Bom, demorei muito menos agora, não é? E vou procurar postar mais, mesmo que tenha que diminuir a quantidade de palavras no capítulo.
Mais cenas calientes para se divertirem!
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— Você também sonhava com ela, não é? Desde criança? – Dean não respondeu, apenas engoliu em seco – O jardim, a forma como ela estava vestida. Sei disso, porque a última vez que sonhei com ela naquele lugar, você também estava lá... do lado oposto ao meu.
— Dean o fitou surpreendido e com uma interrogação muda no rosto. Então Sam realmente sonhou a mesma coisa? Também esteve em seu último sonho? Isso significava...
— Vic também sonhou a mesma coisa – concluiu Sam como se respondesse todas as indagações do irmão – Porque se ela confessou que tinha os mesmos sonhos que eu... e você e eu tivemos o mesmo sonho a última vez... quer dizer que ela também aparece nos seus sonhos.
Dean abaixou o rosto perturbado. Não sabia o que dizer.
— E isso significa que vocês dois também possuem uma ligação – continuou Sam
(...)
— Não falo pra que você se sinta culpada e muito menos triste por mim. – a expressão dele era serena – Eu decidi ficar com você mesmo sabendo de tudo isso pelo simples fato de te amar... e de me sentir feliz pelo que você me dá. Eu sei que você me ama, mesmo com esse seu sentimento por Dean. – fez uma pausa – E não sei o que significa esses seus sonhos com ele, assim como nunca conseguimos descobrir o que significam os que você e eu tínhamos juntos. A única coisa que está clara é que assim como nós dois temos uma ligação muito forte, você e Dean também.
Victoria balançou a cabeça
— É por isso que estou te pedindo pra vocês ficarem juntos. Dê uma chance para Dean e para você mesma. Não se sintam culpados por eu estar na jaula... foi uma escolha minha. E vocês não tem que pagar por isso. – a expressão de Sam se fechou – E não tentem me trazer de volta e se arriscar a soltar o Diabo junto... caso contrário, meu sacrifício terá sido em vão. Se querem fazer algo por mim, vocês devem é atender esse meu último pedido. Fiquem juntos... e sejam felizes.
(…)
— Quanto tempo fiquei desacordado? - indagou após uma longa pausa
— Umas três semanas do tempo dos humanos. - a expressão de Castiel foi de assombro - Você mexeu com uma alta energia da gaiola ao libertar Sam, Cass.
— Você disse uma delas... Que outras consequências pode ter?
Anna não lhe respondeu. Apenas o fitou de modo sombrio e misterioso.
(…)
Quando o homem saiu para lhe reclamar o ato tresloucado, Sam não lhe deu oportunidade e se atirou sobre ele e o desacordou com vários golpes. Quando percebeu que o homem tão cedo daria acordo de si, Sam o puxou para o meio do mato, despiu-o, jogou os trapos velhos dos sacos, vestiu as roupas do homem, tirou sua carteira que continha bastante dinheiro, pegou as chaves de seu carro e foi-se. Os cartões de crédito não lhe serviriam, pois assim que acordasse, o homem daria parte à polícia. E Sam deveria se livrar do carro tão logo se encontrasse na primeira cidade que visse.
Não tinha razão para ficar com consciência culpada - e de fato, não estava - pois não havia matado o homem, apenas pegava "emprestado" o que precisava para se manter vivo. Era a lei da sobrevivência, não?
Pegou o carro e saiu dali rapidamente. Castiel também entrou no carro sempre invisível para Sam, observava o Winchester com cenho franzido.
(…)
Nenhum dos dois se movimentou; ficaram parados na mesma posição. Era como se não quisessem mais se separar. Não escutavam mais nada, apenas as suas respirações ofegantes; temiam até emitir qualquer outro som que os desligasse daquele momento.
Sabiam que estavam mais conectados do que jamais estiveram antes e, não importava o que fosse acontecer dali para frente, nunca mais a relação deles seria a mesma; o laço definitivo se estabelecia ali.
Alguém para Amar (2ª parte)
Castiel observava Sam repousando na cama de um quarto barato de um motel vagabundo da cidade. Não somente ele, mas a mulher estranha que dormia a seu lado. Seu olhar se detinha sobre o Winchester, as atitudes dele o intrigavam cada vez mais.
Tão logo Sam chegou a uma pequena cidade com o carro roubado do homem que abateu, distante a apenas duas horas da estrada em que estava, abandonou o veículo num galpão qualquer, tratou de comer numa lanchonete de uma rodoviária e tomou um ônibus para outra cidade, a que se encontrava no momento.
Daí, registrou-se com um nome falso naquele motel e foi jantar num restaurante. O lugar não estava muito cheio e Sam percebeu que estava sendo observado por um bom número de mulheres; mas uma loira muito bonita e de curvas sensuais que lhe chamou a atenção. Ele não perdeu tempo em se aproximar, puxar conversa... e logo a conduziu ali para uma noite de pura luxúria.
Obviamente, Castiel se esquivou de presenciar "o ato pecaminoso e animalesco" em sua opinião. Dean tentava lhe perverter com vídeos pornôs (ele até chegou a assistir dois ou três), mas daí a espiar ao vivo e cores estava fora de cogitação; menos ainda quando se tratava de um de seus amigos.
O que o chocou era Sam se entregar àquele ato com uma estranha. Se fosse Dean, para ele não haveria nada de anormal, mas o Winchester mais novo não era o tipo que se enredava em "pernas alheias" e, principalmente, se ele tinha namorada.
Além disso, Sam já deveria ter entrado em contato com Vic e com Dean e não perder tempo com alguém que nem conhecia. Parecia até que não se lembrava deles ou não estava se importando com o que estaria lhes acontecendo.
O que você fez foi muito perigoso, Cass. Com sérias consequências para Sam.
A advertência de Anna invadiu sua mente como se pudesse ouvir a própria lhe falando.
O que Sam estava fazendo seria uma dessas consequências? Não era só a noitada com a loira, mas o fato de ter agredido aquele sujeito na estrada para lhe roubar o carro e ainda não se comunicar com as pessoas com as quais mais se importava.
Não. Não deveria dar ouvidos a Anna, pelo menos não de um modo exagerado. Talvez aquilo fosse apenas um aparente e temporário desvario de Sam pelo tempo que ele esteve na jaula. Ora, não poderia culpá-lo. Ele, Castiel, não era humano, mas sabia da fraqueza dos homens e de suas variadas e inesperadas reações face a alguma provação. E estar numa gaiola sendo constantemente dilacerado por dois Arcanjos sádicos e poderosos deveria surtar qualquer um.
Era essa a explicação. Sam estava tendo um surto, mas logo recobraria o senso. Mesmo assim, Castiel resolveu permanecer a seu lado até ter certeza de que estivesse realmente bem.
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Victoria entrou no box, abriu o chuveiro e deixou que a água escorresse por seu corpo. Fechou os olhos e procurou se concentrar apenas no banho, tentando evitar os pensamentos conflituosos e tensos que invadiam sua mente, bem como o calor que permeava toda sua pele, apesar do frio da ducha.
Tentativa vã. Com relutância, a mente vagueou em Dean, em seu corpo nu e maravilhoso, seus braços e em sua cama onde esteve, na que ele dormia no momento.
Eles haviam feito amor desde a tarde até altas horas da noite, quando o cansaço não lhes permitiu mais satisfazer qualquer vontade ou desejo acumulado durante todo aquele ano em que não puderam se tocar. Ou talvez desde antes quando apenas se viam pelos sonhos.
Depois da primeira relação, ficaram deitados e abraçados na mesma posição por um bom tempo. Sem trocarem palavras, foram invadidos novamente pelo desejo e voltaram a fazer amor duas ou três vezes, ela nem se lembrava tão perdida nas sensações e nos prazeres que teve.
Ao fim da tarde, Dean lhe dirigiu as primeiras palavras ao anunciar que tomaria banho, mas o fez como um convite para que se juntasse a ele; porém, ela apenas assentiu e permaneceu deitada.
Olhou-a como se temesse que fugisse e ela, como se adivinhasse seu pensamento, apenas respondeu "Vou estar aqui. É que prefiro ir depois." E ele acreditou porque Vic afirmou com sinceridade. Ou talvez concluiu que ambos precisavam se separar por uns momentos para pensar no que haviam acabado de fazer
Enquanto Dean tomava banho, entregue aos próprios pensamentos, Vic ficou deitada, entregue aos seus, talvez os mesmos que os dele.
Eles haviam consumado a relação. E foi maravilhoso! E haviam traído Sam. A felicidade e a culpa concorriam em seu interior para ver quem cederia.
Quando ela deu acordo de si, viu Dean sair de regresso ao quarto, saído do banho. Nu, lindo, molhado. E culpado. Ela leu em sua expressão.
Não lhe disse nada, apenas desviou o rosto. E era a vez de ela se banhar. Ela o foi, também sem olhar para ele. Pensou que a água fosse purificá-la de sua culpa, mas apenas a acentuou e mais ainda o desejo de retornar aos braços de Dean.
Ao voltar para o quarto, ela encontrou uns sanduíches sobre a cômoda que Dean havia preparado. "Espero que você goste." Foi tudo o que lhe disse com um imperceptível e tímido sorriso, um que não combinava com ele, mas era o que conseguia exprimir.
Eles comeram em silêncio. E em silêncio se deitaram lado a lado, encarando um ao outro. E em silêncio, depois de um tempo, voltaram a fazer amor sem maiores interrupções até suas forças se esgotarem tarde da noite.
Era como se houvesse um acordo entre eles para não falarem sobre Sam, culpa ou qualquer palavra que pudesse estragar aquelas horas de prazer e felicidade. Como se o restante daquele dia o dedicassem apenas a eles. E a mais nada. Nem a ninguém.
Ao amanhecer, ela despertou tal como havia dormido; deitada de bruços com um dos braços de Dean em torno de sua cintura e seu corpo encostado ao dela. Podia sentir a respiração quente dele sobre sua nunca.
Ela se demorou a levantar; não queria fazê-lo não por preguiça ou cansaço, mas porque no instante que o fizesse, seria como sair da aura de amor e luxúria em que se viu mergulhada com Dean e despertar para a realidade. Encarar a culpa pela traição à memória de Sam. Conversar. E se separarem.
Não havia como adiar o inevitável. Com um suspiro, ela saiu da cama, não sem uma certa dificuldade pra se desvencilhar dos braços do Winchester sem acordá-lo; ele até murmurou algumas palavras ininteligíveis, mas devia estar tão exausto, mais do que ela, que não acordou, apenas se aconchegou mais nos lençóis.
Agora estava ali, debaixo do chuveiro, tentando clarear as ideias, pensando nas palavras que diria a Dean. Pedia mentalmente forças porque não sabia se as teria para resistir ao Winchester. Se antes era mais difícil resistir a ele, agora era quase impossível. Ela tinha a impressão que bastaria um simples olhar dele para que sua força de vontade sucumbisse.
Praguejou. Detestava ficar vulnerável dessa forma por causa de um homem, como se este tivesse um poder devastador sobre ela. Foi assim com Sam, não queria que o mesmo se repetisse com o irmão mais velho. Não aguentaria se entregar de corpo e alma para depois ter seu amor arrebatado de suas mãos e ficar destroçada.
Se não fosse por Dean, teria enlouquecido por completo pela perda de Sam… Era irônico que ele que foi como um antídoto para sua dor devastadora se convertesse no mesmo tipo "de droga" como Sam o qual ela precisava para viver. Esse também era um motivo para terminar antes que qualquer coisa entre eles começasse.
Não. Eu não posso passar por isso de novo, tenho que me libertar enquanto há tempo.
Estava tão imersa nos próprios pensamentos, na resolução de abandonar Dean que não escutou ou percebeu quando ele entrou no banheiro. Sobressaltou-se quando ouviu o ruído da porta do box ser aberta. Ela se virou e arregalou aos olhos ao vê-lo. Apesar do cabelo bagunçado e da cara ainda com resquícios de sono, Dean continuava lindo e irresistível. E completamente nu. Mas aquele olhar intenso e luxurioso que lhe dirigia é que fê-la estremecer.
— Dean… - sua voz saiu como num sussurro. Ela mal conseguia raciocinar, mas precisava dizer alguma coisa, expulsá-lo dali porque sua resistência acabava de sumir -… não…
Ele estendeu o braço e a silenciou colocando o indicador e o médio sobre seus lábios. Ela estremeceu com o gesto e o seu toque.
Dean terminou de entrar no box e sem retirar a mão dos lábios dela, permitiu-se enxaguar a cabeça e o rosto no chuveiro, passou água nos olhos, como para varrer os últimos vestígios de sono. Ela o observou embevecida e com os sentidos nublados. Não lutaria contra o que sentia, pelo menos não no momento.
A mão de Victoria tocou no peito de Dean e percorreu toda a superfície; ela sorriu quando sentiu-o tremer. Ela fez movimentos circulares em cada centímetro de pele e intensificou o toque sobre seus mamilos. Dean suspirava a cada toque dela, era como se uma brase de ferro o percorresse. E logo sentiu a boca de Vic mordiscá-lo em toda a região peitoral. Os suspiros se converteram em gemidos. Vic traçou um caminho até seu abdômen com a língua e os dentes e retornou-o até alcançar seu queixo.
O Winchester abaixou a cabeça e tomou sua boca ansioso. Sentiram as línguas, o gosto mesclado com a água. As mãos se agarraram e se acariciaram com uma urgência como se fosse a última vez que pudessem se tocar.
Dean empurrou Victoria para a parede do banheiro; ela estremeceu pelo contato frio dos azulejos em suas costas, mas logo se esqueceu quando as carícias dele se intensificaram e a incendiaram.
Ela sentiu um rastro de fogo e tremores do pescoço aos seios, um rastro demarcado pelos lábios, dentes e língua do Winchester. Apertou sua cabeça contra os seios para lhe mostrar o que queria. E ele lhe deu; acentuou as investidas em torno deles e neles freneticamente, deixando-a mais molhada na cavidade, mais do que pela água do banho.
A boca do Winchester se saciou, deixou que as mãos trabalhassem sobre os mamilos enquanto voltava a traçar um caminho até a intimidade de Vic. Delirou ao escutá-la gemer mais e ele próprio abafou um ou dois ao saborear seu centro de calor, a essência dela. A cada investida de sua língua, mais apertava os seios de Victoria.
Quando sentiu a musculatura da cavidade dela se contrair, ele fez o caminho de volta rapidamente apenas para poder estar dentro dela; antes que ela protestasse ou reclamasse, puxou seu ventre para si, seus sexos se encontraram ao mesmo tempo em que as bocas; ele entrou nela e empurrava-a contra a parede a cada investida, sentindo nas costas as unhas que o arranhavam loucamente.
Ora as bocas se separavam para buscar fôlego, ora se encontravam novamente, mas juntas ou separadas não deixavam de emitir altos gemidos e suspiros. Gotas de suor se mesclavam aos do banho e as paredes do box se esfumaçaram pelo vapor do calor de seus corpos.
O êxtase chegou, a pressão foi tão esmagadora para ambos quanto da primeira vez; cada um a seu tempo o sentiu e abandonou-os trêmulos, abraçados e cansados, mal conseguindo se apoiar sobre as pernas um do outro; Vic encostada na parede com o corpo de Dean amassando seus seios e a cabeça caída sobre seu ombro.
Victoria não soube quanto tempo ficaram ali, mas deu acordo de si quando Dean se afastou; ela quase o reteve nos braços; não queria se desgrudar dele, sabendo que pretendia deixá-lo. Mas não o impediu.
Ele se afastou minimamente apenas para abrir a porta do box, voltar a contemplá-la com aqueles sondadores e enigmáticos olhos, a expressão neutra e sussurrar-lhe enquanto lhe estendia a mão:
— Vem.
Ela foi, tomou sua mão. Não conseguia lhe negar nada no momento, presa à intensidade de seu olhar. Ele a queria mais, desejava-a, queria fazer amor com ela exaustivamente, até que não houvesse maneira de adiarem uma pausa para colocarem as coisas no seu devido lugar. Ela o soube só de contemplar seu olhar. Era o mesmo que se passava consigo; só não saberia se ele pensava dar o mesmo desfecho que ela.
Não importava no momento; Dean saiu do box e conduziu-a junto com ele. Ela podia sentir a ansiedade nele, em possuí-la. Puxou-a para a abertura de seus braços, arfando junto com ela com o encontro de seus corpos e sexos. As bocas juntas, as línguas enroscadas, as mãos se tocando, os corpos molhados e suados, tudo parecia aumentar a excitação de ambos.
Num movimento repentino, Dean a colocou em cima da pia do banheiro que, embora não fosse grande, comportava as nádegas de Collins. Ela arfou em resposta pela manobra e mais ainda ao sentir os dedos do Winchester começarem a estimular sua cavidade enquanto a beijava. A pressão dos dedos, a velocidade como entravam e saíam, não demorou para que Vic tornasse a se ver nas alturas novamente. Mas Dean não lhe deu folga, não parou de estimulá-la e prosseguiu com a viagem dos dedos em seu interior.
Ele queria enlouquecê-la! Só podia ser.
Dean puxou seu ventre mais para ele e substituiu os dedos pelo seu membro; Vic sustou a respiração e tornou a expirar num arquejo forte e segurou nos ombros do Winchester; ele segurou-a pelas ancas e investiu o corpo dentro dela.
Dean a penetrava com mais intensidade a cada investida. Em dado momento, enlouquecida, ela cravou as unhas em sua pele e ele urrou em resposta, forçando mais a entrada.
No meio daquele turbilhão, ainda se mordiam, beijavam-se e se lambiam como se quisessem tomar um ao outro o mais que pudessem. Quando o momento final chegou para Victoria e ela estirou as pernas para a frente, Dean a tirou de cima da pia e prensou contra a parede de azulejos sustentando o corpo dela com os braços. Enquanto ele se aproximava do clímax, ela observou cada traço dele, cada tremor que sentia ao estar nela.
Alcançado o ápice, dessa vez, Dean não conseguiu se manter de pé; teve que largar as pernas de Vic e apoiar-se nela e na parede ao mesmo tempo até descer, praticamente se esparramaram no chão com os corpos entrelaçados.
Ainda que estivesse ofegantes e se recuperando de uma relação, Vic teve a certeza de que ainda não havia terminado. Ela não sabia qual deles daria uma pausa para toda aquela avalanche.
Pelo visto seria ela. Mas encontrar racionalidade no meio dos toques e do prazer com Dean Winchester não seria fácil.
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A moça loira havia acabado de sair com um sorriso de orelha a orelha; escreveu seu telefone num papel para Sam e pediu que ele a ligasse. O Winchester foi gentil e a acompanhou até a porta, mas mal esta se fechou, ele amassou o papel e jogou-o na lixeira perto da cama.
Não, não o fez por um sentimento de culpa, mas porque não queria repetir a dose; queria variar. E o estranho é que gostava daquilo. Seu irmão estava certo. Comprometer-se era uma bobagem.
Pensou imediatamente em Victoria. Nada. Não havia culpa, saudade ou ansiedade em revê-la. Amor? Muito menos.
Onde estava todo aquele sentimento que sabia ter sentido por ela? Nem a sensação do que era ele conseguia captar. Era estranho.
Oh, sim, as sensações físicas, o prazer que ela lhe proporcionou, a excitação, disso ele se recordava. Não podia negar que era a mulher com quem mais sentiu prazer. E só.
Estranho. Muito estranho.
Tinha urgência em telefonar para ela e para Dean, comunicar-lhes de seu aparecimento, mas não era por motivos sentimentais. Eram puramente profissionais.
Caçar. O instinto de caçar começou a despertar nele. Queria voltar à ativa. E sabia que Dean e Vic eram os melhores.
Contudo, haviam se passado quase dois meses. Ele leu no jornal de uma banca a data. E talvez estivessem juntos e levando uma vida normal, conforme pediu a ambos.
Ou talvez não. Conhecendo-os bem talvez estivessem com pudores por sua causa.
Quem sabe? No começo poderia haver tais pudores e uma resistência, mas os instintos e a carência poderiam falar mais alto e tê-los unido para formarem uma união "normal" longe dos perigos e transtornos das caçadas. Nesse caso, o negócio da família lhes seria penoso.
Bobagem. Uma coisa não interferia na outra. Eles poderiam estar juntos, mas talvez conseguisse convencê-los voltar a caçar. Uma vida normal era uma utopia para um caçador. De qualquer jeito, talvez fosse o caso de averiguar antes a situação.
Pensou em ligar, mas desistiu. Precisava conferir pessoalmente a situação deles, se estavam juntos e, se fosse o caso, se valia a pena interferir na "brincadeira de casinha".
Bobby. Procuraria Bobby para lhe indagar.
Não estava preocupado em se interpor ou não entre eles por se importar com sua felicidade ou por lhe incomodar estarem juntos. Era por uma questão prática. Não queria que os sentimentos deles atrapalhassem suas caçadas. Por experiência, sabia como era frustrante os sentimentos interferirem no racional.
Estranho. Ele sabia que estava estanho. Ele não se importar, nem sentir incômodo pela possível relação entre seu irmão e "sua amada, mesmo que o houvesse comunicado como seu último desejo."
Estava frio, sem apegos.
Seria um efeito colateral por ter estado na jaula? Temporário ou definitivo?
Estranho. Muito estranho. Mas não significava que fosse ruim.
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— Dean, precisamos conversar.
Por fim, Victoria se manifestou.
Depois de duas sessões no banheiro, a maratona sexual se estendeu para mais três de volta ao quarto de Dean. Era quase a hora do almoço e eles nem haviam tomado a refeição matinal.
Após recuperar o fôlego da última relação com o Winchester, Vic se desvencilhou de seus braços repentinamente e sentou-se sobre o colchão com as pernas cruzadas sem se voltar diretamente para Dean. E aí proferiu a sentença que encerrava o interlúdio amoroso entre eles
— Quer saber? Vou preparar o café. - sem se voltar para Collins, ele se sentou também, com os pés no chão, do lado oposto da cama, dando-lhe as costas – Estou com uma fome de leão.
— Dean, precisamos conversar – tornou Vic agora virando o rosto em sua direção. Ela sabia que ele pretendia fugir, evitar a questão inevitável, mas não lhe permitiria mais adiar o momento. E nem a si mesma – Agora.
— Agora não dá, Vic. Já disse que estou faminto… e preciso de um bom café – ele se levantou e caminhou até a porta evitando o olhar dela – Pode deixar que eu faço e chamo você
— Dean, nós temos que conversar! - ela praticamente quase gritou – Não podemos continuar assim.
A mão do Winchester congelou sobre a maçaneta da porta; ele a apertou forte, soltou um longo e profundo suspiro e, por alguns segundos, permaneceu em silêncio de costas para Victoria.
— Eu sei, Victoria. - por fim, disse num tom grave e contrariado. Lentamente, voltou o rosto para ela com a expressão carregada – Mas pode, por favor, me dar um tempo? Depois do café ao menos?
Ela o observou por instantes. Pode ler em seus olhos certa irritação por ela querer levantar o tema. E também culpa. Vic desviou o rosto e apenas assentiu.
— Obrigado. - ela podia detectar a ironia
Ele abriu a porta, mas antes que saísse, ela o interpelou uma última vez sem lhe voltar o rosto:
— Vista-se, por favor.
Não era um mero pedido. Não poderia tomar café e, muito menos, conversar com Dean se ele não estivesse vestido. Era muito para seu autocontrole.
Contemplou pela visão periférica o Winchester tornar a entrar, catar as roupas uma por uma e vestir-se, mas ele o fez de modo vagaroso. O sacana estava fazendo de propósito para provocá-la; ela teve certeza. Tanto que, dessa vez, fitava-a diretamente; ela podia sentir seu olhar, embora se recusasse a encará-lo; até um imperceptível sorriso malicioso se desenhou naqueles lábios, talvez o primeiro genuíno desde que eles começaram aquela loucura.
Por fim, Dean saiu do quarto e deixou-a sozinha. Ela suspirou.
Aquela conversa entre eles ia ser um suplício!
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É isso aí! Como acham que vai ser essa conversa? No próximo capítulo, vamos saber. Mas também teremos mais pegação entre esses dois (eles não resistem). Tio Crowley também deve aparecer em uma ou duas cenas. Pessoal que curte ação, não se preocupem que ela começa a voltar no capítulo posterior ao próximo. OK? E teremos também mais cenas do Cass em ação. Mandem reviews, viu, suas tratantes? Estou empenhada agora. Até a próxima.
