Pois é, gente! Demorei mais de dois meses para postar novo capítulo, nem vou me desculpar, mas são coisas que aparecem na nossa vida para fazermos e priorizarmos. Mas vou procurar realmente daqui pra frente postar duas vezes por mês conforme era meu propósito (e lhes garanti).

Espero que ainda tenha leitores desta fic (não me castiguem não lendo e nem deixando de comentar, rsrsrs)

Bom, sem mais delongas, divirtam-se!

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Anteriormente:

- Sam, isso que vamos fazer com a Vic...

- É para o bem dela... e de toda a humanidade. Pense nisso.

- Mas... e você, filho? Estamos falando de seu futuro. É bem provável que não consigamos te trazer de volta... não se isso for libertar o Diabo outra vez.

- Tenho certeza disso. E não espero nada do futuro, Bobby.

- Sam, você vai sofrer por toda a eternidade.

- Eu sei – engoliu em seco. Suspirou – Mas vou suportar qualquer agonia para que todos fiquem bem, principalmente vocês.

- Como poderei viver com isso? Seu sacrifício!

- Você pode viver sim, Bobby. Sabendo que foi minha escolha, que foi o meu desejo. Ninguém está me obrigando a nada. Eu que decidi.

- A Vic, Sam, pense... – Bobby insistia – Ela não vai conseguir seguir em frente, eu sei. Posso ver o quanto ela te ama. Vai ser a pior dor para ela, mais terrível do que todas as outras perdas juntas que teve.

- Ela vai ficar bem com o tempo, Bobby... Dean estará com ela.

(...)

– Me prometa outra coisa também, Dean – continuou Sam.

– O quê?

– Que você vai cuidar da Vic por mim.

– Ahn... é claro – o loiro concordou meio sem jeito - Vou dar meu apoio a ela, ser um ombro amigo.

– Não, Dean, não foi isso que eu quis dizer.

– Então... não entendo.

– Quando eu disse pra você cuidar dela, eu quis dizer... – fez uma pausa. Custava-lhe dizer aquilo, porém, não podia ser egoísta – Eu quis dizer pra você ficar com a Vic e passar o resto de sua vida ao lado dela.

(...)

- Assim que não há bruxo ou feiticeira algum que tenha a informação que eu preciso – disse Castiel, mas falava mais para si do que para Mitica.

O outro não conteve o riso.

- Nenhum bruxo ou feiticeira da face da terra, meu amigo alado. Nenhum vivo.

- O que disse? – seu comentário despertou a atenção do anjo.

- Talvez o único que soubesse algo se encontra morto... há dois ou três meses.

- Quem? – o bruxo ficou calado. Castiel se aproximou mais uma vez com postura ameaçadora. O outro engoliu em seco. – Quem?

- George Tudor.

(...)

- Não posso viver feliz sabendo que Sam está sofrendo. – continuou ela – Se for preciso... passarei a minha vida toda nisso, mas eu irei trazê-lo de volta. Vou buscar qualquer coisa por mais remota que seja... Vou atrás também de qualquer pessoa, bruxa ou feiticeira que houver no mundo.

- E perderá seu tempo – a voz de Castiel se fez ouvir a um canto do quarto.

Os dois viraram surpresos para ele.

- Cass? – disseram ambos

- Victoria, peço que desista de sua busca. – ele se dirigiu particularmente a ela – Não irá dar em nada.

Garota Interrompida (2ª parte)

Victoria esperou até que todos dormissem, atenta para o menor ruído. Queria ter certeza de que ninguém estaria por perto, nem atrapalharia seu plano.

Não havia saído do quarto desde a tarde. Saiu para jantar apenas para que Dean e Bobby se tranquilizassem. O momento da refeição foi silencioso, exceto por Bobby conversar sobre trivialidades para quebrar a tensão. Ela apenas prestou atenção e limitou-se a acenar para um ou dois comentários. E só. Nem ele e nem Dean ousaram mencionar o assunto referente à sua decisão frustrada de trazer Sam de volta, o que ela agradeceu mentalmente.

Talvez começassem a acreditar que ela se conformaria. Estavam enganados. Havia um último recurso que tentaria. E se não pudesse usá-lo, bem, já sabia o que faria logo em seguida. Mas tinha que fazer tudo às escondidas. Dean jamais concordaria com o que ela pretendia.

Eram perto das duas da madrugada. Constatou que a casa estava mergulhada em silêncio. Possuía tudo o que precisava em uma bolsa. Abriu a porta do quarto devagarzinho e saiu com cuidado. Deu uma olhada se o corredor estava livre. Estava. Tranquilizou-se e caminhou de fininho até a saída. Destrancou a porta evitando fazer o mínimo de barulho possível. Abriu-a e saiu.

O céu ainda estava escuro; um breu incidia sobre o ferro-velho. Victoria ainda caminhava devagar com receio de que seu tio ou Dean pudessem escutá-la.

Não pegaria o carro de Bobby, tampouco o Impala preto. Primeiro, porque faria barulho ao sair com qualquer um dos carros. E segundo, porque se recorressem a Castiel para saber seu paradeiro, ele seria capaz de usar o truque que ela lhe sugeriu de ler as marcas feitas de um determinado veículo.

Não, não era bom arriscar. Tomaria um táxi para ir bem longe, não muito porque não pretendia perder tempo. Apenas queria chegar à primeira encruzilhada de Sioux Falls antes que pudessem dar por sua falta e encontra-la.

Foi para o primeiro ponto de táxi que encontrou.

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Dean ia fazer um pacto para trazer Sam de volta. Estava decidido.

Não aguentava mais aquela angústia e sofrimento o corroendo dia após dia com a ausência do irmão e tampouco o sofrimento de Victoria.

Se Sam voltasse, tudo acabaria. Ele não se importava se tivesse que voltar ao inferno, mesmo que isso significasse passar de novo por aquelas torturas. Dessa vez, estaria preparado para o que o esperasse.

O sofrimento pelo qual passaria certamente não seria maior do que o que seu irmão estava passando com dois arcanjos sádicos, além de estar afastado de Victoria, seu grande amor.

Sim, faria isso por Sam. Por Vic. E por ele mesmo.

Prometeu a Sam que não tentaria trazê-lo de volta, mas ele não tinha obrigação alguma de cumprir. Como Sammy poderia conceber a ideia de ele ficar sentado sem fazer nada para o livrar de uma pena eterna e injusta por ter se sacrificado? E ainda por cima que ele passasse a existência ao lado de Victoria, a namorada e grande amor de seu irmão?

Não, Sam que passasse o resto de sua vida zangado com ele, mas a passaria de volta no mundo dos vivos e ao lado de Victoria.

Foi com essa resolução que Dean se levantou às duas e meia da madrugada, disposto a procurar a primeira encruzilhada. Revirou toda sua bagagem e encontrou tudo de que precisaria, inclusive sua identidade. Não tinha certeza se um demoniozinho qualquer de encruzilhada teria tanto poder para executar a tarefa de tirar Sam da gaiola, mas tentaria.

O pacto de Bobby para achar o Morte deu resultado. Por que o dele não daria?

O pacto de Bobby. Outra coisa em que tinha que pensar. Será que Crowley havia devolvido a alma do caçador como prometera? Deveria descobrir, mas não queria pensar nisso agora.

Arrumou-se assim que providenciou tudo. Antes de ir, resolveu passar pelo quarto de Vic para verificar como estava. Queria ao menos escutar o ruído de sua respiração, saber que estava bem. Aproximou-se da porta e colou a orelha. Nada. Nenhum som. Bom, não podia ter certeza. Talvez ela ressonasse baixo.

Sua mão automaticamente girou a maçaneta. Duvidava que a porta estivesse aberta, estava trancada desde ontem. Porém, surpreendeu-se quando constatou estar somente fechada. Abriu-a lentamente, sabia que não era certo invadir a privacidade da caçadora, apenas queria vê-la uma última vez antes de realizar o que pretendia.

Mesmo o ambiente mergulhado no escuro, Dean percebeu que a cama estava vazia. Ou assim parecia. Intrigado, acendeu a luz.

A cama não só estava vazia, como também arrumada. Entrou no quarto com expressão abobada. Em seguida, saiu.

- Vic! Vic – chamou-a pela casa.

Foi à cozinha, ao banheiro, ao porão, em toda parte... e nada.

Abriu a porta da casa.

- Vic! Vic!

Chamou-a, mas ninguém respondeu.

Droga! Será que ela foi embora como disse que faria saindo pelo mundo em busca de qualquer pista ou evidência para libertar Sam embora Castiel lhe garantisse que não havia saída?

Retornou ao quarto dela. Foi aí que notou que as malas dela estavam no lugar. Abriu o guarda-roupa e constatou que também suas roupas não foram levadas. Então isso significava que ela não havia viajado. Mas então onde poderia ter ido àquela hora?

- Dean? – a voz de Bobby fê-lo se virar em direção à porta. Singer estava parado no umbral – O que houve? Onde está a Vic?

-É isso que eu gostaria de saber – respondeu. – Chamei ela por toda a casa, inclusive lá fora.

- Sim, escutei. Foi por isso que acordei. – ele se aproximou com expressão preocupada e também viu as roupas no guarda-roupa, bem como as malas – Ir embora ela não foi, mas... onde terá ido?

- Não sei... A não ser... – um estalo despertou na mente de Dean. Ele arregalou os olhos ao adivinhar – Droga! Essa não.

- O quê? – a expressão de Bobby se alarmou.

- Os documentos dela – Dean foi numa das malas para revirá-la – Onde ela guarda?

- Aqui... a carteira dela – Bobby apanhou em cima da cômoda e a entregou. Dean a abriu. Singer também pareceu entender o que o Winchester queria insinuar – Você acha...?

- Acho não. É – afirmou Dean mostrando o conteúdo. Na carteira, havia apenas alguns cartões e outros documentos. Menos dinheiro... e a identidade. – Ela levou a identidade.

- Maldição! – praguejou Bobby – Vocês, Winchesters... e agora ela... Vocês vão me matar desse jeito!

- Bobby, não temos tempo a perder! Temos que achar a Victoria antes que ela faça um pacto.

- Acha que algum demônio conseguiria tirar Sam da gaiola?

- Não sei... mas seja como for, não podemos deixar a Vic fazer nenhum acordo. Sam nunca me perdoaria por descuidar dela assim. Temos que acha-la!

- Deixa eu só trocar de roupa! Em dois minutos.

Bobby correu para seu quarto.

Enquanto o aguardava, Dean passava a mão pelo rosto. Droga! Em que Vic estava pensando? O mesmo que ele. Incrível! Parecia até que tinham combinado. Fosse como fosse, deveria ter previsto esse passo dela.

Mas e agora? Como a encontrariam? Em alguma encruzilhada, na certa. Mas mesmo Sioux Falls não sendo uma cidade muito grande, certamente devia ter no mínimo umas vinte delas.

Só restava uma opção. Isso se não fosse tarde demais.

- Cass! – gritou.

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Victoria era bem precavida. Ela imaginou que seria arriscado ir a uma encruzilhada invocar um demônio se não queria ser encontrada nem por Bobby e muito menos por Dean, mesmo que houvesse mais de uma. Claro que eles recorreriam à ajuda de Castiel, embora ele não pudesse localizá-la por causa do cunho. Mas poderia tentar achá-la indo de uma encruzilhada para outra. Por isso, resolveu fazer um ritual mais complicado num velho galpão abandonado de Sioux Falls.

Talvez estivesse sendo paranoica, talvez estivessem ainda dormindo e nem dessem por sua falta. Contudo, era melhor prevenir do que remediar.

Nunca havia feito um ritual de invocação a demônios, menos daquela magnitude. Por outro lado, ir à encruzilhada recorrer a um demoniozinho de meia-tigela seria perda de tempo se ela queria realizar um pedido grande. E esperar que a criatura chamasse o chefão – se ele estivesse de boa vontade para atendê-la – a faria perder tempo. E tempo era algo penoso para ela, cada segundo longe de Sam lhe era penoso.

Por isso, também havia levado alguns itens por precaução para o ritual de invocar o Chefão de uma vez, o próprio Rei do inferno. Não foi difícil achar num dos velhos livros de Bobby. Achou-o por acaso enquanto folheava as páginas em busca de algum outro feitiço para trazer Sam de volta.

Leu-o com curiosidade e constatou que possuía tudo o que era pedido – embora naquele momento não pensasse em contatar Crowley. Mas seria mesmo o acaso? Talvez não. Talvez fosse o destino à espreita.

Ela rodeou o espaço com todos os apetrechos (velas, dentre eles), desenhou uma chave de Salomão e pronunciou algumas palavras em latim.

- Ora, se não é a bela Indomável? – a voz zombeteira de Crowley se fez ecoar pelo local – A gata selvagem.

Ele esboçava um sorriso zombeteiro, embora não estivesse nada contente em se ver preso numa armadilha. Olhou a chave com certo desdém.

- Podia ser um pouco mais delicada ao me chamar, não? Mandado recado pelos meus empregados, por exemplo. Eu teria vindo com o máximo prazer – observou-a dos pés à cabeça com olhar malicioso – E muito prazer

- Cale a boca. – disse ela num tom baixo.

- Perdão? – ele fez que não escutou.

- Eu disse para calar a boca. Não tenho tempo para suas gracinhas.

Crowley riu.

- Oh, minha cara... então temos um problema aqui. – seu semblante assumiu uma expressão séria – Se não tem tempo para minhas gracinhas, então não me faça perder o meu. Tenho muito o que fazer no inferno pra ficar de papo furado com uma caçadora sem modos! – esbravejou a última frase – Estou terminando de colocar as coisas lá em ordem ... então diga logo o que quer e me deixe ir.

- Quero fazer um pacto.

- Hum? – Crowley arqueou uma sobrancelha

- Eu disse que quero fazer um pacto – tornou Vic impaciente – Interessa?

- Oh... – Crowley tornou a olhá-la maliciosamente e entrelaçou as duas mãos com expressão intrigada – Mas o que você... Ah, não. Deixe-me adivinhar – ele ergueu o indicador – Você deseja que eu tire Sam Winchester da gaiola de Lúcifer. Correto?

- Vejo que você raciocina – retrucou sarcástica – E então? Pode fazer?

- Teoricamente eu poderia até achar um meio... perguntar ali e aqui... mas não vou fazer. Nem mesmo por sua... bela alma.

- E por que não? – ela esbravejou

- Por que, minha cara, não vou correr riscos. Mesmo que eu consiga realizar algo de tal grandiosidade, ao tentar tirar Sam da gaiola, posso abalá-la e libertar Lúcifer mais uma vez junto com Miguel.– respondeu com expressão de tédio como se estivesse explicando um problema de matemática fácil para uma estudante – E garanto que os dois vão estar mais furiosos do que nunca... e abater com fogo o primeiro que estiver à frente. E eu não quero ser esse primeiro.

- Seu covarde! – esbravejou ela e sacou a lâmina especial da cintura. Encostou-a no pescoço de Crowley sem atravessar a armadilha – Então eu acabo com você!

- Ora, por favor, acha que tenho medo de uma faquinha para demônios? – ele riu um pouco nervoso – Acha que eu, o grande rei do inferno, sou como um demoniozinho qualquer para ser morto por isso?

- Podemos testar.

- Vá em frente. Mesmo que isso me mate, prefiro ser morto a correr o risco de passar a eternidade com Satã me torturando

Vic observou o olhar de Crowley. Não, ele não blefava. Ele preferia mesmo a morte.

- Droga! – esbravejou ela e lhe deu as costas

- Só isso? – disse ele com tédio – Será que posso ir agora?

- Não, espere! - ela se voltou para ele. Suspirou – Tudo bem… acho que meio que eu esperava por algo assim.

- Bem… e o que queria? Apenas ter mais uma grande oportunidade de desfrutar da minha prazerosa companhia?

- Se dependesse de mim, varria sua existência da face da terra – retrucou áspera. Crowley soltou um assobio – Mas… acho que talvez eu tenha que conviver com essa sua cara nojenta pela eternidade.

- O que quer dizer? - olhou-a intrigado.

- Tudo bem, você não pode libertar Sam da gaiola – suspirou – Mas pode me levar até ele?

- Como?

- É isso mesmo que você ouviu. Quero que me leve até Sam o mais perto que você puder. - aproximou-se a poucos centímetros do demônio e o encarou destemida – Eu te entrego minha alma, infeliz! Faça com ela o que quiser. Mas em troca todos os dias pela eternidade você ou algum dos seus lacaios terá que me conduzir à gaiola de Lúcifer… para que eu veja Sam, mesmo que seja por poucas horas... sei lá como vocês contam o tempo lá embaixo. Mas que seja todos os dias em todos os anos que eu estiver no inferno.

- Oh! – Crowley não escondeu a expressão de surpresa, mas esboçou um sorriso de satisfação – Só que pense bem no que me pede. Porque veja bem… não que eu não queria desfrutar de sua deliciosa alma pela eternidade. Mas não será um espetáculo bonito de se ver todo dia. Sam Winchester deve estar um frangalho nas mãos do Diabo e de Miguel. Nem eu mesmo conseguiria reduzi-lo a tanto.

- Não me importa… Eu quero vê-lo todos os dias mesmo assim. Preciso que saiba que estarei lá por ele – suspirou – Eu preciso vê-lo.

- Uau! – exclamou Crowley – Se Shakespeare fosse vivo... a sua história com o alce seria a próxima tragédia que ele poderia aproveitar – o demônio abriu os braços para os lados como se fizesse o anúncio – Imagino até o título "O alce e a gata: o inferno do amor"

- Escute... não me faça perder o resto da minha paciência – ela falou entredentes – Sele o pacto e me leve lá agora!

- Tem certeza? - Crowley só enrolava para torturá-la, ver a ansiedade feroz e o desespero em seu íntimo – Dou-lhe uma, dou-lhe duas…

- Diga "dou-lhe três" e corto sua garganta – ela o ameaçou com a lâmina encostada em seu pescoço – Não estou para suas gracinhas.

- Calma, é só uma brincadeira – retrucou o demônio sem se incomodar com a ameaça – Gracejos durante uma reunião de negócios ajuda a descontrair, sabe?

- Pode fazer esse trato comigo sim ou não? - retrucou Colins impaciente – Ou é isso muito pra sua capacidade?

- Relaxe, pode ser feito, querida.

- Já disse pra não me chamar de querida.

- Acredite, quando sua alma for minha, o que mais vai escutar de mim será isso – disse com expressão maquiavélica – Aproveite para reclamar uma última vez.

- Deixa de conversa fiada! E então? – ela guardou a lâmina na cintura – Temos… que selar com um beijo?

- Pode apostar que sim.

- Então façamos logo– Victoria fez expressão de repugnância e fechou os olhos à espera. Estranhou a demora de Crowley e tornou a abrir os olhos – Por que a demora?

- Estou apenas saboreando o momento – disse ele com expressão maliciosa – Não sabe que prazer isso vai me dar.

- Acabe com isso de uma vez – retrucou Vic sem alterar o tom, o rosto inexpressivo. Tornou a fechar os olhos.

- Este sem dúvida vai ser o fechamento de negócio mais prazeroso que já fiz. - tornou ele e foi aproximando o rosto

- E será seu último se fizer mais algum movimento – a voz de Castiel os interrompeu a milímetros de encostarem os lábios

Vic abriu os olhos e viu com surpresa o anjo sujeitar o pescoço de Crowley e ameaçá-lo com a ponta de uma lâmina angelical. O demônio engoliu em seco.

- Cass?

- Se afaste dela – tornou o anjo sem desviar os olhos da veia na garganta de Crowley.

- Claro… Entendido – disse ele

- Vic! - Dean a chamou e a puxou pelo braço colocando-a a uma distância considerável do rei do inferno – Você está bem?

- Dean… o que está fazendo? - ela lhe perguntou se libertando do aperto dele – O que faz aqui?

- Eu poderia lhe fazer as mesmas perguntas – retrucou olhando-a com expressão severa. Em seguida, virou-se para Crowley – Mas antes… Cass, pode soltar.

- Tem certeza? Posso acabar com ele agora mesmo.

- Ei, ei! Que conste que foi ela quem me invocou! – apontou Vic com o indicador trêmulo – Eu só respondi ao chamado.

- Claro… e você não podia perder a chance! - replicou o Winchester com sarcasmo

- Solto ele ou não? - prosseguiu Castiel.

- Solte-o, Cass. Vamos deixar assim. - o anjo obedeceu, embora com certa relutância. Crowley respirou aliviado e ajeitou o colarinho do terno – Da próxima vez, eu mesmo cortarei sua garganta.

- Já disse que foi ela…

- Caia fora antes que eu mude de ideia!

- Que educação. - torceu o nariz com desprezo – Caçadores!

E desapareceu. Victoria olhou feio tanto para Dean quanto para Castiel.

- O que vocês estão fazendo aqui? - esbravejou

- Impedindo você de cometer uma idiotice. – retrucou Dean – Sério, Vic?

- Como me encontraram?

– Dean e Bobby deram por sua falta e me pediram que os ajudasse a localizá-la. - interveio Castiel

- Como? Eu tenho um cunho nas minhas costelas.

- Cass tem outros truques – tornou Dean

- Fiz um feitiço localizador. E não foi nada fácil realizá-lo.

- É… e foi bem a tempo de te impedir de fazer uma besteira – Dean puxou o braço de Collins – Vamos, Bobby está preocupado.

Ela se soltou bruscamente dele. Não gostava da maneira como a estava tratando

- Cass… será que pode me deixar a sós com Dean? - ela indagou impaciente. – Por favor.

- Claro. Estarei… lá fora. - observou-os intrigado

E sumiu. Assim que se viu sozinha com o Winchester, esbravejou:

- Quem vocês pensam que são para se intrometer nos meus negócios?

- De nada, Vic – replicou Dean sarcástico

- Eu não pedi por sua ajuda… nem a do Cass.

- Vic, você tem ideia da burrada que pretendia fazer?

- Sim, perfeitamente… e você não tem o direito de se meter nisso.

- Uma ova que não! - elevou o tom – No que você estava pensando? Ia vender sua alma para Crowley em troca da libertação de Sam? Acha que ele ia querer isso?

- Pra sua informação eu não estava vendendo minha alma para libertar Sam.

- Ah, não?

- Crowley disse que não pode libertá-lo. Ou pelo menos, não se arriscaria a fazer algo que pudesse atingir a jaula e soltar Lúcifer novamente.

- Ah, então o que você estava negociando com ele? - Victoria permaneceu calada – Vic, o que você ia negociar com ele?

- Não é da sua conta

- Uma merda que não é! - segurou o braço dela – Fale, o que você pretendia!

- Me solta, Dean, ou eu juro que vai se arrepender – ela murmurou entre os dentes.

- Por quê? Vai me bater por acaso? - encarou-a com desafio – Fique à vontade… mas não sem antes me dizer o que você pretendia negociar com Crowley.

- Eu queria que ele me levasse para o inferno para eu ver Sam todos os dias! - esbravejou. Vislumbrou o espanto no rosto do caçador – Satisfeito? Agora, me solte!

- Você perdeu a cabeça! - ele apanhou o outro braço dela e a balançou – Como… como você pôde pensar numa merda dessas? Vender sua alma para ver o sofrimento de Sam?

- A alma é minha e eu faço o que quiser com ela! - por fim, soltou-se dele – Eu não queria ver o sofrimento de Sam… mas estar perto dele, compartilhar um pouco da sua dor.

- Por Deus, Victoria! - ele colocou as mãos sobre a cabeça – Você acha que foi pra isso que meu irmão se sacrificou por você, por mim… por todos nós? Pra que no fim você sofresse pela eternidade e vendo ele sofrer? Vic, lá embaixo não é a Disneylândia!

- Eu não me importo com isso! Eu só quero o Sam!

- Vic… - Dean não soube mais o que dizer, principalmente ao ver as lágrimas escorrerem pelo rosto dela

– Eu... eu não aguento maiiiiis! Eu quero morrer! – gritou Vic e chorou convulsivamente. Dean a abraçou e a reteve por um tempo nos braços. Podia compreender sua dor. Ela afastou minimamente o rosto para desabafar – Eu não... não consigo viver sem ele! Eu quero ficar perto dele! Preciso vê-lo nem que... seja por um segundo... mesmo que... eu tenha que vender minha alma. Mesmo que tenha que passar pelas piores torturas do inferno!

– Ótimo! – disse ele e encarou-a com expressão séria – Pois se você fizer isso, se vender sua alma... eu também vendo a minha.

Victoria apenas o olhou surpresa.

- Vic, eu sou um hipócrita em dizer que você ia fazer uma grande besteira ao vender sua alma porque eu pretendia fazer o mesmo… Eu acordei de madrugada para isso… fui até seu quarto para te ver uma última vez… e foi aí que notei sua ausência.

- Dean… - ela não conseguiu dizer nada espantada pela confissão dele.

- Eu também queria trazer Sam de volta… não podia deixar meu irmãozinho preso lá embaixo para sempre. E também não aguentava ver seu sofrimento. Eu tinha que fazer alguma coisa por vocês dois.

- Dean… você é um idiota – ela fungou o nariz

- Nós dois somos – ele sorriu. Depois, tornou a ficar sério – Vic, já está difícil sem meu irmão. Se você também partir, eu vou desabar. Só estou segurando essa barra por você. Sei que está insuportável, eu sei. - ele contorceu o rosto de dor – Melhor do que ninguém posso te compreender, mas… por favor, aguente firme. Por mim… Por nossa amizade.

Victoria não respondeu, apenas tornou a esconder o rosto no peito de Dean e começou a chorar. Foi um pranto convulsivo, dolorido e ruidoso. Dean a apertava mais para reconfortá-la o máximo que podia. Cada soluço dela era como uma facada em sua alma, uma expressão do próprio choro da alma dele que se continha. Precisava ser forte naquele momento por Vic.

- Me tire daqui... – sussurrou ela após um longo tempo com voz sumida –... por favor.

Ele assentiu e não disse mais nada, apenas chamou por Castiel.

- 0 –

Bobby andava de um lado para o outro da sala, imensamente preocupado com Victoria. Droga! O que aquela maluca estava pensando? Já bastava ele ter sua alma na penhora (aliás, com o fim do Apocalipse, tinha que resolver o assunto o quanto antes com Crowley, o maldito demônio não respondia aos seus chamados).

Sabia que Victoria certamente faria de tudo para trazer Sam, porém, nunca imaginou que chegaria àquele ponto. Ela nunca fez algo do tipo por ninguém, nem por seus pais verdadeiros ou pelos Collins e nem por seus dois namorados anteriores. Mas de qualquer jeito, deveria ter previsto isso.

Eu devia ter ido com eles para eu mesmo colocar juízo naquela cabeça de vento. Ah! Mas quando ela voltar, ela vai me ouvir.

Mal o pensamento lhe ocorreu, ele viu os três surgirem diante de si na sala. Teve um sobressalto, mas não foi de susto, foi de cólera.

- Ah, fico feliz que tenham trazido essa tola de volta! – foi logo esbravejando e dirigiu-se particularmente a ela – No que você estava pensando, hein, dona Victoria Collins?

- Bobby... – Dean colocou os dedos entre os lábios, mas Singer o ignorou.

- No que você estava pensando, hein, garota? – repetiu Singer mais colérico, porém, sua fúria sumiu ao ver a expressão angustiada de Victoria e os olhos vermelhos. Engoliu em seco.

- Em nada, Bobby... – respondeu ela sem se abalar – Como não estava pensando nesses dias – suspirou – Me xingue o quanto quiser, mas... depois. Me deixa ir para o meu quarto agora. Eu prometo que não faço mais nenhuma besteira.

Bobby pensou em dizer mais alguma coisa, entretanto, a um olhar tanto de Dean quanto de Cass, desistiu. Ele apenas acenou com a cabeça.

- Certo... Estamos todos cansados mesmo – abaixou o tom – Vá.

Victoria se retirou com o semblante abatido e deixou-os.

- O que aconteceu? – sussurrou o velho caçador para Dean e Cass

- Ela quase fez um pacto... com Crowley – respondeu o Winchester.

- Com Crowley? – Singer se admirou – Então aquele safado de merda resolveu dar as caras?

- Sim, mas conseguimos impedir a tempo que eles fizessem qualquer trato.

- Ele é um maldito filho da mãe, mas me admira estar disposto a se arriscar a mexer na jaula só para fazer um acordo com Victoria... a não ser que tenha mesmo poderes suficientes para isso.

- Não, não tem – replicou Castiel – Se para anjos é impossível, quanto mais demônios, mesmo um como ele.

- Vic não estava negociando a soltura do Sam – retrucou Dean – Estava negociando sua ida permanente ao inferno apenas para ficar perto de Sam.

- O quê? – Bobby praticamente gritou sem se importar se Collins o havia escutado – Ah... mas agora mesmo vou falar umas com essa menina!

- Não, Bobby, deixe – Dean o segurou pelo ombro

- Deixar? Dean, você percebe que nível de insanidade ela atingiu?

- Mas agora ela vai se recuperar... você viu a expressão dela... ela chorou, Bobby. Finalmente, botou tudo pra fora. O processo vai ser doloroso, mas agora ela vai começar a reagir.

Bobby ficou pensativo por alguns instantes, em seguida, assentiu.

- É... acho que sim.

- Vamos dar tempo ao tempo... e estar aqui por ela.

- 0 –

Na manhã do dia seguinte, Bobby terminava de colocar a refeição matinal que havia preparado sobre a mesa. Dean entrou.

- E Vic? – perguntou o Winchester

- Não a vi ainda e nem quis acordá-la antes de preparar o café. – respondeu Singer – Vou chama-la.

- Não, deixe que eu vou. Pode terminar aí.

Dean foi até a porta do quarto dela e bateu de leve.

- Vic? Vic?

- Hum... – ela respondeu com fraco gemido

- Hora do café. Bobby preparou e está chamando.

Não houve resposta.

- Vic? – estranhou Dean.

Ele girou a maçaneta e entreabriu a porta. Victoria estava enrolada sobre os lençóis. Achou-a linda dormindo mesmo abatida. Pensou em se ir e deixa-la dormir até que se sentisse com disposição para tomar o café mais tarde, contudo, ela o chamou num sussurro quase fraco:

- Dean...

- Sim?

- Pode... me trazer... uma aspirina?

- Você está bem? – indagou preocupado

- Eu... não sei... eu... – começou a tossir violentamente

Dean se aproximou preocupado sem pedir licença. Colocou a mão sobre sua testa. Arregalou os olhos.

- Por Deus, Vic! Você está queimando!

- Acho que sim... – ela tentou se erguer – Me traz uma...

Não completou a frase porque sua cabeça tombou de lado e os sentidos dela se escureceram.

- Vic! Vic!

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Xi, e agora? O que vai ser da Vic?

Espero que tenham gostado. Por favor, mandem reviews. Prometo que não demoro em postar o próximo. Ah, aliás, o capítulo em que vai rolar finalmente algo entre Dean e Victoria vai sair mais cedo do que planejei, talvez daqui a dos capítulos.

Até a próxima.