Notas da Autora

Kurama fica surpresa, quando...

Capítulo 4 - Promessa

- Sim. Lamento muito o fato de ter falhado ao perder Naruto de vista. Achei justo a advertência e a perda de remuneração de dois meses.

Então, antes que reagisse, é preso por quatro ANBUS que surgem, o imobilizando, para depois ele ficar estarrecido ao ver um Yamanaka na sala, sendo que o mesmo começa a entrar em sua mente e por mais que tente impedir a entrada, não consegue e após alguns minutos, fica horrorizado ao saber que ele descobriu tudo.

Inoichi faz um aceno positivo para o Hokage, que estreita os olhos ao ANBU, que ao olhar para o Kage, podia sentir a ira daquele que era considerando o Deus shinobi, com o mesmo dirigindo um chakra assassino e absurdamente opressor somente ao Anbu, que defecava e urinava, conforme estava aterrorizado.

- Levem esse lixo daqui, pois, ele está fedendo. O coloquem na cela de segurança máxima com algemas de constrição de chakra. Depois, darei a punição dele.

Então, o grupo de ANBUS, o levam dali.

Hiruzen suspira e fala:

- Peço desculpas pelo tratamento. Só fui avisado de manhã do ocorrido. Gostaria que esperassem lá fora, enquanto conversamos algo entre nós.

- Claro, Hokage-sama.

Ela fala, curvando-se levemente, sendo seguido de seu filho e da youkai, para depois se retirarem dali.

- Os demais saiam, por favor, com exceção de Yamato, Inoichi, Asuma, Kakashi e Yugao.

Após saírem, Hiruzen faz um jutsu para selar o som do ambiente, enquanto que Yamato retira a máscara, com Kakashi o reconhecendo.

- Bem, conte-me o que viu na mente do bastardo. Eu prefiro que as crianças não ouvissem.

O Yamanaka começa a narrar, sentindo muita ira, conforme descrevia as surras e violência que Naruto sofria, sendo surrado várias vezes, assim como o fato de que, ás vezes, conseguiam roubar os tickets de comida dele e que só não morria de fome, pois, o Teuchi Ichiraku, do Icharaku Ramen, lhe ofertava comida de graça.

A narração continuou, sendo que ele falou desgostoso que sempre que Kurenai via eles batendo no Naruto, murmurava feliz um "bem-feito, raposa demônio", conforme viu na mente do ex-ANBU.

Tal comentário para Asuma destruiu qualquer resquício de amor por Kurenai e a culpa que sentiu, até alguns instantes atrás, por se sentir atraído por outra, levando-o, inicialmente, a se afastar de Minako para não ceder, para que pudesse ser fiel a Kurenai.

Agora, decidiu investir no sentimento com a Uzumaki, sendo que faria questão de dispensar Kurenai, pois, não suportava maldade a inocentes, principalmente com crianças, assim como pessoas que viam tal maldade e não faziam nada.

Então, Inoichi termina o relato e Hiruzen fala irado:

- Ela será punida, de certa forma. Quero um relatório completo do que viu para hoje.

- O terá em sua mesa até o almoço, Hokage-sama. – Inoichi fala.

- Pode se retirar.

- Sim, senhor.

Nisso, ele sai e Hiruzen fala, após massagear as têmporas.

- Você, Yugao, irá proteger Naruto quando ele sair por aí. Yamato irá treinar a família. Minako será a mãe adotiva de Naruto. Ela se ofereceu para isso e acredito que será uma boa mãe.

Então, Kakashi fala:

- Hokage-sama, gostaria de pedir algo.

- O quê?

- Quando Naruto se formar na Academia, quero ser o sensei dele. Vou treinar um time e quero Naruto nele. Eu também me sinto culpado. Eu ia me oferecer para cuidar dele, mas, vejo que será dado como filho adotivo a Minako-san, né?

- Uma mãe, seria algo bom. Ela parece ser bem amável. Além disso, Yugao irá vigiá-lo e Yamato estará junto da família.

- Então, posso me juntar a Yamato para ajudar no treinamento deles?

O Kage olha para ele, sabendo que Kakashi compartilhava do mesmo sentimento dele ao saber que falhou, miseravelmente, com Minato.

- Eu permito. Antes de irem, preciso revelar algo. Peço para que ouçam atentamente e somente depois, façam as perguntas que tiverem. – ele fala seriamente.

Após uma hora, todos saem da sala, surpresos com o que ouviram, enquanto que os Conselheiros se aproximavam com os shinobis se curvando, enquanto saíam do local, sendo que Kakashi estreitou os olhos para os Conselheiros, principalmente para Danzou, assim como Asuma e os outros.

No Hospital que Naruto estava, Minako afagava a cabeça de Naruto, maternalmente, sendo que ainda digeria o estado em que estava o corpo da pobre criança, enquanto imaginava o quanto ele sofreu.

Já, Yuukiko e Yukiko estavam sentados nas cadeiras, com um encostado no outro, sendo que estavam cochilando.

Então, ela vê que o corpo de Yukiko brilha e uma esfera de luz sai dela em direção ao Naruto, entrando pelo selo, o modificando, com ela ficando surpresa, pois, havia reconhecido o selamento, instantes antes de ser alterado, sendo que sentia o chakra, suspeitando de quem era, embora acreditasse que houvesse um segundo.

Dentro de Naruto, um vulto se aproxima da cela de Kurama que desperta, ressabiada, não reconhecendo quem se aproximava, começando a rosnar, não se concentrando no cheiro e em um piscar de olhos, a cela some.

A raposa estava embasbacada, até que enxerga a pessoa, ficando estática ao descobrir quem era, julgando que estava vendo coisas, até que sente o cheiro e o chakra, indicando que não havia erro.

Ela começa a chorar, apoiando seu focinho ao lado dele, sentindo o seu pai afaga-la, enquanto ela murmurava:

- Tou-chan.

- Me perdoe, Kurama. Nunca desejei isso para vocês.

- Nós sabemos.

Ele suspira e afaga Kyuubi, sentindo toda a dor, ira e sofrimento dela, sendo que derrama lágrimas de dor, fazendo Kurama se preocupar com ele.

- Tou-chan?

- Choro pela sua dor, sofrimento e ódio, ocasionado pelos outros humanos.

- Eles são monstros. Não o senhor. O senhor e Ashura são os únicos que prestam.

- Há outros que prestam minha filha... Pode assumir a sua forma humana.

Nisso, o corpo dela brilha e surge uma criança com nove caudas e orelhas felpudas.

- Não! Nenhum presta! No passado eu fui capturada e escravizada para ser usada como ferramenta. Eu salvei uma criança humana de morrer e a mãe do menino quebrou a promessa e revelou sobre a minha existência. Eu fui piedosa com os humanos e eles retribuíram, me machucando! – ela fala dentre lágrimas – Me escravizaram, para depois me prenderam com estacas. Eu sentia medo e dor. Eu vivia chorando, assim como estava assustada, no início. Para os humanos, minhas lágrimas não significavam nada. Não tiveram piedade ou clemência. Chorei por vários meses. Chorei por estar presa como se fosse uma criminosa, chorei por ser uma escrava, chorei por ter o meu chakra retirado pelas aquelas humanas, sempre que precisavam, de poder. Tirar o meu chakra dói. Eu implorava. Eu pedia. Mas, não faziam nada. No caso, eu implorava a Mito, que mentia ao Hashirama ao falar que eu estava bem. Acredito que ele não sabia e mesmo que soubesse, eu duvido que ele fosse fazer algo, embora não compreendia o olhar triste dele, quando falavam sobre mim. Com o tempo, a dor e o medo foram substituídos pela raiva e ira. Passei a amaldiçoar os humanos. Passei a me odiar por ter salvado aquela criança. Meu ódio era proporcional ao meu sofrimento. Eu suportava a dor que sentia ao ser retirado o meu chakra. Fiquei insensível. Mas, a dor persistia em meu coração. Me trataram como algo! Me condenaram por um crime que não cometi. Nunca pensaram em mim e nos meus irmãos, seus filhos, como seres com sentimentos. Nos trataram como se fossemos meras bestas sem sentimentos! Viu? Nenhum presta!

Ela cai de joelhos, chorando, sentindo toda a dor e sofrimento.

Rikudou se agacha, chorando, sendo que Kurama, na forma criança, o abraçava, procurando instintivamente o calor do seu pai, envolvendo as suas mãozinhas na túnica dele, enquanto que as suas lágrimas de dor, vertiam em seu rosto.

O sennin passa a afagar paternalmente a cabeça de Kurama, murmurando palavras gentis para acalma-la, sendo que próximo dali, dois vultos observavam tudo, sendo que ambos caíram de joelhos, se abraçando.

Rikudou concentra o seu poder e ela sente uma sensação quente, sendo que depois, vê uma esfera luminosa se aproximar, após os olhos de seu pai brilharem e reconhece a esfera como sendo a sua parte ying, sentindo que o seu tamanho voltou ao que tinha, originalmente, embora não estivesse, naquele momento, na sua forma verdadeira.

Então, ela começa a chorar. Não de dor e sim, de felicidade, conforme sentia o carinho de seu pai que curava os ferimentos em seu coração, sentindo que dissipava todo o ódio e dor e era uma sensação tão aconchegante, que permite adormecer, levemente, enquanto era embalada pelas carícias paternais, adorando sentir o cheiro que a confortava.

Após vários minutos, ela se sente bem, sendo que percebe que não se lembra de muitas coisas, assim como não consegue sentir mais ódio ou dor, enquanto que não se importava com tal perda, pois, o seu pai estava ali, junto dela e estava recebendo o seu carinho.

Além disso, percebeu o quanto o seu coração ficou leve.

- Peço para confiar em Naruto. Mais para frente vai ser revelado tudo. Eu prometo.

- Em Naruto? Fala do meu jinchuuriki? Você não veio me levar daqui para eu ser livre, novamente? – ela pergunta exasperada.

Ele sorri tristemente e fala:

- Não teria como lhe esconder. Você seria capturada novamente. Mas, Naruto, vai proteger você e os outros, sendo que vocês terão outros para ajuda-los. Lembra-se do que disse a vocês, há mais de um milênio atrás?

Ela fica surpresa e pergunta:

- Ele é o que foi profetizado?

- Sim. Sinta o coração dele. Mesmo depois de tudo, não odeia Konoha.

A raposa sente e percebe que era verdade.

- Quando aqueles que podem capturar vocês, não existirem mais, com o mundo em paz, vocês serão livres novamente. Peço para ter paciência. Ele é uma criança, ainda.

- Ele é mesmo quem nos prometeu, tou-chan?

- Sim. Por acaso, acha que mentiria a vocês?

- Não, tou-chan.

Ela fala, negando com a cabeça, com Rikudou a achando fofinha, enquanto ficava feliz ao perceber que o olhar dela voltou a ser como era no passado.

Nisso, ele sorri e fala:

- Fique junto dele. Vocês precisam um do outro.

- Quando ele souber que matei os seus pais, não vai me perdoar. - ela fala cabisbaixa.

- Você irá se surpreender.

Ele decide não revelar que Naruto era Ashura, para que a sua filha não se sentisse mal por ter deixado ele sofrer, preferindo que tal fato fosse revelado no futuro, assim como, que Hashirama era também reencarnação de Ashura e que sempre ficou deprimido por ter que permitir que a selassem, já que o forte amor de Ashura por Kurama, passava as suas reencarnações, sendo que sabia que no íntimo, Hashirama nunca amou Mito e sim, a bijuu e que não teve escolha, pois, era um Kage e precisou tomar medidas para proteger a vila.

Claro que sabia que ele sofreu, até o fim dos seus dias com a sua vida sendo abreviada pelo sofrimento, pelo que teve que permitir que fizessem com Kurama, sendo que não sabia da dor e do sofrimento que ela passava com estacas em suas caudas e corpo, pois, Mito mentiu sobre as acomodações da raposa para o seu esposo, assim somo sentia ciúmes de Kurama, por ele sempre perguntar sobre ela.

Rikudou acreditava que ela sempre desconfiou, por mais estranho que fosse, que o seu marido parecia se importar demasiadamente com a sua filha e que por isso, procurou provocar mais sofrimento à ela, assim como procurou aconselhar e confortar a próxima jinchuuriki, enquanto envenenava Kushina contra a raposa, ocultando de todos que ela tinha sentimentos e que sofria, e que por isso, não era o monstro que todos pensavam que era, fazendo a jovem Uzumaki ver a raposa como uma besta e não, um ser com sentimentos.

Então, enquanto afagava paternalmente a sua filha, ela percebeu, somente naquele instante, que era uma criança, sendo que era adulta antes de reencontrá-lo.

Então, Rikudou fala como se lesse a mente dela:

- A modificação que fiz no selo, ocasionou essa mudança. Irá compartilhar da aparência de seu jinchuuriki. Isso ocorrerá com os outros.

- Disse que não podíamos assumir a forma humana na frente dos humanos e outros seres, para que não fizessem maldades conosco. - nisso, ela fica pensativa - O que são essas maldades? Já que está aqui, também quero saber o motivo de não ver, ouvir ou sentir nada, sempre que Kushina e Mito se encontravam com os seus maridos, principalmente a noite, sendo que depois, durante o dia, somente Kushina ficava demasiadamente feliz, mais do que em qualquer outra ocasião, embora não pudesse ver os pensamentos dela, nesses instantes. Já, com a Mito, eu sempre via ela com o marido, com ambos indo dormir, com exceção de poucas vezes, que não conseguia ver ou ouvir nada. Não sei o motivo disso. Afinal, eles somente se deitavam, né?

Rikudou fica sem jeito, para depois sorrir paternalmente e falar:

- Quando crescer, você vai saber. Ou melhor, descobrir. Além disso, no caso de Naruto, não tem que se preocupar dele saber sobre a sua aparência.

Naquele instante, ele ficou aliviado por ter feito um selo especial, junto de seus filhos, para que eles nunca vissem nada impróprio. No caso, cenas de sexo.

- Tou-chan...

Ela confessava que queria saber o que eram as tais maldades e o motivo de não ouvir e nem ver nada em vários momentos de Kushina e Mito, principalmente quando estavam juntas de seus maridos.

Nisso, ele a abraça e afaga paternalmente a cabeça dela, falando:

- Iremos nos ver daqui a alguns anos. Prometa ao seu tou-chan, que fará o que eu pedi. Naruto não é como os outros.

- Sim. Ele é o que foi prometido a nós, não é? Vou fazer o que me pediu, tou-chan. - ela sorri meigamente.

- Muito obrigado, filha. Até mais.

Então ele beija paternalmente o topo da cabeça dela, para depois afagar a cabeça de Kurama, enquanto desaparecia, com o sorriso da bijuu titubeando, até que chora, conforme caía de joelho, pois, já começava a sentir falta do seu pai, após receber o carinho paternal, sendo que sentia seu coração leve, não conseguindo mais encontrar o ódio, sendo que não sabia que ele havia eliminado de Naruto, também, o ódio que havia assumido uma forma, se separando dele.

Ela chorava em um pranto mudo, se abraçando, acabando por não perceber que atrás de seu tou-chan, enquanto ele estava a confortando, havia outro ser. Uma mulher que se chamava Youko, usando várias camadas de quimono, tendo cabelos, orelhas e caudas alvas, sendo que tinha dez caudas, além do símbolo de lua crescente.

Até desaparecer, ela sorria meigamente, sendo que depois olha para o lado, onde mais afastado tinha dois vultos ajoelhados por estarem abraçados. Ela consente com a cabeça e depois, desaparece, também.

No lado de fora, Minako fica surpresa ao ver que a esfera sai e assume a forma de Rikudou, sendo que ela se prostra e ele fala:

- Cuide deles, por favor.

- Sim, Rikudou sennin-sama. – ela fala humildemente.

- Muito obrigado. Tenho outra missão. A missão número três será realizada essa noite.

- Entendo.

- Prepare tudo. O tempo urge.

Nisso, a mulher vê Youko, a reconhecendo, sendo que se curva, para depois vê-la indo até a filha, Yukiko, beijando maternalmente a testa dela, fazendo surgir um sorriso no rostinho dela, enquanto ressonava abraçada, junto de Yuukiko.

Ela afaga a cabeça de sua filha, para depois sorrir, sendo que Rikudou coloca a mão no ombro dela, a confortando, com ela sorrindo para o sennin, que corresponde ao sorriso.

Então, ambos viram esferas luminosas que se juntam em uma, tomando a forma de uma pequena raposa peluda e alva de dez caudas com uma lua crescente na testa e orbes azuis como duas safiras que parte dali, sendo que tinha o tamanho de um gato pequeno.

Dentro da mente de Naruto, o loiro aparece em sua mente, sendo que não sentia mais dor e medo.

Então, ao erguer o rosto, avista um filhote de raposa alaranjada de nove caudas, que estava sentada.

Ele se aproxima, fascinado, pois, achava ela muito fofa e ao chegar perto, pergunta:

- Quem é você?

- Vocês humanos me chamam de Kyuubi no Youko. O meu tou-chan me deu o nome de Kurama.

- Tou-chan?

- É quem vocês chamam de Rikudou sennin.

O loiro fica surpreso, para depois correr até ela e abraça-la, falando, ao esfregar a cabeça no pescoço peludo dela:

- Você é tão fofa. Não combina com as pinturas que fizeram de você.

- Essa é a minha forma de filhote. O selo foi modificado e ganhei a mesma aparência que a sua. Confesso que é estranho olhar dessa altura.

Ele se afasta e olha para ela, atentamente, para depois falar:

- Sempre a retratam com um olhar aterrorizante como se fosse apenas uma besta feroz. Mas, o seu olhar não é de uma besta. Sinto que já experimentou muita dor e sofrimento. Provavelmente, são os mesmos olhos que eu tenho, quando me olho no espelho.

Kurama fica estarrecida, para depois falar, cabisbaixa:

- Os seus pais foram mortos por mim. Por isso, é órfão. Os moradores maltratam você por minha causa. Eu peço desculpas. Sei que é difícil me perdoar, mas, saiba que eu estava sendo controlada, há anos atrás por um servo de Madara. Falo subordinado, pois, o cheiro não era dele, apesar de ter um leve traço do cheiro dele. Antes, eu sentia muito ódio, por ter sofrido séculos ao me escravizarem, a fim de usarem o meu poder. Eu estava repleta de ódio quando fui libertada do controle desse servo de Madara e por isso, acabei por atacar os seus pais que tentavam protegê-lo, pois, queriam me selar em você, para que se tornasse o meu novo carcereiro.

Naruto fica estarrecido, sendo que quando se separa dela, surge a vida inteira de Kurama em sua mente, inclusive o seu sofrimento e dor, assim como os seus sentimentos, percebendo que ela era uma vitima, assim como ele.

Afinal, quem matou os seus pais foram humanos cruéis, sendo que Madara foi o que causou tudo, pois, a escravizou, sendo que sentia muita ira das palavras dele "os bijuus são escravos para aqueles com os olhos abençoados".

A criança notou que por vários séculos, ela foi tratada como algo, sendo que tinha sentimentos. Os olhos dela eram como os seus. Havia a dor e tristeza. Inclusive, sentia pelo vínculo, a culpa que a consumia ao revelar que matou os seus pais.

Então, a criança fala:

- Você não matou os meus pais - Kurama ergue o focinho, olhando estarrecido para ele, com as suas lágrimas cessando, frente a surpresa inesperada - Foi uma vítima de monstros que se dizem, humanos. Séculos de sofrimento e dor a fizeram sentir ira e ódio dos humanos. A minha própria raça a fez sofrer e no final, os meus pais pagaram por isso. Seus atos foram consequência do sofrimento e da dor que vivenciou por séculos ao ser escravizada, para que fosse usada como se fosse algo, ao mesmo tempo que a viam como um ser sem sentimentos, tendo que lidar com o seu próprio sofrimento, sozinha. O ódio e ira seriam a consequência óbvia de tal tratamento. Eu é que devo pedir desculpas em nome de todos os humanos.

Kurama fica estarrecida ao vê-lo se curvar para ela, para depois ela começar a chorar, se sentindo mal, pois, ele não era como os outros.

Além disso, sentia a seriedade e sinceridade em suas palavras, sendo que ele a abraça, até que uma voz feminina irrompe da escuridão ao lado deles:

- Nós também devemos desculpas, principalmente eu.

Nisso, Kushina surge chorando, junto de Minato, sendo que ouviram todo o sofrimento da raposa e para a ruiva foi pior, pois, de fato, nunca pensou em Kurama como alguém com sentimentos e sim, como sendo meramente uma besta, segundo os ensinamentos de Mito.

- Quem são vocês?

Minato e Kushina se prostram para Kurama, com a ruiva falando:

- Eu peço perdão. Eu também compartilhei do pensamento de você ser algo e não um ser com sentimentos e coração. Me sinto menos do que um lixo.

- Eu também quero pedir desculpas. Assim como os outros, nunca cogitei a hipótese que tinha sentimentos e que sofria como qualquer ser vivo. Creio que nem mereço ser chamado de lixo. - o Namikaze fala.

A raposa fica estarrecida, processando o ato deles, para depois o casal se erguer, se aproximando de Naruto, sendo que Kushina chora ainda mais e o abraça, enquanto que Minato afagava paternalmente a cabeça de seu filho que se sentia bem nos braços deles.

- Quem são vocês?

- Eu sou Kushina Uzumaki. Sou a sua mãe e este é Minato Namikaze, o seu pai.

- Minato Namikaze? O relâmpago amarelo de Konoha? O Yondaime? – o loiro pergunta estarrecido.

- Sim, meu filho.

- Por que nunca soube disso? – ele pergunta, enquanto chorava, os abraçando.

- Foi para protegê-lo. Um jinchuuriki já é um alvo cobiçado. Imagine se os inúmeros inimigos que eu fiz, descobrissem sobre a sua existência, sendo que não estaria com você para defendê-lo?

O loiro acena com a cabeça, ainda nos braços do seu pai, sendo que a criança fala:

- Se estão aqui, podem ficar comigo.

O casal se entreolha, para depois, Minato falar, tristemente:

- Nós estamos mortos. Eu deixei um pouco do meu chakra no selo da antiga cela de Kurama e Kushina também deixou o seu chakra para ajuda-lo no futuro. Porém, o selo foi modificado e Rikudou sennin nos deu a chance de nos encontrarmos. Além disso, a minha alma foi liberada do shinigami, pois eu tinha metade do chakra da Kurama, comigo, quando usei a técnica. O chakra voltou a ela e eu vim junto, graças aos poderes de Rikudou. Mas, em breve, partiremos.

- Não pode ser! Vamos ficar juntos! – a criança exclama desesperada.

- Quem sabe, não iremos nos reencontrar algum dia? Mas, para isso acontecer, você deve continuar se guiando por seu coração. Um coração como o seu pode realizar milagres. – Minato fala gentilmente. - Acredite.

- O seu tou-chan está certo. Saiba que sempre sentimos orgulho de você, desde que estava em meu ventre. Lembre-se que nós o amamos demais.

Naruto está emocionado, sendo que abraçava ambos que estavam junto dele, para depois o pai dele falar, tristemente:

- Quando eu o tornei um jinchuuriki, visando salvar Konoha e impedir que esse capanga do Madara controlasse a Kurama, novamente, julguei erroneamente que o povo o veria como um herói, mas... – ele torce os punhos – Se soubesse de tudo, acredito que pegaria você e sua mãe, para tentarmos uma nova vida longe dali. Saiba que nós sempre sentiremos orgulho de você.

- Sentem mesmo, orgulho? – a criança pergunta com um imenso sorriso no rosto.

- Sim. Lembre-se, que um coração como o seu pode realizar milagres. Sempre seja como é agora. O futuro pode reservar surpresas. Tenha fé, meu filho. – Kushina fala com a voz embargada.

- Eu terei fé! Eu prometo. – o loiro fala sorrindo, sendo que chorava de felicidade.

Nisso, eles começam a ficar transparentes e o abraçam ainda mais fortemente, sendo que Minato fala:

- Chegou a hora, meu filho.

- Fiquem mais um pouco! Por favor! – a criança os abraçava fortemente, chorando.

- Seja forte e gentil, meu filho. Acredite. Pode demorar, mas, um dia poderemos nos reencontrar novamente.

Nisso, eles desaparecem, com a criança caindo de joelhos, chorando, para depois secar as lágrimas e exclamar, sorrindo, ao se erguer:

- Eu prometo que serei forte e gentil, kaa-chan! Tou-chan! Eu também acredito que iremos nos reencontrar, novamente!

Kurama havia visto tudo, sendo que chorava emocionada, para depois, o seu corpo brilhar, mostrando a forma humana para ele, possuindo um corpo com a mesma idade dele, o deixando surpreso.

- Incrível!

Nisso, corre até ela e a abraça, com Kurama começando a se sentir estranha com o abraço dele, sendo que, estranhamente, a seu ver, vinha a imagem de Ashura na mente dela, para depois ela sorrir, o abraçando, com Naruto falando, olhando para ela ao se separarem, enquanto segurava as duas mãos dela:

- Eu sempre estarei junto de você! É uma promessa!

Ela sorri timidamente, corando, sendo que fala, sorrindo meigamente, contagiada pela felicidade dele, com as suas caudas abanando animadamente:

- Sim. Eu também estarei sempre junta com você.