Bem, demorei um mês, mas com o Carnaval... não tem jeito, gente, rsrsrs... Tem que parar mesmo.

O capítulo possui partes do primeiro episódio "Exílio na rua principal" da sexta temporada, com as devidas alterações e tem hentai com Dean e Vic. Uuuuh! Bem quente, por sinal.

A letra é da música "Vamos fazer um filme", do Legião Urbana. Achei um jeito de encaixar com momentos vividos entre o casal.

Espero que gostem!

- 0 -

Anteriormente:

— Me prometa outra coisa também, Dean – continuou Sam.

— O quê?

— Que você vai cuidar da Vic por mim.

— Ahn... é claro – o loiro concordou meio sem jeito - Vou dar meu apoio a ela, ser um ombro amigo.

— Não, Dean, não foi isso que eu quis dizer.

— Então... não entendo.

— Quando eu disse pra você cuidar dela, eu quis dizer... – fez uma pausa. Custava-lhe dizer aquilo, porém, não podia ser egoísta – Eu quis dizer pra você ficar com a Vic e passar o resto de sua vida ao lado dela.

(...)

— É, meu irmãozinho pensou em tudo – Dean esboçou um sorriso triste – Se preocupar mais com os outros do que com ele mesmo.

— É... – concordou Vic com um nó na garganta – Ainda assim, Dean, eu...

— Eu sei. Também me sinto da mesma forma... não dá para evitar a culpa. – enunciou o que se passava na cabeça de ambos – Mas, Vic, não acha que merecemos um pouco de felicidade... mesmo que... que... pareça à custa do sacrifício de Sam? – se sentia mal em falar de tal forma, mas queria que ela o entendesse – A gente nunca vai ser inteiramente feliz... Sam sempre vai estar entre a gente e não poderia ser de outra forma... ele vai aparecer nas nossas conversas... nas nossas recordações... e mesmo em momentos que estivermos bem. Sempre vai parecer que uma parte da gente está faltando... ele, é claro... – sorriu tristemente – Eu não espero e nem quero que você o esqueça... porque você simplesmente não pode... assim como eu. E não importo se o que você sentir por mim não for por inteiro. Eu... prefiro viver assim do que não ter nada.

(…)

- Tem certeza, Dean? – perguntou Collins mais uma vez

- Tenho. – afirmou e beijou-a levemente nos lábios – Não imagino dividir minha vida com outra mulher que não seja você, Vic.

(...)

- Vamos, Bobby, no fundo você sabe que tenho a razão. Você nunca mais terá que se preocupar com a Victoria por saber que ela está segura, numa vida normal – sorriu em tom de gozação – Talvez ela até lhe dê sobrinhos netos.

- Mais respeito, viu? - Singer balançou o dedo em riste para ele

- Você entendeu o que eu quis dizer.

- Sim, entendi – assentiu Bobby. – E por mais que eu não goste de ter que enganar Dean e muito menos minha sobrinha, sou obrigado a concordar com você – suspirou – Está certo, não lhes direi nada… pelo menos por um bom tempo.

- Obrigado, Bobby.

(…)

- Bem… posso então perguntar quem são vocês?

- Sou o Cobra.

- Cobra? - Sam arqueou a sobrancelha – O Cobra… Cobra mesmo?

- Sim. O famoso Cobra – retrucou a única mulher do grupo, uma morena clara – Difícil de acreditar, não é? Nós também custamos a crer.

Sam a fitou por alguns instantes, mas voltou sua atenção para o tal Cobra.

- Eu… me chamo Sam…

-… Winchester – completou Cobra – Sim, eu sei. Nós estávamos te observando há três dias – Sam não respondeu, apenas estreitou os olhos – Queremos que entre para nosso time.

(…)

- E o que acha de Sam Winchester?

- Sam Winchester? - por instantes, o celular que o interlocutor de Crowley segurava ficou mudo – Sam Winchester?

- Você escutou bem.

- Não tenho tempo para brincadeiras. Sabe bem que ele está na gaiola com Lúcifer.

- Bem, a menos que o Sam Winchester que estou vendo agora seja um clone ou um metamorfo, o que eu duvido, ele me parece bem solto – retrucou Cobra de pé diante de sua escrivaninha, numa espécie de escritório de um grande galpão. Ele observava através de uma parede de tela de ferro um cômodo ao lado mais amplo, onde Sam estava junto com Mark, Gwen e Chris, preparando algumas armas em cima de uma mesa para uma caçada – E ele parece o mais motivado de todos. Um achado bem melhor do que Dean Winchester.

(...)

Uma casa grande. Um quarto. Uma janela. Dean e Vic se abraçavam e se beijavam nus diante dela, não mais preocupados com o que acontecia do lado de fora.

Dean carregou Victoria de volta para a cama. Enquanto isso, a alguns metros do quintal, Sam Winchester observava a residência com um olhar desprovido de emoções. Frio.

(…)

Volver (1ª parte)

Da janela do quarto em que dormia com Dean, Vic observava o quintal com uma estranha sensação.

Eram quase duas da madrugada e o céu continuava escuro. Ela acordou sobressaltada, mas saiu dos braços de Dean com cuidado para não despertá-lo..

Dean e ela sempre estavam vigilantes. Haviam abandonado uma vida de caçadas, mas não significava que haviam abaixado a guarda, pois dormiam com uma jarra de água com um terço dentro para benzê-la, além de armas debaixo da cama, em cada lado.

Mesmo assim, os instintos de Victoria não ficavam muito em alerta, pelo menos não como nessa precisa madrugada. Não era uma sensação de que alguma entidade maléfica os fosse atacar, mas de que alguém os vigiava. Na verdade, como se sentisse que Sam fosse entrar pela porta de sua casa a qualquer momento. Ridículo. Quase riu, mas manteve o semblante sério. Era por isso que devia ignorar tal sensação.

Não havia desistido de trazer Sam de volta de alguma forma, mesmo com aqueles meses ao lado de Dean. Contudo, apenas fazia algumas pesquisas e solicitava a Matt que lhe indicasse qualquer ritual. Não pretendia, claro, tomar nenhuma medida radical, como a última em que quis entregar sua alma a Crowley. Tampouco pretendia deixar Dean e regressar com Sam, caso ele pudesse ressuscitar.

Se ele pudesse... Cada dia se convencia dessa impossibilidade. Mas não significava que não se importasse com Sam e de que o havia esquecido. Pelo contrário, ainda chorava por ele nas horas em que ficava sozinha quando Dean estava no trabalho. E rezava todos os dias para que se Sam não pudesse voltar dos mortos, que, pelo menos, sua alma pudesse se elevar aos céus e encontrar paz. Mesmo sem ter obtido uma resposta de Deus na ocasião quando clamou por este logo após Sam ter pulado na gaiola, ela ainda precisava acreditar que algum milagre fosse livrá-lo de uma condenação eterna.

Um ronco de Dean a despertou de suas reflexões. Ela se voltou para ele apenas para contemplá-lo adormecido, o corpo enrolado numa coberta, que tapava parcialmente sua nudez, deixando antever suas costas largas e suas pernas.

Vic engoliu em seco. Dean era tão lindo! Um deus grego! E sabia como levá-la às alturas com aquelas mãos e aquele corpo tanto como Sam antes dele.

Crispou o rosto e tornou a olhar para a janela. Por que Sam sempre acabava em seus pensamentos mesmo quando admirava Dean? Bom, nem sempre. E tampouco quando Dean e ela faziam amor. Eram nessas horas, principalmente, que se entregava de corpo e alma ao Winchester mais velho e nem mesmo a lembrança do mais novo era capaz se interpor nessas horas de prazer e felicidade. Nunca comparou o desempenho de Dean com o do irmão, pelo menos não em seus momentos com ele, somente na reclusão de seus pensamentos.

Aliás, não havia margem de comparação, os dois a satisfaziam da mesma forma, apesar do toque e o modo de conduzir as carícias serem diferentes. Sam gostava de usar mais os lábios, os dentes e a língua enquanto Dean usava mais as mãos; Sam tinha preferência por sua boca, adorava beijá-la mais durante as relações enquanto Dean era tarado por seus seios e demorava-se muito neles.

Victoria tornou a fechar os olhos e balançou a cabeça. Sam lá embaixo com Lúcifer e Miguel, Dean ali mesmo a pouca distância... e ela com tais divagações!

- Vic…

Ela se virou para Dean ao escutar seu chamado. Ele apoiava a cabeça no braço com parte do torso levantado e fitava-a com cenho franzido.

- Algum problema? - indagou ele

- Não, eu… apenas perdi o sono… e estava apreciando a vista.

- Hum… pois eu estou apreciando uma bela vista agora mesmo – declarou o Winchester olhando de cima a baixo para o corpo nu de Victoria. Ela notou imediatamente um volume se elevar debaixo da coberta entre as pernas dele – E nunca me canso de apreciar…

Vic riu.

- Seu amiguinho já acordou também, Dean? - retrucou com expressão maliciosa – Você ainda está com gás? Depois da maratona que tivemos?

- Qual o problema em esticá-la mais um pouco? – declarou o Winchester ao retirar a coberta e expor-se por completo. Aproximou-se a passos largos até Victoria, com o olhar intenso. Ela engoliu em seco. Ele enlaçou sua cintura, mas ainda manteve a distância. Mesmo assim, o simples toque dele a fez suspirar – Até porque a gente vai ficar sem se ver sabe-se lá por quantos dias.

- Dean…. - ela o fitou agastada

- Tudo bem, parei. - ele fechou os olhos e apertou o maxilar. Depois, tornou a abri-los – Não vamos discutir mais. Prefiro… fazer.

Puxou-a contra seu corpo e encostou seus sexos, fazendo-a sentir sua ereção; ambos suspiraram alto. Ele colou seus lábios nos dela, introduziu a língua e começou a percorrer cada canto de sua boca; as mãos passeavam pelas curvas sinuosas das costas e cintura de Victoria, seus braços enlaçados ao pescoço dele.

Vic gemeu quando lhe tocou nos seios e estimulou os mamilos com os dedos. Em resposta, ela desceu a mão até o membro dele e acariciou sua glande. Dean estremeceu e estreitou-a mais, esfregando seu corpo no dela e mordiscou seu pescoço e queixo num ritmo alucinante; os dois ofegaram.

Ele a ergueu do chão e carregou-a enquanto as pernas dela rodeavam sua cintura. Dean colocou Vic na cama com cuidado e, em seguida, deitou-se sobre ela, mas com o rosto a observá-la. Fitou-a demoradamente e então deslizou as mãos sobre sua face e pescoço, provocando-a com carícias suaves e intensas. Vic apreciou o contato e suspirou sob o toque daquelas mãos e dedos que pareciam adivinhar os pontos exatos para lhe causar arrepios.

Arfou quando de novo os seios foram envolvidos pelas mãos do Winchester. Os mamilos ficaram rígidos com os insistentes toques dele, o modo como apertava e acariciava a região. Gemeu quando Dean acariciou um mamilo com a língua, rodeando-o para logo tomá-lo com a boca e mordiscá-lo. A outra mão continuava a estimular o seio esquerdo.

Vic esticou os braços até a cabeceira da cama e segurou-a enquanto deixava seu companheiro se saciar à vontade com seus peitos e saciá-la. Ora ele usava a língua e os dentes, ora usava as mãos; o fato é que gastou um tempo considerável a ponto de deixar a cavidade de Victoria suficientemente molhada para recebê-lo e até começava a se contrair.

- Dean… Ah, Dean! - gemia enlouquecida.

O Winchester sorriu com a língua ainda num dos mamilos e, por fim, deslizou-a entre o vão dos seios e começou a traçar um rastro em linha reta até chegar ao umbigo de Victoria onde se deteve por breves instantes, apenas para mordiscar a região abdominal. Mas logo retomou a trilha até encontrar a cavidade feminina.

Vic prendeu a respiração e revirou os olhos quando ele introduziu a língua em seu interior para em seguida retirá-la lentamente e pousar a mão. Gemeu alto ao sentir os dedos dele esfregarem seu clitóris num ritmo cadenciado. As mãos dela foram para a cabeça e puxaram os cabelos com loucura.

Victoria escutou o próprio grito quando seu corpo estremeceu com o orgasmo que a atingiu. Ainda permaneceu com os olhos fechados e a mãos sobre a cabeça, experimentando a languidez que começava a tomar conta de seus membros.

Contudo, Dean não pretendia lhe dar descanso: com jeito possessivo e firme, mas não bruto, ele a virou de costas e começou a mordiscá-la entre as coxas; deteve-se um bom tempo em suas nádegas. Vic sorriu, ao mesmo tempo que se arrepiava e suspirava.

Em seguida, a boca do Winchester foi subindo por suas costas lentamente até chegar à base de sua nuca. O corpo dela estremeceu mais e ela gemeu.

- Baby, você me deixa louco com essa bunda linda e arrebitada – sussurrou-lhe na orelha e depois mordiscou-a, fazendo estremecer mais. Adorava quando ele fazia isso – Quero meter em você enquanto vejo essa bunda virada para mim. Vem!

Dean era assim. Mandão e safado ao falar, mas gentil, sensível e intenso ao tocar. Como ela poderia resistir a um pedido dele? Nunca.

Ela deixou que a posicionasse do jeito que queria: firmou-se nos braços e ficou de quatro sobre a cama, de costas para ele. Estremeceu e sentiu a cavidade ainda sensível pelo recente orgasmo umedecer quando ele de novo a estimulou friccionando os dedos.

Enquanto uma mão a estimulava, a outra passeava por sua bunda e apertava cada lado. Victoria gemia alto enquanto se agarrava com força sobre os lençóis. Sentia novas contrações em sua genitália, mas cessaram por breves instantes quando Dean substituiu os dedos por seu membro; os dois arfaram em uníssono.

Ela deslizou as mãos para a parte baixa da cabeceira e ali se segurou enquanto o Winchester, de joelhos sobre o colchão, entrava e saía de seu interior com as mãos agarradas em cada lado de sua cintura. Dean se segurava para não gozar antes que Vic o fizesse novamente, mas sempre era difícil se controlar quando estava dentro dela, pois era como se fosse a primeira vez; nunca se cansava de estar nela, porque sua união era mais do que física.

O descontrole começou a toldar a mente dele, os gemidos foram se intensificando e saíam descontrolados de sua boca. Contudo, sentiu o corpo de Victoria reverberar, um segundo grito que saiu da voz dela, e somente assim, ele se permitiu se entregar ao seu próprio prazer.

O corpo de Dean desabou exausto no de Collins, sobre as costas dela. Durante um longo tempo, só escutava o barulho de suas respirações se acalmando aos poucos. Por fim, quando sentiu seu corpo sair do estado de estupor, ele se virou de lado e aninhou sua mulher nos braços, as pernas de ambos se enroscaram. Dean adorava ficar com ela assim após fazerem amor; era como conservar ainda os resquícios da união ocorrida entre eles.

Uma união que se consolidava a cada dia não apenas em seus momentos de intimidade sexual, mas em pequenos momentos, coisas que há um tempo antes de conhecer Victoria, Dean consideraria até banais, porém, com ela, ganhavam um sentido e uma importância sem tamanho. Não sabia se era pela vida que levavam antes, se pelas perdas que tiveram – sobretudo, a de Sam – ou simplesmente por Victoria ser a mulher de sua vida desde os seus sonhos na infância. O fato era que ele procurava aproveitar cada segundo ao lado de Vic. Não era perfeito, nunca seria sem Sam, mas era o mais próximo do seu ideal de felicidade.

Cenas daquele tempo com Victoria transcorreram como num flash em sua mente.

Eles colocaram o colchão sobre o quarto e apenas estenderam um lençol. Os móveis seriam entregues apenas no dia seguinte.

Dean enlaçou a cintura de Victoria. Ambos olharam para o colchão.

- Bom, o principal já temos. - declarou Vic

- Bota principal nisso – reiterou ele e mordiscou seu pescoço, fazendo-a estremecer – Vamos estrear?

Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz

- Dean, não! - Vic tapou o rosto para o celular que o Winchester lhes direcionava.

- Qualé, Vic! Vamos lá. Só uma foto.

- Não, eu não gosto.

- Eu sei que não, mas já tiramos uma antes… com o Sam – ele engoliu em seco, assim como ela. Referia-se a uma foto que ainda guardava dos três juntos, ela no meio deles. Foi um custo tentá-la convencer a posar, mas com muita insistência, conseguiram – Você sabe, também não sou de fotos, mas vamos começar a fazer certas coisas diferentes que a gente não fazia antes. - ela suspirou e cruzou os braços. Ele se aproximou mais e ficou ao seu lado – Vamos lá, baby.

- Está bem – revirou os olhos e balançou o dedo em riste para ele – Mas só uma.

- Isso, minha garota! É assim que Deanzão gosta

Vic riu e posicionou-se ao seu lado. Ele bateu a primeira foto deles juntos diante da casa em que estavam morando há dois dias.

Victoria acabou quebrando a resistência e passou a fazer daquilo um hábito ao registrar uma foto deles por semana de algum acontecimento especial.

A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim do mundo,
O fim do mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos e todos por um

Receberam em sua casa uma comitiva de quatro casais vizinhos que os saudaram com bolos, doces e salgados como boas-vindas ao bairro.

Foram todos muitos gentis e, embora discorressem sobre diversos assuntos que não lhe interessavam, Dean e Vic procuraram ser atenciosos. Se queriam uma vida normal, era preciso se socializarem.

Prestaram mais atenção quando se comentou sobre os estranhos incidentes nos meses anteriores, de grandes proporções, envolvendo fenômenos estranhos e mudanças climáticas catastróficas. Ambos trocaram um olhar divertido quando uma das mulheres fez o sinal da cruz e declarou:

- Nossa, foi uma loucura! Até parece que o mundo estava acabando, que era o início do final dos tempos… a vinda de Satanás! Ainda bem que passou.

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme

Dean cumprimentou os colegas do serviço, foi para o vestuário, guardou sua bolsa no armário depois de retirar o que precisaria e trocou-se: colocou o uniforme, as luvas de segurança, os óculos e o capacete.

Em seguida, dirigiu-se à obra, apanhou a máquina de brocas e começou a colocar parafusos numa das vigas de ferro de uma estrutura ainda no início de construção.

Lembrou-se vagamente de suas armas ao atirar em alguns dos monstros que caçava ao lado do irmão; isso sempre acontecia. Balançou a cabeça e tratou de se concentrar mais uma vez.

Na hora do almoço, procurou se entreter com seus colegas, fingindo rir das piadas que contavam.

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme

De vez em quando, costumava tomar um rápido drink no bar perto de casa com seus colegas. Não fazia muita questão, desejava chegar o quanto antes para os braços de Victoria. Mas eles insistiam tanto que ficava sem graça de recusar e acabava cedendo, apenas pela recomendação de Vic de "socializarem para levarem uma vida normal". Mesmo assim, não se demorava e sempre avisava para ela, prometendo que logo chegaria. Como sempre, nesses encontros, evitava falar muito de si, dando evasivas sobre a família e limitando-se a dizer que era órfão, sem entrar em maiores detalhes.

Em seguida, como um bobo alegre, fazia um brinde para qualquer besteira que propusessem.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo"? (2x)

Todos os dias, fazia questão de levar algum agrado para Victoria: um doce, um livro que sabia que ela gostava, uma fruta... Apenas flores e bombons não entravam em sua lista, meio que sentiria piegas. Mesmo assim, estava tentando ser o mais expressivo sobre seus sentimentos, o máximo que conseguia.

Era o suficiente para arrancar um sorriso largo nos lábios de Vic e um beijo apaixonado.

Sem essa de que: "Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor

Dean mordiscou o pescoço de Victoria, desconcentrando-a no jantar que ela terminava de preparar. No início, ela tentou afastá-lo, mas sem sucesso. Desligou o botão que atiçava uma panela e virou-se para ele.

Deixou que a desnudasse por completo e fez o mesmo com ele. Ergueu-a sobre a mesa da cozinha e fizeram amor ali mesmo por duas vezes de modo intenso.

Não havia lugar naquela casa em que Dean não havia possuído Victoria, até mesmo na garagem. Bom, somente o quintal e a frente da casa que não, por causa dos vizinhos.

Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz

Havia assistido uma notícia que o deixou perturbado no telejornal após o jantar. Uma série de assassinatos com os cadáveres encontrados sem o coração. E era perto de onde moravam, não exatamente na cidade, mas não se gastava nem duas horas para ir lá.

Vic estava sentada a seu lado no sofá e trocaram um breve olhar; ela abaixou o rosto; ele a abraçou de lado, mas também não a encarou.

Sabiam que os indícios apontavam para algum lobisomem e poderiam resolver juntos a questão. Mas não queriam; as caçadas deveriam permanecer no passado, não importava se com isso deixavam de salvar vidas.

Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta

Dean estava cuidando da churrasqueira enquanto Victoria entretinha o pessoal; eram seus vizinhos e alguns colegas de trabalho do Winchester. Haviam convidado Bobby, mas ele se recusou, alegando estar muito ocupado.

Dean estranhava aquele afastamento do velho caçador há meses desde que passaram a morar ali; afinal, não era só por ele, era por Victoria, sua sobrinha. Parecia que SInger os estava evitando, como se escondesse alguma coisa.

Balançou a cabeça. Besteira. Talvez apenas quisesse lhes dar espaço por um tempo.

Olhou satisfeito para os hambúrgueres que assou e colocou-os num prato; levou-os para um grupo numa mesa, um casal e seus dois filhos, além de Victoria.

Provaram e o elogiaram, Vic o encarou satisfeita.

Sorriu com certa presunção. É, estava ficando bom nisso.

E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia

Dean estava na sala, era tarde da noite. Havia tido outro pesadelo com o irmão, a mesma cena: Sam pulando direto para a gaiola, levando Lúcifer em seu corpo e puxando Miguel no corpo de Adam; os dois caindo.

Apanhou uma garrafa de uísque e voltou a beber; sempre fazia isso quando tinha aquele pesadelo ou apertava as saudades e a tristeza pelo irmão. Não eram todas as noites, mas boa parte delas.

Não se sobressaltava por escutar o barulho dos passos de Victoria ao descer da escada, entrar em silêncio na sala, olhar para ele com o mesmo pesar, postar-se a seu lado e dividir a bebida com ele até esvaziarem a garrafa. Depois, abraçavam-se e ficavam um bom tempo parados sem disserem uma palavra ao outro até o sono voltar e retornarem juntos para a cama.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo"?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo"?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo"?
E hoje em dia, vamos fazer um filme?

Victoria se remexeu e acariciou o rosto de Dean, despertando-o de suas recordações. Ela parecia saber o que se passava em seu íntimo.

- Não sabe como vou sentir saudades só de ficar três dias longe de você.

- Então não vá – pediu ele em tom de gracejo, embora fosse sincero – Sou mais interessante

Sorriram.

- Eu sei que você é, mas…

- Você prometeu ao Matt. - ele completou com um muxoxo – OK. Eu sei.

- Dean… eu te amo.

Ele engoliu em seco, mas nada disse. Seu coração batia toda vez que a escutava dizer essa simples frase e, embora, não conseguisse repetir da mesma forma com todas as letras, respondia da única forma que sabia: um beijo.

Não um beijo como os que costumava lhe dar, mas um mais profundo, terno e longo. Foi o que fez. E Vic sentiu toda a intensidade do amor que aquele homem lhe devotava.

Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

- 0 -

Sam observava da calçada os arredores da residência de Dean e Vic. Estava ainda escuro, mas a iluminação pública permitia vislumbrar o espaço. Precisava ter cuidado para não ser visto e não era por eles: era pelos que podiam prejudicar o casal.

Estava decidido a se apresentar para seu irmão e sua ex. Havia mudado de ideia quanto a isso, mas não era por uma questão sentimental; era mais por seus interesses. Cobra também o influenciou em sua decisão.

Sorriu. Ele aprendeu a respeitar, confiar e até admirar o homem, mas não era para menos. O cara era excepcional. Os outros… Bom, os outros eram os outros.

- Sam. Sam.

Virou em direção ao sussurro alto que o chamou. Era Gwen. Estava a pouca distância.

- O que foi? - indagou ele

- O Cobra falou pra você voltar, senão você estraga o lance.

- Não vejo sinal de nenhum deles.

- Mesmo assim, ele não quer se arriscar. Vamos.

Sam assentiu. E foi sem discutir.

- 0 -

Dean se encontrava num bar com Sid, um dos seus colegas de trabalho e vizinho. Haviam encerrado o expediente, eles e os demais da turma foram como de costume beber e jogar conversa fora. Depois de um bom tempo, o grupo se despediu e ficaram apenas Dean e Sid.

O Winchester não estava com pressa de voltar, não para uma casa vazia, já que Victoria não estaria. Pela manhã, eles se despediram; Vic disse que precisava resolver uma questão de trabalho na empresa de Matt e embora ele não gostasse muito da ideia de vê-la longe mesmo que por poucos dias, acabou cedendo – após uma discussão acalorada na noite anterior, seguida de três sessões de sexo até altas horas e mais uma pela madrugada.

Victoria lhe confidenciou que estava trabalhando com Matt, na empresa deste e seria um serviço à distância, com pequenos trabalhos que em nada atrapalhariam a rotina deles. Dean não se incomodou, pois ela já fazia isso algum tempo, desde a época de luto por Sam. O que o incomodava agora era ela precisar viajar

Dean achou estranho, porque se bem se lembrava na época do namoro de Vic com Sam, por duas vezes, ela viajou alegando "resolver questões de devolver favores" para Matt e que ele era um ex caçador. Tanto Sam como ele acreditavam que o tipo de trabalho era relacionado às caçadas. E agora ela alegava que realizava serviços para a empresa e que aquela viagem era necessária para o negócio.

- Dean, eu lhe garanto. Não tem nada a ver com caça – ela lhe disse mais de uma vez antes de ele concordar – Eu… não faria isso de novo por nada neste mundo. Nem mesmo como um favor ao Matt.

Ele sabia. Seria doloroso tanto para ele como para ela voltarem àquela vida. Mesmo assim, ficou com a pulga atrás da orelha, com a suspeita de que ela lhe escondia algo. Não, tolice. O segredo que ele acreditava que foi a causa até de uma briga que Sam e ela tiveram havia sido revelado e esclarecido: a morte da família dela por uma entidade sobrenatural e ninguém menos do que Miguel, agora padecendo na jaula… com seu irmão.

Estava paranoico, com certeza. E era por Victoria se afastar dele por mais de um dia, pela primeira vez. Por mais que soubesse a exata localização do lugar em que ela ficaria, do telefone da multinacional e até o telefone do próprio Matt, não estava muito seguro de Vic se afastar. Nem mesmo por ela ainda ser capaz de se defender, mesmo sendo uma ex caçadora.

Contudo, Victoria o convenceu, não apenas pela discussão, mas pela sedução e as artimanhas que usava para deixá-lo louco na cama. Droga! Aquela mulher sabia o levar pelo bico e, mais uma vez, ele se deixou dominar.

Na despedida, quando ela foi tomar um táxi que a levaria ao aeroporto – ele não insistiu em levá-la, por ainda ter medo de avião e não querer vê-la partir –, Vic lhe sussurrou para desfazer seu semblante aborrecido:

- Me espere que quando eu voltar, vou fazer horrores com você

- Hum… e o que seria? - ela lhe sussurrou mais baixo e fê-lo suspirar e revirar os olhos só de imaginar – Deus, esses três dias vão ser como uma eternidade. - pegou em seu rosto mais uma vez e beijou-a ardente e longamente, ignorando o taxista impaciente. Desgrudou com relutância os lábios dos dela – Por favor, baby, não demore mais do que isso.

E agora estava ali, sem a menor vontade de voltar para a casa silenciosa e vazia, deparar-se com a ausência de Victoria… e com aquele buraco deixado por seu irmão, que nunca seria preenchido, mas que com a presença de sua mulher, ele conseguia contornar. Procurava se concentrar na conversa com seu vizinho; era até interessante, pois Sid era um sujeito divertido, embora um pouco simplório.

- Graças a Deus isso foi antes do Facebook, não é? - indagou Sid aos risos um pouco alto – Eu e aquela dona estaríamos direto na Net.

- Com certeza. - anuiu Dean em tom de gracejo e tragou mais um gole de cerveja na garrafa

- Não entenda errado. Não estou reclamando, mas se você me dissesse: "Ei, você. Daqui a quinze anos, você vai morar no subúrbio..."

- Oh, pois é – o Winchester assentiu

- Sabe como é?

- Acredite. Eu sei. - sorveu mais um gole

- Você e a Victoria viajaram muito, então?

- É. Quase a minha vida inteira. Ela também… Por isso damos certo.

- Hum… - ele assentiu com seu rosto quadrado e fixando os olhos verdes no Winchester, aguardava pacientemente por mais informações, que não vieram. Suspirou – E?

- Eu… não sei – Dean sufocou um riso

- Qual é? Vocês se mudaram para cá, tem o quê? Um ano?

- É. Por aí. Dez meses pra ser mais exato.

- Então, eu pago cerveja para você há dez meses. Você está me devendo alguns detalhes sórdidos

- Ora, não tenho muita coisa para contar, sacou? - fez uma curta pausa, ponderando – Eu vivia na estrada. Pegava os trabalhos que ninguém mais queria fazer.

- Tipo?

- Tipo… controle de pragas

- Sério? - Sid o encarou incrédulo – Controle de pragas?

- É. Você trabalha em dupla. Você ajuda as pessoas. Você não faz ideia do que tem na parede de certa gente. Come você vivo.

- Er… - Sid mal disfarçou a expressão de nojo

- É claro que isso foi antes. Agora…

- Você é quase respeitável.

- É. Acho que sim. - Dean forçou um sorriso – Até dá medo, para ser franco

Riram-se.

- E a Victoria?

- O que tem ela?

- No que ela trabalha? Não dá pra acreditar que ela é só uma dona de casa. Ela parece… um pouco sofisticada.

- Ela... faz uns trabalhos de free lancer para algumas empresas, por isso, vivia viajando. Ela tem formação técnica em gestão de negócios pela Stanford.

- Uau! E como uma mulher como ela acabou com um cara como você? - Sid zombou

- Não sei… Acho que meu charme.

- Palhaço – Sid deu um murro de leve no ombro de Dean, que acabou rindo

- Obrigada, rapazes. - agradeceu uma garçonete que havia deixado a nota fiscal da conta dos dois homens

- Obrigado a você – retrucou Dean

A garçonete era novata, estava trabalhando no bar há apenas uma semana. Era alta, magra, com tatuagens pelos braços, o cabelo longo e encaracolado e um sorriso bastante convidativo. Ela tocou de leve no braço de Dean e afastou-se.

- Acho que ela gosta de você – observou Sid, com os olhos perscrutando o perfil da moça

- Você acha? - indagou Dean numa voz que denotava indiferença e olhava para a garçonete sem interesse

Ele ostentava a nota sem tê-la visto para Sid conferir. O homem arregalou os olhos ao notar o nome da moça "Brigitte" e seu telefone escritos no final do papel e tomou-o das mãos de Dean.

- Não sei o que você tem. É sempre assim!

- Parece que as garotas só preferem caras comprometidos. – retrucou Dean como se não fosse nada e rasgou sem dó o papel – Quem diria?

- Ah, por favor, se fosse assim, então choveria para o meu lado e a Margaret me encheria o raio do saco por ciúmes. – Dean apenas sorriu condescendente – E você se dá o luxo de desprezá-las. Se fosse eu...

- Olha, tenha juízo, homem – Dean balançou o dedo em riste para ele com ar zombeteiro

- Se bem que com uma mulher como a Victoria, hum... qualquer um pode se dar ao luxo de dispensar outras – o sorriso morreu no rosto de Sid ao ver a expressão carrancuda de Dean – Er... com todo o respeito, Dean, claro

- É claro – o Winchester forçou o sorriso.

E logo terminaram a última rodada de bebida e despediram-se na porta do bar. Dean se dirigia para sua picape amarela – ele ainda possuía o Impala, mas preferia mantê-lo guardado e coberto, porque o veículo lhe trazia mais recordações dolorosas sobre o irmão – quando escutou um grito vindo de um hotel abandonado e em reformas. Um grito longínquo, mas teve certeza do som.

Abriu a porta da picape e tirou de dentro uma lanterna. Olhou para os lados e dirigiu-se ao local. Entrou no hotel por uma porta enferrujada com a maçaneta quebrada e começou a subir uma escadaria, iluminado o ambiente. Madeira, materiais de construções e lonas por toda a parte; ao final da escadaria, havia um corredor e, no meio deste, uma lona que ocultava a visão mais adiante.

Escutou um ruído atrás da lona e encaminhou-se na direção. Virou-se com uma vaga sensação de ser observado, mas como não se deparou com nada, tornou a fixar sua atenção na lona, porém, tirou a arma que levava no coldre atado à calça.

Afastou-a com brusquidão… e viu que mais adiante havia uma segunda; adiantou-se. Olhou mais uma vez para trás, pensando ouvir um ruído, mas seguiu em frente. Um frio o percorria; dessa vez, podia distinguir barulhos atrás daquela lona. Com toda a coragem e força que empregou, abriu-a de súbito; um pombo voou, quase se chocando em seu rosto. Dean tomou um susto e sufocou um grito.

Respirou profundamente para se recuperar e continuou sua investigação. Havia uma segunda escada que conduzia a outro andar. Depois de caminhar alguns metros, deparou-se com o que parecia uma garra na parede; as marcas possuíam um brilho e, a poucos centímetros, havia uma mancha de sangue. Certamente, alguém havia sido morto ou capturado por alguma criatura sinistra.

Como não encontrasse mais nada no prédio, voltou para casa. Ignorou a escuridão e solidão do local (como Victoria lhe fazia falta!) e após trancar a casa e certificar-se de colocar todos os apetrechos que a protegessem de demônios ou outras entidades maléficas, ligou para a emergência do 911 enquanto olhava para o site da central de operações.

- E ninguém deu queixa de um desaparecido? - perguntou a um atendente que lhe deu alguma resposta – Não, teria que ser hoje. - fez uma breve pausa – Nenhum relato de ocorrência perto de Vineland e Oak Street? Perto daquele hotel em reforma? - suspirou com outra resposta – Ah… pode chamar de palpite. Eu fui policial por muito tempo. Er… certo… Eu ligo para você amanhã. Valeu cara… Tchau.

Mal havia desligado, recebeu uma chamada de Victoria. Ficou aliviado e contente; embora ela houvesse lhe telefonado à tarde para informar sobre sua chegada, precisava escutá-la novamente, mas sem deixar transparecer a carência que sentia pela ausência dela. Procurou imprimir um tom cordial na voz enquanto conversavam, não queria que ela soubesse de sua pequena investigação de alguma atividade "fora do normal", pois era um acordo entre eles não tocar e enveredar mais por nada que houvesse ligação com suas antigas vidas. Contudo, ela percebeu, pois lhe indagou:

- Algum problema?

- Não… imagina. Tudo em cima.

- Dean…

- Sério, Vic. Nada de errado.

- Hum… está bem. Espero que não me esteja aprontando nada.

- Ah, é? Como o quê? - ele a provocou – Me divertir num clube de stripers?

- Dean! - ele riu deliciado. Gostava quando Vic sentia ciúmes, embora ela não fosse de demonstrar – Não tem graça, viu?

- Não se preocupe, baby. O único strip-tease que quero curtir é o que você vai fazer pra mim quando voltar.

- Hum… sei. Acho bom.

- Relaxe, Vic. E… volta logo.

- Pode deixar. Depois de amanhã estou de volta.

- OK… Tome cuidado.

- Sempre. E você também. - ela fez uma pausa – Dean?

- Hum?

- Eu te amo.

E desligou sem esperar resposta, deixando-o atordoado e contente cada vez que a escutava repetir aquela frase para ele.

Eu também te amo.

Respondeu para Victoria em pensamento, algo que nunca teve coragem de dizer com todas as letras.

- 0 –

Na manhã do dia seguinte, um sábado, Dean voltava do supermercado em sua picape. Ao se aproximar de sua rua, viu diversas marcas de garras em alguns postes, similar àquela encontrada na parede no hotel abandonado. Uma se deteve num poste da casa de um dos seus vizinhos; ele estacionou de imediato, apanhou o revólver no assento de passageiro, abriu cuidadosamente o pequeno portão de madeira que dava nos fundos, direto para um quarto de despejo, e entrou; havia lençóis pendurados no varal e um deles estava rasgado ao meio pelas tais garras.

Havia uma garra também na porta do quarto de despejo; a tensão em Dean aumentou. Escutou um barulho no interior e colocou o revólver diante de si, preparado para disparar. Viu alguma coisa se mexer no lugar pelas frestas da porta e girou a maçaneta, com o gatilho travado para atirar. Abriu a porta de supetão… e estava apenas um cachorrinho pequeno e peludo lá dentro. O animal correu assustado para fora com o movimento brusco. Dean soltou um suspiro de alívio.

- Dean!? - o Winchester se virou e viu Sid do outro lado do pequeno muro. Ele praticava corrida pelo bairro escutando músicas no seu Iphone e estava com expressão assustada – Isto é uma arma?

- Não… É… - ele guardou o revólver apressado – Eu tenho porte de armas.

- Para quê? Para atirar no cachorro dos Glickman?

- Eu pensei que era um gambá – emulou um sorriso forçado de quem acha uma situação engraçada e riu. Sid ainda o encarava com estranheza – Lembra que eu trabalhava com controle de pragas? Gambás transmitem raiva e… outras doenças.

- Eu não sabia disso.

- Pois é. É isso aí. Gambás matam, Sid. - declarou com ar sério. Em seguida, detectou enxofre na soleira da porta e abaixou-se – Ah, que droga.

- O que foi? - indagou Sid, tentando olhar o que Dean enxergava

- Enxofre – respondeu Dean após constatar sua afirmação ao mexer num punhado do pó. Levantou-se e saiu – Eu tenho que ir.

- Espere, Dean! - chamou Sid, mas foi ignorado – O que está havendo?

Dean foi para sua casa, direto para a garagem, pegou uma sacola grande, retirou o pano que cobria seu Impala, abriu o porta-malas e tirou de dentro algumas armas e apetrechos com que pudesse atirar em algum demônio. Se havia enxofre, demônios estavam por perto.

Era bom demais para ser verdade! Quando pensava em abandonar sua antiga vida, algum rastro do passado insistia em perturbar a paz que com muito custo Victoria e ele construíram em torno de si. Mas não deixaria que atrapalhassem suas vidas. Talvez fosse até bom que Vic não estivesse ali; não queria que se preocupasse mais com esse tipo de coisa.

Ele foi para outro canto e abriu um pequeno baú onde se encontravam outros apetrechos, além do velho diário de seu pai. Parou imediatamente o que fazia ao escutar o barulho de alguma coisa vinda do outro canto, coberto pela visão de seu carro. Levantou-se, pegou a arma e aproximou-se com passos cautelosos do outro lado, mas não viu nada entre o espaço da parede e seu Impala.

Contudo, ao se virar, deparou-se com Azazel e seus olhos amarelos resplandecentes.

- Oi, Dean. - ele emulava um sorriso zombeteiro e cruel – Olha o que o Apocalipse deixou solto. - Dean o encarava atônito enquanto ele ria – Você se divertiu seguindo este rastro? Porque eu me diverti fazendo você rodar.

- Você não pode ser…

- Ah, é claro que eu posso – completou Azazel

- Não.

- Sim, garoto. O papai trouxe seu amigo Cass de volta, não foi? Então, por que não eu? Para botar uma pimenta em tanto açúcar.

Em resposta, Dean disparou a espingarda com sal na altura do abdômen de Azazel. O demônio apenas olhou a parte atingida sem nenhum arranhão e ergueu a vista para o Winchester:

- Jura? Depois de tudo o que passamos juntos? – aproximou-se de um Dean atônito, agarrou-o pelo pescoço e ergueu-o – Sabe, você tem uma vidinha boa aqui. Uma bela casa, uma boa vizinhança... e uma mulher linda e deliciosa – o demônio passou a língua entre os dentes e riu – E como faz para a grama ficar verdinha? Fala sério, Dean! Eu nunca achei você muito brilhante... mas você achou mesmo que ia conseguir manter tudo isso? – a garganta de Dean começava a sufocar – Você devia saber que em algum momento, viríamos atrás de você e de sua garota, cara. – ele o girou e empurrou-o com brusquidão contra a outra lateral do Impala. Dean gemeu – Você não pode fugir do seu passado.

Dean estava quase desfalecendo pela falta de ar quando vislumbrou seu irmão irromper atrás de Azazel, este sumir repentinamente e uma seringa ser injetada por Sam na altura de seu peito, no ponto exato do coração. O loiro sentiu uma dor forte, um baque que o impulsionou e, súbito, desmaiou.

Quando despertou, estava numa cama que não era a que dividia com Victoria e num quarto estranho; percebeu que era de noite pela escuridão que vislumbrava da janela do local e do ambiente. Contudo, não foram esses detalhes que captaram sua atenção: foi ver seu irmão caçula vivo e sentado em outra cama de frente para ele, com a expressão um pouco zombeteira e satisfeita. Dean se sentou de imediato e escutou a saudação de Sam:

- Oi, Dean.

- 0 -

O título deste e do próximo capítulo "Volver" remete a um filme espanhol, de Pedro Almódovar. Significa "voltar".

Bom, espero que gostem. Por favor, comentem.