animadamente até que um elfo com aparência mais velha se aproximou e fez uma vénia, "A Mistress (N.A.: Mestra parece… Horrível. E Mistress… Aaah! Eu adoro a palavra.) Ginny e o Mestre Draco voltaram! Vejo que desta vez ainda não estão com elas calçadas. (N.A.: Expressão portuguesa que eu não sei se existe no Brasil. Significa que ainda não estão bêbedos.)". O elfo riu-se da própria piada e quando viu os olhares incrédulos das caras dos estudantes perguntou, rindo, "Com certeza lembram-se da noite passada, mestres?". A cara vermelha de Ginny disse tudo e o elfo teve pena deles. "Os mestres chegaram a rir…"
Ginny e Draco entram na cozinha, rindo de algo que as suas mentes embriagadas acharam engraçado. Eles não pareciam conseguir parar, nem querer, mas os seus estômagos não iriam parar de reclamar.
Um elfo que parecia velho apresentou-se como Gerard. Ele parecia saber melhor o que eles precisavam do que os próprios, disse-lhes para se sentarem que ele já lhes trazia algo para comerem. Pouco tempo depois, já estavam sentados com canecas com chocolate quente e um prato de bolachas acabadinhas de fazer à frente. O casal comeu tudo agradecendo a Gerard pela escolha.
"Isto é bom…"
"Mmm.", foi a resposta de Draco enquanto engolia mais uma bolacha.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo, observando a fogueira. Draco pensava em anos que já passaram quando ele se encontrava num estado de embriaguez neste mesmo sítio: estava no seu quarto ano e tinha finalmente aceite o facto de que o seu pai nunca se iria orgulhar dele, amá-lo ou interessar-se por ele fizesse ele o que fizesse. Esta descoberta fez com ele se sentisse frio, vazio e sozinho, era como se as suas entranhas fossem cobertas por gelo e no lugar do seu coração houvesse um espaço vazio. Draco sabia lá no fundo que nunca seria bom o suficiente para o seu pai. Sabia-o há anos. De algum modo, estes pensamentos misturados com a bebida fizeram com que ele revivesse esses horríveis momentos esquecendo-se totalmente da miúda sentada ao seu lado. Levantou-se.
"… e depois o jovem mestre correu daqui para fora. A menina Ginny foi ao seu encontro, embora tenha ido um pouco aos trambolhões. Que quantidade de álcool beberam os jovens mestres a noite passada?", o tom de voz de Gerard estava tingido com desaprovação, porém continuou, "O jovem mestre encontrou o que procurava?"
"Não me lembro mas dir-te-ei quando souber, está bem?", disse Draco sem o seu tom usual, "Estiveste aqui comigo há uns anos atrás, não estiveste?"
"Nesse dia, o jovem mestre precisava de um bom guisado.", Gerard piscou-lhe o olho, "Agora, vá descobrir o que procurou por todos estes anos. Apesar de, cá entre nós, me parecer que já o encontrou."
A sugestão não passou despercebida a nenhum dos dois mas, surpreendentemente, nenhum deles comentou o assunto. Ambos agradeceram e, depois de Gerard lhes fornecer sandwiches de ovo e chocolate quente em termos, saíram.
"Então… Como é que, exactamente, conheces o Gerard?", inquiriu Ginny antes de morder a sua sandwich.
"Descobrirás mais cedo do que imaginas. Temos de ir ao Corujal."
"Okay.", Ginny decidiu não insistir no assunto visto que Draco parecia triste. Não era uma expressão que caía com facilidade na sua pálida cara. Partiram, não sem antes Draco a surpreender ao enrolar um braço em torno dela.
Subiram em silencio as escadas em espiral. Draco não retirou o braço da cintura dela e Ginny não se sentia desconfortável com isso. Souberam que tinham chegado quando ouviram o som de corujas sonolentas. A Gryffindor identificou imediatamente duas corujas que se aproximaram dela para receberem guloseimas: Hedwig com mais graciosidade do que Pig. O que lhe pareceu realmente interessante foi o facto de depois de petiscarem o que ela tinha, as corujas voaram até Draco para mais. Se ela dissesse a alguém que a coruja de Harry Potter gostava de Draco Malfoy rir-se-iam dela. E, antes da noite passada, ela também se rir-se-ia.
Ginny corria escadas acima atrás do louro. Não tinha ideia do porquê de ele se ter ido embora mas reconhecia agora as escadas: eram as que levavam ao Corujal. Parou no cimo das chegadas, antes de entrar na sala, para recuperar o fôlego. Quando entrou, os seus olhos encontraram um Draco que escrevia furiosamente num pergaminho.
"O que é que estás a fazer?", perguntou Ginny, com a curiosidade ultrapassando a sua decisão de esperar até ele ter acabado.
"A escrever ao meu pai.", respondeu Draco, acrescentando o ultimo ponto final, a pena quase trespassando o pergaminho. Ginny mordeu o lábio, sem ter ideia de como abordar o assunto.
"Draco,", começou, "Lembraste do que se passou no ano passado?"
"Claro que sim. Vais-me perguntar o que é que estou a escrever?"
"Acho que estou um pouco curiosa…", Ginny ainda estava insegura quanto à melhor maneira de abordar o assunto.
"Estou a dizer-lhe exactamente o que acho dele. Como ele é um egoísta filho da mãe e que já não me considero filho dele. Ele nunca se preocupou comigo. Sempre fui um objecto, uma posse que poderia ser trocada na sua ambição por poder. Não se importaria nem um pouco se eu morresse. Bem, talvez importar-se-ia se isso lhe arruinasse algum plano. Mas estou farto! Estou farto de ser um escravo na minha própria casa, uma ferramenta a ser usada por um homem maluco. E estou farto de ser o seu fiel e submisso filho!", Draco explodiu sem conseguir controlar as palavras que teimavam em sair da sua boca.
O seu discurso começou a falhar e lágrimas começaram a escorregar dos seus olhos. Ginny saiu da sua posição fixa e amparou-o. Como poderia não fazê-lo? Draco chorava por um homem que foi o seu tormento desde criança. Segurá-lo enquanto chorava era o mínimo que ela poderia fazer. As corujas pareciam querer ajudar também: Hedwig aterrou suavemente no seu ombro e começou a alisar o seu cabelo louro enquanto que Pig voava de forma amalucada por cima de Draco e Ginny até os dois começarem a rir do seu voo.
"Draco, Lucius não te pode magoar mais. Não o tem podido fazer há quase um ano. Ele morreu no assalto final ao Ministério. Prometo-te que ele não te pode magoar mais.", Ginny continuou com os seus braços em torno dele, segurando-o enquanto ele observava as corujas voando por cima deles.
"Oh…", os olhos de Ginny suavizaram-se; pobre Draco.
"Pois, bem…", o jovem rapaz trocou os pés num gesto "muito pouco Draco". Ginny captou neve que caia do outro lado da janela e sorriu para o Slytherin, "Já sei onde fomos depois!"
Muito obrigada
Babi: Desculpa a demora, espero que continues a acompanhar.
acgsampaio: Espero que continues a acompanhar. Desculpa a demora.
Irei passar as vossas reviews à escritora que ficará felicíssima! Aliás! Que está felicíssima com as reviews (poucas, mas boas).
Muito obrigado a todos os que leram. E comentem, não custa nada.
