Bom, eis nosso primeiro capítulo propriamente dessa nova temporada da história. Espero que gostem.

Boa leitura!

- 0 -

Anteriormente:

Victoria parou no meio do cruzamento dos dois caminhos. Olhou para os dois lados: à direita, vinha o Loirão, e à esquerda, o Gigante. Ainda estavam longe, porém, ambos a viram também. Vic olhava ora para um, ora para outro com um crescente terror. Estava abismada! Aquilo era simplesmente inadmissível! Os dois... juntos! Não poderiam aparecer ali! Eles nunca apareciam juntos nos sonhos dela. Por que desta vez aquilo acontecia? Olhou para a muralha à sua frente, pois não tinha mais coragem de encará-los. Um medo tomou conta da moça, uma espécie de aflição que lhe fez ter a sensação de algo que já havia ocorrido antes e que ela não queria que acontecesse novamente.

Quanto aos dois homens, a princípio, não se deram conta da presença um do outro por estarem à distância; apenas olhavam para Vic sem prestar atenção a mais nada. No entanto, quando chegaram próximos a ela de lados opostos, ambos se perceberam e se encararam. Os homens estavam espantados pela presença um do outro como se nenhum deles devesse estar ali, como se o outro fosse um intruso e..., estranho, como se já se conhecessem.

(...)

– Escute, Cass, você sabe que adivinhações não são meu forte nem em 2009 e acho que nem aqui em 2014. Então...quer me dizer de que diabos está falando? Olha, sem querer ele falou de alguém, me implorou praticamente pra eu dizer "sim" ao Miguel e salvar essa pessoa. E depois não me disse mais nada. Mas ficou na cara que se trata de um rabo de saia. Que raio de mulher é essa?

– Sua esposa – replicou o ex-anjo num tom ríspido que demonstrava desagrado pelas últimas palavras do outro

– O...o quê? Minha o quê? – Dean mal conseguia pronunciar as palavras

– Sua esposa – repetiu Cass e completou – Victoria Collins.

– Ahn? – o outro quase teve uma síncope – Victoria... Collins? A Indomável?

– A própria.

(...)

– Ah... Er... Desculpem... Meu nome é Victoria Collins. Prazer – aproximou-se deles e estendeu a mão sem direcioná-la a um dos dois em especial.

– O prazer... é meu – respondeu Sam ainda meio apalermado, levantou-se do sofá e adiantou-se em apertar a mão dela. Ambos sentiram uma eletricidade percorrer seus corpos naquele simples contato – Me chamo... Sam Winchester.

Não queria largar a mão de Vic, porém, o fez com relutância ao sentir que ela forçava a soltura. A moça sorriu sem graça e desviou os olhos do olhar abrasador do mais novo dos irmãos. Não se sentia à vontade com aqueles olhos sobre si. Dirigiu sua atenção para o mais velho que ainda se encontrava em estado de choque. Ela tampouco se sentia confortável com a maneira com que este lhe encarava, porém, disse:

– Então... você deve ser o Dean.

– Você fala – respondeu aéreo.

– Ahn? Como?

– Ah... quer dizer... desculpa, não entendi sua pergunta – começou a voltar a si e também se pôs de pé ao lado de Sam

– Não foi bem uma pergunta, eu disse que você deve ser o Dean... já que ele é o Sam.

– Isso. Então você que é... a Victoria Collins – a boca estava seca. Custava a acreditar.

– Sim.

– A Indomável?

(...)

– É complicado de explicar.

– Tente. – ele suavizou o tom de voz e pegou no queixo dela com uma mão. Sentiu o tremor dela com aquele toque.

– Eu... tenho medo, Sam.

– Medo de quê? De mim? Acha que vou magoá-la?

– Não é isso. É... só que... eu não aguentaria passar de novo pelo que eu passei.

(...)

– Eu também te amo, Sammy – disse Victoria sem reservas. O rosto do Winchester se iluminou por saber que era correspondido, mas o rosto de Collins assumiu uma expressão séria. – Nunca me deixe.

– Nunca. – garantiu ele e beijou levemente os lábios dela aconchegando-a em seus braços.

(...)

– Vamos supor que possamos abrir a jaula. E depois? Levamos o diabo até a beira e o fazemos pular dentro?

– Você me pegou.

– E se vocês o levarem até a beira, e eu pular?

– Sam... – houve uma ligeira pausa e tremor na voz de Singer

– Como quando virou a faca para si. Uma ação, um salto.

(...)

– Me prometa outra coisa também, Dean – continuou Sam.

– O quê?

– Que você vai cuidar da Vic por mim.

– Ahn... é claro – o loiro concordou meio sem jeito - Vou dar meu apoio a ela, ser um ombro amigo.

– Não, Dean, não foi isso que eu quis dizer.

– Então... não entendo.

– Quando eu disse pra você cuidar dela, eu quis dizer... – fez uma pausa. Custava-lhe dizer aquilo, porém, não podia ser egoísta – Eu quis dizer pra você ficar com a Vic e passar o resto de sua vida ao lado dela.

(..)

Assentiu para Dean como se dissesse que estava pronto.

- Cuide da Vic. – sussurrou

Dean assentiu levemente por causa da dor no rosto.

Antes que pulasse, uma voz lhe chamou:

- Sam! – era Miguel que estava de volta – Não vai acabar assim! Afaste-se!

Bem nessa hora, Vic começou a recuperar os sentidos. Colocou a mão na cabeça e viu a cena entre seu namorado e Miguel. Escutou o ruído da sucção do buraco e sentiu a ventania que provocava ao redor, balançando o cabelo de Sam e do arcanjo.

- Vai ter que me obrigar! – Sam desafiou Miguel

- Tenho que lutar contra meu irmão, Sam! Aqui e agora. É o meu destino.

Sam lançou um último olhar para Dean, fechou os olhos e deixou que o corpo pendesse. Miguel foi tentar puxá-lo pelo braço, porém, ele quem terminou sendo puxado junto para dentro da gaiola. Ambos caíram.

- Nãaaaao! – Vic gritou

Garota Interrompida (1ª parte)

- Dean, você tem que fazer alguma coisa... Já faz duas semanas – Bobby o abordou aproveitando que Victoria estava no quarto – Isso já ultrapassou o normal.

- E o que você espera que eu faça exatamente, Bobby? – Dean retrucou em tom impaciente. Escutavam juntos um programa qualquer no rádio, porém, nenhum dos dois realmente prestava atenção em algo – Já tentei puxar assunto com ela, mostrar que estou aqui para desabafar... mas ela simplesmente foge, evita qualquer menção a Sam.

- Eu não sei, Dean! Mas você tem que fazer algo... pense! – esbravejou – Não convidei você para ficar na minha casa usufruindo da minha despensa de graça.

- Poxa... valeu – Dean esboçou um sorriso amargo – E não seja por isso... posso ficar num motel aqui perto.

- Esqueça o que eu disse, garoto! Foi mal... não foi bem isso o que eu quis dizer – suspirou – Só não aguento mais ver a Victoria nesse estado.

- Tudo bem, Bobby – Dean também suspirou – Eu sei.

- Nem quando Henry morreu... Henry, um namorado que ela teve antes de Sam...

- Sim, eu sei da história.

- Nem quando ele morreu, ela ficou assim. Estou muito preocupado com o que ela possa fazer.

-Talvez não seja tão grave... Ela só está agindo como se fosse uma máquina movida pra tudo quanto é tipo de trabalho... especialmente limpeza.

- Dean, por favor! Isso não é comportamento normal de uma pessoa que acaba de perder o amor de sua vida. Ela nem ao menos chorou, pelo menos não vi ou escutei ... o que seria preferível. – fez uma pausa e fitou o Winchester nos olhos – Você perdeu seu irmão... e sei o quanto amava Sam... sei que ele significava mais do que um irmão para você... e nem por isso você está agindo como um zumbi ambulante e frenético.

- Cada um reage de uma forma diferente. – replicou com uma expressão neutra que escondia sua dor

E a dele era beber quase todas as noites ou rodar com o Impala preto sem rumo até chegar em algum lugar onde pudesse chorar a perda do irmão sem ninguém por perto.

Quantas vezes desejou se jogar num precipício com o carro? Ou atirar na própria cabeça com uma arma?

A única coisa que o impedia, ou melhor, a única pessoa que o impedia era Victoria.

Ele precisava ajuda-la, não apenas por uma promessa a Sam, mas também por ela. E por si.

Amava-a. Não podia negar. Ela era como uma âncora que ainda o prendia num mundo de merda em que ele desejava se ver livre.

Sim, precisava ser forte por ela. Pelos dois.

Mas como podia ajuda-la, se ele não sabia como? Mal estava dando conta de suportar sua própria dor. E Vic lhe escapava, negando a dela.

Tentou conversar, até se abrir, buscando uma reação dela. Nada. Victoria se negava a conversar – a não ser para comentar alguma novidade da vizinhança de Bobby ou algum programa que ouvia no rádio – assuntos que não eram exatamente do tipo que a interessassem de verdade. E nem a ele tampouco.

Ela se entregava ao serviço doméstico da casa de Bobby de uma forma quase obsessiva. Limpava e lavava todos os cômodos da casa – mesmo que nestes não houvesse nenhuma sujeira para tirar. Ou então fazia algum tipo de trabalho no velho computador de Bobby – o laptop dela foi destruído junto com seu Impala branco e ela nem chegava perto do laptop de Sam. Parecia redigir relatórios e mais relatórios. E isso logo após receber os telefonemas de Matt. Ele não entendia o que poderia ser, mas duvidava que fosse algo relativo às caçadas.

Aliás, o tal Matt, segundo se lembrava quando o viu no hospital durante a internação de Victoria, nem tinha pinta de ex-caçador, segundo Vic. Tinha mais cara de burocrata ou um daqueles engomadinhos de escritório.

Bem, como ele devia estar aposentado do ramo, segundo ela, talvez estivesse envolvido num tipo de trabalho "normal" como em alguma empresa própria e precisasse de vez em quando do auxílio de Vic, afinal, ela era formada em gestão de negócios. Seja qual fosse o trabalho que Victoria estivesse fazendo para ele, a mantinha ocupada. Por enquanto.

Tudo era uma espécie de fuga para ela, ele sabia. Era como se ao evitar falar de Sam ou se entregasse às mais variadas atividades, ajudassem-na a suportar toda a dor. Mas não. Dean sabia que ela só estava se enganando. A qualquer momento, cairia na real. E aí, se despedaçaria de vez. Ele esperava saber como ampará-la, como ajudá-la a se recompor, juntar os pedaços quando isso acontecesse.

Não estavam fazendo caçadas e nem cogitavam retomá-las. Ele não tinha cabeça para tal e acreditava que muito menos ela. Nem considerou mencioná-lo. Isso só os faria lembrar mais ainda de Sam e sentir a dor de não tê-lo. Não havia sentido continuar o negócio sem ele.

Nem mesmo Bobby estava no ramo. Ele havia recebido alguns pedidos de ajuda de Rufus e outros caçadores ou mesmo dicas para resolver alguns casos próximos à sua região, porém, teve que recusar a todos. Para ele, a sobrinha era sua prioridade no momento.

Castiel aparecia de vez em quando. Dean lhe perguntou sobre o Céu, porém, ele declarou não ter ainda conhecimento. E declarou ainda estar focado em outros assuntos pendentes. O Winchester lhe questionou a respeito, mas como sempre o anjo despistou daquele jeito conhecido por Dean quando não queria compartilhar o que quer que escondesse.

O anjo apenas ficava uns minutos observando a todos em silêncio, sobretudo a Victoria. Conversava sobre alguma coisa se lhe dirigissem a palavra. Mas só. E quando todos se distraíam, ele sumia.

Dean queria lhe pedir ajuda com Victoria, mas tinha impressão que isso ia além da alçada do anjo. A única forma que Castiel poderia ajudar não só a ela, mas também a ele era trazer Sam de volta. E isso Cass não poderia fazer. Era o que Dean acreditava.

Sim, não havia jeito. No fundo, a única pessoa que poderia ajudar Victoria a reagir era ela mesma.

- Eu sei que todos estamos reagindo cada qual de um jeito – tornou Bobby após uma longa pausa – Mas a reação dela não é saudável. Ela está em negação... e isso nunca é bom.

- Tá, Bobby – ele suspirou com ar cansado – Eu vou tentar de novo... aliás, vou obrigar a Vic a conversar comigo mesmo que ela não queira. Mas... amanhã. Pode ser? Ela já foi dormir – levantou-se – E eu também vou... estou cansado.

- Todos estamos... – concordou Bobby com ar de desânimo – Mas temos que seguir em frente. Sam ia querer isso. – Dean não disse nada. – Boa noite, filho.

- 0 –

Num lugar escuro, impreciso, do mais profundo do inferno, encontrava-se a jaula de Lúcifer.

Não havia muita visibilidade, só se escutavam os sons que vinham. Berros horripilantes. Gritos de gelar a alma. E pareciam de uma mesma pessoa.

- Não! Parem! Parem! – a mesma voz que emitia berros, agora ecoava súplice. Parecia uma voz masculina.

- Sam, você achou mesmo que ia dar uma de herói e se safar assim? – disse outra voz bastante conhecida. Uma malévola e zombeteira. – Eis a sua recompensa, mocinho.

- Você pagará pela eternidade, Winchester miserável! – dizia outra voz mais furiosa – Pagará por ter ousado se meter no nosso destino.

Uma chama intensa saiu de dentro da gaiola. Iluminou por instantes três silhuetas. Duas com asas e a outra de um homem... cuja pele parecia se descascar.

- Não, eu imploro! Parem! Parem! – um berro mais forte eclodiu. – Deaaaaan! Viiiiiiic!

- 0 –

- Saaaaaaaam! – Victoria acordou com um grito de pavor e se levantou da cama.

Seu corpo estava trêmulo, os olhos arregalados e o suor escorria pela testa. Demorou a se situar no tempo e no espaço. Por fim, deu-se conta de que estava no quarto que Bobby sempre lhe reservava na casa dele.

- Foi só um pesadelo... só um pesadelo – colocou a cabeça entre as mãos e repetia para si mesma como num mantra. Sabia que não era bem um sonho horrível, mas não queria pensar, nem refletir nada a respeito. –... só um pesadelo.

Uma batida forte na porta a sobressaltou, porém, ela conteve o grito que ameaçou sair.

- Vic, você está bem? – era a voz de Dean – Vic?

- Estou... – disse com voz trêmula ainda sob o efeito impactante do sonho – Foi... foi só um pesadelo... Estou bem.

- Tem certeza? – indagou após uma curta pausa.

- Te... tenho... Volte a dormir.

- Certo... – ele disse, parecia meio relutante – Vic?

- Sim? – ela colocou a mão no peito para se acalmar e recobrar a compostura.

- Amanhã... quero ter uma conversa com você. – Silêncio. Ela nada disse. Imaginava sobre o que ele conversaria, mas não estava disposta. Calar-se era o melhor no momento. – Boa noite.

Afastou sem esperar resposta. Ela escutou os passos dele se distanciando. Suspirou.

As imagens do pesadelo que teve voltaram fortes à sua mente. A gaiola. Os sons dos gritos e dos pedidos de socorro de Sam. As vozes dos dois malditos arcanjos.

Não, não podia ser verdade. Mas era. As imagens pareciam tão reais. Sam estava sofrendo lá embaixo. Muito. E ela ali, sem poder fazer nada para auxiliá-lo.

Por mais que quisesse não conseguia ignorar aquele sonho. E não conseguiu voltar a dormir. A dor pelo sofrimento de Sam era maior do que a dor de sua ausência.

- 0 –

Na manhã do dia seguinte, Victoria se encontrava sentada à mesa da sala de jantar. Havia preparado o café, mas não tocou em nada.

Bobby estava ao seu lado; o rosto tenso e expectante, porém, nada dizia. Apenas degustava o café. E esperava. Sua sobrinha anunciou que queria uma conversa com ele e Dean. Juntos.

- Bom dia... – Dean bocejou e esticou os braços. Deteve-se por um instante ao vislumbrar Victoria. Aproximou-se com expressão confusa e sentou-se – ... então... alguma novidade? – perguntou.

Seu olhar convergiu de Vic para Bobby como se pedisse alguma explicação para esse. O motivo de seu estranhamento era por presenciar Victoria ainda ali sentada. Normalmente, ela levantava cedo, preparava e tomava o café e logo estava se ocupando com alguma tarefa da casa ou um dos trabalhos que estivesse fazendo para Matt. Era para evitar quaisquer conversas ou questionamentos deles sobre seu estado.

- Estávamos esperando você acordar – respondeu Bobby e deixou a xícara de café na mesa – Vic quer conversar com a gente

- Ah, é? – voltou-se para ela, o semblante atento. – Sobre o quê?

- Tive um sonho hoje de madrugada... – disse ela com o rosto cabisbaixo. Ergueu-o e encarou a ambos –... com Sam.

Os dois assentiram. Escutaram ela gritar o nome do amado. Dean acudiu imediatamente assustado não só por ouvi-la gritar, mas por ela mencionar seu irmão. Porém, não quis pressioná-la a falar sobre o assunto àquela hora da madrugada. Quanto a Bobby, quase saiu do quarto, mas escutando a voz de Dean, percebendo que se adiantou primeiro, resolveu não intervir.

Ambos se surpreenderam por ela, finalmente, fazer menção a Sam. Talvez fosse um começo...

- E... sobre o que foi o sonho? – indagou Dean cuidadosamente. Ele também às vezes sonhava com o irmão. Eram sonhos ruins na maior parte das vezes. Na verdade, o mesmo sonho. Sam pulando na gaiola junto com Miguel. Mas nunca o abalavam o suficiente para fazê-lo gritar. Ou talvez porque ele se continha – Você se lembra?

- Cada detalhe – respondeu sem deixar transparecer o que lhe ia em seu íntimo. – Sonhei... que Sam estava na jaula... e estava padecendo horrores... por causa de Miguel e Lúcifer – sua voz tremeu. Dean a encarou perturbado. – Eles o torturavam.

- Vic... foi apenas um sonho – respondeu Bobby

- Não, Bobby, não é. Sabemos muito bem que ele não está envolto no meio de um paraíso.

- Ainda sim isso não significa que o que você tenha visto seja real... – suspirou – Você só está impressionada pelo que supõe ele possa estar passando.

- Bobby, foi mais do que um sonho. Foi real! Sam está sofrendo e precisa de nossa ajuda! – elevou um pouco o tom – Temos que tirá-lo de lá!

- Vic...

- Acredite em mim, Bobby. Era como... como se eu estivesse lá. Como se visse tudo através de uma tela de TV... Não deu para ver muito bem de perto, mas tive um vislumbre... Escutei claramente os gritos de Sam e as vozes de Miguel e Lúcifer tão claramente... como se escutasse a sua voz agora. – os dois caçadores se entreolharam. – Eu posso senti-lo ainda, tio. A minha ligação com Sam ainda não acabou mesmo ele estando lá embaixo – ela sorriu e colocou a mão no peito. Eles a fitaram num misto de assombro e piedade – Isso é um bom sinal... significa que Sam e eu ainda podemos ficar juntos... e eu devo trazê-lo de volta.

- Pelo amor de Deus! Agora chega! – esbravejou Bobby e bateu o punho na mesa – Isso é o cúmulo!

- Bobby, você não entende...

- Não, você que não entende... ou melhor, não quer entender. Vic, não podemos trazer o Sam de volta! – ela o encarou com ar magoado. – Eu sei que é doloroso... Eu também... estou sofrendo – Singer conteve o choro. Ele derramava lágrimas por Sam quando se recolhia em seu quarto – Mas temos que aceitar a perda de Sam... Vic, você tem que aceitar que ele se foi e aceitar o quanto isso a está matando! Pelo amor de Deus!

- Não se trata do que eu sinto, Bobby! – esbravejou Vic – Não sou eu que importa! É Sam! Ele está sofrendo! Não podemos deixa-lo lá! Não é justo que ele se sacrifique pela eternidade.

- Foi escolha dele!

- Não, ele não teve escolha! Foi pressionado pelas circunstâncias... pela falta de opções.

- Que seja... mas ele aceitou passar por isso. E mesmo que consigamos achar uma maneira, isso pode afetar a jaula... vamos trazer não só Sam, mas Lúcifer e Miguel juntos... e aí voltamos a estaca zero.

- É só pesquisarmos, Bobby... Deve ter uma solução para recuperarmos Sam... e só a ele.

- Vic... não adianta. Eu não vou concordar com essa sua loucura. – balançou a cabeça para os lados – Achei que estava começando a se recuperar, mas vejo que só está se enganando mais... se afundando na sua negação.

- Eu não estou em negação, Bobby!

- Está sim. E com você nesse estado... temo até o que possa fazer.

- Está insinuando que eu esteja louca?

- Pelo menos está agindo como uma... e com o que acaba de falar, não duvido.

- Está bem, Bobby. Já vi que não posso contar com seu apoio – ela o encarou magoada. Voltou-se para Dean – E você, Dean? Vai me ajudar?

Até o momento, Dean apenas escutava a discussão calado com o rosto abaixado e a expressão neutra.

- Dean? – Vic tornou a chamá-lo.

Ele se levantou bruscamente e saiu sem dar resposta.

- Dean! Dean!

Ela continuou a chamá-lo até escutar a batida da porta.

- Satisfeita? – Bobby se virou para ela – Espero que perceba que não é a única aqui que sofre por Sam.

Vic não respondeu. Limitou-se a se levantar em silêncio sem encarar Bobby e dirigiu-se para o quarto.

- Ótimo! Maravilha! – Bobby bateu o punho outra vez na mesa com raiva

- 0 –

Era o milésimo feiticeiro que Castiel abordava. Sem sucesso.

Estava num lugar remoto da Transilvânia, na Romênia. Era um lugar conhecido não só por ser a morada de vampiros e lobisomens, mas também de outros monstros.

É claro que os habitantes locais acreditavam que tudo não passava de lendas e uma parte de suas tradições folclóricas que atraíam muitos turistas. Não imaginavam que, exceto pela lenda de Conde Drácula, todo o resto era verdade.

Monstros, vampiros e lobisomens vagavam pelas ruas, porém, agiam muito discretamente e evitavam causar uma destruição em massa dos humanos, não por uma questão de moral ou piedade. Mas porque queriam evitar chamar atenção, pois muitos dos seus ao longo dos séculos foram destruídos por caçadores. E ainda se corria um risco de algum perambular por lá para caçá-los.

Além dessas criaturas, a Transilvânia abrigava um grande número de bruxas e feiticeiros – a maioria, um bando de charlatães. Contudo, dentre eles, estava um genuíno e poderoso feiticeiro, de nome Mitica.

Castiel o descobriu numa de suas investigações e pesquisas sobre bruxos, feiticeiros e magos. Estava procurando uma forma de tirar Sam da jaula sem o risco de abri-la.

Havia tomado essa decisão desde sua conversa com Dean no Impala pouco depois de Sam se jogar na gaiola com Miguel. Sabia que o Winchester estava revoltado com o que havia acontecido. Não só revoltado como arrasado. E, além disso, a maneira pela qual Victoria implorou a Deus pelo regresso do namorado o comoveu.

Sempre que ia vê-los, causava-lhe pesar testemunhar suas dores, sobretudo a de Victoria. Isso só fazia com que quisesse acabar com o sofrimento de ambos trazendo Sam.

E havia, claro, o fato de ele também se importar com o Winchester mais novo.

Sabia que dentro de um ano, Isabel o traria de volta, segundo palavras de Anna. Porém, ele não tinha certeza se deveria confiar que a arcanjo o faria. E mesmo que o fizesse... que garantias, tinha de não exigir nada em troca dos Winchesters e, principalmente, de Victoria?

Era por isso que ele não havia lhes contado nada a respeito da possibilidade de Sam retornar da jaula mesmo que só dentro de um ano. Não confiava ainda em Isabel e não queria arriscar deixá-los devedores de sua ajuda.

Por isso, ele mesmo interveria para que tal não acontecesse. Tiraria Sam da jaula antes daquele prazo. Se Sam podia ser recuperado por Isabel, então por que ele, Castiel, não podia?

Só não sabia como. Nunca antes havia escutado alguma possibilidade. Mas talvez não tivesse procurado mais a fundo. Talvez a solução também estivesse com as forças das trevas.

Ele questionou, buscou e interrogou vários bruxos e feiticeiros do mal. Eles se recusavam a responder se sabiam ou não onde se localizava a jaula de Lúcifer e como abri-la apenas para desafiá-lo ou exigirem algo em troca. Então ele usava de métodos extremistas como tortura para ter acesso à mente deles, pois não era fácil invadir suas cabeças como a de simples homens. Por fim, obteve "gentilmente" de uma bruxa uma informação que o levou ao poderoso bruxo Mitica.

O tal bruxo morava num castelo enorme. Sua aparência era de um distinto cavalheiro – delgado, estatura alta, cabelos e barba loiros e olhos azuis – e era conhecido como um rico descendente de nobres, um conde, que todos admiravam por seu caráter filantrópico. Apenas uma fachada para ocultar suas reais atividades. Fazia sacrifícios humanos para grande parte de suas magias – as mais poderosas.

- Eu não sei... não sei! – gritou ele enquanto Castiel enfiava a mão em seu coração e o apertava, causando-lhe uma dor excruciante.

Cass o apertava contra uma parede da catacumba de seu castelo onde ele realizava seus feitiços – e onde também estavam ajuntados os ossos de inúmeras de suas vítimas.

- Juuuro! Eu não sei! – berrou

Castiel conseguiu acessar a mente dele e constatou que realmente não sabia. Por fim, o largou. Ele caiu estirado na parede. Colocou a mão no peito na altura da parte atingida.

- Malditos anjos! – praguejou depois de recobrar o fôlego – É por isso que prefiro demônios. É bom que me lembre de desenhar símbolos enoquianos no meu castelo.

Calou-se ao ver o olhar assassino do outro.

- Assim que não há bruxo ou feiticeira algum que tenha a informação que eu preciso – disse Castiel, mas falava mais para si do que para Mitica.

O outro não conteve o riso.

- Nenhum bruxo ou feiticeira da face da terra, meu amigo alado. Nenhum vivo.

- O que disse? – seu comentário despertou a atenção do anjo.

- Talvez o único que soubesse algo se encontra morto... há dois ou três meses.

- Quem? – o bruxo ficou calado. Castiel se aproximou mais uma vez com postura ameaçadora. O outro engoliu em seco. – Quem?

- George Tudor.

- 0 –

Victoria começou sua busca. Pesquisou na internet, em todo tipo de site, nos livros da casa de Bobby, encomendou até livros pela Deep Web. Mas nada. Nenhuma informação. Mesmo assim, não desistia. Iria trazer Sam. Sua resolução e pesquisas já duravam uma semana.

Não falava mais nem com Dean nem com Bobby. Sabia que não podia contar com eles, mas estava decepcionada principalmente com a atitude de Dean.

Por Deus! Ele era o irmão de Sam! E sempre pensou que o amava de uma maneira desmedida, como a um filho, a ponto de ter vendido sua alma para ressuscitá-lo há uns três anos. Por que justo agora quando precisava que demonstrasse mais uma vez esse amor, ele não o fazia?

Ele não lhe deu resposta depois que voltou da súbita saída da conversa do café da manhã e ela também não o abordou mais sobre o assunto, nem insistiu.

O que Victoria não sabia é que desde sua revelação sobre o sonho com Sam, Dean havia decidido também investigar uma forma de trazê-lo mesmo que houvesse prometido ao irmão que não o faria.

O sonho dela o perturbou. Fê-lo despertar para o fato de que não podia ficar parado sabendo que seu irmão sofria. Talvez fosse mesmo só um sonho de Collins. Ou talvez fosse mesmo algo real que ela presenciou devido sua ligação com Sam. Os dois não haviam sonhado um com o outro antes mesmo de se conhecerem – tal como ele mesmo com ela? Por que não podia ser alguma espécie de comunicação? De qualquer jeito, era evidente que Sam não estava nada bem lá embaixo.

Contudo, Dean não pretendia dizer nada a Vic sobre ele mesmo também estar buscando um meio de trazer Sam para não lhe dar falsas esperanças. Não a desestimulava de fazer o mesmo, mas só não iria alimentar suas ilusões para depois vê-las despedaçadas.

Sim, ele era realista. Era bem provável que não houvesse mesmo nada. Que poderiam nunca trazer Sam de volta. Mas como poderia ficar de braços cruzados? Numa dessas, talvez conseguisse algo. Ou até mesmo a própria Vic.

Bobby, é claro, exigiu que ele falasse com Victoria como havia prometido e a fizesse desistir daquela busca. Ele, contudo, esquivou-se com a seguinte desculpa:

- Deixe ela. Logo ela vai se mancar que não vai dar em nada. Se insistirmos, aí que ela não vai desistir.

Com essa, Bobby teve que concordar. E resolveu se aquietar e esperar a sobrinha cair na real. Esperar. Era tudo o que restava.

- 0 –

Victoria estava no seu limite. Ela não conseguia encontrar uma solução. Sabia que o que estava prestes a fazer era uma atitude não só egoísta, mas desastrosa em termos mundiais. No entanto, ela não podia suportar mais.

O mundo que a perdoasse, mas ela não podia viver sem Sam e, muito menos, deixá-lo padecendo eternamente na jaula. Ela estava determinada a libertá-lo mesmo que com isso trouxesse Lúcifer e Miguel de volta... se não havia saída.

Foi com essa resolução em mente, que entrou no quarto de Dean e começou a vasculhar todos os cantos à procura dos anéis dos Cavaleiros.

Era o que tinha aberto a gaiola para prender o Diabo... e Sam; então também os libertaria. Torcia para que Dean não levasse os anéis consigo.

Odiava mexer nas coisas dos outros, invadir suas privacidades, mas era preciso. Dean com certeza não entregaria o triângulo de bom grado. Ele não a deixou usá-lo no Cemitério de Stull pouco depois que Sam caiu. Duvidava que fosse deixá-la agora.

Depois de muito vasculhar, finalmente encontrou o objeto... no meio das cuecas de Dean na terceira gaveta da cômoda. Lá estava o triângulo ainda formado. Ela sorriu com a descoberta em mãos.

- Não vai funcionar.

Vic se assustou ao escutar a voz de Dean. Virou-se e ele estava lá parado na porta com ar de reprovação. Como ela não escutou os sons dos passos dele voltando para o quarto? Talvez fosse a ânsia de encontrar o objeto.

- Dean, olha, eu...

- Economize saliva tentando se explicar, Vic. – aproximou-se dela. Ostentava aborrecimento no semblante – Estou vendo que está xeretando nas minhas coisas.

- Sim, mas... eu queria apenas encontrar isso. – mostrou o triângulo

- Você podia ter me pedido

- E você ia me entregar por acaso? Você o tomou de mim lá... no cemitério.

- Teria... para você constatar que não funciona.

- Como não funciona?

- Eu mesmo o testei.

- Você o testou? – Vic arregalou os olhos – Quando?

- No mesmo dia... em que você contou o seu pesadelo com o Sam. – admitiu. Engoliu em seco – Foi uma grande estupidez. Mas... ainda bem que não deu certo.

- Como posso saber se isso não é uma mentira para me fazer te entregar o triângulo?

- Jogue-o na parede... e repita as palavras que abrem a jaula. Sabe elas de cor?

- Sim.

- Então faça

Ela o encarava. Não havia a menor sombra dúvida, nem hesitação. Ainda assim, precisava verificar por si mesma. Virou-se, lançou os anéis sobre a parede mais distante. Recitou as palavras. E esperou. Nada. Ela as repetiu mais três vezes. E de novo, nada.

- Eu... não entendo – disse intrigada

- Acho que essa chave só aciona a jaula quando ela está vazia. Agora que Lúcifer está lá, os anéis perderam sua função. – Dean esboçou um sorriso amargo – O Morte sabia bem o que estava fazendo quando me entregou seu anel. Ele previu que eu ou mesmo você tentaríamos recuperar Sam a qualquer custo.

- Tudo bem – Vic soltou um suspiro de frustração após uns instantes de silêncio – Não importa. Vamos procurar outros meios.

- Vic... chega. Não há como trazer o Sam de volta. Eu queria... mas não dá. Sinto muito.

- Sente muito? É só isso o que tem a dizer? – ela vociferou – Dean, ele é seu irmão! Você sempre fez tudo por ele!

– Você não precisa me informar a respeito. – retrucou sarcástico – Sei melhor do que ninguém sobre isso.

- Não aja como se não importasse. Você acaba de me mostrar o quanto deseja trazê-lo tanto quanto eu. Você também ia fazer uma loucura.

- É, Vic, disse bem... Uma loucura! – elevou o tom – Já pensou se esses anéis ainda funcionassem? O desastre que ia ser? Tudo o que sacrificamos em vão... o sacrifício do Sam em vão. É por isso que devemos parar antes que acabemos fazendo alguma besteira.

-Eu não vou parar, você entendeu? Não vou desistir!

- É mesmo? Pois me parece que o que você pretendia fazer era de alguém que estava desistindo. Uma medida desesperada!

- Sim foi desespero. Me processe. Mas o fato de não ter achado nada aqui, não significa que eu não possa achar em outro lugar.

- O que quer dizer?

- Vou viajar, Dean. Pelo país... e pelo mundo todo se for preciso. Vou buscar uma solução, fazer pesquisas em arquivos de outros lugares e descobrir um modo de recuperar Sam. Vou fazer sem acionar o Apocalipse de novo. OK? Mas vou encontrar.

- Ah, é, com que dinheiro? Pode se saber?

- Com o meu... claro.

- O seu? – ele a encarou com estranheza.

- É, Dean, eu... – interrompeu-se ao se lembrar que não havia lhe contado ainda que era uma bilionária e dona de uma multinacional. Não que àquela altura importasse esconder isso de Dean, mas não sentiu vontade de ter que se explicar. – Eu... tenho algum guardado... desses depósitos que nós recebemos todo mês. Não sou muito de gastar.

- OK, Victoria... que seja. Mas você não pode sair assim em busca de não se sabe o quê... Você não sabe que perigos pode encontrar pela frente.

- Não devem ser piores do que Lúcifer. E de qualquer jeito, não me importa.

- Importa para Bobby... e para mim - ele a encarou intensamente. Vic prendeu o ar. Seu coração palpitou – Vic... eu lhe peço. Não vá.

- Eu tenho que ir... Dean – ela desviou o olhar perturbada e se sentindo culpada por deseja-lo – Sem Sam... eu não tenho nada.

Tem sim. A mim, ele apenas pensou, mas não o disse. Não queria ser mal interpretado.

- Não posso viver feliz sabendo que Sam está sofrendo. – continuou ela – Se for preciso... passarei a minha vida toda nisso, mas eu irei trazê-lo de volta. Vou buscar qualquer coisa por mais remota que seja... Vou atrás também de qualquer pessoa, bruxa ou feiticeira que houver no mundo.

- E perderá seu tempo – a voz de Castiel se fez ouvir a um canto do quarto.

Os dois viraram surpresos para ele.

- Cass? – disseram ambos

- Victoria, peço que desista de sua busca. – ele se dirigiu particularmente a ela – Não irá dar em nada.

- Está me bisbilhotando por acaso? – retrucou irritada.

- Não pude deixar de fazê-lo. E lhe garanto... não há nada que você possa fazer.

- Como você pode ter tanta certeza?

- Eu lhe disse isso... Anna também lhe confirmou.

- E vocês esperam que eu simplesmente aceite a palavra de vocês? Não é por mal, Cass, mas você se enganou sobre Deus... e ele acabou te favorecendo.

- Mas isso é um caso à parte. – ele se aproximou e colocou a mão no ombro de Vic – Acredite em mim, Victoria, eu... estive procurando uma solução esses dias.

- Você, Cass? – Dean se surpreendeu

- Eu também me importo com Sam, Dean... e sei o quanto vocês sentem a falta dele. Eu tinha que tentar achar algo, embora já soubesse que a possibilidade era muito remota.

- E encontrou algo? – ela o indagou

- Não. – declarou sem hesitação na voz ou no olhar.

A não ser a informação sobre a possibilidade de George – ou Maison, como ele se apresentava – saber onde estava a jaula e talvez soubesse também como tirar Sam de lá. Mas o bruxo estava no inferno de qualquer jeito. E Castiel não tinha certeza se deveria se arriscar a ir lá e tirá-lo do local como fez com Dean.

O inferno era um lugar bem vigiado e embora Cass tivesse a força total para matar uns cem demônios, não tinha certeza se conseguiria com uma infinidade deles. Teve sorte em conseguir tirar Dean sem haver algum demônio por perto. Ou não. Agora ele sabia que assim foi determinado. De certa forma, Lilith quis que ele o fizesse em conluio tanto com os anjos defensores de Lúcifer como os que eram partidários de Miguel. Para que a profecia do grande combate se cumprisse.

Ele não saberia dizer se teria a mesma "sorte". Com Crowley no comando do lugar, não sabia o que esperar.

Porém, Castiel não compartilharia tal informação com seus amigos, pois mesmo que o fizesse, não sabia se Maison o ajudaria e nem se realmente sabia. E talvez o bruxo quisesse se aproveitar para se vingar de Victoria e Dean.

Castiel também não falaria da possibilidade de Isabel tirar Sam dali a um ano. Teria que dar muitas explicações a respeito – coisas que os dois não estariam preparados para lidar.

Não, se resolvesse fazer algo, agiria na surdina, mas sem que eles soubessem até consumar o fato. Por ora, mentiria.

- Não encontrei nada – prosseguiu ele. – Procurei por todas as bruxas, feiticeiras, magos e qualquer entidade mágica... no mundo todo. – a expressão de Vic ainda era incrédula – Vocês sabem que posso viajar em grande velocidade. Estar aqui e ali. Não há lugar onde eu não tenha ido. Coisas, pessoas e lugares que para vocês levariam anos em encontrar. Acredite em mim, Victoria. Fui mesmo.

Durante alguns instantes, ninguém disse nada, Victoria apenas encarava o anjo.

- Não existe nem uma maneira... de levar a alma dele para o Céu? – disse por fim – Mesmo que... que ele não possa voltar... não pode ao menos ficar num lugar melhor?

- Eu já o teria levado para lá se pudesse. Mas não.

- Entendo. – assentiu com o rosto abaixado.

Um silêncio mortal se instalou. Dean esperava pelas lágrimas de Victoria. Ele as queria derramar também, mas precisava estar forte se ela desabasse. Castiel apenas a observava. Após uns instantes, ela ergueu o rosto e se dirigiu ao Winchester. Não havia nada em seu olhar. Nada. E isso era preocupante.

– Desculpe, Dean, por ter invadido seu quarto... e te causado um transtorno.

- Vic... – ele quis se aproximar, mas ela se afastou. Com as mãos levantadas

- Não se preocupe, Dean. Eu... eu... vou ficar bem. Só preciso ficar sozinha. – virou-se, abriu a porta e saiu correndo.

- Vic! Vic! – Dean saiu correndo atrás dela deixando Castiel. Ele a seguiu até seu quarto, mas ela fechou a porta não dando tempo para ele entrar. Começou a bater na porta – Vic! Vic!

Mas ela não respondeu.

- Vic! Vic! – Dean insistia

Sem resposta. Nenhum choro. Dean encostou a testa na porta com frustração. Devia ter escutado Bobby e não ter deixado ela se iludir com aquela ideia de tirar Sam da jaula.

- O que aconteceu, Dean? Que escândalo é esse? – indagou Bobby vindo de seu quarto. Fitou o Winchester com ar preocupado – O que aconteceu com a minha sobrinha?

- Ela está bem. – respondeu Castiel surgindo ao lado de Singer e o assustando com sua aparição repentina – Só está desiludida. Sinto ter causado isso.

- Como assim?

- Isso não importa, Bobby... Me ajude só convencer a Vic a abrir a porta pra falar comigo. – tornou Dean

- Vic! Vic! – Bobby batia na porta.

- Vic. – Dean continuou

Aquele silêncio já estava os preocupando. Entreolharam-se. E se ela...?

Súbito, a porta foi aberta.

- Será que daria para vocês me darem um pouco de privacidade? – encarou-os irritada – Se não notaram, não estou muito a fim de conversa agora.

- Vic, por favor... Vamos conversar – pediu Dean

- Não, Dean, não quero conversar.

- Vic, minha querida... – começou Bobby.

- Não, tio. Eu não quero conversar. – repetiu e suspirou – Eu não posso, por favor. Não agora. Só... me deem um tempo. OK? Me deixem sozinha.

- Mas, Vic... – protestou Dean, contudo, ela fechou a porta na cara delas. – Vic!

- Me deixe em paz, Dean... Já falei.

- Cass, será que você pode...? – Dean se virou, porém, o anjo já havia partido – Beleza!

- Pelo menos, ela falou com a gente – disse Bobby e puxou Dean pelo braço. Eles se afastaram do quarto de Vic – Então ela já se deu conta de que não pode trazer Sam de volta?

-Sim... E não sei se fico aliviado ou... assustado.

- Não se preocupe... a Vic vai começar a aceitar a morte de seu irmão. Ela sempre supera isso.

- Espero que esteja certo.

- Eu também.

Ambos sentiam que a coisa só estava começando, contudo, não sabiam mais o que fazer. Só esperar a reação da Victoria. Esperar. Como todos aqueles dias em que estiveram fazendo.

- 0 -

E aí? O que acharam?

Mereço reviews? Sim... e me mandem bastante, por favor! Não custa nada. Nem dez minutos de seu tempo.

Até a próxima.