Notas da Autora

Nohara se lembra de quando...

Séculos depois...

Capítulo 2 - Lembranças

No outro continente, a general Nohara (野原) olhava para onde a sua imperatriz e a filha desta, estiveram antes de desaparecerem em uma luz intensa.

A filha mais nova da grande Youko, Tsukiko, chorava em seus braços, enquanto que a general, que havia adquirido nove caudas com o passar dos séculos, murmurava, amargurada:

- Youko-sama... Por quê? Eu disse que a seguiria até a eternidade. – ela fala dentre lágrimas conforme se recordava do passado.

Há mais de dois milênios atrás, os reinos estavam demasiadamente fraccionados e briga entre eles eram bem comum. Famílias destroçadas, sobreviventes escravizados. Ela foi uma.

Uma raposa negra, assim como alva eram raras dentre as raposas que usualmente eram castanhas ou com um castanho alaranjado. Ela havia sido capturada e reduzida a escrava. Era humilhada, espancada, assim como passava fome, enquanto fazia trabalhos braçais.

Um dia viu uma nova escrava, dentre os escravos recém-comprados. Era um filhote de raposa alva como a neve e felpuda com nove caudas, sendo que normalmente, elas nasciam com uma e a cada século, adquiriam outra. Não era para um pequeno filhote ter nove caudas. Ela era felpuda e alva, tornando-a alvo de cobiça. As caudas apenas aumentaram a cobiça.

Mas, o que lhe chamou a atenção foi que ela não chorava. Apenas sorria levemente e a primeira vista, a achou idiota.

Por serem raras foram colocadas juntas e a primeira coisa que ela disse a jovem, que depois iria descobrir que se chamava Youko, era:

- É uma retardada por acaso? Por que sorri?

- Eu prometi ao tou-chan e kaa-chan que nunca choraria. Não posso quebrar uma promessa. Eles falaram que seu eu sorri, um dia irei encontra-los. Portanto, não vou chorar.

- Por acaso é uma idiota? Isso não existe. Eles estão mortos.

- Eles vão voltar. Eu acredito nisso. – ela falava com um sorriso no rosto que se tornou algo irritante para Nohara.

Ela não acreditava que a filhote a sua frente fosse manter a promessa, mas, a cada humilhação, castigo e sofrimento, ela sorria. Quando ameaçava chorar, inspirava profundamente e sorria.

"Ela acredita tanto assim no que eles falaram?"

Ela pensava consigo mesma, conforme faziam as atividades, sendo que ambas tinham coleiras no pescoço.

"Será que estou com inveja? Afinal, é uma besteira o que ela acredita. Mas, de certa forma, lhe dá esperança e ajuda a suportar tudo o que acontece no final das contas. Talvez ser estupidamente feliz e suportar tudo com um sorriso, seja uma forma que os pais dela encontraram para que ela lidasse com o inferno."

Após algum tempo, naquele inferno, ela se tornou a sua única amiga, passando a ver o sorriso dela como algo confortador, em vez de ser irritante. Inclusive, Youko tomou para si alguns erros de Nohara, para que fosse punida em vez dela, fazendo a jovem raposa negra ficar estarrecida frente ao sacrifício.

Em um dos castigos ela ficou seriamente ferida e andava, mancando, pois a sua pata direita foi fraturada e mesmo sentindo dor, havia um sorriso em suas mandíbulas.

Em uma mistura de indignação e de desespero, ela foi até ela e pergunta indignada:

- Você não fez nada de errado. Por que assumiu para si os meus erros?

- Você estava muito ferida por causa do último castigo. A dor seria ainda pior. Eu não estava ferida. Para isso que os amigos existem. Um deve cuidar do outro e aqui, você é a minha única amiga. – ela fala sorrindo, abanando levemente as caudas.

- Você... – ela murmura, embasbacada.

- Bem, precisamos terminar as nossas obrigações ou o nosso dono irá punir nós duas.

Conforme olhava Youko, flashes surgiam em sua mente, do tempo que vivia com a sua família, sendo que se lembrou, mais precisamente de sua avó, uma raposa de seis caudas, que falava, esperançosa, frente aos tempos de guerra e violência, sendo que diariamente existiam guerras e destruição:

- Um dia, virá uma raposa filhote de nove caudas que trará paz a esse mundo ao adquirir a décima cauda, sendo que no futuro distante, uma de suas filhas ajudará aquele predestinado pelo destino a salvar para o mundo inteiro e não somente este continente.

Ela achava uma grande besteira o que a avó materna falava, pois, sempre foi cética em virtude dos horrores diários e relatos de destruição de vilarejos tanto de youkais, quanto de humanos, que também eram escravizados, no caso, para serem escravos sexuais, enquanto que os outros eram mortos para servirem de comida por serem fracos demais para suportar os trabalhos pesados.

Porém, naquele inferno, passou a acreditar nas palavras de sua avó. Acreditava que fosse o desespero. Talvez, o fato de desejar ter alguma esperança para suplantar a sua vida atual. Questionava se o desespero e a vontade de acreditar em algo, a levara a se recordar do que a sua avó falava.

Talvez, a seu ver, estive sendo insensata, sendo que sempre foi cética. Mas, naquele momento, naquele instante, conforme via a raposa alva de nove caudas, passou a ter a esperança e descobriu que não era difícil e que inclusive era um sentimento confortador.

Com o tempo, passou a depositar as suas esperanças nela e decidiu que deveria ser aquela que deveria zelar pela futura salvadora daquele continente.

Porém, após alguns anos, Nohara escutou uma conversa que lhe deixou aterrorizada. Ambas seriam estupradas, em breve, sendo que acabou ouvindo por acidente, atrás da porta.

Nos dias seguintes, Nohara estudou um jeito de fugir, até que descobre uma forma de fugirem e na tarde daquele mesmo dia, enquanto estavam no campo, Youko é arrastada pela amiga, que fala que iriam fugir, deixando-a surpresa.

Elas conseguem fugir por uma passagem, mas, o dono delas manda outros youkais caçarem ambas e após algumas horas, eles acabam alcançando elas, mesmo nas suas formas verdadeiras.

Então, começam a bater nelas e ao ver Youko ser espancada, ela sente muita ira e em seu desespero, Nohara libera pela primeira vez o seu poder que consiste em chamas negras devastadoras que consomem tudo em seu entorno, com Youko ficando estarrecida ao ver os youkais reduzidos a nada.

Então, ela olha para a amiga, sendo que fala animada:

- Isso foi incrível, Nohara-chan! Suas chamas são incríveis. Será que eu também terei chamas incríveis? Ou será neve? Ou então ambas? – Youko pergunta animada, se aproximando da amiga que ainda estava encoberta pelas chamas.

Nohara fica aterrorizada ao ver a sua amiga se aproximando e se afasta, gritando:

- Fique longe! Não se aproxime!

Nisso, corre dali, desesperada, pois, não queria ferir a outra com as suas chamas, sendo que ainda não conseguia controla-las com perfeição.

Sem ter medo da amiga, a raposa alva a segue, sendo que ambas estavam nas formas verdadeiras com Youko ignorando os pedidos da amiga, que ainda estava rodeada de chamas negras.

Então, ela a alcança, com Nohara ficando desesperada quando Youko acaba caindo em cima dela, pois, estavam ambas na beirada de um precipício não muito profundo, considerando o tamanho delas.

Então, ela nota que a sua amiga manifestou chamas azuis, da mesma cor dos olhos dela, que pareciam duas safiras.

A raposa alva vê as chamas e fica animada, sendo que Nohara nota que as suas chamas foram suprimidas, para depois a raposa de nove caudas, encostar o seu focinho nela, falando:

- Agora tenho as minhas chamas. Somos amigas. Não somos? Vamos ficar juntas. Para sempre.

- Sim. – Nohara fala emocionada.

Após quebrarem as coleiras, elas passam a andar pelo continente, sendo que mesmo após dois séculos, que para os youkais não passavam de vinte anos, frente a noção de tempo que tinham, Youko continuava sorrindo, mesmo frente as adversidades com ela despertando o poder da neve.

Seiscentos anos depois, elas acabam encurraladas por três youkais cobra que liberavam miasma. Mesmo após séculos treinando para ficarem poderosas, acabaram caindo pela falta de experiência, juntamente com o miasma que as envenenava, embora tenham conseguido matar dois.

O terceiro consegue dar um bote em Nohara, fazendo a mesma cair no chão de forma agonizante, para depois fechar os olhos, murmurando:

- Youko-chan... fuja... por favor.

- Nohara-chan?

A raposa pergunta em choque, para depois correr, mancando por uma caudada que levou de um deles, até o corpo da amiga.

Então, lágrimas começam a brotar de seus orbes conforme chorava copiosamente, gritando o nome da amiga, até que um milagre acontece. Surge a décima cauda e a luz da mesma, cura Nohara que fica em choque ao ver a lendária cauda.

O daiyoukai serpente recua, enquanto murmurava estarrecido:

- A décima cauda? Impossível!

Youko é curada também, enquanto rosnava, ferozmente, sendo que avança em um piscar de olhos contra o inimigo que não vê o movimento, para depois ser congelado, instantaneamente, frente ao movimento das dez caudas, sendo que em seguida, Youko acerta uma patada na grande cobra congelada, reduzindo ele a milhares de pedaços de gelo, já que ele foi congelado.

- Youko-chan? Você chorou? Por mim?

Youko olha para o horizonte e meneia positivamente com a cabeça, sendo que está cabisbaixa, enquanto que as suas lágrimas ainda eram visíveis.

Nohara se sentia imensamente triste.

Afinal, o sonho, mesmo surreal de sua amiga foi destruído brutalmente. Ou melhor, foi praticamente esmigalhado. Ela acreditava piamente no que os seus pais falavam, mantendo a esperança em seus olhos. Ela despertou a décima cauda, ao mesmo tempo em que pagava um preço amargo.

- Eu... me perdoe. Se eu fosse mais poderosa. – Nohara sente muita raiva de si mesma.

Então, a amiga encosta o focinho nela e fala, gentilmente:

- Meu tou-chan e kaa-chan, com certeza, sentiram orgulho do que fiz. Sinto que eles estão sorrindo para mim. – ela força um sorriso nas mandíbulas trêmulas.

Elas voltam a forma semelhante a humana com Nohara a abraçando, sendo que Youko chorava, enquanto que a raposa negra havia jurado a si mesmo que a sua amiga não iria chorar, novamente.

Com o tempo, Youko se tornou temida e a fama de seus poderes se espalhou pelo continente, assim como a décima cauda, sendo que criou um reino das raposas, enquanto possuía piedade e compaixão para com os humanos.

Além disso, passou a suprimir reinos que praticavam a escravidão e outros se juntaram a ela, pois, muitos condenavam a escravidão. Pequenos reinos desapareceram, outros se fundiram, surgindo novos reinos e com o tempo, a escravidão foi banida.

Se houvesse algum indício de escravidão, Youko usaria o temido poder da décima cauda e juntamente com o seu exército e aliados, iria suprimir tal reino ou até mesmo vilas.

Praticar a escravidão se tornou algo temido e com o passar dos séculos, algo do passado.

Porém, mesmo assim, os youkais não se curvaram a última demanda que era se alimentar de humanos, pois, mesmo os que apoiaram Youko contra a escravidão, no caso, a maioria, se alimentavam de humanos, sendo que eles passaram a servir só para comida.

Inclusive, passou a surgir a concepção que somente um youkai sem orgulho iria se misturar a um humano. Surgiu a hegemonia da espécie e o acasalamento com um humano era visto como algo abominável.

Logo após Youko criar um reino, Nohara se prostrou para ela, já que era general, tendo agora nove caudas, sendo que fala:

- Eu vou segui-la pela eternidade, minha rainha.

- Levante-se. Somos amigas.

Mesmo sendo poderosa, continuava humilde, com um coração gentil e amável, sendo amada pelo povo, inclusive os humanos que estavam sobre a sua proteção em seu reino, sendo que sempre resgatava outros humanos.

Alguns séculos depois, após ela ser nomeada general, Nohara voltou ao reino, agora enfraquecido do ex-dono dela, que havia sido o único que ficou oculto, enquanto ocorria a supressão da escravidão.

Porém, um escravo que pensaram que morreram, sendo que havia se fingido de morto, conseguiu fugir, chegando ao reino das raposas e informou que ainda havia um pequeno reino que mantinha a escravidão.

A raposa negra de nove caudas esmagou o que sobrou com um imenso sorriso em seu focinho, assim como se vingou de todos, fazendo questão de todos saberem o motivo e quem ela era.

O ex-dono dela foi reduzido a cinzas de forma bem lenta, assim como a família dele, que só tinha adultos e que concordavam com a escravidão. Funcionários que sentiam prazer em escravizar foram mortos da mesma forma. Os escravos foram libertados, sendo levados ao reino das raposas.

Por último, destruiu todas as construções e depois fez questão de que tudo virasse cinzas, para que depois, o vento gerado pelas suas caudas espalhasse as cinzas, para que não sobrasse nenhum vestígio daquela local, enquanto sentia que havia exorcizado por completo os fantasmas de seu passado, acreditando que era o mesmo para a sua melhor amiga e rainha, Youko.

Conforme olhava para o horizonte, se lembra do fato incrível de que a sua avó sempre esteve certa. Youko era a raposa da profecia.

Agora, só se preocupava com a outra parte da profecia que envolvia uma das futuras crias de sua rainha.

A general sai das suas recordações, para depois abraçar Tsukiko, jurando que protegeria a filha de sua amiga, mesmo que morresse. Era o mínimo que podia fazer. Cuidaria da filha de sua grande amiga, da mesma forma que sempre procurou cuidar de Youko, desde que eram filhotes.

Enquanto isso acreditava amargamente que a profecia de sua avó, enfim, se cumpriu. No caso, em relação a filha mais velha de Youko.

Vários séculos, depois, no continente shinobi.

Em um templo nas montanhas habitado por shinobis que eram ancestrais do clã Uzumaki, sendo que havia sacerdotes e sacerdotisas, com a líder da vila sendo a mestre sacerdotisa, uma mulher que fora escolhida para ser uma guardiã e que treinou desde tenra idade, estava dando a luz. Essa mulher se chamava Minako e era filha da Mestra sacerdotisa.

No centro do templo, uma sacerdotisa idosa orava, sendo que usava um manto cerimonial, uma vez que também era a Mestra sacerdotisa e líder da vila.

No seu lado direito havia uma estátua de Rikudou e do seu lado esquerdo o de uma raposa de dez caudas alva e peluda, de olhos azuis como se fossem duas safiras, chamada Youko.

As chamas das velas ficam trêmulas, todas ao mesmo tempo, para depois ficarem azuis, surpreendendo a sacerdotisa que murmura com um imenso sorriso ao ir para o altar, vendo uma espécie de joia brilhar:

- O novo escolhido nasceu.

Então, no dia seguinte, os iryou-nin (医療忍 – ninja médico) se aproximam com uma face pesarosa para a Mestra sacerdotisa e sua filha, que estava com o pequeno Yuukiko nos braços, sendo que ela decidiu dar o nome do seu falecido marido, para o seu amado filho.

Os médicos ficam na frente delas, se curvando respeitosamente para a mestra sacerdotisa, assim como para aquela nomeada como guardiã, se tornando assim a shinobi mais poderosa, cujo nível estava acima de um jounnin, detendo o controle deelementos, além de ser uma Kanchi Taipu (感知タイプ – tipo perceptivo), também chamada de sensor por muitos.

Ou seja, podia detectar outros chakras, assim como anular o seu, se tornando invisível a outros perceptivos que agiram como sensores ou qualquer outro método de percepção.

O seu treinamento envolveu também conhecimento de técnicas médicas, podendo agir como uma iryou-nin, assim como, maximizava as suas técnicas ao saber como atingir um órgão vital ou promover mais dano.

Também teve que se especializar em taijutsu, treinando arduamente combate corpo-a-corpo, inclusive contra múltiplos oponentes. Aprendeu também genjutsu, embora sua especialidade fosse ninjutsu.

Ela teve um treinamento intenso desde criança, pois, o guardião deveria ser o melhor do melhor, a fim de poder ser aquele que protegeria Yukiko e o jinchuuriki dela. Precisava ser a mais poderosa, assim como deter vários conhecimentos e o resultado disso foi que não teve infância, sendo que os únicos momentos felizes que vivenciou foram com a sua kaa-chan e principalmente com o seu amado, com ela sempre fugindo algumas vezes do treinamento, para encontrar aquele que conquistou o seu coração.

Então, o chefe dos médicos ninjas fala pesarosamente:

- O jovem Yuukiko tem uma rara doença cardíaca congênita. O seu coração é fraco. O escolhido pode não sobreviver por muito tempo. Recomendamos que o selamento seja feito antes dos oito anos. Preferencialmente aos seis anos por medida de segurança. Somente Yukiko-sama poderá mantê-lo vivo com o seu chakra senjutsu.

Minako abraça fortemente o seu filho, enquanto chorava, sendo que a sua avó a abraçava, tentando conforta-la.

Afinal, o marido dela, Yuukiko, havia acabado de morrer, frente a três picadas de uma serpente possuidora de um veneno letal. O iryou-nin próximo do local não conseguiu chegar a tempo. Ele se sacrificou para salvar uma criança pequena, sendo que conseguiu salvar várias outras crianças, sendo condecorado como um herói pela vila.

Ao tirar a criança do ataque da serpente, assim como fez com as outras que estavam no local, levou a picada mortal no lugar do pequeno, pois, um grupo de crianças, inadvertidamente, havia se aproximado, demasiadamente do ninho de uma serpente, repleto de pequenas serpentes que haviam nascido há poucos dias.

Coincidentemente, ele estava próximo dali e percebeu a movimentação estranha em um arbusto, além de silvos, quase inaudíveis, sendo que as crianças estavam distraídas, não ouvindo o som próximo dali, indicando uma cobra.

Ele correu até elas e conseguiu afastar as crianças com êxito, inclusive um menino que estava ao lado do arbusto, instantes antes da mãe serpente dar o bote mortal, sendo que deu vários botes consecutivamente, com ele levando ao todo três picadas, enquanto que os filhotes se agitavam prestes a começar a picá-lo, até que um ninja próximo dali usou um jutsu de fogo para queimar as serpentes, sendo tarde demais para salvar Yuukiko.

O motivo dele não ser um ninja é que sempre foi frágil, assim como tinha uma condição rara que não permitia a ele usar ninjutsu e nem genjutsu, embora fosse um autêntico gênio com um QI elevado, ajudando nas estratégias, sendo que ele a cativou com os belos poemas que escrevia para ela.

Quatro anos depois, o menino de cabelos vermelhos, chamado Yuukiko, em homenagem ao seu pai, estava sentado, educadamente, sobre os dois joelhos, olhando a mestra sacerdotisa, sua avó.

A mesma olhava bondosamente para o seu neto, antes de perguntar, com um sorriso no rosto:

- Sabe que é uma grande honra?

- Sim, baa-chan.

- Confio em seu coração e julgamento. Acredito que será amigo de Yukiko hime-sama.

- Sim. Ela é uma raposa da neve, né? Eu adoro a neve! E adoro raposas!

A idosa sorri e pergunta meigamente:

- Gostaria de vê-la?

- Posso vê-la? – ele pergunta esperançoso.

- Sim. Apenas feche os olhos e segure na minha mão.

O menino, extasiado, faz o que ela manda e nota que estão em uma campina coberta de neve e no centro desta, uma raposa filhote do tamanho de uma mansão, dormia tranquilamente com a cabeça apoiada nas nove caudas que estavam enrolando o seu corpo e ao lado dela, no total de quatro, havia estátuas em forma de raposa que brilhavam.

Os olhos da criança brilham ao ver a raposa e faz um gesto de esticar a mão para tocar, procurando o rosto da mestra sacerdotisa, que acena positivamente.

Ele fica fascinado ao sentir a pelagem macia como seda e pergunta a ela:

- Ela tem olhos azuis, né?

- Sim.

- Por que ela não está acordada? Ou cheguei no horário da soneca dela? Não quero despertá-la de seu sono.

A sacerdotisa suprema fala, após suspirar:

- Ela está dormindo há vários séculos.

- Por quê?

- O corpo dela ficou debilitado demais. Além disso, ela possui chakra senjutsu, ou se preferir, chakra da natureza. Porém, o seu chakra da natureza ficou debilitado. Como nós pertencemos ao clã Uzumaki, seremos capazes de ajuda-la ainda mais.

- Eu espero ajuda-la, bastante.

- Nos vamos confiar a você uma missão. Você promete que irá cuidar dela?

- Sim. Eu prometo! – ele fala altivo.

- Fico feliz em saber disso.

- Será que eu a verei acordar?

A mestra sacerdotisa caminha até ele e se agacha com dificuldade, para depois tocar o ombro de seu amado neto, falando com um sorriso no rosto:

- Tenha fé. Nunca perca a esperança. Quem sabe, ela não desperte?

Após alguns minutos, eles saem, com a criança ficando ainda mais animada pelo ritual que seria realizado a noite, para que ela passasse a ficar nele.

Então, um amigo dele o chama para brincar e ele corre até ele, animado, se despedindo de sua avó, uma vez que era neto dela.

A filha desta surge, sorrindo, após alguns minutos, para depois falar:

- Ele está tão empolgado.

- Sim.

- Provavelmente, teremos uma breve visão do futuro. No caso, a senhora. Será que algo mudou?

- Ainda é muito cedo. Mas, quem sabe, mudou?

- Ele é mesmo o escolhido, né? – ela pergunta preocupada.

- Sim. Foi a mesma coisa, comigo. Está preocupada com o chakra senjutsu dela?

- Quem não ficaria? Se alguém que não for o escolhido, tentar usar o chakra dela será transformado em pedra, devido a energia da natureza, assim como no monte Myouboku, dos sapos, quando alguém falha em equilibrar o seu chakra com o senjutsu, se transforma em sapo e posteriormente pedra no treinamento deles no Monte Myouboku. No caso dela, não se torna um sapo e sim, apenas pedra. E mesmo que a pessoa seja um sennin, capaz de lidar com o chakra senjutsu, morrerá congelado, instantaneamente, pois, ela é uma raposa da neve e apesar de usar chamas azuis, a sua base de poder é a neve. Todas as células do ser serão congeladas em um piscar de olhos, levando a pessoa à morte, instantaneamente, ao transforma-la em um cubo de gelo humano ao ponto de se espatifar como vidro, caso caia no chão ou receba algum golpe.

- Não se preocupe. O jinchuuriki não sofre esse perigo. Esse fuuin, sem nome e que é incapaz de ser reproduzido, somente pode ser passado para o escolhido. Se ele não for o escolhido, o selo não será passado. Há séculos é assim. Foi Rikudou sennin-sama que colocou esse sistema, por assim dizer, no selo, visando proteger a pessoa do chakra senjutsu dela, assim como permite um pouco de conversão, digamos assim, permitindo assim que use o chakra dela com segurança.

Nisso, ela se concentra e surgem chamas azuis em suas mãos, assim como ela se concentra e surge uma estátua de gelo, de um cavalo, que começa a empinar.

- Yuukiko adora quando crio seres de gelo. Claro que precisa de treino.

- Nós, só tivemos sete jinchuurikis. Tenho medo que isso mude. – ela fala, se abraçando – Sei que não é culpa de Yukiko-sama, pois, ela está dormindo, profundamente, para que o seu corpo se recupere com a ajuda de um jinchuuriki.

- Fique tranquila. Tenha fé. – a mestra sacerdotisa sorri.

A mulher corresponde ao sorriso, embora ainda estivesse preocupada com o seu filho, o oitavo jinchuuriki.

Naquela mesma noite, o menino estava deitado em uma espécie de altar, sendo que tomou um remédio para dormir, enquanto que a Mestra sacerdotisa deitava ao lado dele e por ser uma uzumaki, iria sobreviver a transferência, sendo que orava para que o futuro fosse diferente.

Segundo o que foi explicado nos pergaminhos deixados por Rikudou, era o vestígio da décima cauda que permitia tais visões e que sempre seria ativada, nesse momento, mesmo que ela não estivesse acordada, ainda.

Minako se concentrava, enquanto que vários sacerdotes e sacerdotisas ecoavam cânticos.

Então, os selos no ventre da sacerdotisa suprema somem, enquanto que uma esfera saía dela se depositando no menino, sendo que surgia um selamento por si mesmo.

A função da pessoa que ficava entre ambos era apenas fornecer chakra e assegurar a transferência. O selo se abria e fechava, assim como era transferido, automaticamente.

A criança está dentro de sua mente e imagina o campo nevado que viu na mente de sua avó e ao fazer isso, ele surge, sendo que as estátuas aparecem e em seguida a raposa aparece, dormindo, tranquilamente.

No lado de fora, a Mestra sacerdotisa fala tristemente:

- Nada mudou. Mas, pode ser cedo. O importante é que ele encontre Naruto Uzumaki, que tem a Kurama-chan dentro dele.

A mãe consente.

Um ano depois, a avó dele morre por uma doença cardíaca causada pela idade e enquanto ocorria o velório, um grande tumulto acontecia no portão principal. Vários ninjas com máscaras começaram a atacar os sacerdotes e sacerdotisas, enquanto queimavam casas e moradias, com os ninjas da vila lutando contra eles.

O menino fica apavorado frente as explosões e rapidamente, a mãe dele o pega, pois, a prioridade como mãe, assim como Guardiã era salvá-lo.

Os outros sacerdotes e sacerdotisas, assim como shinobis, passam a agir como protetores, sendo que ela passa na casa e pega alguns pergaminhos, abrindo um pergaminho grande, fazendo selos, para depois bater ambas as palmas no pergaminho, fazendo com que os outros pergaminhos e itens fossem guardados, para depois enrolar o mesmo, enquanto o filho dela chorava, apavorado com o que acontecia, perguntando para a sua genitora:

- O que está acontecendo, kaa-chan?

- Homens maus estão invadindo a nossa vila, provavelmente, em busca dos nossos conhecimentos. Precisamos fugir daqui, antes que nos encontrem. A minha prioridade é mantê-lo a salvo, assim como a Yukiko hime-sama.

Então, ela o pega no colo e ambos partem dali, usando uma passagem secreta que somente os guardiões conheciam, enquanto que os outros ficavam para trás, para retardá-los, pois, sabiam da importância de manter Yuukiko e Yukiko a salvos. Mesmo os sacerdotes e sacerdotisas sabiam de sua missão e a cumpriam com louvor, assegurando a saída do jinchuuriki e de Yukiko, deixando a responsabilidade da proteção deles para a guardiã designada a eles.

Na saída de trás do templo, enquanto o seu filho estava junto dela, ela fez um selo, após morder o dedo e exclama:

- Kuchyouse no jutsu! Wild Fire!

Surge um cavalo negro de clinas vermelhas que era tido como o mais veloz da vila de cavalos de invocação.

- O que posso fazer, senhora?

Ela sobe no lombo dele e fala:

- Leve-me para Konoha, o mais rápido que puder!

- Sim!

Enquanto isso, no templo da vila, um ninja se aproxima dos pergaminhos tidos como sagrados, pois, o seu mestre assim mandou, quando uma armadilha é ativada, envolvendo os pergaminhos em chamas, os destruindo, definitivamente, assim como todos os pergaminhos da cidade em cadeia, deixando eles estarrecidos.

Os que eram solteiros e não tinham família, se sacrificaram para retardar o ataque, para que os outros que tinham família pudessem fugir em segurança, dentre o caos que imperava.

Em seguida, a maioria esmagadora dos shinobis invasores foram mortos, quando ocorrem explosões generalizadas, destruindo as casas e o templo, para depois as chamas consumirem o que restava.

Isso era possível, pois, os sobreviventes usaram um jutsu em conjunto com o elemento doton e katon, em usino, para destruir tudo, a fim de não deixar qualquer vestígio da existência da vila, pois, tinham uma grande obrigação e cumpririam até o fim, enquanto assistiam longe dali, a destruição de suas casas, reduzindo a outrora vila, a um monte de entulhos disformes.

Somente após tudo estar destruído e queimado por chamas vorazes, o grupo de sobreviventes se afasta.

Longe dali, o cavalo corria velozmente, sendo que eles levavam por si mesmos as pessoas, bastando falar aonde queriam ir.

Há dezenas de quilômetros dali, no escritório de Danzou, na ANBU Ne, ele estava irado, batendo os punhos na mesa, enquanto exclamava:

- Quer dizer que as famílias fugiram e que os pergaminhos se queimaram por si mesmos?!

- Sim, senhor. O relatório enviado por um pássaro é preciso. - o ANBU raiz que está ajoelhado em frente a ele, fala com um joelho dobrado.

- Droga! Eu acreditava que eles tinham segredos que seriam uteis. Até porque eles viviam isolados, ao ponto de ninguém saber nada sobre eles. Inclusive, só foi tomado ciência de sua existência há alguns meses.

Então, ele se retira irado, decidindo que tentaria se acalmar em casa, após chamar algumas de suas escravas que estavam sendo treinadas para serem futuras shinobis Ne, sem qualquer sentimento, pois, iriam querer esquecer os estupros e isso facilitaria para transformá-las em meras ferramentas.

Algumas horas depois, sendo que sem essa invocação seriam vários dias, mãe e filho chegam até os portões duplos de Konoha.

Yuukiko estava dormindo, após chorar e muito, sendo que estava em seu inconsciente, chorando pela perda de sua avó e amigos, quando um brilho chama a sua atenção, sendo que estava na campina com neve.

Ele para de chorar ao ficar hipnotizado pelo fato de que as estátuas reluziam e sumiam, para depois a raposa filhote abrir os seus olhos, bocejando, sendo que em seguida estica as nove caudas, para depois sentar, ainda sonolenta, até que ela avista Yuukiko, passando a olha-lo curiosamente, com a criança ficando boquiaberta, pois, era linda e os olhos eram azuis como duas safiras e que o olhavam inocentemente, assim como ele.

A raposa se levanta e se aproxima dele, perguntando:

- Quem é você? Onde eu estou?

- Eu me chamo Yuukiko e você está dentro de mim.

- Como assim? – ela inclina a cabeça para os lados, confusa, com a criança achando ela fofinha.

- Você pode sair quando quiser.

A raposa fica pensativa, para depois perguntar:

- Como assim, eu estou dentro de você?

- Através de um selo. Aqui é uma parte da minha mente. O que acha?

- É legal. Não me lembro de nada.

- Mas, se lembra do seu nome, né?

- Sim. Yukiko... Nossa! A sonoridade é parecida! – ela fala com um imenso sorriso, abanando animadamente as caudas.

- Você é grande. Mas, seu tamanho de adulto é bem maior.

- Eu sinto que está sentindo dor, pois, essa dor não é minha.

- É a dor que vem do coração pela perda de minha avó e amigos.

- No coração?

Ele coloca a mão no coração e fala:

- Dói muito a perda de seus entes queridos.

Ela encosta o focinho nele que afaga, para depois ela falar, após alguns minutos:

- Eu estou me lembrando de algo que consigo fazer. – ela fala pensativa, para depois se concentrar.

Nisso, ele fica embasbacado ao ver o corpo dela brilhar, para depois ficar bem pequeno, sendo que o brilho desaparece e revela uma criança, um pouco menor que ele, sendo que tinha cabelos, caudas e orelhas alvas.

Além disso, usava um harogomo imponente. Ou seja, um kimono de várias camadas usado por nobres, confirmando que de fato, era uma princesa.

- Incrível! – ele exclama animado.

Então, ele abraça Yukiko, com a mesma corando levemente, para depois se separarem, com ele falando, animadamente:

- Vou falar a minha kaa-chan que você acordou! Espere aqui!

Nisso, ele se afasta, até que some, com ela olhando de forma pensativa no local onde ele esteve instantes antes, enquanto exibia um sorriso meigo no rosto.

Quando ele abre os olhos, percebeu que estavam na aldeia, com a mãe dele falando a um homem:

- Preciso falar com o Hokage. Por favor.

- Ele não atende qualquer um. Por que atenderia você?

- Acredite. Ele vai agradecer por me levar até ele. Por favor, nos leve.

A mulher estava com lágrimas nos olhos, sendo que uma voz surge detrás dos ninjas, fazendo eles abrirem caminho para Asuma, sendo que quando o olhar dele encontra com o da jovem Minako, que estava com o seu filho nos braços, parecia que o tempo parou para ambos que estão perdidos no olhar um do outro, até que Yuukiko fala, após olhar o homem:

- Kaa-chan, ela despertou.

Essa frase a faz ficar surpresa, para depois se emocionar, sendo que torna a pedir:

- Por favor, preciso falar com o Hokage-sama.

Um dos ninjas ia recusar, quando Asuma fala:

- Eu vou levar eles ao meu tou-san.

Os ninjas ficam surpresos, enquanto que a jovem agradecia, ao curvar levemente a cabeça.

- Siga-me.

Nisso, ela o segue e após duas horas, chegam ao edifício do Hokage, sendo que ele mandou um ninja chamar o seu pai.

A jovem entra no escritório do Kage de Konoha e senta em uma das cadeiras, nervosa, sendo que o seu filho senta na do lado.

Após alguns minutos, Hiruzen entra e olha para o seu filho, que fala:

- Ela estava implorando para ver o senhor.

- Entendo.

Nisso, ele acende o seu cachimbo e senta na cadeira, exibindo um sorriso gentil ao ver a mulher ansiosa, sendo que o menino olhava de forma curiosa para o Hokage.

- Bem, o que deseja?

- Primeiro, leia esse pergaminho, por favor.