Cá está o último capítulo. Peço desculpa pela demora!
Quero agradecer a quem seguiu a fic e à autora original Kinsie.
Disclaim: Como sempre quero relembrar que a autoria desta fanfic não é minha. Tive simplesmente o prazer de a traduzir!
Os dois jovens voaram de volta pelos campos cobertos de neve do castelo, por cima da cabana do Hagrid. Draco aterrou a vassoura no pátio da escola, mandando-a de volta para o armário de vassouras junto ao campo de Quidditch. Andaram até a uma porta escondida numa parede sombria. Ginny não conseguia ver a profundidade das escadas por causa da escuridão que os rodeava porém ela agarrou na mão de Draco e começou a descer, descansando a sua confiança em alguém que até aquela noite era o seu maior inimigo. Agora, descia com ele as escadas sombrias sem sequer hesitar!
Ginny palpava o caminho com a sua mão livre enquanto que a outra ainda segurava a mão de Draco. Enquanto ele a guiava para baixo, as pontas dos dedos de Ginny roçavam contra a pedra rugosa e fria da parede. O ar cheirava a mofo e ela podia adivinhar que o Sol nunca havia tocado aqueles degraus. Felizmente, os degraus eram similares o suficiente para não tropeçar! Passado pouco tempo, inesperadamente, os degraus começaram a ser mais equilibrados entre si porém agora em vez de descer, subiam. Os novos degraus eram até semelhantes aos anteriores mas a jornada pareceu mais curta. Talvez devido à luz e ao ar fresco que agora existiam.
Quando chegaram ao topo, um contorno quadrado de luz aprecia diante deles e ilumina uma tapeçaria que pendia da parede em frente. Draco afastou um dos cantos da tapeçaria para que pudessem entrar no corredor do castelo. Antes que fossem longe, um abafado som tornava-se cada vez mais alto. Depois, a pieira de Argus Filch soou no ar da manhã.
"Corre.", sussurrou Draco.
Correram o mais rápido que conseguiam mas sempre que pensavam tê-lo perdido o velho Filch soava a poucos metros à frente deles. Draco quase adentrou num velho túnel, antes de Ginny o puxar para si.
"Esse colapsou. Anda, eu sei outro caminho!"
Guiou-o através de um corredor que abria por trás de uma armadura. Conseguiram fechar a entrada para o corredor mesmo antes de Filch contornar a esquina!
Devem ter andado por metade do castelo, sem nunca ceder o passo, não fossem ser apanhados. Ambos reconheceram alguns dos quadros e corredores pelos quais passaram logo não havia qualquer chance de se perderem. Em vez de descerem e subirem escadas, o par decidiu seguir por passagens secretas que os levaram a cada canto da velha escola para não arriscar ser visto pelo funcionário da escola.
Finalmente, Draco reconheceu uma tapeçaria que emergia em frente deles. Retratava um dragão esmeralda agachado defronte a uma horda de tesouros. O dourado preenchia a tapeçaria, fazendo contraste com o verde do dragão, parecendo mais brilhante do que poderia ser descrito por palavras. Draco murmurou a palavra-passe e o dragão inclinou a cabeça ao mesmo tempo que a tapeçaria rolava em direcção ao tecto, revelando um pequeno corredor iluminado por tochas que terminava numa escura porta de madeira com uma aldrava preta.
Desceram o corredor em passos rápidos, antes que Filch os pudesse encontrar. Rapidez desnecessário visto que o dragão se desdobrou assim que entraram no corredor, bloqueando a passagem para qualquer outro.
"Onde estamos?", perguntou Ginny, sem reconhecer a área.
"Este caminho leva ao quarto do Monitor Chefe", respondeu Draco.
Tinham completado o ciclo. Estavam, mais uma vez, à porta do quarto de Draco, só que desta vez estavam ambos quietos, pensando no que teria acontecido na noite passada e no que isso significava para eles. Draco foi o primeiro a actuar: abriu a porta e manteve-a aberta para ela passar antes dele.
"Sempre cavalheiro.", Ginny sorriu para o louro.
"Desta vez, não ofereço bebidas!"
"Tudo bem por mim. Acho que a dor de cabeça de ontem passou finalmente mas não desejarei outra tão rápido!", respondeu Ginny, sentando-se na cama. Parece que um dos elfos esteve ali pois a cama, que de manhã tinha sido deixada à pressa desfeita, estava, agora, sem nenhum vinco.
"A minha ressaca foi-se depois do chocolate quente do Gerard", gozou Draco ostentando um sorriso torto que fez surgir borboletas no estomago de Ginny.
"Bem, ora que especial que és! Nem todos fomos abençoados com o gene anti-ressacas"
"Não, apenas construi imunidade.", Draco sentou-se ao seu lado, roçando o seu braço no da Gryffindor, "No entanto, sei um encantamento que te pode ajudar com elas."
"Hum… Não acho que haja grande necessidade hoje mas não me irei esquecer disso.", respondeu-lhe. A sua dor de cabeça era, agora, somente uma moinha na nuca por isso não doía assim tanto.
Eles estavam sentados muito perto um do outro. Ginny brincava com os seus dedos para não ter de olhar o rapaz. Pensava no que teriam feito na noite anterior, e isso deixava-a muito constrangida. Sentiu, então, os dedos frios dele no seu queixo, levantando-o até ela olhar para ele.
"Posso beijar-te?"
A sua voz suave, os seus olhos um pouco menos metálicos e mais parecidos com prata fundida. Pareceu-lhe que o Slytherin olhava directamente para a sua alma. Estava impossibilitada de sequer formar um pensamento coerente quanto mais uma frase completa. Porém, antes de se aperceber, tinha já acenado uma vez com a cabeça. Lentamente, como se duvidasse de si mesma.
A mão de Draco subiu do seu queixo para a sua bochecha, afagando-a suavemente. À medida que a distância entre eles diminuía, o coração de Ginny batia mais forte. Estava certa de que os batimentos poderiam ser ouvidos a milhas! Pareceu uma eternidade antes dos lábios dele encontrarem os dela. Eram quentes e suaves, não como Ginny teria esperado, independentemente do quanto ela lembrava da noite passada. O momento era belo, doce e simplesmente perfeito. Não era como na festa, onde o tinham feito por vingança, nem como quando estavam embriagados, em que não conseguiam tomar decisões racionais. Este era o beijo que Ginny iria sempre lembrar como o primeiro beijo verdadeiro.
Separaram-se passado pouco tempo mas nenhum estava disposto a se afastar. Ginny sentia-se em casa nos braços de Draco: em segurança e feliz. Semelhantemente ao que aconteceu na noite anterior, foi o som de um estomago que rebentou a bolha de felicidade do casal.
"Miss Weasley, gostaria de se juntar a mim para um jantar nas cozinhas?", Draco fez uma vénia à frente dela, fazendo com um riso escapa-se da sua boca.
"Pois com certeza, Mister Malfoy. Nada me daria mais prazer.", respondeu, levantando-se da cama.
Enquanto caminhavam em direcção às cozinhas, Ginny pensava sobre a noite anterior, sobre Draco e sobre o facto de estarem a descer o corredor de mãos dadas. Ao longo da noite, Draco tinha sido um cavalheiro, um salvador, uma criança e um tonto. Protegeu-a das fadas, apesar de ela achar que não seriam perigosas. Quando foram ao corujal, mostrou-lhe que os sentimentos dele estavam lá, mesmo debaixo daquele exterior rijo. As suas artimanhas durante a meia-noite de Hogwarts provaram que ele era tão divertido quanto ela, especialmente quando estava bêbado. Ele era maravilhoso e ela estaria condenada se tentasse esconder o que eles tinham, mesmo que isso a fizesse sentir assustada. Ela aninhou-se contra ele e sorriu.
Quando chegaram, Gerard acolheu-os com um sorriso sábio.
"Vejo que os jovens amos descobriram o que procuravam."
"Em mais do que uma forma.", respondeu Draco. Eles conseguiram descobrir o que se passou na noite passada e também se descobriram um ao outro.
"O que os jovens amos quererão para a ceia?", perguntou Gerard, com um sorriso de orelha a orelha.
"Acho que sabe melhor do que qualquer um o que devemos comer esta noite.", respondeu Ginny, "Pode escolher por nós?"
"Sentem-se.", Gerard aceitou o desafio.
Os dois sentaram-se na mesma mesa da noite passada mas, desta vez, os pensamentos de ambos não se afastaram da pessoa sentada à sua frente. Cada um deles tentava descobrir as palavras necessárias para descobrir o que o outro queria. Antes que pudessem descobrir, Gerard voltou com duas taças de creme de cebola quente. À acompanhar vinha um prato de pequenos pãezinhos e manteiga e chá para ambos. Depois de agradecerem ao elfo, o par atacou a refeição.
"Não posso admitir isto lá em casa, mas acho que esta sopa é melhor do que a que a minha mãe faz.", disse Ginny, satisfeita.
"A minha mãe é uma pasteleira fantástica, mas deem-lhe uma receita de sopa e ela fica às aranhas.", rio Draco.
O som da porta da cozinha a abrir-se fez os dois oharem para cima. Ginny empalideceu um pouco e suspirou em tom de resignação. O trio tinha acabado de adentrar na cozinha e emcaminhava-se até eles.
"Olá Ginny!", disse Hermione, num tom de voz animado enquanto se sentava num banco ao lado de Ginny.
"Olá Mione.", respondeu Ginny, sem emoção, movendo a sua cadeira um pouco mais na direcção de Draco para que nenhum dos rapazes pudessem ocupar um lugar entre eles. Por sorte, Draco teve a mesma ideia e não acabaram separados.
"Potter, Weasley.", acenou Draco, fazendo com que a boca de Ron se abrisse um pouco e com que as sobrancelhas de Harry se juntassem.
"Malfoy.", respondeu Harry depois de um momento.
"Ron, fecha a boca. Pareces um peixe!", reprimiu Hermione, o que fez Draco sorrir. Ginny estava agora habituada aos seus sorrisos mas parecia que os outros três só conheciam o seu risinho maléfico e ficaram surpresos com este novo e feliz Malfoy.
"Malfoy, estás doente?", perguntou Harry.
"Não, por que estaria?", Draco arqueou uma sobrancelha.
"Porque até há um momento estavas a ser agradável…", a sobrancelha de Ron arqueava-se, inspeccionando a ameaça loura em frente dele.
"Eu sou muito agradável. Não o mostrei na noite passada?", Draco lançou a ultima pergunta a Ginny, que riu.
"Bem, representas o papel de cavalheiro bastante bem.", respondeu ela, com olhos sorridentes.
"Então, quando é que vais dizer aos teus pais?", perguntou Hermione.
"O que é que lhes tenho de dizer?", respondeu Ginny, apreensiva.
"Que estás a namorar o Malfoy, claro!", exclamou Hermione, pensando que era bastante óbvio o que ela estava a tentar dizer. Ginny, contudo, não conseguiu arranjar resposta. Foi Draco que a salvou.
"Ainda não falámos sobre isso.", evitou olhar para qualquer um deles, excepto a menina a seu lado. A única razão pela qual ele estava a ser civilizado para com aquelas pessoas, era ela.
"Bem, gostam um do outro?", Hermione parecia cansada pela inabilidade deles em discutirem os seus próprios sentimentos. Quando ambos anuiram, Hermione decidiu por eles. "Uma vez que gostam um do outro, irão agora começar a namorar. Depois façam o que quiserem com isso. Estou esfomeada e gostava de comer um pouco dessa sopa cheirosa."
Com isso, Hermione saiu da mesa, sendo seguida pelos outros dois, que deitaram um olhar paternalista a Draco "Se magoares, arranjas-te comigo".
"Estás bem com isto?", perguntou Ginny, um pouco insegura.
"Sim, apesar de ter gostado de ser eu a pedir-te e não ter a Granger a anunciar isso a nós", disse o louro, um pouco cabisbaixo pela avaliação de Hermione, apesar da mesma estar correcta.
"Ainda bem, porque eu não te vou largar assim tão depressa!"
"Nem eu.", disse Draco, depositando um curto beijo na boca dela.
Epilogue:
***Natal, seis anos mais tarde***
"Anda, vamos chegar atrasados!", Draco encaminhou-se para as escadas. Eles tinham de chegar à Toca antes de Molly servir a comida ou ela não seria uma senhora feliz. Como se isso já não fosse terrível o suficiente, a mãe dele também lá estaria e ele não queria ter de lidar com ambas neste dia.
"Estou a ir, estou a ir!", avistou Ginny enquanto ela se aproximava das escadas. "Parece que tens o rabo a arder!"
"O meu rabo está perfeitamente bem, obrigado.", respondeu, ajeitando o cabelo no espelho do corredor enquanto a namorada se ria dele.
"Agora quem é que está a demorar?", perguntou ela.
"Ainda és tu", Draco apertou-lhe o nariz e deu-lhe um pouco de pó de Floo antes que ela pudesse retaliar.
"Eu vingo-me mais tarde!", prometeu ela, com um sorriso malicioso.
"Conto com isso", Draco beijou a bochecha dela antes de entrarem na larareira.
A visão apresentada na casa dos Weasley era uma explosão de decorações e cabelos ruivos. Foram os últimos a chegar e a casa estava cheia. Todos os irmãos de Ginny, as suas mulheres e os vários filhos estavam presentes. Quando saíram da lareira os mais próximos deles eram Harry e a sua mulher, Sara, com Ron e uma Hermione muito grávida. Estavam sentados na velha mobília da sala de estar e todos os saudaram.
"Draco, as nossas mães estão a dar comigo em doido!", saudou Ron.
"O que é que elas aprontaram agora?"
Draco e Ron aprenderam a gostar um do outro ao longo dos anos, apesar de apreciarem as discussões entre ambos. Harry gostava, também, das competidas discussões que mantinha com o louro. As mães de ambos deram-se bem depois dos preconceitos terem sido levantados e, agora, juntavam-se todos os anos para o jantar de Natal. Era um terror que assombrava todos. O terror de ser esmagado debaixo de tantas pessoas e comida.
"Não param de planear! Continuam a perguntar coisas sobre as cores e brinquedos para bebes. Estou desesperado!"
"Nem comeces Ron. Sou eu que estou grávida! Eu é que devia dar nome ao meu filho!"
"Não te preocupes Hermione. Basta ser firme com elas e elas deixar-te-ão dar, pelo menos, a tua opinião.", disse Ginny, fazendo todos cair em risada.
"E Ron tu adoras toda essa atenção!", Harry não conseguia evitar juntar os seus dois cêntimos à conversa(2)(put his 2 cents into the conversation)
"Vá, vamos para dentro antes que a Molly venha buscar-nos", disse Sara, puxando Harry da cadeira enquanto Ron ajudava Hermione.
A refeição era extravagante e cheia de coisas mais deliciosas do que o imaginável. A sala parecia ter sido alargada para poder acomodar o enorme numero de pessoas porém nada fazia ao barulho ensurdecedor. Numa ponta, Fred e George faziam piadas, tentando que a mãe deles não ouvisse, mas entretendo toda a gente. Molly e Narcisa criaram um festim.
Depois de todos saborearam a magnifica refeição, foram para o jardim nevado para um pouco de ar fresco. O jardim estava iluminado pela luz da lua cheia e parecia lindo. Ginny levantou a mão para apanhar um floco de neve e olhou para cima, para Draco.
"Lembras-te do nosso primeiro nevão?"
"Como me poderia esquecer?", Draco sorriu e pegou-lhe na mão, levando-a para uma valsa.
"Não há música, tonto!", disse Ginny, "E eu desta vez não comecei. Portanto não tens razões para." Mas deixou-se levar com ele, pelo jardim branco.
"O que queres dizer com "não há música"?", respondeu Draco.
Depois Ginny pode ouvir… Música estava a ser tocada perto da casa. Parecia que o violinos e as flautas estavam a tocar por vontade própria até ela se aperceber que Harry e Ron apontavam as suas varinhas aos mesmo.
"O que se está a passar Draco?", perguntou Ginny, intrigada pelos eventos.
"Desde aquela primeira noite, tenho estado apaixonado por ti, Ginny.", começou Draco, " Quero passar o resto da minha vida contigo. Quero acordar ao teu lado todas as manhãs e ver-te todos os dias para o resto da minha vida. Ginevra Weasley, queres casar comigo?", Draco terminou com o seu joelho contra a neve, a olhar para a mais maravilhosa feiticeira que alguma vez tinha conhecido, esperando que ela dissesse sim. Na caixa estava um anel de noivado com uma esmeralda diamante que parecia mais velha que os seus pais.
"É claro que sim Draco.", permitiu que ele lhe pusesse o anel no dedo antes de se atirar aos seus braços. Draco elevou-a no ar e rodou-a no ar, ambos a rir na sua felicidade. A família aplaudia e Fred e George deixaram sair um assobio quando eles se beijaram.
Foram para dentro um pouco depois e acomodaram-se, novamente, na sala de estar com o resto da família. A filha de Fleur saltou para o colo de Ginny e perguntou-lhe: "Vais ser feliz para sempre?"
Depois de olhar amistosamente para Draco, disse à pequena menina: "Para todo o sempre."
(2) Tradução literal de "put his two cents into the conversation". Adorei a expressão!
Espero que tenham gostado!
Até mais!
Beijos Hogwartizanos!
