Notas da Autora
Youko e Rikudou continuam o seu plano para tentar mudar o futuro caótico que viram em suas visões. No caso, as visões de Youko, graças a sua décima cauda.
Capítulo 11 - Shukaku e Gyuuki
Uma muralha se erguia no deserto. Era Sunagakure no Sato (砂隠れの里).
Rapidamente, Youko, em sua forma pequena, salta pela dentro da cidade, sendo que o seu poder evitava o jutsu de detecção lançado em todo o entorno.
Afinal, ela usava chakra senjutsu, que era o chakra da natureza e que não podia ser detectado pelos rastreadores.
Dentro da vila, ela se esgueira entre as construções, evitando com maestria os olhares dos ninjas que estavam de vigília e enfim, consegue chegar em uma casa, saltando com graça e leveza até o parapeito do quarto, onde se encontrava uma criança de cabelos ruivos, abraçado com um ursinho de pelúcia, olhando um ponto qualquer a sua frente, enquanto lágrimas silenciosas, brotavam de seus olhos e escorriam pelo seu rosto pueril.
Habilmente, abre a janela e automaticamente, Youko concentra os seus poderes gerando um ar frio, imperceptível, pois, ela o manipulou para que não sentissem o frio, ao usar o seu chakra senjutsu, não perceptível aos outros e somente podendo ser sentido por alguém que usava senjutsu.
A pessoa não sentia, enquanto que a técnica influenciava o sistema nervoso central das pessoas. O frio intenso causava sonolência, assim como diminuía as sinapses entre os neurônios. Graças a sua técnica, os que estavam na casa, passaram a dormir profundamente.
Delicadamente, ela pula nos pés da cama e olha maternalmente para criança que estava tão entretida em sua tristeza e dor, que não percebeu a raposa, até que pelo canto do olho nota dez caudas brancas felpudas e ao se levantar, olha em um misto de fascinação e surpresa para a bela raposa alva de dez caudas.
Então, os olhos outrora azuis como o céu, mudam para o rinnegan, com a raposa brilhando levemente.
Quando a criança pisca, ela está em um local escuro, que é iluminado por uma luz que vinha no centro de uma sala com paredes de pedra e a luz era semelhante ao sol.
Ela caminha timidamente até o local e avista uma espécie de texugo, dentro de um estranho círculo, cujas paredes eram de pedras, sendo que a criança murmura estarrecido:
- Ichibi (一尾)?
A imensa bijuu olhava pensativa para o sol, até que o som da voz do seu jinchuuriki, a faz sair de seus pensamentos, deixando-a aturdida, ao ver que o mesmo estava na sua frente.
Após o aturdimento, ela rosna e tenta estraçalha-lo, sendo que a sua pata bate na barreira invisível, enquanto que a criança caía para trás, assustada.
- O que faz aqui, gaki? - ela pergunta dentre rosnados - Como conseguiu chegar até onde eu estou?
- Não sei. Eu vi...
Antes que pudesse contar o que viu, surge de um tornado de neve e chamas azuis, uma raposa alva com o rinnegan, que olha atentamente para Shukaku, que murmura estarrecida:
- Rinnegan? Mas... É impossível. Essa sensação é de...
Então, a raposa brilha e surgem duas esferas luminosas dela.
Uma se torna Rikudou, que olhava pesarosamente para o estado de uma de suas crias, na sua frente e a outra se torna Youko, em toda a sua imponência e beleza, que olha pesarosa para o bijuu e depois para a criança, que fica assustada, inicialmente, até que Youko se agacha e sorrindo maternalmente, afaga a cabeça de Gaara, que fica inicialmente surpreso.
Então, ao olhar para os olhos dela, percebe que transmitiam calor e amor, fazendo com que o pequeno chorasse, compulsivamente, para depois abraça-la.
Rikudou olha tristemente para a criança, para depois olhar para Shukaku (守鶴), que começa a chorar também, enquanto o sennin quebrava facilmente a barreira que confinava sua cria, com a mesma assumindo a sua forma humana, semelhante a uma jovem que usava roupas cerimoniais. Ela tinha olhos ônix e cabelos ruivos, além de dois pares de orelhas e uma cauda com pelo curto na cor laranja.
A jovem abraça Rikudou, que a conforta, enquanto sentia toda a dor, raiva, ódio e desolação de sua filha, que narrava aos prantos o que ela vivenciou.
Gaara, que estava junto de Youko, ouvia o relato e chorava também, pois, nunca imaginou que um bijuu tivesse os sentimentos tão refinados quanto de um humano, sendo que inicialmente estranhou o corpo dela, pois, as raras vezes que ouviu a voz de seu bijuu, era uma voz masculina.
- É uma menina? - ele pergunta estupefato.
- Claro. Só gostava de fingir que era macho, para parecer mais imponente, gaki!
Ela fala com raiva, ao olhar para a criança, sendo que depois fica aturdida com o olhar de pesar dele para com ela, a desconcertando.
Então, Rikudou apoia a sua mão na cabeça dela, que sente seu ódio, dor, tristeza e revolta desaparecem, enquanto sentia que algumas lembranças dela estavam sendo seladas.
- Tou-chan? - ela pergunta surpresa.
- Está se sentindo melhor?
- Sim.
- Venha, Gaara-kun.
Rikudou sennin pede paternalmente a Gaara, que ao ver o olhar paternal do mesmo, semelhante ao da mulher com orelhas e caudas alvas, se aproxima.
O sennin afaga paternalmente a cabeça dele e fala:
- Preciso da ajuda de vocês dois. Vou modificar o selo, para que Shukaku fique fora de você, normalmente. Assim, poderia ter a experiência de viver entre outros humanos, com a sua verdadeira natureza oculta. No momento certo, vocês irão me encontrar, novamente.
- Então, vai partir, tou-chan? - a bijuu pergunta com lágrimas nos olhos.
- Sim. Mas, antes, criarei uma réplica sua com um pouco de seu chakra, sendo que depois você irá recuperar com os anos, o poder que vou retirar de você e criarei uma cópia do corpo do Gaara. Para todos os efeitos, Gaara morreu quando você quebrou o selo. Irão capturar apenas uma amostra do seu poder. Farei isso, pois, quero que saiam dessa vila e se dirijam a Konoha no Sato. Tem uma jovem Uzumaki chamada Minako. Ela irá acolher vocês. O Hokage irá dar identidades falsas a vocês. Quero que treinem para o futuro. Ambos.
Eles ficam surpresos, mas, concordam com a cabeça.
Então, Rikudou ativa seu rinnegan.
Uma parte do chakra de Shukkaku sai e a molda na forma que tinha a sua filha, sendo uma réplica visual, perfeita dela, sendo formado, apenas, por trinta por cento do poder da bijuu, que iria recuperar o chakra perdido, com o advento dos anos.
Gaara vê o seu corpo brilhar, sendo que uma esfera sai do mesmo. Yukiko concentra os seus poderes e surge uma nevasca em volta do brilho que se solidifica, para depois, esse brilho assumir uma cópia perfeita de Gaara.
- Se fizerem a autópsia, irão ver que é um corpo humano. Com isso, ninguém irá procurar vocês. É uma réplica perfeita.
Então, Gaara pisca os olhos e está em seu quarto, com Shukaku aparecendo ao lado dele.
Então, a raposa alva com o rinnegan, olha para eles e fala, com a voz tanto de Youko, quanto de Rikudou, misturadas:
- Vamos coloca-los em outra dimensão. Assim, poderemos transportá-los em segurança, enquanto que o teatro da libertação do selo será iniciado.
Então, ambos são enviados a uma dimensão sem qualquer construção, sendo que antes, duas esferas luminosas saíram de Gaara e passaram a flutuar no quarto. Uma delas assume a forma de Gaara, na cama e a outra começa a ampliar, ao mesmo tempo em que Youko sai do local, já com os orbes azuis, correndo em direção a muralha, se esquivando habilmente dos olhares, enquanto o quarto explodia.
A técnica que fez todos dormirem foi cessada, instantes antes e eles saem da construção, enquanto uma réplica de Shukaku, enfurecido, começa a rugir e como esperado, é contido e selado, rapidamente, pois, a vila já esperava algo assim.
Após ser selado, encontram o falso corpo de Gaara, fazendo eles acreditarem que a criança morreu, quando Shukaku se libertou.
A raposa se afasta habilmente e próximo de Konoha, seus olhos azuis se tornam como do Rinnegan, fazendo aparecer Gaara, que segurava firmemente a mão de Shukaku, com uma aparência de dezesseis anos, que sorria ao olhar em volta, falando:
- É tão bom ser livre, de certa forma.
- Você deverá se passar como irmã mais velha dele. Fale que ele é um Uzumaki. Com esse cabelo ruivo, ele pode se passar por um, assim como você. As marcas de olheiras em seus olhos irão desaparecer em algumas horas, já que ele poderá dormir tranquilamente. Quero que se cuidem e treinem. Os seus poderes serão necessários no futuro.
Ambos consentem, enquanto que a raposa sorria gentilmente para eles, antes de desaparecem em um tornado de chamas azuis e neve.
- Vamos, otouto?
A bijuu pergunta, sorrindo gentilmente, já que todo o seu ódio, revolta, amargura e dor, haviam sido apagados pelo seu pai, passando a ver Gaara como um otouto, passando a se preocupar com ele.
Ao ver o olhar gentil dela, ele se emocionou e falou:
- Claro, nee-san.
- Lembre-se. Nosso sobrenome é Uzumaki. Ainda bem que ambos temos cabelos ruivos.
- A sua forma humana é bonita. - a criança fala gentilmente.
- Você é muito fofo! - ela o afaga, sorrindo, para depois puxá-lo pela mão - Vamos em frente! Na nossa frente, está o nosso novo futuro!
- Sim. - Gaara concorda sorrindo, enquanto achava era bem animada e descontraída.
- Será que irei reencontrar a minha nee-san, aquela raposa baka?
- Nee-san?
- Sim. Ela se chama Kurama. Eu vivia atormentando ela. Vê-la irritada não tinha preço. Uma vez a soterrei com a minha areia. Ela ficou revoltada. - Shukaku conta dentre risadas - Eu não aguentava. Eu precisava provoca-la.
- Eu espero que possa reencontrar toda a sua família. Kurama não é a sua única irmã, né?
- Sim.
Nisso, ela conta a ele sobre os seus irmãos, com um olhar saudoso, assim como conta do jovem Ashura, que ela conheceu e que era um humano muito gentil e amável, que todos viam como sucessor legítimo de seu pai, enquanto que contou do forte medo que todos sentiram, quando viram Indra, que tinha uma áurea maligna, sendo o oposto de Ashura.
- Gostaria de ter conhecido esse tal de Ashura.
- Eu tenho saudades do Ashura onii-chan. Todos os bijuus o adoravam. Ele tinha o nosso respeito e adoração.
- Nossa...
Então, eles passam a conversar, enquanto caminhavam até Konoha, sendo que Shukaku estava atenta a qualquer movimentação suspeita.
Afinal, de ambos, era a única que poderia lutar, enquanto estava ciente que teria que aprender a usar jutsus, para não desconfiarem de sua verdadeira natureza.
Após duas horas, Youko e Rikudou, se aproximam das muralhas de outra vila, Kumogakure no Sato (雲隠れの里)graças a velocidade insana de Youko, por causa do chakra senjutsu e rapidamente, entram na mesma, driblando os jutsus de detecção, graças ao fato de Youko usar senjutsu, que não podia ser rastreado.
Habilmente, eles desviam de armadilhas, sendo que várias destas que eram ativadas pelo chakra, não foram ativadas, por causa do senjutsu, que era o chakra da natureza.
Após algum tempo, chegam a uma sala imensa, onde havia um vaso gigantesco com selos.
A pequena raposa caminha até o mesmo e encosta uma das patinhas, para depois brilhar e se teletransportar para dentro do vaso que era escuro, com exceção de uma luz bruxuleante que vinha do local onde Hachibbi estava selado, sendo que estava envolto em correntes com escritas nas mesmas.
Então, a raposa brilha e das duas esferas que surgem dela, aparece Rikudou e Youko.
O sennin, pesaroso, se aproxima do seu filho e habilmente, quebra todas as correntes, enquanto que o bijuu acordava.
Ele estica o seu corpo, sendo que estava confuso, até que sente um cheiro familiar e ao olhar para baixo, chora compulsivamente, assumindo uma forma semelhante a humana, de um rapaz, com um par de chifres na cabeça e oito caudas, que abraça Rikudou, que dá tapinhas confortadores nas costas dele, para depois ele perguntar:
- Eu estou tão feliz em revê-lo! Estavam planejando me selar em uma criança.
- Você seria selado nesse jovem. Mas, decide alterar o seu destino, assim como dos outros, frente as novas informações sobre o futuro.
Então, ele concentra os seus poderes e um brilho envolve Gyuuki, com um de seus chifres quebrados, sendo restaurado ao que era, sendo que a contraparte quebrada, que outrora estava em outra sala, desapareceu, para reaparecer nele. Ao mesmo tempo, ele sentia que toda a sua dor, ódio, revolta e tristeza, despareciam, assim como muitas recordações ruins.
- Tou-chan?
- Eu preciso de sua ajuda, meu filho.
- Ficarei feliz em ajuda-lo, tou-chan.
- Vou escolher uma jovem para ser a sua jinchuuriki. Porém, o selo que vou colocar é especial. Você poderá ficar fora dela. Vocês precisam de um jinchuuriki. Vocês não podem ficar no mundo sem eles, em decorrência de um grande perigo que ronda esse mundo.
- Eu entendo, tou-chan - nisso, ele repara em Youko que sorria bondosamente - Quem é ela?
- Ela se chama Youko. Ela não é uma bijuu e sim, uma daiyoukai. Usa senjutsu. Nós nos unimos, para salvar o futuro. O chakra senjutsu dela é excelente para lidarmos com armadilhas e com rastreadores, além dela ter habilidades incríveis, graças a legendária décima cauda que possuí.
- Como irá me tirar daqui? Eu vou ser caçado se eles perceberem que me libertei.
- Vou pegar uma parte do seu chakra. Ele ficará selado aqui. Você irá recuperar com os anos, essa quantidade de chakra que retirei de você. Irei confina-lo em uma pequena esfera, como no passado, no caso, em uma conta, para poder tirá-lo daqui. Em segurança.
Gyuuki confirma com a cabeça e Rikudou, concentrando os seus poderes e usando o rinnegan, extrai uma parte do poder de seu filho, que assume a forma bijuu dele, sendo que as correntes retornam como estavam antes, selando essa essência, sem qualquer vestígio de consciência, para depois fazer surgir uma conta espiritual em formato de alma, confinando Hacchibi nele, que fica pequenino e na sua forma bijuu, dormindo.
Então, chamas e neve reaparecem na frente do vaso, com Youko segurando a esfera com o bijuu na sua boca, enquanto partem dali.
Após duas horas, a raposa se aproxima da jovem, onde Rikudou e Youko pretendiam selar Gyuuki, tornando-a a jinchuuriki dele.
