Bom, não demorei muito dessa vez. A letra é da música Dois Rios, de Skank. Espero que gostem.

Boa leitura!

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Anteriormente:

Alguma coisa fazia força contrária a que Castiel empregava, mas dessa vez, o anjo estava com a vantagem. Porém, outro brilho que ele não soube dizer o que era cegou-o momentaneamente e ele não via mais Sam, só sentia seu braço.

- Saaaam! – ele gritou desesperado com medo de perdê-lo

- Cassss! – gritou o Winchester em resposta – Não me deixe!

Porém, Castiel sentiu um corpo caindo sobre si. Ele o agarrou com um dos braços. Era Sam com certeza. Ele havia conseguido. Mas não via, escutava ou sentia mais nada. Apenas puxou a chave com o outro braço e tirou-a da gaiola; segurou-a com força para não a perder. Depois, tudo sumiu diante dele.

(...)

- Você cometeu um grande erro ao se meter no caminho de Isabel, Cass – declarou Anna com a lâmina prestes a ser enfiada no coração de Castiel – Nunca devia ter tirado Sam Winchester da gaiola antes do tempo.

- Fiz... e não me arrependo – declarou ele com desafio – Pode me matar se quiser... Prove o que sempre pensei de Isabel. Que ela é igual a Miguel e Lúcifer.

(...)

- Vamos mudar de assunto – tornou Dean ao notar o estado de espírito dela – Que tal... que tal a gente falar... – por um momento, não soube o que dizer. –... vamos contar alguma sacanagem que já fizemos com alguém! – estalou os dedos e a fitou com expectativa de animá-la – Que tal?

- Sacanagem? – ela arqueou as sobrancelhas

-Não num sentido puramente sexual, é claro – ele se apressou em dizer – Alguma brincadeira, confusão, qualquer coisa do tipo que você tenha armado pra cima de alguém bem mané. OK?

- Certo. Mas comece com você. – ela emulou um sorriso malicioso e balançou o dedo para ele – Aposto que já aprontou com muita gente, hein, Dean Winchester?

- Gata, você não sabe o quanto... foram tantas armações que nem dá pra contar todas. – ele abriu um largo sorriso maroto – Mas se prepare para ouvir as mais cabeludas.

Prison Break (2ª parte) - Final

Anna ficou um bom tempo fitando Castiel com a lâmina ainda empunhada em seu peito, na altura do coração, prestes a trespassá-lo. O anjo esperava. Por fora, era a impassibilidade em pessoa; por dentro, o medo o consumia, além da preocupação.

Não queria morrer, é claro. Mas se fosse um preço a pagar por libertar um amigo e proporcionar a felicidade a mais dois, valeria a pena. Sua preocupação era em saber se Isabel deixaria Sam Winchester livre. Talvez sim. Para receber créditos alheios pelo resgate dele.

Isso também o preocupava. Fora justamente para evitar qualquer tipo de dívida dos Winchesters e de Collins com relação a arcanjo que ele se antecipara a um golpe desta. Bastava a dívida pela vida de Victoria.

Agora que não havia Miguel e Lúcifer em seu caminho, tudo seria mais fácil para ela. Castiel se lembrou da conversa que teve com Dean de ele se tornar um possível "xerife". Na hora, até pensou em tal possibilidade, embora não pretendesse mandar em ninguém. Estivera tão empenhado em salvar Sam e evitar que Isabel o fizesse, que se esquecera momentaneamente que ela representava uma ameaça tão grande quanto os dois outros arcanjos. Talvez não para a humanidade, mas para o Céu e a hoste de anjos.

Seus pensamentos se detiveram por um momento quando Anna ergueu a lâmina e empunhou-a forte... sobre a corrente que prendia seu braço direito. Ele soltou o braço e encarou-a surpreso e confuso.

- Isabel não é como Miguel ou Lúcifer – esclareceu Anna e fez o mesmo na outra corrente, liberando o braço esquerdo de Castiel – E certamente não é como você.

- Que truque é esse, Anna? – perguntou ele desconfiado e alisando os pulsos – Por que não me matou?

- Isabel não quer sua morte. Nunca o quis. Ela me deu ordens expressas de libertá-lo... apesar de sua ousadia. E que eu conversasse com você.

- E o que foi tudo isso? – ele franziu o cenho e apontou as vigas onde esteve preso e as correntes – Ela queria acrescentar terrorismo?

- Isso foi por minha conta – retrucou Anna com um sorriso sardônico. Cass estreitou os olhos – Adquiri um pouco de senso de humor pelo tempo que vivi como humana.

- Onde está Sam? – ele se aproximou com postura desafiadora – Você disse que ele estava bem... e que estava sendo cuidado. Me leve agora até ele.

- Como eu disse, Isabel não é como você, Castiel. – ele arqueou a sobrancelha – Está sendo arrogante demais para um anjo. Não está em posição de dizer o que fazer.

- Anna... – ele apertou os punhos e trincou o maxilar

- Um "por favor" lhe cairia bem.

Castiel a fuzilou com os olhos e mordeu os lábios. Não queria ter que lhe suplicar, principalmente com a postura altiva que ela ostentava, porém, Sam era sua responsabilidade.

-Por favor, me leve até Sam Winchester – pediu a contragosto

- De qualquer jeito, também tenho ordens de conduzi-lo até ele – Anna esboçou um sorriso de satisfação ao ver Castiel apertar mais os punhos. Resolveu parar de provocá-lo – Venha comigo.

Esperou que ele se postasse ao seu lado e caminharam juntos ao longo do enorme galpão. Castiel procurava não tirar os olhos de Anna, atento a cada movimento dela para evitar uma surpresa.

- Relaxe, Cass – sussurrou meio divertida, adivinhando os pensamentos dele – Se quisesse matá-lo, já o teria feito ali.

- Como se você pudesse... Obedece ordens. – provocou em resposta – De Isabel.

- Sim.

- E você que quase foi morta por desobedecer... No fim, acabou voltando à estaca zero.

- Não, é diferente – respondeu ela com expressão tranquila – Com Miguel, a obediência era sem questionar. Com Isabel, eu posso questionar antes – voltou-se para ele – Como eu questionei poupar sua vida. Ela me deu escolha de obedecer ou não. Ela dá a escolha a todos.

- E quem a desobedece?

- Sai.

- Ou seja, morre.

- Não, fica por conta própria, segue o próprio caminho sem ter que obedecer a ninguém.

- Sei. – ele torceu a boca em dúvida – E alguém saiu por acaso?

- Houve três ou quatro, mas no fim... eles acabaram voltando.

- Voltaram? – ele a questionou confuso

- Para onde iriam? Miguel havia ordenado a captura e execução de Isabel e qualquer anjo ligado a ela. E depois… ninguém gosta de ficar sozinho. Nem mesmo anjos.

- E ela os aceitou?

- Isabel perdoa.

- Desde que sigam suas regras.

- Evidente. É assim que as coisas funcionam. – Anna o encarou profundamente. – Mas mesmo assim, podemos questionar ou sugerir mudanças.

- Imagino que agora com Miguel fora do caminho, ela vai se revelar para os outros anjos… e assumir o controle do Céu. Não há mais ninguém que possa se opor a ela.

- Engano seu. Ela vai deixar as coisas como estão.

- E a causa dela? Vai deixá-la de lado?

- Não sou eu quem deve lhe responder. - Anna lhe dirigiu um olhar duro

Castiel não fez mais perguntas. Isabel o intrigava cada vez mais, porém, não queria pensar a respeito. Só sabia que se ela tencionasse ir adiante com seus propósitos, ele teria que impedi-la de alguma forma, de preferência que não envolvesse seus amigos caçadores.

Detiveram-se diante de uma grande porta a um canto do galpão. Anna a abriu com apenas um movimento da mão sem sequer encostar. Depararam-se com o que parecia um quarto enorme todo arrumado e iluminado. Numa cama, encontrava-se Sam, desacordado e completamente nu, rodeado de cinco anjos que mantinham as mãos estendidas sobre ele, enviando-lhe luzes.

- Sam! - Castiel deu um passo imediatamente para avançar, porém, Anna o segurou pelo ombro. Ele se voltou para ela. - O que estão fazendo com ele?

- Como eu disse, ele está sendo cuidado. Eles estão terminando de estabilizá-lo.

- Mas… por quê?

- Ainda pergunta? O que você fez foi muito perigoso, Cass. Com sérias consequências para Sam.

- Que consequências?

- Uma delas está à sua frente. Sam está num estado permanente de coma… e mesmo você estava assim quando encontramos vocês dois num campo.

- Quanto tempo fiquei desacordado? - indagou após uma longa pausa

- Umas três semanas do tempo dos humanos. - a expressão de Castiel foi de assombro – Você mexeu com uma alta energia da gaiola ao libertar Sam, Cass.

- Você disse uma delas… Que outras consequências pode ter?

Anna não lhe respondeu. Apenas o fitou de modo sombrio e misterioso.

- Terminamos – um dos anjos se pronunciou enquanto se afastava junto com os demais – Agora ele pode ser acordado a qualquer instante, bastando um toque.

- Deixem que a babá dele faça isso – declarou Anna com sarcasmo se voltando para Castiel –Pode levá-lo, Cass.

- Vão me deixar ir assim com ele? - perguntou confuso – Isabel não vai me impedir?

- Não. Você se meteu no que não devia... então, Sam Winchester é sua responsabilidade agora. Já fizemos tudo o que podíamos por ele. Se houver qualquer outra consequência nele por sua intromissão, você descobrirá com o tempo.

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- E quando o cara abriu a porta do carro pra mina entrar, só saiu o fedor da bosta… - Dean se interrompeu para abafar o riso. Victoria ao seu lado, segurava a barriga e chorava de tanto rir… – Cara, o mané teve que se mudar de escola pra fugir da vergonha e da gozação.

- Dean… como… como você pôde? - Vic arqueou o corpo para frente, custando a parar os risos, assim como seu interlocutor. Por fim, foi aos poucos recobrando o controle – Que maldade… Você colocar sua… sua bosta no assento do carro do cara.

- Quem mandou ele desdenhar da minha querida dizendo que era lata velha? Mereceu. Assim aprende a não zombar do carro dos outros – afirmou o Winchester com o dedo em riste e levantou-se do sofá. Ergueu os ombros, estufou o peito e balançava o tronco, imitando a postura do rapaz de quem falava – Ele era todo metido a gostosão circulando com aquele carro dele pra impressionar as minas. Mas na maior? Não tinha nada de mais no cara. - voltou a se recostar no sofá – Eu sou homem, mas sei reconhecer quando um tipo tem mesmo boa pinta.

- Ai, Dean, só você mesmo. - Vic balançou a cabeça para os lados ainda aos risos.

O Winchester havia lhe contado pelo menos uns seis casos em que fez algum tipo de armação para algum sujeito imbecil, na opinião dele, que havia encontrado nos colégios em que ficava por um tempo, na época em que viajava pelo país no Impala caçando com o pai e o irmão.

- Muito bem, Victoria Collins, é a sua vez – tornou Dean com um sorriso torto – O que a senhorita aprontou pelas suas andanças?

- Imagina, Dean… Sou muito tranquila.

- Uh! - Dean fez um bicão e depois um assobio – Deus sabe-se lá onde se encontra tá vendo. Conta outra, Vic! A Indomável se fazendo de santa.

- Há-há. - ela fez uma careta para ele – O fato de eu quebrar o nariz de uns caras atrevidos não significa que eu goste de aprontar por aí como você. Não sou do tipo vingativa.

- Qualé, Vic! Você nunca armou pra ninguém? Nem mesmo amarrar o rabo do gato de alguma vizinha chata?

- Dean, que maldade! Nunca faria algo assim com um bichinho!

- Então não tem nada mesmo?

- Não… bem, quer dizer… - ela hesitou meio encabulada.

- Há! - ele apontou o indicador – Sabia! O que é? O que é? Pode dizer!

Ela permaneceu calada e abaixou o rosto meio envergonhada.

- Ah, vamos, Vic! Não seja estraga prazeres. - insistiu Dean e deu-lhe uma leve cotovelada no ombro num gesto cúmplice – Eu te contei boa parte dos meus podres. Não custa nada você fazer o mesmo. Seja o que for, nada pode me chocar.

- Promete? - ela fechou o olho e mordeu os lábios com ar maroto.

Dean engoliu em seco. O gesto o excitou, mas resolveu ignorar "seu amiguinho"

- Palavra de escoteiro – disse e ergueu a palma

- Está certo. Bom… se prepare para ouvir a armação do século. - ela abriu o rosto numa expressão entusiasmada

- Mais cabeluda do que as minhas?

- Acho até que você foi bonzinho perto desta que aprontei.

- Uh… então manda ver – ele esfregou as mãos uma na outra com evidente curiosidade

- Teve uma vez que eu aprontei pra cima de um caçador… e foi mais do que simplesmente quebrar a cara do sujeito.

- Um caçador? Hum… a coisa então é interessante.

- Foi pouco antes de eu conhecer o Henry – ela disse, mas sem deixar que a citação do nome do segundo namorado a abalasse – E foi numa época em que eu frequentei bastante o… o Harvelle's – fitou com cuidado Dean – Fiquei bastante próxima da Ellen e da Jo

- Certo – Dean assentiu não dando mostras de se incomodar por ela mencionar as Harvelles

- E como você sabe, lá também iam e vinham vários caçadores… entre eles Chris McGinnis. Ouviu falar?

- Hum… - Dean olhou para o alto tentando puxar da memória – Acho que não.

- Ele era um caçador muito bom, diziam os que trabalharam em algum caso com ele. Mas era um cretino de marca maior, machista… e um babaca que não sabia receber um não como resposta. Jo me contou que ele vivia enchendo a paciência dela e que o botou no lugar pelo menos umas três vezes. Ellen teve que intervir ameaçando proibir sua entrada. - Vic torceu a boca ao se recordar do sujeito – E depois que me viu circular por lá um dia, não parou de dar de cima todas as vezes que eu aparecia por lá. Nem mesmo parou quando soquei a cara dele uma vez por ter se atrevido a me encostar.

- Pelo visto era um mané completo.

- Bota mané nisso! E um escroto! Quando viu que eu não ia dar mole, começou a espalhar o boato de que tinha conseguido me domar… e que me teve em sua cama.

- Idiota – murmurou Dean com os olhos estreitados – E o pessoal acreditou?

- Alguns duvidaram, mas teve quem acreditasse, sim. Ellen me contou que escutou algumas conversas paralelas dos que lhe deram ouvidos… e não tinham papas na língua pra falarem sobre mim. Você é homem, você sabe como podem depreciar uma mulher, ainda mais caçadores.

- Sei… uns idiotas – Dean assentiu. Ele podia ser safado, mas não aprovava atitudes como essa de seu gênero. - E o que você fez com o cretino? Deu uma surra boa nele?

- Pensei nisso, mas vi que no caso dele, não adiantaria… isso só faria os caçadores acreditarem. Pensariam que era despeito meu. Então… resolvi atingi-lo onde mais doía.

- Você o acertou nas partes baixas? - ele arregalou os olhos – Capou ele?

- Ai, Dean, claro que não – ela revirou os olhos. Em seguida, esboçou um sorriso perverso – Mas… pode-se dizer que fiz algo quase tão terrível. Coloquei em dúvida a masculinidade dele.

- Como?

- A Ellen e a Jo me ajudaram nisso. Combinei com a Jo de passar um recado meu para o Chris, dizendo que eu queria conversar, marcar um encontro pelo telefone. Claro que ele ficou meio desconfiado, achando que eu poderia querer revidar, talvez querer matá-lo… segundo Jo, deve ter sido isso o que passou pela cabeça dele porque demorou a responder e ficou olhando estranho pra ela – Vic deu uma piscadela cúmplice – Mas ele acabou aceitando e passou o número.

- E aí você ligou para ele. - Dean cruzou os braços com expressão inquiridora

- Foi… e me fiz de a mais doce e apaixonada das mulheres. Conversamos… tive que escutar um monte de bobagens antes… mas acabei convencendo ele que estava mesmo a fim. Marcamos de nos encontrar lá mesmo no Harvelle's, num dia e num horário em que não houvesse outros caçadores, fora a Ellen, a Jo e o Ash. Disse a ele que só queria me fazer de difícil e como ele demonstrou mais fibra e coragem que os outros caçadores, resolvi que valia a pena estarmos juntos, pelo menos, por uma noite.

- E ele acreditou?

- Vocês homens costumam pensar mais com a cabeça de baixo do que a de cima, hein? - Dean mostrou a língua. Ela riu – Mas tenho que dar um desconto ao Chris. Ele manteve certa desconfiança…mesmo estando num bar com três caçadores, fora eu.

- Como assim?

- Nos encontramos lá…. Chris chegou primeiro e me aguardava numa mesa. Ele me ofereceu um copo de cerveja e eu tomei. E durante nossa conversa, se mostrou um pouco menos estúpido até a hora que a Jo trouxe nossos pratos e talheres e eu os peguei. Ele riu e acabou confessando que na cerveja tinha colocado água benta e que me observou ao pegar no garfo de prata.

- Hum… pensou que podia se tratar de uma armadilha de demônio ou metamorfo. - Dean assentiu – Em defesa do meu gênero, nós usamos a cabeça de cima também mesmo que a de baixo esteja a todo vapor

- É, até que sim – troçou Victoria

- E então?

- Aí tive que usar dos meus dotes de representação… Mas vou te contar, Dean, eu merecia ganhar o Oscar pra aguentar escutar tanta cretinice junta – o Winchester riu – Verdade… o cara é mais mané que todos esses aí que você falou. E tive que arrumar desculpas pra escapar dos beijos que ele queria me dar.

- Nada que você não conseguisse resolver… - foi a vez de ele piscar – E o que aconteceu depois?

- Aí tive ajuda das meninas e do Ash. Eu tinha combinado com a Jo que num certo momento eu ia inventar que tinha que ir ao banheiro enquanto ela serviria uma cerveja com um bom preparado de sonífero para o Chris. E foi o que ela fez. Quando voltei, não demorou muito pra ele desabar a cabeça na mesa. - Dean assentiu com expressão cada vez mais ansiosa – Depois, Ash me ajudou a levar Chris num motel por ali perto e deixá-lo num quarto. O recepcionista não criou problemas porque estava inteirado da brincadeira e era um amigo do Ash.

- E o que vocês fizeram?

- O Ash deu uns telefonemas anônimos para vários caçadores e com a voz disfarçada falou que quem quisesse descobrir o maior segredo de Chris McGinnis era só ir no endereço do tal motel – Victoria segurou o riso – Eu contratei uns três travestis de programa pra deitarem ao lado do Chris… sem roupa nenhuma e mandei deixarem a porta destrancada.

- Cara, acho até que possa imaginar o resto! - Dean arregalou os olhos.

- Pois é. O Ash e eu ficamos ali escondidos pra ver o que aconteceria… e apareceu pelo menos uns cinco caçadores curiosos – Dean começou a rir. Victoria também, mas se conteve – Pra resumir a história, depois dessa, o Chris McGinnis sumiu do mapa. Nunca mais ninguém ouviu falar dele ou de qualquer caçada que tenha feito.

Os dois explodiram em gargalhadas.

- Poxa, Victoria Collins, você sabe ser pior do que os demônios que a gente lida – afirmou Dean entre risos – Você tinha razão. Eu fui bonzinho perto dessa que você aprontou pro cara – ele balançou o dedo em riste – Eu vou pensar duas vezes antes de provocar você.

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Castiel foi embora do galpão levando Sam consigo. Não o despertou no local, mesmo depois de Anna e os outros anjos terem partido. Ao invés disso, teletransportou-o ao campo que a anja informou tê-los encontrado.

Pingos de chuva começaram a cair. Cass deitou o Winchester de costas em cima de umas folhas e o observou por uns instantes enquanto refletia no que faria.

As palavras de Anna ecoavam em sua mente; ela avisou sobre possíveis consequências. Qual e quais, afora o coma prolongado de três semanas? Ou seria apenas um blefe? Sinceramente, não sabia.

Deveria observar. Isso. Não poderia reter Sam se quisesse se certificar de que havia mesmo algo errado com ele; por outro lado, queria entregá-lo de uma vez a Dean e a Vic. Não queria mais ver a aflição de seus amigos. Contudo, não se revelaria como libertador do Winchester, pelo menos até ter certeza de que tudo estava bem com ele. Se houvesse mesmo algo, resolveria qualquer problema que detectasse em Sam na surdina. Era por isso que o levou ali; não queria deixar nenhuma pista sobre si.

Com essa decisão, Cass se aproximou de Sam e tocou em sua testa. Fez com que as imagens de seu salvamento fossem apagadas e retornou à última em que o caçador era torturado por Miguel e Lúcifer. Feito isso, Castiel tornou a si mesmo invisível aos olhos humanos e instilou um último toque de energia sobre o peito de Sam.

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Dean e Vic conversaram sobre outros assuntos como alguns casos fabulosos que resolveram e alguns caçadores que encontraram em seus caminhos.

O Winchester até evitou de tocar em tais temas por remeterem a Sam, mais por temor de mexer na ferida recente dela no que a sua própria, contudo, Vic acabou por querer aprofundar. Afinal, não queria lembrar de Sam o mais que pudesse? Podia doer sua ausência, mas, ao mesmo tempo, necessitava de se lembrar dele e até queria escutar Dean contar sobre o irmão e sua atuação no "negócio da família."

- Teve um tal Gordon Walker com quem Sam e eu topamos e foi uma sarna no nosso caminho... – ele começou a contar

- Peraí, você conheceu o Wlaker? - ela indagou surpresa

- Já ouviu falar?

- Se ouvi… eu também tive o desprazer de conhecer. Mas me conte o que ele fez pra vocês.

O Winchester relatou toda a história desde o encontro deles com o caçador até sua transformação em vampiro e decapitação por Sam.

- Meu Deus, eu sabia que o cara era um cretino e meio pirado, mas não imaginava que fosse um completo demente!– disse ela com expressão assombrada.

- Você também teve algum problema com ele?

- Tive... eu o encontrei no meio de um caso envolvendo vampiros. Eu já estava quase resolvendo, mas ele meio que pulou de paraquedas e quase me atrapalhou – ela murmurou com desprezo – O cara quase matou um rapaz por engano pensando que já era um vampiro transformado e ainda por cima quis bater em mim quando me coloquei em seu caminho.

- Imbecil. - murmurou Dean – Imagino que você o colocou no lugar dele.

- Claro.

- O que você fez com ele? - Dean esboçou um sorriso travesso – Também o colocou pra dormir no meio de travestis?

- Não, Dean. Eu te disse, só aprontei mesmo pra o Chris.

- Ahã – o caçador assentiu com expressão de falsa concordância

- Verdade. Tsc… Eu apenas fiz uma chave de braço no Gordon e ameacei atirar nele.

- Uh! Queria ter visto essa. E depois?

- Aí eu mostrei que o rapaz não estava transformado e resolvemos o caso matando os verdadeiros vampiros. Depois cada um foi para seu lado – ela revirou os olhos – Mas você acredita que antes de ir, ele ainda teve a cara de pau de me convidar para um drinque?

- Como você disse… o sujeito era um completo demente.

- Não gosto de falar mal dos mortos, muito menos caçadores… mas ainda bem que você e Sam acabaram com ele.

- É.

Houve um longo silêncio. A lembrança de Sam entre eles.

- Você não se importa de falar do Sam? - questionou Dean

- Não, antes estava difícil porque eu não queria aceitar, mas agora… - ela suspirou – Quero me lembrar, Dean, de todos os momentos e falar sobre ele também. Me faz bem. Não posso e não quero fugir disso. - ela analisou a expressão do rosto dele – Se não tiver problema para você…

- Não, claro que não. Sam era meu irmão. Também não posso e não quero fugir disso – um nó se formou em sua garganta – Também estava evitando pensar muito nele e… minha preocupação com você meio que me ajudou.

- Sinto muito mais uma vez por isso, Dean – ela estendeu a mão e segurou a dele. Apertou-a – Me desculpe por meu egoísmo.

- Ei, esquece… Está tudo bem agora. Você até está reagindo melhor… e isso que importa.

- Estou tentando, mas não está fácil. - soltou a mão dele e abaixou o rosto.

- Você disse, está tentando… e isso já vale.

- Graças a você – ela o fitou com ternura – Nem sei o que teria sido de mim se não fosse seu apoio.

- Ah, você sabe, estou acostumado a salvar donzelas em perigo – ele assumiu um ar presunçoso – Apesar de você não ser bem uma donzela.

- Ah, cala a boca – ela lhe deu um tapa no braço. Ele riu. Em seguida, ela voltou seu olhar terno – Obrigada, Dean.

- Não tem que me agradecer. Conte sempre comigo, Vic.

E se contemplaram por instantes até Vic se dar conta da intensidade no olhar dele.

- Vamos dançar mais um pouco? - disse ela ao se levantar para disfarçar um pouco seu tremor e escapar daqueles olhos. Dirigiu-se ao som e escolheu outro CD. - Agora vou lhe apresentar Skank. - voltou-se para Dean. Ele a sondava com os olhos. Ela engoliu em seco, porém, disfarçou com um sorriso – Ainda está com gás, Winchester? Eu o desafio.

- Epa! Desafio é comigo mesmo – ele se pôs de pé bastante entusiasmado

Victoria colocou o CD. Logo três ou quatro músicas agitadas do conjunto ecoaram pela sala e eles dançaram com animação. Até que um ritmo mais lento começou a tocar.

- Agora eu te desafio, Victoria Collins a me conceder essa dança – diz ele com falsa seriedade, fez um movimento de reverência e estendeu a mão – Aceita?

- Hum… E por acaso você dança um ritmo assim? - ela colocou as mãos na cintura

- Duvida? Eu vou lhe mostrar.

- Tá, deixa só eu voltar a música no começo

Alguma coisa na cabeça de Victoria a alertou para o que estava fazendo, mas ela ignorou. Naquele momento, queria apenas se divertir e esquecer de problemas e preocupações. E até mesmo de Sam. Reiniciou a música e foi até Dean. Ele enlaçou sua cintura e ela enlaçou seu pescoço. Foi impossível para ambos disfarçar a eletricidade que aquele simples contato lhes provocou, porém, decidiram continuar. Dean começou a deslizar lentamente com ela pela sala ao som da canção:

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer

O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Grande erro, pensaram juntos. Sim, grande erro porque estavam brincando com fogo. Sabiam as labaredas que provocava um simples toque entre eles. E aquele contato prolongado era uma tortura. Mas era tarde demais para se deterem. O jeito era esperar o término da música.

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz da vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos veem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

A letra daquela música era bem sugestiva. A insinuação de um beijo. Victoria agradeceu mentalmente que só ela falava e entendia português. Porém, fitando os olhos de Dean teve a certeza que a barreira do idioma não o impedia de sentir a atmosfera da música.

O perfume do Winchester a deixava zonza. Sentia a respiração dele em seu rosto e sentiu quando começou a aumentar e ficar ofegante como a sua.

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Oh, Deus, que agonia! Aquela música parecia tão grande! Victoria tentava desviava sua atenção dos olhos de Dean, mas aqueles orbes verdes puxavam os seus de volta. O calor do corpo dele a estremecia. O aperto das mãos em sua cintura…

De repente, veio a lembrança do beijo trocado entre eles lá naquele coreto na pequena cidade de Blue Earth. Tentou afastar a imagem, mas ela permanecia insistente em sua cabeça. Ficava bem mais difícil ao contemplar os lábios de Dean. Com ele, parecia se suceder o mesmo porque o olhar dele alternava entre seus olhos e sua boca.

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer

O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

A pele macia, o calor daquele corpo, os lábios carnudos, o perfume suave… A lembrança do beijo no coreto. Para Dean, estava sendo uma tortura maior estreitar Victoria nos braços.

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Ele teve a certeza de que não conseguiria mais se conter. Queria desesperadamente provar mais uma vez dos lábios daquela mulher, sentir o gosto maravilhoso de sua boca e as sensações indescritíveis do beijo dela.

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

Mesmo com o término da música, nenhum dos dois fez o menor movimento para se afastar. Aos poucos, seus rostos foram se aproximando. O beijo entre eles era inevitável.

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Sam soltou um alto arquejo de respiração ao abrir os olhos. Foi como nascer de novo.

Levantou-se de supetão, todo confuso e nu. Tateou o próprio corpo para ver como se encontrava. Não havia marca de nenhum ferimento resultante das intermináveis tortura impingidas por Miguel ou Lúcifer. Contudo, a lembrança das dores ainda permeava sua mente, bem como as imagens do que lhe havia ocorrido. Pouco a pouco, foram se desvanecendo, dando lugar ao momento em que se encontrava.

Foi aí que percebeu a chuva torrencial que caía sobre si bem como o lugar em que se encontrava, um campo vasto e deserto. Além dele, não havia mais ninguém.

Como havia chegado ali? Quem o tirou da gaiola de Lúcifer? E como?

Seria… Castiel?

- Cass…? - sibilou em dúvida – Cass! Cass! - gritou, mas não obteve resposta

A chuva aumentou. Sam resolveu procurar um abrigo e depois tentar encontrar roupas para se cobrir. Após isso, tentaria contatar Castiel. Mal sabia que o anjo estava bem próximo a ele o acompanhando e observando, mas invisível.

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Sam.

O pensamento ocorreu em ambos ao mesmo tempo. Foi o suficiente para que se afastassem imediatamente quase em sincronia. Faltou pouco para que os lábios se encostrassem.

Dean e Vic se olharam constrangidos, o calor entre eles ainda presente mesmo com os corpos separados. Nenhum dos dois sabia o que dizer ou que fazer.

- Eu… eu… estou um pouco cansada – disse Vic desviando o olhar – Acho que vou dormir.

- Cla… claro – disse Dean também desviando o rosto – Acho que… eu também vou. Nossa! - ele tentou disfarçar com um sorriso forçado. Coçou a cabeça – Como dançamos!

- Você… você desliga aí pra mim… por favor?

- Cla… claro. Desligo.

- Então… boa noite, Dean – ela se retirou da sala a passos rápidos sem encará-lo mais

- Boa noite… Vic – respondeu ele, porém, ela já havia lhe dado as costas.

Vic abriu a porta, entrou no quarto e fechou-a com estrondo. Encostou-se e foi aí que soltou a respiração de uma vez. Até então ela mal conseguia respirar tamanha emoção.

Deus, o que havia acabado de acontecer? Ela nem sabia. Ou melhor, sabia. Estava prestes a beijar Dean. Por pouco, não o fez.

Que espécie de mulher era? Ia beijar o irmão de seu namorado que estava padecendo lá embaixo? E não fazia nem dois meses.

Não posso fazer isso, pensava. Seria uma traição a Sam, não importa se ele me pediu.

Ela tinha que partir. Não havia jeito. Por mais que quisesse Dean, nunca poderiam ficar juntos. Sam sempre estaria entre eles. Era loucura imaginar que pudessem ter qualquer tipo de relação.

O dilema em que esteve mergulhada nesse tempo todo em que saía com Dean para se distrair chegava ao fim.

Estava decidido. Ela ia embora de vez.

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Seeei! Vcs todas querem me matar!

Mas eles estão bastante confusos e divididos entre se render a esse sentimento e serem leais a Sam (mesmo que este tenha pedido o contrário). Contudo, a resistência já vai cair por terra. No próximo capítulo... hum... as coisas podem pegar fogo.

Gente, que foi isso? Chuck é Deus! Foi semana passada que terminei de ver os cinco últimos capítulos da última temporada de Supernatural. Nossa, havia mesmo essa teoria entre os fãs e meio que eu compartilhava, embora com certas ressalvas. Acho que gostei dele ser Deus, embora se mostrasse de uma forma muito menos temorosa do que eu esperava, enfim.

Bom, espero que tenham gostado e mandem reviews.

Até a próxima.